Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Depois de uma convincente vitória frente ao Standard Liege, o Arsenal confirmou categoricamente o seu apuramento para os Oitavos de Final. Pela décima temporada consecutiva. Números que espelham a grande regularidade da equipa que melhor futebol praticou ao largo da década. E a quem só falta triunfar na prova rainha do futebol europeu...

 

Com a primeira década do novo milénio a chegar ao fim, começam a surgir as primeiras listas de top 10. Inevitável. Dentro do meio futebolistico há muito que se pode parar de procurar a equipa que melhor praticou futebol ao largo de toda a década. A mais regular e espectacular. Apesar dos escassos titulos logrados, o Arsenal foi a coerência absoluta ao longo dos últimos dez anos. Depois da chegada retumbante de Arsene Wenger e dos primeiros titulos - logrados em 1998 - a equipa londrina tornou-se no espelho do bom jogo. E legitimo mencionar nesta pretensa lista o Barcelona, Chelsea, Manchester United, Sevilla e até mesmo o FC Porto. Mas nenhum destes clubes manteve sempre o mesmo nível. Viveu periodos de grandes altos e significativos baixos. O Arsenal não. Esteve sempre na crista da onda. Bateu recordes e logrou titulos. Menos um. Aquele que lhe falta. Aquele que há dez anos consecutivos persegue de forma sagaz. Sem o lograr...

 

É a espinha atravessada na notável carreira de Wenger.

O treinador francês nunca escondeu que é o capitulo que lhe falta para encerrar com chave de ouro a sua vida em Londres. Já começou mesmo o debate sobre se um grande técnico pode sê-lo sem nunca ter ganho a Champions. Claro que sim, e Wenger é precisamente a prova. Como outros do passado, de Shankley a Lobanovsky. Técnicos que apostavam num futebol atractivo e sedutor. Mas que acima de tudo fizeram escola e criaram um estilo. O Arsenal de hoje é o oposto da figura histórica dos gunners. Até à chegada do francês era reconhecido o titulo de equipa mais aborrecida das ilhas britânicas. Mas tudo mudou. Hoje longe vão os dias do apertado Highbury Park ou da legião francesa que Wenger montou à sua volta. Hoje há poucas - ou quase nenhuma - estrela. Os salários são controlados, as dividas significativas. A equipa mexe-se pouco no mercado e continua a politica do seu técnico, já iniciada na sua etapa no AS Monaco: apostar ao máximo na formação.

Durante os últimos 10 anos o técnico lançou vários jogadores ao mais alto nível que hoje fazem parte do imaginário colectivo de qualquer amante do bom jogo. Cesc Fabregas, capitão de equipa aos 22 anos, é a sua maior pérola. Mas há também Walcott, Sagna, Diaby, Denilson, Ramsey, Whilshire, Clichy, Gibbs, Vela, Adebayor, Flamini, van Persie, Senderos e isto para não mencionar a velha guarda dos Petit, Vieira, Henry, Trezeguet, Pires ou Ljunberg que ajudou a formar e a lançar para o estrelato.

 

Apostando num 4-4-2 fluido, que rapidamente se torna em 4-2-3-1, o Arsenal de Wenger renasce todos os anos. A perda de jogadores é inevitável, mesmo para um grande da Premier League. Este ano perdeu Kolo Toure e Emanuel Adebayor. Mas a equipa não o nota. Condenado pela imprensa, no principio do ano, a vaguear pelo meio da tabela, os gunners já lideraram a classificação. Agora seguem em terceiros, empatados em pontos com o velho rival londrino, o Tottenham. A sete do lider, o intratável Chelsea. Uma distância significativa mas que em Inglaterra pouco significa. Especialmente quando ainda há tanto por jogar. Na Europa o dominio de um grupo pautado por equipas que seguem a mesma filosofia dos gunners - o Standard e o AZ - provou mais uma vez a eficácia europeia do Arsenal na fase de grupos. São dez épocas consecutivas a garantir a passagem aos Oitavos de Final. É a partir daí onde estão os reais problemas.

Eliminado no ano passado frente ao Manchester United nas meias-finais, o Arsenal é das equipas que mais presenças acumula nos últimos jogos da prova. Mas apenas por uma vez logrou passar à final. Numa inesquecivel noite em Villareal o argentino Juan Roman Riquelme falhou o penalty decisivo. E o Arsenal viajou a Paris. Aí foi derrotado pelo Barcelona do melhor Ronaldinho. E pela própria inexperiência de uma equipa rapidamente reduzida a 10 unidades. Foi o final da era francesa. De Pires, Anelka, Vieira e Henry. O técnico recomeçou a reconstruir uma equipa que pouco tempo antes tinha ganho a Premier League com uma superioridade insultante. A primeira vez que uma equipa vencia a Premier sem perder um só jogo. Superado nos últimos anos pelo Chelsea e Manchester United, a equipa londrina volta a apontar baterias ao velho sonho europeu.

 

Dentro do curriculum do Arsenal há poucas vitórias europeias.

É, nesse capitulo, das equipas menos bem sucedidas do futebol britânico. Um historial negro que Wenger quer quebrar. Sabe que tem um plantel curto mas recheado de brilhantismo. Fabregas, Arshavin e van Persie são um trio temível, se as lesões os respeitarem. A contratação de Vermaelen foi mais um achado de Wenger, e o central belga é hoje titular indiscutível ao lado do veterano Gallas. Uma dupla temível à frente de Almunia, uma das poucas interrogações à volta da equipa. Mas que, mesmo assim, não tem comprometido.

Ao Arsenal, apesar destes dez anos de glória, falta algum traquejo. A juventude do plantel é notória. Ontem foi Nasri a brilhar. Por vezes é Walcott. Outras Vela. Ou Denilson, Diaby, Ramsey, Wilshire, Bendter. Todos por debaixo dos 23 anos. No final do ano essa juventude nota-se. E contra isso que Wenger trabalha. Porque a nível de ritmo de jogo, hoje os gunners são claramente, uma das grandes atrações da Premier League. E claro, da Champions League. Na sombra do favorito Chelsea, sem a pressão de outras épocas, a equipa pode respirar tranquila. Tem até Fevereiro para voltar a concentrar-se na prova rainha europeia e até lá saberá bem como será a sua prestação doméstica. Um bónus que o técnico agradece.

 

Há momentos desta década desportiva que fazem qualquer um levantar-se da cadeira e querer aplaudir. Os movimentos de corpo de Zidane, o sorriso de Ronaldinho, os livres de David Beckham, os sprints de Cristiano Ronaldo, os regates de Lionel Messi, os passes cerebrais de Xavi Hernandez, os remates letais de Ronaldo...são incontáveis. Mas dispares, no tempo e espaço. O que o adepto pode ter a certeza é que se liga a televisão e vê onze homens de vermelho e branco, com um canhão ao peito, pode sentar-se tranquilamente e apreciar. O espectáculo está garantido. 10 anos depois o encanto Gunner continua!



Miguel Lourenço Pereira às 09:18 | link do post

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