Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Contam com o melhor jogador do Mundo mas, acima de tudo, com uma filosofia captivante. Depois de acabar com a malapata das grandes provas, a Espanha assume-se mais forte do que nunca. La Roja é sinónimo de futebol-espectáculo, uma verdadeira constelação de estrelas que está hoje um patamar acima do que quando foi campeã europeia. Um aviso à navegação com uma nota a letras pequeninas. Os favoritos nunca ganham...

 

Junho de 2008. Espanha vive um estado de euforia imprevisto.

A selecção de Luis Aragonés - criticado por tudo e por todos - tinha estado à beira de falhar o apuramento ao Europeu. Na Áustria os espanhóis mostraram ser melhores, a todos os niveis. Dominaram o jogo inaugural com a Rússia, aguentaram a defesa sueca e humilharam a campeã europeia em titulo com as reservas. Nos Quartos de Final bateram a malapata dos penaltys contra a Itália e na meia-final vulgarizaram a surpresa da prova, os russos de Hiddink. Chegados à final não podiam perder. Mas só o lograram com um golpe de oportunismo de Fernando Torres. Chegou. A Espanha voltou a ser - 44 anos depois - campeã europeia consagrando assim uma geração de pequenos grandes génios que mudou definitivamente a forma de actuar. La Furia - repleta de jogadores explosivos mas que, por esta ou aquela razão, falhavam sempre nos momentos decisivos - transformou-se em La Roja, a melhor selecção do futebol mundial actual. Inspirada na escola do Barcelona, a Espanha redefiniu o conceito de circulação de bola a meio campo. Sem extremos puros, prefere os talentosos centro-campistas que trabalham a bola como ninguém. E depois colhem os louros de uma década fenomenal de formação que permite ter um lote imenso de grandes talentos.

 

Curiosamente a selecção espanhola hoje é bastante melhor do que a que viajou repleta de dúvidas ao último campeonato da Europa. O novo seleccionador - Vicente del Bosque - aproveitou a herança de Aragónes e transmitiu-lhe o seu cunho pessoal. Hoje a Espanha tem a capacidade de mover-se entre três sistemas tácticos bem distintos graças às caracteristicas dos seus habituais internacionais.

Preferencialmente a equipa alinha num 4-2-3-1 sem extremos, explorando a circulação de bola e o jogo colectivo do tridente composto por Iniesta, Silva e Xavi no apoio ao ponta-de-lança que pode ser Fernando Torres ou David Villa. Na linha de meio campo surgem Xabi Alonso e Senna (ou Busquets) para conseguir transmitir o equilibrio nas transições. A táctica pode rapidamente variar para um 4-4-2, com a inclusão do segundo ponta de lança, recuando ligeiramente Xavi para uma posição mais central. A terceira via segue mais a história habitual da selecção espanhola com a exploração dos flancos. Um 4-5-1 que se transforma em 4-3-3 com Pablo Hernandez, Jesus Navas, Mata ou Santiago Cazorla a ocupar as bandas laterais, abrindo o espectro de jogo para Xavi, Iniesta e Alonso controlarem o jogo a meio campo. Três opções de luxo que têm garantido um aproveitamento quase de 100% à equipa espanhola.

 

Olhando para o leque habitual de escolhas de Del Bosque é impossível não encontrar a influência da escola do Barcelona. Mas também do óptimo trabalho da formação da Federação Espanhola que copiou bem o modelo português que tantos lucros deu no final dos anos 80 e principios dos anos 90.

Xavi Hernandez é o cerebro e lider da equipa. O melhor jogador do Mundo pauta o ritmo de jogo e determina quando e como a equipa joga. Ao seu lado toda a escola blaugrana. Andrés Iniesta desiquilibra pela esquerda, o jovem Sergio Busquets traz equilibrio à linha de meio-campo e Charles Puyol transmite a raça da defesa do campeão europeu. Gerard Pique tem-se assumido como a grande revelação do futebol europeu, um central de primeiro nível. E há ainda Cesc Fabregas, capitão do Arsenal mas formado em La Masia, habitual suplente numa equipa repleta de estrelas.

No meio campo deambulam ainda David Silva, genial médio do Valencia, o madridista Xabi Alonso, o médio naturalizado do Villareal Marcos Senna, ou Santiago Cazorla. A esse grupo o técnico juntou o jovem sevillista Jesus Navas, ou os valencianistas MataPablo Hernandez. No ataque Villa e Torres têm a concorrência de Alvaro Negredo, Dani Guiza, Albert Riera ou Fernando Llorente.

 

A única nódoa negra nos últimos dois anos surgiu precisamente na única prova a doer. A derrota diante dos Estados Unidos na Taça das Confederações colocou a nu algumas fragilidades defensivas do conjunto espanhol. O sector mais débil conta com dois centrais de choque - Puyol e Marchena - e laterais debéis - Sergio Ramos e Capdevilla - diante de Iker Casillas. O seleccionador tem aproveitado os últimos jogos para provar alternativas mas os rivais sabem que esses são os únicos pontos realmente debeis da campeã da Europa. A Espanha é lider do ranking FIFA e parte para o Mundial como a máxima favorita, a par do Brasil. Uma condição que não lhe augura um destino sorridente. Historicamente os favoritos acabam sempre por desiludir. Aconteceu com o Brasil em 2006, a França em 2002, o mesmo Brasil em 1998, a Holanda de 1990, o Brasil de 1982 ou a geração holandesa de 74 e 78. A história está repleta de pequenas histórias e todos os feitos foram feitos para ser quebrados. Mas a euforia que rodeia a equipa espanhola vem, desta vez, acompanhada por uma prudência pouco habitual no país vizinho. Há uma crença generalizada no triunfo mas um receio de que se repitam situações do passado de um país que várias vezes chegou como favorito às grandes provas e acabou por baquear.

 

Observar um jogo da selecção espanhola é uma óptima licção de futebol. Uma equipa ofensiva, amante do futebol de passe curto mas que é capaz de se desdobrar no mesmo encontro em distintos enquadramentos tácticos é uma raridade que surge de dez em dez anos. A melhor Espanha da história assemelha-se muito às máquinas futebolisticas da França do final dos 90, a Holanda da década de 70 ou os melhores conjuntos do escrete canarinho. Uma verdadeira geração de ouro como provavelmente nunca voltará a existir no futebol espanhol.


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Miguel Lourenço Pereira às 11:31 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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