O Real Madrid tem razão para estar preocupado. Furioso até. A equipa mostrou o seu rosto mais pobre contra o Sevilla. E continua sem encontrar o seu estilo de jogo. As sete vitórias conseguidas devem muito ao trabalho de Cristiano Ronaldo. O madeirense agravou a sua lesão, mas foi decisivo no jogo chave da selecção portuguesa. Messi, esse, anda desaparecido pelas pampas...mais uma vez!

Durante os últimos anos a grande critica apontada a Cristiano Ronaldo passava pela sua falta de compromisso com a selecção nacional. Em contraposição as grandes estrelas do futebol mundial. E de outros gigantes do passado, com o fantasma de Figo sempre presente. E havia razão por trás das criticas. O capitão da selecção nacional nunca exibiu com a camisola das quinas o mesmo nivel apresentado no Manchester United. Nem no Euro 2004, nem no Mundial de 2006 (ainda ao lado de Figo) nem como estrela única da constelação em 2008. Poucos golos, assistências e espectáculo. Mais, notava-se claramente que o crack não conseguia liderar as hostes. Só que, ao contrário de Figo, a verdade é que Cristiano Ronaldo herdava uma geração mais de acordo com o que passou há 20 anos com Paulo Futre. Uma equipa destroçada, sem espirito de colectivo e sem grandes opções para posições chave. Até surgiu uma nova geração que permitiu que o descalabro desportivo da carreira do extremo do Montijo não se tenha notado em demasia.
Cristiano nem marcou na Luz. Mas assistiu Simão Sabrosa para o golo inaugural.
Mostrou um compromisso total que não se viu, por exemplo, em Luis Figo quando renunciou á selecção após o Euro 2004 para voltar, oportunamente, para o Mundial da Alemanha. O extremo sabia que não estava em condições. Queiroz também. E mesmo assim arriscaram. Podia ter dado para um pouco mais. Podia ter dado para menos. Foi o que se conseguiu, sabendo desde já que a Suécia tinha caído e que o jogo com Malta era um mero trâmite. Foram 25 minutos onde o último Ballon D´Or esteve claramente em campo como corpo presente. Mas mesmo assim notava-se a sua importância. E a sua presença. Com um golpe de rins partiu a defesa hungara e permitiu a Simão voltar a ser aplaudido na Luz. E depois saiu, de missão cumprida. Portugal desapareceu durante uma larga hora, orfã do seu lider. E em Madrid amaldiçoavam Carlos Queiroz. Velhas contas ajustam-se assim. O agora CR9 ficará de fora um mês, mas o mais lamentável é mesmo a atitude arrogante do clube merengue que impede o capitão de assistir ao jogo com Malta em Guimarães e a falta de autoritarismo da liderança da FPF que não deveria ter libertado o atleta. Tipico!

Do outro lado do Atlântico a Argentina também jogava com a corda ao pescoço.
Uma vez mais. Sob um imenso dilúvio e contra uma das equipas mais fracas da fase de qualificação. Maradona lançou parte da sua artilharia pesada, entre a qual se contava Messi. O herdeiro de Cristiano Ronaldo para os troféus de final de época actuou do primeiro ao último segundo. E passou completamente ao lado do jogo. Como de todos os outros jogos da albiceleste nesta fase de qualificação. O extremo do Barcelona tem sido dos jogadores menos em forma do conjunto catalão neste arranque de época e pela selecção nacional ainda não atingiu o mesmo nível de jogo exibido na Catalunha. Com a súbtil diferença de que, ao contrário do rival luso, Messi conta com uma geração repleta de estrelas ao seu lado. O apagamento de Messi vem de há muito e actual 10 teima em não aparecer.
Talvez por isso os argentinos procurem desesperadamente novos santos da sua devoção enquanto que em Portugal se começa a fazer contas para saber se as três semanas de lesão do CR9 são suficientes para o ter pronto para o duelo final antes da viagem á África do Sul. Onde Messi ainda não sabe se vai estar...

