O jogo de palavras era inevitável e nenhum orgão de comunicação social o evitou. Depois de falhar três penaltys no mesmo jogo contra a Colombia na Copa América de 1999 Martin Palermo ficou afastado da albiceleste. Até que no sábado o vilão se fez herói e o palerma tornou-se em santo.

O jogo decisivo de quarta-feira ditará o destino de duas das maiores potências futebolisticas mundiais. Quatro mundiais em conjunto e muitas, muitas estrelas frente a frente. Mas uma terá um destaque especial. 93 minutos em branco. E um golpe letal que pode ter defenido o futuro da Argentina. A selecção de Maradona continua o seu particular naufrágio. O seleccionador que chamou 80 jogadores ao largo de um ano voltou a mostrar o seu total desconhecimento táctico e apesar do eixo ofensivo apresentado abdicar das estrelas em prole dos jogadores em melhor forma, depois de Higuain abrir a contagem surgiu o pior Maradona. Trocando o avançado por um central - Demichelis - o Dios argentino entregou o jogo ao Peru. Um fraquíssimo Peru diga-se de passagem, mas suficiente para assustar os argentinos. O golo de Vargas aos 89 minutos parecia ditar o final do sonho argentino. Até que no instante final, debaixo de um imenso dilúvio, um remate cruzado encontra o pé de Palermo. E o antigo palerma tornou-se no santo de devoção de um ex-Dios enlouquecido que mergulha no charco do Monumental como se tivesse ganho um Mundial. Quase!

Palermo tem já 36 anos.
Fez história ao serviço do Boca Juniores tornando-se no maior goleador da história do clube. Começou a carreira no Estudiantes em 1992 e cinco anos depois transferiu-se para o grande xeneize. A pedido de Maradona, então a viver os seus últimos dias de jogador no clube do coração. A partir daí começou a carburar a sua veia goleadora chegando rapidamente á selecção. Os dois tentos apontados contra o Real Madrid deram a Taça Intercontinental de 2000 ao clube argentino e fizeram-no entrar na história. Por essa época já tinha sido banido da selecção e depois da mitica noite de Tóquio transferiu-se para Espanha. No Villareal primeiro e Bétis depois falhou o salto. Marcou poucos golos e nunca se mostrou cómodo no terreno de jogo. Em 2004 voltou ao Boca Juniores. Contava já com 31 anos e parecia que ia dar início a uma reforma dourada. Longe disso, Palermo tornou-se de novo na referência ofensiva do Boca e formou com Riquelme e Delgado um tridente ofensivo letal. A 4 de Outubro já tinha feito história com um dos golos de cabeça mais longos da história, a 39 metros de distânica da baliza. Um presságio do milagre do Monumental quiça.

A Argentina joga contra o Uruguai o seu futuro. Diego Armando Maradona tem uma linha ofensiva invejável. Higuain, Aguero, Di Maria, Messi...e Palermo. O veterano passou de descartável a homem de confiança do seleccionador. Certo é que estará os 90 minutos em campo no meio da defesa charrua. Não vá o diabo tecê-las e Dios precisar de outro milagre.

