Sexta-feira, 17.06.11

Contam à boca pequena nos corredores da Football Federation que os míticos leões do símbolo que a Inglaterra ostenta há mais de um século no peito há muito que se podiam ter transformado em gatitos. O peso da FA nas últimas duas décadas decaiu profundamente mas, apesar de tudo, o organismo que gere o futebol inglês ainda é um adversário temível. Michel Platini, mais diplomático que o seu mentor Sepp Blatter, entende isso melhor do que ninguém. A atribuição da final da Champions League ao estádio do Wembley para 2013, apenas dois anos depois de receber o evento, é precisamente uma manobra diplomática extremamente hábil do francês. Com esse gesto magnânimo a UEFA procura apaziguar os leões e transformá-los, uma vez mais, em dóceis gatitos.

 

 

Quando Sepp Blatter tomou o controlo da FIFA em 1998, conseguiu-o convencendo a influente FA de que o seu mandato beneficiaria o futebol inglês. Fugindo à disciplina de voto da UEFA, a Football Association ajudou a eleger o suíço e depois sentou-se à espera da recompensa.

Como tantas vezes acontece, Blatter fez precisamente o oposto e transformou os ingleses num do seu alvo preferencial. A derrota esmagadora na dupla candidatura mundialista - em 2006 e 2018 - em que os ingleses saíram sempre na primeira ronda de votações, a que se seguiram as habituais acusações de suborno, apenas reforçaram o afastamento entre FIFA e FA. Nada novo. Afinal os ingleses foram a única federação que ousou declarar guerra à máxima organização mundial. Um braço de ferro de duas décadas que nunca foi totalmente resolvido. Os ingleses sempre desconfiaram das organizações continentais e estes sempre afirmaram publicamente que a FA procurava sempre seguir um caminho distinto às restantes federações europeias. Mas o peso da FA, especialmente no Internacional Board - que promulga as leis do jogo - sempre convidaram à cautela. Até chegar Blatter, o incauto por natureza.

Se a FIFA sempre teve problemas com a FA, a UEFA não foi menos. Depois do duplo desastre de Heysel e Hillsborough, o máximo organismo europeu utilizou a Inglaterra como bode expiatório e castigou os clubes ingleses com uma prolongada ausência das provas europeias. Os ingleses não se esqueceram. Anos depois, a FA ajudou os clubes a criarem a Premier League, contra os desígnios da Liga, apoiada directamente pela UEFA. Os clubes venceram, a Premier League nasceu e as regras do jogo mudaram. Ao ver o sucesso do modelo inglês os restantes países da Europa perceberam que aquele era o modelo a seguir e começaram a afastar-se paulatinamente das suas federações nacionais. A longo prazo a Premier foi um golpe duro para a UEFA e foi também a base de partida para a formação do G14 que desafiou mesmo o destino do futebol europeu num longo braço de ferro. Michel Platini, então conselheiro pessoal de Blatter, tomou nota. Uns anos depois, quando o suíço o apresentou como candidato à presidência da UEFA, o francês procurou o apoio dos ingleses. Conseguiu-o. Meses depois das eleições colocou em prática as lições do seu mentor e de forma mais diplomática começou a tratar o leão inglês como um gatinho.

 

No meio deste contexto de conflictos pode surpreender o anuncio de que a final da Champions League 2013 volta a ser disputada em Londres. No mítico Wembley. Mas essa decisão faz parte da estratégia politica do presidente da UEFA. Ao contrário de Blatter, um dirigente muito mais autoritário, Platini segue o ideário de Maquiavel, divide e conquistarás.

Platini anunciou que o evento será mais do que uma final da Champions League. A final fará parte de uma homenagem da UEFA à própria FA, que nesse ano cumpre os 150 anos de existência. Parte de uma série de eventos de aproximação entre ambas as instituições que inclui um congresso extraordinário da UEFA na capital inglesa. O sucesso da final da passada época foi o pretexto logístico para os meios e adeptos europeus que não entendem como a UEFA pode permitir-se este tipo de atitudes e nem sequer  proceder a uma votação entre diferentes candidatos. Afinal, não foi a UEFA que defendeu o aumento da categoria de elite para os principais estádios do velho continente, as celebres 4 estrelas? E não foi Michel Platini que defendeu que o futebol europeu tinha de ser levado a todos os cantos do continente? 

Tudo isso é verdade mas Platini joga sempre com uma mão no bolso e outra na mesa.

O presidente da UEFA sabe que precisa de encontrar um equilíbrio entre as grandes potências e os pequenos países. O homem que defendeu a introdução da lei 6+5 (que minará os mercados das principais ligas), um modelo de salário inspirado na NBA, o fair-play financeiro e a redução de equipas das três principais ligas nas provas europeias tem-se afirmado como um defensor do futebol para todas as associações. Como Blatter, com os membros africanos, caribenhos e asiáticos da FIFA, distribuiu benesses, ajudas e apoio indiscutível às federações que não fazem parte da elite do jogo. Apoio a realização do Europeu de 2012 na Ucrânia e Polónia (apesar do risco que envolvia o projecto, como o tempo tem vindo a demonstrar) e há muito que declarou que gostaria de ver um Europeu na Turquia. Também aproveitou para anunciar que a Supertaça europeia, até agora um exclusivo do principado do Mónaco, passará para Praga, no coração da Europa. Uma jogada de charme que garante, de antemão, votos suficientes para uma terceira reeleição, em 2014. Ou, como todos suspeitam, uma base de apoio forte para suceder ao seu mentor, Sepp Blatter, nas próximas eleições da FIFA. 

Só que para aplicar estas medidas impopulares junto das grandes ligas, Platini tem usado o jogo também como arma para as suas missões diplomáticas. O ano passado anunciou que a sua vontade era de que as finais da Champions League fossem exclusivas de estádios com mais de 70 mil lugares, enquanto que a Europe League poderia ser disputada em estádios entre os 50 e 60 mil lugares. Reforçando essa divisão, Platini entrega a gestão do principal evento desportivo às grandes potências - que são quem o sustenta financeiramente - e pisca o olho às grandes federações. Principalmente a FA. Nos últimos meses os homens da FA têm começado o seu próprio conflicto interno com a Premier League e as medidas da UEFA são bem vistas pelos leões de Wembley, para onde mudou a sua sede , para pressionar ainda mais os gestores dos principais clubes ingleses. Platini triunfa precisamente porque consegue, com estas simples medidas, dar à FA a sensação de grandeza que os directivos ingleses sempre gostaram de ostentar. Na realidade, na realpolitik do futebol, o que o francês consegue é desarmar a pressão britânica, desviando-a para confrontos internos e para a sua mediática luta contra a FIFA, enquanto continua a gerir o jogo do velho continente à sua maneira.

 

O fenómeno de Wembley será recorrente. A politica da UEFA, sob o mandato de Platini, garante que a Champions League é um feudo dos grandes e assim continuará. O que logrou com Londres repetirá, tarde ou cedo, com Madrid, Munique, Roma, Paris e Moscovo, que provavelmente serão anunciados como organizadores das finais dos anos seguintes. Com esse rebuçado, o francês aplaca as grandes potências continentais, afasta-os do ideário da Liga Europeia de Clubes e ganha margem de manobra para colocar em prática as suas medidas impopulares. Ao mesmo tempo continua a piscar o olho aos países mais pequenos e a cimentar a sua popularidade quando chegar a nova temporada de urnas. No meio deste jogo, como tem acontecido nas últimas duas décadas, a Football Association desembrulha um presente envenenado com a alegria de uma criança na véspera de Natal. O leão está apaziguado, a UEFA vence mais um round.



Miguel Lourenço Pereira às 10:46 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Segunda-feira, 16.05.11

Faltavam poucos segundos para acabar. Um livre envenenado de Danny Murphy encontrou a cabeça de Geli, perdido no meio de tantos jogadores. Não é assim que costumam acabar os contos de fadas mas foi assim que chegou a fim a final europeia mais empolgado da última década. Dez anos depois o Deportivo de Alavés milita na 2º B espanhola. Não é assim que costumam acabar os contos de fadas. Mas ninguém duvida que a história dos alaveses é digna de uma fábula futebolística.

 

 

A boa noticia para os adeptos do Alavés é que o pior parece ter passado.

A equipa de Vitória, capital do País Vasco, está no pote de clubes que irá lutar pela promoção à Liga Adelante, a segunda divisão do país vizinho. Há muito tempo que os alaveses andam perdidos nessa floresta de equipas caídas em desgraça. O seu caso tem uma explicação muito simples, nefastamente comum. Um pretenso milionário ucraniano, Dimitri Pitterman, comprou o clube e desfez o projecto em fanicos. Ficou apenas a memória do futebol de elite. E daquela noite em Dortmund. A noite de um 16 de Maio. Há dez anos atrás.

Numa equipa sem estrelas, que rapidamente seria desmembrada pelo poder de atracção do dinheiro fácil, ninguém esperava uma noite assim. Os jogadores do Alavés sabiam-se outsiders e apenas queriam dar a cara, responder ao orgulho dos adeptos que os acompanharam na sua caminhada europeia. O grande momento, a grande gesta tinha ficado para trás, numa fria noite de 22 de Fevereiro. O San Siro, cheio, testemunhou como o anónimo Alavés batia por 0-2 o poderoso Internazionale, uma semana depois de aguentar um 3-3 em casa. Jordi Cruyff, ao minuto 78, abriu a contagem que Tomic fechou 10 minutos depois para desespero de Marcello Lippi, Christian Vieri e companhia.

Mané, técnico modesto e com aquele espírito guerreiro de antes quebrar que torcer que moldou a escola vasca, nunca esperou a resposta dos seus jogadores depois do grande jogo do Inter em Vitória. Esta era uma equipa onde a estrela, pelo apelido, era Jordi Cruyff. Muitos jogadores espanhóis com largos anos de futebol secundário nas pernas formavam o esqueleto do conjunto. Num 5-3-2 que apostava profundamente no contragolpe, a segurança defensiva de Karmona e Tellez era fundamental. Os dois centrais, decisivos nos lances de bola parada, formavam o esqueleto. Mas era a velocidade do romeno Contra, a qualidade de passe de Desio e o instinto goleador de Javi Moreno que chamavam à atenção. Antes daquele duelo com o Internazionale a equipa tinha eliminado dois conjuntos noruegueses (Lillestrom e Rosenborg) e nas rondas seguintes bateu o igualmente modesto Rayo Vallecano e o Kaiserlautern alemão. Dois anos depois de ser promovido à Liga espanhola, o Aláves estava numa final europeia.

 

Olhando para trás, é fácil perceber o milagre do conjunto basco.

O espírito de equipa, a natureza dos rivais e a clara aposta do clube na prova da UEFA, o escaparate perfeito para fazer alguns milhões no defeso, funcionou como catalisador. Mané criou um forte sentido colectivo nos jogadores que saiam a jantar juntos com as famílias todas as semanas, comiam “pintxos” tradicionais em pleno balneário e que sentiam que partilhavam tanto as agruras como os elogios. A maioria da equipa tinha subido de divisão dois anos antes, incluindo o técnico. Os poucos que chegavam de forma ao Mendizorrozza integravam-se sem problemas e no final de contas foi esse espírito que permitiu ao clube dar a cara diante do poderoso Liverpool.

A equipa de Gerard Houllier chegava à sua primeira final pós-Heysel com uma das suas mais espantosas gerações. Tinham batido com autoridade o Barcelona, FC Porto e a AS Roma. Contavam com a estrela europeia de moda, Michael Owen, mas também Robbie Fowler, Steven Gerrard, Jamie Carragher, Danny Murphy, Gary MacAllister, Dietmar Hamman e Emile Heskey. Eram favoritos e sabiam-no. Mas não esperavam uma resistência de proporções épicas. Naquela tarde noite no Westfallenstadion a vitória do Liverpool ficou ofuscada pela exibição do modesto Deportivo. Os golos de Babbel, Gerrard, MacAllister, Owen encontravam sempre resposta. Ivan Alonso, Javi Moreno e Jordi Cruyff, no minuto 89, teimavam em amargar a festa dos reds. A tensão começava a tomar conta do banco do Liverpool e os alaveses acreditavam que um milagre, um milagre futebolístico, estava prestes a tornar-se realidade. A três minutos do fim o conto de fadas acabou na cabeça de Geli, nesse desvio para as redes de Herrera e nesse desalento que dura há dez anos. O Alavés esteve perto de fazer história. Sem entender muito bem como, acabou realmente por fazê-la, à sua maneira.

 

 

Depois dessa noite épica o mundo nunca mais se esqueceu dos vitorianos. Mas a sorte abandonou o Deportivo com aquele cabeceamento. Dois anos depois o conjunto foi despromovido à 2º Divisão. Voltaria no ano seguinte mas a gestão criminal do ucraniano Pitterman levou a instituição à falência e ao calabouço da 3º Divisão. A pouco e pouco o modesto clube começa a erguer-se. Mas faça o que fizer, sempre que o nome apareça numa noticia em qualquer recanto do mundo, a única imagem que nos saltará à cabeça é a dessa noite onde o futebol foi mais futebol do que nunca e em que ficou claro que os contos de fadas às vezes não acabam como queremos. Mas nunca deixam de ser mágicos.  



Miguel Lourenço Pereira às 11:31 | link do post | comentar

Quinta-feira, 24.02.11

A dinâmica é irreversível. O futebol alemão está mais vivo do que nunca. Revigorado com a confirmação de que a barragem psicológica está, definitivamente, ultrapassada. A partir de agora a Bundesliga já é, oficialmente, a terceira liga mais importante do futebol europeu. O ranking da UEFA coroa uma irresistível ascensão preparada ao mais mínimo detalhe durante os últimos dez anos. Qual é o limite da Bundesliga?

 

 

 

Se a vitória do Internazionale, na final de Madrid em Maio, privou a Alemanha do primeiro troféu europeu em 9 anos, a desforra na noite passada do Bayern é, infinitamente, mais importante. Espelha a força de uma nação que soube ressuscitar das cinzas e plantar cara às grandes ligas europeias. O Calcio, que há quinze anos atrás era, unanimemente, a liga mais importante da Europa, sofreu mais um duro golpe. Apesar do triunfo in extremis do Inter de Mourinho, poucos em Itália acreditavam que a Serie A teria capacidade de aguentar o terceiro lugar do ranking europeu, o último que permite a entrada de 4 equipas na Champions League (mais 3 na Europe League). E tinham razão. A debacle da Sampdoria , Palermo e Juventus na segunda prova da UEFA obrigavam os restantes clubes italianos na prova a vencer todos os jogos - e ambas as competições - para resistir ao assédio germânico. Depois de Tottenham e Shaktar terem aberto a cova, coube ao Bayern a honra de sepultar o caixão. Serie A è piu sul podio...

Apesar de haver múltiplas razões para a queda desportiva da liga italiana (que a meados dos anos 90 era a rainha da Europa e que durante essa década teve mais representantes nas três finais europeias do que as ligas espanhola e inglesa juntas) é a espantosa afirmação da Bundesliga que marca esta mudança de rumo. A partir de 2012/2013 os alemães terão quatro vagas na Champions League onde, este ano, contam na fase a eliminar com dois dos três representantes (o Werder Bremen caiu na fase de grupos). Um êxito histórico mas previsível se atendermos à brutal diferença de números do campeonato alemão com os seus principais rivais europeus. A inversão começou a ganhar forma em 2006. A Itália, acabada de sagrar-se campeã do Mundo, saía também de um escândalo interno profundo (o Moggigate) que mudou definitivamente o rosto das equipas de top. Sem Juventus ou Fiorentina como representantes europeus, os italianos somaram nessa época (onde, curiosamente o AC Milan até se sagrou campeão da Europa) 11.928 pontos, a terceira melhor marca. Mas os alemães estavam a ganhar terreno, chegando a uns históricos 9.500, ultrapassando a Ligue 1 francesa, até então a quarta prova europeia. No ano seguinte, 2007/2008, os italianos somaram apenas 10.575 pontos contra os 13.500 dos alemães, segundos apenas atrás dos ingleses (que ocuparam os dois postos da final da Champions League e três dos semifinalistas). Quando 2008/2009 acabou, a Bundesliga voltou a recuperar terreno com 13.666 face aos 11.375 italianos. Mas foi em 2009/2010 que os alemães chegaram a números históricos (18.083) coroando-se como o pais com mais pontos somados ao longo da época e muito distantes dos 15.428 dos italianos (quartos na classificação geral após o titulo europeu do Inter). A nova temporada, que ainda vai a meio, limitou-se a servir como estocada final. A vantagem é tal que os alemães estão mais perto do segundo posto na tabela (da Liga espanhola que corre o risco de perder a maioria das suas equipas em prova nesta ronda) do que do calcio italiano.

 

 

 

 

 

Mas o que está por detrás desta profunda recuperação de uma liga que só foi, consensualmente, a mais forte da Europa durante um curto período dos anos 80?

O ranking da UEFA que corou a Bundesliga entre 1978 e 1982 como a liga mais forte do futebol europeu (numa altura em que o ranking contava para muito pouco) baseia-se na distribuição de pontos obtidos (que variam entre vitórias, empates, rondas ultrapassadas e competições ganhas) pelas equipas presentes nesse ano nas provas europeias como representantes de um país. Quanto mais equipas estão, menor é o lucro se as performances ficarem aquém da expectativa. Um cenário que Portugal viveu igualmente depois das brilhantes campanhas europeias de FC Porto e Boavista no inicio da década terem dado três equipas na Champions League à liga lusa (então quotada como a sexta liga europeia). Mas os fracos resultados do número exagerado de representantes lusos nas provas europeias comparativamente com a qualidade real da Liga Sagres significou a soma acumulada de um baixo quoficiente (sétimo no ranking em 2007, oitavo em 2008, décimo em 2009) que levou a uma inevitável queda na classificação que só se alterou com um regresso ao sexto posto final na época passada. A Serie A experimentou o mesmo problema. Enquanto que o AC Milan mantinha-se no topo da elite europeia, as performances de Inter, Juventus, Fiorentina, AS Roma, AS Lazio, Udinese, Sampdoria, Genoa, Palermo ou Napoli eram, sucessivamente, decepcionantes.

Enquanto isso os alemães, com seis equipas em prova mas com resultados gerais muito superiores, conseguiam trepar na classificação mesmo sem somar um único titulo (contra os dois italianos). As campanhas regulares de Bayern Munchen, Stuttgart, Schalke 04 ou Werder Bremen foram fundamentais para a soma de pontos. Mas se o ranking é a confirmação oficial, a realidade é que o estatuto de liga top há muito que ninguém discute ao futebol alemão.

Depois de uns anos 90 para esquecer - com problemas organizativos, falta de público nos estádios, dificuldade em gerir o fluxo de equipas e jogadores que vinham da liga da antiga-RDA - a Federação Alemã de Futebol propôs-se, no inicio dos anos 2000, a mudar profundamente a estrutura do futebol alemão a nível de clubes e de selecções. Uma mudança que demorou o seu tempo a concretizar-se e que ganhou um reforço substancial com a realização do Mundial 2006 que provou que o país centro-europeu estava no caminho certo.

 

A uma alteração profunda nas infra-estruturas (com o perfeito pretexto do Mundial) houve também uma alteração de mentalidade.

Os clubes alemães começaram a apostar seriamente na formação, incentivando os mais novos a desenvolver habilidades técnicas que vinte anos antes seriam impensáveis. Ao mesmo tempo começou uma significativa - e profunda - assimilação da forte imigração presente na Alemanha, seguindo o exemplo francês algo que foi sempre negado, por exemplo, a espanhóis e portugueses durante os anos 70 e 80. Com esse novo leque de jovens talentos começaram-se a construir equipas extremamente interessantes - Hoffenheim, 1860 Munchen, Dortmund, Leverkusen, Stuttgart e, sobretudo, Werder Bremen - que plantaram cara às grandes potências históricas, particularmente o Bayern que viveu entre altos e baixos durante toda a década. O público, agradado com as novas condições e - sobretudo - com a nova distribuição horária (para o qual ajudou muito a profunda melhora nos contractos televisivos num país onde toda a liga é dada em canais por pago) voltou aos estádios e permitiu em três anos aos clubes alemães igualarem os ingleses como os que apresentam melhor percentagem de espectadores por jogo. 

As multidões respondiam também à profunda melhora da qualidade de jogo e à nova mentalidade ofensiva que jovens treinadores como Schaff  Klinsmman ou Magath traziam às suas equipas. E com a profunda recuperação financeira germânica e a melhoria dos contractos com patrocinadores e televisão - num modelo que emulou o sucesso da Premier League - chegou também dinheiro fresco aos cofres dos clubes que souberam gastá-lo bem, criando equipas que funcionavam como um mixto do melhor da formação com nomes de grande talento e futura projecção. As chegadas de Arjen Robben, Franck Ribery, Diego, Ruud van Nistelrooy, Luca Toni ou Rafael van der Vaart deram outro glamour a uma liga que perdia, a pouco e pouco, a predominância germânica. Se é sabido que os jogadores alemães não gostam de sair do seu país natal (o que permite à Bundesliga manter quase exclusivamente a nata de uma selecção de top) a chegada de jovens promessas centro-europeias, sul-americanas e asiáticas e a inclusão de jovens de minorias étnicas locais (particularmente turcos, espanhóis e africanos) funcionou como um cocktail de primeira elevando, profundamente, o nivel médio qualitativo das equipas de uma liga que preferiu, contra toda a expectativa, manter-se com 18 clubes. Uma aposta que - aliada à pausa de Inverno, sabiamente administrada com uma organização de calendário exemplar - reforçou ainda mais a competitividade do torneio. Ano após ano o nível subiu e a Europa deixou de poder ignorar a profunda mutação do futebol alemão.

 

 

 

Uma mudança profunda e que veio para ficar. Os muitos torneios juvenis ganhos por selecções e equipas alemães garantem um futuro promissor. A perda de algumas figuras mediáticas é constantemente contrabalançada com a chegada de outros nomes sonantes. As performances dos clubes alemães na Europa não enganam e a qualidade de jogo da Mannschafft só encontra rival no igualmente maturo futebol espanhol. Apesar das distâncias serem ainda significativas - e da Liga BBVA não estar a passar pela mesma crise que o calcio - será curioso ver até que ponto o futebol alemão pode aproximar-se ainda mais do topo europeu e disputar a hegemonia do velho continente a ingleses e espanhóis. Para um país dinâmico e competitivo por natureza, o céu é sempre o limite.



Miguel Lourenço Pereira às 10:12 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Sexta-feira, 28.05.10

A UEFA parece ter uma necessidade de se reinventar constantemente. Hoje, o máximo organismo europeu de futebol vai anunciar o organizador do Europeu de 2016. Uma edição chave, que significará um claro antes e depois no espectro de uma prova considerada pela esmagadora maioria como o mais exigente troféu de selecções do Mundo. Uma realidade que pode estar prestes a mudar.

França, Turquia e Itália.

Três nações com projectos distintos, esperam ansiosamente a decisão de Michel Platini e os seus pares.

Os analistas consideram que França parte em vantagem já que não organiza o evento desde 1984 e conta com a benção do presidente. A Turquia, por sua vez, traz um toque de novidade e exotismo que a UEFA aprecia. Por fim, a Itália, a candidatura mais modesta, precisa desta prova como de água num deserto. Seria a desculpa perfeita para reinventar um país destroçado por dentro. Mas quem, no país da bota, sabe algo sobre esta candidatura?

Se a UEFA mantém os padrões de exigência, então a França seria favorita. Se optar por levar o futebol a outros pontos do continente, a aposta seria na candidatura turca. Mas provavelmente o trofeu acabará por disputar-se em terras italianas. Um país que oferece muito pouco à partida mas que pode ganhar mais do que qualquer outro. Renovar por completo os estádios empobrecidos. Melhorar as infra-estruturas. E apostar num claro desenvolvimento desportivo são os grandes chamarizes de uma candidatura derrotada há quatro anos por Polónia e Ucrânia. E é precisamente o problema dos atrasos e erros que rodeiam a candidatura vencedora do Euro 2012 que serve de alerta para novas aventuras. Depois de duas provas com um duplo organizador em países sem tradição, a UEFA vai procurar uma nação com história, infra-estruturas e background. Especialmente com as caracteristicas que se prepara para impor.

 

O grande problema à volta do torneio de 2016 passa pelo seu modelo organizativo.

Pela primeira desde 1996, a UEFA vai preparar-se para ampliar o número de equipas de 16 a 24. Um número perigoso. Complicado até. E que desvirtua uma das máximas da prova. Desde que o torneio arrancou com 16 equipas os analistas foram unanimes em considerar o Europeu como a mais dificil prova de selecções do Mundo. Num continente de 54 países, escolher os 16 melhores era escolher la creme de la creme. Ao contrário do Mundial, onde pululam muitas vezes países sem chamam nem tradição, o Europeu é uma prova de exigência máxima do principio ao fim. Foi assim desde o Euro inglês até à aventura austro-helvética. Mas que tem as horas contadas.

A UEFA não ligou às criticas sobre o que pode significar esta mudança. A FIFA sabe, melhor do que ninguém, o que é preciso numa prova a 24. De 1982 a 1994, os Mundiais disputaram-se com esse número de participantes. Isso implicava, entre outras coisas, muita matemática na primeira fase. Deixam de se apurar apenas os dois primeiros, e agora há quatro de seis terceiros que também passam à fase a eliminar. Acaba o efeito surpresa (como o causou as eliminações precoces de França em 2008, Espanha e Itália em 2004 ou Inglaterra e Alemanha em 2000) e dá-se mais margem de manobra ás favoritas. Por outro lado, baixa o nivel exigência da primeira fase. De uma forma assutadora.

 

A Europa habituou-se à elite.

Os seus torneios de 16 eram caracterizados sempre por ausências de luxo. As equipas enviadas ao Mundial eram, praticamente, no mesmo número. O que significa que agora passarão a existir oito selecções de segundo nível com possibilidades de ir ao máximo palco europeu. Um cenário que facilitará certamente o trabalho às selecções de leste, aos países nórdicos ou aos estados britânicos, que têm deixado os grandes palcos às potências do ocidente europeu. Os adeptos podem agradecer. Haverá mais jogos (20 no total), mais equipas, mais jogadores e um maior impacto mediático. Grosso modo, metade da Europa estará presente no certame. O Euro aproxima-se assim de provas como a Copa América ou Golden Cup, e deixa de ser um torneio selectivo.

A esta aumento de equipas a UEFA responde com uma contenção de custos. Os países candidatos, por indicação da UEFA, apresentam um dossier com apenas dez estádios, dos quais provavelmente só utilizarão oito. Reduzem-se os tempos, os gastos logisticos, as distâncias. E logo numa edição que será entregue, forçosamente, a países de significativas dimensões dentro do espectro europeu. A Turquia precisa de um evento deste genero para, politicamente, reinvidicar a sua condição europeia. A França vive marcada pela derrota "olimpica" face a Londres e joga com o trunfo de ter, praticamente, tudo feito. Por sua vez, Itália, com o Calcio em queda livre e sem qualquer perspectiva risonha de futuro, encontraria num torneio destas caracteristicas a oportunidade perfeita para reinventar-se. Um argumento de peso que poderá hoje surtir efeito. Mesmo que o torneio de 2016 não tenha o mesmo glamour dos seus antecessores. 

O novo formato do Europeu é a continuação da política de Michel Platini, que já arrancou com o novo formato da Champions League, dando mais armas aos países médios e pequenos para chegarem a um torneio de elites. O formato garante no entanto que a elite europeia deixa de se preocupar em falta às grandes noites. Uma fase de qualificação simplificada, um joker de apuramento na etapa de grupos dará sempre um bónus às equipas de maior prestigio. As boas intenções da UEFA chocam com a inevitabilidade das evidências. Com este novo modo competitivo, o Europeu de Futebol perde (grande) parte da sua magia. 


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Miguel Lourenço Pereira às 08:16 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 21.05.09

Foi uma despedida que soube a pouco mas a UEFA já se foi e com sabor a caipirinha misturada com vodka de primeira. O Shaktar Donetsk entrou para a história como o primeiro clube ucraniano a vencer uma prova europeia desde a independência mas o triunfo é mais brasileiro que outra coisa. A armada desconhecida vinda directamente do sambódromo mundial foi demasiado para um clube que teve saudades também do seu intérprete mais virtuoso e que nunca se soube reencontrar em campo. Justiça seja feita a taça ficou em boas mãos, mas quem esperava o espectáculo do Carnaval teve de contentar-se com um forró de favela.

 O quinteto de brasileiros do Shaktar entra directamente para o hall of fame de vencedores de uma prova que diz adeus e no final foram eles quem realmente fez a diferença. O projecto milionário de Donetsk não serve para consumo caseiro (que o diga a vantagem que tem o já campeão Dynamo) mas nesta edição europeia assentou que nem uma luva. Ontem, em Istambul, foi demasiado para um Werder Bremen constantemente nervoso e sem uma única ideia na cabeça. Feitas as contas ás estatísticas que daqui sempre saem, no final os teutónicos até atacaram mais, mas os “ucraniano-brasileiros” foram sempre mais eficazes e claros nas transições. Resultado: cada ataque do Shaktar era um perigo real, cada avançada do Werder uma sequencia atabalhoada de jogadores que não sabiam o que fazer com a bola. Notava-se que faltava ali o chefe e que os demais eram simples operários, habituados a obedecer sem que lhes peçam que mandem em si mesmos. Diego foi a chave do Werder Bremen dos últimos três anos. No jogo mais importante da década estava na bancada. E no campo a equipa esteve ausente. O ataque foi ineficaz do principio ao fim – por muito que Pizarro gesticula-se a torto e a direito – e o meio campo, mais habituado a conter que a criar, pediu demasiado ao jovem Ozil que tem talento mas ainda não anda para estas andanças. A defesa, essa, foi o verdadeiro calcanhar de Aquiles como se viu ao minuto 15. Um passe a rasgar a toda a linha, uma série de trapalhadas e Luiz Adriano a bater um desamparado Wiese. 

A festa brasileira tinha começado antes, com todo o seu esplendor. Qual estarolas, entre eles passava todo o jogo do Shaktar, que entre o técnico romeno, capitão croata e quinteto brasileiro pouco tem de ucraniano a não ser a tenacidade. William a Fernando, Fernando a Ilsinho, Ilsinho a Jadson e Luiz Adriano. Enfim, é só trocar os nomes que o resultado vai sendo o mesmo e os ataques sucedem-se para desespero de Schaaf. O golo de Naldo – o mais inconformado ao final – foi mais erro alheio que mérito próprio e só durante esses vinte minutos finais da primeira parte se viu algum traço de esclarecimento por parte do onze alemão. Soube a pouco. Os teutónicos atacaram mas os ucranianos controlaram. O jogo seguia empate e cada lance venenoso dos avançados brasileiros era um ai Jesus na defesa alemã. A passagem dos 90 foi vendo a Lucescu ir trocando o seu esquadrão brasileiro por jogadores da casa, mais habituados ao choque físico que se esperava no prolongamento, já que os alemães, pouco hábeis mas bastante voluntariosos, não pareciam desarmar. O espectáculo, esse tinha ficado em casa certamente, até porque nunca se viu em campo verdadeiros momentos de grande futebol. Do prometido pouco, do visto menos ainda. 

Chegamos a esses trinta minutos fatais, onde ninguém arrisca e onde poucos chegam a petiscar, e tudo ficou na mesma, com os ucranianos a entrar e os brasileiros a sair, e com os amarelados alemães (Medina Cantalejo gostou de ir distribuindo cartões escusados a torto e a direito) a sair por outros gigantes de poucas ideias e muita força. Por largos momentos este Werder não era o mágico onze que tinha eliminado AC Milan ou Hamburgo mas sim o espelho daquelas equipas teutónicas dos anos 80 e 70, mas sem qualquer tipo de eficácia. E o pezinho de samba do escrete laranja foi fazendo das suas até que um centro medido a régua e esquadro encontrou o pé atrevido de Jadson. O brasileiro desconhecido até este ano – como os colegas que fazem este “samba Donetsk” – quis ficar para a história e rematou suavemente, mas com o engenho necessário para fazer com que o nervoso Wiese não agarrasse a bola por completo. O escorregão foi fatal, a bola deslizou sobre as redes e já estava Jadson e amigos a festejar na bandeirola de campo para delírio dos milhares de ucranianos que baixaram até ao Bósforo. Feita a festa na bancada sul, lançado o desespero entro os que já pouco acreditavam e Diego, de telemóvel na mão, a acertar detalhes do contracto milionário com a Juve.

 

Os 120 minutos foram passando e no final os jogadores ucranianos aplaudiram os rivais, que acabaram por sê-lo pouco em campo, antes de subirem à tribuna. Srna, o irascível croata de bandeira ás costas, subiu ao palco para receber do senhor Platini – que volta a recuperar uma tradição antiga – essa pesada taça que já por tantas mãos ilustres passou. A história fecha-se com chave de ouro para os de Donetsk que ainda devem andar de festa rija. A Taça UEFA chegou ao fim, mas para o Shaktar promete ser apenas o princípio de uma era de sucessos.



Miguel Lourenço Pereira às 08:27 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 20.05.09

 

A partir do próximo ano as provas europeias voltam a dar uma volta de 180 graus. A UEFA na última década tem sido pródiga em experiências e para o ano voltamos a ver as regras do jogo alteradas. Fica a promessa que durante três anos o modelo fica sempre igual, mas que será revisto a tempo da temporada 2012/2013, talvez também pela futura regra de 6+5 que o organismo quer adoptar. 

 

A verdade é que para além dos rankings terem sido actualizados – a partir de 2010/2011, por exemplo, Portugal perde mais um clube apurado para as competições europeias – há uma lavagem de cara da Champions League e um autentico lifting na extinta Taça UEFA que se passará a designar pelo pomposo nome de Europe League. A ideia é repartir mais dinheiro por mais gente, organizar os horários televisivos e liberalizar o acesso ás grandes provas da UEFA. O resultado parece que será o mesmo, ou seja, uma Champions dominada pelo eixo anglo-espanhol e uma Liga Europa para os filhos malditos da principal prova e para os novos ricos do futebol continental.
 
Na próxima edição da Champions League passaremos a ter mais equipas grandes directamente apuradas para a fase de grupos. As três primeiras ligas do ranking (Inglaterra, Espanha e Itália) terão três equipas apuradas automaticamente, em lugar das anteriores duas. Isso significa que vagas que pertenciam a países mais modestos (como Portugal, Holanda ou Escócia) passam a ser dos terceiros classificados dos grandes campeonatos. Em troca a última fase de pré-qualificação passa a estar dividida em dois grupos distintos. Um play-off entre os quartos e terceiros classificados das principais ligas (onde entram aqui a parte de Inglaterra, Itália e Espanha as equipas de França, Alemanha e Rússia) e os segundos classificados dos países de poder médio. Casos do Sporting português, do Twente holandês, ou do rivais turco ou ucraniano. Isso permite que as dez equipas campeãs das ligas menos poderosas do futebol europeu discutam as restantes vagas e assim não correm o risco de apanhar um tubarão pelo caminho. As anteriores pré-eliminatórias continuam o mesmo formato – uma primeira apenas para os últimos clubes do ranking e uma segunda para os primeiros e segundos dos campeonatos mais pequenos e uma terceira fase onde já entram as restantes equipas, excepto os quartos dos tres primeiros paises e os terceiros de França e Alemanha. No caso português, o FC Porto mantém o apuramento directo enquanto que o Sporting entrará na terceira pré-eliminatória e em caso de apuramento seguirá para o futuro play-off dos não campeões, resultado da posição portuguesa no ranking mas que não favorece em muito as aspirações nacionais, face aos possíveis adversários.
 
A partir daí tudo igual que antes. Oito grupos de quatro, jogos de ida e volta e os dois primeiros apurados, seguindo as fases a eliminar até à final no Santiago Bernabeu. Aí entra a última novidade. Pela primeira vez a final deixa de ser a uma quarta-feira, passando ao sábado seguinte numa ideia em que a UEFA defende que seja amiga do público, já que a disponibilidade pode ser maior. Para esse fim-de-semana na capital espanhola estão agendados vários eventos que serão anunciados no Mónaco, aquando do sorteio.
 
Já a Liga Europa é uma novidade completa. Herda a estrutura da Taça UEFA mas actualiza a fase de grupos, de forma a tornar-se mais rentável. Enquanto que a Taça Intertoto mantém o mesmo modelo, as primeiras pré-eliminatórias vão congregando os apurados dos distintos países. Tal como tem acontecido, os países colocados na primeira metade do ranking entram mais tarde em prova, e os vencedores das taças apenas na última pré-eliminatória, junto com os eliminados da última fase de qualificação da prova principal da UEFA. Directamente apurados para a fase de grupos será o campeão em titulo e os dez clubes eliminados da fase de play-off da Champions League. Grupos que passam a ser de quatro equipas – e não cinco – e que de oito passam a doze. Desta forma a fase de grupos será disputada por um total de 48 equipas, com jogos a disputar ás quartas e quintas-feiras em semanas intercaladas com a Champions. No final apuram-se directamente os dois primeiros de cada grupo, a que se juntam os oito terceiros classificados da fase de grupos da Champions League, tal como acontece hoje. A partir daí regressa a fase a eliminar a dois encontros, dos 16 avos de final até à final, esta ainda disputada numa quarta-feira no Nordbank Arena em Hamburgo.
 
No que diz respeito à participação das equipas portuguesas, o ranking determina que para a edição deste ano – e por estar ainda em vigor o ranking anterior – Portugal apura quatro equipas, três pelo campeonato (SL Benfica, Nacional e SC Braga) e um pela Taça (Paços de Ferreira). Destes o Paços tem a certeza de que entrará na última pré-eliminatória, enquanto que o terceiro e quarto classificados entrarão na segunda. A equipa que terminar no quinto posto será também a primeira a entrar em competição. Relativamente à Intertoto, a prova continua a funcionar por convite, pelo que depende dos clubes apresentar a candidatura a entrar na prova.
 

 

O nascimento da Liga Europa significa uma maior centralização das provas europeias pela UEFA de Michel Platini, defensor deste sistema há vários anos. Os clubes a nível médio agradecem porque aumentarão os jogos, e com eles as receitas, que serão negociadas tal como a Champions num pack único, se bem que a valores ainda bastante inferiores. Ir à Liga Europa não enriquecerá ninguém, mas é uma ajuda em comparação com as baixíssimas verbas que a UEFA entregava por terminar a prova que hoje chega ao seu final, oficialmente com este nome.


Miguel Lourenço Pereira às 16:25 | link do post | comentar

 

O novo e o velho!
 
O futuro!
 
O futebol europeu atribuiu hoje a primeira prova europeia a sério – já houve Supertaça no Mónaco mas esse jogo é meio a brincar – da temporada. E a última com o nome de UEFA. Tranquilos, a prova não acaba aqui. Muda o nome. E se de nomes falamos, estes dois serão os últimos no seu longo historial. Mas só um ficará escrito a letras de ouro com direito a confetis e fitinhas coloridas na taça mais pesada de todas. O novo rosto do futebol europeu, a força ucraniana misturada com o perfume brasileiro. O velho rosto da matreirice europeia sob a forma de exército teutónico. O Shaktar Donetsk nunca esteve numa final e até hoje tinha sempre vivido sob o fantasma do Dynamo de Kiev. A quem eliminou, por certo. Já o Werder Bremen sabe o que são finais europeias e em 1991, no velhinho estádio da Luz arrebatou o troféu a um AS Mónaco treinado então por um desconhecido Arsene Wenger. O que é claro é que aqui estão representadas duas das ligas mais dinâmicas do futebol europeu da actualidade. 

  

O favorito – se é que há dessas coisas neste tipo de desafios de vida ou morte – continua a ser o Werder Bremen. Mesmo sem Diego, o grande maestro de malas feitas e cabeça em Turim. Mesmo sem a frieza do gigante Mertesacker. Mesmo sem os centímetros a mais de Hugo Almeida. Não podia ser de outra forma. Thomas Schaaf há anos que sonhava com esse patamar para o “seu” Bremen. E quando começam a surgir na imprensa rumores – até há pouco impensáveis – da saída do técnico que leva dez anos à frente do clube do norte da Alemanha, imaginamos que uma despedida com um troféu europeu fará verdadeira justiça à passagem de este homem pelo clube verde e branco. O Werder Bremen teve uma fase de grupos da Champions League complicada e acabou por ser vítima dos deslizes do Inter que permitiu assim o apuramento aos gregos do Panaitinaikhos. A equipa acabou por ser repescada para a UEFA e a partir daí exibiu-se com notável regularidade, destroçando tudo e todos que se atravessem a passar pelo seu caminho. Chega à final sem o seu génio, que verá da bancada o dispositivo táctico assente, cada vez mais, nas movimentações de Pizarro e no trabalho no meio campo de Baumann, Frings, Fritz e Ozil. Quase nada!
 
Do outro lado os novos ricos europeus, esse símbolo da mutação que vive o futebol no velho continente, cada vez mais pertença de quem tem dinheiro para gastar, chegue donde chegue. E esses não entendem de favoritos. O filão brasileiro de Donetsk abriu as portas de uma final impensável há meses, quando o Sporting derrotou os ucranianos a dobrar e os eliminou da Champions League. A equipa recuperou o orgulho, e tal como os rivais de hoje, arrancou para uma campanha impressionante, coroada com a saborosa eliminação do eterno rival. Ilsinho, Fernandinho, Jadson e Adriano foram as prendas do milionário Rinat Akhmetov ao seu clube de pequeno e estes devolveram com juros a aposta. Os grandes já estão de dentes bem afiados, mas amanha em Istambul, o laranja terá toque de samba.

 

Em casa de um desses países que pertence à nova vaga de fundo europeia – falta a Rússia, vencedora do ano passado – a final entre a velha e renascida Europa e a nova e dinâmica dinastia, é mais do que um confronto de duas equipas. São dois clubes que apostam em homens de mentalidade ofensiva, equipas de ataque constante. O titulo doméstico perdeu-se e agora o que conta é entrar para a história. Favoritos nestes jogos não há, e menos quando há um lugar para preencher numa lista para a história. Istambul une Ásia e Europa e será igualmente a ponte entre o passado e futuro da prova, o passado e futuro do futebol europeu.

 

Longe do glamour da finalíssima da Champions na Cidade Eterna, nas margens do Bósforo viver-se-á mais uma dessas noites onde o que menos importa são os nomes. O que conta é a bola a rolar…seja de que cor seja!



Miguel Lourenço Pereira às 09:34 | link do post | comentar

Mais uma vez o parente pobre das provas da UEFA volta a vestir roupa nova e surgir com novo visual. A partir do próximo ano deixa de existir Taça UEFA para nascer a pomposa Liga Europa. Os mais novos pensarão que a mudança estabelecida pela UEFA é radical, mas a verdade é que há poucas provas que ao longo dos anos tenham sofrido tantas alterações como passou com esta competição que se chamará Europa mas que começou por ser apenas das Cidades com Feiras. 

 Em resposta ao nascimento em 1955 da Taça dos Clubes Campeões Europeus (ideada pelo jornalista do L´Equipe, o francês Gabriel Hanot) um conjunto de dirigentes europeus decidiram criar uma competição para as equipas que não se tivessem sagrado campeões nas suas respectivas provas nacionais. Apelidaram o troféu como Taça das Cidades com Feira, e as primeiras edições funcionaram apenas por convite. Após a terceira edição chegou-se a acordo com as ligas nacionais de forma a incluir os segundos e terceiros classificados dos diferentes países. Por essa altura a competição era dominada pelos clubes espanhóis, ofuscados pelo Real Madrid, que venceram as primeiras edições. A originalidade da competição levou mesmo a que uma das finais fosse disputada por uma equipa composta pelas melhores jogadores a actuar nos distintos conjuntos londrinos. O London XI perdeu com o Barcelona e foi caso único de uma cidade que se uniu para disputar uma prova europeia. Com o virar da década os ingleses começaram a bater com o pé aos clubes espanhóis e o crescente sucesso da competição – especialmente após o nascimento da Taça das Taças – levou a UEFA a dar a mão à palmatória. A organização tinha rejeitado o troféu por considerar que estava fora da sua esfera de influência mas em 1971 aceitou oficializar a competição que se passou a chamar Taça UEFA. Fechava-se um ciclo e arrancava outro.

 

A partir dessa data as finais a duas mãos – disputadas nas quartas-feiras entre a Taça das Taças e Taça dos Campeões – passaram a ser a marca da casa. Era o período áureo do futebol britânico e alemão. O Tottenham venceu o primeiro troféu na edição de 71 e voltaria a repetir uma década depois o triunfo. Em 1980 houve a primeira participação de uma equipa portuguesa na final. O SL Benfica defrontou o Anderlecth belga mas acabou por perder no conjunto dos dois jogos pela diferença de golos marcados fora de casa. Uma derrota amarga na primeira de três finais disputadas pelos três grandes. Teríamos de esperar 23 anos pela segunda.

Nos anos 80 a prova certificou internacionalmente a Quinta del Buitre, lançou para o estrelato clubes menos habituados a vencer provas europeias e viveu de novo duelos entre clubes do mesmo país. Por essa altura já nascera o sempre polémico ranking da UEFA que determinava que as grandes ligas enviavam mais clubes que outras ligas. Com o nascimento da Champions League a prova voltou a levar um rude golpe. A principal competição da UEFA passou a congregar mais clubes de um mesmo país (primeiro 2, logo a fórmula que se estendeu até 4 para as três primeiras ligas) o que tirou alguns clubes de renome da Taça UEFA. A prova passou a ser mais acessível a clubes com ambições menores e funcionou como o lançamento de novas potências futebolísticas. Criou-se a Taça Intertoto – uma espécie de pré-eliminatória – para receber clubes que ficaram de fora dos lugares de participação nas provas nacionais e deixou-se o modelo de dois jogos por final para se disputar o título a partido único. Em constante mutação a competição voltou a sofrer um forte golpe com o final da prova irmã, a Taça das Taças.

 

 Quando a UEFA determinou o final da prova dedicada aos vencedores das Taças nacionais, a Taça UEFA recebeu de golpe todos os vencedores europeus das taças nacionais. Entre os eliminados das pré-eliminatórias e fase de grupos da Champions League e os apurados da Taça Intertoto, começava a ser demasiado complexo manter uma estrutura sólida com base na prova a eliminar. A federação europeia de futebol decidiu então incluir também aqui uma fase de grupos que filtrasse as equipas para uma etapa final a eliminar, em tudo igual á Champions League mas com mais equipas em disputa. Nasceu assim a última transformação de uma prova que era, cada vez mais, o pouso perfeito para os eliminados da fase de grupos da Champions do que propriamente dos clubes que entravam na competição de forma directa.

 

A Taça UEFA cresceu em popularidade e receitas mas mesmo assim ainda era pouco atractiva comparada com os milhões da Champions League. Por essa altura já Portugal tinha levantado pela primeira vez a Taça (em Sevilla o FC Porto venceria com o polémico golo de prata por 3-2 o Celtic) e o Sporting perdido em casa diante do CSKA a primeira final única disputada em Portugal da prova (e terceira, após a do Jamor de 1967 e da Luz em 1991). A nível de clubes, turcos, russos e holandeses mostravam que eram as novas potências da competição, apenas interrompidos pela armada espanhola de Valência e Sevilla.

 

A vitória do Zenith, no ano transacto, foi a última antes de se conhecerem as mudanças de futuro. Quando arrancou a edição 2008/2009 já se saberia que a final de Istambul marcaria o final de uma era. O vencedor do jogo de hoje será o último a ganhar a Taça UEFA. A Liga Europa no próximo ano recebe a herança da velha prova que já mudou tantas vezes de nome como de formato, mas o ideal manter-se-á o mesmo. E o vencedor continuará a ficar como parte da história.



Miguel Lourenço Pereira às 00:37 | link do post | comentar

Segunda-feira, 18.05.09

Cumpriram-se as expectativas e os teutónicos voltaram a reinar. Em casa. Diante do seu público puderam demonstrar todo o seu poderio ofensivo e capacidade de sofrer nos momentos complicados. E foram muitos. Mas no final cumpriu-se a máxima número um de Gary Liniker. Ganharam os alemães. Os alemães do futuro...

 

Com o estádio de Magdburg cheio, as jovens esperanças do futebol europeu disputavam um dos mais interessantes e pouco publicitados prémios do futebol continental. Há poucos grandes craques do Velho Continente que não tenham por aqui passado com um brilharete. É por isso importante olhar para estes vinte e dois elementos e ver, num futuro não tão longinquo, quem singrará realmente. A julgar pelo ritmo intenso do jogo de hoje qualquer um destes jogadores é um craque em potência. E apesar da - justa - vitória do onze alemão, atenção a esta nova geração holandesa, disposta a disputar o posto aos mais velhos do seu país, bicampeões europeus dois escalões acima. Quanto aos alemães vão subir ao mundo dos sub-19 onde já dominam entre os maiores da Europa, comprovando a supremacia continental destas duas super potências (a par de França e Espanha), que mostraram uma vez mais todo o seu talento em campo. 

 

O desafio começou mal para os locais. A Holanda entrou atrevida e num excelente lance pelo corredor direito, o jovem extremo Shabir Isoufi, uma das revelações da prova, ganhou o combate corpo a corpo com o defesa alemão e centrou para o coração da área onde o letal Castaignos não falhou. O avançado holandês mandou calar o público local, mostrando que já em novo se desenham velhas rivalidades. E provou uma vez mais que é um dos pontas de lanças do futebol europeu com mais futuro. E o destino do trofeu até podia ter sido outro se minutos depois o mesmo avançado não tivesse falhado o alvo, acertadando violentamente no poste da baliza do guardião alemão. A equipa da casa recompôs-se rapidamente e começou a bombardear a baliza laranja. Notou-se isso no lance em que o ataque alemão ganhou nos céus uma bola enviada num missil telecomandado de Christophe Butchmann - o jogador da prova - e bateu inapelavemente Patrick Ter Mat. O enxoval ofensivo não parou após o golo de Thy e Basala e Gotze tiveram nos pés as melhores oportunidades de evitar o prolongamento. Não o lograram nos 90 minutos e acabou por ser o suplente Trinke a marcar ditando assim o resultado final.

 

A Alemanha já domina o futuro!

 



Miguel Lourenço Pereira às 19:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 15.05.09

Para os mais desatentos nos últimos dias tem-se vindo a disputar na Alemanha o Campeonato da Europa de sub-17. Uma competição sem grande glamour - por lá ainda não andam as jovens estrelas com contractos milionários do Euro sub-21 - mas fundamental para entender futuras tendencias do futebol europeu. Foi nas últimas edições do Euro sub-17 que se percebeu que a Espanha começava a ser um caso sério de competitividade, que a Turquia e a Rússia eram um fenómeno sério e que o futebol britanico, frances e italiano estava em queda livre na área da formação. De Portugal, mais vale nem falar.

 

No próximo domingo temos a final mais esperada, uma final que confirma de novo a tendência da formação do futebol europeu. Se exceptuarmos a poderosíssima cantera espanhola e francesa, não há hoje duas nações do futebol europeu com tanto potencial de futuro como sucede com Alemanha e Holanda.

A prova tem revelado uma série de nomes obrigatórios de futuro, mas o jogo colectivo destas duas equipas colocam-nas um nivel por em cima dos rivais. Para além da organização táctica - muito mais ofensiva no caso holandes, muito mais coesa na Manschaft - são destas equipas que se tem encontrado os mais interessantes jogadores de futuro. A anfitriã Alemanha conta com tres nomes básicos para o futuro: Reinhold Yoba, Christopher Butchmann e Matthias Zimmerman.

 

É uma equipa que confirma a boa forma da formação da Alemanha, que para além da revitalizada Bundesliga, tem uma selecção principal de novo no mais alto nivel e uma cantera capaz de garantir o futuro por mais de quinze anos. Depois da vitória no passado ano do Euro sub19, os germanicos podem consagrar o seu dominio no futebol de formação europeu actual. Para tal terá de repetir o mesmo resultado da fase de grupos onde venceu por 2-0 a equipa rival na final de Magdburg.

 

Do outro lado estará a Holanda, bicampeã em titulo do europeu de sub-21 e uma eterna máquina formadora de talentos. Após a derrota contra a Alemanha na fase de grupos, a nova face da laranja mecânica volta para assombrar a equipa teutónica. A equipa holandesa derrotou a sóbria Suiça nas meias finais graças ao trabalho de futuras vedetas Shabir Isoufi, Osama Rashid e Luc Castaignos. A equipa holandesa joga de forma claramente ofensiva do primeiro ao último minuto e são um perigo para a defesa alemã. Ou para qualquer equipa do mundo...

Os mais nostálgicos lembrar-se-ão da final de Munique entre a então mitica equipa de Cruyff e a não menos genial selecção de Beckhambauer. Ou da semi-final, quatorze anos depois, na mesma cidade, entre Klinsmann e van Basten. O futuro pertencerá seguramente a alguns dos jovens que subirão ao relvado de Magdburgo. Mais do que adivinhar quais serão os reais craques do futuro, o mais interessante é entender que o passado repete-se e que o futuro pertence aos mesmos que há trinta ou vinte anos dominaram o futebol europeu.

 



Miguel Lourenço Pereira às 20:36 | link do post | comentar

Quinta-feira, 07.05.09

 

O futebol é injusto. Uma máxima gasta através do tempo e bem presente na cabeça de qualquer um que esteja apaixonado pelo “beautiful game”. Não se percebe, não se aceita. Mas é inevitável. Mas há injustiças…e há injustiças. As irremediáveis e aquelas que se eternizam no tempo sem que nada, ou ninguém, tome uma decisão. E se para umas coisas a UEFA é rápida a propor e aplicar mão pesada – que o diga o FC Porto – para outras, fazer ouvidos moucos aos gritos clamorosos de injustiça, é marca registada da casa. 

 

Lembro-me bem da mítica final da Champions League de 1999, a noite mágica em Barcelona que marcou a reviravolta nos descontos do Man Utd. Lembro-me particularmente do rosto de Paul Scholes e Roy Keane. Os esteios dos Red Devils durante todo o ano estavam na bancada, de fato e gravata, a ver os companheiros protagonizar uma das noites mais épicas da história deste desporto. Mas não estavam lesionados. Tinham sido admoestados quinze dias antes, no estádio Dell Alpi, onde o Manchester carimbou o apuramento para a grande final. Scholes viria a história devolver-lhe o direito a erguer a taça no relvado o ano transacto. Mas o genial Roy Keane nunca voltou a pisar um palco europeu. O motivo? Acumulação de amarelos nas eliminatórias prévias. Uma situação que se repete – e cada vez mais – nas grandes competições – e que deixou de fora de grandes noites a vários craques. Mas craque ou não craque, algo parece óbvio. A final de uma grande competição, seja a Champions League, Taça UEFA, Europeu, Mundial, …, é o momento alto na vida de um desportista. O culminar muitas vezes de uma longa e angustiosa carreira à espera desses 90 minutos. Privar um jogador, seja uma celebridade ou um simples operário, de estar presente nessa noite, apenas pelo argumento do acumular de cartões nos jogos prévios, é de uma temível injustiça. 

 

Da mesma forma que se limpam os cartões ao passar de uma fase para a outra, a UEFA – e FIFA e todas as demais organizações – necessitam perceber que a final é uma fase à parte. A ultima. A decisiva. O momento mágico. E se estamos a falar de cartões injustos – e aí estamos a entrar na subjectividade – a situação é ainda mais grave. A expulsão no jogo da passada terça feira de David Fletcher, foi, nas palavras do seu treinador, Sir Alex Ferguson, “um drama pessoal”. E é que Fletcher, que não é um craque mediático, tornou-se naquele operário útil a todo o treinador. E que merece muito mais estar em Roma que muitas das vedetas do plantel, que viram, tranquilamente, o jogo no banco. Evra e Rooney estavam igualmente ameaçados. Controlaram-se. Mas saíram antes. Apenas e só por esse maldito cartão que podia cair do céu. Fletcher não teve hipótese. Pode discutir-se o penalti a Cesc, não se pode discutir a injustiça de o deixar de fora da grande final. Ontem, voltamos a ver a mesma história. Entre o Chelsea e o Barcelona havia vários jogadores ameaçados de suspensão. O apuramento, in extremis, do clube catalão, deixou a nu mais uma vez esse calcanhar de Aquiles da legislação actual. Daniel Alves, que fez um dos seus piores jogos desde que chegou ao Barca, levou cedo o amarelo e soube que com ou sem milagre, em Roma estaria na bancada. Do outro lado, Eric Abidal, atrapalhado pela velocidade de Anelka, não teve outro remédio senão fazer falta. Resultado igual ao da véspera. Vermelho, expulsão e adeus glória.
 
Mais do que o aspecto técnico-táctico (Guardiola ficou sem os laterais titulares e terá de adaptar Puyol e jogar com Silvinho, enquanto que Ferguson perde um forte operário no centro do miolo) o que ressalva aqui é a injustiça recorrente. Todos os anos há jogadores que, por essa acumualção de amarelos perdem as grandes noites. Nomes que também marcaram a história pela sua ausencia. No final perde o espectáculo. No final perdemos todos. A começar e a acabar sempre no jogador. E dizer a um homem, que batalhou mil refregas, que um simples cartão, seja pelo motivo que for, o pode afastar da noite da sua vida, é de uma crueldade que não combina em nada com a magia que é a essencia do futebol.


Miguel Lourenço Pereira às 12:27 | link do post | comentar | ver comentários (9)

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