Com a profunda crise financeira que assola o campeonato argentino os últimos anos têm sido pródigas em surpresas. Mas nenhuma tão grande como a do Banfield. O modesto clube dos subúrbios de Buenos Aires nunca tinha ganho nenhuma prova no duplo campeonato argentino. Para os verde-e-brancos 2010 será um ano inesquecível...

Nem foi preciso ganhar. A derrota mais feliz. Uma loucura impensável. No mitico La Bombonera foram poucos os lugares para os fanáticos do pequeno clube buenarense. As noticias que vinham do jogo do Newell´s Old Boys dispararam a euforia. A derrota dos rivais era suficiente para consagrar o modesto Banfield como vencedor do Torneo de Apertura. O primeiro triunfo no futebol argentino de um dos clubes mais modestos da liga. Sem um historial passado, sem grandes estrelas no presente, o Banfield trabalhou mais e melhor que todos os outros. E com essa naturalidade arrecadou um trofeu que há três semanas ninguém pensava que poderia suceder. A partir do momento em que treparam para o primeiro posto, os jogadores de Julio Falcioni nunca mais falharam. Apesar da critica sob o mau jogo exibido em campo na etapa final da prova, o técnico foi cabaz. A equipa não joga bonito, mas vais à frente. E assim foi, até ao final.
O San Lorenzo de Almagro ajudou à festa mas o titulo parecia uma certeza no coração dos adeptos de um clube centenário mas modesto. A equipa teve apenas duas derrotas na prova. Uma, imediatamente a abrir o campeonato. Outra, a fechar. Pelo meio 17 jogos sem perder que foram suficientes para garantir a supremacia sobre os grandes favoritos. E se o River Plate e o Boca Juniores rapidamente mostraram que esta prova não era para eles, os rivais directos Newells, San Lorenzo e Estudiantes também foram batidos sucessivamente pelo modesto Banfield. Ontem foram 5 mil no Bombonera e muitas mais nas ruas do pequeno subúrbio a sul da capital argentina. Uma festa inédita.
A equipa de Falcioni não aguentou o killer instinct de Martin Palermo, autor dos dois golos do conjunto xeneize. Mas a cabeça deles há muito que tinha abandonado o relvado ao saber das noticias que vinham do campo do rival, que até tinha a vantagem de jogar diante dos seus adeptos em Rosario.
Apesar de não ter feito o gosto ao pé no jogo decisivo - que afinal nem o foi - foram os 14 golos de Santiago Silva que ajudaram a fazer história. O dianteiro uruguaio, um de muitos jogadores charrua que compõe o onze do Banfield, foi determinante ao longo da temporada e acabou por ser eleito o Melhor Jogador e Marcador do Torneo Apertura 2009. Ao seu lado, os fieis escudeiros, Sebastian Fernandez - médio de qualidade superior - e o jovem Joaquin Rodriguez, um extremo promissor, lideraram a carga do modesto Banfield.

A modesta equipa sabe que o feito logrado este fim-de-semana ecoará durante largos anos nos livros de história. Num campeonato controlado de forma a que os grandes clubes nunca descam de divisão e acabem sempre por pairar sobre os primeiros postos é altamente complicado um clube tão pequeno ficar com o troféu. Muito mais retê-lo. A equipa sabe que o próximo Torneo Clausura será o oposto do que acabou de viver. De surpresa passarão a favoritos e é muito provavel que os seus melhores jogadores deixem a equipa. Mas para os adeptos o futuro não conta. Depois de anos a lamentar-se dos erros do passado, agora a "hinchada del Taladro" desfruta, pela primeira vez, do presente. E todos sabemos que a primeira vez sabe sempre muito melhor...

