Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

O desastre áereo de Munique marcou uma geração do futebol britânico. Entre as chamas do avião que levava a casa os Busby Babes, depois de um apuramento histórico para as meias-finais da Taça dos Campeões, ficaram muitas das grandes promessas por cumprir do futebol inglês. Mas entre o desastre emergiu um herói, um homem que foi mais do que um guarda-redes único. Naquele fatidico dia, Harry Gregg provou ser um autêntico número um...

 

É curioso que uma longa e bem sucedida carreira desportiva fique para segundo plano quando se pensa em Harry Gregg. Foi provavelmente um dos melhores guardiões dos anos 50 e 60, um monstro nas redes tanto ao serviço do Manchester United como da selecção da Irlanda do Norte. Mas hoje poucos se lembram dele. Mas a história da sua acção heróica em Munique garantiu que o seu nome não cairá no esquecimento.

Foi num 6 de Fevereiro às 15h03 no meio de um imenso nevoeiro. Contra as indicações da equipa técnica - que tinha preferido seguir a viagem de autocarro até à Holanda, e aí atravessar o canal da Mancha de barco - o avião capitaneado por James Thain arrancou na gelada pista do aeroporto de Munique. Um voo que tinha chegado de Belgrado, onde a equipa orientada por Matt Busby tinha acabado de eliminar o Estrela Vermelha para a Taça dos Campeões Europeus. Uma equipa onde pontificava Duncan Edwards e que era vista como a grande ameaça ao quarto titulo europeu do Real Madrid.

O avião levantou do solo por breves instantes. Depois, a catástrofe. Uma queda estrepitosa e um incêndio imediato consumiu o aparato. Sete jogadores morreram de imediato com o impacto. Com eles, dois elementos da tripulação, três membros da equipa técnica e oito jornalistas não sobreviveram à queda. No meio das chamas, Harry Gregg, guardião da equipa, teve a sangue-fria de carregar às costas com os colegas moribundos. Salvou Bobby Charlton, Jackie Branchflower, Dennis Viollet, Duncan Edwards e o técnico Matt Busby, todos gravemente feridos, particularmente das queimaduras produzidas pelo incêndio. Já com os sobreviventes fora do avião Gregg ouviu gritos de uma mulher. Era Vera Lukic, mulher de um diplomata jugoslavo que seguia no avião. Arriscando a vida, Gregg entrou no avião e resgatou-a, bem como à pequena filha que a acompanhava. Além da filha, Vera Lukic estava grávida de sete meses. O filho nasceu sem problemas. No total o guarda-redes salvou sete pessoas. Antes de cair, desmaiado, na pista de aterragem.

 

De todos os colegas que resgatou, só Duncan Edwards não sobreviveu. Morreria poucos dias depois, vitima das graves queimaduras do acidente. Perdia-se o melhor jogador inglês de então. Mas Busby, que sobreviveu por milagre, recuperou e montou uma nova equipa ganhadora à volta de Bobby Charlton. E com Harry Gregg claro.

O guarda-redes irlandês tinha começado a sua carreira anos antes, na sua Irlanda natal. Jogou no Linfield antes de se transferir para o Doncaster, em Inglaterra. Nascido em 1932, chegou em 1957 a Old Trafford. Era o guarda-redes que Busby queria para dar forma à sua equipa. Esteve nove anos em Manchester e ainda hoje é considerado por muitos o melhor guarda-redes da história do clube. Em 1958 venceu a Liga Inglesa pela primeira vez e foi eleito o melhor guarda-redes do Mundial de 1958, diante de Lev Yashin, a mitica "aranha-negra". No ano seguinte, o mesmo do acidente de Munique, fez parte da equipa campeã apesar de não ter disputado nenhum encontro após o acidente. Depois de 1963 uma série de lesões acabou com a sua carreira. Alex Stepney substitui-o nas redes dos Red Devils e apesar de ter vencido mais duas ligas (1963-64 e 1966-1967), fê-lo apenas como suplente utilizado. No final de 1967 foi transferido para o modesto Stoke City. Nas vésperas do titulo europeu do Man Utd, o mesmo que lhe escapou naquela tarde fatidica.

 

A partir daí a carreira de Harry Gregg não voltou a ser a mesma. Do Stoke City passou ao Shrewsbury Town onde acabou por pousar as botas. Passou imediatamente a técnico do Swansea, em 1972, passando posteriormente para o Crewe e Swindon Town. No final dos anos 80 a carreira como técnico foi substituida por uma carreira universitária, onde Gregg acabou por ser doutorado pela universidade de Ulster. Hoje continua a ser um dos poucos sobreviventes de um dos mais dramáticos acidentes da história do desporto. Um herói sem o qual talvez a história do futebol se tivesse escrito de forma bem diferente.



Miguel Lourenço Pereira às 16:17 | link do post | comentar

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