Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Em Argel houve distúrbios. No Cairo viveu-se uma autêntica batalha. Agora o Sudão espera uma verdadeira guerra. As duas grandes potências futebolisticas do Norte de África defrontam-se num jogo de vida ou de morte. Só um pode carimbar o passaporte para o extremo oposto do Continente Negro. E não serão poucos os que estejam dispostos a matar para lográ-lo..

Foi lamentável assistir à chegada da selecção da Argélia ao Cairo. O ataque dos adeptos egipcios, os rostos ensanguentados, o autocarro destroçado. Imagens que a FIFA não pode permitir que se repitam. No campo a batalha continuou. Os jogadores egipcios precisavam de vencer por dois golos de diferença para forçar um play-off. A equipa dos faraós tinha arrancado com o pé esquerdo a fase de qualificação e durante algum tempo foi o último do grupo. Mas depois da Taça das Confederações - onde desiludiu ao cair aos pés dos Estados Unidos - começou uma espantosa recuperação. De tal forma que em vésperas do último jogo, apenas dependia de si para forçar um último encontro. A eliminar. Os argelinos foram intimidados desde o apito inicial. O estádio eufórico, a arbitragem assumidamente caseira e a violência dos egipcios não teve par. Os faraós abriram a contagem e levaram os adeptos ao extase. Mas faltava outro golo. E que nunca mais chegava. Aos 90 minutos o árbitro anunciou seis de desconto. Os argelinos protestaram. Muitos jogaram de cabeça vendada, espelho das agressões sofridas na véspera. O homem de negro fez-lhes pouco caso e menos ainda quando ao minuto 95 um centro do lateral direito Moawad descobriu a cabeça de Motaeb. O avançado anotou o golo decisivo. Em fora-de-jogo claro. E forçou o terceiro encontro.

 

Desde há várias semanas que a FIFA estava informada da possibilidade de ter de chegar a este terceiro jogo. Desde então ficou decidido que a partida seria disputada no Sudão, território neutro e terceiro em discórdia. Os argelinos voltaram a protestar mas a FIFA fez-lhes pouco caso. Segundo o central argelino, Khaled Lemmouchia, está tudo preparado para garantir a presença dos egipcios na África do Sul. Uma acusação que já vem de trás e que espelha bem a guerra fraticida entre estas duas potências. O Egipto e a Argélia dominaram o futebol africano nos anos 80. Os argelinos lograram participar em dois Mundiais consecutivos (1982, onde protagonizaram uma inesquecível polémica, e 1986) e os egipcios surgiram em 1990 em Itália. Durante essa era partilhavam o dominio do futebol africano, centralizado então na zona do Sahara. Com a deslocação para sul e o (re)nascimento de novas potências os duelos Egipto-Argelia tornaram-se cada vez mais regionais, particularmente porque então se vivia a era dourada do futebol marroquino. Só que as vitórias dos faraós nas últimas CAN e os sucessos futebolisticos dos seus principais clubes voltaram a colocar o Egipto no mapa. E quando todos acreditavam que o grupo de qualificação estava feito à medida dos faraós surgiu uma renascida Argélia. Os argelinos fizeram uma fase de qualificação irrepreensível e complicaram um cenário que o Egipto (e a FIFA) acreditavam ser simples. É inevitável que uma nova ausência do grande campeão do continente, quando o Mundial é pela primeira vez organziado em África, supõe um revez para a organização. E talvez isso justifique a decisão da FIFA que já mostrou ser bem mais severa com outras nações em casos semelhantes.

 

Hoje os dois colossos voltarão a defrontar-se. Futebolisticamente o Egipto é uma equipa mais atractiva. Arrisca do primeiro ao último minuto num arrojado 3-4-1-2, com dois laterais velozes e uma série de veteranos que sabe que tem aqui a última oportunidade de ir a um Mundial. Ahmed Hassan, Aboutrika, El-Haddary, Mowad são nomes históricos em África mas poucos conhecidos fora do continente. Uma boa performance no Mundial pode ajudar a consagrá-los além portas. Mas do outro lado está uma Argélia atrevida, menos ofensiva mas, definitivamente, mais organizada tacticamente. Estão motivados depois do último desafio e sabem que podem fazer história. Não têm nenhum crack de nível Mundial como acontecia com a sua mágica geração da década de 80, onde pontificava esse pequeno grande génio chamado Rabath Madjer. Mas são um exemplo de profissionalismo e organização que não deve ser ignorado. Jogar em campo neutro, longe dos fanáticos egipcios, pode ser um ponto a favor.

À parte do jogo quente que se espera levanta-se a dúvida. Face ao comportamento dos adeptos egipcios no Cairo deveria a FIFA permitir o terceiro jogo? Deveria suspender a selecção egipcia e garantir o apuramento aos argelinos? Ou o terreno neutro é solução suficiente para apagar a vergonhosa actuação de todas as entidades no passada sábado? Hoje a bola volta a rolar e não há lugar a empates. Só um cairá e só um viajará até ao outro extremo. A Guerra do Sudão promete entrar para os anais da história do futebol.



Miguel Lourenço Pereira às 04:57 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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