Quinta-feira, 02.06.11

 

 

 

 

Guarda Redes

Manuel Neuer

 

Depois do Mundial o nome de Neuer começou a fazer parte do vocabulário habitual de qualquer seguidor da Bundesliga. A verdade é que há muito que o guardião era pedra angular no Schalke 04 e em 2010/11 voltou a sê-lo durante todo o ano. Mesmo quando a equipa caía no fundo da tabela. Defesas impossiveis, um espirito de liderança incontestado e um talento notorio e ineg+avel, o trabalho de Neuer durante todo o ano foi de primeiro nivel e não surpreenda ninguém que em Munique estejam desejosos de contar com um sucessor à altura de Kahn depois de várias experiências falhadas.

 

Outros: Até à sua lesão, a finais da época passada, Rene Adler era consensualmente o guarda-redes alemão mais aclamado. Mas o Mundial e a notável época de Neuer atiraram com o número 1 do Bayer Leverkusen para a sombra. Mesmo assim a sua temporada foi memorável e Adler foi sem dúvida peça chave em garantir o apuramento automatico do modesto clube de Leverkusen para a próxima Champions League. Nas redes do campeão um velho veterano. Weidenfeller foi imenso durante todo o ano e a sua experiência transformou-se num verdadeiro seguro de vida para os homens de Klopp que se sagraram nos campeões mais jovens da história da Bundesliga.

 

 

 

Defesas Laterais

Daniel Schwaab e Christoph Pogatetz

 

Rápido e certeiro, Daniel Schwaab foi um quebra cabeça para defesas, extremos e avançados durante toda a temporada. O lateral de 22 anos faz parte da geração campeã da Europa de sub-21 pela Alemanha em 2009 e parece finalmente estar a cumprir o muito que então já prometia. Rápido, certeiro na marcação individual, preciso nos cruzamentos, é o protótipo do lateral total que a Mannschafft certamente irá aproveitar para os próximos compromissos internacionais. Do lado oposto da defesa, o austriaco Pogatetz foi a personificação da preserverança e disciplina. Elemento chave da defesa do Hannover 96, uma das surpresas do ano, o lateral soube quando tinha de atacar, quando tinha de defender e quando subia no terreno permitindo uma maior profundidade de jogo ao meio-campo de Hannover, uma das equipas fetiche do torneio.

 

Outros: Anders Beck continua a ser um dos laterais de moda do futebol alemão e quem seguiu a temporada do defesa do Hoffenheim entende bem porquê. Rápido, bom sentido de colocação e determinado, Beck tem todas as condições para dar o salto a um grande e também, porque não, a aspirar a mais minutos na Manschaftt. Em Munique o histórico Philip Lahm continua a ser um caso à parte. No naufrágio colectivo do conjunto bávaro ele foi sempre um dos elementos mais regulares durante a época evitando, vezes sem fim, males maiores para o Bayern.

 

 

 

 

Defesas Centrais

Matt Hummells e Andreas Wolf

 

Alguém no Bayern Munchen deve perguntar-se diariamente o motivo da dispensa daquele que é já o mais promissor central do futebol alemão da última década. Hummels não vingou no Allianz Arena mas foi aproveitado, e de que maneira, pelo Dortmund de Kloop. Com boa saida de bola, precisão cirurgica no desarme e um espirito de liderança anormal para um central tão jovem, Matt Hummels foi peça nuclear na conquista do titulo. Joachin Low ainda não se viu totalmente convencido pelo estilo de jogo do central, às vezes demasiado directo, mas tarde ou cedo Hummels será uma presença segura na Mannschaft.

No Nuremberg o grande destaque do ano foi a época realizada por Andreas Wolf. O capitão do clube bávaro, o jovem de ascendência russa leva 10 anos ao serviço do clube. Esteve na 2. Bundesliga e foi fundamental na promoção do conjunto histórico. Este ano surpreendeu tudo e todos e realizou uma época quase perfeita lembrando que no jovem futebol alemão ainda há centrais da velha escola ao mais alto nível.

 

Outros: O sérvio Nenad Subotic consolidou-se como um dos melhores centrais do futebol europeu e a sua parceria com Hummels foi chave para a segurança defensiva do campeão alemão. Howedes confirmou no Schalke 04 todo o optimismo que rodeou os seus primeiros anos e é já uma figura de referência no futebol alemão. O ganês Isaach Vorsah foi uma das agradáveis surpresas da prova, sempre um degrau acima dos demais.

 

 

Médios

Arturo Vidal , Nuri Sahin e Shinji Kagawa

 

Não é por acaso que Jupp Heynckhes está a fazer de tudo para que o Bayern Munchen roube o chileno Arturo Vidal aos quadros do Leverkusen. O médio foi o pulmão e fiel de balança da modesta equipa vermelha e negra e um dos jogadores mais consistentes do torneio jornada após jornada. Depois de um ano de adaptação, Vidal finalmente explodiu e tornou-se num caso sério para seguir bem de perto. Algo que os adeptos do Borussia de Dortmund terão de fazer à distância com Nuri Sahin. O médio turco-alemão confirmou, cinco anos depois da sua estreia, com apenas 16 anos, que é um dos jogadores europeus com maior futuro. Foi a alma e coração dos campeões alemães e do seu magnifico pé esquerdo sairam alguns dos momentos mais inesqueciveis da temporada. Quem parece que fica, por enquanto, é o japonês Kagawa. Contratação surpresa, o médio avançado chegou da segunda divisão nipónica para impor-se com contundência no miolo do carrossel ofensivo da equipa de Kloop. Mais inconstante que Sahin, foi no entanto o seu melhor parceiro.

 

Outros: Apesar do sofrimetno até ao final, o Borussia de Monchenlagdbach contou nas suas fileiras com alguns dos jogadores jovens mais excitantes do ano. Destaque especial para Marco Reus, um médio formado na cantera do Dortmund e que encontrou no outro Borussia o espaço necessário para explodir. No Schalke 04 a reviravolta começou, em parte, quando Alexander Baumjohann, um médio incisivo e dinâmico que funcionou perfeitamente como escudeiro de Raul e Farfan. Em Leverkusen o outro grande destaque do ano foi o jovem médio Lars Bender, irmão gémeo de Sven Bender, jogador do Dortmund. Herdou o lugar de Michael Ballack quando o capitão se lesionou e tornou-se no parceiro perfeito de Vidal na temporização do jogo do Bayer.

 

 

 

Extremos

Thomas Muller e Mario Gotze

 

O jovem Muller passou a prova do primeiro ano e confirmou tudo aquilo que podia esperar dele. Foi um dos reis de assistências da Bundesliga, o segundo melhor marcador do Bayern (à frente de Ribery, Robben e Olic) e revelou-se fundamental na conexão ofensiva com Gomez. Descaído pela ala direita, sempre com propensão a apostar em diagonais rumo à baliza, Muller foi um dos grandes atractivos individuais do torneio. Do outro lado da barricada, Gotze foi a grande revelação. Apenas 19 anos e já uma confiança para comer o mundo, o extremo esquerdo do Borussia Dortmund representou tudo aquilo que fez do clube de Kloop campeão alemão. Uma época para encadernar.

 

Outros: Kevin Grosskreutz é um dos rostos por excelência deste novo Borussia Dortmund. Jovem, atrevido, rápido, hábil com ambos pés, o seu jogo lateral foi uma das armas preferidas do conjunto vestfaliano para driblar as defesas rivais. Sem dúvida um dos jogadores alemães a seguir com máxima atenção. Tal como o pequeno Lewis Holtby. Sem espaço, aparente, no seu Schalke 04, foi em Mainz que se encontrou mais cómodo do que nunca e ajudou, com os seus passes de golo e tentos decisivos, a levar o modesto clube saxão a um posto europeu depois de ter sido, durante largas jornadas, o único rival do Borussia.

 

 

Avançado

Mario Gomez

 

Em 2010 ficou a sensação de que os 30 milhões que o Bayern Munchen tinha pago por Mario Gomez tinham sido mal gastos. Ivica Olic tinha sido o homem de confiança de van Gaal e até o veterano Klose tinha mais minutos nas pernas que o dianteiro. Este ano tudo foi diferente. Gomez soltou-se e começou a fazer o que sabe melhor. Começou a marcar em Setembro e não parou até Maio, confirmando o seu titulo de melhor marcador do ano com uma solvência inusitada. Foi um dos poucos jogadores do Bayern que sobreviveram à péssima gestão desportiva dos bávaros e a sua imagem saiu reforçada dentro da selecção alemã.

 

Outros: Notável época de Cissé, um verdadeiro goleador que disputou cada lance como se fosse o último da sua vida. Os seus registos, com uma equipa modesto como o Freiburg, agrandam ainda mais a sua lenda. O espanhol Raúl decidiu trocar a comodidade da Castellana pelo duro mundo do Veltins Arena. Brilhou mais na Europa e na Taça Alemã do que na Bundesliga, mas deixou também detalhes de enorme classe e talento que o avalam como um dos grandes dianteiros da história. Ao serviço do campeão, Lucas Barrios voltou a demonstrar que é um predador de área de alto nível. Com os seus golos o titulo do Borussia ficou mais fácil.

 

 

Treinador

Jurgen Kloop

 

O futebol alemão deve muito a este jovem técnico que decidiu desafiar o establishment com um mecanismo de jogo electrizante. Kloop recebeu o desafio de pegar no clube com maior apoio popular da Bundesliga, sem dinheiro para investir, e voltar a encontrar o caminho da vitória. E fê-lo com um estilo muito próprio, descomplexado, atractivo e profundamente atacante. O Borussia de Kloop é uma máquina de ataque afinada, apoiada numa média de idades tremendamente jovem para a alta competição, e que entrará certamente na galeria das grandes equipas que venceram a Bundesliga. O grande desafio passa por sobreviver ao saque que já começou no Westfallenstadion dos seus melhores craques.

 

Outros: Jupp Heynckhes voltou a mostrar que é um técnico que sabe fazer funcionar um projecto. O modesto Bayer Leverkusen começou o ano sem a sua referência, o regressado Michael Ballack, mas ninguém notou. O técnico que para o ano estará, uma vez mais, no Allianz Arena, montou um bloco equilibrado, sólido e foi o único que aguentou o ritmo do Borussia de Dortmund até perto do fim. Thomas Tuchel, técnico do Mainz, e Mirko Slomka do Hannover 96, foram rostos dessa nova vaga de jovens técnicos que com poucos meios e muita imaginação são capazes de desafiar, sem piedade, o status quo da ocmpetição.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:24 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 01.06.11

A revolução amarela deu nova cor ao espectáculo da Bundesliga.

No ano em que o campeonato alemão superou, finalmente, a Serie A e entrou no pódio das ligas mais importantes do Velho Continente, uma velha glória mostrou o seu melhor rosto e revolucionou por completo a hierarquia do futebol teutónico. O triunfo esmagador do Borussia de Dortmund é o espelho perfeito deste novo futebol alemão.

 

Mais do que nunca a Bundesliga assemelha-se à realidade dos anos 70, a década gloriosa do futebol germânico. Futebol de ataque, futebol que aposta na juventude local, futebol com as contas controladas ao máximo. Futebol para todos.

No estádio mais emblemático do torneio a festa foi amarela e durou todo o ano. Contra as expectativas o Borussia de Dortmund, uma equipa que há um par de anos esteve bem perto da falência, ressuscitou. Sob o mandato de Jurgen Kloop, o técnico de moda da Bundesliga, o equivalente clubistico a Joachin Low – até no estilo de gentleman alternativo e descomplexado que desafia os velhos canones alemães -  a vitória do Dortmund foi inequivoca. Uma equipa profundamente ofensiva, insultantemente jovem e com os pés no chão, o Borussia foi tudo o que o seu histórico rival, o Bayern Munchen não conseguiu ser. Kloop apostou, como tem sido hábito, na prata da casa e a maturidade ganha nos últimos anos começou a dar os seus frutos. Hummels e Subotic foram os patrões da defesa, Sahin, Bender os pendulos do miolo, Gotze e Grossekreutz as asas do ataque e Kagawa e Barrios os implacáveis goleadores. O Borussia não só se assenhoreou da Bundesliga como manteve o ritmo durante todo o ano chegando rapidamente à liderança da prova para não mais a perder. Vitórias complicadas em Munique, Bremen, Gelsenkirchen ou Leverkusen foram suficientes para abrir um fosso que Kloop soube gerir até ao fim. O titulo foi talvez o mais saboroso da história do clube porque, pela primeira vez, foi ganho com a prata da casa e não com os milhões gastos em formar as equipas de 1995 e 2002. Até nisso o Borussia soube encarnar na perfeição os novos tempos.

 

Do outro lado do espelho, o Hollywood FC, como é conhecido jocosamente o Bayern Munchen, voltou a demonstrar a sua tremenda irregularidade. Depois de um ano histórico, van Gaal perdeu o controlo do balneário e a sua equipa, marcada pelas lesões de Robben e Ribery e os afastamentos de Demichelis e van Bommell (que sairiam em Janeiro), andou durante grande parte do ano perdida no meio da tabela. Os golos de Gomez e o imenso trabalho de Muller foram os catalizadores da recuperação dos bávaros mas ficou claro que o projecto do Allianz Arena precisa de definir as suas prioridades futuras. Heynckhes será o encarregado de recomeçar do zero deixando atrás de si um Bayer Leverkusen mais forte do que nunca. Depois de três anos o pequeno clube de Leverkusen assumiu-se definitivamente como equipa da parte alta da tabela. Muito material jovem bem trabalhado, uma gestão financeira e desportiva impecável e algumas contratações círurgicas, e este Bayer terá todas as condições para sobreviver à saída do seu treinador.

O mesmo não se pode dizer, de antemão, dos grandes candidatos ao titulo que foram ficando pelo caminho e que acabaram, vergonhosamente, por limitar-se a lutar pela salvação até ao fim. Schalke 04, Werder Bremen, Stuttgart e, sobretudo, Wolfsburg, foram as máximas decepções do ano. Se os de Gelsenkirchen salvaram a época com as performances na Taça e Champions League, os restantes não tiveram forma de limpar uma péssima imagem. O Wolfsburg teve mesmo de sofrer até ao último dia e sem Diego e Dzeko, para a próxima época, reeditar o titulo de 2009 transforma-se ainda mais numa utopia.

 

Longe do descontrolo deste quarteto, a Bundesliga voltou a demonstrar que é provavelmente o torneio mais equilibrado e bem organizado das grandes provas europeias. Clubes sem um grande orçamento mas muitissimo bem geridas, souberam carimbar o seu bilhete europeu com solvência e determinação. O caso perfeito encontra-se em Mainz, onde o modesto clube local pareceu ser a sombra do campeão Dortmund durante meia época. O trabalho de Thomas Tuchel, o talento da dupla Holtby-Szalai e o espirito colectivo de uma equipa que muitos condenavam à despromoção transformaram o Mainz na sensação do torneio. Em menor medida, mas utilizando a mesma receita, o Hannover 96 passou de ser uma equipa sem ambição a um claro candidato europeu sem grandes nomes no plantel mas com uma gestão humana absolutamente exemplar. E que dizer, igualmente de Hoffenheim, Nuremberg e o recém-promovido Kaiserlautern, equipas que souberam superar constantemente as expectativas. No lado oposto o sofrimento do modesto St. Pauli, o clube alternativo de Hamburgo, e do histórico Eintracht Frankfurt (despromovido na última jornada depois de ter passado grande parte do ano em postos de salvação), numa das lutas pela manutenção mais equilibradas dos últimos anos, falam bem da competitividade do torneio que para o ano voltará a ter um representante da capital.

 

A Bundesliga é, claramente, a liga mais rejuvenescida e dinâmica dos campeonatos europeus. Ao contrário dos seus rivais directos as assistências aumentaram, os contratos televisivos repartem de forma equitativa os lucros e os clubes estão, pela primeira vez em muito tempo, a aproveitar ao máximo os productos da sua formação, a melhor da Europa actualmente. A habitual indecisão que pauta o futuro do torneio garante que um Dortmund envolvido na Champions League e sem algumas figuras terá uma labor complicada para repetir o titulo. Por tudo isso, e muito mais, a nova época já aquece e ninguém é capaz de antever quem celebrará o titulo daqui a um ano.


Categorias: ,

Miguel Lourenço Pereira às 10:24 | link do post | comentar

Quinta-feira, 05.05.11

Foi talvez o titulo mais saboroso. Se é que os triunfos têm um paladar especial. Porque o dinheiro não pagou o troféu. Foi o talento genuíno de uma geração de miúdos inesquecíveis que fez vibrar, uma vez mais, o imenso Welfastadion. Foi a visão de futuro de Jurgen Kloop, o alter-ego clubístico de Joachim Low, que permitiu moldar uma das equipas que marcaram o ano. Em Dortmund festeja-se mais do que o regresso à elite. Festeja-se um titulo que é todo ele dos miúdos da terra. E isso tem de saber a outra coisa...

 

 

 

Não foi preciso gastar milhões em Sammer, Chapuisat, Riedle, Koller ou Rosicky.

Os nomes e rostos dos títulos de 1995, 1996 e 2002, os únicos conquistados pelo clube histórico do Rhur depois dos anos 60, foram pagos a peso de ouro. Eram outros dias e o Dortmund fazia vibrar o futebol europeu graças a uma preciosa combinação de talento local e contratações sonantes. A distribuição dos lucros da renovada Bundesliga e o sucesso europeu na campanha europeia de 1993 deram esse balão de oxigénio tão importante para definir o projecto vitorioso de Ottmar Hitzfield. Em 2002, quando o clube vivia os seus últimos dias de bonança, ainda havia algum dinheiro para gastar e pagar a ambição de voltar a brilhar na Europa. Quando o clube caiu na bancarrota, tudo mudou. Forçados a vender o seu próprio estádio, santuário de décadas, os administradores do Borusia entenderam que o sucesso futuro tinha de vir ao mínimo custo possível. E a única forma de lá chegar passava por apostar, cegamente, na formação. Paciência, paciência e paciência. Foi o que foi preciso para aguentar anos dificeis até que a colheita correspondeu às expectativas. Em 2010 a equipa orientada pelo paciente Jurgen Kloop já dava ares da sua graça com um excelente final de campeonato. Estava na lista dos favoritos para 2011 mas a derrota inaugural contra o Bayer Leverkusen, um dos grandes derrotados do ano transacto, acendeu o sinal de alarme. Era falso. Mas poucos podiam imaginar que poucas jornadas depois o espectáculo do futebol champagne começasse a jorrar no estádio com os adeptos mais fervorosos do futebol europeu.

 

A média de idades de 23 anos é a mais jovem de sempre da história da competição alemã. No espaço europeu está no top5 de sempre e isso é dizer muito deste projecto onde a maioria das suas estrelas só este ano conseguiram saltar das selecções sub21 e sub19 para a elite. O dinheiro ficou no banco e a qualidade no terreno de jogo. O Dortmund apostou na prata da casa e montou um estilo de jogo que há muito não se via nos palcos alemães. A Bundesliga está a crescer e com equipas como o Borusia esse crescimento faz ainda mais sentido. Com Barcelona e FC Porto, os alemães tornaram-se nos símbolos do jogo bonito. Mesmo que não tenha funcionado na Europa - e Klopp assumiu a falta de interesse pela competição quando surgiram os duelos a doer - o modelo foi suficiente para carimbar, a dois jogos do fim, o sétimo titulo da história do clube do Rhur, esse clube que marcou o primeiro golo da prova em tempos tão pretéritos.

Falar desta equipa amarela e negra é falar de Nuri Sahin, o equivalente da selecção turca ao seu amigo "alemão" Ozil. De Matt Hummels, que o Bayern não quis e que agora é o esteio da melhor defesa alemã. De Shinji Kagawa que chegou à cidade alemã desde a segunda divisão do Japão, tal como Hulk. Dos extremos alemães, recém-chamados por Low à selecção principal germânica, Kevin Grosskreutz e Mario Gotze, dois miúdos de 19 anos que jogam com a classe de veteranos. Do killer-instinct de Lucas Barrios à segurança defensiva de Subotic. E tudo numa equipa sem vedetas onde a harmonia e o colectivo saiam sempre a ganhar. Duas derrotas e um empate em toda a primeira volta. Duas derrotas e três empates na segunda. Pelo meio vitórias históricas, contundentes, inapeláveis. Todas fieis a um estilo, a uma filosofia. O Borussia de Dortmund rugiu com voz própria, sem ter de recorrer às vicissitudes do mercado, e deixou a Alemanha em êxtase.

 

 

 

Com o ceptro alemão nas mãos os adeptos do Westfalenstadion perguntam-se agora pelo futuro. O dinheiro continua a ser uma necessidade para um clube que há poucos anos esteve bem perto do fim. Vender será inevitável e candidatos não faltam, com Nuri Sahin à cabeça. Haverá solidez colectiva suficiente para repetir o brilharete sem voltar a cair em erros antigos. Uma pergunta de resposta difícil que fica para depois. Agora até os mais sérios entre os alemães da cidade industrial à beira do Reno sabem que a hora é de celebrar. Momentos como estes acontecem de tempos a tempos. E se calhar por isso sabem tão bem!


Categorias: ,

Miguel Lourenço Pereira às 06:08 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Quinta-feira, 14.04.11

A muitos surpreende a vitoriosa campanha europeia do Schalke 04 de Raul e companhia. Mas apesar de ser a primeira semifinal da Champions League na história do clube, houve uma época em que os mineiros de Gelsenkirchen faziam parte da nata europeia. Nos anos 30 o futebol espectáculo do Schalke ajudou a definir as bases do futebol alemão do pós-guerra e transformou os seus heróis em ícones da resistência do povo germânico.

 

 

 

Chamaram-lhe "Schalker Kreisel".

E definiu o estilo de futebol de toque que começava a ganhar cada vez mais adeptos no centro da Europa. O estilo de jogo de combinação - primitivo comparado com os padrões de hoje mas enormemente avançado para a época - que se foi forjando na equipa do Schalke nos anos 20 marcou um antes e um depois na história do futebol alemão. Até então o país tinha vivida à sombra de um futebol rápido e de contacto, praticado iminentemente pelas equipas do sul.

Kurt Otto moldou uma equipa feita só com jogadores da casa, muitos deles mineiros e filhos de mineiros da cidade industrial de Gelsenkirchen. Uma equipa que procurava a troca de bola em lugar das habituais cavalgadas rumo à área contrária. E que encontrou no talentoso Fritz Szepan e Ernst Kuzorra, os seus grandes interpretes. Filhos de emigrantes polacos, como tantos outros na cidade, as duas grandes estrelas do futebol alemão do pré-guerra, talvez os jogadores europeus mais completos da sua época - a par de Meazza e Sindelaar - Szepan e Kuzorra deram um brilho especial o jogo de toque dos azuis reais. A equipa começou a crescer em meados dos anos 20, com a chancela do presidente Fritz Unkel, um dos grandes impulsionadores do projecto local. Rapidamente passaram a dominar a Gauliga, a liga da zona do Rhur, a mais forte das ligas regionais alemãs. Uma série de contratempos foram adiando o esperado titulo inaugural do Schalke.

Aliado ao sucesso do clube ficou o nascimento do mítico Glückauf-Kampfbahn, um dos estádios mais frenéticos do futebol teutónico durante largas décadas. O público local transformou os jogos em casa do Schalke em meros trâmites (o clube não perdeu um jogo em casa nos 11 anos seguintes até ao irromper da guerra) e rapidamente a equipa começou a disputar as finais nacionais. Em 1929, um ano depois da inauguração do estádio, chegou o primeiro titulo regional. Mas foi preciso esperar cinco anos até o domínio do futebol do oeste se transformasse em domínio nacional.

 

Quando tudo indicava que o maravilhoso futebol do Schalke 04 ia terminar com o a supremacia do Stuttgart e Nuremberga, a liga alemã surgiu em cena e baniu o clube durante um ano. O motivo? O pagamento de salários elevados aos seus melhores jogadores, algo impensável num país que lidava tão mal com o conceito do profissionalismo que só nos anos 60 a Bundesliga foi oficialmente fundada como uma liga profissional. Quase 30 anos depois das restantes grandes competições europeias. Por essa altura a Alemanha já tinha até um titulo mundial ganho por falsos amadores. Como eram todos os elementos do Schalke 04.

Por isso só em 1934 a equipa pode finalmente desfrutar do seu primeiro campeonato. Uma época inesquecivel em que ao génio de Szepan e Kuzorra se juntaram outros elementos chave. A final disputada em Berlim confirmou o génio de Bornemann na defesa, Zajons e Urban nas alas e Rothard no eixo do ataque. O Schalke venceu por 2-1 o Nuremberg mas esteve a perder por 1-0. Parecia que a malapata ia seguir quando Szepan, como só ele sabia fazer, marcou o primeiro e inventou o segundo em apenas dois minutos. Os dois que faltavam para o jogo chegar ao fim.

O triunfo iniciou uma saga de vitórias praticamente incontestáveis até ao arranque da II Guerra Mundial. No ano seguinte a vitima foi o Stuttgart, derrotado num festival de golos por 6-4. Por essa altura o técnico já era Hans Schmidt, sucessor do genial Otto e fiel continuador da sua filosofia de jogo curto de toque e desmarcação, algo que se tornara já na moda europeia graças à popularidade do Wunderteam austríaco de Hugo Meisl. Depois do hiato em 1936, dois novos títulos nacionais consecutivos e um dominio que se prolongou até 1941, ultimo ano das competições oficiais antes da entrada na fase determinante da guerra. Durante toda a década o Schalke manteve-se fiel não só ao seu estilo futebolistico mas também à sua filosofia local. O clube protegeu muitos dos seus jogadores judeus durante a perseguição do regime nazi e ajudou os seus melhores jogadores a evitarem a temida frente oriental ao serviço do exército. Muitos deles serviram em bases aéreas em solo alemão, privilegio de poucos. O final da era de glória do Schalke significou um parêntesis na evolução do próprio futebol alemão. O clube tinha sido a base ideológica do jogo teutónico apesar das reservas do seleccionador Otto Nerz que não apreciava o estilo relaxado e de toque de Szepan e Kuzorra. O segundo foi afastado da selecção sem apelo nem agravo. O primeiro viveu uma década de altos e baixos. Mas estava em campo no dia em que a Alemanha se apaixonou pelo seu jogo. Em Breslau, num desafio contra a Dinamarca, o polémico Nerz finalmente alinhou os seus melhores jogadores, incluindo a espinha dorsal do Schalke 04. A equipa venceu por 8-0 - a sua maior vitória até então - e o onze que marcou o verdadeiro inicio da Mannschaft ficou conhecido como Breslau Elf.

 

 

 

Com o pós-guerra o Schalke 04 entrou num periodo de crise da qual nunca recuperou totalmente. Voltou a vencer, uma vez mais, o titulo alemão mas quando a Bundesliga finalmente arrancou o clube começou a perder-se pelos postos do meio da tabela. Depois da surpreendente vitória da Taça UEFA, em 1998, o conjunto alemão volta a estar nas bocas do mundo. Muitos lembram-se já do Bayer Leverkusen. Em 2002 também disputou a meia-final com o Manchester United e do outro lado havia um Barcelona vs Real Madrid. Muita coincidência. Sob o espirito do Schalker Kreisel, sonhar está permitido.



Miguel Lourenço Pereira às 10:39 | link do post | comentar

Quinta-feira, 07.04.11

71 golos em provas europeias. Números escandalosos para qualquer jogador. Banais se te chamas Raul Gonzalez Blanco. O dianteiro madrileño decidiu que era maior que o Santiago Bernabeu e abandonou a segurança do lar para tentar sorte na Alemanha, destino preferido dos espanhóis quando decidem emigrar. Raul não foi para as minas de Gelsenkirchen mas trabalha como um mineiro na equipa mais tradicional da Bundesliga. Para ele a eternidade é mais do que obsessão. É algo inevitável.

 

 

 

Raul estreou-se em 1995 nas provas europeias ao serviço do Real Madrid e marcou ao segundo jogo, com o Ferencvaros.

Foi há 16 anos e durante todo esse periodo só durante um ano o dianteiro esteve sem marcar nos palcos europeus, 1996/1997, a última época em que o Real Madrid falhou as provas da UEFA. Marcou em duas finais da prova rainha da Europa, que venceu três vezes. Marcou golos fundamentais para compreender a história recente do futebol espanhol. Marcou, marcou e marcou. Raul é definido pelo valor que se dá ao golo.

Não tem nenhuma habilidade particular. Nem é rápido. Nem é forte. Nem é dotado de uma grande técnica individual. Não joga particularmente bem de cabeça, não é capaz de aguentar largos sprints e não lhe é conhecido nenhum talento especial nas bolas paradas. Poucos golos marcou de penalty, nenhuns de livres e cantos. Mas, mesmo assim, marcou muitos. Tantos que já é o recordista da Europa. E era de Espanha também, até Villa, o seu sucessor como o 7 da Roja, o ter ultrapassado finalmente. No total Raul Gonzalez Blanco já marcou 340. Em 780 jogos. Quase nada.

O filho predilecto de Madrid, o homem que ainda hoje divide o futebol espanhol, arriscou e muito. Quando anunciou a saída do Real Madrid muitos vaticinavam-lhe um fim agónico no futebol alemão. Se algo diziam de Raul nos seus dias de ouro, nos finais dos anos 90 e antes de ter arrancado o projecto galáctico, é que só funcionava dentro do Bernabeu. Mas chegavam as estrelas milionárias e os golos pícaros e oportunistas do 7 continuavam a decidir ligas. E nos jogos contra os grandes da Europa, Raul raramente falhava. Hoje, como ontem.

 

Quando chegou ao Shalke 04 o espanhol encontrou uma equipa desmotivada.

O regime quase ditatorial de Felix Magath, que tinha surpreendido no Wolfsburg pelo seu futebol de ataque, e a sua postura defensiva, prejudicava o seu estilo de jogo oportunista. Raul jogava longe da área e, portanto, longe do golo. À medida que a equipa foi mudando a sua postura, que apareceram Huntelaar, Farfan e Gabranovic, o espanhol foi tendo mais liberdade para deambular pela área. Onde é letal. O seu estilo de jogo começou a encaixar no modelo dos azuis mineiros de Gelsenkirchen. E os golos apareceram. Frente ao Valencia, nos oitavos de final, o toureiro madrileño fez do Mestalla, pela enésima vez, a sua praça. E em San Siro, estádio onde nunca tinha ganho vestido de branco - e onde jogou o seu rival nisto dos números, Paolo Maldini, a quem superou também em jogos disputados na Europa - também. A exibição de Raul em frente ao Inter é um elogio constante às suas qualidades.

Jogador de grupo, matador, sacrificado, colectivo. Abriu espaços, puxou marcações, triangulou e marcou. Ajudou a destroçar uma irreconhecível defesa neruazurri e ajudou o seu novo clube a fazer história. Será quase impossível ao Inter dar a volta ao marcador e, subitamente, Raul estará de novo bem perto de uma final da Champions League. Algo que ninguém imaginava quando a época arrancou. Os alemães desafiarão o poderia anglo-espanhol da prova com uma arma secreta nutrida nestas batalhas. De tal forma que a eficácia de Raul, que sempre esteve aí, relançou, pela enésima vez, o debate em Espanha sobre a sua presença na selecção. O seu afastamento, depois do Mundial de 2006, deveu-se segundo a maioria a problemas no balneário. Sem a omnipresença de Raul o seleccionador Luis Aragonés pode criar a base da equipa que domina o futebol internacional há quatro anos. Mas a decisão custou-lhe eventualmente o cargo e deixou mau sabor de boca ao clã de Barcelona que agora controla a Roja. Por muito que Raul apresente números que superam em eficácia os de Torres e Villa, as apostas de Del Bosque, o seu regresso está marcado pelo seu passado. E isso torna-o impossível.

 

 

 

Mas mesmo que Raúl esteja destinado a acabar os seus dias dando alegrias às gentes do Schalke 04, a sua missão já terá merecido um louvor especial por um país que sempre teve problemas em aceitar os seus ídolos. Profeta em terra alheia, o eterno Siete sabe que a sua aventura europeia ainda não acabou. E se há algo que Raul sabe fazer, é história. Os rivais que se cuidem, o eterno e teimoso goleador não quer despedir-se tão depressa. E ninguém o irá convencer do contrário...



Miguel Lourenço Pereira às 14:02 | link do post | comentar

Sábado, 26.03.11

O Bayern Munchen é o clube mais odiado da Alemanha. Talvez um dos mais impopulares da Europa. É entendido como um clube cinzento desde que Uli Hoeness chegou à cupula directiva, a finais dos anos 70. Por diversas vezes o polémico Uli tentou mudar essa imagem negativa mas quase nunca conseguiu. Agora parece ter desistido de vez. Só assim se entende o regresso do senhor Cinzento, Jupp Heynckes, à bela Munique.

 

 

 

Heynckes era um jogador que dava pouco nas vistas. Marcou muitos golos ao longo da sua carreira, especialmente quando recebia os passes perfeitos de Gunter Netzer no mágico Borussia Monchengladbach a meados dos anos 70. Pouco mais. A partir da década de 80 começou a sua carreira como treinador. Manteve o low-profile que o caracterizava. Esse cinzentismo concreto que tanto dano fez à imagem dos alemães por esse mundo fora em Heynckes ganha proporções quase mitológicas. Os seus êxitos como treinador nunca foram dignos de grande registo - salvo talvez a história Champions League ganha pelo Real Madrid em 1997 - porque a sua imagem nunca transmitiu qualquer tipo de empatia. Sem ser um motivador ou inovador táctico, pouco espaço sobrava a Jupp para ser reconhecido como um grande técnico. Passou a ser apenas um bom profissional o que na Alemanha, não nos esqueçamos, é tudo menos uma aspecto negativo. Aliás, todo o contrário.

Talvez por isso Jupp Heynckes se voltará a sentar num banco que conhece demasiado bem. É a sua terceira etapa no clube de Munique, algo pouco usual nos dias que correm mas que foi prática durante largos anos no futebol europeu. Depois de dois bons anos com o Bayer Leverkusen - a equipa que, como Heynckes, tem fama de nunca ganhar nada - os bávaros olham para ele como a figura ideal para seguir o trabalho de um técnico que não podia ser mais oposto ao alemão: Louis van Gaal.

O holandês polémico encontrou em Munique um clube com uma estrutura perfeita mas sem paciência para o seu estilo. Desenvolveu ao máximo uma formação que estava adormecida desde o aparecimento, em 2004, de Lahm e Schweinsteiger, e apostou num futebol fluido, atacante e dinamico. Talvez o melhor que o clube com mais titulos na história do futebol alemão apresentou desde a sua época dourada nos anos 70. Mas a sua falta de pragmatismo e o seu caracter irrascível serviram também para cavar a sua sepultura. Hoeness, o homem que fez do Bayern Munchen una máquina desportiva perfeitamente afinada, entendeu que o clube precisava de alguém com perfil baixo para endireitar os problemas de disciplina e atitude do balneário. Alguém na velha escola de um dos seus mentores, Udo Lattek.

 

Lattek chegou em 1970 a Munique herdando uma equipa aperfeiçoada até ao mais minimo detalhe pelo histórico Branko Zebec.

Ao leme dos bávaros, então a viver a sua era dourada com Muller, Maier, Breitner, Schwarzenbeck e Beckenbauer no onze, o técnico aplicou uma boa dose de pragmatismo táctico ao futebol espectáculo que a equipa exibia com Zebec. Conseguiu o feito histórico de vencer três ligas consecutivas a que juntou uma Champions League, a primeira do clube. Era um técnico disciplinador, directo com os jogadores mas sem grande vontade de inovar tacticamente. Numa era em que o Monchengladbach (de Heynckes) brilhava, o Bayern vencia. Em 1975 o técnico foi despedido e mudou-se, precisamente, para o eterno rival dos encarnados onde venceu mais duas ligas e uma Taça UEFA. Depois de passar pelo Barcelona, sem grande sucesso, voltou ao Bayern Munchen já com o seu protegido Uli Hoeness (tinha sido ele quem lançara Hoeness na sua primeira passagem no clube) como directivo. Voltou a vencer três ligas consecutivas e acabou por sair em 1987, depois da derrota com o FC Porto na final da Champions League. E é aí onde entra Heynckes na história.

Jupp tinha sido jogador de Lattek na sua etapa com o Borussia e tinha-se tornado num dos seus mais ferventes discipulos. Quando o técnico abandonou os bávaros pela segunda vez recomendou Heynckes como o seu sucessor. Hoeness fez-lhe caso e contratou o jovem treinador que já tinha sucedido a Lattek no Borussia em 1979. Heynckes foi recebido com alguma suspicácia em Munique, que esperava um técnico mais flamante e motivador (o sonho dos adeptos era o então seleccionador alemão, Franz Beckenbauer) mas os titulos ganhos entre 87 e 91 tornaram o dianteiro numa figura respeitada. Mas nunca querida. Nem pelos jogadores nem pelos adeptos. A sua saída foi tão pouco contestada que muitos imaginavam que Heynckes dificilmente voltaria a treinar um clube de elite na Bundesliga. Mas enquanto o Bayern entrava na sua década mais desastrosa (muito por culpa de maus negócios do directivo Hoeness mais do que pela labor dos técnicos que se seguiram), o perfil tranquilo e calmo de Heynckes tornou-se popular. Em Espanha conheceu vários sucessos ao serviço de Athletic Bilbao, Tenerife e Real Madrid. A partir daí começaram os falhanços. Benfica, Schalke 04 e Monchengladbach foram erros de cálculo mas a sua associação com Rudi Voeller no Leverkusen deu-lhe de novo prestigio na Bundesliga. De tal forma que, quando Jurgen Klinsmann - o técnico popular e flamante dos adeptos - foi abruptamente despedido em 2009, foi a Heynckes que Hoeness recorreu para acabar a liga.

 

 

 

Ao técnico não lhe ofereceram a renovação, apesar de ter logrado a classificação para a Champions League que permitira ao seu sucessor, Louis van Gaal, chegar à final de Madrid um ano depois. Dois anos depois as portas do Allianz Arena voltam a abrir-se para o homem cinzento, o técnico que poucos directivos gostam de contratar mas a quem muitos se encomendam em horas de aperto. De Jupp Heynckes ninguém espera futebol de ataque, jogadores jovens a estrearem-se com a camisola vermelha ou conferências de imprensa polémicas. Mas a sua eficácia em Munique é tal que dificilmente Uli Hoeness não se imagina já no próximo ano a festejar mais um titulo no seu longo mandato directivo. Que começou, precisamente, no ano em que Jupp trocou a bola pelo caderno de notas. E acinzentou um pouco mais o futebol germânico.



Miguel Lourenço Pereira às 10:23 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Quinta-feira, 24.02.11

A dinâmica é irreversível. O futebol alemão está mais vivo do que nunca. Revigorado com a confirmação de que a barragem psicológica está, definitivamente, ultrapassada. A partir de agora a Bundesliga já é, oficialmente, a terceira liga mais importante do futebol europeu. O ranking da UEFA coroa uma irresistível ascensão preparada ao mais mínimo detalhe durante os últimos dez anos. Qual é o limite da Bundesliga?

 

 

 

Se a vitória do Internazionale, na final de Madrid em Maio, privou a Alemanha do primeiro troféu europeu em 9 anos, a desforra na noite passada do Bayern é, infinitamente, mais importante. Espelha a força de uma nação que soube ressuscitar das cinzas e plantar cara às grandes ligas europeias. O Calcio, que há quinze anos atrás era, unanimemente, a liga mais importante da Europa, sofreu mais um duro golpe. Apesar do triunfo in extremis do Inter de Mourinho, poucos em Itália acreditavam que a Serie A teria capacidade de aguentar o terceiro lugar do ranking europeu, o último que permite a entrada de 4 equipas na Champions League (mais 3 na Europe League). E tinham razão. A debacle da Sampdoria , Palermo e Juventus na segunda prova da UEFA obrigavam os restantes clubes italianos na prova a vencer todos os jogos - e ambas as competições - para resistir ao assédio germânico. Depois de Tottenham e Shaktar terem aberto a cova, coube ao Bayern a honra de sepultar o caixão. Serie A è piu sul podio...

Apesar de haver múltiplas razões para a queda desportiva da liga italiana (que a meados dos anos 90 era a rainha da Europa e que durante essa década teve mais representantes nas três finais europeias do que as ligas espanhola e inglesa juntas) é a espantosa afirmação da Bundesliga que marca esta mudança de rumo. A partir de 2012/2013 os alemães terão quatro vagas na Champions League onde, este ano, contam na fase a eliminar com dois dos três representantes (o Werder Bremen caiu na fase de grupos). Um êxito histórico mas previsível se atendermos à brutal diferença de números do campeonato alemão com os seus principais rivais europeus. A inversão começou a ganhar forma em 2006. A Itália, acabada de sagrar-se campeã do Mundo, saía também de um escândalo interno profundo (o Moggigate) que mudou definitivamente o rosto das equipas de top. Sem Juventus ou Fiorentina como representantes europeus, os italianos somaram nessa época (onde, curiosamente o AC Milan até se sagrou campeão da Europa) 11.928 pontos, a terceira melhor marca. Mas os alemães estavam a ganhar terreno, chegando a uns históricos 9.500, ultrapassando a Ligue 1 francesa, até então a quarta prova europeia. No ano seguinte, 2007/2008, os italianos somaram apenas 10.575 pontos contra os 13.500 dos alemães, segundos apenas atrás dos ingleses (que ocuparam os dois postos da final da Champions League e três dos semifinalistas). Quando 2008/2009 acabou, a Bundesliga voltou a recuperar terreno com 13.666 face aos 11.375 italianos. Mas foi em 2009/2010 que os alemães chegaram a números históricos (18.083) coroando-se como o pais com mais pontos somados ao longo da época e muito distantes dos 15.428 dos italianos (quartos na classificação geral após o titulo europeu do Inter). A nova temporada, que ainda vai a meio, limitou-se a servir como estocada final. A vantagem é tal que os alemães estão mais perto do segundo posto na tabela (da Liga espanhola que corre o risco de perder a maioria das suas equipas em prova nesta ronda) do que do calcio italiano.

 

 

 

 

 

Mas o que está por detrás desta profunda recuperação de uma liga que só foi, consensualmente, a mais forte da Europa durante um curto período dos anos 80?

O ranking da UEFA que corou a Bundesliga entre 1978 e 1982 como a liga mais forte do futebol europeu (numa altura em que o ranking contava para muito pouco) baseia-se na distribuição de pontos obtidos (que variam entre vitórias, empates, rondas ultrapassadas e competições ganhas) pelas equipas presentes nesse ano nas provas europeias como representantes de um país. Quanto mais equipas estão, menor é o lucro se as performances ficarem aquém da expectativa. Um cenário que Portugal viveu igualmente depois das brilhantes campanhas europeias de FC Porto e Boavista no inicio da década terem dado três equipas na Champions League à liga lusa (então quotada como a sexta liga europeia). Mas os fracos resultados do número exagerado de representantes lusos nas provas europeias comparativamente com a qualidade real da Liga Sagres significou a soma acumulada de um baixo quoficiente (sétimo no ranking em 2007, oitavo em 2008, décimo em 2009) que levou a uma inevitável queda na classificação que só se alterou com um regresso ao sexto posto final na época passada. A Serie A experimentou o mesmo problema. Enquanto que o AC Milan mantinha-se no topo da elite europeia, as performances de Inter, Juventus, Fiorentina, AS Roma, AS Lazio, Udinese, Sampdoria, Genoa, Palermo ou Napoli eram, sucessivamente, decepcionantes.

Enquanto isso os alemães, com seis equipas em prova mas com resultados gerais muito superiores, conseguiam trepar na classificação mesmo sem somar um único titulo (contra os dois italianos). As campanhas regulares de Bayern Munchen, Stuttgart, Schalke 04 ou Werder Bremen foram fundamentais para a soma de pontos. Mas se o ranking é a confirmação oficial, a realidade é que o estatuto de liga top há muito que ninguém discute ao futebol alemão.

Depois de uns anos 90 para esquecer - com problemas organizativos, falta de público nos estádios, dificuldade em gerir o fluxo de equipas e jogadores que vinham da liga da antiga-RDA - a Federação Alemã de Futebol propôs-se, no inicio dos anos 2000, a mudar profundamente a estrutura do futebol alemão a nível de clubes e de selecções. Uma mudança que demorou o seu tempo a concretizar-se e que ganhou um reforço substancial com a realização do Mundial 2006 que provou que o país centro-europeu estava no caminho certo.

 

A uma alteração profunda nas infra-estruturas (com o perfeito pretexto do Mundial) houve também uma alteração de mentalidade.

Os clubes alemães começaram a apostar seriamente na formação, incentivando os mais novos a desenvolver habilidades técnicas que vinte anos antes seriam impensáveis. Ao mesmo tempo começou uma significativa - e profunda - assimilação da forte imigração presente na Alemanha, seguindo o exemplo francês algo que foi sempre negado, por exemplo, a espanhóis e portugueses durante os anos 70 e 80. Com esse novo leque de jovens talentos começaram-se a construir equipas extremamente interessantes - Hoffenheim, 1860 Munchen, Dortmund, Leverkusen, Stuttgart e, sobretudo, Werder Bremen - que plantaram cara às grandes potências históricas, particularmente o Bayern que viveu entre altos e baixos durante toda a década. O público, agradado com as novas condições e - sobretudo - com a nova distribuição horária (para o qual ajudou muito a profunda melhora nos contractos televisivos num país onde toda a liga é dada em canais por pago) voltou aos estádios e permitiu em três anos aos clubes alemães igualarem os ingleses como os que apresentam melhor percentagem de espectadores por jogo. 

As multidões respondiam também à profunda melhora da qualidade de jogo e à nova mentalidade ofensiva que jovens treinadores como Schaff  Klinsmman ou Magath traziam às suas equipas. E com a profunda recuperação financeira germânica e a melhoria dos contractos com patrocinadores e televisão - num modelo que emulou o sucesso da Premier League - chegou também dinheiro fresco aos cofres dos clubes que souberam gastá-lo bem, criando equipas que funcionavam como um mixto do melhor da formação com nomes de grande talento e futura projecção. As chegadas de Arjen Robben, Franck Ribery, Diego, Ruud van Nistelrooy, Luca Toni ou Rafael van der Vaart deram outro glamour a uma liga que perdia, a pouco e pouco, a predominância germânica. Se é sabido que os jogadores alemães não gostam de sair do seu país natal (o que permite à Bundesliga manter quase exclusivamente a nata de uma selecção de top) a chegada de jovens promessas centro-europeias, sul-americanas e asiáticas e a inclusão de jovens de minorias étnicas locais (particularmente turcos, espanhóis e africanos) funcionou como um cocktail de primeira elevando, profundamente, o nivel médio qualitativo das equipas de uma liga que preferiu, contra toda a expectativa, manter-se com 18 clubes. Uma aposta que - aliada à pausa de Inverno, sabiamente administrada com uma organização de calendário exemplar - reforçou ainda mais a competitividade do torneio. Ano após ano o nível subiu e a Europa deixou de poder ignorar a profunda mutação do futebol alemão.

 

 

 

Uma mudança profunda e que veio para ficar. Os muitos torneios juvenis ganhos por selecções e equipas alemães garantem um futuro promissor. A perda de algumas figuras mediáticas é constantemente contrabalançada com a chegada de outros nomes sonantes. As performances dos clubes alemães na Europa não enganam e a qualidade de jogo da Mannschafft só encontra rival no igualmente maturo futebol espanhol. Apesar das distâncias serem ainda significativas - e da Liga BBVA não estar a passar pela mesma crise que o calcio - será curioso ver até que ponto o futebol alemão pode aproximar-se ainda mais do topo europeu e disputar a hegemonia do velho continente a ingleses e espanhóis. Para um país dinâmico e competitivo por natureza, o céu é sempre o limite.



Miguel Lourenço Pereira às 10:12 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Quinta-feira, 11.11.10

Na época dourada do futebol alemão e das taças europeias conquistadas pelo Bayern Munchen do torpedo Muller e do kaiser Beckenbauer havia uma figura que brilhava por direito próprio numa constelação só sua. Gunter Netzer, profeta do futebol estético, foi a resposta germânica ao génio de Cruyff e um verdadeiro marechal do bom gosto na ponta dos pés.

Conta-se muitas vezes que um dia o Borussia Monchenlagdbach foi jogar ao Estádio Chamartin contra o poderoso Real Madrid. Os directivos do clube merengue tinham ouvido maravilhas de um tal Netzer, alemão alto e loiro, com um talento fora do normal. Na bancada presidencial tornavam-se os directivos ao lado do imponente Santiago Bernabeu para lhe dizerem maravilhas do homem que jogava com o número 4, o que tinha sido atribuido na ficha a Netzer. O presidente, que gostava pouco de conselhos alheios, no final do jogo virou-se para os dirigentes merengues e rematou a tarde com um "O vosso número 4 é uma boa merda mas quero contratar o tipo que joga com o 6, encantou-me". Era Netzer, com a camisola trocada. O seu talento, como o algodão, nunca enganou ninguém.

Para muitos, a quase quarenta anos de distância, o seu génio nunca teve comparação no futebol germânico. Nem Seeler, nem Walter, nem Muller, Rummenige, Mathaus ou o próprio Kaiser. Nenhum parecia ter o toque de classe que o organizador de jogo que deu o pontapé de saída à equipa mais exitosa do futebol alemão (que durante 12 anos só falhou a final de um torneio, a do Mundial de 78). Quando a guerra dava os seus últimos suspiros, o jovem Netzer nascia num dia de bombardeamentos em Monchenlagdbach. Viveu as agruras do pós-guerra e o fausto da reconstrução. Com 18 anos foi chamado à primeira equipa do F.C. Monchenlagdbach, onde chamou à atenção do grande clube da cidade, o Borussia. Com 20 anos era já titular absoluto na formação verde-negra do oeste da RFA. E muito cedo começou com os seus recitais de pura música clássica.

 

Chamado pela primeira vez à Mannschaft com 22 anos, em vésperas do Mundial de 66, o então jovem médio centro falhou a lista dos eleitos finais, preterido então por outra estrela em ascensão, Franz Beckenbauer. Alheio às disputas estelares tão do agrado do "kaiser", Netzer continuou a dar os seus festivais no relvado. Quatro anos depois fez história ao capitanear o Borussia ao primeiro titulo na Bundesliga. No ano seguinte repetiu o triunfo, no primeiro clube a vencer a prova sem derrotas. Numa equipa onde deambulavam génios como Jupp Heynckhes, Berti Vogts e Herbert Wiemer, Netzer encaixava como uma luva. A equipa orientada por Hennes Weisweiler era o reclame perfeito do futebol atractivo que inspirava a Europa. O rival estético do ascendente Ajax Amsterdam, os de Monchenlagdbach tiveram as provas europeias como assinatura pendente. Netzer, por outro lado, começava a ganhar o seu espaço no futebol alemão. Depois da ressaca do Mundial de 70 tornou-se na trave-mestra da equipa formada por Helmut Schon que dois anos depois venceria o primeiro Europeu de Futebol para os alemães. Melhor jogador do torneio, Netzer vencer pela primeira vez o prémio de Melhor Jogador Alemão (repetiria no ano seguinte), perdendo para Cruyff o Ballon D´Or da France Football (tal como sucederia um ano depois). Quando os problemas pessoais com o técnico Weisweiller se tornaram incontroláveis, o médio, pura e simplesmente, decidiu partir. Despediu-se com uma exibição épica saindo do banco, frente ao FC Koln, na final da Taça da Alemanha de 73 (2-1, com dois golos seus) e partiu para Madrid. Aí esperava-o um público desconfiado e um presidente autoritário que vivia o ocaso da sua grande carreira. Resposta do clube madrileño à contratação de Cruyff pelo Barcelona, num duelo estético e mediático que hoje se podia perfeitamente equiparar ao que existe entre Messi e Ronaldo, o médio tornou-se elemento nuclear na equipa merengue. Perdeu o primeiro titulo para os blaugrana, numa noite inesquecível do holandês, mas desforrou-se conseguindo os dois titulos seguintes numa equipa que já contava com Paul Breitner e que viria a receber outro alemão, Ule Stilike. Mas nenhum deles deixou tantas saudades como o marechal louro da chuteira de tamanho 47, tão estranho para os espanhóis que todo o seu calçado vinha importado da RFA.

Relegado pelo seu amigo Overath para um segundo plano no Mundial de 74, o génio alemão fartou-se da fria Madrid dos últimos suspiros do franquismo e quando acabou o contrato rejeitou a renovação e partiu para a tranquila Suiça onde rematou a carreira ao serviço do Grashoppers. Quando acabou a carreira pôs o seu talento ao serviço do Hamburg SV tornando-se no Director Desportivo responsável pelos três titulos e pela Taça dos Campeões ganhos pela equipa do Norte. Depois reciclou-se em comentador televisivo e cronista num dos principais diários germânicos. No papel, como no relvado, continua a destilar as suas memórias e pensamentos, relembrando os dias em que cirurgicamente decidia jogos, ligas e taças com a precisão de um marechal que não gostava de ganhar se não o fazia com um toque de classe.



Miguel Lourenço Pereira às 11:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 02.11.10

A vitória por 2-0 frente ao surpreendente Mainz confirma as grandes sensações dadas no arranque de época por um ressuscitado Borussia Dortmund. O campeão europeu de 1996 ainda está a anos-luz daquela fenomenal equipa orientada por Ottmar Hitzfeld, mas depois de ter descido aos abismos da crise financeira, é impactante ver a raiva que destila cada grito de golo no mágico Westfallenstadion. O Dortmund quer voltar a ser um grande.

A época passada já tinha aberto a perspectiva de um Dortmund renascido.

O conjunto histórico do Rhur superou as expectativas e logrou alcançar um posto europeu à frente de favoritos como Stuttgart, Hoffenheim ou Wolfsburg. Um regresso aos palcos europeus conquistado com um brilhante sprint final onde começou a ganhar forma a legião de jovens lobos que o técnico Jurgen Klopp preparou ao longo da época. Mario Gotze, Neven Subotic, Nuri Sahin, Matts Hummels, Kevin Grobkreutz, Sven Bender e Lucas Barrios começavam a encontrar o seu lugar na estratégia do flamante técnico germânico. O público entusiasta do Westfallenstadion voltou a rugir como antigamente. E os resultados apareceram.

O fantasma do final, que rondou o clube a mediados da década e que obrigou até à venda do estádio e do seu naming - hoje conhecido oficialmente como Signal Iduna Park - parece um pesadelo distante. A equipa joga bem, ganha e recupera a ilusão perdida. Aproveitando a onda de regeneração que vive a Bundesliga, Klopp aproveitou o exemplo da equipa nacional e lançou uma série de jovens promessas que começam a ser cada vez mais certezas. Sem dinheiro para gastar no mercado (o japonês Kagawa foi a única inclusão sonante), foi preciso usar a imaginação. E o futebol de formação. Daí surgiu o possante Gotze, o avançado da moda na liga germânica. Mas também a classe do genial Sahin, o jovem turco-germânico que muitos comparam já com Ozil (apesar de Nuri preferir actuar pela selecção otomana), e a rapidez de Grobkreutz. Repescado Hummels do Bayern Munchen e suficientemente amadurecidos os talentos de Subotic e Barrios e o cocktail de talentos ganha forma. E sentido.

 

O arranque de época do Borussia Dortmund tem superado a mais ambiciosas expectativas.

Relegado inicialmente para um segundo plano depois do espectacular começo do modestíssimo Mainz, a vitória no passado fim-de-semana sobre o conjunto liderado pelo jovem talento Lewis Holtby confirmou a superioridade dos amarelos. No estádio com melhor média de assistências do futebol europeu (superando inclusive Old Trafford ou o Camp Nou), a emoção está em alta. Um triunfo por 0-2 no terreno do rival mais directo pela liderança (os grandes nomes, este ano, estão bem mais longe), e com classe. Aos 25 minutos já Gotze tinha aberto a contagem. Aos 67 foi a vez do paraguaio Lucas Barrios, uma das revelações da época transacta, a fechar a contagem. A passe do inevitável Gotze está claro. Por essa altura já Weidenfeller tinha parado o frouxe penalty de Polanski e acabado com a frouxa reacção do até então lider. Pelo meio o jogo aberto e ofensivo de Klopp com Kagawa no apoio directo à dupla de dianteiros e com Bender e Sahin, a jovem dupla de moda, a pautar o ritmo do miolo. A velocidade fica a cargo de Grobkreutz, que deixou várias vezes em apuro a defesa do desastrado Bungert. Um 4-4-2 bastante móvel que está de moda na Bundesliga e que consagra Klopp como um dos treinadores do momento. O homem que perdeu nas duas últimas jornadas a possibilidade de devolver o Borussia à Champions League já afirmou várias vezes que há que ir passo a passo, relembrando o que sucedeu com o Wolfsburg ou o Sttuttgart, que pagaram bem caro o preço de tentar dar ums alto maior que as próprias pernas. Agora é esse o desafio máximo do clube do Rhur.

A liderança parece inquestionável e até que os favoritos decidam aplicar-se a fundo, com o Bayern Munchen à cabeça, a situação está totalmente sob controlo. Mas a equipa também milita na Europe League onde quer fazer boa figura, apesar do grupo complicado que o sorteio destinou aos germânicos. E há o receio do mercado de Inverno ser um verdadeiro pesadelo para uma equipa de jovens promessas mas ainda com buracos a tapar no orçamento. Muitas curvas no trajecto a precorrer até Maio, até ao suspiro final.

Sonhar com um regresso aos titulos não é impossível para a equipa de Klopp. O plantel é curto mas de qualidade e a explosão momentânea de várias das suas pérolas (o estado de forma de Gotze, Subotic e Bender é notável) tem ajudado a compensar as naturais debilidades do plantel, especialmente nas posições mais recuadas. Resta saber se o Dortmund tem estofo para aguentar a maratona até ao fim ou se o espantoso arranque acaba por se tornar em mais um passo seguro dado na dificil reestruturação de um gigante adormecido.  



Miguel Lourenço Pereira às 09:35 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Terça-feira, 19.10.10

O abelhudo micro da reporter da Sexta espanhola apanhou um avispado Cristiano Ronaldo farto das perguntas sobre a sua falta de pontaria. Chamou-lhe "la puta ansiedad". Um problema que a imprensa gosta de hiperbolizar ao extremo e que afecta, num momento ou outro, qualquer jogador que viva do golo. Uma crise goleadora que já deixou de afectar o português mas que grassa por meia Europa deixando vitimas ilustres pelo caminho...

David Villa fintou o problema da "ansiedade", reforçando a ideia de que ele, como qualquer goleador de top que se preza, vive com ela desde que tocou pela primeira vez na bola. E é a mais pura realidade. No mundo do futebol jogam 11 contra 11 mas só há dois modelos de jogadores com os focos constantemente em cima: o guardião e o goleador.

Uma relação intimamente ligada com a sua evidente productividade. Um médio centro pode perder bolas e compensar com recuperações. Os extremos podem baixar o volume de assistências e resolver o problema com golos. Os centrais podem falhar marcações mas emendar-se com cortes cirúrgicos. Os guarda-redes e os ponta-de-lanças. Não vivem com a opção. O guara-redes é o eterno bode espiatório das derrotas, o homem que raramente é alabado pelas suas defesas e que acaba facilmente crucificado pelos erros. E vive com isso, melhor ou pior. Já o avançado pode trabalhar para a equipa, e aliás, esse dianteiro corporativo ganhou popularidade nos últimos anos com os técnicos mais disciplinados, mas o adepto nunca o perdoará se passa por um daqueles periodos de seca angustiado, de pólvora molhada. De perda do instinto assassino que faz parte do seu ADN. Sem golos o avançado perde a chama. Ele perde a confiança, o técnico duvida, o público assobia e o defesa rival cresce. É uma equação de fácil resolução. Basta a bola entrar. Uma vez. Mas, primeiro que entre...

 

Cristiano Ronaldo viveu esse estigma no inicio do ano.

O Bota de Ouro 2007/2008 tardou vários meses - e milhões de remates disparatados depois - até encontrar-se com o golo. E agora é o Pichichi da Liga Espanhola (e o rei das assistências também) e o jogador mais em forma do campeonato do país vizinho. E no entanto, há poucas semanas, tinha de conviver com a "puta ansiedad". Um problema que a imprensa desportiva diária, na eterna busca pela sobrevivência/lucro, gosta de enfocar. Comparativas, estudos, análises, flashbacks. Tudo vale para despojar o dianteiro do seu orgulho até que a bola não rompe com a lógica e establece a tranquilidade do golo ao seu dono, o goleador.

Agora são outros os "ansiosos". Em Espanha, David Villa, tem de viver com o peso da sua chegada a um clube que arrancou a época de forma mais titubeante que se imaginava. Nem o goleador do ano passado, Leo Messi, nem David Villa parecem encontrados com o golo. O argentino está numa forma deficiente desde o Mundial. O espanhol, goleador do torneio e contratação mais cara do defeso estival, já marcou com a camisola blaugrana. Mas pouco, demasiado pouco. Contra o Valencia, a sua antiga equipa, tiveram de ser Iniesta e Puyol a salvar a honra do convento. Pela equipa espanhola, só de penalty, na Escócia, o dianteiro conseguiu marcar. Depois de dezenas de oportunidades clamorosas ao lado. O seu companheiro de selecção, a meias entre lesões e um clube em pleno estado comatoso, Fernando Torres, é outro caso se ânsia incontrolada. O seu treinador, Roy Hogdson, menos compreensivo que Guardiola ou Mourinho, já deu a receita ao desinspirado homem golo. Mas até a bola não entrar, as palavras servirão de pouco. E que dizer de Diego Milito, o Principe que Mourinho ergueu em San Siro e que agora vive à sombra do vazio. Não marca, não faz jogar, não ilusiona. Esfumou-se no espaço e no tempo. Edin Dzeko e Ivica Olic, promessas eslavas cumpridas da Bundesligas vivem também o seu divórcio com o "thor". Como os Gomis, Lisandro, Gervinho e companhia na Ligue 1. Ou o inefável Wayne Rooney, que há meio ano que não marca a não ser de penalty. A ansiedade é um virus internacional.

Como sempre as ondas vão e vêm e o mar segue igual. O goleador que não marca hoje inevitavelmente marcará amanhã. Se exceptuarmos os casos dos dianteiros pontuais, com um ano em alta, a maioria dos grandes avançados do futebol internacional vivem de altos e baixos. Épocas de grande productividade vão caminhando ao lado de épocas de longas secas goleadores. Mas é preciso vender, interessar o público, dividir para reinar. Falcao, Liedson e Cardozo deixaram de valer porque a bola deixou de entrar? Villa, Torres, Rooney, Milito e companhia já não fazem parte da elite? Ilusões vendidas em papel barato de baixo custo. O futebol vive a sua própria linguagem, e no campo não há espaço para a "puta ansiedade".



Miguel Lourenço Pereira às 10:46 | link do post | comentar

Terça-feira, 05.10.10

Nos principios do Reno emerge a beleza de Mainz, cidade fulcral na evolução histórica da Alemanha moderna e uma eterna desconhecida para o viajante distraído. Artisticamente célebre, politicamente fundamental, Mainz nunca foi um centro desportivo por excelência. Até que a lebre decidiu sair da toca num sprint imprevisível e entusiasmante. Alguém é capaz de lhe seguir o ritmo?

A história recente da Bundesliga há muito que parece fazer lembrar a fábula da lebre e da tartaruga.

Uma equipa surpresa, com quem ninguém conta, desponta num arranque espectacular para sagrar-se (ou quase) campeão de Inverno quando a liga pára para dar passo à neve, ao gelo e ao frio bem germânico. Mas no final, quando a Primavera vai lá no alto e o sol desponta antes e com mais força, lá surge a eterna tartaruga, nome seguro e consagrado, para arrebatar o troféu. Tem sido invariavelmente assim. Leverkusen e Hoffenheim foram as últimas lebres. Bayern Munchen e Wolfsburg as seguras e sábias tartarugas. À falta de sete meses para acabar o ano já se encontrou o casting perfeito para a primeira. Falta saber quem quer partilhar o titulo de cabeça de cartaz deste filme particular.

Em Mainz todos deliram com o arranque histórico da equipa. Histórico. São 7 vitórias nos primeiros 7 encontros, um registo único na vida cinquentenária da liga germânica. Registo logrado por um clube de uma cidade bela e mágica mas sem qualquer importância no universo fussball que domina a vida alemã. Um clube sem nenhum titulo nacional em 105 anos de história. Mas com uma geração que quer contornar os erros do passado. De nonos na passada época o FSV Mainz passou a lider indiscutivel daquela que é, cada vez mais, a terceira liga europeia.

Uma cavalgada heróica com várias vitimas de luxo pelo caminho. O vice-campeão europeu (1-2 em pleno Allianz), o Werder Bremen (0-2), o Wolfsburg (3-4), o Stuttgart (2-0)...Quase nada! 

 

Lewis Holtby, de quem já aqui falamos, é a estrela desta equipa de descartados.

Não é por acaso que o quinteto de luxo que tem mantido a equipa no topo, sem conhecer o sabor da derrota, é composto exclusivamente por jogadores emprestados por outros clubes. Equipa modesta de orçamento curto, o FSV Mainz soube montar um plantel equilibrado e muito, muito barato. Ao lado do extremo convertido em artesão central do jogo do Mainz, estão ainda Andreas Ivanschitz, internacional austriaco emprestado pelo Panatinaikhos, o igualmente austriaco Christian Fuchs (emprestado pelo Bochum), o avançado dinamarquês Morten Rasmussen (pertence ao Celtic Glasgow) e Malik Fathi, alemão dos quadros do Spartak Moscow. Seiva nova, mentalidade nova, resultados novos.

O técnico Thomas Tuchell, um jovem promissor de 37 anos que chegou das camadas jovens do Augsburg, em ainda uma base de trabalho sólida da regular época passada acente em Noveski (o seguro capitão), o nigeriano Haruna Babangida, a promessa hungara Adam Szalai e o checo Jan Simak. Um conjunto que vale pelo colectivo mas que aposta na frescura e arrojo de um ataque jovem e temerário.

18 golos marcados e 7 sofridos são um registo impressionante para um quinto da prova já decorrido. A equipa lidera a prova com mais três pontos que o segundo, o Borussia de Dortmund, e mais oito que o terceiro, o Hannover. Dos crónicos candidatos nem se fala. São 13 pontos de vantagem sobre as tartarugas do Bayern Munchen e Werder Bremen, 11 mais que o Wolfsburg e Hamburg e 9 mais que o Leverkusen. E quase todos eles com a licção aprendida do confronto directo com os O-Five, alcunha de guerra de uma equipa preparada para dar mil batalhas.

Um sprint de lebre demoníaco que estes pesos pesados terão dificuldade em acompanhar se não houver rapidamente uma mudança de tendência. De um lado e de outro.

A Bundesliga já nos ensinou que um rápido arranque nem sempre quer dizer que haverá final feliz. Mas a emoção e a surpresa que o jovem conjunto do sudoeste alemão deu a uma prova marcada pela queda abrupta dos favoritos (Schalke 04 e Stuttgart, por exemplo, são os últimos) e pelo espectáculo ofensivo de Holtby e companhia que antevêm uma luta sem quartel até ao final. A rapidez do contra-golpe, a frescura da visão de jogo e a falta de receio à frente das redes têm sido as chaves desta equação. Resta saber até quando as pernas da lebre aguentarão. Algum dia a tartaruga terá de perder.



Miguel Lourenço Pereira às 12:51 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 04.08.10

Joachin Low deu forma à recente revolução da Bundesliga na última convocatória mundialista alemã. Mas ainda ficaram muitos nomes de fora. Nomes para o futuro com impacto imediato. Timo Gebhart é um dos casos mais sérios de crescimento acelerado. Filho da genial geração jovem do 1860 Munchen, tem agora a eterna rival Estugarda á espera do seu toque mágico.

O jovem Gebhart cresceu em Memminguem, pequena e bela cidade da Baviera, mas nunca revelou essa eterna predilecção pelo gigante Bayern tão habitual nos jovens do sul da Alemanha. A sua familia, de origens mais humildes, sempre teve uma particular admiração pelo histórico 1860. E foi para aí que o jovem partiu, em 2007, quando cumpriu os 18 anos e decidiu dedicar-se exclusivamente ao futebol. O clube, então na Bundesliga 2, aprovou a sua contratação, depois de uma semana de provas onde o jovem travou amizade com uma série de jogadores que se revelaram a nata da formação do clube bávaro dos últimos anos, como os irmãos Sven e Lars Bender, Alexander Eberlein ou Florian Jungwirth.

Com esta equipa extremamente jovem, Gebhart começou a encontrar o seu espaço. Arrancou a época como extremo direito, mas a variação táctica de 4-3-3 para 4-2-3-1, deslocou-o para a posição de falso avançado. A sua finta em velocidade rapidamente transformou-se numa imagem de marca, até porque Gebhart não precisou de muito para se tornar presença assidua na selecção da Alemanha de sub-17 e sub-19, apesar de actuar na segunda divisão do futebol germânico. Aí coincidiu com vários colegas do 1860, mas também com outras promessas do futebol germânico Em 2008 sagrou-se campeão da Europa, marcando o golo decisivo na final. Um titulo que anunciava a revolução que se preparava nas entranhas do futebol alemão.

 

A sua primeira época no 1860 Munchen não teve o sucesso esperado. O clube bávaro falhou a promoção por muito pouco, resultado talvez da excessiva juventude dos jogadores chave do plantel. Gebhart sofreu a acusação dos adeptos de jogar demasiado para o espectáculo, perdendo aquele toque de efectividade que já se reconheciam a outros craques da sua geração.

Apesar das criticas, certas em alguns casos, Timo continuou a sua evolução natural. Já com o titulo de campeão europeu no bolso, surgiu na máxima força no arranque da época 2008/2009 e voltou a mostrar a sua melhor arma. De tal forma que na paragem de Inverno o jogador foi transferido para o Estugarda. Aí coincidiu directamente com Christian Trasch, Thomas Hitzpleberger e Sami Khedira no miolo de jogo dos bávaros e sob a batuta de Markus Babbel começou a sofrer uma transformação táctica em tudo semelhante ao que pudemos seguir este ano com Bastian Schweinsteiger. Passou da ala para o eixo central, melhorou o seu remate de meia distância e transformou-se num jogador ofensivo com forte vocação defensiva. Fez parte da equipa que cavalgou pela tabela até chegar ao segundo lugar e no ano seguinte o jovem internacional disputou o seu primeiro encontro oficial na Champions League. A chegada de Hleb, por empréstimo, e a definitiva afirmação do seu amigo Khedira como médio de contenção afastaram-no da equipa titular, mas com o final de época voltou a recuperar algum do protagonismo.

A saída de Khedira do clube alemão abrirá as portas da titularidade ao jovem Gebhart. A sua ascensão tem sido rápida e prodigiosa, faltando agora dar o salto final rumo à Mannschafft. Com esta politica desportiva tudo indica que o jovem médio tem tudo para se assumir como uma das referências do jogo ofensivo alemão na próxima década.

 



Miguel Lourenço Pereira às 09:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 25.05.10

O Em Jogo inaugura esta temporada o nosso particular Top 10.

 

Antes do arranque do Mundial - prova quem tem o condão de desfigurar uma época de dez longos meses - deixamo-vos a lista daqueles que foram, para o Em Jogo, os 10 Melhores Futebolistas a actuar na Europa na época 2009/2010. Uma escolha baseada nas exibições, na constância demonstrada ao longo da temporada e na evolução desportivo face à anterior época. Representantes das principais ligas do continente, figuras chave nas competições europeias, aqui está o nosso Top 10 2009/2010.

 

 

 

1. WESLEY SNEIJDER

 

Em Madrid acusavam-no de tudo e literalmente Jorge Valdano expulsou-o do clube. A pontapé.

360 dias depois Wesley Sneijder voltou a Madrid para coroar-se o Jogador do Ano. Foi uma longa época de um atleta de excelência que recuperou o seu melhor rosto, o do Ajax e da Orange que o levou a Madrid onde passou sempre ao lado dos grandes momentos. Eregido general por José Mourinho, a batuta assentou-lhe que nem uma luva e durante uma época, o médio teve a destreza para liderar as hostes sem um falho. Golos chave, com um pontapé canhão demolidor, e assistências primorosas como as do duelo com o Barcelona, Roma ou da própria final de Madrid. Rei dos últimos passes na prova rainha da Europa, jogador decisivo num Calcio sem fim, Sneijder pode finalmente sacar a espinha atravessada. Este ano ninguém jogou como ele. Por isso foi o melhor.

 

2. ARJEN ROBBEN

 

Durante os 90 minutos da final de Madrid viu-se, uma vez mais, o determinante que pode ser Arjen Robben.

Nessa noite acabou por não sê-lo, mas foi apenas um aparte numa larga época de sucessos de um jogador renascido das cinzas, depois de dois anos sofridos em Madrid. Pelo lado direito ganhou a época, graças às suas demoniacas diagonais. Letal nas bolas paradas, eficaz no remate, determinante nas assistências, o extremo holandês foi uma das grandes noticias do ano voltando a exibir-se como na sua primeira etapa em Stanford Bridge. Enquanto o Mundial espera por ele em Munique já sabem que para o ano podem voltar a sonhar. As bases estão montadas e Robben não vai a nenhum sitio.

 

3. XAVI HERNANDEZ

 

Um ano mais o Barcelona voltou a dominar qualquer ranking de equipa mais admirada. Apesar de ser uma versão menos espectacular da que vimos na época passada, o conjunto culé ganhou em eficácia, o que perdeu em espectáculo. E tudo sob a batuta do mesmo maestro.

Xavi Hernandez continua a puxar dos galões de melhor jogador do Mundo. Foi o rei das assistências do super-Barça, sendo o principal responsável pela notável época goleadora de Messi ou pela explosão do jovem Pedro Rodriguez. Perdeu o seu parceiro perfeito, Iniesta, e teve de trabalhar mais na arrumação defensiva do meio-campo. Mas foi exemplar. Basta ver que em Madrid, no duelo do titulo, sairam dos seus pés as duas assistências para golo. Só parando o número 6 logrou o Inter controlar o carrousell ofensivo dos blaugrana e agora levanta-se a expectativa sob o que se pode esperar no próximo Mundial do jogador que foi eleito o MVP do último Europeu. Tarde ou cedo o Mundo entenderá a classe de jogador que é o cerebro do Camp Nou.

 

4. WAYNE ROONEY

 

Não é dificil perceber que o Manchester United perdeu dois titulos num só segundo. Quando Rooney, então o jogador mais em forma do futebol europeu, se lesionou no confronto da primeira mão com o Bayer Munchen, a época dos Red Devils entrou em suspenso. Haveria sempre um antes e um depois da lesão no tornozelo do avançado inglês.

Por essas alturas Rooney era o jogador de moda. Liderava a corrida pela Bota de Ouro, liderava a equipa que se preparava para um histórico Tetra e tinha tudo para sonhar com o titulo europeu. Nesse instante perdeu tudo mas é impossível esquecer a sua época fabulosa. No primeiro ano sem o seu amigo Ronaldo ao lado, Rooney explodiu literalmente. Com golos, com assistências (ele que voltou ao centro do ataque) e com a raça que o caracterizou desde os primeiros dias no Everton. No mundo dos "ses" tinha tudo para ser o Jogador do Ano, mas o futebol não perdoa.

 

5. CRISTIANO RONALDO

 

Depois de seis anos em Inglaterra o extremo madeirense tornou-se no jogador mais caro de sempre e mudou-se, de malas e bagagens, para Madrid. Cristiano Ronaldo fez valer, centimo por centimo, os 100 milhões que o clube merengue pagou pelo seu passe.

Não fosse uma larga e inoportuna lesão e ninguém sabe realmente se o impacto teria sido maior. Mas em campo, o novo CR9 foi imparável. Apontou 26 golos na Liga espanhola e sete mais na Champions League - a sua segunda melhor marca goleadora de sempre - e rapidamente tornou-se no lider em campo (e no balneário) do exército desalmado de Madrid. Fica marcado pelo ano em branco da sua equipa e talvez no próximo ano acabe com uma racha de três épocas sucessivas a disputar os mais importantes prémios individuais, mas ninguém pode questionar que chegar e impor-se de esta forma a uma liga estrangeira é algo ao alcance de muito poucos. Um clube onde Ronaldo entrou sem ter de pedir licença.

 

6. LIONEL MESSI

 

Não é fácil a alguém que ganha tudo superar-se. Mas Lionel Messi logrou-o.

O extremo argentino é forçosamente um dos nomes próprios da época. Bota de Ouro com 34 golos, a sua melhor cifra de sempre, Messi foi o espelho mais evidente da transformação táctica que sofreu o Barcelona, no segundo ano de Guardiola. Abandonou a posição de extremo direito, onde brilhou na época passada, e passou a deambular pelo meio do terreno de jogo. Um processo em tudo igual ao de Cristiano Ronaldo na sua última etapa em Old Trafford e que lhe permitiu, como ao português, marcar mais e entrar na construção do jogo ofensivo desde o coração da equipa. Golos, assistências e atitude, foram as palavras-chave do ano de Leo, consagrado pela imprensa como o melhor do Mundo. Apesar do estéril debate sobre a eternidade, é mais do que certo que o jovem de 22 anos está aí para ficar durante muito tempo.

 

7. DIEGO MILITO

 

Aos 30 anos, Milão teve direito ao "seu" Diego.

Um goleador que nunca teve nada de precoce e fácil. Herói de Avellaneda, Diego Milito chegou a Genoa no pior momento da história do clube. Marcou mas não chegou e, face à despromoção dos genoveses, emigrou para Espanha apenas para reviver o mesmo drama, no Zaragoza. Viagem de ida e volta a Génova com destino Milão. Foi mais eficaz num ano que Zlatan Ibrahimovic em três temporadas e ergue-se como o sniper perfeito para o exército de Mourinho. Marcou golos determinantes nos jogos chave. Numa semana fechou três titulos para o seu Inter com quatro golos. Em Madrid ergue-se como um avançado monumental, ganhando, quase sozinho, uma final inteira. No Mundial esperem pouco dele porque o outro "Diego" há muito que deu sinais de ter os seus favoritos. 

 

8. HUGO LLORIS

 

Desde que chegou a Lyon o jovem Hugo Lloris ainda não saboreou qualquer titulo. Algo anormal, tendo em conta que o clube francês tinha-se revelado, até há um ano, uma máquina de ganhar. No entanto o guardião não pode estar arrependido, especialmente depois do notável ano que acabou de cumprir. Melhor jogador da Ligue 1, um dos mais determinantes na última edição da Champions League, o guardião é hoje indubitavelmente um dos cinco melhores guarda-redes do planeta. Alto, ágil, rápido e certeiro nos timings, Lloris promete acabar com uma longa malapata de um país que nunca teve um guardião de elite. A sua imensa juventude só deixa adivinhar que o seu mandato será longo e que, tarde ou cedo, se desenrolará noutras paragens.

 

9. LUIS SUAREZ

 

É impressionante como este prodigío uruguaio tenha passado os últimos dois anos no Ajax Amsterdam quando meia Europa gasta milhões em jogadores com metade do seu calibre de jogo. Porque apontar 35 golos, mesmo na liga holandesa, é muito. Porque fazer 20 assistências, na mesma prova, também é muito. E porque Luis Suarez está chamado a ser uma das estrelas desta década.

Um ano pautado sem grandes titulos (apenas a vitória da Taça da Holanda) mas com uma qualidade de jogo incomunsurável e um espirito colectivo fora do vulgar num jovem de apenas 21 anos. O Mundial espera por ele (uma dupla Suarez-Forlan é sempre temivel), e será um crime se, no próximo ano, o pequeno grande génio esteja ainda no Amsterdam Arena. Os adeptos ajaccied vão agradecendo.

 

10. GERARD PIQUE

 

Há defesas que marcam décadas. Foi assim com Moore nos anos 60, Beckenbaeur nos anos 70 e Baresi nas décadas de 80 e 90. A próxima poderá ser, indubitavelmente, a década de Gerard Pique.

O jovem espanhol está no restricto lote de campeões do Mundo em anos consecutivos por dois clubes distintos (Man Utd e Barcelona), mas é no conjunto blaugrana que, finalmente, se erigiu como o lider defensivo número 1 do Mundo. Uma posição que acumula também na selecção espanhola, onde estamos mais habituados a concentrar-nos no trabalho dos pequenos génios do meio-campo. Pique encarna o espirito do defesa moderno. Implacável na marcação (Cristiano Ronaldo já o provou por várias vezes), excelente a sair com a bola sem perder posição, o central até já demonstrou ter dotes de goleador. Completo como poucos, este ano também foi seu!



Miguel Lourenço Pereira às 14:21 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 20.05.10

Um exercício futebolistico interessante seria pegar num qualquer jogo do Bayern Munchen versão Jurgen Klinsmann (o mesmo é dizer, versão 2009) e compará-lo com o novo rosto do conjunto bávaro sob a batuta de Louis van Gaal. O holandês renasceu das cinzas e soube montar uma equipa equilibrada, ofensiva e extremamente jovem. Um espelho do seu primeiro Ajax? Talvez. A história está de olhos neles.

 

Entre 1971 e 1976 o futebol europeu foi dominado por dois conjuntos. Ajax e Bayern Munchen repartiram entre si três Taças dos Campeões Europeus cada. Vinte anos depois ambos os clubes voltaram a vencer mais um trofeu, remando já contra a maré dos favoritos das grandes ligas do sul da Europa. No triunfo do Ajax esteve um homem, até então semi-desconhecido, que revolucionou uma equipa em combustão interna. O mesmo homem que agora pode desempatar esse jogo de quatro taças para cada. Mas desta feita ao mando do Bayern. Esse homem é Louis van Gaal.

O técnico que fez do AZ Alkmaar campeão cumpriu a sua penitência no deserto. Depois da sua Holanda ter falhado a qualificação para o Mundial de 2002, passou de estrela do futebol europeu a proscrito. Antes o seu Barcelona tinha dominado em Espanha com um jogo ofensivo, mas sempre falhando nas grandes noites europeias. Um Barça aliás, onde se encontrou com Mourinho, que estava de saída com Robson, e onde lançou a fornada que hoje é o esqueleto da equipa que maravilha a Europa. Mas poucos se lembram desses pequenos detalhes.

Van Gaal montou neste seu Bayern uma equipa que se assemelha em muito ao seu primeiro Ajax, um conjunto que venceu três Eredevise, uma Taça UEFA, uma Champions (disputando a final de outra). Equipa jovem, virada para o ataque e pautada de ligeiros equilibrios. Quinze anos depois dessa noite mágica, o técnico volta a uma final em busca do Tri mais sonhado em Munique. O que emula o feito do Barça do ano passado. E ninguém tem dúvidas, em Van Gaal pode-se confiar.

 

Ao chegar ao novo Olympiastadion com nome de seguradora o técnico encontrou uma equipa envelhecida e sem chama.

Demorou meio ano a mudá-la. Naquela noite de glória em Turim, com uma vitória por 5-1 que dava, in extremis, a classificação para os Oitavos de Final da prova, o técnico apresentou definitivamente o seu novo Bayern.

Butt herdou o posto do instável Rensing. Lahm voltou a ser o lateral mais desiquilibrante do futebol europeu e no lado oposto, tanto o adaptado Badstuber como a surpresa Contento, provaram o olho clinico que tem o holandês para os mais novos. Foram quatro os que lançou na equipa base ao longo do ano. Mas como não é Guardiola e o Bayern não é o Barcelona, ninguém se lembra desses pequenos grandes detalhes.

Dispensou Lucio, com quem agora se enfrenta, e apostou na solidez de van Buyten e Demichelis, centrais menos de choque e com mais futebol nos pés. À frente colocou um tampão cerebral, van Bommel num notável final de época, que lhe começa a dar o toque holandês distinto de todas as suas equipas. Um papel que herda do Davids do Ajax e do próprio Guardiola, nos seus últimos anos em Barcelona. Sempre elementos chave na estratégia de jogo de van Gaal. À frente, um verdadeiro carroussel de ataque. Schweinsteiger faz o papel do desastibilizador, Tymoshuck e Altintop trazem equilibrio, Muller a audácia, Olic o faro de golo. E depois há Arjen Robben. O nome próprio desta equipa, a encarnação do modelo de jogo de Van Gaal, como o foi, em certa medida, também de Mourinho.

 

Na ausência de Ribery (em espirito o jogador passou o ano perdido no limbo), o holandês descartado pelo Real Madrid tornou-se, quatro anos depois, num dos melhores jogadores do Planeta Futebol.

Colocado na direita, perito em diagonais rumo ao golo, Robben foi peça-chave na campanha do clube alemão. Destroçou o Man Utd em Old Trafford, fez o mesmo com o Lyon e agora terá pela frente o duro Zanetti e a defesa que travou Messi. O estado de forma de Robben é sublime e será, certamente, o grande cabeça de cartaz individual da final. Mas sabe que não joga sozinho. E que tem uma orquestra à sua medida.

O grande mérito de van Gaal foi redistribuir prioridades. Olic no lugar de Klose e Toni (com Gomez no banco), o jovem Thomas Muller como pivot de ataque no meio, e as alas bem abertas num 4-2-4 que se transforma rapidamente em 4-2-3-1. Um modelo em tudo similar ao do Inter mas que no campo se apresenta de uma forma bem distinta. Procura o controlo de jogo mas com a bola nos pés. Reduz e aumenta a velocidade para alargar e encortar o terreno de jogo a um grito do seu general. Um homem que definiu uma nova forma de jogar no Allianz Arena, um estádio que há muitos anos não via futebol de tamanha qualidade.

 

 

Ao contrário da equipa campeã em 2001 e finalista em 1999, este Bayern afirma-se como uma máquina de ataque como só Muller, Beckenbeur e companhia souberam emular. A história está de olho nele. E neles também. Um dos clubes com mais finais perdidas contra um homem que não sabe como perder. As Parcas esperam que o fio termine de tecer para ditar a sua sentença.



Miguel Lourenço Pereira às 11:14 | link do post | comentar

Domingo, 09.05.10

Louis van Gaal demorou algumas semanas em olear a sua equipa. Mas foi suficiente para criar um novo Bayern campeão. Presença indiscutivel no onze do ano de vários dos seus jogadores, incluindo o MVP do ano, o holandês Arjen Robben. Destaque igualmente para a juventude de um campeonato rejuvenescido que já recuperou muito do prestigio perdido ao largo da última década.

 

 

Rene Adler

(Bayer Leverkusen)

 

É sem dúvida o melhor guardião alemão da actualidade e será uma baixa de vulto no Mundial. Foi um dos artifices da notável primeira volta do Leverkusen, equipa campeã de Inverno, e a sua lesão acabou por contribuir para o pobre final de época do conjunto de Heynckhes, que os atirou para fora da Champions League. Jovem, tem uma imensa margem de progressão.

 

Philip Lahm

(Bayern Munchen)

 

Continua a ser um dos laterais mais desiquilibrantes do Mundo. Tanto pela esquerda, como pela direita, Lahm é um perigo constante. Rápido nas subidas, certo nas marcações defensivas, a época de Lahm foi um constante vai e vem no carroussel ofensivo montado por van Gaal. Um jogador fulcral na estratégia do campeão.

 

Peer Meertzacker

(Werder Bremen)

 

Continua a confirmar-se como um dos mais eficazes centrais alemães da actualidade e a sua mais do que provável titularidade no Mundial é um sinal de garantia para Low. Alto, rápido a sair com a bola, Meertezacker foi um dos melhores jogadores do sector defensivo da equipa de Schaff, sempre balançada para o ataque. Também por isso o seu trabalho merece um destaque especial.

 

Heiko Weesterman

(Schalke 04)

 

Na equipa certa, sem entusiasmar, de Felix Magath, não é dificil perceber a importância que tem o sector defensivo. Weesterman foi o eixo fulcral da defesa do Schalke 04, a única equipa que aguentou o pulso do Bayern Munchen na corrida pelo título até aos momentos finais. A derrota em Bremen pode ter custado um título que seria histórico, mas Weesterman lembrar-se-á sempre desta época pelos melhores motivos.

 

Jerome Boateng

(Hamburg SV)

 

Provavelmente uma das mais sonantes revelações do ano nas ligas europeias. O jovem Boateng (junto com o igualmente imberbe Agogo) foi um verdadeiro click revolucionário na defesa do Hamburg SV. O técnico Bruno Labbadia confiou no jovem e Boateng não desiludiu, garantindo que grande parte do futuro da defesa da Mannschaft passa pelos seus pés. Apesar do descalabro final da época do clube do norte, Boateng foi uma das figuras da Bundesliga por direito próprio.

 

Mezut Ozil

(Werder Bremen)

 

Continua a ser o pensador por excelência do futebol germânico. Passou o ano da revelação e chegou a maturidade. Sem Diego ao lado, Ozil foi ele mesmo. Solto, rápido a pensar, decisivo em vários jogos. Pegou na equipa do Werder Bremen quando mais era necessário e foi escalando postos na tabela classificativa até chegar à luta pela Champions League. Um exercicio de maturidade espantoso num médio tão jovem.

 

Thomas Muller

(Bayern Munchen)

 

A revelação da época. O novo "bombardeiro" tem pouco a ver com o outro Muller que encandilou Munique, mas a rapidez e destreza do jovem Thomas tem de ser levada muito a sério. Irrompeu do nada no onze de van Gaal e nunca mais deixou de ser opção. Como falso ponta-de-lança ou até mesmo com médio mais avançado, Muller ganha no duelo fisico e táctico a jogadores com muito mais experiência. Um autêntico quebra-cabeças daquele que é o mais claro sucessor de Michael Ballack.

 

Marko Marin

(Werder Bremen)

 

No jovem Bremen todas as atenções estão voltadas para Mezut Ozil. Mas o génio de Marko Marin não deve ser ignorado. O rápido extremo é um relâmpago pelo lado esquerdo, uma flecha pelo lado direito, e uma autêntica caçadeira diante do golo. Foi um dos elos fulcrais na época do clube do norte, suprindo muitas vezes as noites desinspiradas do duo ofensivo Almeida-Pizarro.

 

Arjen Robben

(Bayern Munchen)

 

Não é que tenha sido o melhor jogador de toda a Bundesliga. É que Arjen Robben foi, este ano, provavelmente o melhor jogador de todas as ligas europeias. Uma época assombrosa, como só nos recordamos do seu primeiro ano em Stanford Bridge. O holandês encontrou no seu técnico compatriota uma alma gémea. Colocado no lado direito, para explorar o seu espantoso remate de meia distância, Robben dizimou todas as defesas da Alemanha e relegou para um segundo plano a estrela da companhia, o francês Ribery. Uma temporada a todos os titulos notável, onde as lesões apareceram pouco e a magia foi uma verdadeira constante.

 

Edin Dzeko

(Wolfsburg)

 

Com o seu parceiro de ataque, Grafite, num ano não, o bósnio Dzeko confirmou todas as boas sensações dadas na época passada e conquistou o seu primeiro prémio de melhor marcador da Bundesliga, com 22 golos. Uma época de altos e baixos, tal como a época do próprio Wolfsburg, que acaba o ano fora da Europa, mas que não deixaram margens para dúvidas sobre a eficácia goleadora de um dos nomes mais cobiçados do mercado europeu.

 

Stefan Kiesling

(Bayer Leverkusen)

 

Por um mero golo o titulo de melhor marcador teria sido justamente entregue a Kiesling. O jovem dianteiro que finalmente ultrapassou os criticos que dele diziam não ser avançado para a poderosa Mannschaftt. De grande promessa alemã, durante alguns anos na penumbra da fome de golos, Kiesling finalmente deu o salto para o estatuto de killer de plenos direitos. Um dos rostos mais alegres do Bayer Leverkusen, foi um dos avançados mais em forma das ligas europeias ao longo de toda a época.

 

Louis van Gaal

(Bayern Munchen)

 

Uma opção inevitável de um homem que revolucionou o estilo de jogo do eterno calculista Bayern Munchen. Demorou a van Gaal tomar as medidas para formar um onze à sua imagem e semelhança. Foi preciso limpar o balneário, recuperar jogadores esquecidos e lançar vários desconhecidos. Mas encontrou a fórmula. E a partir daí montou um onze alegre, ofensivo e tremendamente eficaz. Foi uma das equipas mais em forma da Europa e mereceu chegar a Madrid. E reconquistar a competição que é cada vez mais "sua" também!



Miguel Lourenço Pereira às 21:19 | link do post | comentar | ver comentários (2)

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Fundamental.
EnfoKada
Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


FUTEBOL MAGAZINE. revista de futebol online


Futebol Magazine


Traductor


Ultimas Actualizações

O Onze de 2013

La Liga vs Bundesliga, o ...

As grandes ligas europeia...

Guardiola fecha o ciclo p...

ter Stegen, a muralha de ...

Bundesliga 2011/12 - O va...

Em Jogo - Análise às liga...

Champions League 2011/12 ...

O improvável bicampeonato...

O pássaro holandês

Últimos Comentários
Thank you for some other informative web site. Whe...
Só espero que os Merengues consigam levar a melhor...
O Universo do Desporto é um projeto com quase cinc...
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
Posts mais comentados
Arquivo
.Do Autor
Cinema
.Blogs Portugueses
4-4-2
A Outra Visão
Açores e o Futebol
Duplo Pivot
Foot in My Heart
Futebol Finance
Futebol Portugal
Lateral Esquerdo
Leoninamente
Minuto Zero
Negócios do Futebol
Pitons em Riste
Porta 19
Portistas de Bancada
Reflexão Portista
TreinadorFutebol
.Blogs Internacionais
Os mais destacados blogs internacionais de futebol
.Imprensa Desportiva
Edições Online Imprensa
Aviso

Podem participar nesta tertúlia futebolistíca enviando os vossos comentários e sugestões à direcção de correio electrónico: Miguel.Lourenco.Pereira@gmail.com


Bem Vindos a Em Jogo...


Nota



O Em Jogo informa os leitores que as fotos publicadas não são da autoria do weblog sendo que os seus respectivos direitos pertencem aos seus legítimos autores.



Siga o Em Jogo através do:

Follow Em_Jogo on Twitter


Em Jogo

Crea tu insignia

Bem vindo!

Categorias

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO