Quarta-feira, 06.10.10

Num clube impulsionado pelos milhões árabes do petróleo, orientado por um controverso italiano e repleto de jogadores dos quatro cantos do Mundo seria de estranhar que a grande referência da equipa fosse um jovem inglês? Inevitavelmente. Mas Adam Johnson traz para a miscelânia de talentos que forma este City um toque de classe imprevisível.

Houve várias vozes criticas quando Fabio Capello divulgou a lista de 23 mundialistas no passado mês de Maio. Não havia espaço para Adam Johnson.

No entanto o jovem extremo, contratado pelo Manchester City ao nortenho Midlesborough, colhia o favoritismo da critica e do público para viajar com os Pross. Teve direito a um Verão de descanso enquanto que os internacionais voltavam de cabeça baixa. Também por isso ele é o rosto da nova Inglaterra. Mais solta, mais aguerrida, mais determinada. Johnson confirma agora, aos 23 anos, tudo aquilo que deixava antever há quatro épocas atrás quando irrompeu no Boro. Na altura ninguém era capaz de prever o descalabro do clube nortenho. O extremo estreou-se num duelo europeu contra o Sporting e teve tempo para crescer. Natural de Sunderland, um verdadeiro guerreiro do norte, Johnson traz em si a irreverência e descaro que habitualmente falta ao futebolista inglês, todo raça e ordem. As suas diagonais, o potente remate de pé esquerdo fazem lembrar os seus dois idolos de infância, David Ginola e Ryan Giggs. Tal como eles é capaz de desiquilibrar e abrir o campo de forma automática e autoritária. Uma modalidade tão invulgar que rapidamente fez dele um jogador a seguir. Mas Johnson precisou de tempo para explanar o seu jogo. No caótico Midlesborough soube irromper como estrela e os pontuais empréstimos a Leeds e Watford deram-lhe a força suficiente para entender o lado mais dramático do jogo.

 

Quando começou a render Stewart Downing, outra promessa por concretizar, poucos imaginavam que se estava a gestar um jogador tão determinante. A sua propensão pela diagonal em vez de optar pela corrida rumo à linha de fundo, trademark do extremo britânico, notou-se de imediato que havia ali um recorte particular. A pouco e pouco Johnson foi-se tornando na figura de uma equipa em queda livre. A saída de Downing para o Aston Villa abriu-lhe definitivamente a titularidade que o jovem agarrou com unhas e dentes. De tal forma que no meio de tantos milhões gastos em estrelas internacionais (Robinho, Tevez, Adebayor, Millner, Barry, Silva, Touré, Lescott, De Jong, ...) o Manchester City encontrou um miseros seis milhões de libras para trazer o jovem da luta pela promoção no Championship à disputa pela Champions League na Premier. Mark Hughes tinha dado o aval, Roberto Mancini, um virtuoso por excelência, deu a aprovação final.

Quatro dias depois de assinar pelos Citizens, Johnson estreou-se com a sua nova camisola rendendo Stephen Ireland, um dos poucos resistentes britânicos do clube do petróleo árabe, num duelo com o Hull. Foi o arranque de um final de época captivante. Três dias depois era eleito o melhor em campo, no seu primeiro jogo a titular, e imediatamente depois conseguia o golo do empate no confronto contra o clube da sua cidade natal, o Sunderland. A dez segundos do fim.

O final de época consagrou-o como o jogador diferente e o arranque da nova temporada só fez mais do que confirmar as expectativas. Mancini, rendido, já não nega a dar-lhe a condução da equipa, relegando até o campeão do Mundo espanhol, David Silva, para o fundo do banco de suplentes. O golo épico frente ao Newcastle, num jogo de loucos, é só mais um aperitivo para uma época que se antecipa longa. E cheia de espectáculo.

Encontrar uma jovem promessa inglesa que prometa algo diferente às vezes é tão complicada como encontrar uma agulha num palheiro. Adam Johnson tem esse toque de classe que tantas vezes escasseia. Já se assumiu como a diferença numa equipa paga a peso de ouro e onde o inglês é um idioma esquecido. Agora a próxima etapa é provar na selecção inglesa que a chama do futuro saiu do seu pé esquerdo. Ele é o factor britânico que faz a diferença.



Miguel Lourenço Pereira às 14:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 25.09.10

Rosto impenetrável e juvenil. Visual descuidado e longos braços e pernas, magros e elásticos. Da ribeira do Manzanares ao tapete verde do Calderón emergiu um "superportero". Poucos guarda-redes atingiram tamanho nível de excelência tão cedo. Com 19 anos, David De Gea é o homem do momento no futebol europeu. Um verdadeiro Don David...

Casillas, Cech, Buffon, Julio César e Lloris são, provavelmente, os cinco melhores guarda-redes do Continente. Agora.

Todos eles sabem que agora contam com um rival à altura. Não faltou pouco (se é que já não o é) e David De Gea estará nessa lista. Possivelmente no primeiro lugar. Muito possivelmente. Tem todas as condições para confirmar-se como o melhor guarda-redes do planeta. Com um ano apenas no futebol profissional o jovem internacional esperanças madrileño é já uma imensa certeza. Se fosse ponta-de-lança ou extremo o seu passe já andaria pelos 60 milhões de euros, cláusula de rescisão incluida. Mas é portero, o seu labor é outro. Tão ou mais importante. Mas infinitamente menos mediático. Não vale mais do que 25 milhões, segundo o último contrato assinado pelo Atlético de Madrid, clube do seu coração, clube que o formou e lançou aos leões no estádio do Dragão na passada edição da Champions League. Lançado por outro portero histórico do futebol espanhol, Abel Resino, o jovem David vinha só para cumprir com a baixa do colega. Um colega tido como a grande promessa das redes espanholas. Mas a lesão (e instabilidade emocional) do jovem Sergio Asenjo foram a porta de entrada que o jovem de 18 anos precisava. Quando chegou à titularidade, nunca mais a largou. Nem com Asenjo no banco a reclamar por minutos, nem com o Calderón desconfiado. Num ano onde a equipa oscilou entre o inferno e o céu, David de Gea tornou-se o rosto feliz da segunda etapa. Dos jovens sonhadores. Dos rostos imparáveis.

 

O impacto de De Gea no futebol espanhol podia comparar-se com a errupção do vulcão Leo Messi. Mas no extremo oposto.

Durante um ano o Atlético de Madrid teve no jovem o seu maior seguro de vida. Mais do que a dupla Forlan-Aguero, as suas exibições encheram o os olhos, semana atrás de semana. Foi fulcral na final europeia ganha ao Fulham e na épica vitória frente ao Inter de Rafa Benitez. No arranque da nova época fez do Atlético lider. Com defesas impossíveis como as da passada quarta-feira em Valencia, no Nuevo Mestalla.

Contra o Barcelona, o super-Barça de Guardiola, esteve sublime. Evitou uma goleada histórica. Sempre com a mesma expressão de jovem traquinas a viver um sonho. A ele não lhe importa se é Messi, Ronaldo, Villa ou Torres que tem diante. A todos responde com a mesma autoridade. Aquela que nos habituamos a ver nos veteranos consagrados. Nunca num jovem flamante que não treme, não fraqueja, não cede.

No final do encontro foi ter com Victor Valdés, o seu idolo, apesar de ser do Barça. E foi o Zamora, o rival de Iker Casillas - o terceiro em discórdia - que se rendeu ao talento do jovem. Do já Don e senhor.

Se tanto Valdés como Casillas tiveram inicios tremidos, perdendo a titularidade depois das primeiras exibições (para Rustu e para César), e se Buffon, Júlio César e Cech demoraram também o seu tempo para se afirmarem como elementos fiáveis, que dizer de um guarda-redes que relembra o jovem Peter Schmeichel ou o imberbe Vitor Baía. O seu descaro é genuino e inocente, como cada estirada impossível a que dá forma. Sir Alex Ferguson, há anos sabiamente a patrulhar a melhor liga do Mundo para encontrar guarda-redes de primeiro nível (apesar de ter falhado com Ricardo, agora no Osasuna), está desesperado por resgatá-lo para render um Edwin van der Sar no ocaso da sua longa carreira. De tal forma que preferiu ir vê-lo in loco (sob o pretexto de observar o Valencia, o próximo rival da Champions, a treinar a sua equipa - onde se estreou a sua arriscada aposta chamada Bebé - no jogo da Carling. Inédito mas natural, o guardião do Atlético não encaixa no conceito da normalidade. De Gea tem todas as condições para suceder, em grandeza, ao gigante dinamarquês. Só alguém com um perfil forte é capaz de aguentar o inferno de Old Trafford, a loucura da Premier League. O seu rosto de manchego tranquilo diz tudo. Para ele o desafio é o de menos. O desfrute prevalece a cada segundo.

David De Gea poderá ter de penar até Iker Casillas (e Victor Valdés) deixaram de convencer os seleccionadores espanhóis que contam com um filão de ouro inesgotável. Mas tem todas as condições, fisicas e psicológicas, para se tornar num dos nomes obrigatórios na história do futebol. Mas já ninguém duvida ao observar o seu olhar felino que o jovem de Madrid tem tudo para ser o superportero do novo milénio.  



Miguel Lourenço Pereira às 12:44 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Quarta-feira, 18.08.10

José Mourinho nunca foi um treinador conhecido pela sua aposta na juventude. Um rótulo que funciona bem nos modelos criativos de Arséne Wenger, Louis van Gaal ou Josep Guardiola mas que, para muitos, entra em confronto com o perfeccionismo táctico que exige o técnico português. Uma teoria bem afastada da realidade e que o Special One está prestes a desmontar na sua aventura espanhola.

Que o autor do primeiro golo na final da Champions League de 2004 tenha sido um jovem brasileiro de 19 anos contratado por petição expressa do técnico mais mediático do Mundo, é algo que parece apenas ser um detalhe para os criticos de um treinador a quem a obsessão de ganhar fez perder os admiradores do futebol purista. Aqueles que, além da estética no rectângulo também se apaixonam com as constantes ondas de novos talentos que os técnicos lançam às feras. Sim, José Mourinho seria incapaz da temeridade de Guardiola ou Wenger, capazes de alinhar em jogos a eliminar uma equipa que podia passar perfeitamente pelos júniores. O seu gene ganhador impede-o. Mas isso não faz, nem nunca fez, de Mourinho, um técnico que não aposta na formação e na juventude, como contraponto à experiência, que ele sabe (não sabemos todos?) ser vital para aguentar um longo ano ao mais alto nível.

Carlos Alberto no FC Porto (e, porque não, Paulo Ferreira ou Ricardo Carvalho, então praticamente desconhecidos), foi o primeiro exemplo de um jogador jovem moldado pelo técnico para vencer. Na sua vida pós-Mourinho o pequeno génio que destroçou Manchester United e AS Monaco eclipsou-se, como tantos outros. Mesmo em Londres, rodeado de compras milionárias, o técnico luso teve tempo e paciência para armar uma equipa de futuro. John Obi Mikel, roubado das garras do Man Utd, Salomon Kalou, Lass Diarra ou Shaun Wright-Philips, foram apostas constantes do treinador quando ainda davam os primeiros passos na alta roda. Já em Milão, a última etapa da sua odisseia desportiva, o técnico não duvidou no primeiro ano em lançar aos leões o jovem David Santone, uma das grandes promessas do Calcio. Uma aposta que só não deu os seus frutos porque na sua segunda temporada em San Siro uma grave lesão afastou o lateral dos relvados durante largos meses.

 

Um repasso que ajuda também a explicar as motivações de Mourinho na preparação desta nova época desportiva, a sua estreia na liga espanhola. No inicio do Verão a imagem do técnico que só apostava em veteranos constatava-se facilmente pela lista de jogadores supostamente pretendidos pelos merengues. De Ashley Cole a Steven Gerrard, de Maicon a Ricardo Carvalho passando por Michael Ballack ou Didier Drogba. Veteranos dos quais só o central português, num negócio apalavrado há um ano com Roman Abramovich, se tornou em realidade soldado do exército merengue. Num plantel onde os veteranos não abundam (Casillas, com 29, é o mais antigo e um dos jogadores mais velhos do plantel), e em que até os simbolos máximos da formação local, Guti e Raúl, foram convidados a conhecer outros ares, há uma autêntica reviravolta na aposta no mercado, depois dos 320 milhões gastos no ano passado em jogadores consagrados no mercado.

Do jovem Sérgio Canales (contratado muito antes da chegada do português) à promessa espanhola Pedro León, passando pelo argentino Angel Di Maria e os alemães Sami Khedira e Mesut Ozil, este novo Real Madrid é uma equipa mais fresca, jovem e ambiciosa.

Se Mourinho encontrou essa ambição de ganhar tudo em jogadores desconhecidos no Porto, jogadores desprezados em Inglaterra e veteranos ignorados em Itália, em Espanha a fórmula parece ser mesmo apostar em jovens lobos sedentos de sangue de vitória. A mesma táctica que o Barcelona, com a diferença que o producto é de importação, e não de fabrica próprio. Pelo menos, até ver.

La Fabrica, a rival madridista de La Masia, produz mais futebolistas de primeira divisão que o centro de formação blaugrana. O problema é que só três deles estão no plantel principal do Real Madrid. O trabalho de Mourinho, como tem sido visivel na pré-época, é recuperar esse espirito, responsável pelos triunfos da Quinta del Buitre ou da geração de Raul, Guti, Morientes e companhia, antes do inicio das Galáxias milionárias. Se para isso o português precisa de tempo, já as apostas claras em jogadores jovens para escudar Cristiano Ronaldo (25), Kaká (28), Gonzalo Higuain (23), Sérgio Ramos (24), Pepe (27), Xabi Alonso (29) e Iker Casillas (29) manda um forte sinal de golpe na mesa. De jogadores que nunca ganharam nada num clube que quer ganhar sempre.

É fácil ver que Mourinho terá nos veteranos os seus braços-direitos. A figura de Carvalho e de Casillas será preponderante no equilibrio mental de uma equipa em formação, ao contrário do projecto já há muito consolidado do Barcelona. O esquema táctico será o de menos num conjunto onde o técnico apostará forte no comportamento competitivo. Uma equipa mais equilibrada de que a da época passada, mas sem tempo para experiências. Se Ozil terá a batuta e Di Maria a responsabilidade de abrir o campo, já Khedira, Canales e Pedro León terão todo o tempo do Mundo para assimilar os processos do técnico sob a sombra de Alonso, Ozil e Cristiano Ronaldo. Um trabalho que no relvado será dificil de apreciar mas que será o grande desafio de Mourinho, o homem que rompeu com a política suícida de Florentino Perez e o auto-deslumbramento de Jorge Valdano. Talvez o único homem capaz de perceber a verdadeira realidade por detrás do Real Madrid. Só por isso, seguir o desafio da progressiva maturação da sua esquadra, será um dos pratos mais apetecidos do ano. Porque Mourinho nunca defrauda. 



Miguel Lourenço Pereira às 15:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 10.08.10

A saída de David Silva abriu um buraco na orquestra valenciana. O clube espanhol foi rápido e garantiu os serviços de uma das maiores promessas do futebol gaulês. Feghouli tem nos pés a irreverência e atrevimento de quem joga sem nada a perder. Depois de dois anos ao melhor nível no modesto Grenoble, a Europa espera mais um candidato a suceder a Zizou...

Milhões de pessoas tinham acabado de abrir os presentes quando Feghouli quis nascer. Essa festa não era nada com ele. A sua viria depois. 

O jovem de ascendência argelina, mais um dos muitos que povoam o hexágono, nasceu a 26 de Dezembro de 1989 em Levallois-Perret, um desses muitos banlieus povoados de imigrantes magrebinos que dão outra cor à bela Paris. Como todos, Sofiane Feghouli cresceu a ver de perto a miséria e com a sede de conquistar a Mundo da única forma que sabia. Com uma bola nos pés.

Começou a jogar em pequenos clubes de bairro e em 2005 apresentou-se no Paris Saint-Germain para uma prova. O clube dos seus sonhos, aquele que Paris ainda não aprendeu a amar até à exaustão, disse-lhe que não. Demasiado baixo, demasiado magro, demasiado árabe, talvez. O rapaz não desistiu. Cresceu, alimentou-se, mas tornou-se mais magrebino do que nunca, rumando para sul. Nos Alpes encontrou o seu recanto particular. E começou a despontar como uma nova e brilhante estrela no firmamente juvenil gaulês, em periodo de reinvenção.

 

A estreia com o Grenoble Foot 38 surgiu num dia chuvoso de Abril de 2007. Contra o Stade de Reims, um dos duelos quentes da Ligue 2. Tinha 17 anos.

A boa exibição deu-lhe confiança. Em vez de voltar ao banco, o técnico apostou nele para os restantes jogos que da época. Convenceu. De contracto amador passou a profissional, assinando até 2010 com o clube. Com uma pequena cláusula de rescisão. Sempre a pensar no futuro. Em 2008 explodiu e começou a ouvir a expressão "petit Zidane" por todos os lados. Capa de L´Equipe e Onze, o jovem tornou-se na mais quente sensação da liga francesa. O seu futebol vertical desarmava as defensivas contrárias. Rápido, solicito, sempre hábil no disparo, Feghouli tornou-se na estrela da companhia e liderou o conjunto alpino a uma história promoção. Algo que ninguém esperava e para o qual as suas oito assistências e três golos foram fundamentais. O clube segurou-o das investidas locais, particularmente do Olympique Marseille, e viu-o estrear-se pela selecção sub-21 francesa contra a Bosnia. Para desespero dos pais, que o queriam ver com a camisola argelina. Um sonho de todos e de ninguém.

Durante dois anos Feghouli tornou-se, por definição, num dos enigmas Ligue 1. No seu primeiro ano como profissional na alta roda actuou em 24 jogos até que uma gravíssima lesão, no duelo contra o Veledrome, o impediu de terminar o ano. Perdeu a pré-época da última temporada, ainda a recuperar-se do golpe, e quando quis voltar, em Outubro, voltou a recair na lesão. O menisco cedeu e teve de voltar à mesa de operações. Quando todos pensavam que iria explodir, o corpo pediu descanso. Até ao final da temporada, agónica para o Grenoble, o jogador foi mantido à parte. A direcção não gostou de que o Valencia se tivesse entrometido entre as negociações de renovação de contracto. O clube espanhol levou a melhor e assinou com o jogador em Maio, antecipando já a saída de Silva. Ao jovem franco-argelino foi prometido o papel de criativo mor de uma equipa que regressa pela porta grande à Champions League. Resta saber se o corpo de Feghouli aguentará o desafio.

Desde que Zidane se afirmou que França clama pelo seu sucessor. De Nasri a Ben-Arfa, muitos foram já os que ostentaram o rótulo de sucessor do idolo gaulês por excelência. Sofiane Feghouli é um jogador radicalmente diferente, vertical e rápido, mais apto para equipas que jogam em velocidade e não conjuntos que gostam de parar e pensar excessivamente o jogo. O seu modelo adequa-se bem à velocidade de Mata e Dominguez, os seus futuros parceiros de ataque, e agora terá de ser o alto nível de exigência da Liga BBVA a ditar sentença.  



Miguel Lourenço Pereira às 09:17 | link do post | comentar

Quarta-feira, 04.08.10

Joachin Low deu forma à recente revolução da Bundesliga na última convocatória mundialista alemã. Mas ainda ficaram muitos nomes de fora. Nomes para o futuro com impacto imediato. Timo Gebhart é um dos casos mais sérios de crescimento acelerado. Filho da genial geração jovem do 1860 Munchen, tem agora a eterna rival Estugarda á espera do seu toque mágico.

O jovem Gebhart cresceu em Memminguem, pequena e bela cidade da Baviera, mas nunca revelou essa eterna predilecção pelo gigante Bayern tão habitual nos jovens do sul da Alemanha. A sua familia, de origens mais humildes, sempre teve uma particular admiração pelo histórico 1860. E foi para aí que o jovem partiu, em 2007, quando cumpriu os 18 anos e decidiu dedicar-se exclusivamente ao futebol. O clube, então na Bundesliga 2, aprovou a sua contratação, depois de uma semana de provas onde o jovem travou amizade com uma série de jogadores que se revelaram a nata da formação do clube bávaro dos últimos anos, como os irmãos Sven e Lars Bender, Alexander Eberlein ou Florian Jungwirth.

Com esta equipa extremamente jovem, Gebhart começou a encontrar o seu espaço. Arrancou a época como extremo direito, mas a variação táctica de 4-3-3 para 4-2-3-1, deslocou-o para a posição de falso avançado. A sua finta em velocidade rapidamente transformou-se numa imagem de marca, até porque Gebhart não precisou de muito para se tornar presença assidua na selecção da Alemanha de sub-17 e sub-19, apesar de actuar na segunda divisão do futebol germânico. Aí coincidiu com vários colegas do 1860, mas também com outras promessas do futebol germânico Em 2008 sagrou-se campeão da Europa, marcando o golo decisivo na final. Um titulo que anunciava a revolução que se preparava nas entranhas do futebol alemão.

 

A sua primeira época no 1860 Munchen não teve o sucesso esperado. O clube bávaro falhou a promoção por muito pouco, resultado talvez da excessiva juventude dos jogadores chave do plantel. Gebhart sofreu a acusação dos adeptos de jogar demasiado para o espectáculo, perdendo aquele toque de efectividade que já se reconheciam a outros craques da sua geração.

Apesar das criticas, certas em alguns casos, Timo continuou a sua evolução natural. Já com o titulo de campeão europeu no bolso, surgiu na máxima força no arranque da época 2008/2009 e voltou a mostrar a sua melhor arma. De tal forma que na paragem de Inverno o jogador foi transferido para o Estugarda. Aí coincidiu directamente com Christian Trasch, Thomas Hitzpleberger e Sami Khedira no miolo de jogo dos bávaros e sob a batuta de Markus Babbel começou a sofrer uma transformação táctica em tudo semelhante ao que pudemos seguir este ano com Bastian Schweinsteiger. Passou da ala para o eixo central, melhorou o seu remate de meia distância e transformou-se num jogador ofensivo com forte vocação defensiva. Fez parte da equipa que cavalgou pela tabela até chegar ao segundo lugar e no ano seguinte o jovem internacional disputou o seu primeiro encontro oficial na Champions League. A chegada de Hleb, por empréstimo, e a definitiva afirmação do seu amigo Khedira como médio de contenção afastaram-no da equipa titular, mas com o final de época voltou a recuperar algum do protagonismo.

A saída de Khedira do clube alemão abrirá as portas da titularidade ao jovem Gebhart. A sua ascensão tem sido rápida e prodigiosa, faltando agora dar o salto final rumo à Mannschafft. Com esta politica desportiva tudo indica que o jovem médio tem tudo para se assumir como uma das referências do jogo ofensivo alemão na próxima década.

 



Miguel Lourenço Pereira às 09:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 31.07.10

O país que apresentou ao mundo o Wunderteam há muito que agoniza. A sua liga perde, ano atrás ano, popularidade e carisma e a equipa nacional cometeu o feito de cair na primeira ronda do Europeu que organizou. No meio de tanto drama, uma boa noticia para alegrar o futebol austriaco: Yashin Pehlivan, o profeta dos descrentes.

A diáspora turca tem uma forte presença em Viena. Longe vão os dias do cerco, mas é inevitável caminhar pelas ruas arejadas da capital do centro da Europa e não sentir a presença de Istambul por todos os poros. Num país orgulhoso da sua origem, um país onde países nacionalistas de extrema-direita conseguem votações expressivas, não deixa de ser irónico que o futuro da sua equipa nacional esteja depositada num desses filhos de nenhum sitio, a meio caminho entre a Turquia e a Áustria.

Yashin Pehlivan nasceu em Janeiro de 1989 em Viena, filho de emigrantes de segunda geração vindos da Turquia nos anos 60 à procura de uma vida melhor. Para o jovem essa vida passa pelo futebol. Sempre foi assim. Desde os seus 10 anos que joga regularmente por clubes vieneses e pela equipa nacional de um país que tem em Krankl e Polster os seus últimos grandes heróis...de há mais de 20 anos. A Austria perdeu toda a importância que detinha no futebol internacional e, exceptuando o Euro 2008 que organizou, desde 1998 que não participa numa grande prova internacional. Muito pouco para um país com tanta história. Quando Pehlivan começou a jogar, o seu país despedia-se sem honra nem glória do Mundial de França. Dois anos depois começou a sua aventura no First Vienna FC, o clube mais antigo da Áustria. Passou aí os seus anos de iniciado, com breves empréstimos ao clube que originalmente o formou, o modesto Breteinse Wat 16.

 

Dono de um pé esquerdo espantoso, Pehlivan começou a sua carreira como médio ofensivo. Mas a pouco e pouco foi recuando no terreno de jogo até que se viu no miolo do relvado a pautar o ritmo das suas equipas. Transformado num pensador por excelência, o jovem Pehlivan tornou-se na grande sensação do futebol juvenil austriaco durante largos anos. Teve de esperar, no entanto, até cumprir os 20 para estrear-se na liga principal pelo Rapid Wien, clube que o contratou em 2003.

As notáveis exibições que logrou nas suas primeiras aparições foram uma verdadeira lufada de ar fresco num campeonato que vivia um duelo entre os grandes de Salzburg e Graz, bem longe do eixo central vienense. De tal forma que deu o salto à equipa de sub-21 austriaca, onde passou apenas três jogos antes que o seleccionador, Didi Constantini, o chamasse para a equipa principal. Pela Áustria disputou os últimos jogos de qualificação para o Mundial, a finais de 2009, e também os primeiros amigáveis de 2010, como titular no eixo do miolo austríaco.

A sua natural evolução dentro da liga austriaca começa a deixar antever que o futuro rapidamente passará por uma transferência para Alemanha ou Itália, local habitual de paragem da esmagadora maioria dos promissores austriacos. Poucos são os que, efectivamente, aguentam o ritmo competitivo de outra prova. Mas pouco também têm o dom de entusiasmar tanto um estádio como o jovem Pehlivan.

Ao contrário da Bélgica, outra selecção clássica em horas dificeis mas que conta com uma verdadeira geração de luxo, a Áustria depende muito do talento genuíno deste jovem para reestruturar a sua equipa nacional. A fase de apuramento para o próximo Europeu será a batuta sob a qual se medirá a sua real influência. A hora da verdade não está longe. 



Miguel Lourenço Pereira às 10:32 | link do post | comentar

Terça-feira, 27.07.10

Vila Belmiro é mais do que o nome do estádio do Santos, o clube que Pelé eternizou na história do desporto mundial. Na sua imensa escola de formação de talentos o recinto baptizou também a nova geração de estrelas brasileiras que pede desesperadamente a oportunidade de reinvindicar-se. Oito anos depois da explosão do binómio Diego-Robinho, o clube do porto paulista está rendido aos novos "Meninos da Vila".

Neymar. Paulo "Ganso" Henriques. André. Wesley.

São os nomes e os rostos desta revolução mediática que assaltou este ano o Brasileirão. De tal forma que metade do país ficou estupefacto quando Dunga, o mal amado, rejeitou entrar na onda e levar os atletas ao último Mundial. Jogadores com meio ano de futebol internacional nas pernas mas com um fascinio que não deixa ninguém indiferente. Geração que sabe que o futuro é seu.

Desde que Robinho chegou ao Santos, por empréstimo do Manchester City, que o fenómeno mediático à volta do clube paulista triplicou. De isso aproveitou-se também a nova geração de talentos de um clube habituado a dar ao Brasil alguns dos seus melhores jogadores. Esta equipa santista, lançada por Dorival Jnr, rejuvenesceu-se por completo e aposta agora em atletas, todos eles menores de 20 anos, para voltar aos titulos que escapam desde que Diego, Robinho, Elano, Alex, Renato e companhia abandonaram o país rumo ao sonho europeu.

Neymar e Paulo Henriques lideram a nova vaga. São cobiçados por mais de meia Europa e resta saber qual será o preço desorbitante que Chelsea, Real Madrid, Barcelona, AC Milan ou Inter estão dispostos a pagar para conseguirem os serviços das futuras estrelas brasileiras que o país quer ver à frente da selecção canarinha no "seu" Mundial, daqui a quatro anos.

 

Neymar é o mais atrevido de todos.

Médio centro ofensivo, é um jogador com uma técnica fora do vulgar. Domina a bola como se fosse parte do seu organismo. Não tem a destreza táctica de um jovem europeu mas joga com o espirito livre de um miudo que dribla os barcos e velas que albergam o porto santino.

Com 19 anos é a já uma estrela, mesmo antes de ser um jogador formado. Tem um pontapé demoniaco e um estilo pícaro, capaz de inventar uma "paradinha" sem piedade do guardião contrário, no momento mais angustiante de um jogo decisivo. Com 15 anos já era a grande sensação do futebol juvenil brasileiro. Agora deu um salto qualitativo que lhe permite ombrear com os melhores, sem receios. A sua arrancada explosiva, recortada com vários dribles sem direcção determinada, tornam-no tão imprevisível como perigoso. Dos rivais diz que não que ter piedade, que o futebol é mais bonito quando se marcam 15 golos em vez de 5. Um espirito competitivo admirável mas que pode virar-se contra o feiticeiro quando passar o resto dos seus anos em ligas onde o 0-0 dura, dura, dura...

Do outro lado do ataque surge o elegante "Ganso", uma das estrelas maiores do último Mundial de sub-20 que o Brasil perdeu na final contra a selecção ganesa. Paulo Henriques é um esquerdino com um olho de falcão. Joga descaído no flanco mas com a mente no miolo central. Dá, reparte, volta a dar e assim enreda o adversário numa série de movimentos de plasticina pura. Perito no último toque, o "Ganso", é provavelmente o mais completo dos pequenos fenómenos que brotam em Vila Belmiro. Talvez por isso seja, também, o mais comedido.

Para completar a "Santissima Trindade" do Peixe, alcunha histórica do clube portuário, está o jovem André, dianteiro de 17 anos e muitos sonhos. O seu estilo de jogo e aparência fisica lembram Robinho. E não lembrava Robinho um tal de Pelé? Chamam-lhe o "garoto" numa equipa de miudos, mas o seu faro de golo é de gente grande. Trinta golos em seis meses é sempre muito. Mesmo nas ligas estaduais brasileiras. É rápido, gosta de se associar com os seus dois parceiros de ataque, e joga bem longe da área, um defeito que por vezes acompanha muitos dianteiros jovens brasileiros. Para ele o Mundo só termina numa baliza.

Se estes são as estrelas que fazem capa dos jornais diários brasileiros, a verdade é que este plantel santista tem mais opções de futuro. Do jovem Wesley, um médio ala com critério e rapidez ou o guardião Felipe, que superou um controlo anti-doping positivo para voltar à sua melhor forma. Os tubarões europeus cercam, cada vez mais de perto, o peixe miudo da Vila Belmira. Resta saber se algum deles conseguirá evitar cair na mesma ratoeira em que mergulharam Diego, Robinho, Elano e companhia.  



Miguel Lourenço Pereira às 11:20 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 26.05.10

Não bastava já o Grupo G do Mundial ser um duelo entre três dos melhores jogadores do Mundo (Kaká-Drogba-Cristiano Ronaldo), como agora se pode juntar à lista o ambicioso extremo coreano. Jong Tae-Se é um dos nomes obrigatórios de seguir no próximo mês. Um rebelde inesperado que renegou dois países para poder levar ao peito o simbolo da Coreia do Norte.

Os dois golos apontados no amigável de ontem frente à Grécia confirmaram o que se vinha dizendo, à boca pequena, entre aqueles que seguiam regularmente o futebol asiático. Sem mediatismo mas com muito talento, Tae-Se emerge naturalmente como uma das figuras que há que ter em atenção no próximo Campeonato do Mundo. Foram dois golos que espelham o estilo de jogo do extremo. Rápido, directo, habilidoso e repleto de oportunismo, Tae-Se é a grande figura da J-League japonesa, onde brilha há já quatro anos. Já tem 25 anos e só uma série de atrasos burocráticos atrasou o arranque da sua carreira internacional. Que agora é uma inevitável realidade.

Jong foi o grande artifice individual de uma equipa que vale pelo colectivo. Chave no apuramento surpresa da Coreia do Norte na fase de qualificação asiática, é o jogador mais temivel de uma selecção que a maioria dos analistas desconhece por completo.

 

A história de Tae-Se é o espelho do seu estilo de jogo. Repleto de pequenas inesperadas habilidades.

O jovem nasceu no Japão filho de pais sul-coreanos. Cresceu com dupla-nacionalidade mas quando entrou na Universidade, aos 18 anos, começou a simpatizar com a causa comunista. A paixão pelo regime da Coreia do Norte foi imediata. Durante dois anos ingressou em vários grupos de apoio ao regime de Pyongiang no Japão, e quando a sua carreira futebolistica despontou no Kawasaki Frontale, o extremo decidiu que queria representar o país que admirava.

Renegou à dupla nacionalidade dos pais e do país onde nasceu e depois de dois anos repletos de burocracia e problemas legais, conseguiu a almejada cidadania norte-coreana. A tempo de disputar a Taça das Nações Asiáticas onde foi, inevitavelmente, uma das figuras da prova. Continuou a ganhar a pulso o seu lugar no coração dos adeptos norte-coreanos com golos chave no apuramento para o Mundial, ao mesmo tempo que brilhava no Japão com o seu estilo de jogo incisivo e veloz, do alto do seu 1m81, uma raridade para aquelas bandas.

A Coreia do Norte é a grande incógnita do torneio e arranque a perder por começar num grupo de nomes já consagrados. Mas, tal como em 1966, é preciso ter atenção a uma realidade desconhecida. A exibição contra a matura Grécia deixa antever uma equipa mais sólida do que se esperava. E se Jong Tae-Se se lembra na África do Sul de repetir os trovões de magia que destroçaram os helénicos, as outras equipas que se cuidem. Este homem tem talha de herói!  



Miguel Lourenço Pereira às 11:47 | link do post | comentar

Sexta-feira, 07.05.10

Passou pela prestigiada academia de Clairefontaine. Tem a Juventus à perna e lembranças da dificil vida nos suburbios de Paris ainda bem presentes para dar um salto precipitado. O tempo corre a seu favor e o seu estilo de jogo deixa antecipar uma estrela de primeiro nível. Sebastian Corchia encontrou em Le Mans o trampolim perfeito.

Aos 19 anos é um nome consensual na sempre competitiva Ligue 1. Ainda não é internacional mas o tempo corre a seu favor, até porque o actual seleccionador, Raymond Domenech, é pouco amigo de jovens aparentemente inexperientes. Por isso, e muito provavelmente só por isso, a sua notável época não terá uma doce recompensa chamada África do Sul. Mas ninguém duvida que no Brasil seja ele o dono do corredor direito da defesa francesa. O seu destino está escrito a letras douradas. E chegou a ser bem mais túrbio.

Nascido em 1990 em Noisy-le-Sec, um problemático suburbio parisino, o jovem de origem italiana foi encontrando na rua a sua companheira perfeita. Das equipas de bairro passou ao Stade Olympique de Rosny-sur-Bois, o principal clube de bairro onde durou pouco. Os olheiros do Villenomble resgataram-no com apenas oito anos e acabaram por prepará-lo para o dificil teste de Clairefontaine. Na Academia que revolucionou o futebol gaulês o seu estilo de jogo ofensivo não deixou ninguém indiferente. Foi então que surgiu o PSG, que o chamou para uma série de testes. Durante um ano evoluiu na equipa juvenil do conjunto da capital com os olheiros de Inter e Juventus sempre omnipresentes. As suas seguras exibições pela selecção francesa de sub-19, com a qual disputou 19 jogos consecutivos como titular, confirmaram o seu imenso potencial. Faltava apenas o salto à elite.

 

Depois de em 2006 ter completado 15 anos o jogador percebeu que teria poucas oportunidades para afirmar-se num clube em constante ebulição. Foi então que surgiu o modesto Le Mans, acabado de voltar à ribalta da Ligue 1. O lateral assinou um contrato e começou por actuar na equipa junior onde impressionou rapidamente o staff técnico que lhe ofereceu um contracto profissional até 2012. Contra o Nice estreou-se a titular onde disputou vários jogos, sem no entanto convencer totalmente o técnico Daniel Jeandupeux.

Quando no Verão passado o português Paulo Duarte chegou à pequena localidade do noroeste francês, a carreira de Corchia mudou radicalmente. O técnico ofereceu-lhe a titularidade que o jovem de 18 anos manteve até agora disputando, até ao momento, 28 jogos ao serviço do Le Mans. Mesmo com a saída do treinador e a decepcionante posição na classificação do conjunto, o seu papel tem sido valorizado de forma impar pela imprensa francesa com o jornal L´Equipe a colocá-lo entre os candidatos à equipa do ano da Ligue 1. Os olheiros dos grandes de França e da Europa esperam que uma despromoção do Le Mans facilite uma venda que é inevitável. E a própria equipa nacional sabe que tem ali o sucessor de Sagna. Desde Agosto que Corchia actuou já a titular da equipa de sub-21, apesar da relativa juventude, em seis jogos. E muitos continuam a considerar-lo uma escolha obrigatória para Domenech. O que provavelmente não é mais que uma bela utopia.

A próxima época é ainda um imenso ponto de interrogação para o lateral. Uma provável despromoção do Le Mans significará certamente uma mudança de ares. Se a prova de ferro do rapidissimo lateral que um dia foi chamado pelos responsáveis da selecção de sub-21 italiana e aos quais respondeu que o seu país, apesar das origens ancestrais, é a França. O hexágono espera por ele. O futuro é longo.



Miguel Lourenço Pereira às 19:26 | link do post | comentar

Terça-feira, 04.05.10

Com o final da Eredevise 2009/2010 o Em Jogo viaja até aos largos meses da primeira grande liga europeia que chega ao fim e elege o 11 ideal do torneio. Foram vários os jogadores de primeiro nível que ficaram de fora da corrida ao 11 do Ano. Poderiamos ter incluido Keisuke Honda, fulcral na primeira parte da época para o VV Venlo. Poderiamos ter escolhido o miolo do Ajax também com De Zeeuw, fulcral na recuperação da equipa. Ou os centrais mexicanos, Salcido e Moreno, dois jogadores a ter em atenção no Mundial. Sabendo que certamente erramos e cometemos alguma que outra injustiça, aqui fica a nossa proposta para o melhor da Liga Holandesa da última temporada.

 

Sergio Romero

(AZ Alkmaar)

 

É um dos grandes achados do ano. O guardião argentino, mais do que provável titular da selecção albiceleste no próximo Campeonato do Mundo, foi parte gorda do surpreendente sucesso do AZ na época passada. Este ano sofreu com a quebra de forma do conjunto de Alkmaar mas mesmo assim exibiu alguns dos melhores números das ligas europeias. Defesas impossíveis, uma segurança espantosa e um futuro brilhante. É um dos nomes próprios por excelência desta Eredevise.

 

Gregory van der Wiel

(Ajax)

 

Confirmou tudo o que dele se esperava. Já na época passada muito se falou sobre o potencial deste rapidíssimo lateral-direito. A espantosa época ao serviço dos ajaccied, apesar das lesões, confirmam-no como o melhor lateral do futebol holandês e o mais que merecido titular da Orange no próximo Mundial. Rápido a atacar, sério a defender, van der Wiel foi uma constante dor de cabeça para avançados e defesas rivais. Actualmente tem potencial para qualquer grande da Europa.

 

Jan Vertoghen

(Ajax)

 

Depois da saída de Vermaleen, o Ajax voltou a recorrer à escola belga. E com juros. A dupla Vertoghen-Alderweireld foi um dos esteios da recuperação do conjunto de Amsterdam, depois de um titubenate arranque. O central titular da equipa nacional emergiu como o grande lider do sector defensivo, impondo uma autoridade anormal para um jogador tão novo. Uma margem de progresso significativa deixa antever que rapidamente também ele atravessará o canal da Mancha.

 

Douglas

(Twente)

 

Nesta lista poderiam estar Salcido do PSV ou Moreno do AZ. Mas a margem de progressão ao longo do ano do central brasileiro foi de primeiro nivel. Douglas, um jovem central da selecção sub-20 canarinha, chegou, viu e venceu na dificil liga holandesa. Especialmente para um defesa pouco habituado à rotina ofensiva europeia. O jovem central impôs-se rapidamente no onze e foi crescendo ao lado de Moreno a ponto de se tornar peça chave no estilo de jogo da equipa. Uma das revelações da época.

 

Sebastian Pocognoli

(Twente)

 

O potencial do futebol belga tem assombrado os mais desatentos olheiros. Entre as grandes promessas está o lateral esquerdo do Twente. Elemento fulcral no equilibrio defensivo do onze de Enschede, Pocognoli foi convencendo os mais cépticos e num só ano saltou do banco para a titularidade absoluta no clube e na selecção. Competente a subir, certo no posicionamento defensivo, é um dos elementos mais fiáveis do histórico Twente.

 

De Jong

(Ajax)

 

É tradição histórica que o Ajax tenha um pulmão no meio-campo dificil de bater em qualquer circunstância. Actualmente o herdeiro é De Jong. Médio de muito músculo e grande sentido táctico, ao bom estilo ajaccied, De Jong é igualmente um rematador de primeira e um primor técnico. O equilibrio com De Zeeuw foi chave para dar liberdade ao trio ofensivo de Pantelic-Suarez-Suljemani. Elemento chave na estratégia defensiva de Martin Jol, foi um dos obreiros do novo rosto positivo que deu o conjunto de Amsterdam esta época.

 

Miroslav Stoch

(Twente)

 

Foi o ano de confirmação da grande promessa do futebol eslovaco. Emprestado pelo Chelsea, o médio ofensivo foi o pendulo perfeito para as rápidas transições do onze do Twente, entre o batalhador meio-campo e o ataque de Ruiz, Perez e Osei. Letal nas bolas paradas, fulcral nas assistências, ganhou os galões de herói na épica campanha do modesto clube.

 

Ibrahim Afellay

(PSV)

 

Depois de três anos torna-se claro que a Holanda é já demasiado pequena para o genial extremo direito do PSV. O médio que em 2007 explodiu definitivamente confirma agora que é um dos jogadores mais rápidos e letais do futebol do país das tulipas. Os seus golos e assistências, e a forma como soube combinar bem com Dszudzak e Toivonen, garantiram que o clube de Eindhoven tivesse aguentado quase até ao fim na luta pelo titulo.

 

Balazs Dszudzak

(PSV)

 

Foi um dos anos mágicos para o jovem hungaro. Começou o ano de forma explosiva e chegou a soar como reforço de Inverno de vários grandes do "velho continente". Acabou por ficar e perdeu algo de gás à medida que a época se foi desenrolando mas entra no onze do ano especialmente porque Honda, a grande sensação da primeira volta, saiu em Janeiro para Moscovo.

 

Luis Suarez

(Ajax)

 

Sem dúvida o jogador do ano. Melhor marcador do torneio, um dos mais proliferos goleadores da Europa, o uruguaio confirmou que o Ajax é demasiado pequeno para o seu irrequieto talento. Provavelmente a melhor pérola a não actuar em nenhuma das cinco ligas principais, Suarez foi o porta-estandarte do Ajax desta época. Mas também da Eredevise. Não só se converteu em inesperado homem-golo, como continuou a trabalhar em assistências e jogo colectivo no carroussell de ataque montado por Martin Jol. Inimitável!

 

Bryan Ruiz

(Twente)

 

O costa-riquenho foi, por sua vez, a revelação do ano. Superou o fantasma que podia ter deixado em Enschende o genial Arnautovic e foi um dos goleadores da época sem nunca descurar a sua vertente colectiva. Bryan Ruiz foi um dos exemplos perfeitos da humilde e solidária formação do Twente. Os seus golos nos jogos decisivos mantiveram a equipa sempre na linha da frente e é mais do que provável de que no próximo ano esteja bem longe do futebol holandês.

 

Steve McClaren

(Twente)

 

Manager do ano sem dúvida. Depois do segundo lugar na época passada todos pensavam que o sonho do Twente tinha data de validade. Mas o ex-seleccionador inglês, literalmente expulsado do seu país depois do afastamento do Euro 2008, voltou a demonstrar sem um técnico de primeiro nível. Aguentou as baixas de Elia e Arnautovic, reforçou-se bem, manteve uma estrutura defensiva sólida e nem permitiu que o precoce afastamento da Champions afectasse a moral das tropas. Perdeu a liderança e soube recuperá-la. Foi fiel a si mesmo durante toda a liga. E aguentou a investida final do mais temivel rival. Um justo prémio para um treinador que mostrou o quão todos estavam errados.

 



Miguel Lourenço Pereira às 09:52 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Sexta-feira, 30.04.10

Aterrou este ano na fria Escócia e rapidamente começou a provar que os rumores que vinham do distante oriente tinham fundamento. Desde Park Ji Sung que a Coreia do Sul não produz um jogador tão excitante. Da mesma forma que esse teve de passar por um periodo de adaptação no europeu PSV, o destino de Sun Yong parece ser o mesmo. Os grandes esperam pacientemente a sua "explosão".

Para não complicar, que nisto dos apelidos orientais há sempre mais dúvidas que certezas, há quem o chame em Glasgow David Ki.

Mas o nome Ki Sung Yong começa a ganhar direito próprio de exibir-se nas mais altas esferas do futebol escocês. Foi a grande contratação da Liga Escocesa no último ano e, apesar da debacle dos históricos católicos esta temporada, é uma atractivo mais a um campeonato em constante desiquilibrio. Com 21 anos o jovem extremo nascido em Janeiro de 1989 em Gwanju, é já uma estrela no firmamento. A sua Coreia natal ficou demasiado pequena, demasiado cedo. E levou-o a emigrar em Janeiro. Depois de quatro anos ao mais alto nivel com o FC Seol, onde disputou 64 jogos e apontou 7 golos, a proposta do Celtic tornou-se irrecusável. Como a que, meses antes, tinha levado o seu colega e amigo, Lee Chung Yong até ao Bolton Wanderers. E com quem partilhava a carinhosa alcunha Ssang Yong (Dragão Azul).

 

O seu estilo de jogo, baseado na velocidade e precisão do passe, tornou-se fulcral nas transições ofensivas da mundialista Coreia do Sul - onde muitos esperam vê-lo ao mais alto nível - e também do conjunto escocês. Os 3 milhões pagos no Verão pela equipa de Parkhead revelaram-se uma verdadeira bagatela. Não foi por acaso que em Dezembro foi eleito o Jogador Jovem do Ano de todo o continente asiático. No seu primeiro desafio com o Celtic, a 16 de Janeiro, foi eleito o Melhor em Campo. Repetiu o feito por cinco vezes nas jornadas seguintes assumindo-se como um dos pilares da equipa. A 7 de Junho de 2008 tinha-se estreado pela equipa nacional da Coreia do Sul, depois de dois anos a brilhar na selecção sub-20. Precoce, como sempre, assumiu-se como um dos elementos mais destacados da nova geração coreana, herdeira dos guerreiros de Hiddink que há oito anos surpreenderam o mundo.

Rápido e forte no jogo fisico, tem quase 1m90, é um médio inteligente que descai na banda direita do ataque. O seu futuro, está escrito, é um dos grandes da Europa e no seu país Natal é já uma figura nacional. Tempo ao tempo, o dragão que agora é escocês certamente mudará de ares. E tomará o testemunho do homem que em 2002 silenciou Portugal e elevou à glória um país onde o futebol supera o fanatismo.



Miguel Lourenço Pereira às 12:52 | link do post | comentar

Quinta-feira, 22.04.10

Quando ninguém dava nada pelo histórico conjunto de Craven Cottage o Fulham irrompe na Europa como a grande sensação do ano. Uma campanha histórica que deve muito ao técnico veterano, o imprevisível Roy Hogdson, mas também ao seu dianteiro estelar. Depois de anos debaixo do radar, Bobby finalmente conseguiu explodir. Bobby quem?

 

Zamora, Bobby Zamora.

Poderia ser a carta de apresentação do único dianteiro inglês que poderia presumir este ano de estar em tão boa forma como o intratável Wayne Rooney. E no entanto ninguém dava nada por ele no arranque da temporada. Alguns continuam sem dar. O próprio Fabio Capello, técnico teimoso como poucos, não tem previsto levá-lo à África do Sul. Onde merece estar. Mais do que Peter Crouch, mais do que Jermaine Defoe, mais do que Emile Heskey, muito mais do que Owen ou Aghbonlahor. Este ano é de Bobby Zamora. Aos 29 anos, finalmente.

O dianteiro de origem tobaguenha formado no modesto Bristol Rovers demorou a encontrar o seu lugar na Premier League. Começou bem cedo a dar nas vistas West Ham Utd depois de três anos no Brighton and Albion Hove e um teste no Tottenham que não correu nada bem. Em 2004 o clube de White Hart Lane aceitou trocá-lo por Jermaine Defoe, uma das estrelas emergentes de Upton Park, que não estava disposto a jogar no Championship. Rapidamente Zamora encontrou o seu sitio no clube do seu coração e assumiu-se como titular desde o principio. A equipa subiu de novo à Premier na sua primeira época e no ano seguinte voltou a uma final da FA Cup. Em total Zamora actuou em 80 jogos e apontou 30 golos nessas duas temporadas. Aos 25 confirmava-se como um bom avançado. Mas parecia faltar algo mais.

 

Em 2008 Zamora trocou o West Ham pelo histórico Fulham.

Uma mudança acertada por muito que, a principio, os adeptos tivessem contestado a sua contratação. O seu primeiro ano foi para esquecer. Três golos, exibições pouco consistentes e uma série de pequenas lesões tornaram-no persona non grata para a exigente massa adepta de Craven Cottage. De tal forma que o clube esteve perto de o vender ao Hull. Mas o jogador rejeitou a proposta do modesto conjunto do norte. E aplicou-se a fundo na nova temporada. Roy Hogdson, técnico veterano, montou a nova época do conjunto londrino com cuidado. O apuramento para a Europa tinha-se revelado, noutros casos, prejudiciais para o sucesso de uma equipa. No caso do Fulham foi precisamente o contrário. A equipa resolveu cedo os seus confrontos europeus e conseguiu assim manter o nível na Premier, trepando tranquilamente para a primeira metade da tabela de onde nunca chegou a sair. E assim, tranquilamente, a equipa começou a mostrar o seu melhor futebol. E Bobby Zamora os seus mais belos golos. Os tentos mais determinantes chegaram na inesquecível campanha europeia. Eliminou o Shaktar Donetsk e foi peça chave no melhor jogo da década do clube, a vitória por 4-1 frente à Juventus, abrindo o marcador e deixando Fabio Cannavaro fora de combate. No duelo contra os alemães do Wolfsburg, máximo favorito, voltou a provar os seus dotes goleadores. E agora, com Hamburgo a dois jogos de distância, tudo pode acontecer. Hoje começa a corrida contra o tempo. E contra a história.

É indubitável que Bobby Zamora é um dos nomes próprios da época, talvez o rosto mais visivel de um colectivo de primeiro nível que surpreendeu o continente com o seu jogo ofensivo e certeiro. Fabio Capello tem um dilema. O avançado que chegou a capitanear a selecção inglesa de sub-21 nunca esteve na sua lista de avançados para acompanhar o intocável Rooney. Mas agora chega a sua hora. A notória baixa de forma de alguns habituais do seleccionador podem abrir-lhe as portas do Mundial. É a sua última oportunidade. É a sua merecida oportunidade!

 



Miguel Lourenço Pereira às 11:32 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Segunda-feira, 19.04.10

O olhar atento do Ajax na Bélgica tem apresentado os seus resultados. A parceria com o Germinal Beerschot tem dado ao clube holandês alguns dos melhores centrais dos últimos anos. A mais jovem pérola ajaccied também atravessou cedo a fronteira e agora é peça chave no renascimento do Ajax. Toby Alderweireld é o futuro, agora!

Quando no Verão passado o clube de Amesterdam soltou uma das suas maiores pérolas, o belga Thomas Vermaelen, muitos criticaram a gestão da directiva de um clube que está há demasiado tempo afastado da ribalta. Não só o PSV se tornou no clube hegemónico da década, como o historico Tetracampeão europeu se viu agora superado pelos modestos AZ Alkmaar e Twente. Vender os melhores jogadores significava ser cada vez menos competitivo. Mas poucos sabiam que o futuro estava garantido.

Desde há dez anos para cá que o clube com a politica de formação mais celebre do Mundo, a que realmente fez escola, tem estado bem mais atenta ao país vizinho. E apesar do futebol belga estar longe da sua época dourada, a sua formação vive um periodo de excelente colheita. E nota-se. Depois de Thomas Vermaelen, o clube recuperou da sua filial em Beerschot também o notável Jan Verthonghen. E como não há duas sem três, com a venda do primeiro ao Arsenal, aproveitou para lançar definitivamente o terceiro da escola de centrais belga: Alderweireld.

 

O jovem central de 20 anos e 1m86 é uma das revelações do ano.

Estreou-se a titular sob o mandato de Marcon van Basten em Janeiro da época passada. Depois de estar desde os 11 aos 16 no clube belga, foi finalmente transferido para a equipa de juvenis do Ajax. Aí começou a sua formação no onze ajaccied. Quatro anos depois o trabalho estava completo, era a hora de dar o salto. Jogou numa semana num jogo decisivo da liga, frente ao AZ Alkmaar, e numa eliminatória da Taça UEFA. Baptismo de fogo europeu incluído, o central aprovou ambos os exames. O regresso de Vermaelen, por lesão, afastou-o da titularidade. Mas deu uma garantia à equipa técnica. Com a benção do novo treinador, Martin Jol, o jovem belga afirmou-se como titular absoluto já na nova época. As suas exibições foram de tal ordem que tanto o seleccionador belga demissionário, Frank Vercaunteren, como o novo técnico dos Diabos Vermelhos, o holandês Dick Advocaat, já o convocaram para a equipa principal, onde faz parte de um quarteto que inclui os seus colegas do Ajax e o veterano Daniel van Buyten. Mesmo com tamanha concorrência em seis jogos, Alderweireld actuou já em quatro. E com nota muito positiva.

Apesar do genial Luis Suarez e a espantosa linha ofensiva levarem o crédito da recuperação do conjunto de Amesterdam, é a eficácia defensiva da dupla Verthongen-Alderweireld, auxiliados por van der Wiel Emanuelson nas laterais, que tem garantido que este é o melhor Ajax dos últimos sete anos. O titulo ainda é possível e a pouco e pouco vai-se formando um onze capaz de devolver o conjunto tulipa de novo à ribalta. Onde certamente estará durante os próximos anos o novo gigante belga.



Miguel Lourenço Pereira às 11:33 | link do post | comentar

Terça-feira, 13.04.10

A noticia caiu para segundo plano com a inesperada eliminação dos Red Devils às mãos do Bayern Munchen. Mas espelha bem a nova politica de prospeção do clube de Manchester. Tal como há uma década fez com um uruguaio praticamente desconhecido, Ferguson volta a procurar na Améria Latina um novo goleador. A caminho do Teatro dos Sonhos vem o jovem Chicharito.

Com quatro internacionalizações o jovem Javier Hernandéz Balcázar é a nova sensação do futebol mexicano.

Não é fácil. Há uma imensa geração de talentos azteca a caminho. Mas poucos têm dado um salto qualitativo tão rápido como Hernandez. O avançado irrompeu no seu clube actual, o Chivas Guadalajara, em 2006, quando ainda tinha 17 anos. A pouco e pouco foi ocupando o seu espaço na equipa e começou a mostrar os seus dotes goleadores. Filho de um internacional mexicano que fez parte da geração de 86 ao lado de Hugo Sanchez, o diminutivo da alcunha paternal ficou: el Chicarito.

Aos 9 anos o jovem já brilhava nas equipas de infantis do clube onde o pai tinha feito carreira. Fez uma progressão constante, sempre com um óptimo registo goleador. Começou a ser presença regular nas selecções jovens desde tenra idade. Aos 17 anos falhou a presença no Mundial da categoria por uma inoportuna lesão. Mas dois anos depois não falhou e juntou-se a Giovanni dos Santos e companhia marcando presença no Mundial do Canada, onde chegou a apontar um golo. Daí à equipa principal, agora orientada por Javier Aguirre, foi um salto. A 30 de Setembro do passado ano, já consagrado como uma das estrelas máximas da liga mexicana, foi finalmente chamado à equipa A. Um jogo contra a Colombia marcado por uma assistência sua para golo. Dias depois surgiu o primeiro golo, frente à Bolivia. Até hoje, em quatro jogos apontou quatro golos. Uma média excelente que Aguirre confirmou colocando-o na pré-lista de mundialistas. Se estiver na África do Sul herdará o passado internacional do pai, mas também do seu avô que esteve nas equipas mexicanas dos Mundiais de 54 e 66.

 

Foi aos 19 anos que Javier Hernandez se estreou pela equipa principal do Chivas.

Como só acontece aos mais dotados, a sua primeira noite foi inesquecível. Numa vitória por 4-0 ao Necaxa apontou o ultimo golo e estreou-se como goleador profissional. Entretanto as lesões e a juventude foram jogando em contra a sua afirmação e Hernandez passou dois anos complicados no banco do Chivas. Até que em 2009 explodiu definitivamente no ataque do conjunto mexicano. Marcou 11 golos em 17 jogos no torneo de Apertura desse ano e nove mais no Clausura, confirmando-se com o mais eficaz goleador do futebol mexicano. A sua facilidade para marcar lembrou imediatamente o ritmo goleador de um jovem Hugo Sanchez e os grandes do futebol europeus começaram a olhar para a sua progressão com outros jogos. Depois de vários emissários, chegou a vez de Alex Ferguson lançar as cartas na mesa. O avançado nem hesitou e o contrato foi fechado. O jovem fica até ao Verão no México, incorporando-se ao conjunto do Man Utd para a próxima época, colocando-se desde já a hipotese de ser emprestado aos belgas do Standard Liege para adaptar-se ao futebol europeu. Este negócio, que a todos apanhou de surpresa, fez lembrar o de Diego Forlan, que o técnico escocês resgatou em 2002 ao Independiente por petição expressa do técnico. Nunca se impôs num Manchester de transição, mas acabou por converter-se em Espanha num dos melhores avançados do Mundo. Talvez o futebol inglês não seja o ideal para o jovem Chicarito. Mas poucos duvidam hoje em dia que será um dos goleadores mais explosivos dos próximos anos.

Com a chegada do jovem mexicano, Ferguson continua a provar que a nova politica do Manchester United é definitivamente uma aposta clara na juventude. Depois de Macheda, Tosic, os irmãos da Silva, Possebom, Smalling, Diouf, agora é a vez do jovem mexicano procurar emular os passos dos grandes que



Miguel Lourenço Pereira às 15:06 | link do post | comentar

Segunda-feira, 05.04.10

Depois de décadas de ditadura desportiva, o Dynamo de Kiev encontrou no Shaktar Donetsk um rival à altura. O clube laranja apostou forte no mercado sul-americano mas sempre sem descurar a sua própria formação. Os resultados estão à vista com a vitória na última edição da Taça UEFA. Entre a nova vaga de legionários ergue-se o jovem Rakytskiy, imperial sobre os céus da Ucrânia. 

Quando o clube ucraniano aceitou a assombrosa oferta do Barcelona de Guardiola pelo central Chygrinskyi no passado defeso, os mais criticos acusavam a equipa de delapidar a segurança defensiva dos detentores da Taça UEFA. O central de cabelo comprido tinha sido o esteio da formação ucraniana nos dois anos anteriores. E no entanto em Barcelona é hoje uma das figuras mais contestadas da década. Pelo seu infra-rendimento, entenda-se. Lá longe, a milhares de kilómetros de distância, a diferença não se nota. O buraco na defesa foi tapado com eficácia pelo técnico romeno Mircea Lucescu. E o sucesso desportivo de Yaroslav Rakytskiy é um espelho do salto qualitativo da politica de formação ucraniana. O central de 20 anos vive o seu ano dourado. Passou da equipa júnior à titularidade com a equipa nacional. É um dos cérebros do sector defensivo do Shaktar e já tem meia Europa atrás de si. Muitos pensarão duas vezes, lembrando-se dos constantes emigrantes de leste que não vingam nas ligas europeias. Mas a sua cotação não deixa de estar em alta.

 

Rakytskiy nasce em Agosto de 1989 em Pershtravensk.

Pouco ciente de que a URSS estava a dar o último suspiro, nasceu sob o signo de uma das melhores formações da história, o Dynamo de Kiev do qual o pai era um adepto fanático. No entanto a vida afastou-o da capital do novo estado e lançou para norte. O trabalho em Donetsk do pai abriu as portas do futuro como jogador do filho. Yaroslav começou a actuar em clubes de bairro até que foi chamado pelos olheiros do Shaktar a prestar provas. Com 15 anos foi contratado para a equipa juvenil numa altura em que os milhões de Ahkmetov começavam a dar outra forma ao conjunto ucraniano. O seu crescimento foi notável. Tapado na equipa principal por uma geração talentosa do qual precisamente era Chygrinskyi o maior expoente, o jovem central de 1m80 esperou. E teve a sua oportunidade. Começou a ser chamado com regularidade na época passada, a da consagração europeia do arrojado Shaktar. Com um lugar vago na defesa, agarrou a oportunidade. Foi implacável na final da Supertaça Europeia no Monaco e rapidamente assumiu a batuta do conjunto ucraniano que caiu na Europe League cedo demais. Rápido a sair com a bola, implacável nas marcações e com um sentido de posicionamento impar, o central deu de tal forma o salto que chegou à titularidade com a selecção nacional.

O futuro pertence-lhe. A margem de progessão na Ucrânia ainda é imensa e o jovem tem a titularidade mais do que assegurada. O fracasso da viagem a Barcelona do seu mentor pode ser um fardo para um investimento de um grande europeu. Mas com o Europeu de 2012 na mente, o mais provável é que Rakytskiy opte por ficar em Donetsk para aproveitar esse Junho para deixar a Europa a perguntar: de onde saiu este legionário?



Miguel Lourenço Pereira às 06:29 | link do post | comentar

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