Quarta-feira, 30.12.09

Num desporto onde muitos só vêm o que se passa dentro das quatro linhas é extremamente raro que a personagem que mais se destaque num ano desportivo opere fora delas. Mas em 2009 não há contestação possível. Desenhou a letras de ouro a página mais brilhante da história do seu clube. E provou que a experiência não é um bem essencial quando se é um génio. Único. O ano foi seu. Pep Guardiola e 2009 serão para sempre sinónimos.

Imaginamos os artigos do futuro. Quando se recorde a carreira de Guardiola não existirão páginas suficientes para resumir com exactidão o golpe de autoridade que significou para o técnico catalão a sua primeira época ao serviço do Barcelona. Mais do que as seis taças ganhas - um sucesso que nenhum outro técnico logrou. Mais do que os prémios acumulados por ele e pela sua armada invencível. O ano ficará marcado pelo seu futebol. O seu esquema. O seu jogo. A sua filosofia. E as suas lágrimas.

No final do Mundial de Clubes, enquanto os jogadores celebravam essa conquista histórica, Pep Guardiola chorava. Ele que nunca tinha manifestado as suas emoções nas cinco anteriores conquistas. Ele que não dá entrevistas. Que é corrosivo nas conferências de imprensa. E que vive atrás de um lençol que nada nem ninguém consegue penetrar. Naquele instante toda a pressão de um ano louco caiu finalmente. E Guardiola chorou. Como o menino que em Wembley, 17 anos antes, via o seu clube do coração vencer aquela que era a sua primeira Champions. Nessa época era um miudo, uma aposta pessoal de Cruyff para liderar o seu Dream Team. Agora é o técnico mais respeitado do futebol mundial. Algo que logrou apenas num ano. Um ano que dificilmente, e ele sabe-o, poderá repetir.

 

Guardiola é o Homem do Ano porque o futebol em 2009 se vestiu com o seu traje.

Um traje impecável, como o seu visual cuidado ao minimo detalhe. Um traje com que vestiu a sua equipa, ferida da morte quando o inexperiente técnico foi apresentado por Joan Laporta. Só com um ano de experiência na equipa B do Barcelona, a disputar então a Segunda Divisão B, todos duvidavam da escolha. Conheciam pouco o caracter obsessivo e perfeccionista de um homem que já era treinador há largos anos. No terreno de jogo.

O técnico herdou uma equipa triste e destroçada. Percebeu que havia de forçar uma mudança de atitude e fez o que melhor sabia. Apoiou o seu projecto na cantera de La Masia, do qual ele continua a ser o melhor exemplo. Recuperou veteranos da casa como Valdes, Iniesta, Puyol e Xavi. Repescou Pique, outro jogador feito em Can Barça e lançou vários jovens que treinara nas reservas. Cirurgicamente roubou ao Sevilla as suas duas pérolas, Keita e Alves e garantiu todo o protagonismo a Lionel Messi. Pelo meio livrou-se de jogadores que achava estarem a mais como Deco, Sylvinho e Ronaldinho. Apenas ficou Etoo, mas até aí a sua maturidade foi tal que não hesitou em dar-lhe a titularidade que o camaronês respondeu com golos. E titulos. Mesmo que a contra-gosto. E assim se coseu a mais doce refeição futebolistica do ano.

Se o Dream Team de Johan Cruyff era uma máquina de futebol pura o Pep Team levou a eficácia um patamar acima. Manteve a fórmula básica que criou escola em Barcelona. O jogo de toque. As rápidas tabelas, a transição sustentada e a pressão sufocante. A essa máquina de ataque - que as várias goleadas do ano, incluido os 2-6 no Bernabeu - Guardiola juntou uma total eficácia defensiva, o calcanhar de Aquiles da equipa do seu mentor holandês. Com Guardiola o Barcelona defendia em bloco, particularmente depois de Pique se impor como o parceiro de Puyol. Uma eficácia tal que permitia muitas vezes a Dani Alves jogar como falso extremo transformando o 4-3-3 num 3-4-3 no terreno de jogo. O tridente do lado direito Xavi-Alves-Messi foi fulcral para calibrar a máquina e a fome de golo de Etoo e a subida de forma progressiva de Iniesta fizeram o resto. Numa equipa praticamente sem banco, onde a aposta na cantera era um fenómeno constante, manter o nivel era algo impossível. Mas o Barcelona soube-se aguentar até Maio sempre ao mesmo ritmo. Obra e graça de um técnico motivador por excelência. E hábil a gerir cadas peças do tabuleiro.

 

É notório que o Barcelona desta época ainda está bastante longe da equipa do ano passado. A troca de Etoo por Ibrahimovic mudou o estilo ofensivo da equipa. O genial sueco joga melhor de costas para a baliza, com os colegas, mas é menos selvagem no seio da defesa. As lesões de Henry e Iniesta também não ajudaram mas foi a notória baixa de forma do corredor direito Alves-Messi que levou muitas vezes Guardiola a ter de arriscar. Como em Abu Dhabi. Naqueles em quem mais confia. Os seus jovens da formação. Na final do Mundial de Clubes Pedro voltou a marcar e a provar que é um joker extremamente útil. E Jeffren num quarto de hora logrou mais do que Messi em todo o encontro. Apesar de todos os prémios que acumule o argentino, ele sabe que é apenas uma peça na engrenagem. Que funciona na perfeição. Com ou sem ele.

Riscos assim poucos técnicos são capazes de assumir. E por isso é que nenhum tinha atingido tamanho nível de perfeição tão cedo. Guardiola já ganhou tudo o que havia para ganhar. Não lhe ficou nem uma migalha para o futuro. Não tem outro remédio senão voltar a vencer tudo. Ele sabe que elevou as expectativas até um máximo insuperável e esse será o seu grande desafio. A história está repleta de grandes técnicos com começos prometedores que depois se vão desvanecendo com o tempo. Mas nenhum começou desta forma, tão letal e bela ao mesmo tempo.

Josep Guardiola sabe que fez história. As suas lágrimas indicam o final de um ciclo. A pressão de vencer as seis taças que se começou a instalar em Agosto, com a vitória da Supertaça Europeia chegou ao fim. Agora a equipa, que se tem mantido em piloto automático boa parte deste Outono, pode desconectar. Já não tem obrigações. Pode voltar a desfrutar e tentar repetir a mesma senda gloriosa. Guardiola sabe que será muito dificil vencer um, dois troféus este ano. E está preparado para isso. E agora terá de preparar a sua armada. Talvez dessa forma, ao som de Viva la Vida como ele bem gosta, os blaugrana voltem a subir ao relvado com aquela fome de comer o Mundo que os transformou em algo especial. Dificilmente Guardiola voltará a ter um ano como este. Dificilmente algum ano voltará a ter alguém tão marcante como Pep.  



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:17 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 22.12.09

Mais interessante do que deambular sobre os títulos logrados com maiores esmagadoras pelo único jogador que não destoa do resto do colectivo que é o Barcelona é olhar para as recentes votações de final de ano e descobrir sempre entre os favoritos a Ricardo Izecscon. Um fantasma de si próprio, o médio brasileiro é o último reflexo do poder mediático sobre a qualidade de jogo. Porque, desde há quanto tempo que alguém se lembra de um lance memorável de Kaká?

Na imprensa espanhola instalou-se o debate. As excelentes exibições do proscrito Rafael van der Vaart levantam o véu sobre um dos temas tabus do ano no Santiago Bernabeu. Por muito bem que jogue, está o médio condenado a ceder o seu lugar a Kaká? Mais sabendo ainda que este Kaká é um fantasma do que foi? A resposta parece estar já escrita na mente dos directivos madrileños - mais do que do próprio Pellegrini - e acenta na mesma estratégia de glorificação que explica o porquê do quarto posto de Kaká entre os 5 melhores do ano para a FIFA. E a sua altíssima posição no top 10 da revista France Football. Tal como no ano passado aliás. Porque desse médio que gostava de rasgar e arriscar já não se vislumbra um momento de genialidade desde há mais de dois anos. Mas o nome continua aí, a vender camisolas e votos de primeiro nível. Afinal, qual é o curioso caso deste Ricardo Izecson.

 

A sua chegada a Madrid foi envolta com a mesma aura de Zinedine Zidane. Segundo a critica o Real Madrid tinha uma profunda carência de um homem capaz de pautar e controlar o jogo desde a saída do francês em 2006. Promessa de Ramon Calderon, o médio acabou por abrir a galáxia de Florentino Perez. Ofuscado - dentro e fora do campo - por Cristiano Ronaldo, no primeiro meio ano em Madrid o brasileiro simplesmente não existiu. Depois de uma pré-época apagada, Kaká começou a ter problemas em encontrar o seu espaço no puzzle de Pellegrini. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, que apesar de se queixar mostrava serviço, o brasileiro nem se queixava nem rendia. Deambulava perdido pelo relvado sem saber como e onde se posicionar. Da inteligência superior de jogo nem um vislumbre. A bola rodeava-o mas ele não a agarrava. O jogo escapava-lhe das mãos e nem a ausência do português por lesão foi suficiente para lhe dar protagonismo. Pelo contrário, Kaká esteve nos maus momentos mais escondido do que nunca. No duplo duelo contra o AC Milan, o seu anterior clube, mal se notou em campo. O mesmo em Camp Nou. Isto para não nos adentrarmos nas noites mais gélidas da liga espanhola. Mas isso não era novidade. Depois da brilhante época de 2006/2007, onde levou o AC Milan a mais um ceptro europeu, Kaká desapareceu dos radares. A última época em Giuseppe Meazza foi um pesadelo em toda a linha entre lesões, erros e tropeções. Parecia que Kaká tinha desaparecido e o seu alter ego divino, esse que joga com a ajuda de Deus e pouco mais, Ricardo Izecson, tinha tomado o seu posto.

 

A Taça das Confederações na África do Sul voltou a dar-lhe protagonismo - afinal o Brasil até foi campeão - mas apesar das boas exibições do brasileiro, a sua performance esteve a anos-luz do conceito de crack mundial que lhe vinha associada. Depois de ter desaparecido no Mundial da Alemanha e de já não constar no radar de Milão, em Madrid acreditou-se que o fausto do Bernabeu o iria ressuscitar. Um pouco como a Zidane, desaparecido também nos últimos meses em Turim. Só que ao contrário do francês, Kaká continua a não convencer. Parece que o sistema táctico de Pellegrini não lhe encontra um espaço. Perito em jogar atrás do ponta-de-lança, solto e sem nenhuma missão em concreto - ao contrário de Zizou que arrancava detrás para a frente - neste 4-3-3 madrileño é obrigado a descair para um lado. Ou a jogar muito longe da baliza. No primeiro caso a Kaká falta-lhe o espirito de jogar de banda, que Cristiano domina à perfeição mas que van der Vaart, Higuain e até Raul podem desempenhar. No segundo caso a posição no coração do meio campo impede-o de chegar perto das redes, por muito bem que esteja escudado por Xabi Alonso e Diarra. Mais uma vez Granero, Guti e van der Vaart se mostram mais apto para esta labor. Sem sitio no onze, sem espirito e sem destelhos de magia, Kaká ameaça transformar-se no primeiro grande erro da nova galáxia.

E no entanto aí está ele, em cerimónias a recolher galardões. Perguntamo-nos porquê? Qual a necessidade de constantemente premiar um atleta que há mais de dois anos que não demonstra estar no top 10 (ou 20) dos melhores do Mundo. Porquê preferir Kaká a Lampard, Drogba, Gerrard, Torres, Rooney, Gourcouff, Iniesta, Silva, Ribery, Fabregas, Arshavin e companhia? Afinal não foram todos estes mais regulares, mais efectivos e mais premiados neste último biénio que o brasileiro? Que tem Kaká para seguir na elite que não tenha nenhum deles? A resposta é clara: marketing.

A FIFA precisa, desesperadamente, de manter em alta o mercado brasileiro. E a verdade é que, exceptuando Lionel Messi que é um caso à parte (europeu no estilo de jogo e na formação, mais odiado que amado entre os seus), desde a explosão de Ronaldinho que o Brasil não tem uma estrela à altura. E a América do Sul um simbolo. Depois de anos consecutivos onde Romário sucedeu a Zico, Ronaldo e Rivaldo se seguiram e logo veio Ronaldinho primeiro e Kaká depois (enquanto que paralelamente havia Valderrama, Salas, Zamorano, Batistua, Lopez, Crespo e afins nos paises latinos vizinhos) , hoje o país que mais vive o jogo não tem icones. O escrete canarinho é uma equipa cinzenta e os grandes nomes jogam adormecidos. Por isso é importante manter Ricardo Izecson no escaparate. Só ele pode vender a imagem de um Planeta do Futebol longe da hegemonia europeia que hoje, efectivamente, se verifica. Olhando para as listas dos grandes atletas mundiais podemos até encontrar dois africanos (Drogba e Etoo) e três sul-americanos (Messi, Kaká e Diego), mas nenhum deles - voltamos a retirar Messi desta equação - vende como Kaká consegue. E por isso continua no escaparate.

Os (exagerados) milhões pagos por Florentino Perez e as óptimas votações logradas entre os prémios FIFA, France Football, Onze, World Soccer e afins justificam o cachet que rodeia o médio. Kaká, que foi um belissimo jogador até há três anos atrás, é hoje um fantasma da mesma forma que Ronaldinho - que esteve sempre uns furos acima do ex-Milan - já não é quem era.  Mas o Brasil precisa de uma estrela, a FIFA precisa de um Mundial com estrelas fora do espectro UEFA e o próprio futebol europeu gosta de valorar as importações internacionais. Talvez seja esse o curioso caso de Ricardo Izecson, um rosto tão familiar e tão desconhecido como o misterioso desaparecimento de um crack chamado Kaká.



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Segunda-feira, 21.12.09

As únicas equipas campeãs em Dezembro são as do continente americano. O honorífico título de campeão de Inverno vende jornais mas não otorga títulos com direito a estatistica incluída. Ao terminar o ano há os primeiros campeões honoríficos mas o passado ajuda a perceber que chegar à frente no final do ano pouco impacto tem quando as contas realmente se fazem já com a Primavera a chegar ao seu final.

 

Braga e Benfica, Barcelona e Chelsea, Bordeaux e Inter, Bayer Leverkusen ou Twente. São os prováveis campeões das ligas europeias em Maio ou um reflexo apenas de uma circunstância puramente conjuntural? A experiência diz-nos que se verifica mais o segundo que o primeiro caso. Num jogo repeleto de improbabilidades como é o beautiful game, fechar o ano na liderança é sempre um plus anímico mas com a maioria dos campeonatos ainda sem chegar à sua respectiva metade é demasiado precipitado anunciar campeões. Apesar das pequenas celebrações em alguns balneários por essa Europa fora.

No final de contas é a diferença pontual mais do que a posição na tabela classificativa quem dá sentido à analise da época com a paragem natalicia. Exceptuando a Premier League, que em lugar de levantar arraiais entra numa espiral competitiva única, as restantes ligas dizem até já. E só em principios de Janeiro voltarão a encher estádios num mês, aliás, pautado pelas habituais eliminatórias das taças nacionais e de outras competições criadas para aumentar as depauperadas receitas de bilheteiras por esse continente fora.

 

Olhando para as tabelas classificativas é fácil entender que de todos os proclamados campeões de Inverno, só existe uma equipa que pode ir colocando o champagne no congelador: o Inter de José Mourinho.

Apesar das criticas cada vez mais intensas e das dificuldades que se antevêm com a eliminatória europeia frente ao Chelsea os neruazzurri continuam a fazer da Serie A um passeio com a ajuda preciosa dos rivais mais directos. Nova derrota da Juventus - frente ao último - e a vantagem que se amplia a nove pontos com dezassete jogos disputados. Pelo meio está o AC Milan, a oito pontos e com menos um jogo, adiado devido ao mau tempo. Mourinho sabe que para se dedicar a 100% na Europa deve ter uma vantagem confortável na prova doméstica e a vitória de ontem frente à Lázio, num exercício de pura eficácia, praticamente deixa as contas bem encaminhadas. Uma situação invejável que mais nenhum clube europeu pode presumir.

O único onze que está numa situação similar é o sempre competitivo Girondins Bordeaux. Depois de uma fase de grupos mágica na Champions League - bafejada com um sorteio alentador - os girondinos puderam finalmente concentrar-se em renovar o titulo doméstico. A categórica vitória por 4-1 frente ao Lorient e os enésimos tropeções de Lyon e Marseille abriram uma brecha dificil de sanar na classificação. Oito pontos de vantagem com metade do campeonato cumprido sendo que os de Lyon têm um atraso já de 10 pontos. Recuperável mas em circunstâncias bastante complicadas.

 

Competitiva como nunca está a liga espanhola. O já oficial "Barça de las 6 Copas" lidera a prova mas apenas com dois pontos de avanço para o milionário Real Madrid, que depois de um inicio contestado tem trepado na classificação. Não fosse a derrota no Camp Nou e agora os merengues eram líderes. Não o são mas a vitória por 6-0 diante do Zaragoza deixa-os como a equipa mais eficaz e menos goleada. E dois pontos em Espanha não são absolutamente nada deixando para os próximos meses uma série de confrontos que poderão determinar se a vantagem blaugrana se anula ou, pelo contrário, volta a ampliar-se. E se a vantagem da Premier League é apenas de três pontos para o Chelsea, o facto da prova continuar de forma ininterrumpida até ao principio do ano deixa qualquer análise já bem entrado o mês de Janeiro, já em Portugal a época fecha como decorreu. O Sporting de Braga continua ano frente e pela primeira vez na sua história dobra o ano no primeiro posto. Algo que nem o Boavista logrou quando se sagrou campeão, tendo assaltado a liderança apenas em finais de Janeiro. O conjunto bracarense tem vindo a perder pontos importantes que o impedem de liderar em solitário mas mantém elevados os altos níveis de competitividade. Com os mesmos pontos caminho o Benfica. O onze de Jorge Jesus sabe o que significa acabar o ano em primeiro, nem que seja em ex aqueo. Já o ano passado Quique Flores foi "campeão de Inverno". E de pouco lhe valeu. A vitória ontem diante de um FC Porto a milhas do que pode fazer voltou a manter a diferença entre o duo da frente e o seu perseguidor em quatro pontos. Uma diferença infima e que deixa a luta pelo titulo adiada para os próximos meses com a particularidade de que o Braga não terá de suportar os dificeis duelos europeus.

 

Com a neve a congelar mais de meia Europa e os temporais a anunciar a chegada do "general Inverno", o futebol na Europa entra em modo de pausa. Se a paragem é larga em paises como a Alemanha - onde o Bayer Leverkusen se consagra como a grande revelação - e Holanda, já no sul a pausa é apenas de duas semanas, mais por motivos festivos do que pela intempérie que se vai vivendo. Dentro de nada a bola voltará a rolar e as diferenças que ditam os campeões de Inverno rapidamente se anularão ou até se ampliarão. Mas acreditar que fechar o ano à frente é sinónimo de festa no caloroso Maio é ignorar o principio mágico deste jogo: só acaba quando realmente acaba.



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Sexta-feira, 27.11.09

A poucos dias da oficialização do novo detentor do Ballon D´Or, as casas de apostas parecem não ter dúvidas. O argentino Lionel Messi é o máximo favorito para vencer o mais prestigiado trofeu individual do mundo futebolistico. Fala-se sempre no duelo entre o argentino e Cristiano Ronaldo. Muitos lembram a velocidade de Andrés Iniesta, o faro de golo de Samuel Etoo e Fernando Torres ou a classe de Frank Lampard. Mas antes de que a realidade rompa a ilusão, deixamos aqui as 10 razões porque o mitico trofeu deveria pertencer a outro blaugrana de excelência: Xavi Hernandez Creus...

 

1 - Xavi Hernandez é um dos jogadores actuais com melhor palmarés desportivo. O médio do Barcelona tem no seu historial 2 Champions League, 4 Ligas Espanholas, 1 Europeu de Selecções, 1 Supertaça Europeia, 1 Mundial de Juniores, 2 Taças do Rei e 2 Supertaças de Espanha.

 

2 - Aos 29 anos, Xavi está no culminar da sua carreira desportiva. Estreou-se pela mão de Louis van Gaal na equipa principal do Barcelona em 1998 e foi imediatamente visto como o sucessor natural de Pep Guardiola. Com a chegada de Frank Rijkaard passou a jogar mais adiantado no terreno tornando-se no maestro do jogo do Barcelona e da selecção espanhola, com quem ganhou tudo o que havia para ganhar.

 

3 - Foi eleito o Melhor Medio da última edição da Champions League recebendo igualmente a distinção de melhor jogador da final onde assistiu os dois golos da equipa catalã. Foi igualmente eleito MVP do último Europeu de futebol.

 

4 - É actualmente o médio criativo mais desiquilibrante do futebol mundial. Pauta o jogo de dois campeões europeus - de clubes e selecções - e é o principal responsável pelo fio de jogo elogiado no Pep Team. O jogo do Barcelona e da selecção de Espanha passa todo pelos seus pés.

 

5 - A sua ausência no onze de Guardiola significa, quase sempre, problemas para o técnico. Ao contrário das suas estrelas mais cintilantes, sem as quais o Barcelona já provou saber vencer, sem Xavi em campo a máquina azulgrana perde completamente o rumo.

 

6 - É o espelho do futebolista como artista. Não tem a força fisica nem é tão completo como Cristiano Ronaldo. Não possuiu o sprint e a finta desconcertante de Lionel Messi. Mas reune em si todas as caracteristicas de um criativo de excepção, eximio nas bolas paradas, com um remate letal e uma visão de jogo de mestre de xadrez.

 

7 - É o simbolo número 1 do Barcelona. Producto de La Masia, encarna todos os ideais do estilo de jogo do clube catalão. Capitão na ausência de Charles Puyol, demonstra uma total fidelidade à causa azulgrana tendo rejeitado por diversas vezes a transferência para o estrangeiro, apesar das ofertas de AC Milan, Inter, Chelsea e Manchester United.

 

8 - Disputou em 10 anos 475 jogos ao serviço do Barcelona e 82 pela selecção espanhola. No total apontou 55 golos ao largo da sua carreira e hoje é o atleta do Barcelona com mais jogos nas provas europeias e o segundo com mais encontros na liga espanhola. Exceptuando uma tormentosa lesão que o afastou da final da Champions League de 2006, manteve uma impecável folha de lesões e cartões que o levaram a ser eleito, por três vezes, o jogador com mais fair-play da liga espanhola segundo a revista Don Balon. Um exemplo de profissionalismo e fair-play recompensado pela UEFA ao outorgar-lhe o titulo de capitão da sua selecção ideal em 2008 e 2009.

 

9 - Ao contrário dos seus mais directos rivais, Xavi Hernandez mantém o seu mesmo estilo de jogo e nível exibicional no seu clube - FC Barcelona - e na sua selecção. É a chave do jogo dos comandados de Vicente del Bosque e foi fulcral na caminhada de La Roja para o próximo Mundial.

 

10 - Num prémio criado para eleger o melhor de um ano, o vencedor devia resultar no jogador mais decisivo durante esse periodo de tempo. Ao contrário de Cristiano Ronaldo - apagado no ínicio do ano e lesionado grande parte do final de 2009 - e Lionel Messi, que vive esta época uma clara baixa de forma do que se pode constatar na época passada, o número 6 do Barcelona manteve o mesmo ritmo de jogo durante todo o ano, tendo sido decisivo nas diferentes provas em que participou ao serviço do Barcelona. Desde o último desafio contra ao Inter às eliminatórias da passada edição da Champions League, sem esquecer a histórica vitória do Barcelona no Santiago Bernabeu por 2-6.



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Terça-feira, 22.09.09

A grande sensação do início de época foi o Tottenham Hotspurs. O clube londrino conseguiu pela primeira vez em quarenta anos três vitórias consecutivas a abrir a Premier. Mas as derrotas diante de Manchester Utd e Chelsea abrandaram as expectativas à volta de Harry Redknapp. Em San Mames e no Luigi Ferrari a situação é oposta. Vive-se a euforia do regresso em força de dois históricos do futebol europeu.

 

Quem poderia antever que depois do primeiro mês de provas oficiais em Espanha e Itália, a liderança da prova estivesse em mãos de Athletic Bilbao e Sampdoria. Um feito que não é inédito. Afinal, são dois dos clubes com mais historial do futebol. Mas um cenário que há muitos anos não se via. Uma liderança partilhada, é certo, com rivais de maior potencial, mas que não deixa de dar óptimas indicações sobre equipas com aspirações mas à volta das quais havia muitas, talvez demasiadas, dúvidas. No lado do histórico clube basco pela natureza do seu projecto e os sustos do passado recente. No lado da formação genovesa, pela falta de consistência de uma equipa que vivia à sombra de Antonio Cassano. Cumprida uma primeira - e importante - etapa dos campeoantos europeus, há ainda muitos pontos de interrogação. E nunca se poderá esperar que estas posições sejam as mesmas que encontraremos, digamos, lá pelo Natal. É claro que não. Mas são um sinal positivo de dois projectos em reestruturação que demonstram que o sucesso presente e as glórias passadas são possiveis de conjugar numa equação ganhadora.

 

Em Espanha o caso do Bilbao é ainda mais curioso. O clube orientado pelo andaluz Joaquin Caparrós - responsável igualmente pela reestruturação do Sevilla que abriu as portas ao sucesso de Juande Ramos - já tinha conseguido o brilharete na época transacta de disputar a final da Taça do Rei. Uma prova da qual era a equipa com mais vitórias (o Barcelona igualou o feito) e que provou que o sangue frio basco continuava bem vivo. Apesar da derrota diante da máquina goleadora de Pep Guardiola, o conjunto deixou boas impressões que contrastavam claramente com a péssima campanhã doméstica que os atirou para a luta pela sobrevivência. No arranque do novo ano a tremideira na pré-eliminatória da Europe League deixou no ar muitas dúvidas. Mas Lezama e uma nova vaga de talentos - dos consagrados Llorente, Iraola, Susaeta e Amorebiata à promessa Muniain - ao serviço de um técnico conhecido pela sua capacidade de trabalho, começaram a dar frutos. Em quatro jogos na liga espanhola o Bilbao sumou quatro vitórias. É co-lider com os favoritos Real Madrid e Barcelona e na última jornada derrotou o Villareal, um dos candidatos aos primeiros postos. Mais do que isso, o futebol da equipa é mais agradável e fluído do que em anos passados. E a muitos começa a vir à memória a notável época em que o conjunto disputou até ao fim o titulo com o Real Madrid, acabando em segundo posto na liga das Estrelas. Os adeptos do San Mamés sabem que sonhar com a Champions pode ser muito numa liga extremamente competitiva, mas esperam voltar aos postos europeus por direito próprio e afastar fantasmas do passado.

 

Na portuária cidade de Genova o clima é de maior euforia, até porque, pela primeira vez em largas décadas, os dois clubes da cidade estão em grande forma. O Genoa perdeu dois jogadores chave para o Inter mas vem lançado de uma grande época e quer repetir o feito. Só que neste arranca de campeonato os holofotes estão no histórico rival. A Sampdoria foi das poucas equipas nos últimos trinta anos de Calcio a desafiar os três grandes (AC Milan, Juventus e Inter). Venceu o campeonato em 1991 e disputou no ano seguinte a final da Taça dos Campeões. Era uma geração fantástica a orientada por Sven-Goren Erikson com Mancini, Vialli, Lombardo, Pagliuca e Vierchwood. Hoje a equipa é muito menos ambiciosa. Antonio "Il Talentino" Cassano é a única estrela num plantel repleto de obreiros de génio (Palombo, Volpi) e jovens talentosos (Pieri, Fiorillo, Ziegler, Foti) que combinam muito bem. O conjunto genovês cedeu apenas um empate, contando os restantes jogos por triunfos. Está lado a lado com a poderosa Juventus na liderança da Serie A  e depois de ter eliminado o Inter na Taça de Itália do ano passado, este ano tem um projecto mais ambicioso. Jogar no Luigi Ferrari é um terror para qualquer rival e mais ainda quando a equipa está motivada. O projecto da "Samp" não é imediato, mas a baixa de forma de AC Milan e AS Roma abriu à classe média italiana (onde andam também Genoa, Udinese, Napoli, Lazio ou Fiorentina) uma possibilidade de chegar mais longe do que seria esperado. Resta saber que pedalada tem o conjunto genovês que bem pode olhar para o exemplo de outro histórico. Afinal o Napoli no ano passado arrancou de forma demoníaca mas a segunda volta foi um suplício e o clube acabou a meio da tabela.

 

O sinal dado por Bilbao e Sampdoria pode ser ainda recuperado por outros velhos clássicos. O já citado caso de Redknapp e o seu Tottenham (numa liga cada vez mais equilibrada com a chegada em força do Manchester City) ou do ressuscitar do Bayer Leverkusen na Alemanha são apenas exemplos. Enquanto que há grandes equipas que agonizam nas divisões inferiores (Real Sociedad, Boavista, Newcastle, Nottingham, Leeds, Nantes, Verona), há outros projectos que mostram dar a volta por cima e apresentar trunfos de valor na mesa. Resta ver o que ainda têm guardado nas mangas...



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:45 | link do post | comentar

Quarta-feira, 01.07.09

Quando cerca de 50 mil pessoas se dirigem numa tórrida tarde de Verão para ver pela primeira a um desportista subir ao relvado com um equipamento oficial vestido, sem bola sequer nos pés, deixa-se de estar na dimensão desportiva para passar directamente ao mundo do espectáculo e entretenimento. Como desporto de massas há muito que o futebol vive nessa ponte entre o desporto jogado e o negócio que rende milhões. Milhões foi o que custou Ricardo Izecson dos Santos Leite ao Real Madrid. Concretamente 65 milhões de euros. Mas ontem, quando Florentino Perez anunciava a sua chegada à "Casa Branca" a uma multidão em delírio, ninguém se lembrou do dinheiro gasto. A euforia tomou conta da capital espanhola. Kaká provou ontem o verdadeiro poder da ilusão. 

 

No campo, já agastado pelos anos, o maior jogador da história do Real Madrid, o homem que desportou um dos muitos polémicos negócios merengues, Alfredo di Stefano, olhava ao seu redor. No seu tempo o estádio construido por Santiago Bernabeu enchia-se para vê-lo jogar. Agora enche-se simplesmente para dar as boas vindas a mais uma das estrelas galácticas madridistas. Na bancada, outro gigante do futebol, Pelé, aplaudia o jovem compatriota. Ele que foi dos primeiros a provar o futebol-negócio (anuncios, passagem pela MSL) sabe bem que a bola a rolar é cada vez mais um pormenor no meio de tanto rebuliço.

 

Os jornais não se entendem. Uns falam em 40 mil outros (sempre exagerados quando está o clube merengue em causa) estendem a lista de admiradores de Kaká presentes no sua apresentação oficial até aos 60 mil espectadores. Todo o espectáculo - como se prevê que passe com Cristiano Ronaldo - foi montado ao minimo detalhe. Uma tarde tórrida na capital de Espanha, numa hora ideal para entrar em directo em todos os telejornais, portas abertas a todos os jovens e jovens que vivem a primeira semana oficial de férias de Verão, as principais lojas da cidade já com a camisola do jogador à venda...a apresentação cronometada, o discurso emocional, os videos, as velhas glórias e por fim, o artista. Timido, como sempre, Kaká subiu ao relvado visivelmente impressionado. É por estas e por outras que sempre se houve que os jogadores querem actuar no Bernabeu. Porque o Real Madrid é e sempre foi um clube que preferiu o espectáculo mediático ao espectáculo no terreno de jogo. Clubes como o Barcelona, Manchester United, Juventus, Bayern, gigantes do futebol mundial, seriam incapazes de preparar uma cerimónia de consagração como estas. Para essas entidades o futebol está, primeiro, no relvado e é aí que se fazem as estrelas. Em Madrid apostam por começar a rentabilizar desde que arranca a pré-época, sem sequer ver a bola rolar na relva.

 

Esse trato de glorificação do individuo por cima do colectivo (e que permitiu o nascimento de várias gerações de galácticos, de Di Stefano e Puskas a Butrageño e Hugo Sanchez passando por Zidane e Figo) torna o clube atractivo para os jogadores e rentavel para os presidentes. Florentino Perez sabe como ninguém manejar o marketing de um clube. É um presidente desastrado para o apartado desportivo mas a nível de negócios é um gestor hábil. A escolha do número 8 (já utilizado por mitos como Amancio, Schuster e Michel) é cirúrgica e hoje as novas camisolas com o número de jogador já estão esgotadas. Sinal de que os muitos milhões pagam começam a rentabilizar depressa. A máxima do Real Madrid é essa mesma. Se, como sucedeu com a primeira etapa de Florentino Perez, os jogadores em campo não renderem como os nomes no universo empresarial do clube, procuram-se alternativas. Para o Madrid os craques que contrata a peso de ouro são negócios antes que elementos chave para a equipa.

 

"Contratar os melhores do mundo não significa que se ganhem jogos e titulos", comentou no outro dia o seleccionador espanhol, Vicente del Bosque, primeiro técnico do Madrid de Perez. E com razão. O clube espanhol é, ao contrário de outros gigantes como o Manchester United e o eterno rival Barcelona, um clube que vive em constante ilusão. Ilusão que vende ao seguidor com a mensagem de grandeza. De nomes, de investimentos, de retornos financeiros, de titulos ganhos. Enquanto os outros clubes preparam-se para realizar contratações cirurgicas para melhorar a equipa, o Real Madrid quer relançar a sua marca oficial no mundo. É negócio antes de ser futebol puro. A máxima que se vive, ano atrás ano, no Bernabeu. Esta época não será distinta, ganhe-se ou não titulos, a ilusão tratará de tapar os buracos que possam vir a surgir nesta nau à conquista da Europa.


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publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:29 | link do post | comentar

Segunda-feira, 25.05.09

Do purgatório ao céu.

Depois de dois anos de verdadeiro inferno o Barcelona renasceu das cinzas. E mais brilhante do que nunca. Da equipa que Frank Rijkaard levou ao bicampeonato e à conquista da Champions League em 2006 ao Pep Team liderado pelo jovem Guardiola a verdade é que não há grandes diferenças. Mas a atitude é distinta. E aí está a base do sucesso. Ronaldinho e Deco já não estão na nave e a verdade é que, desde o ano passado só Daniel Alves, Keita, Pique e Hleb são novos na armada. Mas, no entanto, neste Barça tudo é distinto. A começar pela atitude em campo, a pressão imediata à saída da baliza contrária a incapacidade em abrandar e acima de tudo, a eficácia goleadora. Vários foram os jogos, ao longo do ano, em todas as competições (e os catalães já venceram duas das três) que o resultado final foi por mais de quatro golos. O trio Messi, Henry e Etoo é o mais concretizador de toda a Europa, um verdadeiro perigo para qualquer defesa.
 
A verdadeira arma desta equipa é no entanto a sua facilidade no passe. Com uma defesa alta, onde Alves actua como falso extremo transformando o 4-3-3 muitas vezes em 3-4-3, o meio campo torna-se no pulmão chave do jogo de Guardiola. O trabalho musculado cabe habitualmente a Keita ou Touré, apesar do jovem Busquets ter sempre dado boa conta de si quando foi chamado, especialmente por ter outro toque de bola, mais fino que os dois portentos africanos. Depois está a magia de Andres Iniesta, capaz de romper pela direita, esquerda ou centro com sprints deliciosos e passes impressionantes. O seu golo em Stanford Bridge foi o justo prémio para um dos melhores futebolistas mundiais, pilar da vitória espanhola no último Europeu. Mas o cérebro de todo o jogo deste Barça é mesmo Xavi Hernandez. O centro-campista, a quem atribuíram o prémio de melhor jogador do ultimo Europeu, é hoje em dia o melhor jogador do Mundo. Longe do mediatismo de CR7, Messi ou Kaka, o catalão é um génio como o Camp Nou viu poucos. É ele quem pauta todo o jogo ofensivo, todas as corridas de Leo Messi, todas as desmarcações de Etoo. Uma autentica régua e esquadro no relvado que completa com uma técnica inusual capaz de fazer dele também um oportuno goleador.
 
Do ataque catalão há pouco a dizer. Messi começou a época de uma forma absolutamente extraordinária. Ritmo endiabrado, bola colada no pé, o argentino é um desequilibrador nata. Perde em jogar com o direito e por isso descai tanto para o centro onde pode puxar sempre a bola para o seu pé esquerdo. Não tem grande força física mas compensa essa fraqueza com velocidade e sentido de oportunidade. É o falso avançado do jogo do Barcelona, um vagabundo que combina com Xavi e Etoo na perfeição. Do outro lado o renascido Henry. Tal como Iniesta o veterano francês está em dúvida mas a sua presença é chave no esquema de Guardiola. Depois de um ano de estreia para esquecer, Titi Henry voltou ao seu melhor nível. Não tem o mesmo ritmo e velocidade dos dias de Highbury Park, mas a verdade é que continua a ser determinante, ele que teve o azar de viver à sombra de Zidane, o que o impediu de vencer os múltiplos prémios que a sua carreira merecia. No coração da área o leão indomável. Problemático, conflituoso, irascível. A E´too já lhe chamaram de tudo. Mas em campo ele é tremendamente eficaz. Líder da Bota de Ouro, o camaronês provocou a saída de Ronaldinho e Deco e esteve com um pé fora. Guardiola acabou por discipliná-lo como nenhum treinador tinha logrado e o avançado respondeu com golos. Antes queria partir, agora não quer sair de Camp Nou onde é tratado como o deus do golo.  
 
O calcanhar de Aquiles é mesmo a defesa. Puyol e Pique são óptimos jogadores mas Alves está sempre demasiado adiantado e nem Silvinho nem Abidal dão garantias. Valdês está na sua melhor forma mas é pouco e a falta de banco – outro problema crónico deste Barca – dá pouca margem de manobra. Em Roma não estarão Alves, Marquez e Abidal o que obrigara Guardiola a adoptar um falso lateral, ou dois, caso não confie em Silvinho. E os rivais sabem que este é o seu ponto mais débil.
  
A época do Barcelona foi fascinante. O pior arranque de sempre e a melhor primeira volta da história. Todos os recordes de golos e assistência batidos, goleadas a todos os rivais, incluído o Real Madrid no Bernabeu e o Sevilla no Pizjuan, e uma classe em campo inadjectivável. Do pior Barcelona dos últimos anos assistiu-se ao nascimento de uma equipa histórica, que a imprensa local já apelida de Pep Team. Isto obra de um técnico que está no seu primeiro ano na primeira divisão, depois de só ter treinado a equipa B que militava na III Divisão no ano passado. Guardiola é um génio, já o era há uns anos em campo e continua a sê-lo no banco. Passe o que passe em Roma está época é dourada para a história blaugrana. A vitória na Taça do Rei diante do Bilbao e na Liga são um feito inesquecível. Conseguir o trio perfeito seria inédito. Mas com este Barça tudo é possível.


publicado por Miguel Lourenço Pereira às 20:49 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 23.05.09

A vida é feita de altos e baixos. O futebol não poderia ser diferente. Mas há casos e casos e a época 2008/2009 vai certamente ficar para a história. Nunca se tinha vivido um arranque de época tão entusiasmante, com equipas vindas praticamente do nada a tomar de assalto os primeiros postos. E agora, a um dia do final da época na maioria das ligas europeias, podemos constatar que foi sol de pouca dura, que a realidade é crua e que quanto mais alto se sobe, mais alta é a queda. O que é novidade é que tenha sido um fenómeno simultâneo em quase todas as ligas. De todas as equipas sensações da primeira volta – e houve-as para todos os gostos e feitios – nenhuma sobreviveu ao dobrar de ano e algumas quantas acabam a época com a corda na garganta. Quem disse que o futebol era imprevisível? 

Comecemos por este pequeno país à beira mar plantado.

Face ao arranque penoso do tricampeão e dos pontos perdidos, aqui e ali, pelos crónicos candidatos, do nada emergiu um líder surpreendente, que fez eco por toda a Europa. Na época anterior o estádio do Mar tinha vivido a ilusão da subida de divisão e o drama da permanência até ao fim. As expectativas para esta temporada não eram diferentes, mas de repente aí estavam, os bebés de Matosinhos, a vencer a grandes e a pequenos, em casa e fora. E o Leixões era líder. Pela primeira vez na sua história. Liderava a Superliga com uma equipa super-eficaz. Braga era o maestro de um onze orquestrado com a eficácia e simplicidade de José Mota, que desde Beto nas redes ao avançado Wesley, tinha uma equipa de ganhadores. Durante o frio e chuvoso Outono o Leixões pôde mais que os outros e manteve-se firme. Vergou o campeão em casa e fez sofrer águias e leões. Até que chegou o Natal. Começou o marcador a ficar vazio, de golos, de emoção, de esperança. A liderança perdeu-se, o segundo lugar também. Começou a queda livre. A venda do elemento chave não ajudou, mas isto de ser pequeno tem destas coisas. E agora aí está, depois de derrotas surpreendentes, o ambicioso Leixões, no sexto lugar, que nem é má posição para quem temia descer, mas que em nada tem a ver – em ponto e jogo – com a equipa que arrancou o sonho aos milhares de adeptos que inundavam o Mar…
 
Aqui ao lado fenómeno similar. Enquanto Barcelona e Madrid enchiam capas, duas pequenas equipas, Valladolid e Málaga, começavam a trepar timidamente na classificação até estar em lugares de glória, improváveis a principio. Sonhou-se com o hino da Champions em Pucela e La Rosaleda. No final a época é larga e carrasca e a Europa, e não só a dos milionários, ficou de fora das contas. Os empates e derrotas foram atrapalhando os sonhos, e no fim de contas serão os mesmos a beber da fonte do dinheiro uefeiro. Aos pequenos restam-lhe as pequenas referencias nesse livro esquecido que é a história. 

Em Itália e Inglaterra o fenómeno foi ainda mais acentuado, já que as grande sensações da época começaram a sonhar alto e terminam o ano com um pé no poço.

O regresso da Napoli era algo que milhares de fãs nostálgicos do beautiful game ansiavam. O clube de Careca, Alemão e Maradona, o símbolo do sul de Itália contra o norte industrial e os clubes da capital, tinha descido aos infernos, mudado de nome e subido a pulso. Na primeira época na Série A regressou à UEFA e tinha criado um projecto ambicioso que o levasse a outros palcos. Os mesmos de há vinte anos atrás. A época começou de bom augúrio, e com as quedas de AC Milan, AS Roma e Juventus, os napolitanos subiam na classificação, lado a lado com Fiorentina, AS Lazio e Genoa no ataque ao intocável Inter. Da magia napolitana rapidamente se passou ao desespero. No espaço de três meses a equipa caiu mais de dez posições na tabela e está agora a apenas três postos da linha de água. Será salva, mais tarde ou cedo, mas no limite. Algo impensável para os que já sonhavam com o regresso do Scudetto.
 
Em Inglaterra os tigres de Hull tinham chegado directamente da Coca Cola Championship e ninguém apostava um cêntimo por eles. Parecia terem já carimbado o bilhete de volta, até que começaram a ganhar em tudo o que é campo, e do nada viam-se em lugar de Champions. Muita fruta para uma terra e um clube tão verde ainda nestas histórias. O Hull ainda se aguentou nos postos europeus um bom par de meses, sabendo que os cães que lhe mordiam os pés tinham mais poder de fogo para estas coisas. Quando a realidade desceu à terra os jogadores perderam a aura mágica e começaram a fazer o que se esperava: perder em tudo o que é campo. Hoje o Hull City tem meio pé fora da Premier. Disputa com Newcastle e Middlesborough a descida de divisão. Joga com o Man Utd e tem sorte que a equipa de Ferguson esteja com a cabeça em Roma. Mas pode não ser suficiente. E o conto de fadas terminaria como uma história de terror.

 

Resta-nos nesta história o caso mais singular entre todos. E também o mais elucidativo, que disto de brincar aos campeões não é para todos. Devia, mas não é. Na Alemanha surgiu do nada um clube de uma cidade minúscula, que com o dinheiro do seu presidente, um milionário antigo jogador da entidade, foi subindo a pulso de divisão. Contratando jogadores desconhecidos, o TSG 1899 Hoffenheim irrompeu na Bundesliga como um trovão. Os golos de Vedad Ibisevic e os passes de Carlos Eduardo foram rasgando as defesas contrárias, e depressa o pequeno clube subiu ao primeiro lugar. E foi mesmo campeão de Inverno, feito histórico nestas terras e ainda para mais com esta concorrência. Quando voltou o campeonato, já sem a estrela da casa, os adeptos azuis voltaram à realidade. A equipa durante uns dois meses ainda lutou por estrear-se na Europa, mas foi caindo na classificação à medida que outros iam trepando. Como o Wolfsburgo, que percebeu que o importante não é começar bem, é acabar melhor. A equipa do oeste alemão dificilmente irá à próxima Taça UEFA. Mas pelo menos deixou o aviso. Para o ano não se surpreendam.

 

 Depois do que vimos este ano ficam duas coisas claras. Começar bem não significa terminar lá em cima e que ser pequeno, para algumas coisas, ainda conta. Especialmente se há que correr dez meses sem parar.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 00:18 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 22.05.09

Os amantes do futebol estético e atractivo apaixonaram-se por Guardiola outra vez. Depois de o terem visto durante largos anos a desenhar, geometricamente, cada passe a rasgar do mítico Dream Team, agora podem revê-lo, semblante sério, a coordenar do banco a equipa mais explosiva do futebol europeu. Falta-lhe a maturidade do Manchester United (na quarta-feira haverá esse tira teimas) mas em espectáculo ninguém bate a trituradora catalã, capaz de humilhar o mais temível dos rivais. Os mais atentos perceberam também, que a base deste Barcelona está na própria cidade. É verdade que Etoo marca mais do que nunca, que Henry ressuscitou e que Daniel Alves é uma locomotora. Mas é La Masia a verdadeira origem de todo este êxito. A mesma escola que formou o mister Pep, a mesma escola que deu as bases aos alunos que este ano se graduaram com matricula de honra…Puyol, Valdês, Pique, Messi, Xavi, Iniesta, Bojan, Busquets…um sem fim de craques com a mesma origem.

E se alguns estão já na maturidade da vida desportiva, a outros ainda lhe faltam muitos anos de glória. Mas atenção, a festa não acaba aqui.

 
No último jogo em Mallorca, um Barcelona já campeão saiu derrotado simpaticamente por uma equipa de uma ilha vizinha e no entanto o interesse estava mais nos homens que subiram ao relvado com o equipamento amarelo alternativo do que nos vencedores. Só que ali não havia nem Xavi, Puyol, Messi ou Valdês. O antigo técnico da equipa B, recém-sagrado campeão nacional, sabe, mais do que ninguém, que a cantera do Barcelona não pára com os títulos. E que já há uma verdadeira nova fornada de génios preparados para tomar de assalto o Camp Nou. Como passou com Messi, com Bojan, com Giovanni dos Santos (perdido entretanto pela segunda liga inglesa…problemas de carácter são assim) ou com Sérgio Busquets. Tudo homens que o técnico conhece bem e que sabe que, com o tempo, serão eles a levar o estandarte blaugrana. Pedem a gritos uma oportunidade de jogar ao lado dos craques. Guardiola já deu o aviso em Mallorca e muitos sagraram-se campeões. Outros estão ai, à espera. Cada um melhor com o outro. O Barca neste momento é mais do que a melhor equipa continental…é também a equipa com maior futuro do futebol europeu. Tomem nota! 

Há para todos os gostos nesta cantera sem fim. Há quem diga que os juniores catalães tem talento de sobra para estar para o ano com o brasão de campeões ao peito, se dessas coisas houvesse em Espanha. Os jovens de mais brilhante futuro, curiosamente, seguem os passos não dos Xavis ou Puyol, mas sim de Lionel Messi. Ou seja, não são catalães de pura cepa. Um é filho de um velho craque brasileiro, Mazinho, estrela da canarinha de 94, habituado aos relvados espanhóis que cedo percebeu que o local ideal para o seu filho crescer era de olhos voltados para o Mediterrâneo. Apesar da ascendência brasileira, o jovem Thiago Alcântara preferiu jogar pela Roja, desde muito cedo, tendo já mostrado todo o seu potencial. É um médio distribuidor com uma visão de jogo sublime, capaz de encontrar espaços onde há multidões. Joga com os dois pés e tem estatura física para ombrear com os mais duros dos marcadores. Sagrou-se campeão no passado domingo, mas o mais importante é que Thiago é claramente o líder desta nova vaga, o sucessor natural de um gigante como Xavi Herndandez.

 
Do outro lado do mar que banha Barcelona chegou outro jovem de pés de anjo, drible demoníaco e remate poderoso. Chega de Israel e tem nome de herói templário, chegado das cruzadas com vontade de vencer. Guy Asulin é a seta veloz apontada ás redes. Um jogador desequilibrante que viveu ofuscado pelo mexicano dos Santos, mas que já demonstrou ter muito mais cabeça e espírito de trabalho que o antigo companheiro. Guardiola sabe a pérola que tem entre mãos e ainda não o lançou ás feras, mas poucos duvidam que na próxima temporada não esteja a treinar com o seu ídolo, um argentino que começou exactamente como ele, pequeno e endiabrado, até se tornar numa estrela.

 

Com a marca da casa chega uma nova vaga inspirada pelo exemplo de Bojan Krikic e Sérgio Busquets, os últimos filhos da Catalunha a brilhar no poderoso Barca. O avançado estreou-se com Rijkaard e não é propriamente o menino dos olhos de Pep, mas cumpre quando o chamam. Que o digam os rivais da Taça, prova que dominou com golos em todas as eliminatórias. Quanto ao médio, filho do mítico guarda-redes suplente de Zubizarreta, foi a revelação da época, um pensador de jogo um pouco à medida do próprio treinador que já logrou também a primeira internacionalização. E com eles vem muitos mais.

Já com jogos nas pernas na primeira equipa há um tal de Pedro Rodriguez, extremo interessante, sem o sentido explosivo de Messi, mas capaz de criar desequilíbrios de forma constante pelo flanco esquerdo. Precisa de mais trabalho mas tem o futuro garantido. No eixo da defesa está Victor Sanchez. Herdeiro de uma escola milenar que tem em Puyol e Pique os últimos embaixadores, o jovem Sanchez já demonstrou estar à altura nos momentos mais delicados e para o ano espera receber mais oportunidades numa defesa super concorrida (há Marquez, Cáceres e o emprestado Henrique) mas que é também o elo mais fraco dos catalães. Também recém-campeões na visita as Baleares estão o jovem guardião Olier, o sucessor natural do sempre polémico Victor Valdes. Na defesa há outro Xavi, este também com apelido de estrela, Torres, é um valor seguro para estancar a sangria de perdas de bola nos lances mais complicados. Titular absoluto na B, espera tranquilamente a sua vez para ter mais opções no primeiro plantel blaugrana. No meio campo, ao lado de Thiago, o jovem Abraham é outro valor seguro, num registo distinto, mais virado para a contenção do que para a distribuição de jogo. E claro, Jeffren, o jovem avançado de quem muito se espera já que há várias décadas que Barça espera ter de novo um ponta-de-lança da casa para fazer levantar o estádio.
 
O aviso está feito. O Barcelona domina o presente e prepara-se para conquistar o futuro. Há muitos anos que não se via uma cantera tão forte ainda mesmo antes de se estrear a sério. Muitos provavelmente ficarão pelo caminho, outros tornar-se-ão estrelas. Caberá ao jovem treinador gerir o plantel para o próximo ano e dar passo a uma nova vaga de estrelas made in Catalunya



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:43 | link do post | comentar

 

Os últimos dias devem estar a dar insónias a José Mourinho.
Das grandes. Daquelas que não teve desde que arrancou com a carreira de treinador. Até hoje tudo lhe correu como tinha planeado, o curso natural das coisas. Chegou a Leiria, afirmou-se. Foi para as Antas, ganhou tudo o que tinha para ganhar e deu o salto natural para um grande. Em Londres voltou a repetir a fórmula e apenas ficou com a espinha europeia atravessada na garganta. Despediu-se no momento em que foi despedido e tomou um ano sabático, para escolher a dedo o próximo projecto. Que lhe assentava como uma luva. Cumpriu o sonho de conquistar a Série A, com mais problemas do que previa e agora….o dilema.

 

Mourinho tem o apoio total de Moratti, um presidente mediático mas apaixonado e que o compreende. Sabe que é o melhor e o técnico ideal para emular o seu pai que teve Helenio Herrera e assim marcou uma era. Mancini era demasiado suave e sem garra. Mourinho é um guerreiro e tem carisma. Podem chocar mas procuram o mesmo: a glória. O presidente italiano também tem dinheiro, não tanto quanto Mourinho gostaria – não é um Abramovich – e o Inter não é um simples novo-rico, é hoje o segundo clube com mais troféus do futebol italiano. E a Juve aqui tão perto. Além do mais depois do primeiro ano Mourinho já conhece os cantos à casa. Sabe que tem um plantel desequilibrado com jogadores excedentários e falhas importantes. A saída de Figo, Quaresma, Adriano e provavelmente Júlio Cruz é um problema. Convencer Zlatan Ibrahimovic a ficar, outro. Diego Milito e Thiago Motta chegam do Genoa, mas é pouco para o projecto europeu de um plantel envelhecido. E falta muita gente e tempo para a incorporar. E claro, há ainda a Série A. Ganha nos últimos quatro anos, não tem segredos para os nerazurri. Mas é também uma prova monótona, sem o mediatismo de antes, o que quer dizer, sem o peso histórico que já teve. Mourinho chegou, viu e venceu…e agora? 

Agora chega Florentino, o homem que promete agitar o Verão só com a sua presença (e do seu livro de cheques, claro) na presidência do decrépito Real Madrid. Depois da negativa de Wenger e da certeza que Juande Ramos não tem o nível para a entidade, o futuro presidente quer alguém mediático para liderar o seu projecto de estrelas mundiais e jogadores espanhóis de nome. Alguém que ofereça resultados imediatos, mas que também comece a desenhar um projecto de futuro. E se alguém está habituado a chegar, ver e vencer…sim, é Mourinho. Os adeptos não gostam – afinal Mourinho esteve em Can Barça e apesar de sair a mal, há esse handicap – porque, não esqueçamos, a imprensa de Madrid tem muito peso no clube, e durante anos a sua campanha contra o futebol português, nesse tom de desprezo que categorizava Mourinho como inferior a Benitez e Ramos e CR7 como o maior produto de marketing do futebol moderno, por detrás de qualquer jogador a actuar em Espanha (não é por acaso que sempre que citam Messi o citam como “o melhor jogador do mundo”, pobre rei sem trono). E agora não sabem como explicar que a ideia do iluminado Perez é a acertada. Porque Perez quer Mourinho. Quer alguém que lhe de títulos, já! E quer alguém capaz de controlar os egos do balneário. Em troca oferece o prestigio de treinar o clube com mais Champions, que desesperadamente procura a 10…e Mourinho quer desesperadamente a segunda. Um dilema! 

 

A verdade é que Mourinho nunca ficará a perder. Se continuar em San Siro o técnico português pode tornar-se parte da história de um dos maiores clubes mundiais. Repetir o triunfo no Calcio é um feito, por muito baixo que esteja o nível da Série A. E apesar do domínio anglo-espanhol nas últimas edições da Champions o Inter tem legitimas aspirações a estar na final do próximo ano. A final que é no Bernabeu. A final que Perez quer ganhar, com o seu novo Real Madrid, no seu estádio. A final que Mourinho quer ganhar, seja com que clube for. A tentação é grande. Continuar de nerazurri ou tornar-se merengue…as noites complicadas do são um verdadeiro dilema. Resta saber qual será a opção do setubalense. Que volta a estar no centro das atenções…como tanto gosta!


publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:51 | link do post | comentar

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