A firmeza do resultado coloca em destaque a progressiva subida de forma do FC Porto. Os campeões nacionais voltaram a demonstrar, tal como num ano passado, que começar a época de forma titubeante é já sina. Mas com quase todos os jogadores disponíveis a máquina de Jesualdo Ferreira apareceu, pela primeira vez, oleada. E os dragões mostraram finalmente a sua face mais letal.

É curioso que as criticas ao FC Porto sempre vieram de par em par com os elogios ao SL Benfica. A equipa encarnada arrancou a época de forma determinada e aliou as boas exibições aos excelentes resultados. Mesmo assim nunca logrou liderar o campeonato de forma isolada, graças ao excelente trabalho de Domingos Paciência no SC Braga. A eliminação precoce na Taça de Portugal e o empate com o Sporting deixaram a nu todas as debilidades encarnadas. E entretanto, calmamente, o FC Porto aproximava-se sem fazer muito barulho. Apesar das fracas exibições, a equipa das Antas mantinha os lideres a tiro e agora apresenta-se, em vésperas de ir à Luz, a três pontos do primeiro posto. Partilhado por arsenalistas e encarnados.
Os mais criticos dirão que não fosse pelos quatro pontos perdidos contra Maritimo e Belenenses, onde o dragão mostrou a sua pior versão, e hoje a equipa já seria lider. É um facto contra o qual não há argumentos possíveis. Nesses dois jogos - que mediaram o apuramento para os Oitavos de Final da Champions League - a equipa azul e branca provou que pode ser extremamente débil. Quando quer. Esta sexta-feira, no D. Afonso Henriques, os mesmos provaram que podem ser demolidores. De novo, quando querem.
Jesualdo Ferreira foi forçado a reconstruir de novo uma equipa e voltou a receber um carregamento de novos jogadores, a maioria dos quais sem conhecimento táctico suficiente para se impor numa estrutura altamente rigida como é a equipa de Jesualdo. O treinador teima em manter o 4-3-3 e sem um armador de jogo e extremos velozes e desiquilibrantes a fórmula, pura e simplesmente, não funcionava. As sucessivas lesões que foram afectando elementos desiquilibrantes (Rodriguez, Fucile, Varela, Belluschi) e o baixo-rendimento de Hulk, que se tornou no seu próprio inimigo, iam explicando em parte o problema. Mas não todo. Falcao deixou de marcar, Helton e Beto trocavam posição nas redes demonstrando uma desconfiança desnecessária e o banco parecia sempre curto, muito curto para os problemas evidenciados no relvado. O facto do treinador optar sempre pelas mesmas substituições dava ainda mais a ideia da limitação ser maior do que era na realidade. Em Guimarães ficou provado que o FC Porto tem manta para se tapar bem. Sem sobressaltos. Foi uma exibição categórica, do primeiro ao último minuto. A única do ano. Uma exibição que tremeu quando a (falta de) eficácia da equipa permitiu ao Vitória de Guimarães reduzir e alimentar a esperança da reviravolta. Pura ilusão.
Varela voltou a demonstrar que tem de jogar como titular. É um jogador de colectivo mas sabe destacar-se pelas iniciativas individuais. Todo o contrário de Hulk, verdade seja dita. A sua exibição veio em continuação que tinha vindo a demonstrar antes da inoportuna lesão que o afastou da equipa. A forma como combinou com Rodriguez - mais cómodo no lado esquerdo do ataque - e Falcao, muito trabalhador apesar de continuar trapalhão à frente das redes, foi a chave para a eficácia goleadora dos azuis e brancos. As estatisticas já o diziam, este FC Porto atacava mais que o goleador Benfica. Mas não marcava. Pura e simplesmente, não marcava.
O meio campo seleccionado por Jesualdo Ferreira voltou a espelhar a filosofia do técnico. Um triângulo de combate onde Fernando continua a ser o elo mais fraco e com Raul Meireles e Belluschi a dar luta ao esforçado meio campo vimaranense. Na defesa notou-se a importância de Fucile na equipa. Regressado após lesão o uruguaio provou que é fundamental no apoio ao ataque. Subiu e ajudou a combater desiquilibrios e permitiu a Alvaro Pereira uma noite mais tranquila. O centro da defesa, onde Rolando voltou a fazer dupla com Bruno Alves, agradeceu. E teve tempo de ir à frente ajudar.

A vitória em Guimarães deixa claro qual é o onze ideal de Jesualdo. Se a equipa for poupada a longas lesões - que continuam a espelhar o erro de ir preparar a pré-temporada a Sevilla para poder participar na PEACE Cup - o técnico sabe que tem à sua disposição os homens certos para as posições certas. Continua claro que Valeri e Prediguer são cartas fora do baralho. E espera-se que Miguel Lopes e Orlando Sá possam rapidamente juntar-se aos disponíveis. Os azuis e brancos sabem que na Luz não podem perder, sob pena de voltar a estar a seis pontos dos lideres. Mas longe das exibições titubeantes de Outubro e Novembro, este FC Porto assemelha-se mais á equipa que pode concretizar o sonho de repetir o mitico Pentacampeonato.