Segunda-feira, 11.04.11

O futebol vive de titulos. A história precisa de algo mais para escrever-se com H maiúsculo. O Pep Team desafiou a filosofia blaugrana e ajudou a enterrar, de uma vez, o espirito derrotista do clube de Barcelona. Culminou um trabalho de gerações no presente mas sem nunca descurar o futuro. Thiago Alcântara é o protagonista do amanhã. A referência a seguir, o exemplo perfeito de como uma filosofia subsiste quando a bola entra ou quando a bola bate na barra. Este Barcelona eterniza-se porque jogadores como Thiago estão preparados para tomar o testemunho.

 

 

 

Hoje em dia é fácil ver como a maioria dos clubes procura que as suas camadas de formação actuem como fazem os mais velhos.

Um conceito que parece elementar mas que demorou a popularizar-se por essa Europa fora. Mas uma coisa é ter todas as equipas a jogar num sistema táctico. Outra é criar uma filosofia que os jovens bebem desde o primeiro instante até à sua consagração definitiva. E para isso, acima de tudo, é preciso ter uma filosofia própria. Algo que o futebol, que vive do momento, dos títulos e da inconstância do tempo, dificilmente permite. Qual é a filosofia do Chelsea, do Real Madrid, do SL Benfica, da Juventus, do AC Milan ou do Manchester City?

Ninguém, nem eles mesmos, realmente o sabem. E não é por acaso que falamos de clube sem cantera. Sem filosofia de formação. Sem um espírito de grupo trabalhado desde a raiz. São clubes que vivem do e para o momento, de e para o resultado e que procuram, com o dinheiro, comprar o sucesso. Podem lográ-lo, e alguns conseguiram-no, mas estão destinados, tarde ou cedo, a ceder perante equipas com projectos a longo prazo. Arsenal, Manchester United, Shaktar, FC Porto, Olympique Lyon...Barcelona.

O clube catalão transformou-se na quintessência da filosofia futebolística. Misturou as origens do Futebol Total, adoptou a herança artística culé e a precisão táctica italiana e criou uma verdadeira máquina de vencer. Jogando um futebol atractivo, veloz, dinâmico, o Barça de Guardiola é uma equipa plena e matura. Mas é também o culminar de um processo evolutivo que não quer ser visto como a ultima etapa do caminho. Apenas mais um passo. Guardiola sucedeu a Milla na posição do playmaker e graças a ele La Masia, a escola que definiu o futebol de formação do clube blaugrana, começou a entender o que era preciso para manter o estilo de jogo. Desde Pep, jogador, que ali se treinam os seus sucessores tendo por base o seu ritmo, o seu estilo e a sua precisão. Os rondos popularizados por Rexach e Cruyff criaram Xavi e Iniesta. Mas também De la Peña, Fabregas...e Thiago.

 

Filho do brasileiro Mazinho, um dos mais talentosos jogadores da liga espanhola dos anos 90, Thiago é mais uma etapa na evolução.

Cresceu como jogador seguindo os ensinamentos posicionais que determinam a maturidade dos playmakers catalães. Toque curto, basculação lateral, visão de jogo, tabelas, futebol total com a ponta de uma chuteira. Desde a sua tenra infância que bebeu as mesmas palavras de Guardiola, Xavi, Fabregas e Iniesta. Desde cedo que percebeu que pontos tinha de desenvolver para singrar no Camp Nou. Apesar da sua idade, é já uma certeza. Define o jogo da Espanha juvenil, centraliza já em si o pensamento ofensivo do super-Barcelona quando Guardiola lhe dá, sem medo, a batuta. A sua coragem é também espelho dessa filosofia de nunca desistir. A mesma que evitou que Xavi um dia partisse, que Iniesta conseguisse roubar o lugar a Deco e que Fabregas triunfasse além-mar. Aliás, é o médio centro do Arsenal o mais prejudicado com a maturidade deste fantástico produto da La Masia. Com Thiago a preparar-se para herdar a camisola de Xavi, o Barcelona pode mesmo decidir saltar uma geração (a de Cesc) e esquecer-se definitivamente dos milhões que o Arsenal pede pelo seu capitão. Porque Thiago - e os que vêm a seguir - têm a lição bem aprendida.

O jovem hispano-brasileiro funciona porque o método de treino da Masia garante à primeira equipa que qualquer jogador, dos juvenis ou dos juniores, está preparado para assumir o seu papel no esquema da equipa principal. Guardiola confia na cantera porque é o primeiro a saber o que por ali se cose. Bartra, Fontás, Montoya, Dos Santos, Deulofeu, Soriano e Thiago são nomes de futuro que podem ter um impacto imediato, da mesma forma que Busquets tinha a licção bem aprendida e Pedro sabia o que lhe esperava quando Pep decidiu lançá-lo às feras. Essa forma de preparar o futuro, que começou no Ajax holandês e que Cruyff exportou para Can Barça, garante que este Barcelona é uma máquina de ganhar  com presente e futuro. Ultrapassado o vitimismo típico catalão, agora o Barça é quem é visto como a equipa arrogante que humilha o seu rival histórico, e todos os que se lhe atravessam pelo caminho. Não é por acaso que a sua equipa B, composta maioritariamente por jogadores na casa dos 20 anos, seja a terceira classificada da Liga Adelante. Ou seja, que mostra nível suficiente para subir de divisão, algo a que está vetado mas a que ninguém acabaria por surpreender. Graças ao génio de Thiago mas, sobretudo, graças ao génio de uma ideia.

 

 

 

Thiago é o futuro que pode transformar-se em presente assim que o clube e o seu técnico queiram. Tem maturidade, espírito competitivo e know-how para manter o ritmo qualitativo do jogo do Barça. Supera em classe e talento qualquer playmaker a jogar em Madrid, Valencia, Villareal ou Sevilla. E tem uma imensa margem de progressão. Não chega sozinho, atrás dele há toda uma legião de talentos à espera da sua oportunidade. Como moldou Messi, como moldou Iniesta, como moldou Pique, como moldou Xavi, La Masia voltou a demonstrar que ter uma ideia de futuro é a melhor forma de consolidar o presente. O Barça gasta dinheiro como qualquer outro clube, mas sabe a que joga. E sabe implementar uma filosofia do berço até à idade adulta. Talvez de uma forma inédita na história do futebol. Também por isso ou, talvez por isso, esteja hoje no trono internacional. E sem grandes ganas de abdicar. Thiago está lá para o garantir. 



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 16:18 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Segunda-feira, 28.03.11

Começa a ser dificil ignorar o imenso talento de Neymar. E no entanto apetece. Apetece esquecer que ali existe um imenso potencial artistico que, aplicado na dose certa, pode resultar num jogador extraordinário. Tudo porque Neymar tem representado um papel para o qual não há futuro. Robinho já o viu e até grandes como Ronaldinho sentiram-no na pele. Neymar vive uma encruzilhada perigosa. Pode vir a ser um grande jogador ou um grande artista. E a balança que não se decide...

 

 

 

Em 2014 o Mundo vai exigir ao Brasil o que não logrou em 1950. O que não consegue há nove anos (serão 12 então). O titulo Mundial.

Sem Ronaldinho, sem Kaká e sem qualquer referência histórica, a geração do escrete canarinho de 2014 está orfã de um lider. Mano Menezes, o hábil seleccionador que se prepará para o torneio com o peso do Mundo nos ombros, sabe-o bem. Faz provas, experimenta, procura a originalidade mas está refém. Refém de um campeonato desvalorizado, sem chama. Refém da migração precoce dos seus melhores jogadores jovens. Refém do poder mediático das estrelas passadas de moda e forma fisica (e mental). Mas, sobretudo, refém de jogadores que teimam em esquecer a faceta profissional do futebol. Jogadores que continuam a preferir a festa, o dinheiro, as mulheres e o espectáculo inconsequente ao treino, à disciplina, ao sentido táctico...jogadores como Neymar.

O médio ofensivo do Santos é uma pérola imensa, talvez a maior que o futebol brasileiro tem em mãos desde a ascensão de Ronaldinho Gaúcho no Grémio. Nem Kaká, nem Robinho, nem Pato conseguiram tanto em tão pouco tempo. E os três também tiveram pouco tempo para se apresentar ao Brasil. Aos poucos jogos como profissionais já tinham um bilhete de avião para a Europa no bolso. Neymar há ano e meio que encanta o Brasil. No horário de São Paulo. É o lider criativo do Santos mas, sobretudo, é o espelho do jogador de rua que os brasileiros tanto apreciam. Mas é, também, o seu maior inimigo. Anda com correntes de ouro, telemóveis de última geração, penteados copiados dos catálogos que chegam de Miami e rotinas que pouco condizem com um profissional. É também o herdeiro de um estilo de jogador muito habitual no Brasil. O que não acredita na organização e na disciplina. Insulta o seu treinador com facilidade, recusa-se a comemorar golos dos colegas quando lhe apetece e, acima de tudo, é incapaz de jogar para o colectivo quando tem a possibilidade do brilho individual. Um jogador destructivo mas com um talento tão grande que o Brasil se arrisca a deixar-se cair nas suas mãos. Antes do tempo.

 

Pelé tinha 17 anos quando chegou ao escrete mas era, já então, um profissional imenso. Garrincha não, mas a sua jovialidade além de ser resultado da sua inocência mais do que a sua presunsão não teria funcionado hoje como sucedeu entre 1958 e 1966, os seus anos de ouro. Ronaldo foi adulto muito cedo e viveu o sacrificio como Romário e Ronaldinho nunca souberam fazer. Por isso ainda há no Brasil quem olhe um pouco de lado para a sua figura. O público brasileiro gosta do espectáculo pelo espectáculo mas também não suporta perder. É como Neymar. O delicioso jogador brilha num campeonato feito à sua medida onde o defesa para para se deixar driblar e não faz falta para não receber o olhar reprovador dos seus próprios adeptos. O talento de Neymar teria mais dificuldades em encantar na Europa como Robinho descobriu. Em Espanha, Itália e Inglaterra o avançado nunca logrou parar o tempo e os rivais com a mesma facilidade com que serpenteava o relvado curtinho do Brasileirão. Talvez por isso, talvez por essa licção aprendida pelos grandes que ainda hoje não sabem o que fazer com este tipo de jogadores, Neymar continua no Brasil. E não está só. Paulo Henriques (Ganso), Casemiro, Ciro, Kleber, Dentinho, Óscar, Tinga e tantos outros talentos precoces inspiram o mesmo tipo de desconfiança que Neymar. Mas é deles que o Brasil depende. Ou pior, quer depender.

Menezes sabe que não tem o leque de jogadores que Scolari, Parreira e Zagallo tiveram para chegar ao topo. Nem de longe nem de perto. Hoje o Brasil tem sérias dificuldades para montar um plantel competitivo para disputar com Espanha, Alemanha, Argentina e Holanda a supremacia mundial. Não tem um jogador determinante como Messi, um modelo de jogo claro como o dos espanhóis ou um colectivo forte e habituado a jogar junto há largo tempo como germânicos e holandeses. Apesar de receber o Mundo, este escrete está muito longe da imagem romântica que inspira receio nos rivais. Para Menezes entregar a batuta da geração de 2014 a um jogador como Neymar, tão problemático como genial, diz bem do desespero que vive uma nação habituada a impor o seu ritmo e lei. Entre médios trabalhadores, jogadores a trabalhar na chamada classe média europeia (que grandes brasileiros actuam nos principais clubes da Europa com a excepção de Dani Alves, Alexandre Pato ou Marcelo?) e essas conflituosas promessas vive o futuro dos campeões dos campeões. Um jogo de expectativas perigoso que pode jogar contra a ideia de supremacia moral que sempre pareceu acompanhar as estridentes camisolas amarelas.

 

 

 

Neymar, no meio de tudo isto, continua a deslumbrar no relvado e a preocupar fora dele. O seu estilo dandy é inconfundivel, traz a marca do jogo de favelas e da habitual esperteza do desenrascanço brasileiro. Mas o "chico-espertismo" do brasileiro hoje não funciona num planeta futebol habituado a encontrar rapidamente o antidoto para cada veneno. E Neymar, como outros antes dele e muitos certamente depois, encanta mas não traz consigo um efeito surpresa. Nem na classe nos pés nem nos problemas fora do campo. É uma bomba-relógio que só ele mesmo poderá desactivar e um problema para os dirigentes dos grandes clubes europeus. Ter nos ombros o peso de um país pode fazer com que a bomba se active antes do tempo. Ou que se desactive permanentemente. Uma encruzilhada que tem em suspenso o Brasil. Dele depende a ilusão do futuro e a eficácia do presente. E o tempo, já sabemos, fugit!



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 11.03.11

Poucas equipas jogam tão bem na Ligue 1 como o modesto Sochaux. Uma verdadeira revolução dos pequenos e jovens liderada pelo ritmo frenético e criativo de Marvin Martin, o anti-diva do futebol gaulês. Numa época em que a França procura rapidamente limpar as feridas do corte geracional com a sua idade dourada, muitos acreditam que é Martin o porta-estandarte de uma nova vaga de jogadores que ainda sobem ao relvado pelo prazer de jogar.

 

 

 

Não deixa de ser um miudo de 22 anos. E relembra-o constantemente. Joga a consola, compra roupa nas lojas mais acessiveis e usa orgulhosamente nas costas o número 14, o mesmo do seu "arrondisement", o bairro social onde cresceu em Paris. É um filho da capital que, como tantos outros, teve de ir buscar a sua sorte na provincia. Apesar da sua profunda paixão pelo PSG - era um adepto fervoroso que não perdia um jogo - hoje a sua equipa joga mais a sul e pode mesmo roubar aos parisinos um posto na Europe League da próxima época. E graças aos seus momentos de magia.

Marvin Martin é diferente. Ao contrário de Samir Nasri ou Yohan Gourcouff, os ungidos herdeiros de Zidane que ainda não deram o salto definitivo, nunca quis viver sobre o estrelato de grandeza. É ambicioso como poucos mas sabe que a sua carreira seguirá as etapas naturais que o próprio Zizou ou o alemão Ozil, com quem tanto lhe comparam ultimamemte, foram queimando. Prestes a ser convocado pela primeira vez por um Laurent Blanc que já reconheceu que vê nele algo "distinto", Martin continua a ser o miudo de bairro que desfruta tanto do jogo como quando corria as ruas do seu bairro com a bola colada aos pés. Em Sochaux, terra da Peugeot que criou e patrocina ainda hoje o clube local, é uma estrela. Mas para o resto da França ainda é um relativo desconhecido. Um pais onde as equipas da provincia ainda criam pouco impacto na comunicação social e que se divorciou da selecção depois do triste espectáculo que viveu na África do Sul. É dificil imaginar Martin no papel do rebelde Anelka.

 

No miolo do terreno de jogo sente-se em casa. Pauta o ritmo de jogo, acelera, desmarca, finaliza.

É um jogador completo a quem só o fisico parece travar para dar o salto para outro nivel. Os olheiros dos grandes clubes da Europa nunca o tiveram debaixo do radar. Fizeram mal. Com o técnico Francis Gillot tornou-se num must see do futebol europeu. Em Sochaux, onde chegou em 2002 com apenas 14 anos, cresceu. Juntamente com o franco-argelino Ryad Boudebouz, Sloan Privat e Geoffrey Tulasne tornou-se no menino dos olhos do clube da cidade. As saídas de Jeremy Menez e Mevult Erdinç, dois amigos com quem partilhou horas de jogos de consola, e do veterano Stephane Dalmat fizeram com que o técnico lhe entregasse batuta da equipa. A aposta funcionou. O Sochaux, que na época passada esteve perto de ser despromovido, é agora o quinto classificado da Ligue 1, colocado nos postos europeus e a poucos pontos da Champions League. É também a equipa que melhor futebol pratica, se nos esquecermos por um momento do Lille de Rudy Garcia. E isso não é um mero acaso.

O ritmo de Martin é fundamental para que o jogo de passe e toque dos jovens amarelos funcione. Martin começou a marcar e a assistir como nunca este ano e a sua parceria com a dupla de atacantes, os também jovens Ideye Brown e Modibo Maiga, funcionou. O Sochaux não é só uma das equipas mais jovens do torneio. É também das mais eficazes. 

É expectável que a estância do jovem em Sochaux não dure muito. A chamada de Blanc à selecção confirmará a sua consagração nacional e isso, hoje em dia, significa que os falcões europeus estarão de olhos bem abertos. O exemplo de Ozil, resgatado ao Werder Bremen por apenas 17 milhões de euros pelo Real Madrid está bem vivo. E com o mercado em sérios problemas, é previsivel que jogadores jovens e baratos como Martin sejam verdadeiras pérolas preciosas. Além do mais, o estilo de jogo de toque popularizado pelo Barcelona, e onde Xavi brilha por cima dos demais, fez os clubes voltarem a interessar-se por um tipo de jogador que, segundo o próprio médio catalão, parecia estar em vias de extinção.

 

 

 

A verdade é que Marvin Martin tem todas as condições para triunfar. Não tem pressão, tem talento e faz parte de uma raça de jogadores rara e altamente cobiçada. O seu sucesso actual em Sochaux é apenas o primeiro capitulo de uma história que no final poderá perfeitamente tornar-se num fabuloso destino para o filho mais ilustre do banlieu 14.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 17.02.11

Ontem, pela primeira vez na sua curta e bem sucedida carreira, Guardiola deu a sensação de sentir uma brisa de medo a passear diante de si no relvado do Emirates Stadium. E entregou o jogo e talvez a eliminatória a uma equipa que estava amorfa e que se manteve de pé, estoicamente, graças ao génio e esforço de Jack Whilshire. O médio foi a grande diferença do Arsenal do ano passado para este, uma equipa sem medo de faltar ao respeito ao icónico Barça.

 

 

 

Talvez não seja casualidade que Pep Guardiola ainda não saiba o que é ganhar um jogo a eliminar da Champions League fora de casa.

Aqueles que sugerem que o técnico catalão, apesar de funcionar perfeitamente no seu clube do coração, teria dificuldade em trabalhar noutros cenários, têm aqui um argumento a seu favor. E já lá vão sete jogos (Lyon, Munique, Londres por três vezes e Milão) O mesmo se pode dizer do genial Leo Messi que, pela sexta vez saiu de Inglaterra sem marcar um golo. O ano passado compensou-o com a notável performance em Camp Nou. E é a isso que os blaugrana sempre se agarram. O seu feudo intransponível, onde ninguém praticamente consegue marcar mais do que um só golo, tem garantido o estatuto de favorito ao campeão espanhol. Mas a sua fragilidade fora de casa ficou, uma vez mais, a nu. E, pela primeira vez, também as opções do seu mentor.

Guardiola decidiu o jogo no momento em que retirou David Villa - autor do único golo e um dos mais lutadores no ataque - e lançou Seydou Keita para fechar o miolo e aprofundar ainda o mais o jogo de toque curto na linha média. Até esse momento a equipa catalã tinha sido, sem dúvida, a melhor sobre o terreno. Depois de um arranque fulminante do Arsenal, avisado pela meia-hora inicial do duelo do ano transacto (talvez a melhor primeira hora da história do futebol), o Barcelona tomou conta do jogo e começou a predicar a sua filosofia: passa e dá, passa e dá, passa e dá, rondo, rondo, rondo...até à exaustão alheia.

A defesa do Arsenal, claramente o seu sector mais débil, procurou jogar adiantada, criando um vácuo entre a bola e o jovem polaco Scezseny, uma das grandes promessas de Ilsington. Espaço aproveitado por três vezes pelo ataque blaugrana. Messi falhou duas vezes, Villa não perdoou. Só a labor de Jack Whilshire - 19 anos, para quem se esqueça - tapava os buracos deixados por um Cesc Fabregas apático e um Alexander Song de cabeça perdida. No ataque, depois dos raios iniciais, nem Nasri nem Walcott encontravam espaços para combinar com van Persie. O jogo era mais lento, mais pausado, mais aborrecido do que o ano transacto. Mas isso ao Barça preocupava pouco, jogava com o seu ritmo.

 

E depois veio o medo, ou pelo menos o mais parecido a isso que se viu sair da mente do Seny catalão.

Trocar o 4-4-3 ofensivo por um mais defensivo, com Iniesta escorado a um flanco (no outro andou, sempre desaparecido, Pedro) e Messi a vir buscar a bola aos pés de Xavi na linha de meio-campo, deu ar a um Arsenal agónico. O francês Wenger - até então tão apático como o seu capitão no terreno de jogo - lançou Arshavin e Bendtner para alargar o campo e a jogada surtiu efeito.

Se até então o Barcelona tinha procurado as laterais para desatascar o jogo central onde Whilshire, quase só, aguentava com Xavi e Iniesta, o Arsenal procurou precisamente o mesmo espaço para fazer a diferença. Clichy - apagadíssimo como sempre - encontrou van Persie que disparou sem hipóteses para um Valdés incapaz de imaginar que o genial holandês encontraria o buraco da agulha. Poucos minutos depois foi a vez de Fabregas encontrar Nasri que soube esperar e iludir a defesa blaugrana, entregando a bola para um Arshavin em movimento de apoio que não hesitou em bombardear para o 2-1. Uma reviravolta inesperada mas que honrava à única equipa que procurou atacar na segunda parte. O Barcelona preferiu gastar menos oxigénio e segurar o resultado e perdeu o norte. Messi, numa das suas noites mais desastradas, nunca conseguiu fazer a diferença e nem Maxwell nem Alves tiveram arte para abrir o campo e encontrar espaços na defesa gunner.

No entanto, a diferença, chamou-se Whilshire. O jovem internacional inglês o ano passado estava em Bolton, a madurar. Este ano apresentou a face do Arsenal que há muito não se via. Olhou nos olhos de Xavi e não lhe mostrou o respeito serviçal que o génio de Terrasa encontra. Deparou-se com o génio de Iniesta e soube como travá-lo com movimentos simples. E, no meio de tudo, soube encontrar forças para apoiar as rápidas transições ofensivas de Nasri, Walcott e Arshavin. Foi um verdadeiro pulmão no miolo e uma botija de oxigénio moral para um clube que se empequenecia sempre que o destino o fazia defrontar a sua particular nemésis europeia. Depois de seis jogos (2000, 2006, 2010), finalmente uma vitória. Uma vitória de Pirro, se os gunners não souberem repetir, pelo menos, a mesma atitude da meia hora final no dia 8 de Março. O golo de Villa pode valer ouro e é nesse tipo de situações que os blaugrana se sentem realmente cómodos.

 

 

 

Com Fabregas a pensar, provavelmente, no seu futuro em Can Barça, o futuro do Arsenal pareceu mais risonho do que nunca. Whilshire está preparado para recolher o testemunho (como fez o catalão com Henry há quatro anos) e pautar o ritmo do futuro projecto de Wenger, agora sem tantas restrições financeiras para trabalhar o mercado. Uma equipa extremamente jovem (23 anos de média) e com uma garra inaudita (terreno até hoje reservado, em Inglaterra, a Chelsea e Man Utd), este Arsenal pode sonhar com legitimidade. Mas sabe que vai mergulhar numa cova de leões de uma equipa celestial que se sente bem melhor quando está acompanhada pelo seu coro de querubins nesse santuário divino que se chama Camp Nou



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:28 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 15.10.10

Desde a chegada de Roman Abramovich que o Chelsea se tornou num projecto de milhões onde a formação deixou de fazer qualquer sentido. Mesmo os mais jovens chegavam provenientes de outros clubes, já formados, à procura de um lugar ao sol. É nesse imenso deserto que surge um imenso oásis. Josh McEarchran é mais do que o futuro dos Blues, é a possibilidade de começar uma nova etapa para o clube da moda em Inglaterra.

Quando se estreou frente ao Zilina no primeiro embate europeu do Chelsea esta época, McEachran fez duplamente história.

Tornou-se no primeiro jogador a actuar na Champions League nascido depois da prova ter oficialmente arrancado, em 1993. E passou a ser o primeiro jogador britânico formado inteiramente no Chelsea a actuar pelo clube nos últimos oito anos. Um feito considerável se temos em conta que, com 17 anos, McEarchran parece ter nascido para desafiar as evidências.

O jovem médio centro é um dos grandes beneficiados da polémica decisão de Carlo Ancelotti. O técnico italiano preferiu abster-se de mover-se pelo mercado, trazendo apenas o brasileiro Ramires e o israelita Benayoum para os lugares de Ricardo Carvalho e Michael Ballack, as únicas baixas da equipa campeã inglesa. Manter um plantel forte e competitivo mas sem grandes opções de banco é tarefa complicada para uma equipa com quatro frentes bem abertas. Por isso - e também por indicação da direcção, desejosa de poupar uns milhões - o técnico promoveu à primeira equipa quatro jovens das reservas. Entre eles McEarchran. A grande promessa do futebol inglês.

 

Só actuou em três jogos esta época mas os destelhos de talento que evidenciou foram suficientes para deixar antever que a promessa que se vinha formando na equipa junior do Chelsea era bem real. Médio centro de um recorte limpo foi peça nuclear na equipa do Chelsea que venceu a Youth Cup 2010, é um armador de jogo ao primeiro toque como há muito carece o futebol britânico. Filho de pais escoceses, cresceu desde pequeno nas instalações dos Blues vendo desfilar à sua frente as grandes estrelas pagas a peso de ouro por Abramovich. Desde os quinze anos que se assumiu - com Jack Wilshire do vizinho Arsenal - como a grande promessa das camadas jovens da selecção inglesa. Entre ambos foram deixando óptimas sensações nas equipas de sub-15 e sub-17 dos Pross. A vitória da Inglaterra no Euro sub-17 de 2010 contra a favorita Espanha teve muito mais de McEarchran do que qualquer outro elemento. Foi a primeira vitória internacional inglesa em largos anos. Um farol no meio da penumbra. A sua progressão dentro do Chelsea chamou a atenção de Ancelloti que já na época passada o chamou por diversas vezes para treinar com a primeira equipa. Nunca chegou a ser convocado mas as boas sensações tiveram continuidade na pré-época do conjunto britânico. Em Setembro chegaram as grandes oportunidades. McEarchran fez história ao estrear-se contra o Zilina na Champions (jogou também contra o Olympique Marseille) e na Premier League, na derrota dos Blues contra o Manchester City. No entanto o seu melhor jogo continua a ser frente ao Newcastle, na passada eliminatória da Carling Cup onde se assenhorou do meio-campo dos Blues com uma autoridade inusitada.

Não é expectável que o Chelsea lhe entrega a batuta da equipa nos próximos anos mas a verdade é que o facto de surgir pela primeira vez um jogador britânico made in Chelsea com talento é realmente noticia. McEarchran tem todas as condições para se afirmar como o futuro do futebol britânico. Rapidez, destreza, agilidade e uma técnica fora da média. Agora só falta percorrer o caminho passo a passo, sem nenhum golpe em falso. A sua existência é, já de por si, uma luta genuina contra a dura evidência do futebol inglês.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 14:56 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 06.10.10

Num clube impulsionado pelos milhões árabes do petróleo, orientado por um controverso italiano e repleto de jogadores dos quatro cantos do Mundo seria de estranhar que a grande referência da equipa fosse um jovem inglês? Inevitavelmente. Mas Adam Johnson traz para a miscelânia de talentos que forma este City um toque de classe imprevisível.

Houve várias vozes criticas quando Fabio Capello divulgou a lista de 23 mundialistas no passado mês de Maio. Não havia espaço para Adam Johnson.

No entanto o jovem extremo, contratado pelo Manchester City ao nortenho Midlesborough, colhia o favoritismo da critica e do público para viajar com os Pross. Teve direito a um Verão de descanso enquanto que os internacionais voltavam de cabeça baixa. Também por isso ele é o rosto da nova Inglaterra. Mais solta, mais aguerrida, mais determinada. Johnson confirma agora, aos 23 anos, tudo aquilo que deixava antever há quatro épocas atrás quando irrompeu no Boro. Na altura ninguém era capaz de prever o descalabro do clube nortenho. O extremo estreou-se num duelo europeu contra o Sporting e teve tempo para crescer. Natural de Sunderland, um verdadeiro guerreiro do norte, Johnson traz em si a irreverência e descaro que habitualmente falta ao futebolista inglês, todo raça e ordem. As suas diagonais, o potente remate de pé esquerdo fazem lembrar os seus dois idolos de infância, David Ginola e Ryan Giggs. Tal como eles é capaz de desiquilibrar e abrir o campo de forma automática e autoritária. Uma modalidade tão invulgar que rapidamente fez dele um jogador a seguir. Mas Johnson precisou de tempo para explanar o seu jogo. No caótico Midlesborough soube irromper como estrela e os pontuais empréstimos a Leeds e Watford deram-lhe a força suficiente para entender o lado mais dramático do jogo.

 

Quando começou a render Stewart Downing, outra promessa por concretizar, poucos imaginavam que se estava a gestar um jogador tão determinante. A sua propensão pela diagonal em vez de optar pela corrida rumo à linha de fundo, trademark do extremo britânico, notou-se de imediato que havia ali um recorte particular. A pouco e pouco Johnson foi-se tornando na figura de uma equipa em queda livre. A saída de Downing para o Aston Villa abriu-lhe definitivamente a titularidade que o jovem agarrou com unhas e dentes. De tal forma que no meio de tantos milhões gastos em estrelas internacionais (Robinho, Tevez, Adebayor, Millner, Barry, Silva, Touré, Lescott, De Jong, ...) o Manchester City encontrou um miseros seis milhões de libras para trazer o jovem da luta pela promoção no Championship à disputa pela Champions League na Premier. Mark Hughes tinha dado o aval, Roberto Mancini, um virtuoso por excelência, deu a aprovação final.

Quatro dias depois de assinar pelos Citizens, Johnson estreou-se com a sua nova camisola rendendo Stephen Ireland, um dos poucos resistentes britânicos do clube do petróleo árabe, num duelo com o Hull. Foi o arranque de um final de época captivante. Três dias depois era eleito o melhor em campo, no seu primeiro jogo a titular, e imediatamente depois conseguia o golo do empate no confronto contra o clube da sua cidade natal, o Sunderland. A dez segundos do fim.

O final de época consagrou-o como o jogador diferente e o arranque da nova temporada só fez mais do que confirmar as expectativas. Mancini, rendido, já não nega a dar-lhe a condução da equipa, relegando até o campeão do Mundo espanhol, David Silva, para o fundo do banco de suplentes. O golo épico frente ao Newcastle, num jogo de loucos, é só mais um aperitivo para uma época que se antecipa longa. E cheia de espectáculo.

Encontrar uma jovem promessa inglesa que prometa algo diferente às vezes é tão complicada como encontrar uma agulha num palheiro. Adam Johnson tem esse toque de classe que tantas vezes escasseia. Já se assumiu como a diferença numa equipa paga a peso de ouro e onde o inglês é um idioma esquecido. Agora a próxima etapa é provar na selecção inglesa que a chama do futuro saiu do seu pé esquerdo. Ele é o factor britânico que faz a diferença.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 14:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 25.09.10

Rosto impenetrável e juvenil. Visual descuidado e longos braços e pernas, magros e elásticos. Da ribeira do Manzanares ao tapete verde do Calderón emergiu um "superportero". Poucos guarda-redes atingiram tamanho nível de excelência tão cedo. Com 19 anos, David De Gea é o homem do momento no futebol europeu. Um verdadeiro Don David...

Casillas, Cech, Buffon, Julio César e Lloris são, provavelmente, os cinco melhores guarda-redes do Continente. Agora.

Todos eles sabem que agora contam com um rival à altura. Não faltou pouco (se é que já não o é) e David De Gea estará nessa lista. Possivelmente no primeiro lugar. Muito possivelmente. Tem todas as condições para confirmar-se como o melhor guarda-redes do planeta. Com um ano apenas no futebol profissional o jovem internacional esperanças madrileño é já uma imensa certeza. Se fosse ponta-de-lança ou extremo o seu passe já andaria pelos 60 milhões de euros, cláusula de rescisão incluida. Mas é portero, o seu labor é outro. Tão ou mais importante. Mas infinitamente menos mediático. Não vale mais do que 25 milhões, segundo o último contrato assinado pelo Atlético de Madrid, clube do seu coração, clube que o formou e lançou aos leões no estádio do Dragão na passada edição da Champions League. Lançado por outro portero histórico do futebol espanhol, Abel Resino, o jovem David vinha só para cumprir com a baixa do colega. Um colega tido como a grande promessa das redes espanholas. Mas a lesão (e instabilidade emocional) do jovem Sergio Asenjo foram a porta de entrada que o jovem de 18 anos precisava. Quando chegou à titularidade, nunca mais a largou. Nem com Asenjo no banco a reclamar por minutos, nem com o Calderón desconfiado. Num ano onde a equipa oscilou entre o inferno e o céu, David de Gea tornou-se o rosto feliz da segunda etapa. Dos jovens sonhadores. Dos rostos imparáveis.

 

O impacto de De Gea no futebol espanhol podia comparar-se com a errupção do vulcão Leo Messi. Mas no extremo oposto.

Durante um ano o Atlético de Madrid teve no jovem o seu maior seguro de vida. Mais do que a dupla Forlan-Aguero, as suas exibições encheram o os olhos, semana atrás de semana. Foi fulcral na final europeia ganha ao Fulham e na épica vitória frente ao Inter de Rafa Benitez. No arranque da nova época fez do Atlético lider. Com defesas impossíveis como as da passada quarta-feira em Valencia, no Nuevo Mestalla.

Contra o Barcelona, o super-Barça de Guardiola, esteve sublime. Evitou uma goleada histórica. Sempre com a mesma expressão de jovem traquinas a viver um sonho. A ele não lhe importa se é Messi, Ronaldo, Villa ou Torres que tem diante. A todos responde com a mesma autoridade. Aquela que nos habituamos a ver nos veteranos consagrados. Nunca num jovem flamante que não treme, não fraqueja, não cede.

No final do encontro foi ter com Victor Valdés, o seu idolo, apesar de ser do Barça. E foi o Zamora, o rival de Iker Casillas - o terceiro em discórdia - que se rendeu ao talento do jovem. Do já Don e senhor.

Se tanto Valdés como Casillas tiveram inicios tremidos, perdendo a titularidade depois das primeiras exibições (para Rustu e para César), e se Buffon, Júlio César e Cech demoraram também o seu tempo para se afirmarem como elementos fiáveis, que dizer de um guarda-redes que relembra o jovem Peter Schmeichel ou o imberbe Vitor Baía. O seu descaro é genuino e inocente, como cada estirada impossível a que dá forma. Sir Alex Ferguson, há anos sabiamente a patrulhar a melhor liga do Mundo para encontrar guarda-redes de primeiro nível (apesar de ter falhado com Ricardo, agora no Osasuna), está desesperado por resgatá-lo para render um Edwin van der Sar no ocaso da sua longa carreira. De tal forma que preferiu ir vê-lo in loco (sob o pretexto de observar o Valencia, o próximo rival da Champions, a treinar a sua equipa - onde se estreou a sua arriscada aposta chamada Bebé - no jogo da Carling. Inédito mas natural, o guardião do Atlético não encaixa no conceito da normalidade. De Gea tem todas as condições para suceder, em grandeza, ao gigante dinamarquês. Só alguém com um perfil forte é capaz de aguentar o inferno de Old Trafford, a loucura da Premier League. O seu rosto de manchego tranquilo diz tudo. Para ele o desafio é o de menos. O desfrute prevalece a cada segundo.

David De Gea poderá ter de penar até Iker Casillas (e Victor Valdés) deixaram de convencer os seleccionadores espanhóis que contam com um filão de ouro inesgotável. Mas tem todas as condições, fisicas e psicológicas, para se tornar num dos nomes obrigatórios na história do futebol. Mas já ninguém duvida ao observar o seu olhar felino que o jovem de Madrid tem tudo para ser o superportero do novo milénio.  



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:44 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Quarta-feira, 18.08.10

José Mourinho nunca foi um treinador conhecido pela sua aposta na juventude. Um rótulo que funciona bem nos modelos criativos de Arséne Wenger, Louis van Gaal ou Josep Guardiola mas que, para muitos, entra em confronto com o perfeccionismo táctico que exige o técnico português. Uma teoria bem afastada da realidade e que o Special One está prestes a desmontar na sua aventura espanhola.

Que o autor do primeiro golo na final da Champions League de 2004 tenha sido um jovem brasileiro de 19 anos contratado por petição expressa do técnico mais mediático do Mundo, é algo que parece apenas ser um detalhe para os criticos de um treinador a quem a obsessão de ganhar fez perder os admiradores do futebol purista. Aqueles que, além da estética no rectângulo também se apaixonam com as constantes ondas de novos talentos que os técnicos lançam às feras. Sim, José Mourinho seria incapaz da temeridade de Guardiola ou Wenger, capazes de alinhar em jogos a eliminar uma equipa que podia passar perfeitamente pelos júniores. O seu gene ganhador impede-o. Mas isso não faz, nem nunca fez, de Mourinho, um técnico que não aposta na formação e na juventude, como contraponto à experiência, que ele sabe (não sabemos todos?) ser vital para aguentar um longo ano ao mais alto nível.

Carlos Alberto no FC Porto (e, porque não, Paulo Ferreira ou Ricardo Carvalho, então praticamente desconhecidos), foi o primeiro exemplo de um jogador jovem moldado pelo técnico para vencer. Na sua vida pós-Mourinho o pequeno génio que destroçou Manchester United e AS Monaco eclipsou-se, como tantos outros. Mesmo em Londres, rodeado de compras milionárias, o técnico luso teve tempo e paciência para armar uma equipa de futuro. John Obi Mikel, roubado das garras do Man Utd, Salomon Kalou, Lass Diarra ou Shaun Wright-Philips, foram apostas constantes do treinador quando ainda davam os primeiros passos na alta roda. Já em Milão, a última etapa da sua odisseia desportiva, o técnico não duvidou no primeiro ano em lançar aos leões o jovem David Santone, uma das grandes promessas do Calcio. Uma aposta que só não deu os seus frutos porque na sua segunda temporada em San Siro uma grave lesão afastou o lateral dos relvados durante largos meses.

 

Um repasso que ajuda também a explicar as motivações de Mourinho na preparação desta nova época desportiva, a sua estreia na liga espanhola. No inicio do Verão a imagem do técnico que só apostava em veteranos constatava-se facilmente pela lista de jogadores supostamente pretendidos pelos merengues. De Ashley Cole a Steven Gerrard, de Maicon a Ricardo Carvalho passando por Michael Ballack ou Didier Drogba. Veteranos dos quais só o central português, num negócio apalavrado há um ano com Roman Abramovich, se tornou em realidade soldado do exército merengue. Num plantel onde os veteranos não abundam (Casillas, com 29, é o mais antigo e um dos jogadores mais velhos do plantel), e em que até os simbolos máximos da formação local, Guti e Raúl, foram convidados a conhecer outros ares, há uma autêntica reviravolta na aposta no mercado, depois dos 320 milhões gastos no ano passado em jogadores consagrados no mercado.

Do jovem Sérgio Canales (contratado muito antes da chegada do português) à promessa espanhola Pedro León, passando pelo argentino Angel Di Maria e os alemães Sami Khedira e Mesut Ozil, este novo Real Madrid é uma equipa mais fresca, jovem e ambiciosa.

Se Mourinho encontrou essa ambição de ganhar tudo em jogadores desconhecidos no Porto, jogadores desprezados em Inglaterra e veteranos ignorados em Itália, em Espanha a fórmula parece ser mesmo apostar em jovens lobos sedentos de sangue de vitória. A mesma táctica que o Barcelona, com a diferença que o producto é de importação, e não de fabrica próprio. Pelo menos, até ver.

La Fabrica, a rival madridista de La Masia, produz mais futebolistas de primeira divisão que o centro de formação blaugrana. O problema é que só três deles estão no plantel principal do Real Madrid. O trabalho de Mourinho, como tem sido visivel na pré-época, é recuperar esse espirito, responsável pelos triunfos da Quinta del Buitre ou da geração de Raul, Guti, Morientes e companhia, antes do inicio das Galáxias milionárias. Se para isso o português precisa de tempo, já as apostas claras em jogadores jovens para escudar Cristiano Ronaldo (25), Kaká (28), Gonzalo Higuain (23), Sérgio Ramos (24), Pepe (27), Xabi Alonso (29) e Iker Casillas (29) manda um forte sinal de golpe na mesa. De jogadores que nunca ganharam nada num clube que quer ganhar sempre.

É fácil ver que Mourinho terá nos veteranos os seus braços-direitos. A figura de Carvalho e de Casillas será preponderante no equilibrio mental de uma equipa em formação, ao contrário do projecto já há muito consolidado do Barcelona. O esquema táctico será o de menos num conjunto onde o técnico apostará forte no comportamento competitivo. Uma equipa mais equilibrada de que a da época passada, mas sem tempo para experiências. Se Ozil terá a batuta e Di Maria a responsabilidade de abrir o campo, já Khedira, Canales e Pedro León terão todo o tempo do Mundo para assimilar os processos do técnico sob a sombra de Alonso, Ozil e Cristiano Ronaldo. Um trabalho que no relvado será dificil de apreciar mas que será o grande desafio de Mourinho, o homem que rompeu com a política suícida de Florentino Perez e o auto-deslumbramento de Jorge Valdano. Talvez o único homem capaz de perceber a verdadeira realidade por detrás do Real Madrid. Só por isso, seguir o desafio da progressiva maturação da sua esquadra, será um dos pratos mais apetecidos do ano. Porque Mourinho nunca defrauda. 



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 10.08.10

A saída de David Silva abriu um buraco na orquestra valenciana. O clube espanhol foi rápido e garantiu os serviços de uma das maiores promessas do futebol gaulês. Feghouli tem nos pés a irreverência e atrevimento de quem joga sem nada a perder. Depois de dois anos ao melhor nível no modesto Grenoble, a Europa espera mais um candidato a suceder a Zizou...

Milhões de pessoas tinham acabado de abrir os presentes quando Feghouli quis nascer. Essa festa não era nada com ele. A sua viria depois. 

O jovem de ascendência argelina, mais um dos muitos que povoam o hexágono, nasceu a 26 de Dezembro de 1989 em Levallois-Perret, um desses muitos banlieus povoados de imigrantes magrebinos que dão outra cor à bela Paris. Como todos, Sofiane Feghouli cresceu a ver de perto a miséria e com a sede de conquistar a Mundo da única forma que sabia. Com uma bola nos pés.

Começou a jogar em pequenos clubes de bairro e em 2005 apresentou-se no Paris Saint-Germain para uma prova. O clube dos seus sonhos, aquele que Paris ainda não aprendeu a amar até à exaustão, disse-lhe que não. Demasiado baixo, demasiado magro, demasiado árabe, talvez. O rapaz não desistiu. Cresceu, alimentou-se, mas tornou-se mais magrebino do que nunca, rumando para sul. Nos Alpes encontrou o seu recanto particular. E começou a despontar como uma nova e brilhante estrela no firmamente juvenil gaulês, em periodo de reinvenção.

 

A estreia com o Grenoble Foot 38 surgiu num dia chuvoso de Abril de 2007. Contra o Stade de Reims, um dos duelos quentes da Ligue 2. Tinha 17 anos.

A boa exibição deu-lhe confiança. Em vez de voltar ao banco, o técnico apostou nele para os restantes jogos que da época. Convenceu. De contracto amador passou a profissional, assinando até 2010 com o clube. Com uma pequena cláusula de rescisão. Sempre a pensar no futuro. Em 2008 explodiu e começou a ouvir a expressão "petit Zidane" por todos os lados. Capa de L´Equipe e Onze, o jovem tornou-se na mais quente sensação da liga francesa. O seu futebol vertical desarmava as defensivas contrárias. Rápido, solicito, sempre hábil no disparo, Feghouli tornou-se na estrela da companhia e liderou o conjunto alpino a uma história promoção. Algo que ninguém esperava e para o qual as suas oito assistências e três golos foram fundamentais. O clube segurou-o das investidas locais, particularmente do Olympique Marseille, e viu-o estrear-se pela selecção sub-21 francesa contra a Bosnia. Para desespero dos pais, que o queriam ver com a camisola argelina. Um sonho de todos e de ninguém.

Durante dois anos Feghouli tornou-se, por definição, num dos enigmas Ligue 1. No seu primeiro ano como profissional na alta roda actuou em 24 jogos até que uma gravíssima lesão, no duelo contra o Veledrome, o impediu de terminar o ano. Perdeu a pré-época da última temporada, ainda a recuperar-se do golpe, e quando quis voltar, em Outubro, voltou a recair na lesão. O menisco cedeu e teve de voltar à mesa de operações. Quando todos pensavam que iria explodir, o corpo pediu descanso. Até ao final da temporada, agónica para o Grenoble, o jogador foi mantido à parte. A direcção não gostou de que o Valencia se tivesse entrometido entre as negociações de renovação de contracto. O clube espanhol levou a melhor e assinou com o jogador em Maio, antecipando já a saída de Silva. Ao jovem franco-argelino foi prometido o papel de criativo mor de uma equipa que regressa pela porta grande à Champions League. Resta saber se o corpo de Feghouli aguentará o desafio.

Desde que Zidane se afirmou que França clama pelo seu sucessor. De Nasri a Ben-Arfa, muitos foram já os que ostentaram o rótulo de sucessor do idolo gaulês por excelência. Sofiane Feghouli é um jogador radicalmente diferente, vertical e rápido, mais apto para equipas que jogam em velocidade e não conjuntos que gostam de parar e pensar excessivamente o jogo. O seu modelo adequa-se bem à velocidade de Mata e Dominguez, os seus futuros parceiros de ataque, e agora terá de ser o alto nível de exigência da Liga BBVA a ditar sentença.  



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:17 | link do post | comentar

Quarta-feira, 04.08.10

Joachin Low deu forma à recente revolução da Bundesliga na última convocatória mundialista alemã. Mas ainda ficaram muitos nomes de fora. Nomes para o futuro com impacto imediato. Timo Gebhart é um dos casos mais sérios de crescimento acelerado. Filho da genial geração jovem do 1860 Munchen, tem agora a eterna rival Estugarda á espera do seu toque mágico.

O jovem Gebhart cresceu em Memminguem, pequena e bela cidade da Baviera, mas nunca revelou essa eterna predilecção pelo gigante Bayern tão habitual nos jovens do sul da Alemanha. A sua familia, de origens mais humildes, sempre teve uma particular admiração pelo histórico 1860. E foi para aí que o jovem partiu, em 2007, quando cumpriu os 18 anos e decidiu dedicar-se exclusivamente ao futebol. O clube, então na Bundesliga 2, aprovou a sua contratação, depois de uma semana de provas onde o jovem travou amizade com uma série de jogadores que se revelaram a nata da formação do clube bávaro dos últimos anos, como os irmãos Sven e Lars Bender, Alexander Eberlein ou Florian Jungwirth.

Com esta equipa extremamente jovem, Gebhart começou a encontrar o seu espaço. Arrancou a época como extremo direito, mas a variação táctica de 4-3-3 para 4-2-3-1, deslocou-o para a posição de falso avançado. A sua finta em velocidade rapidamente transformou-se numa imagem de marca, até porque Gebhart não precisou de muito para se tornar presença assidua na selecção da Alemanha de sub-17 e sub-19, apesar de actuar na segunda divisão do futebol germânico. Aí coincidiu com vários colegas do 1860, mas também com outras promessas do futebol germânico Em 2008 sagrou-se campeão da Europa, marcando o golo decisivo na final. Um titulo que anunciava a revolução que se preparava nas entranhas do futebol alemão.

 

A sua primeira época no 1860 Munchen não teve o sucesso esperado. O clube bávaro falhou a promoção por muito pouco, resultado talvez da excessiva juventude dos jogadores chave do plantel. Gebhart sofreu a acusação dos adeptos de jogar demasiado para o espectáculo, perdendo aquele toque de efectividade que já se reconheciam a outros craques da sua geração.

Apesar das criticas, certas em alguns casos, Timo continuou a sua evolução natural. Já com o titulo de campeão europeu no bolso, surgiu na máxima força no arranque da época 2008/2009 e voltou a mostrar a sua melhor arma. De tal forma que na paragem de Inverno o jogador foi transferido para o Estugarda. Aí coincidiu directamente com Christian Trasch, Thomas Hitzpleberger e Sami Khedira no miolo de jogo dos bávaros e sob a batuta de Markus Babbel começou a sofrer uma transformação táctica em tudo semelhante ao que pudemos seguir este ano com Bastian Schweinsteiger. Passou da ala para o eixo central, melhorou o seu remate de meia distância e transformou-se num jogador ofensivo com forte vocação defensiva. Fez parte da equipa que cavalgou pela tabela até chegar ao segundo lugar e no ano seguinte o jovem internacional disputou o seu primeiro encontro oficial na Champions League. A chegada de Hleb, por empréstimo, e a definitiva afirmação do seu amigo Khedira como médio de contenção afastaram-no da equipa titular, mas com o final de época voltou a recuperar algum do protagonismo.

A saída de Khedira do clube alemão abrirá as portas da titularidade ao jovem Gebhart. A sua ascensão tem sido rápida e prodigiosa, faltando agora dar o salto final rumo à Mannschafft. Com esta politica desportiva tudo indica que o jovem médio tem tudo para se assumir como uma das referências do jogo ofensivo alemão na próxima década.

 



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Ultimas Actualizações

Nii Lamptey, a maior prom...

O futebolista português d...

Vaz Tê à procura do tempo...

Rodrigo, metamorfose futu...

Muniainomania!

Últimos Comentários
Thank you for some other informative web site. Whe...
Só espero que os Merengues consigam levar a melhor...
O Universo do Desporto é um projeto com quase cinc...
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
Posts mais comentados
arquivos

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

.Em Destaque


UEFA Champions League

UEFA Europe League

Liga Sagres

Premier League

La Liga

Serie A

Bundesliga

Ligue 1
.Do Autor
Cinema
.Blogs Futebol
4-4-2
4-3-3
Brigada Azul
Busca Talentos
Catenaccio
Descubre Promesas
Desporto e Lazer Online
El Enganche
El Fichaje Estrella
Finta e Remate
Futebol Artte
Futebolar
Futebolês
Futebol Finance
Futebol PT
Futebol Total
Jogo de Área
Jogo Directo
Las Claves de Johan Cruyff
Lateral Esquerdo
Livre Indirecto
Ojeador Internacional
Olheiros.net
Olheiros Ao Serviço
O Mais Credível
Perlas del Futbol
Planeta de Futebol
Portistas de Bancada
Porto em Formação
Primeiro Toque
Reflexão Portista
Relvado
Treinador de Futebol
Ze do Boné
Zero Zero

Outros Blogs...

A Flauta Mágica
A Cidade Surpreendente
Avesso dos Ponteiros
Despertar da Mente
E Deus Criou a Mulher
Renovar o Porto
My SenSeS
.Futebol Nacional

ORGANISMOS
Federeção Portuguesa Futebol
APAF
ANTF
Sindicato Jogadores

CLUBES
Futebol Clube do Porto
Sporting CP
SL Benfica
SC Braga
Nacional Madeira
Maritimo SC
Vitória SC
Leixões
Vitoria Setúbal
Paços de Ferreira
União de Leiria
Olhanense
Académica Coimbra
Belenenses
Naval 1 de Maio
Rio Ave
.Imprensa

IMPRENSA PORTUGUESA DESPORTIVA
O Jogo
A Bola
Record
Infordesporto
Mais Futebol

IMPRENSA PORTUGUESA GENERALISTA
Publico
Jornal de Noticias
Diario de Noticias

TV PORTUGUESA
RTP
SIC
TVI
Sport TV
Golo TV

RADIOS PORTUGUESAS
TSF
Rádio Renascença
Antena 1


INGLATERRA
Times
Evening Standard
World Soccer
BBC
Sky News
ITV
Manchester United Live Stream

FRANÇA
France Football
Onze
L´Equipe
Le Monde
Liberation

ITALIA
Gazzeta dello Sport
Corriere dello Sport

ESPANHA
Marca
As
Mundo Deportivo
Sport
El Mundo
El Pais
La Vanguardia
Don Balon

ALEMANHA
Kicker

BRASIL
Globo
Gazeta Esportiva
Categorias

a gloriosa era dos managers

a historia dos mundiais

adeptos

africa

alemanha

america do sul

analise

argentina

artistas

balon d´or

barcelona

bayern munchen

biografias

bota de ouro

braga

brasileirão

bundesliga

calcio

can

champions league

colaboraçoes

copa america

corrupção

curiosidades

defesas

dinamarca

economia

em jogo

entrevistas

equipamentos

eredevise

espanha

euro 2008

euro 2012

euro sub21

euro2016

europe league

europeus

extremos

fc porto

fifa

fifa award

finanças

formação

futebol internacional

futebol magazine

futebol nacional

futebol portugues

goleadores

guarda-redes

historia

historicos

jovens promessas

la liga

liga belga

liga escocesa

liga espanhola

liga europa

liga sagres

liga ucraniana

liga vitalis

ligas europeias

ligue 1

livros

manchester united

medios

mercado

mundiais

mundial 2010

mundial 2014

mundial 2018/2022

mundial de clubes

mundial sub-20

noites europeias

nostalgia

obituário

onze do ano

opinião

polemica

politica

portugal

premier league

premios

real madrid

santuários

seleção

selecções

serie a

sl benfica

sociedade

south africa stop

sporting

taça confederações

taça portugal

taça uefa

tactica

treinadores

treino

ucrania

uefa

todas as tags

subscrever feeds