Quarta-feira, 20.05.09

 

A partir do próximo ano as provas europeias voltam a dar uma volta de 180 graus. A UEFA na última década tem sido pródiga em experiências e para o ano voltamos a ver as regras do jogo alteradas. Fica a promessa que durante três anos o modelo fica sempre igual, mas que será revisto a tempo da temporada 2012/2013, talvez também pela futura regra de 6+5 que o organismo quer adoptar. 

 

A verdade é que para além dos rankings terem sido actualizados – a partir de 2010/2011, por exemplo, Portugal perde mais um clube apurado para as competições europeias – há uma lavagem de cara da Champions League e um autentico lifting na extinta Taça UEFA que se passará a designar pelo pomposo nome de Europe League. A ideia é repartir mais dinheiro por mais gente, organizar os horários televisivos e liberalizar o acesso ás grandes provas da UEFA. O resultado parece que será o mesmo, ou seja, uma Champions dominada pelo eixo anglo-espanhol e uma Liga Europa para os filhos malditos da principal prova e para os novos ricos do futebol continental.
 
Na próxima edição da Champions League passaremos a ter mais equipas grandes directamente apuradas para a fase de grupos. As três primeiras ligas do ranking (Inglaterra, Espanha e Itália) terão três equipas apuradas automaticamente, em lugar das anteriores duas. Isso significa que vagas que pertenciam a países mais modestos (como Portugal, Holanda ou Escócia) passam a ser dos terceiros classificados dos grandes campeonatos. Em troca a última fase de pré-qualificação passa a estar dividida em dois grupos distintos. Um play-off entre os quartos e terceiros classificados das principais ligas (onde entram aqui a parte de Inglaterra, Itália e Espanha as equipas de França, Alemanha e Rússia) e os segundos classificados dos países de poder médio. Casos do Sporting português, do Twente holandês, ou do rivais turco ou ucraniano. Isso permite que as dez equipas campeãs das ligas menos poderosas do futebol europeu discutam as restantes vagas e assim não correm o risco de apanhar um tubarão pelo caminho. As anteriores pré-eliminatórias continuam o mesmo formato – uma primeira apenas para os últimos clubes do ranking e uma segunda para os primeiros e segundos dos campeonatos mais pequenos e uma terceira fase onde já entram as restantes equipas, excepto os quartos dos tres primeiros paises e os terceiros de França e Alemanha. No caso português, o FC Porto mantém o apuramento directo enquanto que o Sporting entrará na terceira pré-eliminatória e em caso de apuramento seguirá para o futuro play-off dos não campeões, resultado da posição portuguesa no ranking mas que não favorece em muito as aspirações nacionais, face aos possíveis adversários.
 
A partir daí tudo igual que antes. Oito grupos de quatro, jogos de ida e volta e os dois primeiros apurados, seguindo as fases a eliminar até à final no Santiago Bernabeu. Aí entra a última novidade. Pela primeira vez a final deixa de ser a uma quarta-feira, passando ao sábado seguinte numa ideia em que a UEFA defende que seja amiga do público, já que a disponibilidade pode ser maior. Para esse fim-de-semana na capital espanhola estão agendados vários eventos que serão anunciados no Mónaco, aquando do sorteio.
 
Já a Liga Europa é uma novidade completa. Herda a estrutura da Taça UEFA mas actualiza a fase de grupos, de forma a tornar-se mais rentável. Enquanto que a Taça Intertoto mantém o mesmo modelo, as primeiras pré-eliminatórias vão congregando os apurados dos distintos países. Tal como tem acontecido, os países colocados na primeira metade do ranking entram mais tarde em prova, e os vencedores das taças apenas na última pré-eliminatória, junto com os eliminados da última fase de qualificação da prova principal da UEFA. Directamente apurados para a fase de grupos será o campeão em titulo e os dez clubes eliminados da fase de play-off da Champions League. Grupos que passam a ser de quatro equipas – e não cinco – e que de oito passam a doze. Desta forma a fase de grupos será disputada por um total de 48 equipas, com jogos a disputar ás quartas e quintas-feiras em semanas intercaladas com a Champions. No final apuram-se directamente os dois primeiros de cada grupo, a que se juntam os oito terceiros classificados da fase de grupos da Champions League, tal como acontece hoje. A partir daí regressa a fase a eliminar a dois encontros, dos 16 avos de final até à final, esta ainda disputada numa quarta-feira no Nordbank Arena em Hamburgo.
 
No que diz respeito à participação das equipas portuguesas, o ranking determina que para a edição deste ano – e por estar ainda em vigor o ranking anterior – Portugal apura quatro equipas, três pelo campeonato (SL Benfica, Nacional e SC Braga) e um pela Taça (Paços de Ferreira). Destes o Paços tem a certeza de que entrará na última pré-eliminatória, enquanto que o terceiro e quarto classificados entrarão na segunda. A equipa que terminar no quinto posto será também a primeira a entrar em competição. Relativamente à Intertoto, a prova continua a funcionar por convite, pelo que depende dos clubes apresentar a candidatura a entrar na prova.
 

 

O nascimento da Liga Europa significa uma maior centralização das provas europeias pela UEFA de Michel Platini, defensor deste sistema há vários anos. Os clubes a nível médio agradecem porque aumentarão os jogos, e com eles as receitas, que serão negociadas tal como a Champions num pack único, se bem que a valores ainda bastante inferiores. Ir à Liga Europa não enriquecerá ninguém, mas é uma ajuda em comparação com as baixíssimas verbas que a UEFA entregava por terminar a prova que hoje chega ao seu final, oficialmente com este nome.


Miguel Lourenço Pereira às 16:25 | link do post | comentar

Sexta-feira, 08.05.09

A injustiça poética do futebol voltou a marcar uma noite europeia inesquecível. Ontem fez-se história. Em Donetsk. Em Hamburgo. História agridoce para alguns, inesquecível para outros. Uma equipa que já sabe o que é triunfar na Europa soube sacar o melhor que tinha dentro de si para dar a volta a um resultado que parecia letal. Quase noutra ponta do continente, o outro veterano sucumbiu ao drama do último minuto e abriu passo para um estreante, que mais do que conseguir um lugar na sua primeira final europeia, logrou eliminar estoicamente o seu eterno rival, depois de décadas a viver à sua sombra. Em Istambul o futebol viverá a consagração da classe média europeia, desses clubes fantásticos de ligas menos mediáticas mas que provaram que é possível bater o pé aos grandes. Duas equipas que saíram directamente da Champions League para brilhar na UEFA. Uma vez mais… 

Na fria Ucrânia fez-se história para os adeptos locais. Depois de ter vivido mais de meio século à sombra do clube da capital, o Shaktar confirmou a definitiva rebelião dos modestos ucranianos e assumiu-se como grande. A entrada de um multimilionário apaixonado pelo clube e a armada brasileira que foi criteriosamente contratada pelo treinador Mircea Lucescu fez o impensável. O golo ao minuto 89 teve todos os condimentos de justiça poética. Se no primeiro jogo a sorte acompanhou a equipa de Donetsk, massacrada pelo rival de Kiev, neste segundo encontro o equilíbrio da balança pendeu para o outro lado. Na véspera de um agonizante prolongamento, Ilsinho, um dos mais brilhantes executantes dessa fornada canarinha, roubou o sonho ao Dynamo de voltar a disputar um troféu europeu. Era hora de uma nova geração. A partida não teve a emoção de uma meia-final, foi mais um ajuste de contas típico dos derbys locais. A questão começa no planteamento de ambas as equipas.

 

O quadrado brasileiro com Fernandinho, Jadson, Luíz Adriano e Ilsinho partiu os rins à sólida defesa do Dynamo. Aliev, essa eterna promessa à espera de dar o salto para um grande do ocidente, pautou o jogo recuperando o controlo para os visitantes e depois de um golo anulado, Bangoura repôs a justiça no marcador. Empate em Donetsk. Empate na eliminatória. Um empate que não favorecia ninguém mas que nenhum parecia desdenhar. Mas a rebeldia sempre acaba por derrubar as mais sólidas barreiras e numa finta genial, Ilsinho, decidiu que era escusado estar mais meia hora em campo. E assim ganhou direito à imortalidade.

 

Numa prova dominada por equipas do centro e leste da Europa, foi a magia dos brasileiros que fez a diferença. Do outro lado, naquele jogo onde parecia que tudo ia de feição ao Hamburgo, apareceu outro, talvez o mais desequilibrante médio ofensivo da prova. Diego foi mestre e senhor do meio campo do Werder Bremen e ontem, uma vez mais, mostrou que os 25 milhões que a Juventus já pagou para fazer dele o seu novo estratega são uma inversão com possibilidade de lucro imediato. Um jogo fabuloso do brasileiro que deu a reviravolta a um encontro de loucos. Olic marcou primeiro e provou que em casa o Hamburgo é letal. Até que chegou Diego e o empate. Os da casa tremiam e os visitantes entravam no segundo tempo de rompante com dois tentos, o primeiro do peruano Pizarro e o segundo, com a ajuda divina, de Frank Baumann, após desvio fundamental da torre portuguesa que dá pelo nome de Hugo Almeida.

 

Numa prova dominada por equipas do centro e leste da Europa, foi a magia dos brasileiros que fez a diferença. Do outro lado, naquele jogo onde parecia que tudo ia de feição ao Hamburgo, apareceu outro, talvez o mais desequilibrante médio ofensivo da prova. Diego foi mestre e senhor do meio campo do Werder Bremen e ontem, uma vez mais, mostrou que os 25 milhões que a Juventus já pagou para fazer dele o seu novo estratega são uma inversão com possibilidade de lucro imediato. Um jogo fabuloso do brasileiro que deu a reviravolta a um encontro de loucos. Olic marcou primeiro e provou que em casa o Hamburgo é letal. Até que chegou Diego e o empate. Os da casa tremiam e os visitantes entravam no segundo tempo de rompante com dois tentos, o primeiro do peruano Pizarro e o segundo, com a ajuda divina, de Frank Baumann, após desvio fundamental da torre portuguesa que dá pelo nome de Hugo Almeida.



Miguel Lourenço Pereira às 11:07 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Quinta-feira, 07.05.09

Já está disponivel online o meu segundo artigo semanal de colaboração com o weblog FutebolArtte. Um artigo dedicado á antecipação dos dois encontros da segunda mão da Meia Final da Taça UEFA.

 

"Já há muito que deixamos o gélido Inverno ucraniano e as praias desertas do Mar Báltico. O duelo entre rivais e irmãos vai dar origem a mais 180 minutos de alta tensão..."

 

Podem continuar a ler o artigo aqui...

 

 



Miguel Lourenço Pereira às 00:01 | link do post | comentar

Quinta-feira, 30.04.09

Um derby é sempre um derby. Quando em causa está uma presença numa final europeia a tensão sobe ao máximo.

Hoje a Alemanha e Ucrania vão parar durante 90 minutos. Para a semana que vem, poucos serão os adeptos que ainda tenham unhas nas mãos. Está claro que a final da Taça UEFA deste ano é um duelo ucraniano-germanico. Mas isso é o menos. O interessante aqui são as equipas em jogo, dois derbys quentes, muito quentes, que já deram muito que falar no passado. Da mesma forma que ao Real Madrid soube especialmente bem vencer a sua nona Champions League, depois de eliminar o Barcelona nas meias no Camp Nou. Da mesma forma que o Chelsea chegou à final do ano passado tirando finalmente a espinha do Liverpool, que há tanto tempo tinha atravessada, este ano a UEFA dá lugar a dois dos mais emocionantes dueles dos palcos europeus.

 

O norte da Alemanha sempre foi uma das zonas do país onde o futebol foi visto com grande paixão. Longe do jogo fisico praticado no Leste e Sul, o toque de bola sempre foi uma qualidade habitual das equipas da zona hanseática. E entre elas há dois rivais especiais: Werder Bremen e Hamburgo. O primeiro pratica um futebol ofensivo e extremamente atractivo. Thomas Schaaf pegou na equipa, soube recoloca-la nos lugares de topo, e apesar de este ano estar já fora da luta pelos lugares europeus, a campanha do Werder Bremen tem sido excelente. Boas prestações na Champions, a caminho da final da Taça da Alemanha, é o grande favorito para vencer a prova. Conta com o jogador mais desiquilbrador (Diego, que o FC Porto nunca soube aproveitar) e uma linha ofensiva de respeito.

Mas atenção. Se há equipa capaz de travar o futebol ofensivo dos verdes essa é o Hamburgo. Cidade rival há séculos, os de Hamburgo ostentam uma Champions League e várias Bundesliga no historial. Mas há anos que não estão na alta roda europeia. O vento de mudança parece ser real esta temporada, e depois de uma excelente partida na segunda mão dos oitavos de final, o Hamburgo está preparado para lutar pelo titulo. Resta saber se a derrota contra os rivais de hoje na meia-final da Taça da Alemanha vai servir como motivação...ou como elemento destabilizador de um dos candidatos ao titulo.

 

Do outro lado está o futebol ucraniano, que recuperou o prestigio perdido desde o desaparecimento da URSS. Nos anos dourados do futebol soviético, o Dynamo Kiev era o emblema mais importante do futebol da Europa Comunista. Agora continua a se-lo, mas apenas do campeonato ucraniano, que tem dominado com relativo à vontade. A morte de Lobanovsky coincidiu com a ascensão do Shaktar Donetsk. O clube rival do Dynamo conquistou tres titulos de campeão nos últimos anos e graças a uma talentosa brigada de brasileiras afirmou-se como um habitual das competições europeias. Mas nunca tinha chegado tão longe. É a oportunidade de fazer história, algo que o seu rival da capital conhece bem, já que conta com duas Taças das Taças e uma Supertaça Europeia nas vitrines. Milevsky liderará o exército de Kiev, favorito neste jogo, mas um duelo do leste da Europa é sempre algo previsivel. O campeonato local é liderado pelo Dynamo com uma ampla vantagem sobre o clube de Donetsk. Mas este jogo é a eliminar e tudo pode passar.

 

O que é certo é que, seja qual for o vencedor da competição, a vitória terá sempre um sabor especial.



Miguel Lourenço Pereira às 16:01 | link do post | comentar

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