Quarta-feira, 21.12.11

Setembro nunca foi tão quente e Guardiola tão audaz. Nesse inicio de mês de despedida de um Verão inesquecível escrevi aqui que o técnico de Santpedor tinha dado um passo mais em frente e abdicado da figura do avançado moderno. Muitos pensavam que este Barcelona não podia ir mais longe e que o desejo de jogar só com centro-campistas era mais um sonho retórico que um projecto realista. Palavra de Pep, palavra cumprida. O futebol de moda, agora,  é dos médios!

A chegada de Fabregas e Alexis Sanchez ao Camp Nou (ao mesmo tempo que se promovia definitivamente o talento inato de Thiago Alcântara) parecia, à primeira vista, criar um problema de overboking. Um plantel superlativo com poucas opções atrás, menos à frente e um excesso de centro-campistas para quem esteve habituado a jogar os últimos anos num 4-3-3 fléxivel mas, mesmo assim, 4-3-3.

Guardiola, provavelmente o treinador que melhor soube inovar tacticamente o jogo desde os dias de Marcelo Bielsa (de quem, de certa forma, é tão sucessor como de Johan Cruyff) sabe que não renovar é morrer, não só no panorama do futebol profissional actual mas, sobretudo, no ADN desportivo do Barcelona.

Um clube que sofre mais do que é habitual quando deixa de ganhar tem de encontrar uma constante motivação para não perder. A decadência dos projectos de Cruyff, van Gaal e Rijkaard deixou lições aprendidas e, melhor do que ninguém, Guardiola sabia que o sucesso só era factível se a aposta fosse em quem sentisse profundamente o sentimento de gere o cosmos de um clube que brilhou com os seus galácticos nos anos 90, com uma hoste de holandeses na mudança de século e depois com o sotaque exótico afro-brasileiro no mandato de Rijkaard. Rodear-se de filhos da Masia, filhos seus, foi o primeiro passo. Cercar-se de médios, o definitivo.

Guardiola sempre referiu que para ele o jogo era uma questão de centro-campistas e se fosse possível alinhar 11 médios o faria. Claro que muitos levaram pouco a sério este e outro tipo de frases que levaram a Ibrahimovic a catalogar o técnico como "filósofo", um epítome que funciona mal com o cheiro a suor dos balneários. Mas esse ideário táctico que contrariava a tendência histórica de considerar o jogo ou uma questão de defesas ou de avançados nunca saiu da mente de Pep e sentindo-se forte, sentindo-se conhecedor do meio onde navegava, o técnico decidiu romper com as regras e realizar a mais profunda mutação táctica desde os dias de Sacchi. No ocaso do Verão anunciou as intenções, na despedida do Outono completou a metamorfose. Muitos duvidavam da eficácia do 4-6-0. Para Guardiola o futuro é o 3-7-0.

 

Naturalmente um desenho táctico sem avançados e praticamente com os mesmos defesas que ideou Herbert Chapman há oitenta anos não só parece complexo no papel. Na realidade é-o ainda mais. Provavelmente é um esquema que funcionará no tempo e espaço, tempo hoje, espaço Camp Nou, reflexo perfeito desse leque de maravilhas que é o plantel blaugrana. Dificilmente uma equipa pretérita conseguiu reunir tantos talentos num espaço tão apertado do tapete verde como este projecto que arrancou com os despojos de Rijkaard e que se metamorfoseou até tornar-se algo profundamente inovador.

Qualquer clube que não disponha de jogadores que combinem tão bem a velocidade e o critério, o posicionamento defensivo e o jogo colectivo transformaria este esquema num desastre absoluto, mais próprio de um desenho infantil do que uma ideia vanguardista. Mas Guardiola sabe que esta era é irrepetível e que Xavi, Iniesta, Busquets, Cesc, Messi, Thiago e Alves não voltarão a jogar juntos com o mesmo apetite, frescura e classe como nesta série de anos que se prolonga mais do que muitos esperariam. Por sabê-lo, por senti-lo, Pep tem a certeza que esta experiência entrará nos anais da história e aí ficará, como peça de museu, quando o seu projecto, inevitavelmente se desintegre. E enquanto dura, o melhor é desfrutá-la.

Este 3-7-0 não renega do ataque nem da defesa. Busca o eterno equilibrio que tantos técnicos são incapazes de lograr, ora sacrificando um homem à frente (como os Mourinho), ora perdendo o controlo do manejo dos espaços atrás (como sucedeu com a Alemanha de Low no último Mundial). Guardiola conta com um lateral da escola brasileira que lhe garante a factibilidade de jogar apenas com três defesas. Dani Alves não é um jogador único porque o seu modelo de jogo é, no fundo, um loop do que o Brasil vem oferecendo, com mais ou menos critério, desde a década de 50. O seu aproveitamento como falso extremo, falso médio, falso defesa emula o que Scolari procurou com Roberto Carlos e Cafú em 2002 e de certa forma pode dizer-se que o brasileiro fez pelo lado direito o que o eterno número 3 do Real Madrid logrou com o esquerdo. O seu balanço ofensivo é compensado pela frieza posicional de um trio de ases - Puyol, lateral direito nos dias de van Gaal, Piqué e Abidal, um lateral esquerdo que é central e que às vezes nos lembra que foi lateral esquerdo. Com esses três homens (e com Mascherano), Guardiola sabe que a solução será sempre a mais fácil e, preferencialmente, com a bola a seguir tranquilamente no tapete verde. O trabalho de Victor Valdés, que se transforma nesse quarto defesa, num libero ao estilo de Rene Higuita, é igualmente fundamental para garantir uma defesa que se coloca preferencialmente equidistante entre o miolo e a grande área. E que encurta o campo como Guardiola aprendeu de Sacchi durante horas de conversas perdidas no tempo.

 

É no entanto o médio que se torna o protagonista. O verdadeiro, o falso, o interior, o exterior, o ofensivo, o destruidor, o constructor...

Com Guardiola o futebol de moda tornou-se no futebol dos médios. Hoje os miúdos continuam a encantar-se com golos e sprints mas há cada vez mais pequenos Xavis, Iniestas e Fabregas de futuro nos recreios das escolas. O médio total tornou-se tão ou mais apelativo que a figura do solitário dianteiro. Essa solidariedade colectiva de que vive o jogo do Barcelona, esse eterno rondo que continua até nas horas de sono, transforma os sete magníficos do miolo numa arma impossível de contrariar, pelo menos, até agora.

Alves é o homem que varre à direita, aquele em quem todos podem confiar que tanto pode abrir o campo ao máximo como, subitamente, realizar uma diagonal que desconstrói a defesa mais bem organizada. No lado oposto dançam Sanchez ou Thiago (ou Pedro, ou Villa, ou Afellay, ou Cuenca que a lista é interminável). Esse é o posto mais anárquico, o que varia conforme o interprete mas que, sobretudo, tem menos preocupações defensivas que o lado oposto, o que mais depressa encontra forma de surgir como falso avançado (como sucedeu com Sanchez no Bernabeu) ou pivot para o jogo de toque curto dos restantes cinco. No jogo contra o Santos, o tal que fará parte de qualquer lição de bem jogar a partir de hoje e até tempos imemoriais, Thiago exemplificou perfeitamente o que Guardiola idealizou para essa camisola rotativa. Um sacrifício pelo bem comum, um destelho para a alegria colectiva. Desde o seu primeiro ano que nos habituamos a ver os extremos de Guardiola junto da linha lateral. Tornou-se no seu habitat natural, da mesma forma que já o eram nos dias de Chapman e que, com o passar dos anos, se tornou num pálido reflexo do passado. Mas, sobretudo, esse posicionamento permitiu abrir um imenso quadrado no meio onde se desenham os triângulos que formam o esqueleto blaugrana. Esses são os homens que fazem funcionar a máquina. O que impedem que a bola não incomode demasiado os três (quatro com Valdés) atrás e que garantem que ela acabe, com o máximo número de toques possível, nas redes do contrário.

Dois vértices em baixo - Busquets e Xavi - dois vértices em cima - Cesc e Iniesta - e um joker livre pelo meio, Lionel Messi, e as palavras deixam de fazer sentido. A forma como a bola flutua pelos pés dos cinco jogadores em espaços tão exíguos relembra uma celebre cena de um dos mais icónicos dos filmes dos irmãos Marx, A Night at the Opera, onde o quinteto de irmãos consegue encher um compartimento de um cruzeiro das mais distintas personagens.

O miolo do Barcelona parece sempre sobrepovoado, o campo parece do tamanho de um ringue de futebol sala, e no entanto essa escola de toque que se fomenta desde a mais tenra idade na Masia transforma esse problema na verdadeira solução. Os rivais não sabem manobrar-se em tão pouco espaço, a bola perde-se com mais facilidade porque não há tempo para pensar e a tentação do lançamento largo só facilita a recuperação da posse de bola, esse credo do qual vive e respira qualquer equipa de Guardiola.

 

O 3-7-0 não será a táctica do futuro (o 4-6-0 não era propriamente uma novidade inédita, apesar da sua pontualidade ocasional) porque depende de tantas condições que é altamente improvável que volte a surgir uma conjuntura tão propicia. O futuro do futebol mundial dependerá sobretudo não dos Mourinhos, Ferguson ou Wengers, nomes consagrados fieis ao seu ideário, mas sim dos técnicos novos que estudem a maneira de pensar deste Barcelona e encontrem o antídoto certo, um antídoto que reclame a bola e o espaço como seu sem abdicar de um e de outro. Será complicado porque o esgar colectivo de assombro, esse aplauso generalizado provoca sobretudo uma falta de tempo e critério para a observação e estudo das falhas, que certamente existem, no planteamento de Guardiola. Até chegar esse momento, até assistir-mos a uma nova metamorfose, o futebol será desses magníficos. Mais do que títulos o grande logro histórico deste Barcelona foi superar os preconceitos do passado e transformar-se na vitória dos médios!



Miguel Lourenço Pereira às 09:42 | link do post | comentar

Terça-feira, 14.12.10

A FIFA gosta de espectáculos de máxima tensão mediática num exercício de auto-glorificação que se foi acentuando com o passar das décadas. No entanto, e apesar do inegável sucesso de um número esmagador de iniciativas, o máximo orgão do futebol internacional tem ainda uma espinha atravessada na garganta. Este ano, uma vez, fica a nu a eterna inutilidade do Mundial de Clubes.

 

 

 

 

 

Atravessado no calendário entre fins de época para uns e momentos criticos da temporada para outros.

Organizado no meio do nada, ponto de ligação entre continentes sem um fluxo comum, o Mundial de Clubes é tudo aqui que o Mundial de Selecções não é: aborrecido, repetitivo, pouco entusiasmante e um verdadeiro fantasma mediático.

A prova já arrancou nos Emirados Árabes Unidos mas quem se deu conta? Os dois Inter, o de Milão e o de Porto Alegre, partem como favoritos. A velha lenga-lenga de sempre. Acabou-se com a Taça Intercontinental, criada numa era em que mais nenhuma confederação tinha provas continentais a não ser a sul-americana e a europeia, mas a essência deste Mundial reciclado termina sempre por ser a mesma. O duelo do vencedor da Champions e da Libertadores, equipas que se conhecem com meses de antecipação neste cruzamente de datas que não lembra a ninguém. Certo é que o problema começa na calendarização internacional, com épocas a começar e a acabar com uma disparidade gritante. Os clubes europeus chegam a meio da temporada, um período critico nas suas lutas internas mas na máxima forma fisica. Os sul-americanos aterram no final da temporada, com as pernas cansadas e os objectivos principais logrados (ou não). Pouco há quem acredite que este Inter representa o melhor da Europa. O mesmo passa com o Internacional. Duas equipas que obtiveram há meses o corolário e que viverão mais meio ano à sombra dos seus logros passados. Nada mais errado para preparar um torneio que, se supõe, devia ser entre os melhores dos melhores nos quatro cantos do Planeta.

 

Se a Taça Intercontinental era um jogo, apenas, passível de ser enquadrado numa qualquer semana do calendário sem menor prejuizo, o Mundial de Clubes deveria surgir como um evento capaz de parar o Mundo do Futebol. O Planeta ficaria suspenso durante a semana ou quinzena em que os máximos representantes dos distintos modelos e escolas do jogo disputassem o troféu mais apreciado. É-o assim com as selecções, porque não com os clubes?

O torneio rege-se actualmente com um formato comodista. O adepto europeu nada sabe dos campeões africanos, asiáticos ou da Oceania porque eles, os insignificantes, lá se vão eliminando em play-offs que fazem lembrar os que defendem que não há lugar para as Malta, Luxemburgo, Andorra e San Marino nas qualificações da zona europeia. O Mundial desvirtua-se desde o primeiro minuto com esse apartheid moral que a FIFA otorga aos continentes que não aportam o mesmo peso mediático que os grandes. E os grandes sabemos sempre quem são.

O modelo de organização perde, igualmente, por manter-se estático e imutável num mesmo lugar. Se a prova se prepara para regressar ao Japão (e historicamente a Ásia foi escolhida a partir dos anos 70 porque começa a surgir como alternativa aos dois grandes da Intercontinental), a verdade é que o modelo ideal deveria passar por uma organização rotativa entre os distintos continentes. Ano após ano, continente após continente, o Mundo pararia uma semana para ver os melhores. E a FIFA teria o retorno que procura lograr e não sabe como. Actualmente disputam o torneio sete equipas. Automaticamente nas semi-finais estão europeus e sul-americanos. Asiáticos, norte-americanos, africanos, oceanicos e um representante do país organizador dividiam as pré-eliminatórias até chegar ao duelo final. Um modelo exclusivo, injusto e prejudicial para o desenvolvimento de um torneio que deveria ter outro rosto, bem mais igualitário.

Um torneio que enquadra-se não só os campeões continentais mas os vencedores das distintas provas inter-clubes que poderiam incluir a Mercosur ou a Europe League, de forma a alargar o número de participantes num torneio fechado real, com fases distintas de apuramento e eliminação na corrida até ao titulo final. Um torneio dessas caracteristicas não seria só o melhor sinal da democratização real do desporto a nível de clubes, como já existe há muito a nivel de selecções, como funcionaria mediaticamente para recuperar uma velha ideia nunca fielmente concretizada, a de eleger o melhor clube mundial.

 

 

 

Se o Inter de Rafa Benitez não cumprir com o favoritismo que acompanha inevitavelmente o campeão europeu neste tipo de certame que ninguém se estranhe. Há muito que os sul-americanos mostraram dar mais importância a este duelo do que os conjuntos europeus. A final entre ambos é um dado quase certo à espera de confirmação. O jogo será visto por poucos, as pré-eliminatórias terão sido acompanhados por menos e no final o distintivo que acompanhe a camisola do ganhador valerá tão pouco que há que equacionar num futuro imediato qual é a real utilidade de uma prova que não se assume como tal, entalada numa zona zero, e que pretende agradar a todos mas que acaba por não convencer ninguém.

 

PS: Felizmente o futebol é perfeito demais para ser destroçado por uma organização do nível da FIFA. A vitória dos congoloses do TP Mazembe é apenas mais um sinal de que o resto do Mundo futebolistico merece mais respeito e consideração. Ter um clube africano na final do Mundial de Clubes não deveria ser noticia. Mas sabe sempre bem quando a evidência sucumbe á lógica da bola.


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Miguel Lourenço Pereira às 11:03 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 17.12.09

Quando se lembre este Barcelona os primeiros jogadores que virão à memória de qualquer adepto são consensuais. Xavi, Messi, Etoo, Iniesta, Ibrahimovic, Valdez, Pique, Puyol, enfim, a nata do Pep Team. No entanto só um jogador pode presumir de ter sido verdadeiramente histórico. Com o seu golo de ontem, pleno de oportunismo, Pedro Rodriguez tornou-se no primeiro jogador da história em marcar golos em todas as competições do ano. En Can Barça nasceu uma nova estrela. Para a história recordar.

Contemos esta fábula de trás para a frente. Pelo o último capitulo.

Minuto 55 em Abu Dhabi. O Barcelona dá a volta ao marcador e Guardiola suspira de alivio. Começa outro jogo, totalmente diferente. Nota-se no olhar dos jogadores. Querem fazer história. Mas outra pequena grande história. O "Barcelona das 6 Taças" é uma realidade quase iminente. Mas antes desse momento histórico no balneário blaugrana festeja-se outro registo inesquecível. Doze minutos depois Andrés Iniesta regateia dois defesas e coloca a bola a jeito. O jovem canário Pedro Rodriguez, que muitos ainda insistem em chamar de Pedrito, recebe a bola e fuzila as redes do Atlante. O estádio vem abaixo e toda a equipa se precipita sobre ele. Está cumprido o seu sonho. Marcar golos em todas as competições num só ano. Algo que ninguém nunca tinha logrado em mais de cem anos de história. Até que chegou este jovem das Canárias a Barcelona. Depois de um periodo de formação ao serviço de Guardiola começou a treinar com a primeira equipa. A pouco e pouco foi encontrando o seu espaço. E a demonstrar o quão letal pode ser o faro goleador de um extremo.

 

Pedro Rodriguez é a grande sensação de um campeão que ainda não se encontrou com o espelho. O reflexo da época transacta ainda intimida e de que maneira. A equipa teima em mastigar muito a bola e a beleza estética exibida no início de 2009 hoje é uma leve miragem. No meio disto tudo há espaço para crescer. Sem pressão. Há sempre outros com ombros mais largos. Esse atrevimento protegido de Pedro espelha bem o espirito que Guardiola dá aos seus jogadores. Quando lhe perguntaram se estava consciente do record histórico que o seu jogador poderia lograr, Guardiola sorriu, e em lugar de fazer o tipico discurso de que a equipa está em primeiro lugar foi contundente: "Se é assim, vai ser titular de certeza!". E foi. E marcou. E fez história. Outra vez.

Recuamos alguns meses, estamos em Agosto. O Barcelona visita o estádio de San Mamés para disputar a Supertaça de Espanha. Um drible, uma diagonal, um remate poderosissímo. Golo. Do jovem Pedrito. Um golo repleto de atrevimento. Era o 2-1 decisivo que dava o primeiro trofeu da época ao Barcelona. O quarto do ano 2009. Treze dias depois no Monaco o Shaktar Donetsk vai travando a armada blaugrana. O 0-0 prolonga-se no marcador até que o técnico lança o jovem extremo. Um rápido slalom, um remate impertinente e a muralha desmorona-se. Segundo troféu em duas semanas e dois golos mais para a conta pessoal de Pedro. Semanas depois o jovem extremo volta a mostrar a sua eficácia na Liga espanhola ao apontar o golo vencedor diante do Almeria. Uma semana depois novo golo na Taça do Rei frente ao Cultural Leonesa. E quinze dias depois no Camp Nou o golo que deu o triunfo sobre o Dynamo de Kiev. As contas eram fáceis. Cinco provas disputadas, cinco golos apontados. Só faltava uma prova no calendário do ano. E um golo. E assim se cumpriu o destino alegro de Don Pedro.

 

O jovem extremo é a última pérola a sacar La Masia. Recrutado bem jovem a um pequeno clube das Canárias, o jovem de Santa Cruz de Tenerife passou duas temporadas na equipa B do Barcelona. No primeiro ano teve a Guardiola como técnico. Quando este foi promovido a técnico principal o jovem Pedro estava num lote de jovens que queria promover junto a Busquets, Muniesa, Jeffre, Asulin, Sanchez e dos Santos. A pouco e pouco foi treinando com a primeira equipa e estreou-se no final da temporada passada já com o Barça plenamente consagrado. Foi a partir da pré-época que o jovem de 21 anos começou a ganhar protagonismo face às lesões de Henry e Messi. Os golos surgiram de forma natural num jogador que procura constantemente o cara a cara e não tem receio de ensaiar o remate. Esteja onde estiver. Relegado várias vezes por Guardiola para o banco, tem funcionado como alavanca fulcral para resolver jogos complicados. E como provam os seus históricos golos o extremo tem cumprido. Com Henry a caminhar a passos largos para o final da sua carreira, Pedro Rodriguez perfila-se como o seu sucessor natural. Vai ganhando ritmo e minutos nas pernas. Mas também titulos e recordes históricos.

Muitos reclamam uma titularidade indiscutível para um dos jogadores mais em forma dos blaugrana. Mas apesar da pressão mediática Guardiola sabe como medir a dose dos seus jovens talentos. Pedro terá certamente novas oportunidades de voltar a exibir o seu talento. E a selecção espanhola é a última meta. Mais um prodigio para complicar as contas a Vicente del Bosque. E um nome obrigatório para um futuro que já passou.



Miguel Lourenço Pereira às 09:51 | link do post | comentar

Quinta-feira, 10.12.09

Quando a FIFA decidiu acabar com o duelo da Taça Intercontinental para criar um Mundial de Clubes onde cabiam representantes dos quatro cantos do Mundo, os adeptos do futebol aplaudiram a democratização. Mas há regimes mais democráticos que outros. A imprensa centra-se no já antecipado "Barcelona das 6 Taças" e deixa passar um ligeiro, mas importante detalhe. O troféu já começou a disputar-se.

Campeão Europeu, Sul-Americano, da CONCAF, Africano, Asiático, da Oceânia e o organizador. Sete representantes num trofeu cujo o impacto internacional está nos minimos históricos. Quando deveria ser, precisamente, o oposto. A FIFA quis acabar com esse duelo entre europeus e sul-americanos que durante quase meio-século ficou conhecido como Taça Intercontinental. Salvo pela Toyota - que deu o nome ao trofeu e uma taça extra - depois das problemáticas edições a duas mãos dos anos 70 (onde a maioria dos campeões europeus preferiu nem participar), o torneio chegou ao seu final com a vitória do FC Porto frente ao Once Caldas. Desequilibrou-se a balança para o lado europeu mas o resto do Mundo queria também entrar na festa. Em 2000 a FIFA tinha tentado criar uma edição piloto que não correu lá muito bem. A final entre brasileiros, a polémica à volta da participação do Manchester United e o baixo nível apresentado por muitos dos candidatos ao trofeu levou a organização a repensar o modelo de dois grupos de quatro equipas. A ideia madurou mais cinco anos até que em 2005 voltou de novo à prática. Ainda no Japão, o novo Mundial de Clubes FIFA copiou apenas os maus exemplos da sua antecessora. Incapaz de criar uma brecha no calendário e face à impossibilidade de coordenar a presença de campeões sagrados de forma tão dispar no tempo, a FIFA optou pelo modelo fácil. Prés-eliminatórias para as federações menos importantes com os europeus e sul-americanos - os mesmos da Intercontinental - tranquilamente à espera nas meias-finais. Inevitavelmente passaram à final que o São Paulo levou para casa.

Ontem começou a quinta edição do Mundial de Clubes. E ninguém deu por isso.

Apesar da democratização da competição o enfoque continua a estar todo nos participantes europeus e sul-americanos. As regras do sorteio ditam que ambas equipas estão livres de disputar pré-eliminatórias. Num trofeu onde o representante da Oceânia pode disputar até quatro jogos, o europeu ou sul-americano nunca farão mais de dois. Democracia futebolistica pura.

O Barcelona viaja tranquilo para o Dubai, novo centro da competição. Os petrodolares foram suficientes para levar a FIFA do fiel Japão a novas paragens. Mas nem a mudança de cenário conseguiu gerar publicidade suficiente para criar interesse por uma prova que a maioria dos adeptos desportivos ignora e não acompanha. Os horários proibitivos para o público europeu, a falta de conhecimento dos clubes do resto do Mundo são justificações normais. Mas insuficientes. A FIFA ainda não logrou entender que uma prova organizada no final do ano desagrada a todos. Aos representantes continentais, obrigados a largas viagens em momentos cruciais da sua época desportiva. Aos agentes publicitários que não sabem como vender um producto que parece, a todos os titulos, incombustível. E ao próprio adepto. No meio das contas tudo acaba por passar a segundo plano.

 

No final de contas a Oceânia continua a ser - até neste aspecto - o continente mais prejudicado. É forçado a disputar uma pré-eliminatória com o clube do país organizador. Ontem o Auckland City, campeão da Nova-Zelândia e da Oceânia, defrontou o Al Ahli, campeão dos Emirados Árabes Unidos. E venceu. 2-0. Um triunfo categórico que tem o condão de abrir as portas...para a próxima eliminatória. Uns falsos quartos-de-final onde o campeão da CONCAF - o Atlante - será o próximo rival. No outro encontro jogam os actuais senhores de África - TP Mazembe - contra os asiáticos Pohang Steelers. Enquanto isso o Barcelona acaba de vencer o Dynamo de Kiev para a Champions League e no próximo sábado defronta o Espanyol de Barcelona. Que a FIFA permita que uma prova deste calibre decorra enquanto que o máximo favorito ainda tem tempo para disputar encontros de outros dois troféus é sinal claro da total desorganização desportiva que rodeia este Mundial.

Em lugar de respeitar o ideal de Mundial que aplicou na primeira edição da prova - dois grupos de quatro equipas (onde poderia ter lugar o vencedor da edição passada) a FIFA prefere adoptar a fórmula de agradar a gregos e troianos. Não o consegue. Os grandes favoritos desprezam o torneio, que os abriga a largas viagens para disputar dois jogos. Não é por acaso que todas as finais anteriores acabaram por se disputar entre os mesmos que mediam forças na Intercontinental. Quando aos clubes de outros continentes, perdem o aliciante mediático de medir forças com os grandes, chegando já batidos aos encontros das "meias-finais". Uma prova onde não há igualdade de circunstância não pode ser uma prova a ser levada a sério.

Imaginemos o Mundial de Futebol de Selecções. Agora pensemos numa fase de grupos onde Brasil, Itália, Alemanha e Argentina surgem como isentos. Esperam tranquilamente nos Quartos-de-Final que outras selecções os acompanhem. No final as probabilidades de vencer são suas. E assim se controla a história. O Mundial de Clubes continua a ser uma farsa desportiva da FIFA sem razão de existir. Mais do que mudar o local da prova ou as regras que envolvem o torneio, o que é preciso é mudar o espirito que a rodeia. Quando Mputo, avançado do TP Mazembe, tenha as mesmas igualidades de circunstância que Verón do Estudiantes ou Messi do Barcelona, aí sim falaremos de um torneio real. Este que se disputa pela calada no Dubai é um falso holograma desportivo que não interesse realmente a ninguém.



Miguel Lourenço Pereira às 08:40 | link do post | comentar

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