Segunda-feira, 19.08.13

A última década tem sido marcada pela chegada de milionários com desejo de grandeza ao mundo do futebol. Não é uma novidade, varia apenas a procedência. Dos industriais nacionais o fenómeno passou para homens de negócios americanos, do golfo Pérsico e da Rússia. Muitos compraram clubes na Europa Ocidental, outros preferiram apostar em casa. O destino inevitavelmente será o mesmo para todos. O Anzhi aponta o caminho.

Um aviso a todos os adeptos de clubes com um milionário como presidente: estejam atentos às noticias.

O que está a suceder ao Anzhi nas últimas semanas não é fruto da casualidade. Um azar do destino. Nada disso. O clube do Daguestão, essa região remota da Rússia (quantas regiões se podem chamar "remotas" na Rússia?), forçado a treinar e jogar muitas vezes em Moscovo por protocolos de segurança, está a desfazer-se como um castelo de cartas. Mesmo antes de ter arrancado.

Em causa está o fim do imenso investimento realizado pelo milionário Suleiman Kerimov. Um final esperado.

Kerimov, filho da terra, enriqueceu como tantos outros oligarcas russos de formas pouco legitimas. Instigado por Putin, esse "pai da pátria" que persuade os homens mais ricos do país a devolver à "Mãe Rússia" parte do que "levaram", Kerimov aceitou comprar o clube da sua terra, até então insignificante no panorama desportivo do país. Para acelerar o processo de concretização do sonho de emular o Zenit, o Rubin Kazan ou o Shaktar ucraniano, investiu milhões e milhões em melhorar infra-estruturas e contratar jogadores. Gastou quase 200 milhões de euros.

Á inóspita Makhachakalha chegaram estrelas decadentes do futebol europeu como Lassana Diarra e Samuel Etoo, futebolistas promissores do nível de Lassina Traoré e russos como Yuri Zhirkov e Denisov. Tudo sobre a liderança inicial de Roberto Carlos, um reclame para o mundo saber que o projecto era sério. Claro que o génio brasileiro durou pouco nos relvados e menos nas oficinas do clube. Nem a chegada do brilhante Willian - que abdicou da possibilidade de ajudar o Shaktar Donetsk a ser campeão europeu...e que falta fez contra o Dortmund - mudou um cenário devastado por um balneário ingovernável, jogadores que faziam centenas de kms para treinar e uma massa adepta pouco, digamos, entusiasta. O projecto, fictício como pode ser a transformação do AS Monaco numa super-potência (com os seus temíveis 14 mil adeptos), estava destinado a derrumbar-se.

 

O fim anunciado do Anzhi surgiu quando um dos negócios mais importantes de Kerimov derrubou-se em negociações frustradas com o governo da Bielorrúsia. Foram 200 milhões de euros perdidos de um momento para o outro que obrigaram o oligarca a repensar as suas prioridades. A ausência de resultados - qualificação europeia, boa performance na Liga Europa na época prévia, falhanço no assalto ao título - colocou o Anzhi como prioridade. Para uns farto do comportamento das estrelas, para outros com problemas de saúde, o facto é que foi o dinheiro, a sua escassez, que despoletou a reacção.

O mesmo que passou com o sheik Al-Thani do Málaga, que pode passar com Rybolev se o AS Mónaco não resolve os seus problemas financeiros - correm já os rumores que Falcao pode ser vendido até dia 1 de Setembro - e que pode suceder com Abramovich, a família real do Qatar ou os investidores que rodeiam muitos dos clubes ingleses, onde a falência de clubes é um fenómeno cada vez mais habitual, venham de donde venham. Sem dinheiro para manter o negócio a funcionar a solução é vender. O Dinamo de Moscovo já se aproveitou para levar os únicos internacionais russos da equipa. Willian - contratado em Janeiro por 35 milhões de euros - tem Inglaterra como destino. O camaronês Etoo e o marfilenho Traoré devem seguir o mesmo caminho, com Itália como paragem alternativa e Jucilei e Medhi-Carcela não devem ficar muito mais tempo. Da noite para o dia o Anzhi está condenado a voltar a ser uma equipa anónima no panorama futebolístico russo. Um aviso para navegantes. Um sério aviso para os próprios oligarcas que vão pensar duas vezes antes de tentar activar falsos potentados onde não há uma base sólida de crescimento real.

 

O fim anunciado do Anzhi, a venda a preço de saldo de jogadores que custaram (e ganhavam) milhões, é em tudo semelhante ao que sucedeu com o Málaga, forçado a desprender-se de Isco, Toulalan, Joaquin e Monreal para manter-se viável financeiramente. Um clube que aspirou à glória da exigente liga espanhola, que brilhou na sua primeira campanha na Champions League antes de levar com o inevitável banho de realidade. Ao Anzhi nem deu tempo de chegar tão longe. O projecto morreu antes de nascer. Nessa remota Rússia onde às vezes nem o dinheiro chega para manter os sonhos vivos.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:07 | link do post | comentar

Sexta-feira, 12.03.10

A sair do mais frio Inverno das últimas décadas, a Rússia prepara-se para assistir ao arranque da nova época futebolistica. Mas ao contrário dos últimos quatro anos, o ambiente não está envolvido no optimismo que transformou a liga russa numa das potências do futebol europeu. A crise económica deixou a liga dos rublos com graves problemas que nem os milionários conseguem tapar. Será que a corrida da Liga Russa tem estofo de maratona ou acabará por se tornar num curto sprint?

 

Há cinco anos atrás a Rússia começava a erguer-se de novo como uma potência mundial. Os milionários do gás e do petróleo espantavam o mundo com as suas extravagâncias, particularmente tendo em conta que a maioria da popualção ainda vivia em condições bastante precárias. A "Nova Rússia" de Vladimir Putin dava provas de vitalidade económica e politica. Não faltou muito para que o clima de optimismo chegasse também ao mundo do desporto. Por essa altura já Roman Abramovich era uma celebridade em Londres e Putin, hábil como sempre nas manobras de bastidores, sabia que havia várias personalidades, como o patrão do Chelsea, com vontade de investir no mundo do futebol. O truque era evitar que fossem gastar as suas fortunas além-fronteiras. Nos dois anos seguintes o governo russo concedeu apoios e benesses aos senhores do petróleo para que gastassem as suas fortunas em remodelar um campeonato decrépito e caído em desgraça. A Federação Russa de Futebol pagou milhões a Guus Hiddink para pegar na equipa que tinha sido vergonhosamente afastada da corrida ao Mundial da Alemanha. Convenceu a UEFA que estava na hora de Moscovo receber uma final europeia. E deixou que as grandes empresas, estatais e privadas, fossem tomando conta dos maiores clubes russos. Em pouco tempo CSKA Moscow, Zenith St Petersburg, Spartak Moscow, Torpedo Moscow, Alania Vladikvaz ou Dinamo Moscow passaram para as mãos de ilustres desconhecidos, protegidos atrás da capa dos seus milhões.

 

A politica funcionou. Nos últimos três anos o futebol russo tornou-se numa referência fora do quinteto habitual, referenciado pela UEFA como a linha da frente do futebol europeu. A queda desportiva do Calcio, o renascimento da Bundesliga e Ligue 1 e o progressivo endividamente da Premier League e da Liga BBVA eram deixados para segundo plano. O triunfo do Zenith na final da Taça UEFA, a ascensão da liga ucraniana (uma cópia em miniatura do modelo aplicado na Rússia) e a chegada aos Urais de vários craques a peso de ouro, desequilibrou a balança. O trabalho de formação - há anos paralisado - começou a dar os seus frutos e surgiram os Arshavin, Pavluychenko, Prognebyak, Akinfeev, Zhirkov e companhia. Hoje já uma nova geração preparada para tomar o seu lugar. Mas o cenário mudou radicalmente. Não só a especificidade de calendário - o campeonato arranca em Março e extende-se até Novembro -  tem provocado vários problemas de gestão aos principais clubes, como tem prejudicado as suas aspirações europeias. O sucesso espantoso do Zenith de Dick Advocaat não teve seguimento porque, pura e simplesmente, os clubes russso têm de disputar a Champions no final da época, quando os seus rivais estão ainda frescos. A campanha vitoriosa do CSKA, este ano, foi portanto ainda mais significativa. Mas não deixa de ser pontual. De igual modo, muitos dos jogadores são tentandos a sair da Rússia durante o mercado de Inverno, o que levou alguns clubes a optar pelo modelo de empréstimo de três meses para minorar a perda de algumas das suas pérolas. Até agora, sem efeitos concretos. Mas é o aspecto financeiro, o mesmo que serviu de empurrão para a liga russa assaltar o sexto lugar das mais importantes da Europa, aquele que está a colocar tudo em cheque.

 

A crise financeira atacou a Rússia da mesma forma que o resto do Mundo.

E começou a fazer as suas vitimas. Vários clubes russos falseiam as contas para esconder o seu imenso buraco de dividias. Muitos foram usados pelos seus donos como cabeças de turcos para outros negócios que agora começam a vir à tona. E o Estado já não parece tão interessado em tapar buracos. Durante este defeso duas equipas estiveram perto de fechar as portas. E há mais, diz-se, que estão perto da falência. A queda da GDP arrastou o FK Moskva para o fim. Tal como havia sucedido com o histórico Torpedo meses antes. E empresas chave como a Gazprom (dona do Zenit), Lukoil (patrona do Spartak) ou Bashneft (ligada ao CSKA) começam a calcular o risco que significa injectar dinheiro numa liga de onde sacam muito pouco rendimento. Porque se as ligas inglesa e espanhola vivem entre dividias, também é verdade que geram muito dinheiro com os direitos televisivos e o naming dos seus principais emblemas. Na Rússia isso não sucede. O mercado televisivo é baixo para a posição hierárquica do campeonato e os seus clubes têm apenas expressão doméstica. E precisam dos seus patronos como de pão para a boca para sobreviver. Sem eles, é o colapso. Como sucedeu o ano passado com o Tom Tomsk, não fosse a rápida acção de Putin. Que se diz que este ano já teve de voltar a fazer o mesmo, off the record, com o modesto Krylya Sovetov. E até o campeão Rubin Kazan, que vendeu a sua grande estrela no defeso, parece viver um futuro bastante incerto.

 

No meio disto tudo a bola começa este fim-de-semana a rolar. O Kazan venceu a Supertaça  e confirmou o seu favoritismo, enquanto o CSKA estará mais atento ao duelo com o Sevilla do que às primeiras jornadas da liga. Zenith e Spartak sabem que têm de arrancar determinados para não perder depressa o comboio. Todos os quatro candidatos juntaram um sólido onze repleto de estrelas. Dzagoev, Krasic, Honda, Akinfeev, Kerzakhov, Ansaldi, Natcho, Bukharov, Alex, Drincic e Lazovic serão os nomes próprios da prova. Mas é o medo a que nem todos cheguem à meta final que paira sobre um espectáculo com uma luz muito própria que se prepara para desafiar o último sopro do Inverno.


Categorias: , ,

publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:59 | link do post | comentar

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Ultimas Actualizações

Anzhi, um exemplo para o ...

Os fantasmas ensombram o ...

Últimos Comentários
Thank you for some other informative web site. Whe...
Só espero que os Merengues consigam levar a melhor...
O Universo do Desporto é um projeto com quase cinc...
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
arquivos

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

.Em Destaque


UEFA Champions League

UEFA Europe League

Liga Sagres

Premier League

La Liga

Serie A

Bundesliga

Ligue 1
.Do Autor
Cinema
.Blogs Futebol
4-4-2
4-3-3
Brigada Azul
Busca Talentos
Catenaccio
Descubre Promesas
Desporto e Lazer Online
El Enganche
El Fichaje Estrella
Finta e Remate
Futebol Artte
Futebolar
Futebolês
Futebol Finance
Futebol PT
Futebol Total
Jogo de Área
Jogo Directo
Las Claves de Johan Cruyff
Lateral Esquerdo
Livre Indirecto
Ojeador Internacional
Olheiros.net
Olheiros Ao Serviço
O Mais Credível
Perlas del Futbol
Planeta de Futebol
Portistas de Bancada
Porto em Formação
Primeiro Toque
Reflexão Portista
Relvado
Treinador de Futebol
Ze do Boné
Zero Zero

Outros Blogs...

A Flauta Mágica
A Cidade Surpreendente
Avesso dos Ponteiros
Despertar da Mente
E Deus Criou a Mulher
Renovar o Porto
My SenSeS
.Futebol Nacional

ORGANISMOS
Federeção Portuguesa Futebol
APAF
ANTF
Sindicato Jogadores

CLUBES
Futebol Clube do Porto
Sporting CP
SL Benfica
SC Braga
Nacional Madeira
Maritimo SC
Vitória SC
Leixões
Vitoria Setúbal
Paços de Ferreira
União de Leiria
Olhanense
Académica Coimbra
Belenenses
Naval 1 de Maio
Rio Ave
.Imprensa

IMPRENSA PORTUGUESA DESPORTIVA
O Jogo
A Bola
Record
Infordesporto
Mais Futebol

IMPRENSA PORTUGUESA GENERALISTA
Publico
Jornal de Noticias
Diario de Noticias

TV PORTUGUESA
RTP
SIC
TVI
Sport TV
Golo TV

RADIOS PORTUGUESAS
TSF
Rádio Renascença
Antena 1


INGLATERRA
Times
Evening Standard
World Soccer
BBC
Sky News
ITV
Manchester United Live Stream

FRANÇA
France Football
Onze
L´Equipe
Le Monde
Liberation

ITALIA
Gazzeta dello Sport
Corriere dello Sport

ESPANHA
Marca
As
Mundo Deportivo
Sport
El Mundo
El Pais
La Vanguardia
Don Balon

ALEMANHA
Kicker

BRASIL
Globo
Gazeta Esportiva
Categorias

a gloriosa era dos managers

a historia dos mundiais

adeptos

africa

alemanha

america do sul

analise

argentina

artistas

balon d´or

barcelona

bayern munchen

biografias

bota de ouro

braga

brasileirão

bundesliga

calcio

can

champions league

colaboraçoes

copa america

corrupção

curiosidades

defesas

dinamarca

economia

em jogo

entrevistas

equipamentos

eredevise

espanha

euro 2008

euro 2012

euro sub21

euro2016

europe league

europeus

extremos

fc porto

fifa

fifa award

finanças

formação

futebol internacional

futebol magazine

futebol nacional

futebol portugues

goleadores

guarda-redes

historia

historicos

jovens promessas

la liga

liga belga

liga escocesa

liga espanhola

liga europa

liga sagres

liga ucraniana

liga vitalis

ligas europeias

ligue 1

livros

manchester united

medios

mercado

mundiais

mundial 2010

mundial 2014

mundial 2018/2022

mundial de clubes

mundial sub-20

noites europeias

nostalgia

obituário

onze do ano

opinião

polemica

politica

portugal

premier league

premios

real madrid

santuários

seleção

selecções

serie a

sl benfica

sociedade

south africa stop

sporting

taça confederações

taça portugal

taça uefa

tactica

treinadores

treino

ucrania

uefa

todas as tags

subscrever feeds