A partir de hoje o Egipto recebe a nata do futuro do futebol mundial. Bem, é verdade que as habituais jogadas entre clubes e federações deixam de fora a muito boa gente. Mas o Mundial de sub-20 arranca hoje na máxima força e promete confirmar jovens promessas debaixo de olho de muitos clubes e revelar ilustres desconhecidos que farão no futuro as delicias de muito boa gente.

São seis grupos, vinte e quatro equipas equipas e mais de 500 jovens promessas à procura de um lugar ao sol. A história diz-nos que o nome do país vencedor afinal conta pouco. São as individualidades que destacam quem fica para a história. Basta ver as últimas edições e comprovar que em a prova revelou ao Mundo nomes até então desconhecidos como Maradona (1977), Prosinecki (1987), Xavi (1999), Saviola (2001), e Leonel Messi (2005).
A prova desenrola-se no Egitpo mas a selecção dos faraós não parte como favorita. Os grandes candidatos chegam - uma vez mais - da América do Sul, esperando-se que Brasil, Uruguai e especialmente o Paraguai, voltem a exibir o seu melhor rosto, depois do Campeonato Sul-Americano da época transacta. Os brasileiros apresentam um conjunto fortíssimo liderado por Giuliano, um médio centro bem ao gosto de Dunga. Os grandes favoritos africanos são o Gana de Ransford Osei e a Nigéria de Rabiu Ibrahim e Lukman Haruna. Duas equipas poderosissimas que querem quebrar a maldição. Afinal esta é a única prova de formação de cariz mundial que nunca foi ganha por uma nação do Continente Negro. Neste ano "africano" da FIFA - com o Mundial FIFA a desenrolar-se na África do Sul - não há melhor momento para quebrar a malapata.
A Europa envia um contigente de respeito mas sem grandes favoritos. Itália (que disputará o grupo A com os anfitriões, o Paraguai e Trinidade e Tobago) e Alemanha no B (frente a frente terá os Estados Unidos, Coreia do Sul e os Camarões), são as equipas melhor posicionadas. Mas atenção à sempre fiável Espanha (sem Bojan e Asenjo) e à Inglaterra (numa versão B) que medirá forças com os favoritos Gana e Uruguai.

Portugal, naturalmente, está fora de uma prova que venceu já por duas vezes (1989 e 1991), espelhando bem as gritantes diferenças entre o futebol de formação luso e o que se pode seguir no resto do Mundo. O primeiro Mundial Jovem foi disputado em 1977 e conta com dezasseis edições. O trofeu foi ganho apenas por sete países sendo que a Argentina é detentora de seis edições, o Brasil de quatro e Portugal surge no terceiro posto com duas vitórias, à frente de nações como Espanha, URSS Alemanha e Jugoslávia. Os argentinos são igualmente os detentores dos dois últimos titulos mas não estará presente para renovar o trofeu depois da desilusão no último campeonato sul-americano.
A partir de hoje a elite jovem do Mundo reune-se para vencer um troféu que levanta sempre polémica junto dos grandes clubes, que se queixam de que a prova retira-lhes alguns jogadores chaves nos seus planos. Basta ver as razias nas equipas europeias para perceber que muitos craques ainda preferem ficar em casa a exibir-se diante do Mundo. No entanto a moeda tem sempre dois versos e muitas das ausências de cracks já consagrados abre a porta a novas promessas que têm aqui a oportunidade de ouro para que o Mundo conheça o seu nome por direito próprio. Ao largo do próximo mês vamos ver quem mostra ter valor para fazer história...num futuro próximo!

