Domingo, 18 de Outubro de 2009

Divulgada a lista ficam os juizos pessoais. As justiças e injustiças dos ausentes e presentes. De 30 nomes dourados ficará apenas 1 para a posteridade. Poucos se lembram do segundo e terceiro. Quanto mais do tregésimo. Mas durante dois meses estes heróis do ano futebolistico viverão na glória de estarem entre os eleitos...

 

Cristiano Ronaldo é o rei mas a coroa provavelmente mudará de mãos. O português sabe-o bem e por muito que se esforce, Cristiano sabe que há um grande logro por trás do conceito de prémio de melhor do ano. Todos os que votam sabem que, realmente, a votação termina em Julho, quando a época desportiva chega ao seu final. Os cinco meses seguintes apenas limam asperezas. Um erro que a própria organização da France Football nunca quis corrigir porque lhe interessa. Interessa criar suspense sob um trofeu que nos últimos 15 anos ganhou um rival de peso no FIFA Award Player, mas que continua a ser o sonho máximo de qualquer futebolista a titulo individual. Poucos grandes ficaram sem o troféu que teve o condão de, ao largo da história, saber repartir o mal pelas aldeias. Mas mesmo assim sempre haverá injustiçados. Maldini, Baresi, Giggs, Laudrup, Cantona e uns quantos mais tiveram de contentar-se a ver outros nomes, mais mediáticos por vezes, a ficarem com as honras. E o facto de só há cerca de quinze anos poderem vencer jogadores não-europeus levantou a dúvida sobre alguns dos ganhadores do passado. Mas isso é outra história.

 

O ano desportivo de 2009 caminha para o seu final e os 30 gloriosos nomeados foram divulgados. 30 nomes que marcaram o que de melhor teve o ano futebolistico. Não são, certamente, nomes 100% consensuais. Mas este ano a revista francesa que criou o prémio para rivalizar com o L´Equipe, revista rival que esteve por detrás do nascimento da Taça dos Campeões Euorpeus, esteve muito perto da perfeição. Analisando os nomeados há provavelmente 3 nomes que destoam dos restantes. E que poderiam ser facilmente substituido por três atletas que marcaram o ano. Só o poder mediático de Kaká, num dos seus anos mais mediocres, e a nacionalidade gaulesa de Henry e Benzema (todos sabemos que as revistas franceses gostam do producto nacional) justicam a sua presença num top onde poderiam (e deveriam estar) Gerard Pique, Daniel Alves e Dario Srna. Mas salvo estes casos é inequivoca a lista apresentada. Uma lista onde, naturalmente, o Barcelona surge á cabeça. O mediatismo de Lionel Messi parece ter-lhe já assegurado o triunfo. Mas ao contrário dos seus antecessores, Ronaldo e Kaká, herois e lideres únicos das suas equipas, o argentino está longe de ser o elo desiquilibrante e decisivo numa equipa que vale pelo seu colectivo. O genial futebol de Messi marcou presença em vários jogos do ano mas não decidiu as provas ganhas pelo Barça da mesma forma que Kaká ou Ronaldo. Mais, o jogo de Barcelona deve tudo ao seu técnico, que pegou numa equipa esfarrapada emocionalment, e deu-lhe uma nova alma. E um novo maestro.

 

Xavi Hernandez é, claramente, o Jogador do Ano.

É hoje em dia o melhor do Mundo, o mais completo e genial futebolista. Um pensador como só os clássicos eram capazes de o ser. Um elemento decisivo na circulação de jogo durante largos 90 minutos. E um elemento chave para qualquer lance determinante. Xavi pauta o jogo do Barcelona. Xavi encarna o jogo do Barcelona. Não há lance ofensivo que não passe pelos seus pés. Menos goleador que outros jogadores na sua posição, Xavi é o fiel da balança que permite que o equilibrio defensivo que Guardiola deu ao Barça (e que o Dream Team de Cruyff não tinha) tenha continuidade no eixo ofensivo. Tanto Messi como os geniais Iniesta, Etoo e agora Zlatan Ibrahimovic, dependem do número 6 para respirar e mover-se. Ao recuar no terreno de jogo e deslocar-se timidamente para o lado direito, o médio catalão formou com Daniel Alves e Messi um tridente de luxo, decisivio na manobra ofensiva catalã. E com Iniesta e Touré, ou Keita, equilibrou o jogo no lado esquerdo ofensivo dos blaugrana. Mediaticamente tem pouco impacto, comparado com os seus colegas. Mas se este é um prémio aos melhores, então não deveria existir qualquer dúvida. O Melhor Jogador do Euro 2008 (acreditado pela UEFA), Melhor Jogador da final de 2009 da Champions League é hoje, claramente, o Melhor Jogador do Mundo.

 

Mas como a justiça desportiva nem sempre é uma realidade, Xavi dificilmente levará para casa o galardão. Nem sabemos se estará no top 3 final, onde parece certo que haverá dois jogadores do Barcelona (Messi e outro, que tanto pode ir de Etoo a Iniesta, como ao próprio vice-capitão). E claro, Cristiano Ronaldo.

O português poderia até benificiar de uma divisão de votos entre os craques ofensivos do Barcelona mas parece complicado que repita o triunfo. No entanto olhando friamente para os números é fácil ver que o agora extremo do Real Madrid merece disputar até ao final pelo trofeu de que é o actual detentor. Decisivo na campanha europeia do United (que o digam Inter, FC Porto e Arsenal), foi o único Red Devil vivo em Roma. E apesar de ter perdido para Anelka o titulo de melhor goleador da Premier, foi também graças a ele que o Manchester United conquistou o terceiro título consecutivo. Os muitos milhões pagos pelo Real Madrid também tiveram continuidade. É o melhor marcador da equipa na Liga e na Champions e o melhor merengue da nova era de Florentino Perez. E quanto a Portugal, apesar das fracas perfomances, pode escudar-se na também fraca prestação desportiva do seu mais directo rival. Uma vitória de CR9 é hoje, altamente improvável. Mas, repetimos, não necessariamente injusto. Não existisse um super-Barcelona pelo caminho.

 

Quanto aos restantes nomes, aparentamente alheados do triunfo, há que destacar o brasileiro Diego - o melhor jogador da Taça UEFA e da Bundesliga - o francès Yohan Goucouff, craque da Ligue 1, e ainda o espanhol Fernando Torres. Três futebolistas de mais alto nível que fazem jogar as suas equipas como poucos. A armada do Chelsea (Terry, Lampard e Drogba), Arsenal (Fabregas, Arshavin) ou Liverpool (onde Gerrard continua a brilhar), provam o bom nível desportivo da Premier, apesar dos milhões da liga espanhola. Mas são mais elementos de equipa do que individualidades determinantes. O Calcio continua a perder importância apesar do trio nomeado do Inter (Julio César, Maicon e Etoo...para não falar em Zlatan Ibrahimovic) e Dzeko, Villa, Forlan e Fabiano cumprem a habitual quota reservada aos goleadores. Resta olhar para o Manchester United e o seu trio Vidic, Giggs e Rooney, que beneficiaram do efeito Cristiano Ronaldo para lograr os titulos chave na época transacta. E pensar que o Real Madrid, que apresenta 4 candidatos, tem apenas um jogador nos seus nomeados que actuava no ano passado, Iker Casillas. Afinal os milhões podem mesmo mudar realidades bem distintas.

 

A revista fancesa divulgará o vencedor a 1 de Dezembro. Até lá todas as apostas e todos os cálculos esforçar-se-ão por conhecer o nome do grande vencedor. Messi é o vencedor provável, Ronaldo o vencedor mediático. E Xavi o vencedor futebolistico. Qualquer um fora deste trio prova que nem tudo na vida se pode prever com tamanha facilidade. 

 


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Miguel Lourenço Pereira às 15:13 | link do post | comentar

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