Se houvesse verdades universais no mundo da bola, uma deles seria a de que a equipa mais perfeita que alguma vez pisou um relvado de futebol foi sem dúvida o “escrete canarinho” de 1970. No entanto, até mesmo este colectivo mágico, viu a história cair na constante tentação de sobrevalorizar o indivíduo, empolgando as corridas de Jairzinho, os poderosos remates de Rivelino, os mergulhos de Tostão ou os movimentos (com ou sem bola) de Pelé. Já acontecera antes, aconteceria depois…acontecerá sempre. O futebol é um meio de massas e o colectivo tem sempre tendência em procurar o herói individual…este Brasil tinha vários, mas só a um chamavam de “Rei”. No entanto esse homem sabia bem que todo o sucesso que lhe caía sobre os ombros era resultado de um minucioso trabalho de dois homens: dois amigos invisíveis.
Quarenta anos depois dessa equipa de sonho, o “mundo da bola” vive uma nova era. A Premier League afirma-se como o “farol” do melhor futebol mundial, tanto em jogadores como em colectivos – sem falar nos meios financeiros e nas instalações de primeira. Mas os mais puristas preferem o jogo de uma equipa com esse perfume latino do Mediterrâneo, a única capaz de poder desafiar o poder da Old Albion. Em Barcelona joga-se Futebol. Mais do que ganhar o importante parece ser deslumbrar. Resultado da mente privilegiada de um jogador de excepção e de uma mentalidade forjada no saber de um velho sábio holandês que abriu as portas a que o “beautiful game” chegasse à Catalunha. Depois de ter arrasado, uma vez mais, o Sevilla (terceiro classificado), a imprensa voltou a elogiar os suspeitos do costume. O olfacto goleador de Etoo, o renascimento de Henry…e que no meio de tudo faltou o pequeno grande Messi, poupado para confrontos futuros. Tal como passava com esse Brasil de sonho, no entanto, também este Barcelona deve muito do seu génio a dois pequenos trabalhadores que vendem poucas capas de jornais, mas que alimentam muitos sonhos.


