Sábado, 25.07.09

De todos os clubes europeus há sempre aqueles que se tornam em símbolos indiscutíveis de um estilo, uma politica, uma forma de estar. No universo da formação de talentos o grande referente mundial ainda hoje é o Ajax Amsterdam. Mas o gigante holandês vive uma crise profunda – até na própria criação de talentos – e cada vez mais se vão descobrindo clubes que lhe seguem de muito perto. Sporting, Bordeaux, Villarreal, West Ham Utd ou AZ Alkmaar são um bom exemplo mas hoje em dia o clube mais fascinante no universo da formação vive numa Belgrado reconstruída e pronta para os desafios do novo século. Bem vindos à escola Partizan.

 
Dentro da história Jugoslávia o Partizan Belgrado é um dos clubes míticos. Apesar de não ter logrado os títulos, nacionais e europeus do eterno rival Crvena Zvezda (que conta com uma Taça dos Campeões no curriculum), é uma das máximas referências da Europa de Leste e uma verdadeira fábrica de génios. Do campo do Partizan ao longo dos anos foram saindo jovens talentosos, preparados a demonstrar o perfume do futebol a quem muitos apelidaram de “Brasil dos Balcãs” no resto da Europa. Jogadores do nível de Radomir Antic, Pedja Mijatovic, Savo Milosevic ou Mateza Kezman no passado e Darko Lazovic, a actuar no ataque do PSV, ou ainda Stefan Jovetic, nova estrela máxima da Fiorentina, nomes absolutos do presente.
Mas para aqueles que imaginavam que a fábrica de talentos estava a funcionar a meio gás, eis que chegam três novos nomes destinados a marcar a próxima década do futebol europeu. Dois deles já estão num grande europeu, onde completarão o período de formação enquanto que o terceiro é cobiçado por meio mundo. Quantos clubes se podem dar a este luxo?
 
Ainda a treinar na Zemunello – o nome do centro de formação do clube com natural correlação de nome com o centro do AC Milan - encontramos os jovens Ivan Obradovic e Adem Ljalic. O primeiro é o patrão da defesa partizan e um dos centrais de maior futuro do futebol mundial. O segundo é um pensador, capaz de com um drible serpentear toda uma defesa e colocar a bola no sitio certo à hora certa. Já tem contrato com o Manchester United mas pela tenra idade, o clube inglês permitiu ao Partizan que este fique no seu clube de formação até ao final do ano, tendo de apresentar-se em Old Trafford em Janeiro.
 
Obradovic é cobiçado por meio mundo. Fala-se do Barcelona, AC Milan, Inter, Chelsea, Atlético de Madrid, Bayern Munchen…uma lista sem fim que cobiçam o jovem de 20 anos que é já também uma das estrelas da temível selecção sérvia, onde partilha o posto de central com Nemadja Vidic. Capaz de jogar tanto no centro como a defesa esquerdo – onde tem actuado por diversas vezes na equipa nacional pela presença do veterano Dragutinovic e da também jovem promessa Subotic – o rápido sérvio tem um notável posicionamento táctico e um físico possante, habituado aos mais duros rivais. Os Grobari, a mítica claque dos partizans, enlouquecem com o espírito guerreiro do seu jogador de referência, desde que se estreou na primeira equipa com 17 anos, catalogando o jovem como um dos responsáveis pela conquista de mais um ceptro de campeão.
Ao seu lado o jovem Adem Ljalic foi também peça chave na dobradinha do conjunto esta temporada, apesar de estar já contratado pelo United desde a época passada. Depois de um período de teste – a que se seguiu à sua participação notável no Europeu sub19 – Ferguson ficou convencido e contratou o jovem médio ofensivo de 17 anos mas preferiu que este ficasse mais um ano em Belgrado para ganhar ritmo de jogo. No Partizan estreou-se aos 16 anos e rapidamente destacou-se dos demais e no último ano alinhou em 33 jogos, tendo apontado seis golos e realizado oito assistências para golo. Com um estilo de jogo relaxado, pensado em cada detalhe, do jovem espera-se que seja o futuro patrão do ataque sérvio, o natural herdeiro de “monstros” do passado como
 
Por outro lado já com um título de campeão inglês, Zoran Tosic, é a principal referência das camadas jovens sérvias. Com presenças regulares na selecção principal e com a perspectiva de se assumir como um dos extremos de referência do futebol dos campeões ingleses, Tosic é já uma confirmação. Contratado ao mesmo tempo que Ljalic, o rápido médio chegou a Old Trafford em Janeiro e depois de vários jogos com a equipa de reservas começou a alinhar pela equipa principal na League Cup. Pouco depois chegou a oportunidade de estrear-se na Premier League, onde substituiu Cristiano Ronaldo. Muitos viram no acto uma passagem de testemunho já que o sérvio, apesar de não ter o mesmo físico e sentido de explosão, partilha várias características com o craque português. Esta época tem lugar marcado no plantel principal e disputará com Valência, Obertan, Nani e Park Ji Sung um dos extremos do ataque do tricampeão inglês.
 
Num dos mais modernos centros de estágio de todo o mundo, o futuro começa a preparar-se hoje. Nomes como Bogunovic, Jovanovic, Brezanacic, Fejsa ou Tomic começam a despontar e tarde ou cedo seguirão o caminho deste tridente de luxo. E da mesma forma que irromperam estes três novos craques, já referências internacionais, e da mesma forma que a história viu nascer várias estrelas na fábrica de talentos do Partizan, ao olhar para os jovens sérvios a treinar-se, corremos no inevitável jogo de tentar adivinhar quem é o senhor que se segue…


publicado por Miguel Lourenço Pereira às 14:32 | link do post | comentar

Segunda-feira, 27.04.09

No virar de século eram provavelmente as duas ligas mais aborrecidas de toda a Europa. Vencedores previsiveis, futebol pouco emocionante e poucos jogadores capazes de fazer levantar um estádio com um golpe de génio. Mas, num ano, tudo parece ter mudado. E hoje não espantaria ninguém que estas fossem catalogadas como as duas ligas mais emocionantes do "Velho Continente". Podem não estar ao mesmo nivel da Premiership, que continua a viver noutro nível, mas a Bundesliga e a Ligue 1 francesa conheceram uma verdadeira mudança de 180 graus. A culpa? O total desrespeito das hierarquias vigentes que promete deixar marca para os anos vindouros.

 

No inicio da temporada o Olympique de Lyon partia para mais um titulo consectutivo - o oitavo - num campeonato onde parecia que o mais interessante estava na luta pelos postos europeus. Na Alemanha o todo-poderoso Bayern Munchen, refeito de um biénio de crise, tinha conquistado a liga com autoridade e preparava-se para voltar a reinar supremo sobre o futebol teutónico. Hoje o Lyon está praticamente afastado do titulo e o Bayern terá de suar até ao último segundo se quer reconquistar o trofeu que tem dominado desde a década de 60.

 

O irromper de uma série de equipas - entre históricos crónicos e surpresas absolutas - veio quebrar a hierarquia dominante destes dois campeonatos, trazendo emoção, espectáculo e incerteza na classificação jornada após jornada. Estas equipas são, acima de tudo, resultado de um longo trabalho que tem sido realizado ás escuras, por trás da imensa sombra dos titulos arrecadados pelos grandes candidatos. Basta olhar para as classificações - e, mais importante, as exibições - das últimas temporadas, para perceber que em França já há muito se adivinhava que tanto o Olympique Marseille como o Girondins Bordeaux tinham, finalmente, argumentos para arrebatar a coroa ao campeão. A vitória dos marselheses diante do campeão e o tropeção do Lyon contra o PSG - outra equipa que, com mais um ano de maturidade pode voltar a lutar pelo titulo - praticamente escancarou as portas do campeonato ao histórico clube frances, o único que venceu em campo uma Champions League. Mas a excelente época do Bordeaux de Laurent Blanc, mas também do Lille - uma equipa em constante mutação - e do Toulouse, provam que o campeonato frances voltou aos seus tempos aureos, onde revalidar um titulo era tarefa quase impossível.

 

Na Alemanha a situação é ainda mais surpreendente, até porque o Bayern Munchen não só se reforçou a preceito, construindo aquele que é, muito provavelmente, um dos melhores planteis da sua história, mas porque o seu rival natural, o Werder Bremen, concentrou-se cedo nas provas europeias e navega agora pelo meio da tabela. A espectacular primeira volta do Hoffenheim - acabadinho de subir da segunda liga - lançou o alerta, mas foi só a partir de Fevereiro que irromperam no topo da classificação um grupo de cinco equipas que foram capazes de aproveitar os tropeções dos bávaros e a falta de Ibisevic no ataque dos recém-promovidos. Se Schalke04 e Sttutgart eram equipas com claras ambições a lutar pelo trofeu, já as espectaculares exibições do Hertha de Berlin de Voronin - emprestado pelo Liverpool - e do Wolfsburg, onde milita Ricardo Costa, que vive dos golos de Grafite, provam que não é preciso ter uma equipa repleta de estrelas para se vencer campeonatos. Dois blocos sólidos na defesa, imaginativos no ataque e com jogadores desiquilibrantes que podem muito bem conseguir um feito histórico.

 

Tudo isto não invalida que, no último mes de competição, não regressemos ao status quo. O Bayern Munchen pode perfeitamente sagrar-se campeão e até o Lyon pode recuperar a coroa. Mas esta autentica revolução da classe média pode ser a pedra de toque para uma mudança que é necessária para o futebol europeu manter a vitalidade. Um primeiro passo para a revalorização dos campeonatos de média dimensão e uma plataforma para o irromper de novos talentos. Enfim, a quebra de hierarquias prova que o futebol é um fenómeno em constante evolução por essa Europa fora e fica o amargo sabor de boca num país onde, salvo apenas duas excepções em 80 anos, continuamos a viver a ditadura dos grandes.

 

PS: À hora em que fechei esta analise tomei conhecimento do despedimento fulminante de Jurgen Klinsmann pela direcção do Bayern Munchen. O treinador alemão afirma ter lançado as bases para o futuro do Bayern, mas a verdade é que este plantel é provavelmente o mais sólido e talentoso das últimas décadas e ser humilhado pelo Barcelona na Champions, cair na Taça da Alemanha e estar em risco de perder o titulo não é propriamente um bom cartão de visita. Resta saber se Jupp Heynckhes, esse conhecido do futebol portugues, é capaz de trazer essa nova moral à turma bávara para este último sprint. Possivelmente chega tarde, possivelmente Klinsmann devesse ter tido a oportunidade de ir ele até ao fim. De qualquer das formas, passe o que passar, isso não desvirtua o mérito de qualquer um dos candidatos ao título alemão.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 21:56 | link do post | comentar

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