Quinta-feira, 28.06.12

A história repete-se. Nunca se repetiu a final de um Europeu. De duas em duas edições, repete-se o duelo entre equipas que se encontraram na fase de grupos. Esta edição confirmou isso mesmo. Itália e Espanha reencontram-se depois do duelo inaugural que ditou um empate (justo) entre ambas as selecções. A Bela Itália, mais bela do que nunca, assinou o melhor jogo do torneio destroçando por completo uma Alemanha que nunca viveu na prova à altura do nome com que chegava. Prandelli derrotou Low e Pirlo, o jogador mais perfeito dos últimos 10 anos, liderou a tempestade azzura. 

 

Em 30 minutos o sonho alemão estava destroçado.

Angela Merkel nem podia acreditar. Afinal, não era suposto este torneio ser uma confirmação da superioridade alemã na Europa, em todos os aspectos possíveis e imaginários. Antes do torneio a maioria das pessoas pensava que ia ser dificil travar a selecção germânica. Mas durante a prova os alemães foram eficazes, mas nunca entusiasmantes. E estiveram longe do nome que traziam. Por culpa de Joachim Low, incapaz de dar oxigénio a uma equipa demasiado dependente do conjunto bávaro de Munique, destroçada fisica e psicologicamente depois de um final de época para esquecer. Bastian Schweinsteiger pode ser o melhor jogador alemão, mas os seus problemas fisicos foram uma constante e era evidente que mais do que uma solução, era um problema. Low manteve-se fiel ao seu braço direito e com ele (e não só) afundou-se.

Como sucedeu em 2008 e 2010, no jogo decisivo em vez de manter-se fiel à sua ideologia, Low abdicou e preferiu pensar primeiro no rival. Devolveu Gomez ao ataque e Podolski ao lado esquerdo mas adicionou outro médio, Toni Kroos, para vigilar Pirlo. Perdeu solvência no ataque, Mezut Ozil teve de trabalhar a dobrar e nem o uso de três médios travou o magnifico jogo do miolo italiano. Ao abdicar de ser a Alemanha de sempre, Low confirmou que nos momentos decisivos o ADN ganhador alemão viajou até Espanha e abandonou definitivamente a Mannschaft. A equipa perdeu esse killer instinct e iguala assim a sua pior série histórica de sempre. Até 2014, quando se jogue o próximo Mundial, vão-se cumprir 18 anos sem um só troféu alemão. Muito para uma selecção que só é superado em titulos pelo Brasil.

 

Mas se a selecção germânica foi vulgarizada, isso deve-se sobretudo à qualidade italiana.

Prandelli já tinha avisado quando chegou que ia mudar o rosto da selecção e cumpriu a promessa. O futebol de toque, a pressão alta e a mobilidade ofensiva tornaram-se imagens de marca desta nova azurra, mais fresca e sedutora do que nunca. Uma selecção moldada à figura de Andrea Pirlo, o melhor jogador do torneio sem margem para dúvidas. Mais do que isso, o italiano é o melhor jogador da última década.

Nenhum jogador no futebol mundial foi tão bom durante dez anos consecutivos. Houve alguns que tiveram momentos de altos seguidos de baixos, mais ou menos acentuados. Pirlo tem sido figura omnipresente desde que em 2002 tomou conta do meio-campo do Milan, vencendo a sua primeira Champions no ano seguinte (voltaria a vencer em 2007), e o Mundial (onde foi o melhor italiano) em 2006. Aos 33 anos, para fechar uma carreira de sonho, o Mundo finalmente se começa a dar conta do seu génio. Não é demasiado tarde.

Pirlo foi a bússula, Balloteli a metralhadora. O jogador do Manchester City fez o melhor jogo no torneio, apontou dois grandes golos (especialmente o segundo) e foi uma arma constante apontada à defesa italiana. Apoiado por um superlativo Cassano, o dianteiro igualou Gomez, Madzukic e Dzagoev na lista dos melhores marcadores e está a um jogo de ser o goleador do torneio. 

Com esses dois golos em 35 minutos, a Itália resolveu a eliminatória com uma solvência assustadora e depois, em vez de defender o resultado como era habitual, dedicou-se a destroçar o jogo do rival, com sucessivas trocas de bola no miolo e contra-golpes rapidissimos onde só a ineficácia de Marchisio, Di Natale e Diamanti impediram uma vitória maior. 

O golo alemão (um penalty no último minuto apontado friamente por Ozil) trouxe uma incerteza injusta no tempo de desconto porque nunca os alemães deram a sensação de poder discutir a eliminatória. As substituições de Low foram um desastre, as de Prandelli uma declaração de intenções e a segunda parte sucedeu-se com Buffon a dar tranquilidade à defesa alemã e Neuer a assustar os adeptos alemães. Noutro mundo andava Pirlo, entre recuperação e recuperação, entre passe e passe, entre sonho e sonho. Sem ninguém dar por nada, a Itália está na final, doze anos depois. E com todo o mérito.


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Quarta-feira, 27.06.12

Portugal mostrou ao mundo como desactivar a selecção espanhola e o seu célebre tiki-taka. Mas faltou a eficácia que sempre impediu que os combinados lusos fossem mais longe. Nos 90 minutos a equipa das Quinas foi superior a uma Espanha que só despertou no prolongamento. Sem golos, decidiu-se tudo nos penaltys. Cristiano Ronaldo, entre a cobardia de falhar e a vontade de ser o herói, nem marcou. Os falhanços de João Moutinho - MVP português do torneio - e Bruno Alves condenaram uma selecção que esteve de parabéns em todos os aspectos do jogo. Menos no golo que nunca chegou.

Depois da abordagem cobarde de Laurent Blanc, surgiu Paulo Bento e mostrou que ao futebol joga-se com futebol.

Portugal foi a primeira selecção manifestamente superior com que se encontrou a Espanha de Vicente del Bosque no torneio. Uma selecção capaz de pressionar constantemente, com pulmão para aguentar o jogo posicional espanhol e, sobretudo, capaz de desactivar o tiki-taka. Não se viu na equipa do país vizinho a soltura de controlo e dominio de jogo que tem vindo a demonstrar, até ao aborrecimento, nos últimos jogos. Diversas vezes Casillas procurou o lançamento largo onde Negredo, a surpresa de Del Bosque, foi sempre timidamente ineficaz. De tal forma que o jogo que muitos pensavam que iria desenrolar-se mudou claramente quando se chegou à conclusão que a ligeira superioridade da posse de bola espanhola era inconsequente e que os lances de perigo estavam do lado português. Mas aí também ficou claro que marcar a Casillas iria ser dificil, como tem sido sempre, por uma crónica falta de pontaria que é o que decide no fundo um torneio como este.

Paulo Bento teve a coragem de ser fiel a si mesmo frente a uma equipa habituada a influir na forma de jogar do rival. A jogada saiu-lhe bem mas o plano encontrou-se com dois problemas. A ineficácia de Hugo Almeida, um jogador que nem serve como pivot ofensivo, nem tem clarividência frente à baliza. E, sobretudo, o péssimo jogo de Cristiano Ronaldo.

O capitão de Portugal voltou a falhar nos livres, voltou a falhar no mano a mano, voltou a não ser um elemento de ajuda nas coberturas defensivas, deixando demasiadas vezes Coentrão à mercê de dois e três rivais (imenso Veloso nas ajudas) e acabou o duelo que na sua mente o consagraria como Ballon D´Or borrando-se igualmente de marcar um penalty. Ronaldo podia estar no quinto lugar da lista, mas qualquer técnico sabe que os melhores marcadores devem ser sempre os primeiros, precisamente porque um erro pode deixá-los de fora da ronda. Ronaldo tinha falhado contra o Bayern Munchen (onde foi o primeiro) e decidiu esconder-se. Talvez voltasse a falhar, nunca o saberemos, mas Bruno Alves tinha escrito na cara o destino de um país.

 

A Espanha nunca foi uma selecção cómoda.

O jogo de transições não funcionou, a aposta em Negredo foi um falhanço do seleccionador e, sobretudo, dependia em excesso do jogo dos laterais - imenso Jordi Alba, muito seguro Arbeloa - porque pelo meio não conseguia respirar com a bola nos pés. O jogo foi tenso, intenso e dinâmico, mas demasiadas vezes num espaço de campo reduzido o que ia anulando as oportunidades de uma e outra equipa. Mesmo assim, note-se, Espanha só rematou as redes de Patricio ao minuto 68. É esse o fiel espelho de jogo da selecção campeã do Mundo e do seu tiki-taka.

Portugal aguentou-se bem, soube criar certo perigo - nunca demasiado, Casillas teve uma noite bastante tranquila - mas foi perdendo gasolina. O jogo imenso de João Moutinho, sem dúvida um dos melhores do Mundo na sua posição, e os trabalhos hercúleos de Miguel Veloso, Pepe, Coentrão, Raul Meireles e Nani mantinham a nau em boa direcção. Bento errou, apenas uma vez, quando lançou Nélson Oliveira.

O avançado do Benfica não devia ter entrado num jogo que pedia outro tipo de jogador. Nem colaborou com a pressão no meio campo, nem soube segurar a bola nem cumpriu como avançado. Com ele a equipa começou a recuar e a dar oxigénio aos espanhóis que, num gesto que exemplifica bem como Espanha abandonou o tiki-taka pelo resultadismo, tirou Xavi Hernandez, o pensador de jogo, para lançar o velocista Pedro Rodriguez. No meio desta luta asfixiante, Meireles, num contra-golpe, cometeu o erro de passar a Ronaldo em vez de procurar o remate e o capitão da equipa das Quinas falhou. Seria a sua última oportunidade no jogo, a partir daí nunca mais ninguém o viu em campo.

Chegou o prolongamento, porque a bola continuava longe das redes, e aí Espanha foi sempre muito superior. Portugal tinha mais frescura fisica mas não se notou e a circulação de bola dos espanhóis passou a ser mais rápida, mais intensa e mais dinâmica. A falta de um avançado no entanto também significava que toda essa velocidade não se traduzia em perigo real, mas sim num desgaste do miolo português por onde já andava Custódio e onde mais tarde se juntou Silvestre Varela. Muitas faltas, muita tensão e muita igualdade, num combate que, se tivesse sido de boxe, tinha de ser decidido aos pontos porque o KO nunca chegou. Acabaram os 120 minutos e vieram os penaltys, a cara de Ronaldo denunciava-o, a de Bruno Alves ainda mais. Rui Patricio (autor da defesa do jogo a um cabeceamento de Iniesta) esteve brilhante a defender o remate de Alonso mas Moutinho, imediatamente depois, desperdiçou a vantagem. A partir daí todos marcaram e chegou a vez de Ronaldo. Mas foi Bruno Alves, a bola na barra, para fora. E chegou Fabregas, a bola no poste, para dentro. 

 

Portugal sai de um torneio onde ninguém - a começar por mim - pensava sequer que fosse possível chegar à fase a eliminar. Sem dúvida que o mérito de Paulo Bento e dos seus 16 jogadores (sete nem sequer aqueçaram) é tremendo e o terceiro lugar - pela terceira vez na história - diz tudo sobre uma selecção que jogou muito bem mas que continua a ter um problema frente à baliza contrária. A equipa espanhola será a terceira na história a chegar a três finais consecutivas mas sofreu como nunca, deixou a nú as suas debilidades e afasta-se progressivamente dessa imagem ficticia de superioridade moral que se criou nos últimos anos. Podem sagrar-se campeões europeus no próximo domingo, naturalmente, mas olhar para esta selecção e pensar nas melhores equipas da história é, no minimo, questionável.  

 

PS: Sérgio Ramos tinha sido gozado por Manuel Neuer no twitter depois de ter falhado um penalty nas meias-finais da Champions League. Hoje marcou o melhor penalty da história do futebol espanhol. Jogadores com essa mentalidade, forjada em anos e anos de derrotas, são a estrutura desta selecção espanhola, muito mais que o seu estilo de jogo. Uma licção para o futebol português!

 


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publicado por Miguel Lourenço Pereira às 22:34 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Terça-feira, 26.06.12

O rival de amanhã de Portugal já faz parte da história. E com todo o mérito. É campeã da Europa e do Mundo em titulo. Não perde um jogo em eliminatórias há quatro anos e pelo caminho venceu Itália, Rússia, Alemanha, Portugal e Holanda, ficando apenas por provar o seu valor contra o dueto histórico sul-americano. Mas apesar da grandeza indiscutível dos números, o estilo de Espanha é também o mais aborrecido de que há memória. Longe do tiki-taka do Barcelona, vertical e constantemente ofensivo, a equipa espanhola joga com a bola nos pés sempre para não sofrer e muito pouco para atacar.

 

Portugal sabe que amanhã será dificil ter a bola nos pés durante muito tempo.

Não que isso seja uma preocupação. A de Paulo Bento é uma equipa de tracção dianteira habituada à velocidade e ocupação de espaços. Só com a República Checa logrou superar os 50% de possessão num jogo e isso foi, sobretudo, porque os checos foram ainda mais defensivos do que os lusos contra a Alemanha, não criando uma só oportunidade de golo. Mas os espanhóis são diferentes. Defendem com a bola.

Em 2008 a equipa chegou repleta de dúvidas à Áustria. Tinha-se qualificado para o Europeu através de um play-off sofrido, o treinador Luis Aragonés já tinha anunciado que se ia embora e havia muitos jogadores criticados pela imprensa do país vizinho, ainda incapaz de acreditar na ausência de Raúl. Num grupo acessível, a selecção somou os 9 pontos habituais - Espanha ganha, quase sempre, a fase de grupos - e nos Quartos quebrou a maldição contra uma Itália a quem nunca ganharão em 120 minutos. Os penaltys, essa malapata, levou-os a umas meias-finais onde destroçaram os russos, ainda cheios do vodka da celebração da fantástica e inesperada vitória frente à Holanda. Foi o seu melhor jogo numa fase final. Seguiu-se a grande final com uma Alemanha ainda sem a filosofia Low e o primeiro de cinco jogos consecutivos a eliminar a vencer por apenas 1-0. Contra a França quebrou-se a tradição, mas só com um penalty no último minuto. Estatisticamente a Espanha venceu por 2-0 mas só rematou uma vez às redes de Lloris. Tipico.

O futebol espanhol tornou-se, com o tempo, profundamente previsivel. A equipa alinha com o maior número de médios possíveis, joga essencialmente pelo corredor central, e com as linhas muito juntas. Isso permite sempre uma rápida recuperação da bola, que haja sempre um colega disponível para garantir a posse. Mas também deixa evidente a incapacidade de jogar pelas alas com extremos e, sobretudo, jogar com um ponta-de-lança. David Villa jogava como falso avançado onde hoje se move Fabregas. Sem essa referência, há sempre mais alguém para tocar a bola no meio. Mas os defesas ficam sem elemento de marcação, sobem linhas e asfixiam mais o jogo num espaço reduzido. Por vezes as tabelas sucessivas encontram um espaço e surge o golo. Mas isso acontece uma, duas vezes por jogo. Espanha tem um problema grave em criar oportunidades de golo, especialmente com equipas que se agrupam bem no miolo e perturbam esse eterno "meinho".

 

Apesar de eficaz, o futebol da equipa espanhol aborrece o mais entusiasta do futebol de posse.

É diferente ao jogo do Barcelona em três aspectos fundamentais. Não usa quase nunca os laterais como falsos extremos, apesar do espaço que a maioria das equipas lhes deixam nos flancos. A posse de bola é sempre horizontal e procura poucas diagonais porque Iniesta, em lugar de jogar no miolo, é um dos falsos extremos (e Silva é outro), jogadores habituados a serem eles a criar os passes por dentro. E porque não há Messi, esse diabo à solta, em constante movimento, como referência ofensiva, ainda que sempre móvel. Essa verticalidade ofensiva fez do Barcelona de Guardiola o que é. A sua ausência faz da Espanha a sua nemésis moral. A bola e os bajitos continuam a ser o eixo central, mas são usados primeiro para defender e depois para atacar.

Aqui a preocupação é circular a bola o máximo de tempo possível, mas sempre na linha entre o meio-campo e a grande área. É raro assistir a tabelas dentro da área, é raro ver o jogo nas alas e mais raro ainda criar oportunidades atrás de oportunidades. Durante largos minutos a bola chega de Piqué a Fabregas para voltar  Piqué, passando por cada um dos jogadores de campo. E recomeça outra vez. Isso cansa o rival, fisica e psicologicamente, obriga a uma concentração tremenda e, sem bola, obriga as equipas a jogar mais no espaço.

O problema está na questão psicológica. As equipas entrem em campo já derrotadas. Aconteceu com a França como com a Holanda, Alemanha e Portugal no último Mundial. Posicionam-se demasiado atrás, abdicam dos seus principios de jogo para adaptar-se aos do rival e abandonam os seus homens da frente à sua sorte porque pensam que um defesa ou um médio mais faz a diferença. Mas não faz. Espanha joga igual contra um meio-campo de três, quatro ou cinco. Mas atrás ficam os espaços, que ninguém sabe explorar. 

No Mundial de 2010 o Paraguai e o Chile, equipas sul-americanas com outra mentalidade, souberam usar esses espaços e apesar de terem perdido causaram mais problemas aos homens de Del Bosque do que os seus rivais europeus, mais organizados mas perfeitos para uma equipa que vende a imagem do jogo bonito mas que, na realidade, é a nova Itália no sentido pragmático e positivo do termo. Para eles um 1-0 vale tanto como um 4-0.

Apesar de ter ganho tudo o que havia para ganhar, não há semelhanças posssiveis entre o espirito desta equipa e os miticos conjuntos hungaros, brasileiros, holandeses e franceses do passado. Pelo contrário, há uma profunda semelhança com a Argentina de 86, a Itália de 82 ou mesmo o Brasil de 94, grandes equipas que pensavam sempre primeiro no aspecto defensivo e só depois na fome de golos. Espanha foi a selecção campeã do mundo com pior média de golos da história e só uma goleada contra a inofensiva Irlanda lhe permite ser a segunda equipa mais goleadora da prova até agora. Sem esses golos, seria a última. 

Del Bosque poderá alinhar o seu onze base (com Fabregas e sem Torres) mas também pode optar pela velocidade de Navas e Pedro, jogadores que criam mais perigo do que Silva e Iniesta, mas que não entram no espirito do seleccionador e que acabam por ser utilizados mais como revulsivos. Contra o 4-6-0 espanhol (que pode ser um 4-5-1 se jogar Torres) a equipa portuguesa não pode repetir a estratégia francesa ou a que usou Queiroz em 2010. Colocar mais defesas não resolve o problema. Nem sequer reforçar o miolo. Sabendo que Ronaldo não irá ajudar a defender, o substituto de Postiga tem de ser capaz de bascular entre os extremos e o miolo para pressionar o jogo de Busquets. Moutinho e Meireles serão os apaga-fogos encarregues de ganhar e soltar a bola o mais depressa possível mas devem evitar jogar longe de Ronaldo e Nani, que terão sempre 3 a 4 rivais pela frente. Ao contrário do Barcelona, a defesa espanhola de quatro é inamovível e está sempre recuada no terreno. Os laterais terão a tendência de fechar ao centro, mas devem também explorar as falhas defensivas de Iniesta e Silva e, sobretudo, a dupla de centrais deve estar atenta à tendência do jogo espanhol com o fora-de-jogo, esse limite onde ás vezes um árbitro mais sensibilizado à figura de Angel Maria Villar no palco pode fazer a diferença.

 

Portugal tem jogado um melhor Europeu que a Espanha mas não é favorita. É um mérito tremendo da equipa lusa estar onde está e merece os aplausos de todos. Mas vencer a equipa campeã mais aborrecida da história deve ser um estimulo. Os primeiros a derrotar esta Espanha, como sucedeu com o Senegal em 2002 e a Checoslováquia de 1976, ficarão sempre para a história. Para consegui-lo, além de muito trabalho, os portugueses devem ser, sobretudo, muito fieis a si mesmos. É o único caminho para romper com a história! 


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publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:35 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Segunda-feira, 25.06.12

Quantos golos marcou realmente Pelé para ser considerado um dos máximos goleadores da história? Será que o génio brasileiro foi, de facto, um dos maiores homens golos da história. 

 

O @FutebolMagazine analisa a carreira goleadora do 10 do Brasil e explica como o mito superou a realidade.


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publicado por Miguel Lourenço Pereira às 13:08 | link do post | comentar

Domingo, 24.06.12

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publicado por Miguel Lourenço Pereira às 23:56 | link do post | comentar | ver comentários (4)

A angústia dos penaltys chegou ao Europeu e a Itália, depois de ter sido a melhor equipa em campo, teve de sofrer como nunca para garantir o apuramento. A Inglaterra, que começou o duelo com nota positiva, abdicou de jogar durante o final dos 90 minutos, negou-se a atacar no prolongamento e voltou a cair nos penaltys que procuraram. Sem pena nem glória!

Foi a melhor primeira parte do torneio, um jogo sem complexos onde a bola visitava Hart e Buffon com a mesma regularidade.

Duas equipas com tendências defensivas que procuravam num jogo de ida e volta criar as primeiras ocasiões de perigo. Johnson teve o golo nos pés, mas ser defesa lateral diante de Buffon não é uma tarefa fácil. A Itália que sempre quis a bola, ao contrário do esperado jogo de espera e golpe dos ingleses, foi equilibrando o tabuleiro e dominou grande parte dos primeiros 45 minutos, mas Balotelli continua a ser um avançado mais displicente que eficaz e as duas oportunidades que teve nos pés perderam-se, sobretudo, porque o avançado pensava já na celebração e nas capas dos jornais do dia seguinte. 

O jogo foi-se acalmando, sobretudo porque Prandelli trocou definitivamente o 3-5-2 pelo 4-3-3, dando a Montolivo a batuta por detrás dos dois avançados. Mas, como sempre, foi Andrea Pirlo, talvez o melhor jogador do Europeu até agora quem brilhou. Cada bola italiana passava pelos seus pés, cada passe seu desafiava a lógica e os ingleses nunca conseguiram controlar a sua criatividade. Procuraram ocupar os espaços, defendendo fora da área de Hart, e aguentando o acosso ofensivo da azzura. As contadas oportunidades inglesas no entanto eram igualmente perigosas e a sensação constante em Kiev era de que o golo acabaria por surgir. Mas não. 

A segunda parte foi mais italiana do que a primeira, mas os lances de perigo continuaram a não resultar em golos. Nocerino, Montolivo, Cassano, Balotelli, Rooney, Young, todos eles tiveram o seu momento e todos eles falharam, e depois de Hodgson ter procurado na dupla Walcott-Carrol a mesma fórmula que destroçou a Suécia, o seleccionador italiano, Prandelli, preferiu adicionar jogadores mais omnipresentes, Diamanti e Nocerino, e intensos, como Maggio, em vez do golo de Di Natale ou a criatividade de Giovinco. Durante os 90 minutos nenhuma das tácticas soube sobrepor-se à outra e forçosamente mergulhamos no primeiro prolongamento do torneio.

 

Foram trinta minutos que se tornaram na verdadeira antitese da primeira hora inicial.

A Inglaterra decidiu adoptar o esquema táctico do Chelsea, que tanto sucesso lhes deu este ano, e abdicou totalmente de atacar dando totalmente o jogo aos italianos que não souberam nunca furar a dupla linha defensiva inglesa. Foi um monólogo com a bola de Pirlo e companhia mas que acabou por ser inconsequente. À medida que se aproximavam os penaltys parecia que os ingleses se esqueciam de que só por uma vez na sua história (e foram muitas), conseguiu o apuramento numa fase a eliminar na marcação de penaltys.

O final dos 120 minutos abriu a loteria final, esse momento que todos os torneios a eliminar têm que os distingue das provas regulares, com essa dose de tensão e dramatismo que fazem do futebol algo profundamente único.

O remate de Pirlo, poético como só ele sabe ser, mudou o jogo. O falhanço de Montolivo e o golo de Rooney, depois de uma primeira série impecável de Balotelli e Gerrard, deixou a Inglaterra à beira de fazer história. Mas com toda a frieza do Mundo, o médio da Juventus disse presente e enervou Young que disparou sem olhar e encontrou-se com a barreira. O jogo deu a volta, Nocerino não teve piedade de Hart e quando chegou Ashley Cole, já Gianluigi Buffon tinha decidido que esta festa também era sua, defendendo o remate débil do lateral inglês. Diamanti, decisivo no prolongamento, justificou a aposta de Prandelli e escreveu com suor a alegria de uma nação que mereceu mais do que nunca estar no top 4 deste Europeu.

 

Liderados por um Pirlo gigantesco, os italianos medem-se agora com uma selecção com a que disputam a primazia do futebol europeu em ceptros. Três Mundiais e Europeus para os alemães, quatro Mundiais e um Euro para os italianos. Desde a mitica meia final de 2006 que as equipas não se voltaram a cruzar num jogo oficial e lembranças dos duelos de 82, 70, 78 e 96 seguramente que voltam à memória de todos. Desse duelo sairá um dos finalistas. Para defrontar Portugal, queremos acreditar.

 

 


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Sábado, 23.06.12

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Espanha, na sua versão mais macia e monótona, eliminiu uma França assumidamente cobarde que desistiu antes de entrar em campo. Um 2-0 que não espelha bem o que sucedeu em campo, não porque a França fosse uma boa selecção, mas porque os dois golos espanhóis resultaram dos únicos dois remates feitos às redes de Lloris. Dois de Xabi Alonso, homem centenário, dois para aquecer o duelo ibérico.

É constrangedor que os seleccionadores que mais professam admiração ao jogo de toque e posse da selecção espanhola, sejam sempre os primeiros a abdicar dos principios que fizeram da Roja campeã da Europa e do Mundo. O desenho táctico de Laurent Blanc, mais do que conservador, foi manifestamente medroso. Uma linha de quatro e um segundo lateral-direito (Debuchy) uns metros à frente de Reveillere que fazia que, sem bola (que foi a tónica dominante) a selecção gaulesa jogasse num 5-3-2. Muito pouco para quem ambiciona tanto.

Espanha, que nestas coisas cai de pé com as suas ideias, manteve-se fiel ao esquema com que começou o torneio, com Fabregas como falso 9, e o toque curto e rápido do quarteto Xavi, Iniesta, Silva e Alonso. Maçador, seguramente, praticamente inofensivo, também. Mas tremendamente eficaz, como sempre.

Jordi Alba, apesar de ter dois defesas pela frente, foi sempre o quebra-cabeças preferido dos gauleses.Pela direita, Arbeloa encontrou-se constantemente sem marcação porque se Blanc exigiu a oito jogadores que defendessem apenas, permitiu que dois não baixassem nunca da linha de meio-campo. Nem Ribery, pelo flanco esquerdo, nem Benzema, a grande decepção individual do torneio, ajudavam nas tarefas defensivas e, quando a equipa recuperava a bola, sem o apoio dos colegas, acabavam como presa fácil da defesa espanhola. Só de bola parada os gauleses criaram perigo. Espanha, como sempre, passou toda a primeira parte em trocas de bola controladas entre a grande área e o meio-campo.

Na única oportunidade de perigo, golo. Um sprint demoníaco de Alba pela esquerda, com Debuchy pelo chão, e um centro medido à perfeição para um cabeacemanto perfeito de Xabi Alonso, que hoje cumpria 100 jogos como internacional. Os médios defensivos franceses ficaram a ver jogar e o jogador do Real Madrid bateu, sem problemas, a Lloris. Antes não se tinha visto perigo no jogo espanhol, depois não se voltou a ver, mas a eficácia continua a mesma e como o onze francês encarou o encontro, na primeira parte, como um confronto onde se sentiam mais pequenos do que nunca, o jogo não teve mais história até ao intervalo. Sem Nasri, Valbuena, Ben Arfa e Giroud, ficou evidente que Blanc pensou sempre que cedo ou tarde acabaria por perder. O segundo golo, de penalty, surgiu já em desespero da defesa gaulesa, totalmente habituada á sua sorte. Uma licção importante para Paulo Bento, também dado a tiques conservadores, e para todos. A esta Espanha, quanto mais se lhes respeita, maior é a probabilidade de cair de joelhos.

 

Que uma selecção como a espanhola, que muitos analistas colocam no top das melhores da história, tenha disputado um jogo desta magnitude rematando apenas uma vez à baliza, é sinal sintomático da versão que del Bosque trouxe até à Ucrânia. Uma equipa que abusa da posse de bola, mas sempre num plano defensivo e conservador, sem arriscar nunca, como se o campo fosse um eterno jardim onde a bola passa entre uns e outros sem consequência alguma. Um remate, um golo, e trabalho feito. Um tipo de futebol eficaz, sem dúvida, mas longe da grandeza a que aspiram.

A França entendeu na segunda parte que o jogo tinha de ser disputado de outra forma e passou de um extremo ao outro. Blanc meteu Menez, Nasri e Giroud e desmantelou o meio-campo, abrindo um espaço aí que os espanhóis aproveitaram como melhor sabem. Sem ter ninguém capaz de construir jogo, os gauleses foram presa ainda mais fácil e Blanc errou, pela segunda vez. Foi a primeira vez que a França perdeu um jogo oficial contra a Espanha. Para fazê-lo com esta equipa, a versão dos Bleus é francamente uma das mais inferiores da sua história. A chamada recuperação moral dos franceses ficou no papel, na hora da verdade o sleeccionador optou sempre pelo plano B, o mais defensivo. Foi assim com ingleses, suecos e espanhóis. Muito pouco para quem ambicionava muito. Ribery lutou contra tudo e todos, Benzema realizou um torneio decepcionante e quase sem saber - mas sabendo-o com muita artimanhã - Espanha segue em frente para o duelo com Portugal.

 

Fica o aviso, esta Espanha é mais batível que nunca, mas só o será por uma selecção que não deixe de ser ela própria e que saiba explorar as suas virtudes antes de se preocupar com as do rival. Com a bola os espanhóis podem ser uma selecção cansativa, mas a maioria da vez também inconsequente. Sem ela é uma equipa que sofre, sobretudo nos espaços. Portugal sabe bem o que é sofrer contra esta equipa, depois da derrota nos Oitavos de Final do Mundial de 2010. Repetir os mesmos erros é repetir o mesmo destino.


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publicado por Miguel Lourenço Pereira às 20:31 | link do post | comentar | ver comentários (17)

Sexta-feira, 22.06.12

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Miguel Lourenço Pereira

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