Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Em campo vinte e dois craques mundiais. Pouco importa. O duelo de génios está fora das quatro linhas. No banco aqueles que são, provavelmente, os dois mais geniais técnicos da actualidade. Os sete anos retumbantes de José Mourinho contra o ano da confirmação de Pep Guardiola, o maior prodigio futebolistico dos últimos anos. Neste duelo estelar, qual jogo de xadrez, as peças anularam-se e voltamos à estaca zero.

Na época passada o Inter passeou-se pelo Calcio sem grandes problemas e teve sempre controlados os seus rivais. Mourinho chegou, viu e venceu (pela terceira vez na sua carreira) e provou que apesar da malapata europeia, continua a ser o treinador mais eficaz e dinâmico do futebol mundial. Do outro lado do Mediterrâneo, ali bem perto, um estreante Guardiola encantava o mundo com o seu futebol de toque rápido, desmarcações endiabradas e golos para todos os gostos e feitios. O Barcelona encantou mais de meio mundo e sagrou-se campeão europeu, espanhol e de tudo o que havia para disputar. Mas o ano passado já lá vai e da memória não vive o futebol. Se Guardiola é o detentor da última Champions (e por conseguinte o técnico amaldiçoado do ano), Mourinho tem uma espinha atravessada. Desde a épica campanhã com o FC Porto que não voltou à final do torneio. Nem com o Chelsea, nem com o Inter. Este ano não se espera menos dele, apesar de ser notório que o campeão italiano ainda está uns furos abaixo da concorrência.

 

Talvez por ser o técnico que melhor se move no banco - Guardiola monta um onze como ninguém mas a reagir ainda não tem a mesma dinâmica - o técnico português nunca pareceu ontem, no Giuseppe Meazza, verdadeiramente preocupado. Pudera. O seu Inter pode ser cinzento, pode ser pouco explosivo e pode até não jogar com a mesma beleza e fantasia que o rival. Mas mantém a caracteristica número um de Il Speciale: o controlo.

Apesar das imbecilidades hoje publicadas na imprensa espanhola - tipico de jornais que priveligiam sempre o insulto e ultra-nacionalismo face à evidência - que cataloga o português como um técnico mediocre e sem nível e o seu Inter indigno de jogar no mesmo relvado que o campeão europeu, a verdade é que Mourinho já provou mil vezes que há várias formas de ganhar um jogo. E que as domina a todas.

 

Durante 90 minutos em Milão o jogo foi pontualmente adormecido por Mourinho quando e como ele queria. O Barcelona, fiel ao seu estilo mas ainda orfão de uma referência ofensiva mais dinâmica (falta-lhes um jogador como Etoo - agora na outra banda- e Iniesta na máxima força), tentou trocar rapidamente a bola e lançar dardos envenenados a Julio César. Mas se Xavi foi igual a si próprio, já Messi e Ibrahimovic mostraram-se demasiado perdulários e trapalhões. Henry nem se viu em campo. E a ineficácia ofensiva do Barcelona abriu passo ao jogo que queria Mourinho. Apostando num meio campo claramente de contenção (Zannetti a fechar pela direita, Muntari pela esquerda, e Motta e Sneijder muito longe da área), Mourinho soube tapar os poucos espaços existentes. Quando na posse de bola, longe de tentar constantemente o contra-ataque, o Inter esperava. Motta e Zanetti, essencialmente, foram adormecendo o ritmo endiabrado que queria impor Guardiola. E conseguiram-no.

Os catalães têm sempre mais dificuldades em jogar quando o ritmo imposto não é o seu. A insistir pelo meio - quando a solução estava nas alas - os campeões de Europa deram de caras com um muro tipicamente montado por Mourinho, onde espaço é algo que não existe. E se Etoo e Milito pareciam inofensivos à frente, isso era apenas porque o técnico sabia que nesta altura mais importante é pontuar que arriscar. Criticam Mourinho pela sua postura mas há poucos técnicos tão eficientes como o português. O ano passado a equipa italiana massacrou o Manchester United e então foi Ferguson quem aplicou a fórmula do resultado sobre o jogo. Sem vontade de repetir o erro Mourinho voltou a provar no banco que continua um eximio leitor de jogo. Quando Guardiola, tarde, lançou Iniesta para soltar as feras, e se livrou da lentidão de Henry, o português respondeu com o promissor Santon, que se colocou imediatamente à frente do espanhol, anulando-o por completo como na época passada já tinha feito com Cristiano Ronaldo. De tal forma que Pep nem voltou a mexer no banco - estava atado na teia e continua sem opções alternativas válidas - e foi Mourinho quem espicaçou o rival com Balotelli. Não funcionou, mas mostrou outro ritmo do conjunto italiano, como que a avisar que no Camp Nou a história será diferente.

Se toda a polémica estava à volta do duelo (que nunca existiu) entre Etoo e Zlatan Ibrahimovic e uma possível comemoração contra o seu técnico anterior (mais do camaronês com Guardiola é certo), a verdade é que o Inter-Barcelona de ontem tornou-se claramente um filme de autor. Um ritmo próprio, controlado desde o início onde a genialidade dos jogadores se viu relegada para um segundo plano face ao planteamento táctico dos artistas no banco. Mourinho sabe que a basculação a meio campo necessita um elemento de transição mais eficaz, e Sneijder e Stankovic não o são. Guardiola tem o peso de uma equipa genial em cima e agora terá de replantear a dinâmica ofensiva do seu Barça depois de ter preferido o artista Ibrahimovic (que parece que tem sempre de parar a bola antes de avançar) ao explosivo Etoo. Uma troca que poderá ser decisiva na época dos catalães especialmente se as alternativas são cada vez mais escassas no banco culé.



Miguel Lourenço Pereira às 14:19 | link do post

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