O apelido Muller fez história no futebol alemão. Houve Gerd, houve Hansi, houve Dieter...agora há Thomas. Um nome que é sinónimo de ataque, golos e titulos. Um nome que em Israel não esquecerão tão cedo. Um nome que promete ser o futuro de um clube e um país orfãos de um avançado de calibre mundial.

Luca Toni e Miroslav Klose fecharam as portas do ataque do Bayern de Munchen a Lukas Podolski. O jovem promissor avançado alemão recém-chegado do FC Koln nunca encontrou o seu espaço e a sua falta de força mental fez o resto. Este ano voltou à procedência incapaz de se assumir como o futuro de um ataque que é, habitualmente, sinónimo da eficácia germânica. A chegada de Mario Gomez a peso de ouro fazia antever outro cenário similar mas a verdade é que não foi o hispano-germânico a fazer a diferença nesta nova versão do clube da Baviera. Louis van Gaal sabe, como poucos técnicos, detectar o potencial de jovens talentos. Foi assim com a geração mágica do Ajax dos anos 90, com o Barcelona onde lançou, entre outros, Xavi e Puyol. E é agora com Thomas Muller, o novo bombardeiro de Munique. Com os 20 anos recém-cumpridos (13 de Setembro) é já um futuro bem presente para os alemães.
O jovem avançado é producto da formação do Bayern, escola de grandes avançados como Gerd Muller e Karl-Heinz Rummenige, talvez os mais talentosos dianteiros da história do futebol germânico. O jovem chegou com apenas 10 anos à equipa infantil e desde aí a progressão tem sido absolutamente notável. Estreou-se precocemente nos juniores e rapidamente começou a actuar pelo conjunto B germânico com 17 anos. Num ano apontou 20 golos em 37 jogos, um bom pecúlio para quem arrancava a sério uma carreira que se antevia ambiciosa. Começou a chamar à atenção de Jurgen Klinsmann - que tinha então um ambicioso projecto para o seu Bayern - e em Agosto de 2008 estreou-se oficialmente pela primeira equipa. No entanto a concorrência no ataque (Toni, Podolski, Klose) relegou-o várias vezes para fora das convocatórias e acabou apenas por fazer apenas quatro jogos mais esses ano. Um deles a histórica humilhação ao Sporting, na sua estreia na Champions League. Uma estreia dourada já que apontou o sétimo e último golo da vitória alemã.

A chegada de Gomez e Olic complicava ainda mais as coisas para o jovem dianteiro no arranque desta época. Isso a juntar aos veteranos e eficazes Toni e Klose claro. Só que van Gaal cedo percebeu que a mobilidade do ataque bávaro com Ribery, Schweinsteiger e logo Robben, precisa de um jogador móvel e letal à frente. Depois de provar com os avançados principais, o holandês apostou todas as fichas por Muller. E a aposta começa a ser paga com juros. Um extraordinário arranque na Bundesliga com dois golos na goleada ao Borusia de Dortmund confirmaram-no como um dos jogadores a seguir este ano na prova. Na terça-feira passada, frente ao Maccabi Haiffa, voltou a provar que o apelido não é um acaso. A eficácia com que destroçou (com dois tentos) a defesa israelita foi notória. Com os alemães a apostarem forte este ano, Muller tem tudo para se tornar numa das figuras da temporada. Em ano de Mundial quer fazer história e dar o mais rápido salto para a Manschafft de que há memória, ele que só se estreou pelos sub-21 na última ronda de selecções.
No Allianz Arena sabem que ali há um autêntico diamante em bruto. Aos 20 anos é já uma referência incontornável deste novo Bayern Munchen que demorou a arrancar mas que começa a ganhar contornos de gigante, uma vez mais. Com Thomas Muller como o bombardeiro de serviço.

