Sábado, 13.06.09

Com a reformulação do Europeu de sub-21, o Torneio de Toulon foi perdendo alguma importância mediática mas continua a ser uma prova de referência para analisar o futuro do futebol mundial. Não é por acaso que há quase mais olheiros que público nas bancadas. E os que seguirama edição deste ano ficaram com o caderno de apontamentos recheados de nomes sul-americanos. O Chile dominou categoricamente a prova e a Argentina foi uma agradável surpresa. Para combater o império sul-americano a ex-campeã da Europa de sub21 que não defendirá o titulo, a Holanda, e a equipa da casa, França.

Portugal ficou pelo caminho á abrir mas pode defender-se de ter sido eliminado pelos dois conjuntos finalistas.

 

A vitória do Chile sobre a seleção francesa foi o corolário de uma excelente campanha que, curiosamente, começou com uma dificil vitória sobre Portugal. No primeiro encontro o Chile não se encontrou completamente mas benificiou de um grave erro defensivo luso. Na final a equipa orientada brilhantemente por Ivo Basay foi sempre superior ao conunto de Erick Mombaerts. O golo madrugador de Martinez - o melhor marcador da prova e a grande revelação do torneio - decidiu o encontro que os chilenos controlaram a seu belo prazer. A equipa coordenada na defesa por Christopher Toselli mostrou ter mantido a frieza exibida no encontro da fase de grupos onde derrotou os gauleses também por 1-0. Depois do sofrimento nas meias-finais (derrotou nos penaltis a Holanda) a consagração definitiva. E com bom futebol pelo meio.

 

Já a França não convenceu. Com um plantel de luxo para a edição deste ano (na equipa gaulesa alinhavam promessas como Sakho, Sissoko, Obertan, N´Gog ou Sankhare) os galos tiveram dificuldades em passar sobre Portugal e Qatar e nunca bateu os conjuntos sul-americanos. Eliminou a Argentina por penaltis, após um desafio brilhante do jogador mais espectacular em prova, Diego Buonanotte, e sucumbiu duas vezes diante dos chilenos. A Holanda - ausente do Europeu da Suécia surpreendentemente - esteve uns furos muito abaixo do que habituou nos últimos anos. Sem um jogador chave (Sarpong foi dos que mais destacou) a laranja foi pouco mecânica tendo saído do torneio apenas com um triunfo (1-0 diante dos EAU). Já os argentinos foram os mais espectaculares abrindo o torneio com um categórico 4-0 á Holanda mas acabaram traídos pelo azar dos penaltis depois de terem sido sempre melhores que o onze francês na meia-final. A equipa orientada por Sergio Batista provou ter uma nova geração de alto nivel na forja. Para além de Buonanotte houve ainda tempo para o público deliciar-se com o bom jogo de Perroti, Trecarichi, Pacheco, Nervo e Banega, jogador actualmente no Atlético de Madrid.

 

Quanto a Portugal, ficou como dissemos o consolo de ter sido derrotado pela minima pelos dois finalistas, e a alegria de lograr a goleada da prova. Num torneio onde as equipas árabes (Egipto, Qatar e EAU estiveram muito abaixo do nivel exigido para este tipo de provas) o conjunto portugês ficou-se pela mediania. Contra o vencedor do torneio a equipa de Rui Caçador foi sóbria mas acabou por cair no eterno pecado nacional da falta de espirito competitivo. O erro defensivo no último minuto anunciou o tipo de prova que iria fazer Portugal. Um conjunto repleto de jovens promessas mas sem espirito competitivo (a maioria joga em clubes de pequena e média dimensão ao contrário dos jogadores das restantes selecções). Contra a França a selecção nacional lutou bem mas mostrou claras deficiências na construção de jogo. A goleada da prova - 6-0 - surgiu no último encontro e serviu para mostrar que Portugal merece estar nestas provas mas que para ir mais longe necessita de muito mais. Resta a esperança de que o regresso na edição dominada pelos sul-americanos seja um prenúncio de um regresso aos triunfos, algo que os lusos não saboreia há vários anos nas categorias de formação.



Miguel Lourenço Pereira às 20:04 | link do post | comentar

Segunda-feira, 08.06.09

José Mourinho não tem propriamente fama de descobrir jovens talentos. Gosta de trabalhar com jogadores já feitas e aperfeiçoa-los ao máximo. Foi assim desde os dias do FC Porto onde poliu diamantes já consagrados enquanto que no Chelsea beneficiou dos milhões de Abramovich para montar o plantel ao seu gosto. Mas como a necessidade faz o artista, no San Siro o técnico português teve de olhar para os mais novos e descobrir uma solução para o problema nas laterais. E da cartola sacou um génio. No ano em que se retira o maior defesa lateral de todos os tempos nasce uma estrela cintilante. O futuro é de David Santon.

 
Nascido a 2 de Janeiro de 1991, o jovem Santon nunca tinha visto o Inter ser campeão até 2005, quando já com 14 anos, era um dos nomes mais mencionados das camadas jovens nerazurri. Considerado demasiado alto para defesa lateral (mede 1m87) sempre despoletou alguma hesitação por parte dos técnicos das equipas jovens de Itália mas em Milão foi tendo tempo para crescer com naturalidade. Promovido com 16 anos à equipa Primavera (os juniores italianos), Santon assumiu-se como lateral direito de grande potencial. Uma capacidade física tremenda permita-lhe fazer quase todo o flanco de um só fôlego, enquanto que o seu sentido táctico dava-lhe um óptimo sentido de posicionamento defensivo, essencialmente num defesa transalpino. O seu destino já estava a ser preparado, mas a repentina chegada de Mourinho antecipou o futuro.
 
Ao chegar a Milão o técnico setubalense fez uma série de exigências. Pediu defesas laterais, para à direita e para a esquerda. Não chegou nenhum. Maxwell e Rivas nunca lhe deram confiança, e apesar de Maicon ser intocável, uma lesão podia deitar todo o jogo lateral a perder. Perdido na formação de um meio campo de força, Mourinho teve de sucumbir à evidência de que o remendo teria de vir de baixo, das camadas jovens. Não teve de procurar muito, Santon estava referenciado há vários anos e a subida à primeira equipa foi normal. O que não se esperava era a rápida presença no onze titular. Primeiro Mourinho testou-o no seu posto natural, o lado direito da defesa, na final da Taça. Mas a presença de Maicon relegou-o de novo para o banco de suplentes onde passou vários meses. Até que o técnico decidiu arriscar e adaptar o lateral ao lado oposto quando arrancou a segunda volta. A ausência de um defesa esquerdo fiável abria-lhe as portas de uma naturalidade inesperada. E Santon agarrou-a com as duas mãos. E aí está, futuro da defesa interista, polivalente absoluto e recém internacional com a squadra azzura. Marcello Lippi percebeu a jogada de Mourinho e não hesitou em convocar o jovem que catalogou como muito similar ao “jovem Paolo Maldini”.
 
Santon é por isso o rosto da nova geração de talentos transalpinos. O técnico português conta com ele para o próximo ano e Lippi também tem-no debaixo de olho, não surpreendendo ninguém que esteja presente no Mundial da África do Sul. De momento será possível vê-lo com a selecção de sub21 no Europeu da especialidade a não ser que o seleccionador transalpino decida antecipar o seu crescimento e leva-lo consigo para a Taça das Confederações. Qualquer que seja o cenário, o que está claro é que Santon é mais do que uma promessa, é já uma consagração absoluta.

 



Miguel Lourenço Pereira às 15:00 | link do post | comentar

Domingo, 07.06.09

Há décadas que o futebol magiar vive uma crise inexplicável. Depois da maravilhosa selecção dos anos 50, com Kocsis, Kubala, Higdekuti, Czibor e o major galopante Ferenc Puskas, o futebol húngaro ainda conseguiu manter-se na elite, a custo. Nos anos 70 participou nas grandes provas mundiais com uma equipa disciplinada segundo o habitual cânone das selecções do Bloco de Leste. Com a queda do Muro a Hungria deixou de participar em provas mundiais e nunca mais teve um jogador de alto nível. Em Liverpool mora a última esperança magiar. De  Kristzian Nemeth espera-se isso mesmo, que recupere a magia de uma selecção centenária.

 
Desde cedo que Nemeth foi um menino precoce. Nascido em Outubro de 1989, estreou-se pela equipa do seu bairro, o Gyori ETO FC nas camadas jovens com apenas 13 anos. Jogou dois anos nos juvenis mas rapidamente os olheiros da liga húngara descobriram o prodígio. Resultado, em 2005, ao cumprir 16 anos, transferiu-se para o MTK Hungaria, a mesma equipa que o Sporting derrotou quando venceu a Taça UEFA em 1965. Aí estreou-se na segunda liga como sénior marcando 16 golos em 38 jogos. A sua performance não passou desapercebida, uma vez mais, e o Liverpool não hesitou em oferecer-lhe um contrato de 3 anos para que passasse a mostrar o seu letal golpe de cabeça – a sua arma – à beira do rio Mersey.
 
Desde que chegou a Anfield Road viveu sempre sob a protecção de Rafa Benitez que vê no jovem um avançado com um brilhante futuro. Começou a trabalhar regularmente na equipa de reservas, tendo disputado a primeira temporada por completo sagrando-se melhor marcador da prova e permitindo ao Liverpool vencer o campeonato, tendo sido galardoado como o Jogador do Ano para os adeptos. Uma estreia em grande para um jovem com apenas 17 anos. Foi assim com naturalidade que o avançado realizou a pré-temporada com a equipa principal do Liverpool, tendo marcado vários golos, acabando mesmo por ser convocado pelo holandês Erwin Koeman para a equipa principal do seu país, isto depois de ter percorrido todas as camadas jovens como capitão de equipa tendo inclusive chegado à fase final do Euro sub17 em 2006, um feito para o futebol húngaro moderno. No ano seguinte foi carrasco da selecção sub19 de Portugal, classificando a Hungria para o Euro da categoria. A estreia pela equipa principal foi natural bem como a presença na primeira metade da época no Liverpool. No entanto a forte concorrência fez com que o jovem húngaro passa-se a segunda volta emprestado ao Blackpool onde foi figura de destaque. No próximo Verão estará de novo em Anfield Road para provar o seu valor. Para mostrar a magia do futebol magiar.



Miguel Lourenço Pereira às 14:06 | link do post | comentar

Sexta-feira, 05.06.09

Na época passada falou-se repetidas vezes na dependência extrema que o Toulouse tinha de Johan Elmander, o jovem avançado sueco que era o motor do clube do Languedoc. A saída do dianteiro para a Premier fez saltar todos os sinais de alarme mas rapidamente se aplicou a velha máxima de rei morto, rei posto. Depois de dois anos na sombra, André-Pierre Gignac finalmente encontrou o seu lugar ao sol. E com direito a troféu de Melhor Marcador da Ligue 1 incluído. Toulouse está em festa, já encontrou um novo herói.

 
Durante os últimos anos ouvimos constantemente falar de Gignac como uma grande promessa. Mas parecia que na hora H faltava sempre algo para faze-lo explodir. Hoje, aos 23 anos, é a maior certeza do campeonato francês desta época, salvo as devidas comparações com o maestro Gourcuff. Os seus 25 golos pelo Toulouse destacam-no como o homem mais letal de França e a convocatória para a selecção gaulesa o prémio merecido para um ano brilhante. Tudo isto se previa, quando há cinco anos, então com 18, Gignac surgiu no Martigues e nas selecções jovens francesas. Mas só agora se confirmou. Pelo meio esteve a etapa no Lorient, onde se estreou na Ligue 1, conseguindo marcar 2 golos na primeira época. Jogou por empréstimo no modesto Pau, afirmando-se como o melhor marcador da equipa, antes de voltar em 2006 ao Lorient. Aí deu um significativo salto qualitativo, apontado 9 golos numa época para o clube do sul de França. Foi suficiente para um renascido Toulouse reparar nele, contratando-o de imediato. A primeira época foi de complicada afirmação, até porque Elmander ocupava todo o protagonismo. Mas André-Pierre soube esperar.
 
Com a saída de Elmander finalmente o avançado pode mostrar todo o seu futebol. Ao contrário dos pontas de lança convencionais, Gignac joga tão bem na área como de costas para a baliza, sendo dos poucos dianteiros de nova geração em França que joga de trás para a frente criando espaços e trabalhando bem com os extremos. Arrancou a época de forma fenomenal e Domenech não hesitou em convocá-lo para o duplo duelo com a Lituânia. No primeiro jogo Gignac estreou-se com os bleus e assistiu Ribery no golo da vitória. Uma estreia de sonho que o jovem avançado vai certamente tentar repetir agora. No mercado francês fala-se em Gignac como um dos alvos preferenciais dos grandes da Liga, mas a verdade é que o ponta de lança está já referenciado em toda a Europa. Espera-lhe um futuro brilhante!  

 



Miguel Lourenço Pereira às 00:59 | link do post | comentar

Quinta-feira, 04.06.09

vários anos que Portugal não marca presença em Toulon. Ou pelo menos, diga-mos assim, que não apresenta um projecto sério no mais celebre e visto torneio internacional de selecções jovens. O prestígio de Toulon é imenso e chega mesmo a superar o de algumas provas oficiais da FIFA e UEFA e depois de nos anos 90 Portugal se ter tornado um habitue, durante o mandato de Scolari o impacto foi-se diminuindo com o tempo. Hoje a selecção das quinas regressa e com vontade de brilhar. Como nos grandes anos do futebol de formação português.

 
Um dos principais méritos do questionado Carlos Queiroz (sábado tem mais um jogo de vida ou de morte) é de ser um seleccionador com um plano de futuro e com vistas largas. Não reduz o seu trabalho à equipa principal, com o problema de renovação que todos conhecemos. A principal missão de Queiroz, arriscar-me-ia a dizer, já não é a presença na Africa do Sul mas sim preparar a próxima geração do nosso futebol para os grandes palcos. Como já sucedeu com outras grandes equipas europeias que falharam presenças em provas de prestígio (Holanda, Inglaterra, França) ou que passaram por elas sem pena nem glória (Alemanha, Itália e a própria Espanha, hoje um dos paradigmas do futebol de formação), também Portugal terá de perceber que há um período entre gerações que pode ficar marcado por um hiato numa grande prova. É preciso assumi-lo e não fazer disso um drama nacional, por muito que nos custe. O que é preciso evitar é que esse hiato se prolongue e se torne num novo Inglaterra 66 ou México 86, oásis no meio de anos de sofrimento. E para tal, o objectivo primordial é preparar o futuro. Daí a presença vital em Toulon.
 
Há certamente muitos jogadores jovens, entre os escolhidos por Rui Caçador, que dificilmente darão o salto à selecção A. Não se trata aqui de preparar toda uma geração mas sim filtrar jogadores com um futuro realmente promissor e começar a integra-los no quadro principal. A pouco e pouco como sucedeu primeiro com os Figo, Rui Costa, JV Pinto, Paulo Sousa e mais tarde com Cristiano Ronaldo, Moutinho, B. Alves ou Bosingwa. Haverá sempre jogadores que se revelarão fora do âmbito das selecções jovens (Pauleta é talvez o exemplo mais paradigmático) e explodirão mais tarde. E há o caso das nacionalizações, das quais Portugal não deve abusar. Mas é certo e sabido que um projecto de sucesso como foi a França de 98 e 2000, a Alemanha de 2006 e a Espanha de 2008 resulta essencialmente de um bom trabalho de prospecção e formação. Daí que estes jovens sejam olhados hoje de forma especial. Portugal tem uma clara necessidade de sangue fresco, atitude nova e com vontade de vencer. De uma afirmação individual e colectiva de uma nova geração que procura os seus símbolos. E que estes não se deixem ofuscar por um qualquer jogador de primeiro nível, encontrando o seu espaço com a camisola das quinas.
 
Entre os pontos-chave onde Portugal precisa desesperadamente de reforços estão o ataque, o lado esquerdo da defesa, o coração do miolo e, para muitos, a própria baliza. Quanto a centrais, laterais e extremos, estamos conversados. Há qualidade, falta atitude nos A. Mas para o resto dos postos há vagas. Queiroz até já arriscou com Orlando Sá pela selecção principal e para o recente estágio convocou igualmente jogadores da antiga selecção de sub21 como é o caso de Amaury Bischoff.
Em Toulon vamos ver uma série de nomes que serão desconhecidos para a maioria do público. Outro espelho do abandono da nossa formação é que os grandes, com louvável excepção do Sporting, preferem ter as suas promessas a rodar em clubes mais pequenos e menos mediáticos. E nos clubes estrangeiros acabam por ser pouco falados, apesar de serem tidos como boas promessas. Que o diga Rui Fonte ou o próprio Bischoff, por exemplo.
 
Caçador montou um colectivo bastante interessante onde há realmente jogadores capazes de fazer a diferença. Veremos como funciona o colectivo português para além das individualidades.
Nas redes encontramos dois projectos de futuro sólidos, o sportinguista Rui Patrício e o portista Ventura.
O centro da defesa volta a mostrar a qualidade do central português. Para além de Bruno Alves e Rolando, recém-chegados a uma equipa que conta já com Ricardo Carvalho e Pepe, há ainda uma nova vaga de grande valor composta por Rui Pedro, Bura, André Pinto, Tengarrinha e Igor Pita do Nacional. Isto para além de Daniel Carriço, o central revelação do Sporting que falha a prova por lesão. Nas laterais voltamos ao antigo drama nacional. Principalmente no flanco esquerdo onde, desde Nuno Valente, Portugal não voltou a encontrar um sucessor digno. Houve Caneira, Paulo Ferreira, Antunes, Peixoto e até Duda. Nunca nenhum deles mostrou-se digno do posto. Tiago Pinto, uma das revelações da Liga Sagres deste ano, é um nome a seguir. Pela direita Miguel Vítor, lançado no Benfica este ano, e Pereirinha, que pode fazer todo o flanco, garantem continuidade num eixo habitualmente prolifero na equipa das quinas.
 
Chegando ao meio campo começam os problemas para Queiroz e aqui começa a ser vital ver as soluções encontradas por Caçador. Regula, do Setúbal, o jovem Castro emprestado pelo FC Porto ao Olhanense, Stanislas Oliveira, luso-descendente do Sedan e ainda Adrien do Sporting e Ruben Lima do SL Benfica são as apostas mais consistentes. Nos extremos Candeias e Ukra, do FC Porto, e ainda Yazalde do Braga, Fábio Coentrão do SL Benfica e João Aurélio do Nacional são as opções para o técnico que perdeu o seu ponta de lança de referência, Orlando Sá, e que para o seu lugar conta apenas com Rabiola. O mal nacional continua também nos mais novos
 

E claro, para além dos nomes presentes, há uma série de jovens de enorme talento que ainda não tiveram a sua oportunidade, casos dos sempre falados Bruno Gama, Hélder Barbosa, Paulo Machado, Djalo ou Nuno Coelho, que estão numa complicada fase de afirmação pessoal. Também há jovens que, ou pela idade ou por opção técnica, ficaram de fora mas continuam a ser jovens a ter em conta. Ruben Micael, Diogo Lamelas, Josué, Diogo Viana, Nelson Oliveira, Rui Fonte, Amauri Bischoff ou Digo Rosado

 

Portugal tem de procurar o seu futuro.Será a participação em Toulon capaz de nos orientar verdadeiramente para saber em que nível qualitativo nos encontramos? A verdade é que por ali passa o futuro de Portugal depois de nos últimos anos ter ficado a sensação de que os seus antecessores são quase uma geração perdida.


Miguel Lourenço Pereira às 00:04 | link do post | comentar

Quinta-feira, 28.05.09

Aos 22 anos é já um dos melhores jogadores do Velho Continente.

Nada surpreendente para quem o vê jogar desde novo, desde esses dias em Rennes onde, ainda adolescente, comandava com a firmeza de um general o onze do norte francês numa das suas temporadas mais memoráveis. Yohan Gourcuff nasceu para ser o lider da nova França. Sem o mediatismo de Frank Ribery e sem as capas de jornais vendidas de Samir Nasri, é dele que os gauleses esperam que surja a voz de comando no próximo mundial da África do Sul. Gourcuff é mais do que o novo Zidane, ele é já um nome próprio de respeito. Laurent Blanc agradece. Graças a ele o seu Girondins Bordeaux prepara-se para voltar a ser campeão.  

O jovem centro campista começou muito novo - com 15 anos no Lorient - e a sua posterior explosão na Ligue 1 com o Rennes de Lazslo Boloni (em três anos fez 66 jogos e marcou 6 golos) foi de tal forma meteórica que de jovem promessa passou a clara certeza. O AC Milan antecipou-se aos rivais europeus, que já salivavam pelo novo Zizou e contratou o jovem enviando-o de imediato para Millanelo. Em Itália o médio bebeu pouco futebol e trabalhou em excesso o ginásio. Ancelloti não o viu preparado para a dureza da Serie A e em lugar de o convocar para trabalhar ao lado de Kaká, Pirlo, Gattuso e companhia, enviou-o para ganhar "corpo" de forma a estar apto fisicamente. O talento, já sabiam, tinha-o de sobra. O francês sofreu. Faltava-lhe o relvado, a bola a rolar, os espaços que criar. Durante dois anos penou em Milão até que fez um ultimato ao técnico. Queria uma oportunidade. O veterano Ancelloti, pouco crente na evolução do pequeno, decidiu enviá-lo de volta a casa. Emprestado ao Bordeaux, então a lutar por voltar às provas europeias. Truque de magia, de um momento para o outro, o destino voltou a piscar o olho a Gourcuff. 

 

Na Gasconha o médio encontrou em Laurent Blanc um técnico que percebia o seu estilo de jogo e aplaudia o seu talento inato. Rapidamente percebeu que o médio era um lider nato, o lider que procurava para o seu meio campo. E colocou-o no eixo da forte defesa e do letal ataque girondês. Gourcuff voltou a sentir-se como peixe na água. Era o patrão de Rennes outra vez e com uma finura ainda mais aguçada. Escusado será dizer que as horas extras em Milão serviram para algo e fisicamente Gourcuff é hoje um portento. A época perfeita do clube do sudoeste francês está prestes a tornar-se histórica. Desde há muito que o clube não festeja nas ruas um titulo, algo que nem logrou nem nos dias de Zinedine Zidane, esse eterno mago a quem sempre comparam o jovem número 8.

 

A selecção francesa é cada vez mais uma realidade - por muita teimosia que tenha Raymond Domenech - para este jovem nascido no quente Verão de 1986 e que vai cumprir já a sua oitava época como profissional. Estreou-se finalmente com a camisola principal em 2008 e poucos acreditam que o polémico seleccionador não o vejo como elemento nuclear da sua equipa no Mundial. Vai receber o prémio de jogador do ano em França e o AC Milan suspira pelo seu regresso, agora que Kaka parece perdido de vez. Mas o Bordeaux tem uma cláusula de 15 milhões que já decidiu pagar para ficar com o pequeno astro. Na Bretanha ninguém duvida que será a melhor contratação para o próximo ano e o próprio médio sabe que precisa de brilhar para estar no Mundial e Milão já o desiludiu uma vez. Mas também sabe que para chegar ao nivel do seu idolo tem de se preparar para dar o salto definitivo e consagrar-se entre os maiores.



Miguel Lourenço Pereira às 19:26 | link do post | comentar

Sábado, 23.05.09

O futebol brasileiro continua a formar talentos a um ritmo endiabrado. A velha anedota de que o Brasil podia apresentar quatro ou cinco selecções diferentes continua a ser válida, apesar dos dias difíceis de Dunga e companhia. Com o presente em clara crise os brasileiros já olham para o que baptizaram como “Geração 2014”. O nome é fácil de perceber. Daqui a cinco anos o Mundial regressão as terras de Vera Cruz e os brasileiros não perdoaram nova derrota depois do escândalo de 1950. Para tal já preparam uma selecção de futuro sem os cancros do presente. E o homem que está chamado a liderar o ataque dessa equipa tem deixado toda a Europa a salivar…afinal, quem não queria contratar Keirrison?

 

O seu grande rival Alexandre Pato já reina em Milão. Aproveitara as saídas de Shevchenko e Ronaldinho e a idade de Inzaghi para afirmar-se como o futuro avançado de Millanelo. O consagrar de uma carreira de um menino-prodígio, desde os dias de juvenil, o que obrigou o próprio Internacional de Porto Alegre, seu clube de origem, a blindar o seu contracto. De pouco valeu. Aos seis meses de estrear-se já vinha a caminho de Milão, onde sucederá ao seu amigo Kaka como rei entre os adeptos.

Keririson é o oposto de Pato. Menos no talento. Não é menino rico, não foi tratado como estrela desde pequeno. Suou para chegar onde anda. Equiparado varias vezes a Romario pela facilidade com que domina o jogo na grande área, o jovem avançado é um matador perfeito. Joga bem com os dois pés, tem bom golpe de cabeça, sabe jogar de costas para a baliza mas é diante desta que é letal. No primeiro ano como profissional apontou 60 golos. Jogava no Curitiba, um cube pequeno e sem grande mediatismo, e rapidamente se fez estrela. Estava emprestado pelo Palmeiras que rapidamente o quis recuperar, mas o problema de Keirison é o mesmo da maioria dos jovens prodígios brasileiros que assinam contractos não com clubes mas agencias. E a sua está desejosa de o levar por uns bons milhões para o Velho Continente. 

O avançado brasileiro já afirmou varias vezes que queria seguir os seus ídolos e entrar no Camp Nou com a camisola do Barcelona. A relação de amor entre o Brasil e a Catalunha começou nos anos 70 com Marinho Peres e prosseguiu nos anos 90 com Romario, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Keirisson quer ser o próximo na lista estelar desta versão caipira do Barca. Mas a verdade é que os agentes que detém controlo do seu contracto querem mais dinheiro do que os blaugrana estão dispostos a oferecer e é aí onde entram os outros tubarões.

Inter, Chelsea, Man Utd, Real Madrid, Liverpool, Juventus, não houve nenhum que não tivesse feito uma proposta para contratar o jovem jogador que ainda nem logrou ser internacional apesar de já ser apontado como o ponta de lança a ter em atenção para a próxima década. Dunga é teimoso, já se viu, e tem dado poucas opções a novos rostos mas Keirisson é paciente e sabe que a sua hora chegará. Este Verão parece inevitável que deixe o Brasileirao por uma qualquer liga europeia. Como ele há uma autêntica ninhada de futuros craques. Nem todos sobreviverão no difícil mundo do futebol europeu. Mas este avançado é especial. Nota-se no porte, nos movimentos na área, no celebrar. O futuro do futebol brasileiro é incerto porque há sempre tanto por onde escolher. Mas imaginar o Maracanã cheio para a final do Mundial 2014 e não imaginar Keirisson a liderar o ataque do escrete que sonha com o Hexacampeonato.


Miguel Lourenço Pereira às 16:25 | link do post | comentar

Sexta-feira, 22.05.09

Os amantes do futebol estético e atractivo apaixonaram-se por Guardiola outra vez. Depois de o terem visto durante largos anos a desenhar, geometricamente, cada passe a rasgar do mítico Dream Team, agora podem revê-lo, semblante sério, a coordenar do banco a equipa mais explosiva do futebol europeu. Falta-lhe a maturidade do Manchester United (na quarta-feira haverá esse tira teimas) mas em espectáculo ninguém bate a trituradora catalã, capaz de humilhar o mais temível dos rivais. Os mais atentos perceberam também, que a base deste Barcelona está na própria cidade. É verdade que Etoo marca mais do que nunca, que Henry ressuscitou e que Daniel Alves é uma locomotora. Mas é La Masia a verdadeira origem de todo este êxito. A mesma escola que formou o mister Pep, a mesma escola que deu as bases aos alunos que este ano se graduaram com matricula de honra…Puyol, Valdês, Pique, Messi, Xavi, Iniesta, Bojan, Busquets…um sem fim de craques com a mesma origem.

E se alguns estão já na maturidade da vida desportiva, a outros ainda lhe faltam muitos anos de glória. Mas atenção, a festa não acaba aqui.

 
No último jogo em Mallorca, um Barcelona já campeão saiu derrotado simpaticamente por uma equipa de uma ilha vizinha e no entanto o interesse estava mais nos homens que subiram ao relvado com o equipamento amarelo alternativo do que nos vencedores. Só que ali não havia nem Xavi, Puyol, Messi ou Valdês. O antigo técnico da equipa B, recém-sagrado campeão nacional, sabe, mais do que ninguém, que a cantera do Barcelona não pára com os títulos. E que já há uma verdadeira nova fornada de génios preparados para tomar de assalto o Camp Nou. Como passou com Messi, com Bojan, com Giovanni dos Santos (perdido entretanto pela segunda liga inglesa…problemas de carácter são assim) ou com Sérgio Busquets. Tudo homens que o técnico conhece bem e que sabe que, com o tempo, serão eles a levar o estandarte blaugrana. Pedem a gritos uma oportunidade de jogar ao lado dos craques. Guardiola já deu o aviso em Mallorca e muitos sagraram-se campeões. Outros estão ai, à espera. Cada um melhor com o outro. O Barca neste momento é mais do que a melhor equipa continental…é também a equipa com maior futuro do futebol europeu. Tomem nota! 

Há para todos os gostos nesta cantera sem fim. Há quem diga que os juniores catalães tem talento de sobra para estar para o ano com o brasão de campeões ao peito, se dessas coisas houvesse em Espanha. Os jovens de mais brilhante futuro, curiosamente, seguem os passos não dos Xavis ou Puyol, mas sim de Lionel Messi. Ou seja, não são catalães de pura cepa. Um é filho de um velho craque brasileiro, Mazinho, estrela da canarinha de 94, habituado aos relvados espanhóis que cedo percebeu que o local ideal para o seu filho crescer era de olhos voltados para o Mediterrâneo. Apesar da ascendência brasileira, o jovem Thiago Alcântara preferiu jogar pela Roja, desde muito cedo, tendo já mostrado todo o seu potencial. É um médio distribuidor com uma visão de jogo sublime, capaz de encontrar espaços onde há multidões. Joga com os dois pés e tem estatura física para ombrear com os mais duros dos marcadores. Sagrou-se campeão no passado domingo, mas o mais importante é que Thiago é claramente o líder desta nova vaga, o sucessor natural de um gigante como Xavi Herndandez.

 
Do outro lado do mar que banha Barcelona chegou outro jovem de pés de anjo, drible demoníaco e remate poderoso. Chega de Israel e tem nome de herói templário, chegado das cruzadas com vontade de vencer. Guy Asulin é a seta veloz apontada ás redes. Um jogador desequilibrante que viveu ofuscado pelo mexicano dos Santos, mas que já demonstrou ter muito mais cabeça e espírito de trabalho que o antigo companheiro. Guardiola sabe a pérola que tem entre mãos e ainda não o lançou ás feras, mas poucos duvidam que na próxima temporada não esteja a treinar com o seu ídolo, um argentino que começou exactamente como ele, pequeno e endiabrado, até se tornar numa estrela.

 

Com a marca da casa chega uma nova vaga inspirada pelo exemplo de Bojan Krikic e Sérgio Busquets, os últimos filhos da Catalunha a brilhar no poderoso Barca. O avançado estreou-se com Rijkaard e não é propriamente o menino dos olhos de Pep, mas cumpre quando o chamam. Que o digam os rivais da Taça, prova que dominou com golos em todas as eliminatórias. Quanto ao médio, filho do mítico guarda-redes suplente de Zubizarreta, foi a revelação da época, um pensador de jogo um pouco à medida do próprio treinador que já logrou também a primeira internacionalização. E com eles vem muitos mais.

Já com jogos nas pernas na primeira equipa há um tal de Pedro Rodriguez, extremo interessante, sem o sentido explosivo de Messi, mas capaz de criar desequilíbrios de forma constante pelo flanco esquerdo. Precisa de mais trabalho mas tem o futuro garantido. No eixo da defesa está Victor Sanchez. Herdeiro de uma escola milenar que tem em Puyol e Pique os últimos embaixadores, o jovem Sanchez já demonstrou estar à altura nos momentos mais delicados e para o ano espera receber mais oportunidades numa defesa super concorrida (há Marquez, Cáceres e o emprestado Henrique) mas que é também o elo mais fraco dos catalães. Também recém-campeões na visita as Baleares estão o jovem guardião Olier, o sucessor natural do sempre polémico Victor Valdes. Na defesa há outro Xavi, este também com apelido de estrela, Torres, é um valor seguro para estancar a sangria de perdas de bola nos lances mais complicados. Titular absoluto na B, espera tranquilamente a sua vez para ter mais opções no primeiro plantel blaugrana. No meio campo, ao lado de Thiago, o jovem Abraham é outro valor seguro, num registo distinto, mais virado para a contenção do que para a distribuição de jogo. E claro, Jeffren, o jovem avançado de quem muito se espera já que há várias décadas que Barça espera ter de novo um ponta-de-lança da casa para fazer levantar o estádio.
 
O aviso está feito. O Barcelona domina o presente e prepara-se para conquistar o futuro. Há muitos anos que não se via uma cantera tão forte ainda mesmo antes de se estrear a sério. Muitos provavelmente ficarão pelo caminho, outros tornar-se-ão estrelas. Caberá ao jovem treinador gerir o plantel para o próximo ano e dar passo a uma nova vaga de estrelas made in Catalunya



Miguel Lourenço Pereira às 15:43 | link do post | comentar

Segunda-feira, 18.05.09

Cumpriram-se as expectativas e os teutónicos voltaram a reinar. Em casa. Diante do seu público puderam demonstrar todo o seu poderio ofensivo e capacidade de sofrer nos momentos complicados. E foram muitos. Mas no final cumpriu-se a máxima número um de Gary Liniker. Ganharam os alemães. Os alemães do futuro...

 

Com o estádio de Magdburg cheio, as jovens esperanças do futebol europeu disputavam um dos mais interessantes e pouco publicitados prémios do futebol continental. Há poucos grandes craques do Velho Continente que não tenham por aqui passado com um brilharete. É por isso importante olhar para estes vinte e dois elementos e ver, num futuro não tão longinquo, quem singrará realmente. A julgar pelo ritmo intenso do jogo de hoje qualquer um destes jogadores é um craque em potência. E apesar da - justa - vitória do onze alemão, atenção a esta nova geração holandesa, disposta a disputar o posto aos mais velhos do seu país, bicampeões europeus dois escalões acima. Quanto aos alemães vão subir ao mundo dos sub-19 onde já dominam entre os maiores da Europa, comprovando a supremacia continental destas duas super potências (a par de França e Espanha), que mostraram uma vez mais todo o seu talento em campo. 

 

O desafio começou mal para os locais. A Holanda entrou atrevida e num excelente lance pelo corredor direito, o jovem extremo Shabir Isoufi, uma das revelações da prova, ganhou o combate corpo a corpo com o defesa alemão e centrou para o coração da área onde o letal Castaignos não falhou. O avançado holandês mandou calar o público local, mostrando que já em novo se desenham velhas rivalidades. E provou uma vez mais que é um dos pontas de lanças do futebol europeu com mais futuro. E o destino do trofeu até podia ter sido outro se minutos depois o mesmo avançado não tivesse falhado o alvo, acertadando violentamente no poste da baliza do guardião alemão. A equipa da casa recompôs-se rapidamente e começou a bombardear a baliza laranja. Notou-se isso no lance em que o ataque alemão ganhou nos céus uma bola enviada num missil telecomandado de Christophe Butchmann - o jogador da prova - e bateu inapelavemente Patrick Ter Mat. O enxoval ofensivo não parou após o golo de Thy e Basala e Gotze tiveram nos pés as melhores oportunidades de evitar o prolongamento. Não o lograram nos 90 minutos e acabou por ser o suplente Trinke a marcar ditando assim o resultado final.

 

A Alemanha já domina o futuro!

 



Miguel Lourenço Pereira às 19:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 15.05.09

Para os mais desatentos nos últimos dias tem-se vindo a disputar na Alemanha o Campeonato da Europa de sub-17. Uma competição sem grande glamour - por lá ainda não andam as jovens estrelas com contractos milionários do Euro sub-21 - mas fundamental para entender futuras tendencias do futebol europeu. Foi nas últimas edições do Euro sub-17 que se percebeu que a Espanha começava a ser um caso sério de competitividade, que a Turquia e a Rússia eram um fenómeno sério e que o futebol britanico, frances e italiano estava em queda livre na área da formação. De Portugal, mais vale nem falar.

 

No próximo domingo temos a final mais esperada, uma final que confirma de novo a tendência da formação do futebol europeu. Se exceptuarmos a poderosíssima cantera espanhola e francesa, não há hoje duas nações do futebol europeu com tanto potencial de futuro como sucede com Alemanha e Holanda.

A prova tem revelado uma série de nomes obrigatórios de futuro, mas o jogo colectivo destas duas equipas colocam-nas um nivel por em cima dos rivais. Para além da organização táctica - muito mais ofensiva no caso holandes, muito mais coesa na Manschaft - são destas equipas que se tem encontrado os mais interessantes jogadores de futuro. A anfitriã Alemanha conta com tres nomes básicos para o futuro: Reinhold Yoba, Christopher Butchmann e Matthias Zimmerman.

 

É uma equipa que confirma a boa forma da formação da Alemanha, que para além da revitalizada Bundesliga, tem uma selecção principal de novo no mais alto nivel e uma cantera capaz de garantir o futuro por mais de quinze anos. Depois da vitória no passado ano do Euro sub19, os germanicos podem consagrar o seu dominio no futebol de formação europeu actual. Para tal terá de repetir o mesmo resultado da fase de grupos onde venceu por 2-0 a equipa rival na final de Magdburg.

 

Do outro lado estará a Holanda, bicampeã em titulo do europeu de sub-21 e uma eterna máquina formadora de talentos. Após a derrota contra a Alemanha na fase de grupos, a nova face da laranja mecânica volta para assombrar a equipa teutónica. A equipa holandesa derrotou a sóbria Suiça nas meias finais graças ao trabalho de futuras vedetas Shabir Isoufi, Osama Rashid e Luc Castaignos. A equipa holandesa joga de forma claramente ofensiva do primeiro ao último minuto e são um perigo para a defesa alemã. Ou para qualquer equipa do mundo...

Os mais nostálgicos lembrar-se-ão da final de Munique entre a então mitica equipa de Cruyff e a não menos genial selecção de Beckhambauer. Ou da semi-final, quatorze anos depois, na mesma cidade, entre Klinsmann e van Basten. O futuro pertencerá seguramente a alguns dos jovens que subirão ao relvado de Magdburgo. Mais do que adivinhar quais serão os reais craques do futuro, o mais interessante é entender que o passado repete-se e que o futuro pertence aos mesmos que há trinta ou vinte anos dominaram o futebol europeu.

 



Miguel Lourenço Pereira às 20:36 | link do post | comentar

Sexta-feira, 01.05.09

A excelente campanha da Fiorentina esta época, que lhe abre a possibilidade de para o ano regressar à Champions League, tem uma simples explicação: Stevan Jovetic.

O jovem médio montenegrino é a mais recente descoberta do maravilhoso futebol dos Balcas que no passado já nos apresentou génios como Bockic, Savicevic, Prosinecki, Suker, Mijatovic ou Modric. Neste récem-inaugurado país, Jovetic é mais do que uma estrela. É um símbolo de esperança.
 
Quando o jovem Jovetic nasceu, a 2 de Novembro de 1989, ainda existia a Jugoslávia. O jovem nascido numa pequena localidade montenegrina, Titograd, não se lembra dos anos difíceis da Guerra dos Balcãs e criou-se sonhando jogar com a selecção da Sérvia, sem ainda saber que o seu pequeno país teria direito a existir. Foi portanto natural que, depois da formação no clube local, o Mladost, em 2003 o jovem se transferisse para o Partizan de Belgrado, um dos grandes clubes da história do futebol jugoslavo. Em Belgrado foi tratado como uma jovem promessas desde muito cedo, fazendo parte de uma geração de múltiplos talentos onde também andavam Llajic e Tosic, hoje no Manchester United. Durante cinco anos foi ganhando traquejo, tendo-se estreado na equipa principal do Partizan com apenas 16 anos num jogo do campeonato contra o Vozdovac. Um ano depois já era o maestro da equipa e apontou um inesquecível hat-trick na sua estreia na Taça UEFA. Era óbvio que apesar da jovem idade, não iria ficar muito tempo por Belgrado.
 
Apesar do interesse do Real Madrid e Manchester United, o jovem Jovetic arriscou e aceitou em 2008 a proposta da Fiorentina que lhe prometia um lugar de destaque numa equipa jovem e ambiciosa. Ao seu lado teria o italiano Montolivo, o brasileiro Felipe Melo e o também sérvio Kuzmanovic e à sua frente o Gillardino e o búlgaro Valeri Bojinov. Ou seja, uma série de jovens promessas unidas com um só objectivo: devolver aos Viola os postos europeus. Ao mesmo tempo o anúncio oficial da formação do Montenegro fez com que o jovem que tinha passado todos os escalões de formação na Sérvia, se estreasse com a camisola do seu país no primeiro jogo internacional oficial montenegrino. Ao longo da época Jovetic pautou o jogo da Fiore e apesar de ter marcado menos golos do que se espera pelo seu historial, foi o rei das assistências no Artemio Franchi. Para o ano estará na Champions League a mostrar todo o seu talento e poucos duvidas que tarde ou cedo dará o salto para um dos grandes do futebol europeu. Estava escrito nas estrelas.

 



Miguel Lourenço Pereira às 00:56 | link do post | comentar

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