Sábado, 22.03.14

A temporada arranca para o seu final. A margem de erro é cada vez menor. As facas vão-se afiando. Em Barcelona todos esperam um passo em falso. A memória, inebriada pelo sucesso, é curta. O trabalho de Gerardo Martino tem estado à altura das expectativas. O técnico argentino tem sabido conjugar a herança de uma das melhores equipas da história com a sua visão particular. Encostado à parede pelos seus, o Tata merece o elogio que alguns se resistem a dar. Talvez esperem pelos resultados para ditar a sua sentença.

Pep Guardiola é uma sombra imensa.

Candidato natural a essa lista impossível de fazer com algum sentido de "melhor treinador da história", Pep é tudo em Barcelona. É o Jesus Cristo da religião blaugrana, o homem do antes e o semi-deus do depois. A sua saída provocou um caos emocional na mente do adepto habituado a um período de euforia constante. Poucas equipas na história do futebol conseguiram o que o Pep Team logrou. Muito para lá dos triunfos (e foram tantos), ficou o padrão de jogo. Ficou o engenho de um rookie em conjugar uma ideia ancestral, desenvolvida nas margens do Danúbio e nos canais de Amesterdão, com uma geração de estrelas. Dois anos antes de Guardiola chegar ao banco do Camp Nou o Barcelona tinha sido campeão europeu pela primeira vez em catorze anos. Mas tão depressa subiram aos céus como baixaram aos infernos. O génio de Guardiola esteve em entender que a esmagadora maioria dos jogadores dessa equipa estavam a ser castigados pelos erros de poucos. E que havia um pequeno extremo com alma de assassino de área à espera que alguém lhe tirasse a venda dos olhos. Pep fez do difícil fácil. Voltou ao básico, simplificou parâmetros, redescobriu sensações únicas. Fez do pressing de Sacchi a sua bíblia e modernizou o jogo de extremos condenado pelo asfixiamento táctico do corredor central. Apostou em anónimos, confiou em estrelas, entregou a batuta aos seus sucessores ideológicos em campo e sentou-se a apreciar a sua obra de arte. Não haverá outro como ele. A sua saída, precipitada tanto pelo seu desgaste das guerras psicológicas com Mourinho para as quais não tinha paciência e vontade como pelos problemas internos num clube autodestrutivo, abriu um vazio. Vilanova levou a equipa ao titulo mas também abriu as primeiras brechas. Apesar de ter sido sempre parceiro de aventuras com Guardiola, a sua visão táctica era bastante diferente do modelo mais arrojado de Pep.

Com Vilanova o Barcelona afunilou o seu jogo numa reprise do 4-2-2-2 brasileiro de 82, em que Pedro ou Alexis se juntavam a Messi na frente, escudados por Cesc e Iniesta, com Xavi cada vez mais distante da área e próximo de Busquets. A explosão de energia de Jordi Alba pela esquerda, em tudo parecida à de Dani Alves nos inícios do Pep Team, deram profundidade à equipa mas a formação perdeu importância e só uma serie de resultados pela mínima salvaram o Barcelona de um arranque tremido. Isso e o insaciável apetite goleador de Messi, recordista absoluto de golos num ano natural. Quando Vilanova teve de voltar a Nova Iorque, para vencer a sua particular guerra contra o cancro, o desnorte táctico ficou evidente. Os jogadores - que os mais críticos a Guardiola diziam saber gerir o jogo sós - perderam motivação e orientação. A vantagem conquistada na liga frente a um Madrid em guerra civil foi suficiente para assegurar o titulo mas as derrotas na Copa del Rey e na Champions League deixavam em evidência as decisões de Vilanova. O Barcelona tinha de se reinventar sem abdicar da sua herança histórica. Uma tarefa dificil para qualquer um. Uma tarefa da qual se ocupou um homem desconhecido no futebol europeu.

 

Na Argentina há poucos treinadores tão respeitados como Martino.

Candidato inevitável a suceder a Alejandro Sabella como seleccionador, é um homem que não gera paixões mas que também tem poucos críticos. O seu trabalho com a selecção do Paraguai foi aplaudido com uma boa dose de reconhecimento de uma dose curiosa de génio e audácia. Campeão do país das pampas com o Newell´s, Martino era a escolha mais improvável para suceder a Villanova. Talvez porque a pré-época já ia avançada. Talvez porque a família Messi - sobretudo Jorge, o polémico pai do jogador - pertence ao seu núcleo de amizades desde há largos anos. A verdade é que Martino foi escolhido para o lugar mais cobiçado do mundo do futebol trazendo consigo do outro lado do charco uma versão alternativa do que em Barcelona consideram o santo e senha do futebol. Treinador que reconhece a importância fundamental do futebol de toque e posse, o Tata é também um pragmático. Um treinador que sabe que há muitos caminhos para encontrar o golo e que nenhuma fórmula é má suficiente para não ser tentada se a situação o exige. Uma dose de pragmatismo depois de cinco anos de euforia emocional era algo para o qual os adeptos e jornalistas da imprensa catalã não estavam preparados. Sem abdicar da filosofia Barça, os onzes compostos por Martino eram mais humanos, lógicos e racionais. Sem medo de manter um pulso com as estrelas do balneário, Martino conseguiu gerir um plantel com um claro overbooking ofensivo. Tem sabido integrar Neymar às exigências do jogo europeu sem pressas. Recuperou o melhor Alexis Sanchez depois de dois anos cinzentos desde a sua chegada desde Itália. Com Fabregas - protagonista do modelo de Vilanova, um dos seus principais valedores - mantém uma relação de respeito e desconfiança de um jogador incapaz de dar um passo em frente e assumir o protagonismo que todos esperavam dele. Sobretudo, Martino sobreviveu a uma politica desportiva nefasta que o deixou sem centrais antes da época começar. E conseguiu manter a cabeça à tona da água quando Messi, um dos mais brutais jogadores da história, se lesionou durante largas semanas e deixou a equipa órfã do seu génio. Seis meses depois de aterrar na Europa, a Martino tinha-lhe passado de tudo. E tinha saído vivo de todos os confrontos. Mas a falta de compromisso ideológico com a ideia do "tiki-taka" e a sua visão tipicamente sul-americana do que significa vencer não fez os amigos que ás vezes contam em clubes como o Barcelona.

A vitória frente ao Real Madrid, o apuramento para a final da Copa del Rey e para os quartos-de-final da Champions League parecem insuficientes. Pela primeira vez em cinco anos, a equipa segue em terceiro lugar na liga. Amanhã defronta o Real Madrid no Bernabeu. Pode sair da capital a um ponto da liderança. Ou a sete e com o titulo cada vez mais distante. Ironicamente, Martino está a uma meia dúzia de jogos de vencer todos os troféus no seu ano de estreia com os blaugrana a perder quase tudo. Num clube que gosta de defender o valor das ideias, os títulos continuam a pesar demasiado. E poucos acreditam que, apesar do trabalho desenvolvido, o Tata Martino dure para lá de Junho.

 

Em ano de eleições, previsivelmente, Martino tem o destino traçado. Ele próprio parece cansado das intrigas e da histeria que se abateram sobre uma cidade e um clube órfãos de uma abordagem mais carnal e ao mesmo tempo etérea do banco do Barcelona. Apesar de somar alguns jogos distantes da memória luxuosa do Pep Team, o Barcelona de Martino é uma equipa mais incisiva, ofensiva e imaginativa que a de Vilanova. Mas como o título de campeão está cada vez mais distante e o técnico não saiu de La Masia, as vozes mais criticas já se fazem ouvir. O Barcelona terá de aprender a viver para lá da sombra do génio de Guardiola e da sua herança. Dificilmente encontrará outro homem que seja capaz de gerir tão bem com esse peso. Quando Martino voltar ao seu país natal, sentirão a sua falta. Será tarde demais!



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Quinta-feira, 06.03.14

A Juventus tem um dos melhores meio-campos do Mundo. É lider absoluta da Serie A. Não conseguiu passar da fase de grupos da Champions. O Napoli investiu no mercado como poucos. Tem o terceiro lugar ameaçado pela Fiorentina. Não conseguiu passar da fase de grupos da Champions. O AC Milan titubeou contra o Atlético de Madrid, o arranque brilhante da Roma fez-se pó e o Inter é uma incógnita. A Serie A continua a viver o seu particular karma.

Quando era pequeno apaixonei-me pela Premier League.

Adorava aqueles estádios clássicos, aqueles equipamentos berrantes (sim, foi essa época), os jogadores e aquele ambiente fantástico. Durante temporadas gravei todos os resumos de todos os jogos que passavam no saudoso Domingo Desportivo ou via satélite. Era a minha competição. Mas ao mesmo tempo sabia que não era a melhor. Que a nata do futebol mundial estava noutro lado. Em Itália. Apanhei os primeiros anos de ouro da Serie A, os de van Basten, Maradona, Zico, Laudrup, Mathaus, Klinsmann, Voeller, Elkjaer Larssen, Baggio ou Vialli. Nessa transição do final da década de oitenta aprendi a admirar respeitosamente o que a liga italiana era capaz de fazer. Não me tocava o coração como o futebol inglês mas à medida que ia crescendo, assumia que o Parma, a Lazio, a Fiore ou a Roma provavelmente eram melhores equipas que o Aston Villa, Newcastle, Blakckburn Rovers ou Tottenham. Para não falar dos gigantes europeus da altura. Durante quase vinte anos o Calcio foi a quintessência do futebol europeu. Espanha tinha o glamour do Clássico (e pouco mais). Inglaterra o velho espírito histórico do futebol em casa e uma liga renovada e atractiva depois dos anos negros do hooliganismo. França, Holanda e Alemanha eram produtos periféricos para um adolescente português que sabia mais do Campomaiorense do que do Karslruher. Mas Itália era outra coisa. O santa Graal.

Depois a borbulha estalou. O Dinheiro, sim, com D grande, deixou de jorrar por todos os lados. Os magnates abriram falência e levaram com eles o futebol, as estrelas, as bancadas cheias, os títulos de clubes. Levaram a magia artificial de vinte anos de prazer absoluto. Os casos de doping, corrupção desportiva e violência apenas deram o golpe de misericórdia a uma Serie A que já não era a mesma. Passaram mais de dez anos desde esses anos de ouro. E pouca coisa mudou.

 

Há poucos campeonatos europeus tão decididos como o italiano.

Falta ainda um terço de competição e ninguém é capaz de apostar contra a Juventus. Os que pensamos (eu também) que este era o ano da Roma tivemos de nos render à evidência. Os homens de Rudi Garcia jogam o melhor futebol do país, conseguiram um arranque histórico mas foram incapazes de aguentar o ritmo de um plantel com o dobro das opções e que conta com um dos melhores meio-campos do Mundo. Uma equipa que pode juntar o génio de Andrea Pirlo, a energia de Paul Pogba e a omnipresença de Arturo Vidal pode aspirar a tudo. Com esses três em campo todos os outros tornam-se quase irrelevantes, seja a brilhante linha defensiva liderada por Chiellini e Buffon ou o ataque onde Tevez e Llorente aprenderam, finalmente, a jogar juntos. A chegada do espectacular Osvaldo apenas contribuiu para aumentar o desequilíbrio na balança. Em contrapartida a Roma depende, ainda, muito de Totti. Um veteraníssimo que não desiste de lutar mas que tem as suas naturais limitações. Será uma época brilhante, a todos os títulos, para um projecto pequeno mas ambicioso. Mas pouco mais. Já o Napoli, depois de tanto dinheiro gasto, tem de ser ver com a sombra de uma bem organizada Fiorentina (Montella, a par de Garcia, é outra vez o treinador do ano) para ocupar esse último posto Champions. Há meia dúzia de anos os transalpinos tinham quatro equipas na grande prova de clubes europeus. Agora têm apenas três. Os resultados não mentem. A Juventus, num grupo claramente acessível, deixou-se ficar pelo caminho, ultrapassada pelo Galatasaray. O Napoli teve a desdita de cruzar-se com o Dortmund e o Arsenal no seu melhor momento do ano. São os grandes favoritos a vencer a Europa League, que se vai disputar em Turim. Mas sabe a pouco.

De todas as equipas italianas, só o suspeito AC Milan sobreviveu. Mas a duras penas, num grupo fraco e contra um rival como o Atlético de Madrid os rossoneri foram outra vez uma sombra do clube histórico que persegue o Real Madrid na luta pela liderança histórica do palmarés da Champions. Os grandes de Milão estão a pagar o preço da crise financeira como nenhum outro polo desportivo do país. Mas também não são os únicos. Projectos estáveis como o da Udinese, pequenos históricos como os clubes de Génova, o Parma, a Lazio ou o Cagliari sofrem para manter-se competitivos. Actualmente há mais espaço para a formação porque há menos dinheiro para gastar e isso pode ser um dos poucos pontos positivos desta crise. Mas é insuficiente. As bancadas continuam vazias, os jogos permanecem pouco atractivos para os espectadores que agora preferem seguir a Bundesliga ou a Ligue 1 em detrimento da Serie A. Da liderança à periferia em dez anos.

 

A hegemonia de uma Juventus cada vez mais forte contribuiu ainda mais para esta crise desportiva. Sem uma grande competição internacional para organizar nos próximos dez anos, não há um estimulo nacional para dar um murro na mesa. A renovação das lideranças nos históricos de Milão anunciam anos negros para os dois clubes e enquanto os melhores jogadores continuarem a preparar para mudar-se para ligas historicamente inferiores à italiana, a situação seguirá como está. O drama do Calcio parece não ter fim!

 


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Quinta-feira, 27.02.14

Pinto da Costa é um homem desorientado. O fracasso não é um conceito a que esteja habituado. Depois de mais de trinta anos, o presidente do FC Porto fez dos títulos e do reconhecimento global o seu cartão de visita. Mas o seu egotismo também tem as suas consequências. Para os adeptos dos Dragões a mais recente chama-se Paulo Fonseca. O presidente do clube tricampeão nacional criou um pequeno monstro e agora não sabe o que fazer com ele. Porque todos sabem que a origem de uma época de desnorte recai na mais temerária de todas as suas decisões.

Sempre incisivo com a imprensa, o mito Pinto da Costa forjou-se (também) com tiradas inesquecíveis para os jornalistas sedentos de sangue. Testemunhei em pessoa, trabalhando, como o presidente do FC Porto consegue ser criativo, perspicaz e incisivo com a imprensa. Mas no final do jogo com o Estoril, e a sua subsequente presença à porta do parking interior do estádio do Dragão, esse Pinto da Costa foi substituído por um ogre desorientado e ultrapassado pelas circunstâncias. Era a primeira derrota para o campeonato em casa dos Dragões em cinco anos. Mais um dos muitos recordes negativos estabelecidos esta temporada. Interrogado pelos jornalistas sobre o futuro do treinador, um dos inevitáveis responsáveis pela situação, ao presidente azul-e-branco faltou-lhe o jogo de cintura dos seus tempos áureos. Foi agressivo, mal-educado e ditatorial. Normalmente os grandes homens quando começam a ver o poder (ou a razão) a escapar-se-lhe das mãos transformam-se em algo parecido. E momentos como este são raros na carreira de Pinto da Costa.

Desde que assumiu a presidência do clube, em 1982, apenas por cinco vezes se viu perante esta situação. Nada mal. As duas primeiras soube resolve-las bem. Foram apostas arriscadas e pessoais que saíram mal. Tanto Quinito como o regresso de um sempre contestado Ivic não caíram bem com os adeptos e os jogadores. Duraram pouco. Para o lugar do primeiro, Pinto da Costa conseguiu resgatar Artur Jorge da sua primeira aventura por Paris. A equipa falhou o título nesse ano (apesar de estar só a um ponto da liderança no momento da troca) mas foi campeã no ano seguinte. Quatro anos depois, quando o bicampeão brasileiro Carlos Alberto Silva voltou ao Brasil, o líder dos dragões decidiu recuperar Ivic. O técnico jugoslavo esteve pouco tempo no cargo apesar de uma histórica vitória em Bremen (com uma equipa a jogar com cinco defesas). Bobby Robson, despedido pouco antes por Sousa Cintra enquanto liderava o campeonato, também não conquistou o título mas lançou as bases do Pentacampeonato. Foram dois erros graves sem grandes consequências pelo acerto e o timing na tomada de decisão presidencial. Mas também induziram o líder do FC Porto a crer na sua própria infalibilidade. E a política de riscos foi aumentando e com ela o desnorte.

 

O ponto critico no eterno mandato de Pinto da Costa aconteceu na era pós-Mourinho.

O próprio treinador sadino tinha sido uma correção de um erro inicial (previsível) chamado Octávio Machado. Mas quando o campeão europeu (e de tudo) partiu para Londres, ao presidente do FC Porto não se lhe ocorreu melhor ideia que contratar um italiano sem prestigio, experiência e flexibilidade para o cargo. O disparate Del Neri não sobreviveu à pré-época e o seu sucessor, Victor Fernandez (uma velha paixão) também não aguentou para lá do Natal. Numa espiral autodestrutiva o terceiro acto foi ainda pior. José Couceiro piorou os registos do seu antecessor e os dragões perderam o tricampeonato exclusivamente por culpa próprio. O mesmo é dizer, por consequência da megalomania de Pinto da Costa. Desde então o modelo manteve-se com um parêntesis - Jesualdo Ferreira - mais consequência das circunstâncias (o bater da porta de Co Adriaanse com a época a começar, do que por vontade própria. Tanto o holandês como, mais tarde, Villas-Boas, Vitor Pereira e Paulo Fonseca seguiram o mesmo padrão de treinadores quase desconhecidos, sem experiência e fáceis de controlar por uma direcção cada vez mais preocupada com realidades paralelas do jogo do que, propriamente, com uma filosofia de sucesso a médio prazo. O clube aumentou exponencialmente a sua faceta de emblema vendedor, reduziu ao mínimo os ciclos de treinadores e jogadores, sempre á procura do próximo negócio milionário. O sucesso desportivo deixou de ser a consequência de um bom trabalho feito para ser o oxigénio necessário para manter a escalada de gastos nesta corrida ao El Dorado. Ferido de morte pelas escutas do caso Apito Dourado, Pinto da Costa foi perdendo o fulgor de outrora, retirando-se estrategicamente para a sombra, delegando cada vez mais poder na tribo aduladora que o rodeava e se preparava para colher os despojos. O que antes era uma forte direcção pessoal escondeu-se atrás do manto sagrado da SAD e dos negócios e homens que circulavam à sua volta. Mas para manter essa espiral de contratações, valorizações e vendas era necessário manter a linha de treinadores que pedem pouco e agradecem muito porque, na prática, sabem que sem o clube não são ninguém. Com o dinheiro investido e a qualidade individual ao longo dos anos, um FC Porto liderado por um treinador de prestigio poderia ter ido muito mais longe de onde foi. Mas nas mãos de jovens turcos com vontade de agradar, o desnorte tornou-se inevitável. E o maior desnorte possível chegou com Paulo Fonseca. Em quatro anos o antigo jogador do clube (por um par de jogos, para os mais esquecidos) passou da III Divisão para a Champions League. Rapidamente deu para perceber que era mais uma aposta de risco que saía mal. Corrigido a tempo, corria o risco de tornar-se numa anedota. Mas a Pinto da Costa faltou-lhe a sagacidade e força de outros momentos. Talvez "queimado" pelos seus erros anteriores, preferiu esperar. E à medida que o cenário ia piorando, o divórcio com os adeptos e jogadores confirmando-se, a inactividade do presidente parecia cada vez mais evidente. Paulo Fonseca poderá sair antes da época mas será sempre demasiado tarde. E se o erro na sua escolha podia ser o erro de qualquer um, mantê-lo no cargo durante oito longos meses vai contra todos os instintos de liderança de um presidente sem igual na história do futebol português.

 

Para os adeptos do FC Porto a situação de Paulo Fonseca é nova. Não pela evidente incapacidade do treinador em lidar com a situação e com o cargo. Não é o primeiro nem será o último treinador promissor a falhar o salto a um grande. Acontece em todos os lados. A situação é mais grave porque evidencia a evidente perda de liderança (e de qualidades de liderança) do homem em quem os adeptos sentiam que podiam confiar em todas as circunstâncias. E um sinal, evidente se fazia falta, que todos são finitos e que o futuro do FC Porto pós-Pinto da Costa tem tudo para ser similar ao que sofreu o Benfica e o Sporting no final das suas respectivas épocas douradas. Não será um final abrupto (ambos clubes tiveram quase uma década no topo, partilhando o sucesso com o seu sucessor, antes de cair) mas o ciclo histórico de quase três décadas que Pedroto idealizou e Pinto da Costa concretizou já esteve mais longe. O Império Romano caiu muito depois do seu fim efectivo. Paulo Fonseca, sem o saber, pode ser a primeira pedra num caminho de obstáculos para o futuro. O próximo defeso - e a soma de decisões do presidente dos dragões a vários níveis - poderá ser o mais importante da história moderna do clube que dominou como nenhum outro a história do futebol português.

 

 



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Quarta-feira, 19.02.14

O futebol não é um mundo estranho. É um espelho. Que nos reflecte a nós, os que dele bebemos com ânsias de emoção a partir de uma existência tranquila. Talvez por isso (também por isso) é impossível ser-se no futebol diferente do que se seria no quotidiano, não preto ou branco mas uma palete de constantes cinzas. Lamentavelmente o poder da opinião pública, a procura constantemente pelo maniqueísmo, levou para os campos os debates ideológicos do bem contra o mal esquecendo-se de que, quando falamos de Humanos, falamos de erros e enganos. Os que o negam rapidamente são apanhados na sua própria rede. São os fariseus do jogo.

Um penalty polémico. Um resultado para alguns, inesperado. Um triunfo por dois golos a zero que deixa praticamente sentenciada uma eliminatória que parecia mais equilibrada à primeira vista. O treinador derrotado, secamente, aproveita a conferência de imprensa para lavar as suas culpas, o seu esquema mais defensivo, especulativo, vitima desse eterno medo ao golo sofrido em casa que vale a dobrar. Culpa o árbitro. Cita teorias da conspiração. Critica a sua nacionalidade, como se houvesse árbitros de primeira e segunda de acordo com a sua competitividade. Talvez até se esqueça que ele próprio vem de um país periférico. Não faz mal. No final do seu discurso repleto de criticas contra a arbitragem diante dos membros da imprensa, provavelmente será punido pela UEFA. Falou demais. Falou sobre aquilo que os códigos de conduta da organização não permitem que se fale. E a história guardará o episódio.

Sem nomes, sem citações concretas de jogos, apenas pela lembrança popular, seria fácil associar o treinador em questão. Há uma corrente de opinião que demoniza os que exprimem a sua opinião sem tentar agradar a todos. Quem está no mundo do futebol quer ganhar. Pode querer algo mais, uma imortalidade que nem sempre a vitória concede, mas o apetite ganhador é o que forja os campeões. Mesmo que morram a tentar cumprir os seus objectivos. Para um treinador, a personagem mais solitária do universo milionário do futebol, as queixas são parte do trabalho. É uma forma de auto-defesa fácil e certeira. Desviar as atenções para fora enquanto se procuram solucionar os problemas dentro. É antiga. Helenio Herrera e Bill Shankly faziam-no nos anos sessenta a nível global, mas desde que o futebol é futebol sempre houve espaço nas crónicas para criticas aos árbitros, aos relvados, ao jogo violento ou ultra-defensivo dos rivais, à falta de atitude, a conspirações. Todos os treinadores passaram por essa porta. Uns mais do que outros. Uns de uma forma mais educada do que outros. Mas há aqueles que o assumem. E os que não. Os primeiros são demonizados, quando dão a cara. Os que utilizam essa ferramenta mais vezes ou de forma mais virulenta, transformam-se no alvo dos puristas, dos românticos (os mesmos, provavelmente, que têm o maravilhoso Red or Dead na sua lista de livros favoritos) que os acusam de sujar a imagem do jogo. Os segundos, alabados pelo seu fair-play, são canonizados no acto. São os que estão acima de qualquer suspeita, os que defendem outro modelo de jogo. Os que se distanciam moralmente dos primeiros para receber o coro de aplausos de quem os eleva às altura. Quando perdem, e todos perdem em algum momento, facilmente se esquecem do seu compromisso ideológico. E são possuídos pelo espírito do mal, o espírito dos demónios das salas de conferência. Esse é o momento em que os eleitos se transformam no que realmente são, fariseus.

 

O primeiro paragrafo do texto podia referir-se a José Mourinho.

Ao seu comportamento pouco edificante no final da meia-final da Champions League, em Abril de 2011, disputada entre o seu Real Madrid e o Barcelona no Santiago Bernabeu. Um jogo equilibrado tacticamente (com um Real Madrid de contenção defensiva frente a um Barça especulativo e paciente) até ao momento em que Pepe é expulso por agredir Dani Alves com uma entrada violenta sobre o joelho. Depois desse momento, com dez (e sem treinador no banco) o Real rendeu-se ao génio de Messi que resolveu o jogo com duas pinceladas de magia. Game over. No final, Mourinho proferiu mais um dos seus célebres discursos citando uma lista de árbitros e as suas "naturais" incompetências e suspeitas. Era uma arma habitual nele nos momentos de fragilidade. Ninguém esperava, sinceramente, outra coisa. Foi genuíno até ao fim. Autodestrutivo, injusto e oportunista (como poderão dizer os adeptos do Manchester United, Deportivo la Coruña ou do próprio Barcelona nas suas duas Champions conquistadas). Mas igual a si mesmo. Mas o mesmo paragrafo também podia referir-se a Manuel Pellegrini. Sim, ao profeta chileno do jogo bonito, dos treinadores silenciosos e pacíficos. Dos homens que nunca se queixam dos senhores do apito. Dos que acreditam que a competição é pura no seu estado natural e que o que se passa no campo deve ficar no campo. Dias antes do jogo contra o Barcelona - aproveitando uma sequência de dois jogos com o Chelsea - Pellegrini conversou amigavelmente com o prestigioso jornalista da Marca, Santiago Segurola. Segurola, amigo pessoal de Valdano, Guardiola, Raúl e Pellegrini, um quarteto nada inocente nisto das ideologias, foi um dos homens responsáveis por queimar a imagem pública de Mourinho desde a sua chegada ao Bernabeu. Estava no seu direito. É um cronista fabuloso e um dos jornalistas que melhor interpreta o futebol. Na sua entrevista, guiada até ao ponto inevitável da comparação estilística e ideológica, Segurola quis traçar a diferença entre Mourinho e Pellegrini nas formas. Conseguiu que este afirmasse, não sem pudor, que tudo aquilo que Mourinho (e os que se comportam como ele) representam o que ele não gosta no futebol. O que seria incapaz de fazer. Os mind games, as queixas arbitrais, as provocações. Tudo isso distrai do que vale a pena. Da "pelota", que nunca se mancha. Soou bem como quase sempre tudo o que Pellegrini diz soa. Mas ontem, no City of Manchester, o chileno transformou-se quando viu uma polémica decisão destroçar o seu próprio plano de contenção defensiva. Frente a um Barcelona que, como em 2011, foi muito superior, o City quis defender primeiro, aguentar depois e procurar levar o jogo para o Camp Nou. O mesmo esquema de Mourinho. No inicio da segunda parte, como em 2011, um erro posicional grave de Demichelis provocou um penalty e uma expulsão que Messi não desaproveitou. Alves marcou perto do fim o 2-0 e fechou praticamente a eliminatória. Como em 2011.

Pellegrini tinha razões para queixar-se. A falta sobre Messi é evidente (e a expulsão também) mas nas camaras percebe-se que é fora da área. Nas camaras. Em campo é impossível apreciar-se qualquer falta e a marcação do penalty tem toda a lógica do mundo. Poderia questionar-se se a jogada era válida, já que a recuperação de bola do Barcelona tinha chegado de uma falta prévia, de Busquets sobre Navas, segundos antes. Mas treinadores como Pellegrini não deviam falar destas coisas. Até que falam. E dizem exactamente o mesmo que os demónios de gabardine. Pep Guardiola, provavelmente o melhor treinador dos últimos vinte anos da história (decididamente o mais apaixonante de seguir) passou pelo mesmo processo de versão imaculada alimentada por uma imprensa sectária até ao momento em que as coisas correram mal. Depois de se ter queixado de um fora-de-jogo (no limite) na final perdida da Copa del Rey de 2011, na temporada seguinte, com o título já perdido, chegaram as suspeitas de que algo não estava bem no mundo arbitral. Como sucede com todos os treinadores - que são humanos, como tu e eu - a derrota traz o nosso lado mais obscuro à superfície. Ninguém está imune.

 

O caso de Pellegrini vs Mourinho tem sido utilizado este ano até à saciedade. Não só porque são os dois grandes rivais pela Premier como também porque o chileno foi despedido do Santiago Bernabeu para ter sido substituído pelo português. Foi para Málaga, um clube que Mourinho disse que nunca treinaria, levantando ondas de polémica sobre os pequenos injustiçados, segundo o próprio chileno. O mesmo que ontem disse que um árbitro sueco não tem validade por não estar habituado à exigência da alta competição. Talvez os argentinos pudessem ter pensado o mesmo de um treinador chileno, há alguns anos atrás. Mourinho já passou por esse caminho. Várias vezes. Consegue ser uma pessoa desprezível em muitos sentidos. A sua agressão a Tito Vilanova não pode ser esquecida. As suas provocações, muitas vezes, roçam o ditatorial. Não é flor que se cheire. Mas é sempre o mesmo. Pertence a esse grande colectivo de treinadores humanos, com falhas e acertos. Pellegrini era, até ontem, o profeta dos surreais, dos homens impolutos que não se deixam tocar mesmo quando lhe apertam o coração. A realidade, na vida como no futebol, é bastante mais complexa. Eriksson nunca se esquecerá de Pellegrini como Frisk se lembrará sempre de Mourinho. E nós, de este lado da vedação, saberemos sempre que nem tudo o que vem na capa dos jornais é certo!



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Quinta-feira, 13.02.14

Sempre que penso em Moeller-Nielsen penso em Portugal. Penso na esperança de um futuro, não melhor. Mais feliz. Depois de uma década com uma selecção maravilhosa, viciada nas derrotas inesperadas, os dinamarqueses encontraram em Møller Nielsen o antidoto para a depressão. Foram campeões da Europa e não se perguntaram como e porquê. Não fazia falta. Depois de uma geração dourada pode sempre haver ouro. É preciso é saber como encontrá-lo.

Lembro-me de cada jogo do Euro 92. Consumi o torneio até à exaustão possível.

Caderneta de cromos completa (para quem não se lembra, a caderneta incluía a Jugoslávia), vídeo sempre preparado para gravar jogos, resumos e uma bola esfarrapada, destinada a ser chutada da mesma forma que as estrelas golpeavam debaixo do estranho sol sueco o esférico oficial do torneio. Lembro-me de tudo e no entanto, lembro-me pouco da Dinamarca. A razão é simples e prosaica. Não eram uma equipa para recordar. Jogavam pelo seguro, com quatro defesas duros, cinco médios rápidos e correctos e Brian Laudrup, livre de ataduras tácticas, só na frente. Sim, Brian. Os que adoravam a ideia de um triunfo dinamarquês faziam-no, seguramente, porque tinham na retina a mítica Danish Dynamite. Os anos dourados de Elkjaer, Simonsen, Lerby, Molby, os irmãos Olsen...e Michael Laudrup. Mas o maior génio da história do futebol nórdico não estava lá. Tinha preferido ficar na praia onde o resto da equipa se preparava para descansar depois de uma dura temporada. A suspensão da Jugoslávia, acabada de entrar em guerra, abriu uma vaga surpreendente para os dinamarqueses. Laudrup, que não suportava os métodos de Moeller-Nielsen, preferiu retirar-se temporalmente. Já imaginava um destino similar ao dos torneios anteriores. Enganou-se. Sem ele (também porque jogavam sem ele) os dinamarqueses sobreviveram a uma fase de grupos soporífera com a pior versão de sempre das selecções inglesa e francesa numa competição oficial. Apuraram-se como segundos, atrás dos anfitriões, aguentaram a soberba holandesa até ao penalties e confiaram tudo às mãos gigantes de Peter Schmeichel. Quando os alemães deram conta, já tinham perdido uma final que a Dinamarca não podia ganhar. Mas que tinha ganho. Moeller-Nielsen, o homem que atirou o futebol dinamarquês vinte anos atrás no tempo, foi coroado rei de Copenhague. O mundo ao contrário.

 

Se alguém pergunta a um adepto de futebol neutral com algum conhecimento da história do jogo quem foi o treinador mais importante da história do futebol dinamarquês, a resposta sai fácil. Sepp Piontek, alemão de nascimento, pegou num país onde o futebol era um desporto quase amador e transformou-o numa das maiores potências do continente europeu. Durante dez anos a Danish Dynamite fez o mundo sonhar. Mas um dinamarquês poderá ter outra resposta na ponta da língua. Poderá dizer que, para eles, esse homem foi Richard Moeller-Nielsen. O que faz uma vitória.

Nielsen era um treinador cinzento, sem grande inspiração. Apostava, sobretudo, na organização táctica do sector defensivo como pedra de toque das suas equipas. Era um homem precavido. Defender primeiro, atacar depois e com o menor número de toques a ser possível. Era um dos seguidores da escola britânica que tinha conquistado a Escandinávia nos anos setenta, entrando pela Suécia e chegando rapidamente até aos vizinhos noruegueses e dinamarqueses. A sua etapa ao comando da selecção dinamarquesa provou ser o apogeu dessa corrente. Foi durante esses anos que a Noruega chegou a ocupar o primeiro posto do ranking FIFA, participando em dois Mundiais consecutivos. E que a Suécia, depois de três décadas cinzentas, chegou a duas meias-finais de competições internacionais. Era o renascimento do futebol nórdico a partir de um ideário táctico e emocional em tudo distinto ao que celebrizou os dinamarqueses dos anos oitenta. Mas compensava. Com dois títulos - o Euro 92 e a Taça das Confederações de 1995 - Moeller-Nielsen deu ao povo dinamarquês o que nunca tinham tido: sucesso. A "Geração Dourada" tinha ficado presa na nostalgia romântica dos anos 80. Eram bons, muito bons. Tinham o apoio dos adeptos neutrais internacionais. Mas não sabiam ganhar. De repente, uma geração repleta de ilustres desconhecidos, onde o jovem Laudrup, Kim Vilfort e Schmeichel eram as figuras de proa, aparece do nada e a partir da ordem, da organização defensiva e do trabalho colectivo começam a ganhar. Uma redenção emocional como houve poucas na história do futebol mundial. A eliminação na fase de qualificação para o Mundial de 1994 (uma derrota em Sevilha com a Espanha, a besta negra dos dinamarqueses) e um pobre Euro 96 (graças, a entre outros, a cabeça de Sá Pinto) acabaram com o reinado de Moeller-Nielsen. A sua carreira caiu em picado porque a sua fórmula era limitada, pouco inspiradora e estava datada. Com um ar mais ofensivo, com Laudrup de novo ao leme, os dinamarqueses realizaram um brilhante Mundial de 1998 e qualificaram-se para os quatro torneios seguintes. Mas o seu papel na história não pode ser esquecido. E serve de aviso. Principalmente para países como Portugal.

 

Eternos derrotados, os portugueses já sofreram o fim de três "Gerações de Ouro". Aconteceu no pós-66, no pós-86 e depois de 2006, quando ficou evidente que nem a união do melhor dos meninos de Riade e da Luz com o FC Porto de Mourinho e a aparição de Cristiano Ronaldo era suficiente para apagar as mágoas. Para muitos adeptos a sentença final estava dada. Se nem com esta equipa a selecção portuguesa vencia, nunca seria a hora. Mas talvez isso fosse o que pensavam os dinamarqueses. Antes de 1992, antes de Moeller-Nielsen. Ele é o exemplo perfeito de que um treinador sem chama nem brilho pode encontrar um atalho para o sucesso pelas vias mais inesperadas. Provavelmente, no futuro, ninguém se lembre dele em comparação com o romantismo da geração anterior. Mas no livro de história só há um selecionador dinamarquês campeão da Europa. E é ele. O homem que hoje nos deixou para sempre e cujo o legado será sempre analisado com a suspeita de quem não se lembra sequer de se o seu cromo aparecia na colecção oficial!



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Sábado, 01.02.14

Toca-a outra vez. Quando ninguém dava por eles, quando ninguém acreditava. Toca-a outra vez. Quando os bajitos estavam na lista de transferíveis e os "todocampistas" enchiam as capas de revistas. Toca-a outra vez. Com a moral pelo chão, com as angústias do passado ao virar da esquina. Toca-a outra vez viejo! Luis Aragonés reinventou o futebol espanhol misturando a sua herança histórica, que sacou das entranhas de um país farto de desilusões, com as melhores inovações tácticas da escola centro-europeia que aterraram no país. O elo perdido numa história de desencontros que se fez magia, uma noite em Viena.

Luis nunca esqueceu o tiro que Sepp não soube parar. O tiro perfeito. O livre indefensável que ia acabar com a hegemonia espanhola do Real Madrid na competição que os merengues diziam ser sua por direito divino. A bola entrou, os colchoneros celebraram. O título parecia seu. Cedo demais. Reina, mais entretido em fazer-se fotos do que em estar atento aos últimos lances do encontro, não soube parar o remate desesperado de Schwarzenbeck. Uma bola que nunca devia ter entrado. Mas que custou a Aragonés o título que lhe faltava no dia do seu adeus.

Esse foi o momento que talvez passou pela cabeça do Sabio de Hortaleza quando Torres e Lahm correram a disputar o mesmo esférico. Ao seu lado, no banco, o filho do seu velho amigo Reina susteve a respiração. El Niño foi mais rápido, mais ágil e mais eficaz. Desta vez os alemães teriam de ver como Aragonés, sobre todos os outros, levantava o troféu. Outra taça, certo, mas o seu ajuste de contas pessoal. Despedido antes da competição ter sequer arrancado, sabia que era outra forma de dizer adeus. Em Viena ninguém lhe estragaria a festa. A sua obra estava completa, a trajectória como jogador reivindicada como técnico. A história teria de memorizar o seu nome, quer quisesse quer não. Podia ir em paz.

Luis Aragonés foi o homem que redefiniu o Atlético de Madrid da era de Vicente Calderón. Como jogador e como treinador permitiu ao clube manter uma identidade emocional própria numa época em que o seu rival a norte de Madrid parecia invencível. Com as suas declarações polémicas, carácter indomável e espírito guerreiro, Luis uniu a paróquia à volta de uma ideia comum. A fortuna nunca lhe acompanhou como merecia nas suas sucessivas etapas no banco do Manzanares. Mas ninguém naquelas bancadas se esqueceu do seu contributo. A história do futebol, essa, lembrar-se-ia dele por uma invenção inesperada que roubou o coração do Mundo. Pela sua simplicidade, romantismo e honestidade. Um comentador desportivo chamou-lhe tiki-taka. Para Luis era apenas o velho espírito espanhol aliado com o que melhor holandeses e jugoslavos tinham trazido para o país através de treinadores como Michels, Cruyff, van Gaal, Boskov ou Miljanic. Um estilo de jogo que não abdicava dos princípios emocionais da "Fúria" mas que lhe dava critério, pausa e sabedoria. Um modelo que fazia da bola e não dos ídolos das bancadas, o protagonista principal. Aragonés podia suspeitar mas não saber que a sua invenção dominaria o mundo do futebol com uma frieza germânica. Tudo começou na sua cabeça.

 

A vida de Luis foi marcada por episódios conflitivos.

As declarações racistas sobre Henry como forma de motivar a Reyes. A exclusão dos pesos-pesados da era Clemente e Camacho da selecção, a começar pelo "intocável" Raúl Gonzalez. A sua crença absoluta nos "bajitos", jogadores que então eram desprezados pelos seus próprios adeptos. Enquanto o Camp Nou assobiava a Xavi Hernandez e a direcção pensava em vendê-lo ao AC Milan, o técnico fez dele a sua bússola. O pequeno Iniesta, que alguns pensavam que não tinha lugar no meio-campo catalão, foi o seu joker. Com eles chegaram também os Silva, os Cazorla, os Alonso e os Fabregas à selecção que ele insistiu de chamar de Roja. A sua senha de identidade, da mesma forma, dizia, que os brasileiros eram a canarinha e os argentinos a albiceleste. Sem conotações políticas. Aragonés tinha vivido a Transição e sabia que no seu tempo essa expressão estaria condenada. Com ele, e a sua teimosia, o país aprendeu a aceitar a palavra que definia o seu combinado nacional. O que não tinha medo de confiar o meio-campo a um brasileiro reconvertido. O que permitia a Sérgio Ramos as suas loucuras. O que decidiu ignorar as velhas guerras Madrid-Barça para forjar um selo de união que ainda hoje perdura, para lá de todas as tentativas da imprensa e de treinadores de quebrar o elo. Sobretudo, uma selecção que aprendeu a tocar a bola como nenhuma outra. Onde se jogava por valor e não por estatuto. Um esquema que começou a desenhar-se no Alemanha 2006 e que foi traído pelo último sopro de vida de Zidane. E que se fez mito nos campos austríacos que testemunharam como o futebol se decidia finalmente a ajustar contas com Espanha. Na meia-final, talvez o melhor jogo de toda a geração do tiki-taka, os ambiciosos e refrescantes russos foram atropelados por um vendaval de futebol de ataque. Organizado, coordenado, pensado. Mas ambicioso, vertical e letal. O fantasma dos quartos tinha ficado para trás e com ele todos os complexos. Em Viena, dias depois, os alemães não assustaram como antes provavelmente teriam feito. Espanha para conquistar a Europa aprendeu a conquistar-se a si mesma. Aprendeu com ele, o homem que não tinha nada a ganhar e nada a perder.

 

Depois da selecção veio a polémica. Alguma imprensa tentou ajustar contas com anos e anos de palavras secas, frases polémicas e decisões contestadas. O novo staff dirigente da selecção, capitaneado por Del Bosque, manteve-se respeitoso com o passado mas foi a pouco e pouco alterando o ADN impresso por Luis e Espanha tornou-se mais eficaz mas menos espectacular. Com esta nova abordagem veio o Mundial nunca ganho e o terceiro Europeu da história. Mas também uma certa aura de desencanto sentida pelos próprios espanhóis que tinham aquele Junho austríaco na memória. Aragonés, sempre polémico, preferiu o silêncio. Tinha conseguido o mais difícil em campo e não estava disposto a voltar a ser protagonista por algo que não fosse Viena e os seus "Bajitos". Silenciosamente aceitou ser o Quixote da saga nos seus campos manchegos de moinhos de vento endemoniados. Um Quixote que ensinou um país a gostar de si mesmo com a sua franqueza e que demonstrou que o futebol se podia jogar de mil e uma formas, sem dogmas. Depois veio Guardiola, o anti-guardiolismo, a frieza italiana de Del Bosque, o mourinhismo e tudo serviu para atacar a sua herança. Mas quem viveu na pele a euforia de celebrar a sua Espanha em 2008 sabe que hoje partiu um dos homens mais importantes da história do futebol europeu. Só por isso vale a pena dizer uma vez mais, "Gracias, viejo".



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Quinta-feira, 23.01.14

Se fosse outro clube. Se fosse outra liga. Se fosse outra realidade. Se. Uma palavra que o futebol conjuga vezes sem conta, muitas vezes de forma quase automática. David Moyes vive no seu particular mundo dos "ses". Ser sucessor a um mito é sempre uma tarefa complexa. Mas nem sempre dramática. O anterior técnico do Everton está a viver um autêntico annus horribilis. Não só porque o seu projecto em Old Trafford não arranca mas também porque em Goodison Park ninguém parece lamentar a sua saída. Em terra de ninguém, Moyes tem sido salvo pela legendária fidelidade do Manchester United.

Vir a seguir a um mito, a um génio, é sempre uma missão (quase) impossível.

Ferguson é um dos maiores treinadores da história. Tem um curriculum que provoca o mesmo efeito de contar ovelhas, não tem fim. Os mais novos lembram-se apenas do velho com cara rosada em Old Trafford mas a sua lenda forjou-se primeiro nos anos setenta, na pequena Abardeen. Foram quase 40 anos nos bancos. Tempo suficiente para filhos, pais e avós terem a sua conexão emocional com ele. Muitos dos seus antigos jogadores transformaram-se em treinadores, um sinal normalmente de que Ferguson não foi só um homem do presente, do sucesso em campo. Foi também um inspirador fora dele. A sua liderança não poderia nunca ser substituida. É impossível.

O Manchester United tinha duas opções, igualmente válidas. Aceitar outro tipo de liderança, outra figura icónica. Ou optar pelo modelo low profile, um treinador sem esse peso que se fizesse valer por si mesmo com o tempo. José Mourinho era a primeira opção. David Moyes a segunda. A decisão foi unânime e o homem que transformou o Everton num projecto sólido foi o eleito. Rapidamente se traçaram comparação com a chega de um "desconhecido" Fergie. Artigos escritos e twitteados, naturalmente, por alguém sem formação nenhuma em história do futebol ou acesso a uma wikipédia. Quando o escocês Ferguson aterrou em Old Trafford estava em melhor situação profissional que o clube. Tinha sido o homem capaz de romper o duelo da Old Firm na Escócia, tinha ganho provas europeias, dirigido a selecção escocesa num Mundial e (quase) todos os clubes ingleses o queriam. Por sua vez, o Manchester vinha de década e meia sem títulos, de um longo deserto de ideias pós-Busby e com a era Ron Atkinson em ponto morto. Ferguson teve tempo para desenhar o seu projecto porque tinha mais peso do que a situação dos Red Devils à época. E porque o clube, em si mesmo, era uma soma de problemas e não um conjunto de virtudes. Uma vitória quase desesperada numa FA Cup, uma Taça das Taças e um tal Cantona deram a volta à história. Moyes não vive na mesma realidade mas tem recebido o mesmo tratamento que o clube tem oferecido a quase todos os seus treinadores.

 

Em 1945 acabou a II Guerra Mundial. E Matt Busby foi apresentado como técnico do Manchester United.

Desde esse momento - há precisamente 69 anos - o clube teve apenas sete treinadores. Desses sete (onde já incluimos Moyes) apenas dois estiveram menos de três temporadas no activo. Ambos estiveram envolvidos no complexo processo de sucessão ao único mito maior que Ferguson na história do clube: sir Matt.

Wilf McGuiness durou ano e meio no cargo. O United, campeão europeu um ano antes, estava em processo de renovação mas o antigo adjunto de Busby não conseguiu liderar o processo. A situação tornou-se de tal forma dramática que o próprio Busby aceitou voltar da reforma para acabar a temporada. Durante esses meses o clube abordou o irlandês Frank O´Farrell, que estava prestes a conquistar o título de segunda divisão com o Leicester. Finda a época, O´Farrell aceitou o posto de Busby mas durou pouco mais que McGuiness, acabando por estar envolvido na histórica despromoção dos Red Devils. Foi o fim dos pequenos mandatos no clube. Tommy Docherty (que treinou o FC Porto), esteve cinco anos no banco de Old Trafford. O seu sucessor, Dave Sexton, durou um menos e "Big Ron" Atkinson foi treinador durante cinco temporadas. Todos venceram títulos (FA Cup, Taça da Liga, Charity Shield), nenhum venceu a liga ou uma prova europeia. Mas tiveram sempre o apoio da direcção e dos adeptos. O mesmo apoio que teve Ferguson durante quatro anos. E o mesmo que Moyes tem actualmente.

Moyes já foi eliminado da FA Cup e da Taça Liga. Alcançar a Champions League parece missão impossível face à temporada estelar de Arsenal, Chelsea e Manchester City. A quarta vaga parece ser da propriedade do Liverpool mas até o seu antigo clube, Everton, tem mais opções de ouvir o hino da Champions. Uma estranha ironia da vida. Em Goodison Park, onde Moyes se consagrou, todos parecem estar gratos pela mudança. E isso é o pior que pode suceder a um treinador na sua posição. A eventual chegada de Juan Mata dificilmente mudará o cenário actual. O Manchester United tem um plantel extremamente descompensado mas que foi suficientemente bom para ser campeão na temporada passada. Fellaini trouxe pouco a uma equipa que já tinha a Kagawa para a sua posição e o aparecimento de Januzaj foi a única noticia positiva em toda a temporada. Todos os pesos pesados da era Ferguson estão muitos furos abaixo do que sabem fazer, a defesa mancuniana é um desastre e faltam opções, ordem e critério ao meio-campo. Culpa de Moyes, seguramente, incapaz de realizar qualquer negócio em tempo útil no mercado. Mas também uma consequência inevitável da mudança de guarda.

 

Alguns lembram-se das sucessivas heranças deixadas em Liverpool de Shankly para Paisley e de Paisley para Fagan, esquecendo-se de que os três estiveram juntos desde o principio do Boot Room e, portanto, não havia mais do que uma mera sucessão de individuo a realizar. O método permaneceu sempre o mesmo. Com Moyes a situação é distinta e a direcção do clube sabe-o. Os adeptos, habituados a vencer quase por defeito, perderam a noção histórica do clube. Mesmo nos dias de hoje - com donos americanos e uma necessidade constante de fazer dinheiro - parece altamente improvável que Moyes não acabe a temporada. Depois será o treinador quem tenha de avaliar se aguenta o peso do posto. Moyes terá mais algumas vidas para gastar. Resta saber se não é ele quem decide dizer Game Over.



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Quarta-feira, 15.01.14

Acabou a novela do Ballon D´Or. Felizmente. Lembro-me com nostalgia das segundas-feiras em que passava pelo quiosque e via a capa da France Football. Só aí sabia quem era o vencedor. Nos dias da internet era possível na véspera confirmar os rumores dos jogadores que eram apanhados na foto da capa. Nada mais. Agora vivemos um autêntico circo mediático com posturas tão afastadas que o prémio se transformou numa guerra. No meio de tudo isto Platini volta a demonstrar a sua habitual hipocrisia e oportunismo. Um dos melhores jogadores do Mundo, o actual presidente da FIFA é também um demagogo consumado e dono de uma memória muito, muito fraca.

Começamos esta viagem com um disclaimer. O meu Ballon D´Or teria ido para Franck Ribery.

Nem isso signifique que não ache o ano de Cristiano Ronaldo absolutamente brutal. Nem quer dizer que não considere a Lionel Messi um ET do futebol. Na minha cabeça o Ballon D´Or é outra coisa. Nem é um prémio para o maior goleador (para isso há a Bota de Ouro), nem é um prémio para o Melhor Jogador do Mundo (para isso está a História). É um prémio temporal (365 dias, para a FIFA com alguns trocos pelo meio) e reflecte o que um jogador faz num ano num determinado contexto. O contexto colectivo (títulos, exibições) e o contexto individual (a sua importância dentro dessa dinâmica, o seu valor e o que representa). Esse é para mim o que significa o Ballon D´Or. Não significa que eu esteja certo ou errado. Pura e simplesmente, se pudesse votar, fá-lo-ia debaixo desses princípios. E para mim Franck Ribery representa o que de melhor se viu em 2013.

Dito isto, naturalmente, não posso deixar de me alegrar por Cristiano Ronaldo. Apesar de estar numa equipa milionária o abismo que há entre si e os seguintes melhores jogadores é imenso. Por isso - e porque Mourinho e o balneário merengue cortaram relações mal a época começou - o português não ganhou nenhum título em 2013. O que não o impediu de marcar como nunca, assistir como nunca e transformar-se definitivamente na reencarnação de Alfredo di Stefano que o clube necessitava. Ronaldo merece ter dois Ballon D´Ors pelo o que tem feito nos últimos seis anos da sua carreira desportiva. O prémio assenta-lhe bem, como uma luva. Mas chegou um ano mais tarde. Já Messi, imenso como é, conseguiu terminar em segundo lugar num ano em que só jogou seis meses. É um hino à forma como o argentino capturou a imaginação colectiva. Mesmo quando não está ao seu melhor Messi dá a sensação de ser o melhor. Há poucos futebolistas na história que o podem proclamar. Vencer o quinto Ballon D´Or consecutivo num ano como este seria ridículo mas estar aí relembra a todos que será muito difícil que Messi não vença mais dois ou três prémios destes. Basta não estar lesionado e o Mundo votará nele por defeito. Sentem que é o melhor que há e que o prémio representa isso. Michel Platini pensa de outra maneira. De certa forma estou de acordo com as suas declarações. O problema é que Platini funciona por oportunismo. Tem todo o direito a defender o seu "protegée" como qualquer outro adepto, ainda sendo presidente da UEFA. O que não pode é dizer que o modelo mudou precisamente este ano. Porque mudou. E nem foi este ano nem o ano passado.

 

Desde a fusão com o FIFA Award que o Ballon D´Or perdeu a sua inocência.

Nenhum prémio é perfeito mas o modelo histórico do troféu da France Football, confesso, faz para mim mais sentido. A partir do momento em que se abriram as votações ao Mundo, o prémio descaracterizou-se e transfomou-se num concurso de popularidade entre os dois monstros da nossa era. Façam o que fizerem os restantes jogadores sabem que nos próximos cinco ou seis anos será difícil que alguém se intrometa entre Messi e Ronaldo. O brasileiro Neymar - que acabou num surpreendente, ou talvez não, quinto lugar - é o único com o mediatismo suficiente para ambicionar quebrar essa hegemonia. Nesse contexto os jogadores que fazem parte da coluna vertebral do prémio não têm sentido. Ribery, Iniesta, Xavi e Sneijder teriam sido premiados noutro modelo. Com este estão destinados a aplaudir.

Antes deles houve outros que sim foram celebrados. O modelo histórico do Ballon D´Or premiou a Raymond Kopa, a Josef Masopust, a Lev Yashin, a Florian Albert, a Dennis Law, Gerd Muller, Allen Simonsen, Oleg Blokhin, Kevin Keegan, Karl-Heinz Rummenige, Igor Belanov, Lothar Mathaus, Hristo Stoichkov, Pavel Nedved, Andrei Shevchenko ou Fabio Cannavaro. São todos maravilhosos jogadores. Maravilhosos. E em cada ano fizeram méritos para vencer. Mas se o modelo aplicado à época fosse o vigente, nunca teriam vencido e Zinedine Zidane, Ronaldinho, Ronaldo Nazário, Johan Cruyff, Franz Beckenbauer, Eusébio, George Best, Alfredo di Stefano teriam seguramente bastante mais prémios dos que conquistaram. Para que façam uma ideia, em comparação com os quatro de Messi os geniais Zidane e Ronaldinho tiveram apenas um. A diferença não é tão grande, pois não? E aí entra na equação Michel Platini.

O francês foi, provavelmente, o melhor jogador europeu da sua geração. Até 1995 os jornalistas da France Football não podiam votar a não-europeus, mesmo que jogassem na Europa. Em campo, Platoche media-se com Zico, Sócrates, Maradona e Francescoli mas quando chegava a hora de votar, estava só. Em 1983 venceu o seu primeiro de três Ballon´s D´Or consecutivos. Consecutivos. Sob a sua teoria, esses prémios teriam de ter sido referenciado com algo mais do que o seu talento e charme. Títulos. Títulos colectivos imagino porque foi esse o seu argumento de defesa de Ribery. Em 1985, quando venceu o prémio pela última vez, Platini foi campeão europeu com a Juventus. Confirma. No ano anterior, o francês levou o seu país a vencer a sua primeira competição internacional, o Euro 84. Confirma. E em 1983, o seu primeiro ano como premiado, que venceu Platini? Nada.

A memória de Michel é curta mas nós ajudamos. Nessa temporada, ao serviço da Juventus, o francês ganhou a Supertaça italiana. Mas ganhou-a em Agosto de 1982, fora do ano temporal de 1983 a que se correspondia a votação. Nessa temporada o título italiano foi para a AS Roma. E o europeu para o Hamburgo, depois de ter derrotado a sua Juventus na final. A Platini restou a compensação de ter ganho o prémio ao melhor marcador da Serie A com 19 golos. Nada mais. E na votação final, a sua vitória foi esmagadora. E não sobre um jogador do campeão europeu (Hamburgo) ou italiano (Roma). Atrás de si ficou Kenny Dalglish, um dos melhores jogadores que nunca venceu o troféu, e que tinha vencido algo esse ano: o título inglês. Em terceiro ficou Simonsen, que por então já jogava no Vejle dinamarquês. Não foi a primeira nem seria a última vez que um jogador sem títulos ganharia o Ballon D´Or. Sucedeu com Stanley Matthews (aí o prémio foi mais honorifico que real), com Dennis Law, com Luis Figo ou com Kevin Keegan. A fraca (e selectiva) memória de Platini serve para relembrar que o triunfo de Cristiano Ronaldo afinal não é tão atípico como isso. Afinal, em 2012, não foi o argentino Leo Messi que ganhou (de forma surpreendente) o mesmo troféu com "apenas" um novo recorde goleador num ano mas sem títulos colectivos. Um recorde que superou outro, de Gerd Muller que, quando o conseguiu, não foi recompensado com o mesmo prémio. Nessa época, para vencer o Ballon D´Or, era preciso algo distinto!

 

O Ballon D´Or é cada vez mais um circo mediático e um prémio fechado. Impensável o esquecimento a que foi votado o Borussia Dortmund e muitos dos jogadores do próprio Bayern Munchen. É também um prémio que, se fosse votado ainda só pelos jornalistas, teria ido para Ribery como no passado teria ido para Sneijder em 2010, por exemplo. Na votação final nem no pódio ficou. Não é um prémio que respeite, nos moldes actuais. Não é um prémio bem gerido, a variação nas votações este ano, os votos falsos no ano passado, dão bem conta disso. É um prémio binómio que dista muito da sua ideia original. A que sabia premiar a Cruyff, Charlton e van Basten mas também sabia reconhecer que outros grandes jogadores realizavam grandes temporadas. Tenho saudades dessas segundas-feiras de manhã, desse quiosque e de uma capa com a cara de Philip Lahm, mais surpreendido do que eu. Platini seguramente não tem nostalgia desses dias. Se tivesse, um dos seus troféus estaria agora em casa de Dalglish ou Magath. Poderia oferece-lo a Ribery. Em nome da coerência!

 



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Quinta-feira, 02.01.14

"Um pequeno passo para o Homem. Um grande passo para a Humanidade". A 20 de Julho, Neil Amstrong transformou-se no reflexo humano na lua. Não estava só. Com ele levou a alma do Independiente, o único clube que pode dizer com orgulho que esteve na superfície lunar.

Parece mito mas não o é. Algures no solo rochoso da Lua, há um pedaço de um clube argentino para a posteridade. Um clube chamado Independiente, a alma de Avellaneda, um dos subúrbios mais apaixonados pelo "futbol" de Buenos Aires. Um clube que fez de Neil Amstrong, o primeiro astronauta a pisar o solo lunar, o seu mais célebre embaixador. E no momento mais histórico do século XX, quando a voz de Amstrong pronunciou a sua célebre frase, e as suas pisadas na rocha lunar foram vistas por milhões através da televisão, o que podia ser uma pequena anedota transformou para sempre a vida de um clube de futebol. O único que esteve na lua. Quando a tripulação do Apollo 11 voltou à Terra, os dirigentes do Club Atlético Independiente fizeram pública uma surpreendente notícia. Amstrong tinha deixado na lua uma prova da sua ligação com o clube, uma marca para o resto dos tempos: uma bandeira do Independiente na superfície lunar.

Ninguém acreditou na Argentina na fábula de Héctor Rodriguez. Não só porque parecia ridículo que três norte-americanos se preocupassem com um clube de futebol (e ainda para mais, argentino) como parecia fora de qualquer protocolo deixar um elemento terrestre na lua sem um objectivo concreto para a NASA e o governo norte-americano. E assim, durante meses, os adeptos rivais do Independiente, os seus vizinhos do Racing, divertiram-se com novos cânticos que gozavam com a viagem à lua do mais famoso adepto "rojo", utilizando paralelismos com os falhanços das tentativas dos soviéticos - também eles, os "rojos" - em lograr o feito. Mas em Novembro de 1969, meses depois da histórica viagem, a tripulação do Apollo 11 chegou a Buenos Aires numa tour mundial coordenada pela NASA para apresentar os heróis dos tempos modernos ao mundo. Algum jornalista lembrou-se de perguntar a Amstrong se a louca história contada pelos dirigentes do Independiente tinha algum sentido. A resposta deixou a todos surpreendidos!

 

Amstrong confirmou publicamente tudo aquilo que tinha sido contado pela direcção do Independiente.

De um momento para o outro a rábula mais fantástica ganhava forma e dimensão de novela épica. Com o relato a ser dado pelo próprio protagonista da aventura. Meses antes do lançamento da nave espacial, o clube argentino abordou a embaixada norte-americana em Buenos Aires. Como reconhecimento à missão espacial, o Independiente queria associar-se ao projecto e fazer dos três astronautas elegidos - Neil Amstrong, Edwin "Buzz" Aldrin e Michael Collins - sócios do clube. A embaixada entregou ao clube fotos dos três astronautas (com o equipamento espacial) e o Independiente fez da tripulação parte da família do clube, respectivamente os sócios 80399, 80400 e 80401.

A história podia ter acabado aí, um golpe de relações públicas. Mas não. O "Rey de Copas", nome pelo qual o clube de Avellaneda é conhecido - é o terceira emblema com mais títulos internacionais do Mundo, 15, (atrás de Boca Juniores e AC Milan, com 18 cada, ainda que os milaneses contam com quatro Supertaças Europeias) queria marcar a sua presença fisicamente na viagem à lua. Semanas antes da viagem lunar, a NASA recebeu uma caixa enviada pela embaixada norte-americana na capital argentina. Dentro vinham várias bandeiras, cachecóis e camisolas do clube para os três tripulantes e a família. Chegavam com um pedido especial: deixar uma das bandeiras enviadas na superfície da lua naquela que seria a mais importante viagem da História. A carta sensibilização a tripulação e os três concordaram em levar uma bandeira a bordo junto a outros elementos que seriam depositados na lua. Quando a 20 de Julho o módulo espacial aterrou na superfície lunar, a bandeira foi colocada, juntamente com esses objectos, no satélite terrestre antes do regresso da tripulação. Amstrong confirmou então por carta à direcção do clube que tinha cumprido a promessa. Meses depois, em pessoa, voltou a fazê-lo para surpresa de todos os presentes na cerimónia organizada na embaixada norte-americana.

Até hoje, a viagem à Lua tornou-se parte do folclore emocional dos adeptos do clube. Quando o astronauta faleceu - a 25 de Agosto de 2012 - os adeptos do Independiente homenagearam-no com uma ovação póstuma de vários minutos no primeiro jogo em casa da equipa. Afinal, graças a este estranho americano, podiam olhar para a Lua de noite sabendo que parte da alma do clube também os iluminava durante a noite.



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Sexta-feira, 27.12.13

Com o final do ano de 2013 o Em Jogo publica a sua lista particular dos melhores jogadores do ano natural. Uma eleição condicionada pela performance individual, pelos méritos dentro do colectivo e pelo seu talento particular. Aos onze titulares do ano junta-se um leque de sete suplentes de luxo para forjar o plantel perfeito do ano 2013!

 

Os Melhores do Ano (Titulares)

 

Manuel Neuer

É díficil quantificar quem é o melhor guarda-redes do Mundo. Se os veteranos Cech, Buffon ou Valdés ou o alemão Manuel Neuer. Mas não houve um só título que o germânico não tivesse levantado no último ano e muitas das vitórias dos bávaros deveram-se, também, ás suas espantosas intervenções. Com o passar dos anos o ex-Schalke 04 tomou pulso a um posto onde muitos pensavam que não iria durar e já está à altura dos grandes número 1s alemães da história!

 

Philip Lahm

Talvez o jogador de 2013. Não é o mais rápido, o mais goleador, o que mais assistências dá ou o mais mediático. Não vencerá nunca um Ballon D´Or e a maioria dos adeptos até se esquece que já tem atrás de si uma década ao mais alto nível. Mas Lahm é o capitão desta equipa e um jogador que todos gostariam de ser e de contar com. Foi fundamental no esquema de Heynckhes e Guardiola rendeu-se à sua inteligência de jogo, colocando-o várias vezes no fundamental papel de médio defensivo durante os primeiros meses da temporada. É o líder emocional em campo dos bávaros e já um dos maiores laterais da história.

 

Thiago Silva

O brasileiro esteve perto de abandonar a carreira por uma tuberculose que os médicos do FC Porto não souberam detectar a tempo. Desde esses dias na Rússia e o regresso ao Brasil até à explosão definitiva como o melhor central do mundo, o capitão do Brasil tem protagonizado uma sequência de temporadas inesquecíveis. 2013 foi a melhor. Não só pelo título conquistado pelo PSG mas também pela vitória do Brasil na Taça das Confederações. Títulos onde teve um papel fundamental. A sua liderança e capacidade de controlo da área não encontram impar no futebol actual.

 

David Alaba

A evolução do lateral austríaco nos últimos dois anos tem sido épica. Alaba apareceu em cena como um médio interior formado nas camadas jovens do Bayern e acabou reconvertido num dos melhores e mais incisivos laterais do Mundo. O seu ano 2013 foi memorável, como sucedeu com quase todos os seus colegas de equipa. O seu próximo passo é levar a Áustria de volta a um Campeonato da Europa e manter o pulso com outros laterais da escola sul-americana como Marcelo, Felipe Luis, Dani Alves o protagonismo entre os melhores do Mundo!

 

Paul Pogba

Foi o melhor jogador do Mundial sub-20, a grande revelação do Calcio e a melhor notícia possível para o futebol francês. Descoberto por Ferguson, recusou-se a renovar o contrato com o Man United com medo a não ter o protagonismo que sentia que merecia. Tinha 18 anos. Dois anos depois, em Turim, transformou-se no parceiro perfeito de Pirlo. Os seus disparos de longe, as suas recuperações impossíveis e as assistências perfeitas tornaram-no peça fundamental na conquista da Serie A. Para completar um ano memorável, a vitória no Mundial sub20 e a promoção aos Bleus garantem que vamos ouvir falar dele com regularidade na próxima década.

 

Ilkay Gundogan

Há poucos jogadores tão inteligentes no futebol europeu como Gundogan. O médio turco-alemão do Dortmund soube substituir o seu amigo Nuri Sahin de tal forma que quando o ex-Real Madrid regressou ao Westfallen, foi-lhe impossível recuperar a titularidade. Fundamental na manobra de jogo da equipa de Klopp, o médio foi fundamental para a época memorável dos amarelos de Dortmund e a Alemanha de Low conta com ele para dar cartas no próximo Mundial.

 

Bastian Schweinsteiger

O que seria do futebol sem jogadores como "Schweini". Poucos teriam a fortaleza mental de superar um 2012 horribilis, com o penalty falhado na final da Champions League e a eliminação da Mannschaft nas meias-finais do Europeu, parecia que a carreira do médio tinha atingido o seu apogeu. Com a confiança de Heynckhes, voltou a pegar na equipa e lambeu as feridas com o champagne da glória. Superou a Pirlo num mano a mano, anulou (com a ajuda de Javi Martinez) o meio-campo do Barcelona numa histórica meia-final e em Londres voltou a ser fundamental para manter o jogo equilibrado até a conexão Ribery-Robben mostrar-se superior à dos rivais germânicos. O Mundial e um título com a selecção alemã é tudo o que separa Schweinsteiger de tornar-se num dos mais memoráveis jogadores teutónicos de toda a história!

 

Marco Reus

Os mais mediáticos seguramente citariam a Mario Gotze, mas talvez a mais incisiva e brilhante novidade ofensiva do Dortmund de Klopp no último ano tenha sido Reus. O médio contratado ao Gladbach foi uma verdadeira confirmação de tudo o que se suspeitava que podia ser. Vertical, directo, perfeito nas assistências, seguro frente à baliza, Reus foi o melhor jogador do Dortmund na corrida à final de Londres e com a saída do seu amigo Gotze para o histórico rival deu um passo em frente e reclamou a sua liderança para transformar-se no mais influente jogador do Dortmund actual.

 

 

Frank Ribery

Se os prémios individuais fossem atribuídos com o seu critério histórico, Frank Ribery era o homem prémio 2013. Lamentavelmente, o poder mediático cada vez mais encontrou forma de sobrepôr-se e o francês - tal como Iniesta ou Sneijder - verá a glória desde longe. Foi um ano histórico para o homem que alguém pensou que podia ser o sucessor de Zidane. Não foi nem nunca será mas vencer tudo em 2013 e ajudar a França a não falhar o Mundial é um feito que poucos gauleses podem reclamar para si. Ribery marca, assiste, distribui, lidera e encarna o espirito deste histórico Bayern Munchen. No ponto mais alto da sua carreira é um jogador imparável!

 

Luis Suarez

Se 2013 acabasse daqui a dois meses, talvez o uruguaio fosse o próximo Ballon D´Or. Na realidade, não estará sequer no top 10. No entanto, o que o jogador do Liverpool tem conseguido é impressionante. Não só realizou um excelente final da época 2012-13 - com muita polémica à mistura - como o seu arranque de temporada tem eclipsado as gestas de grandes nomes que podiam estar neste onze como Ibrahimovic, Lewandowski, Muller, van Persie, Falcao ou Diego Costa. Recorde de golos marcados, liderança na Bota de Ouro e um enfant terrible transformado na última esperança da Kop.

 

 

Cristiano Ronaldo

É díficil olhar para 2013 e não pensar num jogador: CR7. E no entanto o português não venceu um só título em 2013. Fora da luta pela liga desde 2012, Ronaldo conseguiu ser o melhor marcador da Champions League mas no jogo decisivo, no Bernabeu, não marcou o golo que carimbaria o passaporte para a final. Marcou no jogo decisivo da Copa del Rey mas acabou expulso e a equipa derrotada. Foi um mês de Maio negro que no entanto escondia um semestre memorável pela frente. Histórico de golos marcados num ano natural, memorável exibição no play-off de apuramento ao Mundial do Brasil, melhor marcador histórico numa fase de grupos da Champions League e o reconhecimento internacional posterior a uma imitação lamentável de Blatter. Ronaldo ganhou dentro e fora de campo todo o protagonismo de 2013 - sobretudo da temporada 2013-14 - e é a figura mediática inquestionável do ano!

 

 

Menções Honrosas (Banco de Suplentes)

 

Victor Valdés

É díficil não olhar para o guarda-redes catalão e não ver nele o melhor número 1 do futebol espanhol da actualidade. Valdés tem-se revelado tão influente como Leo Messi nos momentos decisivos e nos grandes triunfos dos blaugranas. A sua lesão, no final de 2013, deixou a nú muitas das fragilidades defensivas que Valdés tem tapado com brio. Talvez o seu melhor ano.

 

Matt Hummels

Tem um talento pouco habitual para um central e sabe-o. É a sua fortaleza e a sua perdição. Alguns dos golos sofridos pelo Dortmund em 2013 levam o seu selo, o descontrolo do seu imenso know-how. Mas Hummels é, sobretudo, um central imenso com um sentido posicional espantoso e uma leitura de jogo que faz lembrar a velha escola de líberos alemã iniciada por Beckenbauer.

 

Yaya Touré

Há jogadores que não necessitam de apresentações. São aqueles que qualquer treinador gostaria de ter na sua equipa. Defendem, atacam, distribuem, recuperam, dão calma quando necessário e vertigem se é preciso. E fazem-no quase como vultos fantasmas, deixando o protagonismo a outros. Yaya Touré tem-no feito há vários anos, desde a sua passagem pelo Barcelona até à sua consagração na Premier League. 2013 foi mais um ano de ouro para o marfilense!

 

Koke

O renascimento do Atlético de Madrid sob a mão de Diego Simeone encontrou no talento individual de um jovem produto da cantera colchonera o seu melhor exemplo. Para lá dos golos de Falcao e Diego Costa, do talento de Arda Turan e Mario Suarez, o trabalho incansável do médio espanhol no miolo da equipa de Madrid destacou-se pela sua sobriedade e perfeição. É uma das grandes revelações do ano e um jogador capacitado para liderar o futuro do meio-campo da Roja!

 

Lionel Messi

Há poucos jogadores na história do futebol com o talento de Leo Messi. O jogador argentino estaria em qualquer onze do ano mas 2013 foi o seu annus horribilis. Lesões recorrentes - entre Janeiro e Março e mais tarde, desde Outubro até ao presente - deixaram o génio blaugrana fora de combate em quase metade da temporada. Nos meses que esteve em campo esteve praticamente igual a si mesmo. Mas no duelo directo contra o Real Madrid (Copa del Rey), Atlético de Madrid (Supercopa) e Bayern Munchen (Champions League) não conseguiu ser o elemento desequilibrador a que nos tem tão habituados.

 

Zlatan Ibrahimovic

Igual a si mesmo, "Ibracadraba" é um dos jogadores com mais talento do mundo. Com a vitória na Ligue 1 ampliou a sua lenda. Dez titulos de campeão em doze temporadas é algo a que poucos jogadores podem optar, particularmente se os titulos foram conseguidos em quatro ligas e seis equipas diferentes. Levou os parisinos até um duelo intenso com o Barça na Champions League, rematou o título em Maio e protagonizou um notável arranque de época em 2013, interrompido apenas pela exibição de Ronaldo em Solna. Um craque!

 

Robert Lewandowski

É um exagero dizer que o polaco eliminou só o Real Madrid mas quatro golos numa meia-final da Champions League é algo histórico. O avançado do Dortmund realizou um ano memorável. Levou a sua equipa até à final da Champions, mostrou ser o avançado mais em forma na Bundesliga e tem os adeptos do clube de Dortmund em suspense sobre o seu futuro. É um dos mais letais avançados do futebol mundial e vale o seu peso em ouro!

 

 

Custou deixar de fora (O resto do plantel)

 

Robbie van Persie (decisivo no último ano de Ferguson), Mezut Ozil (mal tratado em Madrid, herói em Highbury), Andrea Pirlo (não é preciso explicar pois não?), Óscar (determinante na era Benitez, fundamental nos meses Mourinho), Mario Gotze (grande até Junho), Andrés Iniesta (um génio indiscutivel), Heines Weidenfeller (o eterno esquecido do futebol alemão), Thomas Muller (outro grande ano do working class heroe bávaro), Diego Costa (uma verdadeira transformação épica), Neymar (tem tudo para ser um mega-top), Arjen Robben (porque nos esquecemos tanto dele?), Marcelo (continua a ser um jogador especial), Raphael Varane (foi a revelação do final da época 2012-13), Eden Hazard (destinado à grandeza com os Diables Rouges)



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:25 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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