Se a zona do Reno é conhecida por concentrar uma imensidão de obras de arte do período gótico em forma de catedrais inesquecíveis, seria inevitável que um dos estádios mais belos e fascinantes do desporto-rei por aí andasse. Uma verdadeira catedral onde 75 mil pessoas rezam ao beautiful game com um entusiasmo que não conhece classificações, condições ou resultados. É o puro prazer de ver a bola rolar num dos seus mais majestuosos santuários.

Hoje em dia o estádio mudou de nome (o naming obriga a que seja tratado como Signal Iduna Park) mas na memória colectiva será sempre o Westfalenstadion, o estádio do Westphalia, zona do alto Reno, uma das mais belas regiões europeias. O verdejante vale que o cerca, a poucos quilómetros de Dortmund, da-lhe forma ainda mais épica e medieval. De quinze em quinze dias a boa gente do burgo reune-se num dos maiores estádios concebidos na Europa para gritar durante 90 minutos pelo seu clube. E se o Borussia de Dortmund atravessa um periodo complicado, depois de ter sobrevivido a custo (e à custa do estádio que foi forçado a vender) à insolvência, isso não desanima os adeptos. O estádio é o segundo da Europa com melhor média de assistência, apenas superado pelo Teatro dos Sonhos de Manchester. Jogar no Westfalen é jogar contra uma multidão eufórica e fanática que lembra a cada segundo que estamos num templo único. O estádio conta ainda com a maior bancada do mundo, o topo sul do estádio, ou The Sudtribune, que tem capacidade para 25 mil pessoas. A restantes bancadas do estádio estão divididas em dois aneis num total de 67 mil lugares.

A origem do estádio remonta aos anos 60. No pós guerra o clube de Dortmund tornou-se num dos grandes da Bundesliga e o seu estádio Rote Erde tornou-se pequeno demais para a fanática legião de adeptos. A camara municipal decidiu então construir nos arredores da cidade o maior estádio alemão mas não havia orçamento e nem a vitória do clube na Taça das Taças em 1966 fez avançar o projecto. Foi com a desistência de Colónia de organizar quatro encontros do Mundial de 74 que o projecto avançou. Seguiu-se a estética britânica - mais barata por dispensar a pista oval de atletismo - e assim nasceu em 1972 um estádio com capacidade para 56 mil pessoas. A camara era a dona do estádio mas o clube mudou-se rapidamente para a sua nova casa, a Catedral Amarela, baptizada assim pelas cores do clube e pela estrutura exterior do estádio. Com a vitória na Bundesliga e Champions League a meados dos anos 90, o estádio saltou para a ribalta e acabou por ser ampliado até chegar aos 68 mil lugares tendo já por essa época uma taxa de ocupação anual nos 95%. Foi então que surgirão os problemas financeiros do clube, que já era dono dos terrenos, que os teve de vender a uma entidade financeira. Em 2007 o Borusia voltou a adquirir o estádio e para amortizar a divida associou-se com a empresa Singal Una ,que dá hoje nome ao recinto. O estádio foi revisto para o Mundial de 2006 onde recebeu alguns dos melhores jogos do torneio incluindo a mitica meia-final que colocou a Itália diante dos teutónicos.

Sendo um dos santuários máximos do futebol europeu, o Westfalenstadion é igualmente um dos recintos melhores preparados do mundo. Com as melhorias para acolher o Mundial de 2006 tornou-se num recinto 5 estrelas para a UEFA estando entre os principais candidatos a acolher a final da Champions League de 2013. Um evento à altura da catedral gótica do futebol europeu.

