Segunda-feira, 28.05.12

Michael Thomas tem um rival para a posteridade. Sergio Aguero entrou para a história como o autor do golo mais agónico e determinante da história da Premier League. Uma vitória asfixiante sobre um heróico QPR que manteve o Manchester United com a esperança de mais um triunfo nos derradeiros instantes. No final, 700 milhões de euros depois, o City quebrou uma malapata de 44 anos e voltou a proclamar-se campeão inglês num ano de muitas surpresas e desilusões num campeonato que continua a manter o suspense apesar de perder, progressivamente, qualidade.

Em três anos nunca um clube tinha gasto tanto dinheiro para conseguir um objectivo tão concreto: o titulo inglês.

Roberto Mancini logrou à segunda tentativa o troféu mas não sem sofrer mais do que um plantel de 700 milhões justificaria. O jogo espesso do City em largas partes da temporada parece um dos lados da moeda. No outro as goleadas consecutivas, resultado normal de um ataque por onde passaram Tevez, Balotelli, Dzeko, Silva e Aguero, peças nucleares na reconquista de um titulo ganho no pulso final a um Manchester United low cost, fraco como nunca outro projecto de Alex Ferguson, mas que teve o mérito de manter-se até ao final na luta pelo titulo. 

 

O United começou bem e perdeu gasolina à velocidade com que perdia jogadores. O débil meio-campo levou a Ferguson a resgatar a Scholes e a alinhar, nos jogos importantes ao histórico centrocampista com Ryan Giggs, o miolo mais veterano da história da Premier. Nos dois duelos directos contra o rival de Manchester duas derrotas categóricas deixaram claro que, no mano a mano, era impossível aos Red Devils manterem o pulso. Mas os tropeções de um Mancini sempre temeroso nas grandes noites mantiveram o duelo aceso e os dois golos inesperados do QPR deram a sensação de que havia algo mais forte do que a lógica por detrás de Ferguson, como naquela noite de Barcelona em 1999. Mas sucedeu o contrário, o futebol decidiu transformar os jogadores do United em reencarnações contemporâneas de Kahn, Effenberg, Mathaus, Kuffour e companhia e confirmar Aguero como figura de proa no seu primeiro ano de futebol inglês.

 

A gesta do QPR quase que serviu para confirmar a salvação do clube londrino mas no último minuto já nem era necessário.

O Bolton, que sofreu na pele a escalofriante situação vivida por Fabrice Muamba, seguiu a Wolverampton e Blackburn Rovers na despromoção ao Championship. Mas o sofrimento sentiu-o, mais do que nunca, um Aston Villa que dista muito do projecto criado por Martin O´Neill e que ameaça tornar-se em mais um histórico problemático como foram Leeds, Newcastle e Nottingham Forrest.

A Premier que tem perdido alguns dos seus melhores jogadores e algo de qualidade de jogo manteve-se emocionante em resultados e na dinâmica da tabela classificativa. O Newcastle foi uma verdadeira lufada de ar fresco e o Tottenham de Redknapp durante alguns meses pareceu dar a sensação de poder ambicionar a algo mais mas a saída de Capello do banco inglês mudou a mente do técnico e levou a um profundo descontrolo do plantel que acabou num tremido quarto posto por detrás de um Arsenal que, um ano mais, luta de igual para igual com equipas com orçamentos infinitamente superiores, mérito indiscutível de Arsene Wenger.

No lado negro da época a terrível campanha de Kenny Dalglish ao leme do Liverpool, com o pior registo doméstico em décadas, e sobretudo a época do Chelsea. Apesar da final da Champions League, o clube londrino terminou a Premier no pior lugar da última década, um sexto posto cuja responsabilidade é preciso distribuir entre Villas-Boas, um plantel em revolta constante e a um Roman Abramovich que continua sem saber muito bem o que quer para o seu clube.

 

 

 

Jogador do Ano

David Silva

 

Há poucos jogadores de futebol na actualidade com a classe e rapidez de raciocínio que o espanhol David Silva. Não havia espaço para ele no projecto de Guardiola e no colete de forças de Mourinho e a Premier tornou-se o seu destino inevitável. Se o Manchester City é, finalmente, campeão, deve-o a ele mais do que a qualquer outro. Marcou, assistiu, encantou, pautou o ritmo e soube emergir como o lider que os citizens precisavam depois de 700 milhões de euros gastos em mais de 30 jogadores para encontrar o caminho ao El Dorado. Ninguém duvida que, no futebol actual, Silva é um dos nomes maiores.

 

 

Revelação do Ano

Papisse Cissé

 

Chegou em Janeiro depois de dar nas vistas no Freiburg. Mas ninguém imaginava que o seu impacto ia ser tão devastador. Em treze jogos pelo Newcastle marcou treze golos, alguns dos quais dignos de entrar na galeria dos melhores do ano. Soube substituir quando necessário o goleador da primeira volta dos Magpies, Demba Ba, e soube também combinar com ele e Cabaye para garantir um sprint final memorável para o clube do Tyne. Em meia temporada deixou a pensar os principais directores desportivos dos clubes de topo europeus.

 

Onze do Ano

 

Apesar do talento incrivel de Joe Hart a nossa opção recairia sobre o imenso holandês Tim Krul, baluarte de uma grande época para o Newcastle United.

 

Na defesa de quatro jogariam Micah Richards (City), Gary Cahill (Bolton/Chelsea), Kyle Walker (Tottenham) e Leighton Baines (Everton). Quatro jogadores que explicam bem a forma como o trabalho defensivo é encarado na Premier League, onde a força e a raça são mais valorizados do que o controlo de bola e o posicionamento táctico.

 

David Silva lidera o meio-campo deste onze de forma inevitável acompanhado pelo francês Yohan Cabaye do Newcastle e pelo seu colega de equipa Yaya Touré.

 

No ataque jogam os inevitáveis Wayne Rooney, que continua a ser o mais determinante jogador inglês da actualidade, lado a lado com o holandês Robbie van Persie e o homem decisivo da Premier, o argentino Sergio Aguero.

 

Treinador do Ano

Alan Pardew

 

O que logrou Alan Pardew com este Newcastle não tem nome. Um clube habituado a falhar, a desiludir e a seguir pelo caminho errado, encontrou neste técnico a sua tabua de salvação espiritual. Sem dinheiro para investir, Pardew montou um onze tremendo em qualidade e poupado em gastos. Deu a batuta de jogo a Cabaye, apostou no perfume africano do golo, com Ba e Cissé, e garantiu uma defesa de ferro liderada por Krul, outra aposta pessoal. Manteve o plantel fresco, apesar das lesões, soube esquivar a pressão de dormir largas jornadas perto de postos europeus, um oásis para um clube muito necessitado de injecção financeira, e acabou a época num mais do que meritório XXX, diante do todo poderoso Chelsea e dos históricos Liverpool e Everton. Quase nada!



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:39 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sábado, 26.05.12

Depois do purgatório, a glória. A Juventus não é um clube de esquecer. Nem de como voltar do inferno nem de como ganhar. O 28º titulo bianconero, sem os dois polémicos retirados pelo Moggigate, reafirma o conjunto turinês como o maior do país da bota. Mas a forma como Antonio Conte levou os seus ao titulo, num ano em que sumou 15 empates, diz também muito do nivel da Serie A. Durante semanas o AC Milan teve a liga no bolso e deixou-a escapar. O Internazionale continua a viver a sua particular via crucis depois da saída de Mourinho e entre os clubes de Roma, Napoli e Udine estiveram os mais interessantes duelos de um ano onde faltou emoção e grandes jogos. Um ano marcado por muitas despedidas e maiores incógnitas futuras.

 

Um campeão invicto é sempre algo assinalável. Se esse campeão coleciona 15 empates em 38 jogos a sensação muda radicalmente.

A Juventus venceu o seu 28º scudetto num ano em que foi melhor que a concorrência mas onde nunca deu uma clara sensação de superioridade como demonstram os sucessivos tropeções da Vechia Signora. Só com quatro equipas é que o conjunto turinês logrou vencer os dois jogos nas duas voltas do campeonato, a maioria dos rivais do campeão conseguiu, de uma forma ou de outra, roubar-lhe pontos. E nem isso impediu Antonio Conte de fazer história.

O antigo médio do conjunto bianconero encontrou o equilibrio necessário para vencer sem ter uma só estrela no plantel. Montou o onze à volta de Pirlo, colocando Marchisio e Vidal como fieis escudeiros. Funcionou. Pelo ataque passaram muitas alternativas e nenhuma delas totalmente convincente, de tal forma que Del Piero, no seu ultimo ano em casa, continuou a ser uma das referências goleadoras. Atrás a segurança de Buffon e a boa época de Chiellini e Lieschteiner fizeram-se notar e garantiram que nem por uma só vez o clube tivesse de lamentar uma derrota. A verdadeira arma do campeão no seu duelo com o AC Milan.

 

Durante largos meses os rossoneri pareciam ter o titulo à mão de semear mas os tropeções finais dos homens de Allegri tiveram o seu preço. Mais irregular do que nunca o Milan de Ibrahimovic pagou o preço das lesões, da falta de profundidade do plantel e do envelhecimento colectivo dos seus melhores jogadores. Um segundo lugar que soube a pouco, especialmente tendo em conta que nunca foi tão fácil vencer um scudetto em Itália, prova da curta diferença pontual entre os primeiros, comparativamente com outras épocas, e com os erros de Inter, Roma e Lazio que abriaram a porta ao terceiro posto da Udinese e a mais um ano europeu para o Napoli de Mazzari, outros grandes triunfadores do ano.

 

Mas este foi mais um ano de drama.

De adeptos que exigem camisolas a jogadores, de salários por pagar, de mil e uma destituições de técnicos, de poucos jogadores jovens e de muitos veteranos, de estrangeiros sem nível para o historial da prova e de estrelas estrangeiras que continuam a olhar para o outro lado quando se lhes fala na Serie A.

De estádios vazios, problemas com as televisões, de greves anunciadas e polémicas constantes com a arbitragem. Um ano em que, mais uma vez, a Serie A deu um passo descendente face ás suas rivais históricas, aproximando-o cada vez mais do universo francês, a quinta liga europeia actual. Uma realidade problemática para uma liga onde a sua máxima figura é um sueco mal-amado, onde o melhor do ano é um veteranissimo em quem poucos apostariam e onde a melhor revelação é um jovem jogador nigeriano que não se distingue muitos de muitos outros jovens que dão outra cor e vida à Bundesliga, Premier ou La Liga. Esse continua a ser o trabalho de casa do Calcio, um trabalho de casa complicado a cada ano que passa, de sacar nota alta. 

 

 

 

Jogador do Ano

Andrea Pirlo

 

Quando saiu de Milão muitos fizeram o obituário precoce do maior génio italiano da última década. Em Turim, com uma equipa sem grandes talentos mas com muito espirito colectivo à sua volta, Pirlo rejuvenesceu e tornou-se determinante na série de 38 jogos consecutivos sem perder da Vechia Signora. Foi a bússula em campo e o lider moral fora dele, as suas ausências notavam-se, a sua baixa fisica fazia-se evidente nos jogos que a equipa empatou e claro, no final o titulo pareceu ser mais dele do que nunca uma das suas conquistas prévias ao serviço de um Milan que priveligia sempre mais o glamour ao génio puro.

 

Revelação do Ano

Obi Joel

 

No terrivel ano da Internazionale, com o pior resultado final desde 1997, ano antes da chegada de Ronaldo Nazário, pouco houve que destacar. A boa época realizada pelo jovem nigeriano Obi Joel entraria nesse lote restricto de boas noticias. Um médio possante, rápido e com a garra que faltou a muitos dos veteranos do plantel que continua a viver à sombra dos anos de Mourinho. 

 

Onze do Ano

 

A baliza do onze do ano da Serie A está segura nas mãos de Gianluiggi Buffon que, depois de um ano de muitos problemas fisicos, se reafirmou como o número 1 indiscutível do futebol italiano. À sua frente jogaria um quarteto formado por Chiellini, Danilo, Lieschteiner e Thiago Silva.

 

Andrea Pirlo comanda um meio-campo onde também estão o seu companheiro Claudio Marchisio e ainda o milanês Kevin-Price Boateng.

 

No ataque a figura de Zlatan Ibrahimovic é incontornável, secundada pela eficácia goleadora de Edison Cavani e pelo incombustível Antonio Di Natale.

 

Treinador do Ano

Francesc Guidolin

 

Pelo segundo ano consecutivo a pequena Udinese está em postos de Champions League. Ao contrário do notável Napoli de Mazzari, a Udinese tem mantido um low profile no mercado e uma regularidade tremenda nos postos classificativos. Mérito de Guidolin, técnico hábil a sacar o melhor do seu curto plantel e da sua máxima figura, um veterano como Di Natale. O talento do treinador italiano, aliado à boa gestão desportiva do clube, transforma o projecto dos bianconeri do Friuli em algo a seguir com atenção no próximo ano, onde se espera uma Serie A mais equilibrada que nunca.



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Quinta-feira, 24.05.12

O Barcelona de Josep Guardiola marcou 114 golos. Sofreu 29. Atingiu a marca de 91 pontos em 114 possíveis. Contou com o prémio Zamora e o Pichichi da prova, Valdés e Messi. E mesmo assim perdeu o que seria o seu quarto titulo consecutivo. No meio destes números que fariam histórica em qualquer edição de qualquer campeonato do mundo é possível apreciar melhor o duelo de titãs que mediu o conjunto blaugrana com o Real Madrid de José Mourinho, o campeão mais espantoso em números da história do futebol espanhol.

 

Ao clube de Guardiola só faltou superar o seu recorde de pontos. Tontos os outros recordes foram superados com uma claridade assustadora.

E no entanto perdeu. Perdeu antes do final, com três jogos para o final da época. Perdeu em casa, no jogo decisivo. E perdeu a liga, essencialmente, quando concedeu ao Real Madrid uma renda de dez pontos depois de uma série histórica de péssimas exibições longe do Camp Nou, estádio onde foi dono e senhor até que apareceu Cristiano Ronaldo para por calma.

Nesse Barcelona-Real Madrid decidiu-se o titulo de forma oficiosa porque o Real Madrid já tinha meia liga no bolso. Um arranque de época com alguns resultados tremidos, uma série espantosa de vitórias que acabou na habitual derrota contra o Barcelona e um Inverno com resultados sofridos mas vitoriosos. Quando o clube merengue perdeu a vantagem de dez pontos era tarde para um Barcelona que em casa foi inigualável, fora foi irreconhecível e que viveu demasiado da dependência goleadora de Leo Messi. O triunfo no Calderon, com selo de Ronaldo, selou um titulo que a partir daí ficou sentenciado e o seu golo em Barcelona apenas pôs o preto no branco final. 121 golos (14 mais que o recorde histórico), 100 pontos (um mais que o recorde do Pep Team) e alguns problemas a controlar a maioria dos jogos que acabou por vencer com goleadas que resultavam mais do génio do seu trio de goleadores do que da capacidade para asfixiar o adversário.

  

Nesse duelo estético o Barcelona, mais espesso que outros anos, continua a ser o preferido da maioria face ao jogo de transição rápida que Mourinho imprimou com mais eficácia ofensiva do que nunca, depois de ter provado a mesma receita em Itália e Inglaterra. Confirmou o seu quarto titulo em países distintos, lançou as bases para um projecto que tem futuro e ambiciona a palcos maiores. Do outro lado, Guardiola despediu-se num ano em que falhou os dois principais titulos e, sobretudo, mostrou-se incapaz de encontrar a solução para ultrapassar rivais que contrariaram o jogo do Barcelona com um posicionamento defensivo central e numeroso. Nesses tropeções ficou a possibilidade de igular a Cruyff e de sair de Camp Nou com mais história ás costas.

 

 

A Liga espanhola continua a viver das rendas emocionantes que geram cada duelo entre blaugranas e merengues.

Do outro lado o sofrimento do Racing Santander e Sporting Gijon, históricos do norte que seguramente darão lugar a históricos galegos, mas sobretudo o de Villareal. Se há largos anos o Celta de Vigo caiu na segunda divisão depois de ter arrancado a época na Champions League, a má preparação da época, a lesão de Rossi e a orfandade de Cazorla custou demasiado a uma equipa que no ano passado esteve nas meias-finais da Europe League e no quarto posto de liga. Um projecto de futuro com muitas interrogações presentes.

Do outro lado a euforia de um Levante espantoso, de um Malaga que subiu aos postos dourados graças à milionária inversão de um xeque árabe e à boa gestão do mal-amado Pellegrini para contrarrestar o cinzentismo de um Valencia eternamente insatisfeito com ser o primeiro dos últimos, de um Atlético de Madrid destinado outra vez a lutar pela Europe League e de Sevilla e Bilbao que terminaram o ano muito por debaixo das expectativas. Ossasuna e Mallorca terminaram o ano com a cabeça bem alta, Rayo Vallecano e Granada sofreram mais da conta e um ano mais o Zaragoza demonstrou que é um sobrevivente nato nestas maratonas ligueiras.

 

O ano que começou com uma greve de jogadores, que continuou com o boicote ás rádios por parte da liga e que terminou com as enésimas acusações de compra de jogos por alguns clubes termina com números que seriam provavelmente irrepetíveis se não soubessemos que para o ano voltam a medir-se duas equipas com um arsenal de estrelas impressionante, muito dinheiro para gastar e um set de rivais que não sabe como apresentar uma alternativa a este duopólio histórico.  

 

 

Jogador do Ano

Cristiano Ronaldo

 

Perdeu o Pichichi para Leo Messi depois de um duelo de loucos que rondou a casa dos 50 golos. Mas este foi o seu ano, apesar de tudo. O ano em que mandou acalmar o Camp Nou, estádio maldito durante largas épocas, onde era acusado de nunca aparecer. Logrou-o na Supertaça, na Copa del Rey e decidiu, com um golo desenhado por Ozil, o campeonato diante do seu eterno rival. Antes tinha ganho sozinho o jogo mais importante do ano, no Calderon, e assinou durante a temporada cinco golos para a colecção de qualquer top 100 da história, do calcanhar de Vallecas à metrelhadora de Pamplona. Menos egoista, mais participativo no jogo colectivo, emergiu definitivamente como lider moral do ataque do Real Madrid. Não falhou um só jogo, raramente desapareceu de cena e decidiu-se a marcar os golos decisivos da temporada. Depois de ter sido rei em Inglaterra, Cristiano Ronaldo finalmente sagrou-se rei em Espanha.

 

 

Revelação do Ano

Isco

 

Manuel Pellegrini encontrou esta pérola formada na cantera do Valencia e solicitou-a expressamente para o seu projecto. Foi uma aposta a longo prazo com resultados imediatos. O jovem médio ofensivo malaguenho foi um dos grandes atractivos do "Euro-Malaga". Face à escassez de golos e magia no ataque dos andaluzes durante algumas jornadas, Isco encontrou o seu espaço e tornou-se rapidamente no parceiro ideal de Cazorla e Joaquin na linha medular do ataque do Malaga. O seu futuro na selecção espanhola é algo inevitável a curto prazo e a sua projecção não parece, de momento, conhecer limites. 

 

Onze do Ano

 

Seria possível fazer um Onze do Ano só com jogadores dos dois primeiros classificados. Possível, inevitável e lógico. Mas como todos sabem de memória esse onze o curioso é descobrir uma equipa alternativa sem blaugranas e merengues. Nas redes Thibaut Courtois, guardião belga do Atlético de Madrid. Um quarteto defensivo composto por Ballesteros, capitão veteranissimo do Levante, o médio adaptado Javi Martinez do Bilbao, e os laterais Jordi Alba e Juanfran

 

O meio-campo a três seria composto por Santi Cazorla, lider espiritual de um Málaga histórico. O asturiano seria acompanhado por Ander Herrera e Barkero, todo-terreno do Levante. No trio de ataque os golos de Koné, dianteiro levantino, de Radamel Falcao, herói do Calderon e de Fernando Llorente, o rei leão de Bilbao.

 

Treinador do Ano

Juan Ignacio Martinez

 

Imaginem uma equipa que há dois anos não tinha dinheiro para pagar o salário do plantel e corpo directivo e estava às portas da falência absoluta? Agora avancem no tempo e encontrem-na a disputar a Champions League. Podia ter acontecido, faltou muito pouco para o Levante ter assegurado a presença no play-off da prova rainha do futebol europeu depois de ter sofrido uma crise financeira tremenda. O homem responsável pelo renascimento do clube valenciano, Juan Ignacio Martinez, JIM na giria futebolistica espanhola, foi o grande responsável pela época tremenda de uma equipa que bateu o Real Madrid, dormiu quase todos os anos em postos Champions e pela primeira vez em 102 anos carimbou a passagem ás provas europeias.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 00:43 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Domingo, 20.05.12

Teria sido uma das grandes injustiças da história das provas europeias (e houve algumas) se este projecto chamado "Chelski" nunca tivesse tido direito a vencer uma Champions League. Que uma geração onde militam alguns dos nomes próprios da última década tivesse visto a glória passar. Sobretudo, que um gigante como Didier Drogba, tivesse de sentar-se de novo no relvado de mãos na cara, desolado. Nove anos depois de arrancar a sua imensa inversão financeira no clube londrino, Roman Abramovich tem finalmente a sua "orelhuda". E o futebol salda assim uma dívida com um clube que tinha atrás de si já uma final e quatro semi-finais perdidas às costas desde que tudo começou.

Juan Mata remata mas Manuel Neuer, esse panzer de olhar frio, defende.

Parecia Moscovo outra vez, parecia que o destino realmente tinha dito ao Chelsea que a glória futebolística era coisa a que não poderia ambicionar. Por muito dinheiro gasto, por muitos jogadores top, por muitos técnicos carismáticos. O sofrimento era a única palavra transversal nesta história. Mas o futebol tem destas coisas. Não significa que ganhe sempre quem mereça - e por futebol jogado o Bayern Munchen pareceu ser sempre uma equipa mais solvente - nem sequer quem jogue mais bonito. Não se trata nada disso. 

Da mesma forma que a Itália em 2006, foi a justiça colectiva a quem o futebol prestou homenagem no Allianz Arena. E nem um grande como Neuer podia desafiar o destino desta maneira. Depois da sua defesa inicial, a relembrar a meia-final contra o Real Madrid, os adeptos começaram a fazer contas. Nunca o Bayern tinha perdido um jogo em penaltys na Europa. Nunca o Chelsea tinha ganho um. Era assim de fácil. 

Mas marcou David Luiz. Mas marcou Lampard. Mas marcou Cole. E de repente não havia Terry à vista para escorregar outra vez e pelo caminho era Petr Cech, o mesmo que tinha parado no prolongamento um penalty a Arjen Robben - o maldito - quem se tinha tornado no herói da noite. Defendeu o remate frouxo de Olic e desviou com o olhar o tiro de Bastian Schweinsteiger. Jamais esquecerei esta final pelo rosto de "Schweini", pela segunda vez derrotado numa final europeia. A ele (e a Lahm) também há uma dívida por pagar. Mas este Bayern é um projecto solvente suficiente para voltar, mais cedo que tarde, para cobrar o que é devido.

Cech tinha defendido o que ninguém contava. E no final de contas o Chelsea tinha, outra vez, a possibilidade de sagrar-se campeão da Europa com o derradeiro penalty. Anelka, na China, deve ter agradecido que a pressão fosse para outro. Mas Didier Drogba não entende dessas coisas. Ele é o grande vencedor do ano. O seu olhar define a temporada futebolistica de um clube que se apoiou nele, mais do que nunca, para atravessar o purgatório. Desprezado pela directiva, roubou a titularidade a Torres, convenceu Villas-Boas da sua utilidade, tornou-se na referência ofensiva de Di Matteo e só, contra o mundo, ajudou a derrubar a mitologia blaugrana. Na final, esse jogo que tanto tinha atravessado, foi o protagonista absoluto. Pelas bolas que cortou na defesa, pela raiva com que liderou cada ataque. Pelo golo que empatou o jogo, a três minutos do fim. Pelo penalty que cometeu, infantilmente sobre Ribery, lesionando o francês, até então o melhor do ataque bávaro. Aquele momento pertencia-lhe por direito. E se a história devia algo ao Chelsea, devia muito mais a Drogba. Neuer devia sabê-lo, apenas se mexeu, o fatalismo do momento era evidente. A taça esperava os braços do marfilhenho, a história queria-o hoje mais do que nunca e a bola rasgou as redes na imaginação de milhões de espectadores. Caiu no relvado e sorriu. Drogba corria para a posteridade!

 

Futebolisticamente não foi a final mais apaixonante, mas foi seguramente uma das mais intensas.

Ambas as equipas comportaram-se da mesma forma como tinham feito nas meias-finais. O Bayern quis a bola e o domínio do jogo. O Chelsea preferiu controlar o espaço e aproveitar a velocidade para fazer a diferença. Não foi um jogo de K.O., no futebol quase nunca o é. Foi um combate a pontos que acabou empatado. Apesar do recorde histórico de cantos para os bávaros a bola rondou Cech e teimou em não entrar. O jogo pelas alas, bem tapadas por Bosingwa e Kalou na direita e Cole e Bertand na esquerda, tornou-se ineficaz e Robben e Ribery foram forçados a procurar diagonais que esbarravam com o muro que derrotou o Barcelona. 

Nenhum dos seus remates encontrou perigo e demasiadas vezes o excesso de pernas de jogadores azuis confundia o jogo de passes entre Gomez, Muller, Kroos e Schweinsteiger, o eixo central da ideia de Heynckhes. Tacticamente o treinador alemão não encontrou forma de furar o bloqueio e faltou talvez paciência para atrair o conjunto inglês da sua toca. Entretanto o tempo passava, os corpos perdiam forças, a cabeça clarividência e o Chelsea, matreiro como só um treinador italiano pode ser, começou a morder. A  pouco e pouco os contra-golpes venenosos assustavam, faziam os alemães correr mais do que as pernas podiam e davam a sensação de um perigo maior do que seria de supor. Durante oitenta minutos a troca de golpes foi-se equilibrando. Nenhuma ideia era capaz de bater a outra e a verdade é que nenhum dos bandos parecia disposto a mudar o guião. Até que apareceu Thomas Muller.

Depois de uma época uns furos abaixo do que demonstrou em 2010, o ano da sua explosão, Muller viu-se na final num papel incómodo. A sua posição natural tem sido ocupada por Robben e Kroos e ali, com o médio recuado para cubrir a baixa de Luiz Gustavo, sentiu-se perdido. Mas o seu sentido de oportunismo é único e depois do enésimo ataque, a bola sobrou-lhe e com um golpe cheio de imaginação, bateu Cech como a um guarda-redes de andebol. Faltavam sete minutos, o Allianz Arena celebrava já o quinto titulo europeu, o argumento de um ano mágico parecia ter sido escrito em alemão.

Só que Drogba, esse monstro que deveria terminar o ano com um mais do que merecido Ballon D´Or, ainda não tinha dito a última palavra. Nem cinco minutos, tempo suficiente para Heynckhes cometer o erro de tirar ao autor do golo alemão, e o Chelsea empatava. A desilusão na cara dos germânicos dizia tudo. Um clube habituado a perder finais, incapaz de ganhar uma final a equipas ingleses, parecia ver o rosto fatídico do destino na cara do africano. E veio o prolongamento, e o penalty a Ribery e o falhanço de um Robben que se começa a fazer notar pelos falhanços nos momentos decisivos da sua vida, ele que fez parte do melhor Chelsea da história, ao lado do núcleo duro contra quem jogou hoje. Depois desse momento ficou claro que, tarde ou cedo, os ingleses sairiam vencedores. Parecia evidente que a história tinha decido fazer com eles o que se tinha esquecido com o Monchengladbach dos anos 70, o Real Madrid dos anos 80 ou o Arsenal de Wenger. Justiça. 

O relógio continou a correr, os penaltis chegaram, inevitáveis, e Drogba decidiu que nove anos de espera eram demasiados. 

 

Pode parecer curioso que o pior Chelsea desde que Abramovich chegou, em plena era Ranieri, tenha logrado o que nem Mourinho, Grant, Hiddink ou Ancelloti conseguiram. Se é certo que o Bayern não foi hoje tão eficaz como contra o Real Madrid e muito mais parecido ao que tremeu nos momentos decisivos da Bundesliga, também é verdade que o jogo dos ingleses voltou a assemelhar-se mais à herança do catenaccio do que, propriamente, à escola de futebol espectáculo que o russo tanto aprecia. Mas o magnata já tinha tentado de todas as maneiras e o troféu, de uma forma ou de outra, tinha-lhe sempre escapado. A vitória de hoje é mais sua do que ninguém, pela insistência em não deixar nunca de procurar lograr o seu objectivo. Foi o triunfo de uma geração histórica do futebol inglês, de alguns dos seus melhores jogadores, de um lider espiritual que pode muito bem ser considerado como um dos maiores (ou o maior) futebolista africano da história. E foi, mais do que isso, o triunfo de um sonho sobre qualquer ideário táctico, cultura futebolística ou projecto pessoal. Vencer a Champions League dá ao Chelsea finalmente o pedigree que lhe faltava, o primeiro clube londrino a vencer o troféu, o quinto inglês em lograr o feito. Talvez sirva para dar tranquilidade ao clube, tempo para crescer noutros moldes, uma maior aposta no jogo e na formação do que nas ânsias e o livro de cheques. Abramovich tem a palavra, a sua geração pode partir agora com a sensação do dever cumprido. E o futebol saiu do Allianz Arena mais aliviado mas com a consciência de que sempre haverá alguma divida moral por saldar.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 00:30 | link do post | comentar

Quinta-feira, 10.05.12

jogadores com um dom especial para transformar um acto de pura rotina em algo profundamente próximo ao universo artístico. Radamel Falcao é um desses génios. O colombiano é mais do que o melhor avançado do mundo na actualidade, mais do que um devorador de balizas alheias e que um instigador de sonhos. É um futebolista que sozinho parece valer mais do que um colectivo mas que dentro do rectângulo de jogo sabe trabalhar como um mais. Em Bucareste entregou de bandeja o titulo da Europe League a um Atlético de Madrid que este ano tem-se repetido nos tropeções emocionais que o caracterizam historicamente. No seu dianteiro os colchoneros encontraram um psicanalista eficaz, capaz de os retirar da depressão profunda com a genialidade de quem apenas cumpre a sua missão.

 

José Mourinho declarou recentemente numa entrevista que não via no Chelsea e no Bayern Munchen um jogador válido para vencer o próximo Ballon D´Or. Esqueceu-se seguramente de Drogba, Robben, Lampard, Ribery, Mata ou Schweinsteiger. Também se esqueceu que este ano temos um Europeu e todos sabemos como estas provas de um mês tantas vezes elevam à glória jogadores que vivem os outros nove na mais profunda mediania. Para ele o prémio só podia ser discutido entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo e como o segundo, além de seu jogador, venceu a Liga BBVA, então seria obrigatório entregar-lhe o prémio. Ronaldo pode até ganhar o seu segundo Ballon D´Or, ninguém se surpreenderia muito. Mas o técnico sadino esqueceu-se de Radamel Falcao, talvez o jogador mais digno de receber o galardão. Porque ao contrário de Messi e Ronaldo, o colombiano sim encarna a figura do indivíduo num desporto profundamente colectivo, do homem que todos sabem que irá fazer realmente a diferença.

Falcao já é, a um jogo do final da liga espanhola, o estreante com mais golos marcados na prova na sua época de estreia. Nem Messi, nem Cristiano Ronaldo, nem Zidane, nem Ronaldo, nem Hugo Sanchez, nem van Nistelrooy, nem Bebeto, nem Romário, nem, nem, nem. Nenhum jogador marcou tantos golos no primeiro ano como jogador da liga do país vizinho. Os números estratosféricos de Messi e Ronaldo escondem multiplas realidades e a de Falcao é a mais gritante. O colombiano joga num clube que pode terminar o ano fora dos postos europeus, um clube que mudou de treinador a meio do ano, um clube que vive em constante carambola emocional, que ora goleia um rival directo como perde quatro semanas consecutivas com equipas de outro campeonato. No Vicente Calderon a equipa nunca joga para o individuo e muitas vezes as estrelas atropelam-se entre si para terem os seus cinco minutos de fama. Sobreviver neste caos é algo que não está ao alcance de muitos e a paciência de Aguero, Torres e Forlan foi testada até ao limite tantas vezes que voluntariamente procuraram calma e sucesso noutras paragens. Ser Falcao neste cenário é algo profundamente complexo, quase impossível. E no entanto, aí está ele, de novo, nas estrelas. Pelo segundo ano consecutivo foi o artífice da vitória na Europe League. Se o Athletic Bilbao tinha sido a melhor equipa ao largo do torneio, o Atlético foi muito superior na final. Porque tinha Falcao. Não foram só os dois golos imensos, a juntar ao apontado na final do ano passado em Dublin. Não foi só o imenso trabalho táctico de protecção de bola, de prisão táctica dos centrais de Bielsa. Foi algo mais. Esse espírito de liderança que só em noites como esta parece realmente fazer-se sentir. No colombiano o Atletico encontrou um lider espiritual, um profeta de acalmia. E entregou-se a ele sabendo que as águas do mar vermelho se abririam para o cortejo passar.

 

Falcao é, sem dúvida, o melhor dianteiro do futebol mundial. 

Não existe outro jogador que se possa comparar ao colombiano em destreza, agilidade e precisão de movimentos na grande área. Mas o seu futebol é muito mais completo e artístico. Recebe, dá, segura e mata com a precisão de um cirurgião mas com delicadeza de um pintor, preparado a emular o seu momento de glória com a melhor das telas. A bola nos pés de Falcao respira outra linguagem. No jogo das meias-finais, no Calderon, recebeu um alivio ansioso de um defesa e no meio de três rivais encontrou a comodidade necessária para correr, driblar, fintar, parar e rematar sem levantar a cabeça do chão. O golo não foi mais do que uma inevitabilidade da sua condição divinal.

Em 2001 o inglês Michael Owen venceu o Ballon D´Or depois de um ano em que conquistou a Taça UEFA (numa final asfixiante contra o Alavés onde nem foi o melhor em campo), a Taça da Liga e a FA Cup. Bateu o espanhol Raul, que tinha vencido a liga espanhola, e o alemão Oliver Kahn, campeão da Europa com o Bayern Munchen. Foi a última vez que um jogador levou para casa o troféu sem ter vencido no ano uma grande competição. Nedved, Schevchenko, Ronaldinho e Messi foram campeões nacionais. Ronaldo, Cannavaro campeões do mundo. E Kaká, Cristiano Ronaldo e Messi, por duas vezes, ganhadores da Champions League. A importância dada a uma Europe League nunca pareceu ser suficiente para lograr vencer estes prémios individuais, mais numa época onde o mundo vive o confronto ideológico moral de escolher entre Messi ou Ronaldo quase de forma forçada, como diz Mourinho.

Mas Owen era em 2001 um fenómeno como Falcao é hoje. Depois desse ano o seu rendimento baixou até acabar no jogador de hoje, perdido entre lesões e experiências clubísticas desastrosas. O colombiano não é uma novidade, o que logrou este ano já o demonstrou no ano passado ao serviço do FC Porto e na Argentina os hinchas do River Plate sabem bem de que matérias é feito. Se tivesse nascido argentino, como diria Hugo Sanchez pensando em Maradona, talvez os elogios fossem ainda maiores. Se tivesse jogado um pouco mais a norte em Madrid, talvez hoje fosse tratado de outra forma. Mas no Calderon, como no Dragão, o valor de ser Falcao é ainda maior e talvez por isso o seu mérito individual mais gritante.

 

Da mesma forma que os adeptos do FC Porto sabiam que um jogador como o colombiano estaria de passagem, em Madrid começam a dar-se conta de que talvez para o ano que vem Radamel esteja a costurar golos por outras paragens. É um percurso inevitável para um homem que vende aquilo que mais se valoriza no mundo do futebol. Entre os grandes de Espanha e a Premier está o futuro de um jogador que só precisa de um clube com mais prestigio e melhor marketing para falar de tu a tu com os Ballon´s D´Or no activo. Se já tivessem tido a honestidade mental de dar-lhe o prémio por antecipado, talvez a lógica de um jogo de onze contra onze onde há sempre um que brilha mais forte faça mais sentido do que nunca.  



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 00:59 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Domingo, 06.05.12

E no final 10 pontos eram mesmo demais. O Barcelona não logrou lograr um feito ao alcance de muito poucos e perdeu a Liga para o eterno rival. Um golpe duplo porque não conseguiu paliar o fim de uma série mágica de três titulos com uma nova vitória europeia. Ambas as equipas degladiaram-se até à morte na liga e na Europa pagaram o preço. O fosse entre Madrid e Barcelona é maior do que nunca, o jogo mais plástico de Guardiola não aguentou um ano mais e a eficácia goleadora do contra-golpe de Mourinho deu a estocada final. Um ano que mais do que uma mudança de ciclo, espelha bem a viabilidade de dois projectos antagónicos.

Parece evidente que, apesar do titulo logrado este ano, poucos se atrevam a não pensar no Barcelona como favorito para lograr o titulo da próxima época. É o poder de uma ideia que se sobrepõe a tudo, até aos resultados. O Barcelona sem Guardiola será substancialmente distinto e, no entanto, muito similar ao que temos acompanhado desde que Rijkaard tomou as rédeas do clube em 2004. Uma década de bom futebol, com algumas oscilações, de muitos titulos, dentro e fora de portas, mas sobretudo uma década em que ficou claro a que joga o onze blaugrana.

No meio de tantas certezas a dúvida da derrota torna-se mais perturbadora. Guardiola não logrou emular Cruyff e as suas quatro ligas consecutivas. Nem Cruyff seguramente pensava que o iria lograr, as últimas três conquistadas depois de sprints absolutamente agónicos e erros crassos dos rivais. Primeiro os fantasmas do Real Madrid em Tenerife e depois o medo de Bebeto a fazer história permitiram ao Dream Team dar uma imagem errada da sua real superioridade. Guardiola, perdendo, parece no entanto mais sólido que nunca este adeus do que El Flaco na glória do tetracampeonato. 

As derrotas do Barcelona fora do Camp Nou mataram as aspirações ao titulo mas foi o único desaire em casa, frente ao Real Madrid, que confirmou o inevitável. Os blaugrana dependeram mais do que nunca de Leo Messi. O argentino respondeu com uma cifra estratosférica. Vai em 50 golos e com um jogo por disputar ninguém se atreve a prever onde vai acabar. O que logrou o número 10 do Barcelona não tem nome e no entanto, a sua insuficiencia para confirmar um titulo de liga que em Agosto parecia inevitável, explica bem como Guardiola não soube sacar o melhor de Iniesta, Fabregas, Pedro, Sanchez e Thiago na linha de ataque e, sobretudo, que a ausência de um plano alternativo a David Villa e Xavi Hernandez, asfixiou demasiado o jogo catalão. Messi sozinho não pôde com o tridente montado por Mourinho, onde Cristiano Ronaldo foi sempre a figura omnipresente. Se o português manteve até ao fim o seu duelo pessoal com Messi pela Bota de Ouro, a verdade é que o argentino nunca teve uma companhia goleadora tão ilustre como Gonzalo Higuain e David Benzema com quem partilhar os logros. Entre os três jogadores somam-se quase 90 golos, uma cifra superior à dos golos apontados por todas as equipas em prova, salvo o próprio Barcelona. Nesse jogo ofensivo o Real Madrid venceu por K.O. o Barcelona e cimentou um titulo onde pecou sobretudo pelos erros defensivos (em Levante, Villareal, contra o Malaga em casa, frente ao Barcelona no Bernabeu) e pela dificuldade em gerar jogo pelo miolo.

Nuri Sahin foi o flop desportivo do ano, Xabi Alonso perdeu toda a gasolina que tinha por Janeiro e Ozil exibiu-se em momentos pontuais como um génio em potência para depois desaparecer semanas consecutivas. Com esse tremendo hiato no meio, precisamente onde o Barcelona se mostrava iniguável, só se pode explicar o espantoso titulo do Barcelona pela eficácia de um treinador considerado como defensivo mas que apenas entende o ataque como uma sucessão rápida de golpes sem defesa antes que um cerco prolongado, extenuante e fatal. O Real marcou mais golos, gerou mais oportunidades, disparou mais e venceu a prova. O Barcelona venceu a liga alternativa, a plástica, a da bola, a dos admiradores mais incondicionais, um prémio que no futuro talvez faça mais sentido apesar deste ter sido, realmente,  o mais fraco projecto da era Guardiola, um projecto que, na hora da verdade, foi silenciado pela tranquiladade de um Cristiano Ronaldo mais solidário, mais lider, mais exigente e, sobretudo, mais determinante do que nunca. O homem da liga.

 

A mais preocupante novidade é a confirmação do imenso buraco que se gesta entre os dois porta-aviões espanhóis e a restante frota espanhola. O terceiro lugar do Valencia, do sempre contestado Unai Emery, dista uma galáxia dos dois da frente. Atrás dos valencianos uma série de equipas que durante a época viveram momentos de altos e baixos constantes mostrando uma incapacidade tenaz de oferecer uma resistência clara ao duopólio espanhol. Os milhões investidos em Málaga e Atlético de Madrid e as surpreendentes performances de Levante, Osasuna, Espanyol e Mallorca mostram uma classe média espanhola forte mas muito pobre comparada com os ricos do costume. 

Decepcionante, por razões distintas, a época de Athletic Bilbao e Sevilla.

No primeiro caso falamos da melhor equipa da Europe League do ano, na equipa que futebol mais espectacular praticou em momentos concretos da época, uma geração de talentos espantosa liderados por um treinador de excepção. Explicar o péssimo posto do Bilbao em liga passa sobretudo por conhecer a dinâmica de Bielsa, homem habituado a trabalhar com poucos jogadores, com poucas rotações que se encontrou como peixe na água nas provas a eliminar, chegando a duas finais no mesmo ano, algo inédito na história do clube. Essa capacidade de socos rápidos e concisos perdeu-se no duelo da liga, com tropeções constantes, especialmente no arranque da época, que custaram muito caro na altura mais importante do ano. O Sevilla, por outro lado, confirma-se como o lado negro da lua do projecto de Del Nido e Juande Ramos que encantou a Europa há cinco anos atrás. Os andaluzes não funcionaram durante todo o ano, nem no terreno de jogo nem fora dele, tentaram liderar uma revolta dos "outros" que não convenceu ninguém e acabaram por cair na depressão de uma profunda nostalgia que os atirou para fora da Europa e atrás, até ao último dia, do eterno rival e recém-promovido Betis.

Atrás do andaluzes o lado negro do futebol espanhol, o das dividas, dos concursos de credores, da péssima gestão desportiva e de um fracofutebol sem pretextos como o que apresentaram demasiadas vezes Villareal, Getafe e Real Sociedad. A tremida época de um Rayo Vallecano onde o dinheiro continua a pecar por escasso não tem comparação com o brutal investimento realizado pelo Zaragoza para acabar num duelo final financeiramente desigual mas pontualmente equilibrado. Na última ronda, no próximo domingo, aos "maños" e "vallecanos" juntam-se os europeus do "Submarino Amarelo", a "mareona" de Gijon e o projecto do Granada, um clube B da Udinese em solo espanhol mas sem a mesma solvência desportiva. Entre ambos jogam-se um bilhete para o abismo, um bilhete de companhia para um Racing Santander que completou uma época tão deprimente como inevitável depois da péssima gestão financeira das contas do clube.

 

É cada vez mais evidente que o modelo actual do futebol espanhol tem demasiados buracos negros para ter uma solvência imediata. O ano começou com uma greve de jogadores, acabou com mais acusações de irregularidades financeiras e compras de jogos e pelo meio assistiu-se sobretudo a um debate dialéctico entre dois clubes que permite esconder na sombra a depressiva realidade dos restantes 18. No próximo ano ninguém espera que a situação se altere, Mourinho e Tito Vilanova continuaram a sua particular guerra pessoal, madrileños e barceloneses disputaram cada jogo como se fosse uma final de Champions para romper uma vez mais os recordes de golos e pontos e Messi e Ronaldo voltarão a repetir o seu pulso pessoal interminável. Um cartaz atractivo para a maioria dos espectadores de todo o mundo mas que, a pouco e pouco, está a significar o fim da base do futebol espanhol que tanto sucesso deu na última década e que nos últimos quatro anos se transformou no modelo a seguir para o resto da Europa.  



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 18:22 | link do post | comentar | ver comentários (8)

Sexta-feira, 20.04.12

O futebol é o desporto colectivo onde a individualidade está mais bem vista. Olhando para o leque de desportos de equipa talvez o basket, pelo mediatismo do mercado norte-americano, goste de sentir-se igualmente rodeado de heróis. Mas no mundo do tapete verde, esférico redondo e 11 contra 11 o poder mediático do "eu" supera talvez demasiadas vezes o mérito logrado pelo "nós". No entanto vivemos uma era onde, pela primeira vez em muitos anos, há um verdadeiro duelo de "eus" que estimula o "nós" que prende a audiência e que, nesta luta de titãs, definirá, de um modo ou de outro, a história.

 

Faltam cinco jogos para terminar a liga espanhola. Dois para o pontapé final na Champions League.

E a luta continua, prolonga-se pela eternidade mental de dois jogadores que se superam a cada respiração, que exploram todas as falhas do rival, dos rivais, deles mesmos, para continuar a fazer a diferença. E há muitos anos que dois individuos, de forma paralela no tempo e espaço, não eram tão fundamentais em establecer um verdadeiro abismo entre mundos. Se é verdade que o orçamento de Real Madrid e Barcelona é descomunal, mesmo para os padrões europeus, a cada jogo que se sucede fica a sensação de que Messi e Ronaldo jogam cada vez mais outro tipo de jogo. Claro que o colectivo ajuda - e aí Messi ganha com Xavi, Iniesta, Sanchez, Fabregas, Busquets comparado com Higuain, Benzema, Ozil, Kaka e Alonso - e já se viu que sem uma estrutura forte nem um nem outro conseguem romper os maleficios das suas respectivas selecções. Uma lembrança de que este ainda é um jogo colectivo. Mas ás vezes não parece.

Cristino soma 41 golos. Messi também.

Ambos estão a um de igualar o recorde histórico que o português marcou no ano passado, esses números brutais de outra era. E a facilidade com que acumulam hat-tricks, pokers e golos para marcar a história, permite imaginar que não tardará muito e ambos estarão por competir em entrar na meia centena de golos ao ano numa prova onde ainda só há 38 jogos. Messi reina igualmente na Champions League e já superou, com 24 anos, o recorde histórico de César como máximo goleador blaugrana. Em sete anos - e muitos se esquecem que o argentino já anda há tanto tempo na elite - Messi quebrou rotinas, records e percepções, mudou a posição no terreno de jogo, ajudou a mutar o jogo do Barcelona e tornou-se no simbolo de uma geração de futebolistas. O espirito trota-mundos de Ronaldo - Lisboa, Manchester, Madrid - impede-o de ter esse recorde local, mas os números logrados em Manchester, primeiro, e agora em Madrid, não deixam lugar a dúvidas. É o único jogador da história da liga espanhola que supera, em quase três anos, uma média de mais de um golo por jogo.

Registos monstruosos que ajudam a explicar o imenso fosso que se abriu entre Real Madrid, Barcelona e o resto.

 

O desporto, seja individual ou colectivo, gosta de manos a manos porque, no fundo, deriva da mesma filosofia homérica que toda a Humanidade.

Em cada história desportiva há um Aquiles e um Heitor, um herói e um vilão, uma tendência profunda a catalogar entre Mozart e Salieri quem se defronta com a mesma paixão e emoção na arena.

Desde sempre os dois maiores clubes espanhóis dominaram o torneio nacional e revelaram-se pesos pesados nos palcos europeus. E sempre contaram com grandes orçamentos, técnicos, planteis e, sobretudo, estrelas que marcaram o jogo. Por ambos passaram os melhores jogadores da história com a excepção de Pelé, Garrincha, Best e Beckenbauer. E no entanto, talvez com a excepção de Alfredo Di Stefano, nunca nenhum deles foi tão fundamental em criar um fosso constante com os restantes rivais. Se já é raro na história do futebol espanhol que os dois clubes coincidam nas suas melhores versões no tempo (só entre finais dos anos 50 e principios dos 60 se viveu a mesma realidade), que o buraco pontual aberto com os restantes concorrentes seja recorrentemente de 20 pontos (desde a era Pellegrini) é abrumador. Messi e Ronaldo são a resposta para quem pensa que essa realidade não se prolongará em excesso no tempo. Pelo menos enquanto estes dois monstros do futebol mantenham a sua guerra pessoal contra o outro e contra a história.

Messi sofreu durante alguns anos a suspeita de que era fruto exclusivo de uma grande geração de jogadores, a mesma que ajudou Rijkaard a ser campeão europeu e que depois foi a base do triunfo da Espanha em 2008 e 2012. E isso não deixa de ser verdade. Em 2010 a vitória do argentino na corrida ao Ballon D´Or foi mais mediática que real e no ano anterior Xavi Hernandez foi a verdadeira batuta do primeiro Pep Team, quando Messi ainda jogava colado à banda direita com assiduidade e a veia goleadora de Etoo ainda se fazia notar. Mas ninguém pode questionar que, desde há ano e meio para cá, é o argentino que leva a sua equipa ás costas. A idade e os problemas fisicos de Xavi e Iniesta (muito irregular este ano) não se têm notado porque Messi tem resolvido como nunca e os seus números, em golos e assistências explicam-no bem. Num Barcelona sem Villa e com demasiados problemas para formar uma defesa sólida, esperava-se mais de Pedro e Fabregas, muito irregulares. Também Sanchez alterna semanas intensas com meses fora de combate. E no meio de tudo é a linha Valdes-Puyol-Busquets-Messi que tem sustentado o ano mais curioso da história do Pep Team. O ano em que o Barcelona deve muito mais ao argentino que este deve ao entorno que sempre o potenciou.

Ronaldo viveu um processo mais complexo. Saiu de uma equipa feita à sua medida para entrar num ninho de vespas onde teve de ganhar o lugar de estrela a pulso contra a imprensa, muitos dos adeptos e os detractores do presidencialismo de Perez. No primeiro ano uma lesão manteve-o fora dois meses da luta e dos números mágicos de Messi. No segundo bateu o recorde histórico do Pichichi e superou o trauma de falhar contra o rival nos duelos directos, ganhando uma Copa del Rey com o golo decisivo. Esta temporada foi sempre o melhor blanco contra os blaugranas (marcando três golos nos últimos três encontros) e agora mede-se de igual para igual com a sua nemésis em todos os titulos em disputa. Uma progressão real que também se explica na forma como Ronaldo pegou no Real Madrid quando o conservadorismo táctico de Mourinho e os claros problemas fisicos do plantel se começaram a fazer sentir a partir de Fevereiro.

 

Mantendo o ritmo intenso de jogos nas pernas e de golos nas redes, a monstruosidade dos números dos dois jogadores promete superar-se jornada após jornada. O próximo fim-de-semana vivierá mais um duelo directo entre ambos, um jogo onde o colectivo certamente será mais importante que o individuo, mas em que todos os focos estarão nestes dois génios do futebol contemporâneo. É dificil dizer quando jogadores tão próximos em todos os niveis quem é melhor. Garrincha foi mais artista que Pelé mas talvez este tenha sido mais completo. Beckenbauer e Cruyff tinham a mesma inteligência e carisma, o holandês mais velocidade e o alemão mais regularidade. Entre Zidane, Ronaldo e Ronaldinho explica-se a metamorfose fisica e táctica do jogo. Messi e Ronaldo vivem esse jogo da eterna comparação, dessa mistura entre números e ideias, desse jogo de reflexos e reacções. O que Guardiola diz, e com toda a razão, é que o facto do génio de um alimentar o génio do outro forçosamente permite antever um duelo titânico sem fim à vista. A diferença entre os dois jogadores e os seus respectivos emblemas pode aumentar, mas nenhum deles se vai dar conta. Estão demasiado preocupados a tentar não ver o outro no espelho reflectido e a olhar para a história com a autoridade dos inquestionáveis.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 13:52 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 18.04.12

jogadores que se recusam a morrer. A engolir a relva pela última vez com a raiva e impotência de quem sabe que é a última oportunidade. Incombustíveis que não acreditam no fado, no destino ou na mortalidade. Esses jogadores valem muito mais do que as estatísticas e os cifrões podem calcular. São, de certa forma, a base mitológica de um jogo que sempre se ergueu entre génios e guerreiros. Didier Drogba é um elefante com memória, incapaz de aceitar a sua idade e o final de uma carreira brilhante. Tinha a lembrança de uma noite que lhe custou mais caro do que qualquer outra e foi pela enésima vez aquilo que faz dele um futebolista fundamental. Um jogador nunca supera onze, mas uma alma em chamas pode muitas vezes com o melhor desenho táctico.

Imagino José Mourinho a mandar uma mensagem de telemóvel a Didier Drogba ao intervalo como se ainda fosse o seu treinador.

Imagino Didier Drogba a sentir o entusiasmo do treinador por quem se confessou ter apaixonado e sacar forças onde não as tinha no corpo para aguentar outros 45 minutos de luta. O marfilenho não ouviu sequer o que Roberto Di Mateo tinha a dizer. O italiano não está no banco do Chelsea para falar, especialmente a jogadores que fazem da sobrevivência a sua maior virtude. Está claro como a água que Petr Cech, Ashley Cole, John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba estão longe de ser o que foram e nunca voltarão a ser, os melhores do mundo na sua posição. Esses dias distantes, no entanto, permitem um reflexo de saudade no espelho e como com Cinderela, até à meia noite a abóbora transforma-se numa carruagem elegante. 

A vitória do Chelsea foi, futebolisticamente, a vitória dos Gianni Brera do mundo. Uma vitória que doi para aqueles que abominan que o jogo que apaixonou o povo se tenha transformado num encontro de xadrez. Para Di Mateo, italiano de cêpa, e para o exército de guerreiros que Mourinho montou em 2004 e que ainda se aguanta, o xadrez tem sempre mais interesse que as damas. A movimentação do bloco londrino foi tão lenta e previsível como a dos peões do tabuleiro. Mas o Barcelona de Guardiola que, este ano, é cada vez mais o Barcelona de Messi, não teve a habitual fluidez do jogo de damas. E pagou o preço. Di Mateo abdicou da bola, definiu o espaço onde se ia jogar - fora da grande área de Cech e nunca mais além da linha do meio-campo - e passou os 90 minutos do encontro a garantir que o seu exército, o mesmo que expulsou Villas-Boas, mantivesse as fileiras cerradas. O objectivo de não sofrer um golo em casa era evidente, o de marcar era uma sorte. O futebol que tanto tem penalizado o Chelsea (o tropeção de Terry em Moscovo, o golo fantasma de Luis Garcia, o golo de Iniesta no último suspiro, as polémicas arbitragens...) sorriu-lhe por uma vez. Num dos poucos lances com profundidade ofensiva, a bola circulou entre Lampard e Ramires antes de encontrar o elefante com memória. E foi suficiente. Se Guardiola, na sua filosofia de apostar no jogo interior de médios, abdica habitualmente da figura do avançado de referência, hoje Didier Drogba deu um mestrado de 90 minutos de como essa posição pode ser tremendamente eficaz.

 

Drogba era o braço-direito de Mourinho.

Sofreu como nenhum a sua saída, nunca mais se reencontrou e naquela noite em que Iniesta pontapeou a malapata e Tom Ovrebo ganhou um lugar entre os malditos da história do jogo, ele pagou como ninguém. Uma derrota, uma suspensão imensa e uma imagem ferida de morte. Três anos depois dessa noite muitos se lembravam desse jogo mas nenhum com a raiva de Drogba. Durante os 90 minutos ele nunca quis jogar futebol. Para ele o encontro era uma guerra, sem nenhuma dúvida, uma guerra onde a bola entrava em jogo mas em que o escalpe do rival também servia como prémio. Encontrou-se com Busquets, Mascherano, Puyol e Adriano vezes sem conta e sempre que foi ao chão voltou a erguer-se. Aos seus 34 anos (imaginemos que essa é a sua idade, suspeitamos que não), o jogo de hoje é irrepetível porque a raiva contida em Drogba finalmente saiu. Com aquele oportuno golo, com aquele destelho de glória irónica que à distância de um sms deve tanto ter agradado a Mourinho.

Drogba venceu o jogo porque foi o primeiro defesa e o último avançado, o espelho do típico avançado completo capaz de ler o jogo como qualquer defesa e com o talento suficiente para fazer a diferença nos momentos difíceis. Em várias ocasiões livrou-se de dois ou três rivais. Depois, sabendo-se só, aguentou como pôde. Fernando Torres, talvez mais virtuoso, passou os 90 minutos no banco. Seria incapaz de fazer algo sequer similar a este esforço sobre-humano do marfilenho. Torres gosta de ter a equipa a jogar para si (e até com a selecção espanhola o sofre), Drogba joga para a equipa.

A vitória do Chelsea deveu-se à garra dos seus jogadores, à disciplina táctica pactuada entre o técnico e o onze, à sorte absoluta de que por duas vezes o poste tenha servido de guarda-redes e, muito, aos erros de Pep Guardiola. 

Neste ano o Barcelona tem aumentado tremendamente a sua dependência de Leo Messi. O argentino cometeu o erro que propiciou o golo dos Blues e tentou redimir-se, como grande jogador que é, mas entre Cahill, Terry e Mikel, nunca se sentiu cómodo. E quando Messi está em baixo, o Barça desaparece. Demasiadas vezes para quem tem um plantel tão equilibrado. Guardiola sabia-o perfeitamente e leu mal o jogo desde o apito inicial. O Chelsea fechou-se num quadrado que seguia o espaço que delimitava a área com o grande circulo. Aí posicionou o seu 11 deixando abertas as alas e sobrepovoando o jogo interior. Asfixiou Messi, Iniesta, Fabregas, Busquets e Xavi, todos eles a anos-luz do seu melhor. Mas deixou mais do que espaço para o jogo de Alexis, Dani Alves e Adriano. Só que estes nunca procuraram causar desequilíbrios por fora e Guardiola, em lugar de abrir o campo como tem feito, só colocou Cuenca em campo aos 85 minutos. Pedro Rodriguez caiu na tentação de ir caindo para dentro e Thiago foi mais um interior no meio de muitos.

Em lugar de apostar em Tello (que nem no banco estava) e Cuenca, que tantos problemas têm resolvido esta época, sobretudo fora do Camp Nou, afunilou o jogo como Di Mateo queria. As damas funcionam bem em diagonal e bem abertas. O xadrez é mais eficaz com um tabuleiro reduzido ao mínimo. E letal quando quem joga é um elefante com memória.

 

Tal como a derrota do Real Madrid no Allianz Arena, o favoritismo do Barcelona encontrou-se com um excelente jogo táctico do adversário e uma fraca exibição da equipa favorita. Ninguém impede o sonho de muitos de uma final 100% espanhola em Munique porque, futebolisticamente, tanto o Barça como o Madrid têm argumentos para vencer os jogos da próxima semana. Mas o cansaço de um Clássico no fim-de-semana e a clara falta de argumentos tácticos de ambos face a rivais teoricamente inferiores foi evidente. Mourinho errou com Coentrão, com a saida de Ozil, com a entrada de Marcelo e Granero, com a falta de paciência no jogo de meio-campo. O Barcelona fechou-se demasiado na sua concha e na dependência de um leão atropelado por um elefante. Tudo muda em 90 minutos e talvez este tenha sido o espelho de uma ilusão, mas a história sempre recordará a saudação militar do guerreiro Drogba para a câmara, talvez para o seu general ausente, com dedicatória especial a todos os elefantes.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 22:24 | link do post | comentar | ver comentários (8)

Quinta-feira, 05.04.12

Hoje pode ser o seu último jogo nos palcos europeus. Essa frase tem sido repetida até à exaustão desde há dois anos. Mas o mais polémico jogador espanhol da história teima em esconder o segredo da eterna juventude só para si. Se hoje há jogo em San Mamés é porque Raul não se rende nunca e saca os mais apaixonantes artilúgios futebolisticos para desafiar o fantasma da retirada.

Quando Jorge Valdano pegou no miudo de 17 anos a quem chamavam Raúl e o lançou num jogo em La Romareda sentiu que estava a fazer história.

O então técnico merengue referiu-se por diversas vezes ao caracter competitivo de "Rulo". Nunca foi o mais dotado dos jogadores, nunca foi um matador de área, um génio com a bola nos pés, um atleta incansável ou um perito em lances de bolas paradas. Mas sem ser um divino em cada uma destas caracteristicas fundamentais para arriscar entrar na história, foi grande em todas elas. E enquanto os outros se iam perdendo para o tempo e para o corpo que os sustentava, o sete negava-se a desaparecer nos volumes da história.

Os seus dois golos em Gelsenkrichen, a passada quinta-feira, foram a prova viva de que o mesmo jogador que mandou calor o Camp Nou e se tornou em simbolo do Real Madrid continua exactamente igual. O oportunismo de área, o descaro no remate, a contenção na liderança que exerce com uma naturalidade pasmosas. Raúl conviveu com os melhores jogadores dos últimos 20 anos, de Butrageño e Laudrup a Zidane e Cristiano Ronaldo e nunca se deixou sequer atropelar pela imagem de um deles. Quando Florentino Perez, ansioso por construir a sua Galáxia, quis retirar-lhe o sete para entregar o número a Luis Figo, ouviu o que nunca imaginaria ouvir de um jogador de futebol no seu gabinete. Figo foi apresentado com o 10, Beckham com o 23, Zidane foi o 5 e Cristiano Ronaldo o 9. Nenhum deles conquistou os adeptos do Bernabeu, sentou tão bem á imprensa e deixou uma marca tão profunda como o jovem que estava predestinado a ser uma estrela no Atlético de Madrid.

 

Se a carreira de Raúl é um espelho da sua glória e do seu fracasso, dos seus três titulos europeus com o Real Madrid e os seus repetidos erros com a selecção espanhola, é com as cores do Atlético de Madrid e o Schalke 04 que a sua vida desportiva faz sentido como espelho da personalidade de um herói do silêncio.

Raul podia ter emigrado para as Arábias ou para a liga norte-americana quando Florentino Perez, de volta ao trono, lhe fez saber que nem ele nem José Mourinho contavam com os dois filhos predilectos da cantera local, ele e Guti. O inconstante José Maria Gutierrez deixou-se atrair pela música e pelas mulheres turcas mas o profissionalismo absoluto de Raúl levou-o a procurar o melhor para o seu nome profissional. Foi exactamente a mesma decisão que tomou 15 anos antes. Jesus Gil y Gil estava determinado a acabar com a formação do clube para poupar em gastos e fez várias propostas a jogadores locais por valores insignificantes de empréstimos a clubes da região com a eventual promessa de, num futuro, integrar os quadros dos colchoneros. Raúl não gostou dos números, do destino que lhe estava reservado e da palavra de um presidente reconhecido por não a ter em absoluto. Sem vergonha na cara bateu á porta do eterno rival e foi acolhido como um filho pródigo. Quando deu ao clube a sua segunda Taça Interconintental com um golo que se tornaria imagem de marca, já ninguém se lembrava de onde vinha. Quando enfunda a camisola azul do Schalke ninguém se esquece de donde vem um jogador que transformou radicalmente a imagem de uma equipa com potencial mas demasiado irregular para triunfar ao mais alto nível. A sua exibição em Milão levou o Schalke a umas históricas semi-finais da Champions League e só os seus golos impediram o Athletic Bilbao de estar a marcar hotéis e bilhetes para a próxima fase. Ao principio e ao final a sua visão vai mais além do mero futebolista de prestigio. Recusou-se a ser homenageado pela selecção espanhola por despeito á forma como Luis Aragonés fez dele o bode espiatório que permitiu aos espanhóis acabar com a sua maldição desportiva. No fundo ainda acalenta a esperança de voltar a vestir La Roja e os seus números, este ano, posicionam-no como o melhor avançado espanhol do ano. Não será suficiente, nem por muito que o seu amigo Josep Guardiola o declare como melhor jogador espanhol da história, epiteto onde Gento, Suarez, Butrageño e Xavi têm algo que dizer.

 

Ver jogar Raúl sempre foi ver um desporto á parte. O avançado estudas as capas, lê as sequências, salta-se os parágrafos e remata o ponto final com a autoridade de um decano universitário que vê passar pelas suas salas de aula gerações de génios em potência. Sem nunca insistir na mitologia a forma como evitou a odiosa comparação com os seus conterrâneos e o seu agastado fim já lhe vale o reconhecimento de muitos que antes lhe torciam o nariz. Os outros, os raulistas, contam as horas passar temendo que chegue o dia em que a fonte da eterna juventude se esgote e Rulo se canse de ser eterno.  



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:14 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 28.03.12

Quando era jogador nunca foi um exemplo fora do campo e nunca deixou de ser um génio dentro dele. Negou-se a treinar com a anuência de Cruyff, chegou de helicópetro ás concentrações, disputou a soco o titulo de "bad boy" do futebol brasileiro com Edmundo e passou tantas horas no ginásio como em festas em favelas e hotéis de luxo de Copacabana. Com todo esse historial nas costas era dificil imaginar o que viria a passar mas Romário está decidido a salvar o futebol brasileiro.

Era dificil de acreditar mas Ricardo Teixeira encontrou finalmente a sua nemésis.

O enteado de João Havelange, talvez o pior dos directivos de quem falava Juca Kfouri quando dizia que Deus deu ao Brasil os melhores jogadores e piores dirigentes do Mundo, foi forçado a sair finalmente do seu trono sagrado na CBF. A pressão da investigação jornalista da equipa de Andrew Jennings e do próprio Kfouri, a inimistade com Dilma Roussef foram elementos fundamentais na sua saida. Mas quem deu o tiro de graça foi Romário. 

O "Baixinho" foi o herói de um futebol brasileiro orfão de lideres depois da debacle emocional do Mundial de 90 quando a nostalgia do futebol arte da geração de Telé Santana já era um longo adeus. O país perdoou-lhe tudo. A sua indisciplina crónica, a sua falta de profissionalismo absoluta, os casos com as mulheres, as discussões com os colegas e os rivais, as suas amizades com alguns dos traficantes mais perigosos do Rio de Janeiro e, sobretudo, do seu ódio crónico á imagem sagrada de Pelé. Em troca Romário deu-lhes o melhor futebol que o país viu nas eras entre Zico e Ronaldo. Terminou com a seca de 24 anos sem vencer um Mundial de Futebol, nuclear na campanha dos Estados Unidos em campo e fora dele. Tornou-se no terceiro maior goleador da história do país, apenas atrás do "Rei" e de Friedenreich, por muito que muitos dos golos fossem abertamente questionados por todos. Passou pela Europa onde se doutorou com Cruyff e enimistou com Robson, Ranieri e Aragonés voltou ao Brasil como semi-deus. Depois fez-se politico. As más linguas, e no Brasil a má lingua é um desporto nacional como jogador futvoléi nas suas praias perfeitas, diziam que a sua carreira politica, como a de muitos nomes ligados ao futebol, era apenas uma forma de se proteger face aos problemas fiscais que há anos o enfrentavam a Brasilia. Provavelmente teriam razão mas na capital artificial do gigante sul-americano Romário transformou-se, como Pelé, no rosto mais claro de oposição á CBF. O histórico avançado do Santos não teve o poder politico e mediático para vencer a luta com Teixeira e num último acto de desprezo o ex-presidente da Confederação recusou-se a convidá-lo para a cerimónia de apresentação da fase de apuramento para o Mundial de 2014. Mas com Romário, o homem que viveu com ele um dos episódios mais tristes da história da CBF na ressaca do Mundial dos EUA, não encontrou forma de vencer.

 

As criticas do "Baixinho" começaram por centrar-se na organização do Mundial.

Romário utilizou o seu lugar em Brasilia e o seu poder nas redes sociais para atacar violentamente a organização do torneio. Um torneio onde todos, incluido o próprio Sepp Blatter (que aprovou em 2000 a rotatividade de continentes também a pedido expresso de Teixeira),  começam a termais dúvidas do que certezas. As obras levam um atraso histórico, há ainda sérios problemas de financiação com estádios e infra-estruturas, aeroportos e estradas por construir e um pais com uma tremenda pujança financeira que começa a questionar-se, na pessoa da sua nova presidente, se gastar tanto dinheiro para enriquecer a FIFA - da qual Teixeira continua a ser membro honorário - é realmente um bom investimento. 

Das criticas ao torneio - que a imprensa brasileira apoia entusiasticamente- o ex-dianteiro apontou baterias a Teixeira. Criticou a sua gestão de mais de duas décadas, a profunda desorganização do futebol nacional no Brasil, o mitico e polémico contrato com a empresa americana Nike e, sobretudo, o investimento paralelo que pode fazer valer a Teixeira e alguns dos seus principais colaboradores contratos milionários com a própria FIFA. O mano a mano durou meses e inicialmente Teixeira, habituado a ser desafiado por tudo e todos, se mostrou condescendente. Aceitou colaborar com o avançado na sua campanha a fazer dos que padecem de sindrome de Down (como uma das filhas de Romário), declarando um investimento de 32 milhões de reais e uma série de bilhetes gratuitos para as organizações patrocinadas pelo deputado. Mas não chegou. No final o cerco mediático organizado por Romário deu ainda mais destaque ás revelações da Folha de São Paulo sobre os seus negócios paralelos. A má performance do Brasil em campo, as queixas de corrupção secundadas pela procuradoria geral e a perda de apoio na FIFA obrigou Teixeira a ceder o seu posto ao seu braço-direito, José Maria Marin. O novo dirigente não só garantiu que a filha do seu antecessor, directiva na CBF, iria manter-se no cargo onde foi colocada pelo pai, como garantiria uma reforma milionário para o ex-presidente até 2030.

Os que pensavam que a luta de Romário era apenas com Teixeira ficaram surpreendidos quando o homen do PSB-RJ anunciou que continuaria o seu combate até limpar a CBF de todo o rastro de "teixeirismo", declarando publicamente o apoio a Ronaldo Nazário como eventual candidato presidencial para a federação brasileira de futebol, no próximo ano.

 

Com a reeleição praticamente garantida, Romário emulou Pelé em campo e fora dele. Nos anos 90 o histórico jogador brasileiro desafiou os poderes da CBF com a lei que levou o seu nome e que tinha como objectivo reformular totalmente o mais caótico campeonato do Mundo. O poder do lobby da CBF no Senado destroçou uma lei prometedora. Passados quase 15 anos outro homem de 1000 golos prepara-se para continuar a luta para salvar o seu futebol. Entre festas, jogos de futvolei em Copacabana e sessões do Senado, o "Baixinho" revelou-se ser maior que a sua própria lenda. Os cartolas do futebol brasileiro que se cuidem...



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 23:38 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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