Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Mais interessante do que deambular sobre os títulos logrados com maiores esmagadoras pelo único jogador que não destoa do resto do colectivo que é o Barcelona é olhar para as recentes votações de final de ano e descobrir sempre entre os favoritos a Ricardo Izecscon. Um fantasma de si próprio, o médio brasileiro é o último reflexo do poder mediático sobre a qualidade de jogo. Porque, desde há quanto tempo que alguém se lembra de um lance memorável de Kaká?

Na imprensa espanhola instalou-se o debate. As excelentes exibições do proscrito Rafael van der Vaart levantam o véu sobre um dos temas tabus do ano no Santiago Bernabeu. Por muito bem que jogue, está o médio condenado a ceder o seu lugar a Kaká? Mais sabendo ainda que este Kaká é um fantasma do que foi? A resposta parece estar já escrita na mente dos directivos madrileños - mais do que do próprio Pellegrini - e acenta na mesma estratégia de glorificação que explica o porquê do quarto posto de Kaká entre os 5 melhores do ano para a FIFA. E a sua altíssima posição no top 10 da revista France Football. Tal como no ano passado aliás. Porque desse médio que gostava de rasgar e arriscar já não se vislumbra um momento de genialidade desde há mais de dois anos. Mas o nome continua aí, a vender camisolas e votos de primeiro nível. Afinal, qual é o curioso caso deste Ricardo Izecson.

 

A sua chegada a Madrid foi envolta com a mesma aura de Zinedine Zidane. Segundo a critica o Real Madrid tinha uma profunda carência de um homem capaz de pautar e controlar o jogo desde a saída do francês em 2006. Promessa de Ramon Calderon, o médio acabou por abrir a galáxia de Florentino Perez. Ofuscado - dentro e fora do campo - por Cristiano Ronaldo, no primeiro meio ano em Madrid o brasileiro simplesmente não existiu. Depois de uma pré-época apagada, Kaká começou a ter problemas em encontrar o seu espaço no puzzle de Pellegrini. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, que apesar de se queixar mostrava serviço, o brasileiro nem se queixava nem rendia. Deambulava perdido pelo relvado sem saber como e onde se posicionar. Da inteligência superior de jogo nem um vislumbre. A bola rodeava-o mas ele não a agarrava. O jogo escapava-lhe das mãos e nem a ausência do português por lesão foi suficiente para lhe dar protagonismo. Pelo contrário, Kaká esteve nos maus momentos mais escondido do que nunca. No duplo duelo contra o AC Milan, o seu anterior clube, mal se notou em campo. O mesmo em Camp Nou. Isto para não nos adentrarmos nas noites mais gélidas da liga espanhola. Mas isso não era novidade. Depois da brilhante época de 2006/2007, onde levou o AC Milan a mais um ceptro europeu, Kaká desapareceu dos radares. A última época em Giuseppe Meazza foi um pesadelo em toda a linha entre lesões, erros e tropeções. Parecia que Kaká tinha desaparecido e o seu alter ego divino, esse que joga com a ajuda de Deus e pouco mais, Ricardo Izecson, tinha tomado o seu posto.

 

A Taça das Confederações na África do Sul voltou a dar-lhe protagonismo - afinal o Brasil até foi campeão - mas apesar das boas exibições do brasileiro, a sua performance esteve a anos-luz do conceito de crack mundial que lhe vinha associada. Depois de ter desaparecido no Mundial da Alemanha e de já não constar no radar de Milão, em Madrid acreditou-se que o fausto do Bernabeu o iria ressuscitar. Um pouco como a Zidane, desaparecido também nos últimos meses em Turim. Só que ao contrário do francês, Kaká continua a não convencer. Parece que o sistema táctico de Pellegrini não lhe encontra um espaço. Perito em jogar atrás do ponta-de-lança, solto e sem nenhuma missão em concreto - ao contrário de Zizou que arrancava detrás para a frente - neste 4-3-3 madrileño é obrigado a descair para um lado. Ou a jogar muito longe da baliza. No primeiro caso a Kaká falta-lhe o espirito de jogar de banda, que Cristiano domina à perfeição mas que van der Vaart, Higuain e até Raul podem desempenhar. No segundo caso a posição no coração do meio campo impede-o de chegar perto das redes, por muito bem que esteja escudado por Xabi Alonso e Diarra. Mais uma vez Granero, Guti e van der Vaart se mostram mais apto para esta labor. Sem sitio no onze, sem espirito e sem destelhos de magia, Kaká ameaça transformar-se no primeiro grande erro da nova galáxia.

E no entanto aí está ele, em cerimónias a recolher galardões. Perguntamo-nos porquê? Qual a necessidade de constantemente premiar um atleta que há mais de dois anos que não demonstra estar no top 10 (ou 20) dos melhores do Mundo. Porquê preferir Kaká a Lampard, Drogba, Gerrard, Torres, Rooney, Gourcouff, Iniesta, Silva, Ribery, Fabregas, Arshavin e companhia? Afinal não foram todos estes mais regulares, mais efectivos e mais premiados neste último biénio que o brasileiro? Que tem Kaká para seguir na elite que não tenha nenhum deles? A resposta é clara: marketing.

A FIFA precisa, desesperadamente, de manter em alta o mercado brasileiro. E a verdade é que, exceptuando Lionel Messi que é um caso à parte (europeu no estilo de jogo e na formação, mais odiado que amado entre os seus), desde a explosão de Ronaldinho que o Brasil não tem uma estrela à altura. E a América do Sul um simbolo. Depois de anos consecutivos onde Romário sucedeu a Zico, Ronaldo e Rivaldo se seguiram e logo veio Ronaldinho primeiro e Kaká depois (enquanto que paralelamente havia Valderrama, Salas, Zamorano, Batistua, Lopez, Crespo e afins nos paises latinos vizinhos) , hoje o país que mais vive o jogo não tem icones. O escrete canarinho é uma equipa cinzenta e os grandes nomes jogam adormecidos. Por isso é importante manter Ricardo Izecson no escaparate. Só ele pode vender a imagem de um Planeta do Futebol longe da hegemonia europeia que hoje, efectivamente, se verifica. Olhando para as listas dos grandes atletas mundiais podemos até encontrar dois africanos (Drogba e Etoo) e três sul-americanos (Messi, Kaká e Diego), mas nenhum deles - voltamos a retirar Messi desta equação - vende como Kaká consegue. E por isso continua no escaparate.

Os (exagerados) milhões pagos por Florentino Perez e as óptimas votações logradas entre os prémios FIFA, France Football, Onze, World Soccer e afins justificam o cachet que rodeia o médio. Kaká, que foi um belissimo jogador até há três anos atrás, é hoje um fantasma da mesma forma que Ronaldinho - que esteve sempre uns furos acima do ex-Milan - já não é quem era.  Mas o Brasil precisa de uma estrela, a FIFA precisa de um Mundial com estrelas fora do espectro UEFA e o próprio futebol europeu gosta de valorar as importações internacionais. Talvez seja esse o curioso caso de Ricardo Izecson, um rosto tão familiar e tão desconhecido como o misterioso desaparecimento de um crack chamado Kaká.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:00 | link do post

Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Ultimas Actualizações

Toni Kroos, el Maestro In...

Portugal, começar de novo...

O circo português

Porta de entrada a outro ...

Os génios malditos alemãe...

Últimos Comentários
Thank you for some other informative web site. Whe...
Só espero que os Merengues consigam levar a melhor...
O Universo do Desporto é um projeto com quase cinc...
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
Posts mais comentados
69 comentários
64 comentários
47 comentários
arquivos

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

.Em Destaque


UEFA Champions League

UEFA Europe League

Liga Sagres

Premier League

La Liga

Serie A

Bundesliga

Ligue 1
.Do Autor
Cinema
.Blogs Futebol
4-4-2
4-3-3
Brigada Azul
Busca Talentos
Catenaccio
Descubre Promesas
Desporto e Lazer Online
El Enganche
El Fichaje Estrella
Finta e Remate
Futebol Artte
Futebolar
Futebolês
Futebol Finance
Futebol PT
Futebol Total
Jogo de Área
Jogo Directo
Las Claves de Johan Cruyff
Lateral Esquerdo
Livre Indirecto
Ojeador Internacional
Olheiros.net
Olheiros Ao Serviço
O Mais Credível
Perlas del Futbol
Planeta de Futebol
Portistas de Bancada
Porto em Formação
Primeiro Toque
Reflexão Portista
Relvado
Treinador de Futebol
Ze do Boné
Zero Zero

Outros Blogs...

A Flauta Mágica
A Cidade Surpreendente
Avesso dos Ponteiros
Despertar da Mente
E Deus Criou a Mulher
Renovar o Porto
My SenSeS
.Futebol Nacional

ORGANISMOS
Federeção Portuguesa Futebol
APAF
ANTF
Sindicato Jogadores

CLUBES
Futebol Clube do Porto
Sporting CP
SL Benfica
SC Braga
Nacional Madeira
Maritimo SC
Vitória SC
Leixões
Vitoria Setúbal
Paços de Ferreira
União de Leiria
Olhanense
Académica Coimbra
Belenenses
Naval 1 de Maio
Rio Ave
.Imprensa

IMPRENSA PORTUGUESA DESPORTIVA
O Jogo
A Bola
Record
Infordesporto
Mais Futebol

IMPRENSA PORTUGUESA GENERALISTA
Publico
Jornal de Noticias
Diario de Noticias

TV PORTUGUESA
RTP
SIC
TVI
Sport TV
Golo TV

RADIOS PORTUGUESAS
TSF
Rádio Renascença
Antena 1


INGLATERRA
Times
Evening Standard
World Soccer
BBC
Sky News
ITV
Manchester United Live Stream

FRANÇA
France Football
Onze
L´Equipe
Le Monde
Liberation

ITALIA
Gazzeta dello Sport
Corriere dello Sport

ESPANHA
Marca
As
Mundo Deportivo
Sport
El Mundo
El Pais
La Vanguardia
Don Balon

ALEMANHA
Kicker

BRASIL
Globo
Gazeta Esportiva
Categorias

a gloriosa era dos managers

a historia dos mundiais

adeptos

africa

alemanha

america do sul

analise

argentina

artistas

balon d´or

barcelona

bayern munchen

biografias

bota de ouro

braga

brasileirão

bundesliga

calcio

can

champions league

colaboraçoes

copa america

corrupção

curiosidades

defesas

dinamarca

economia

em jogo

entrevistas

equipamentos

eredevise

espanha

euro 2008

euro 2012

euro sub21

euro2016

europe league

europeus

extremos

fc porto

fifa

fifa award

finanças

formação

futebol internacional

futebol magazine

futebol nacional

futebol portugues

goleadores

guarda-redes

historia

historicos

jovens promessas

la liga

liga belga

liga escocesa

liga espanhola

liga europa

liga sagres

liga ucraniana

liga vitalis

ligas europeias

ligue 1

livros

manchester united

medios

mercado

mundiais

mundial 2010

mundial 2014

mundial 2018/2022

mundial de clubes

mundial sub-20

noites europeias

nostalgia

obituário

onze do ano

opinião

polemica

politica

portugal

premier league

premios

real madrid

santuários

seleção

selecções

serie a

sl benfica

sociedade

south africa stop

sporting

taça confederações

taça portugal

taça uefa

tactica

treinadores

treino

ucrania

uefa

todas as tags

subscrever feeds