Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Durante alguns anos foi-se vendendo a ideia de que as camadas jovens do FC Porto estavam a gerar uma verdadeira nova geração de ouro para rivalizar com Alcochete que acabava de soltar para a ribalta Hugo Viana, Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo. Eram vários candidatos a estrelas do futuro mas a realidade provou ser mais crua e em lugar de uma segunda geração de ouro acabamos por ter uma geração perdida.

 

Basta olhar para convocatória de António Simões e da nova selecção de sub-23. Estão lá todos. Com um idade superior à dos sub-21 mas sem nunca terem dado verdadeiramente o salto, eles espelham a problemática da formação nacional nos últimos anos. No FC Porto e na selecção das Quinas. Com 23 anos são hoje promessas falhadas. Ainda vão a tempo de provar o engano mas a situação parece complicada. Surgiram em 2005 da formação azul e branca. Tinham crescido juntos na Constituição e na formação da selecção nacional. Os nomes próprios são hoje, sobejamente conhecidos. O guardião Bruno Vale, tratado como o sucessor directo de Vitor Baía, chamado por Scolari para a selecção nacional antes de tempo. Paulo Machado era o médio de contenção, herdeiro directo da escola de Rodolfo, André e Paulinho Santos. Um portento de força e com bom sentido de colocação. Ao lado tinha Nuno André Coelho, jovem recrutado ao Sporting da Covilhã com um futuro promissor que foi-se integrando na formação junior azul e branca. A extremo direito surgia Vieirinha, o primeiro extremo puro a sair da formação portista desde Sérgio Conceição e Jaime Magalhães, que (tentava) imitiava o drible e sprint cultivado na escola sportinguista. No lado esquerdo estava Hélder Barbosa. Baixo mas com bom sentido de posicionamento, descaía para o lado esquerdo mas era realmente um armador de jogo. Bom nos lances estudados, tinha um pontapé temivel. E por fim Bruno Gama, o jovem prodígio contratado aos 16 anos ao Sporting de Braga que rapidamente chegou à equipa A, sofrendo depois o destino comum aos cinco. Durante dois anos foram jogando entre os juniores e empréstimos pontuais. A pouco e pouco iam saindo da Invicta rumo a outras paragens, comer "o pão que o diabo amassou", uma velha prática no clube das Antas. Só um deles voltou!

 

Num clube mais interessado em explorar o novo mercado argentino, os jovens não tinham lugar. Depois de constantes empréstimos a clubes de menor dimensão nacional (Académica, Setúbal, Rio Ave, Estrela Amadora...) ou do estrangeiro foram rescindindo o contrato com os actuais campeões nacionais. Sem nunca terem tido tempo de mostrar o seu valor. Sem oportunidades de crescer, alguns chegaram a actuar pela equipa principal. Outros nem isso lograram. E na selecção de sub-21, que lideravam orgulhasamente, as coisas corriam piores. Sob o comando de Agostinho e de Couceiro, Portugal realizou as piores exibições e os mais fracos resultados da sua história. No Europeu organizado em terras lusas foi mesmo humilhantemente eliminado à primeira. A equipa que incluía ainda vários nomes dessa geração perdida fora do Dragão (uns com um destino melhor que outros como Zé Castro, Manuel Fernandes e Hugo Almeida) destroçou o legado de vitórias da formação portuguesa e contribuiu ainda mais para a desconfiança geral. Ninguém estava disposto a apostar por jovens em Portugal, muito menos se na selecção mostravam sérias debilidades. Se as gerações anteriores tinham conquistado o seu lugar a pulso e com resultados, esta estava em sérios apuros. A pouco e pouco o sonho do salto foi-se esfumando.

 

Paulo Machado emigrou para França como tantos portugueses antes dele. Depois de três excelentes anos no St. Ettiene, este ano foi uma das pérolas mais cobiçadas do mercado. Agora é chave no Toulouse, clube com aspirações europeias. Queiroz ainda não conta com ele. Enquanto isso Bruno Vale, o único que chegou à selecção A, fartou-se dos sucessivos empréstimos que nunca deram continuidade ao seu futuro brilhante. É agora o suplente do Belenenses.  Por outro lado Vieirinha, o promissor extremo, actua no modesto PAOK grego, ao lado de Sérgio Conceição e sob as ordens de Fernando Santos. Nunca deu o salto de maturidade esperado. O jovem Bruno Gama foi durante algum tempo o patrão do Sado, mas as fracas épocas do Setúbal não o ajudaram a desenvolver-se. Agora volta a Vila do Conde, a casa, e é um dos responsáveis do bom arranque do Rio Ave. E Hélder Barbosa está na Vitória de Setúbal, depois de ter percorrido meio país, sem nunca ter feito realmente uso do seu imenso talento que levou José Mourinho a utiliza-lo alguns minutos durante o seu consulado. O único atleta que conseguiu voltar ao FC Porto é Nuno André Coelho. Depois de vários empréstimos o central, que também pode actuar a médio defensivo, é agora a quarta opção para Jesualdo Ferreira e ainda não teve tempo de mostrar o seu valor. Mas continua à espera.

A estes nomes podem juntar-se tantos outros que espelham o vazio da formação portuguesa na segunda metade da década que está prestes a findar. Promessas como Manuel da Costa, João Moreira ou Semedo. Como Tiago Targino, Flavio Meireles, Sereno e Pelé, da escola do Vitória de Guimarães. De Moreira, incapaz de agarrar na Luz a titularidade. De Vasco Fernandes, que anda por Vigo, de Ricardo Vaz Tê, que continua pelo Bolton inglês ou de Yannick Djaló e Carlos Saleiro, avançados por confirmar em Alvalade. Muitos deles estão agora a ser reciclados pela sub-23.

 

O seleccionador Carlos Queiroz procura recuperar o tempo perdido e dar uma oportunidade a quem não teve espaço para explodir. O problema é que um jogador precisa de condições para crescer, não é magia pura. Numa liga pouco competitiva, em clubes que jogam à defesa ou eternamente condenados ao banco por um técnico menos visionário é fácil transformar uma geração ganhadora numa geração falhada. Esta ainda não falhou, ainda não acabou. Tem tempo. Está perdida, de momento. Mas há que acreditar que em vinte jogadores, há certamente uns quantos que ainda têm uma palavra a dizer no futebol português.



Miguel Lourenço Pereira às 14:38 | link do post | comentar

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Fundamental.
EnfoKada
Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


FUTEBOL MAGAZINE. revista de futebol online


Futebol Magazine


Traductor


Ultimas Actualizações

Toni Kroos, el Maestro In...

Portugal, começar de novo...

O circo português

Porta de entrada a outro ...

Os génios malditos alemãe...

Be right back

2014, um Mundial de parad...

Brasil vs Alemanha, o fim...

Di Stefano, o jogador mai...

Portugal, as causas da hu...

Últimos Comentários
Thank you for some other informative web site. Whe...
Só espero que os Merengues consigam levar a melhor...
O Universo do Desporto é um projeto com quase cinc...
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
Posts mais comentados
69 comentários
64 comentários
47 comentários
Arquivo
.Do Autor
Cinema
.Blogs Portugueses
4-4-2
A Outra Visão
Açores e o Futebol
Duplo Pivot
Foot in My Heart
Futebol Finance
Futebol Portugal
Lateral Esquerdo
Leoninamente
Minuto Zero
Negócios do Futebol
Pitons em Riste
Porta 19
Portistas de Bancada
Reflexão Portista
TreinadorFutebol
.Blogs Internacionais
Os mais destacados blogs internacionais de futebol
.Imprensa Desportiva
Edições Online Imprensa
Aviso

Podem participar nesta tertúlia futebolistíca enviando os vossos comentários e sugestões à direcção de correio electrónico: Miguel.Lourenco.Pereira@gmail.com


Bem Vindos a Em Jogo...


Nota



O Em Jogo informa os leitores que as fotos publicadas não são da autoria do weblog sendo que os seus respectivos direitos pertencem aos seus legítimos autores.



Siga o Em Jogo através do:

Follow Em_Jogo on Twitter


Em Jogo

Crea tu insignia

Bem vindo!

Categorias

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO