Um golo a abrir. Poucas emoções fortes a fechar. Um derby sem sabor de boca e com a habitual polémica servida pelo técnico leonino. A suspensão - algo recorrente em Paulo Bento - espelha o desnorte que se vive em Alvalade. E facilita o trabalho a um FC Porto que continua a anos luz do que pode e deve fazer. Sob pena de ser presa fácil de uma ave predadora em grande forma.

Apesar das dificuldades inesperadas - face ao pobre jogo leixonense até ao fim de semana - o SL Benfica voltou a massacrar. Cinco golos sem resposta continua a ser muito para uma liga tão pobre na eficácia como a portuguesa. E se a eficácia em bolas paradas ajuda, e de que maneira, a verdade é que o conjunto encarnado se está a especializar em ser uma verdadeira equipa de ataque. O Leixões resistiu enquanto pôde, tem razões de queixa dos árbitros mas, feitas as contas, nunca foi uma oposição real. E continua a pertencer ao clube do Portugal dos pequeninos. Que por esta liga são cada vez mais. Se o Braga mantém o nível - excelentes niveis de concentração do conjunto bracarense mesmo em jogos assumidamente complicados como o do Olhanense - e o Benfica assume-se como definitivamente rejuvenescido, já o Sporting continua a confirmar-se como a decepção da época. Já não é apenas o jogo sem vida, sem chama, sem garra. O leão tem as unhas aparadas mas não a lingua curta. Face à superioridade desportiva do rival e - pior ainda - face à incapacidade técnico-táctica diante de um rival que até tem um historial de grandes dificuldades com os leões, Paulo Bento voltou a adoptar o discurso da vitima. O técnico do Sporting é hoje, cada vez mais, uma caricatura de si próprio. O balneário pode ser curto e complicado mas o desnorte é evidente. Um meio campo sem uma ideia, um ataque sem eficácia (sem Liedson em forma a equipa continua a flutuar entre o fraco e o mediocre) e uma defesa de bradar aos céus, facilitaram, e de que maneira, o trabalho aos campeões nacionais.
O FC Porto saiu vencedor do derby, mas por pouco. O clube das Antas entrou melhor, dominou e controlou na primeira meia hora e podia ter ampliado a vantagem madrugadora conseguida por Falcao. Mas não. Este FC Porto perde rapidamente o combustível e ainda não tinha chegado o jogo a meio e os azuis e brancos já tinham perdido o controlo do encontro dando aos rivais soberanas oportunidades de empatar. Contra outros rivais talvez o desfecho pudesse ter sido diferente, mas de Alvalade não parecem sair armas letais. O conjunto de Jesualdo Ferreira é cada vez mais lento, previsivel e pouco emocionante. Um jogo pastelento e sem chama que não explora o jogo pelas alas e que congestiona demasiado o futebol no eixo central. Raul Meireles - chamado a ser o elemento fulcral desta época - continua uma sombra do que já se viu. E quanto aos reforços, estes teimam em desiludir. Salvo o olfato goleador do colombiano (que ainda teve tempo para falhar o penalty que podia ter afundado ainda mais o orgulho leonino) e a velocidade de Alvaro Pereira e Varela, nota-se claramente que o professor do Tetra tem muito trabalho pela frente se quer aprovar a tese de mestrado do Penta.

De momento fica o sabor dos três pontos conquistados a ferros e o sentimento de superioridade perante uma figura de desenho animado que a cada golpe levanta a polémica do vazio absoluto. No seu caso, de ideias está claro.

