Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

poucos jogos que levantem tanta paixão e emoção, que provoquem tanta polémica mesmo antes da bola sequer ter rolado. Há jogos que resumem a essência mágica do desporto-rei, duelos que se eternizam no tempo e espaço onde nunca há realmente um vencedor e um vencido. Há duelos assim como da próxima madrugada de sábado. Há poucos jogos como um Argentina vs Brasil...

 

Em jogos oficiais num Mundial apenas se cruzaram a eliminar uma vez, depois das experiências na segunda fase de grupos que tiveram na batalha de Rosário em 1978 (0-) e do tal jogo de 1982 onde o escrete vulgarizou os campeões do Mundo e Maradona acabou expulso. Por esse Mundial de Itália  venceram os diabos argentinos, vitimas do mau planteamento táctico de Sebastian Lazzaroni e de umas miticas garrafas de água envenenadas que os próprios jogadores argentinos davam aos brasileiros para matar a sede naquela tarde quente de Junho. Em jogos oficiais de qualificação foram mais de oitenta jogos disputados, com um empate técnico: cada país conta com 33 triunfos. É um duelo inevitável de países vizinhos, de fronteiras que o tempo moldou contra o desejo dos homens. De duas culturas herdeiras dos dois lados da Peninsula Ibérica e que se cruzaram de forma distinta. Os argentinos muito mais sérios que os espanhois, os brasileiros a verdadeira antitese do portugues. O sangue de emigrantes europeus e africanos, o passado de tribos em vias de desaparecer, os confrontos, as ditaduras e a eterna vontade de vencer sempre fizeram deste um jogo verdadeiramente especial. Não tem para os brasileiros o mesmo sentido trágico que jogar com o Uruguai, mas é um derby muito mais apetecivel. Para os argentinos é a possibilidade de mostrar que a América do Sul é muito mais que o brilhante escrete canarinho. Duas visões, dois esquemas, dois tipos bem distintos de jogo e um só objectivo.

 

Houve derbys inesquecíveis nesta luta pelo dominio do futebol num continente apaixonado até ao tutanto pelo jogo que trouxeram de Inglaterra os marinheiros e navegantes, os empresários e os mercantes. Os duelos de Sócrates contra Maradona, as disputas entre Rivelino e Kempes, Ratin e Gerson, Batistuta e Ronaldo. Cada jogo é como se começasse do zero, não há historial, não há favoritos, não há boa ou má forma. Como qualquer derby. A Argentina está na corda bamba. O Brasil está tranquilo. A equipa das pampas tem um treinador que, até ao momento, ainda não o mostrou ser. Um onze repleto de operários e tecnicistas onde pontifica o astro Leonel Messi que pela equipa celeste ainda fez menos que Cristiano Ronaldo por Portugal. Chegou a hora. Do outro lado da fronteira o exército de Dunga está bem adestrado e a vitória na Taça das Confederações prova-o. Há muita saiva nova, muitos nomes de luxo e algumas exclusões surpreendentes. Há ordem e um notório progresso no escrete mas a qualificação quase assegurada deixa um ligeiro ponto de interrogação. Nestes jogos ninguém quer perder e em casa de derrota os argentinos vêm o quarto e último posto de qualificação directa em perigo. O Paraguai é o senhor que se segue e está em óptima forma. Diego Armando Maradona sabe bem que corre perigo e já começou com os mind games. Mas nesta coisa de derbys valem pouco.

 

Será um confronto titânico que até pode tornar-se num jogo mediocre, mais violent que espectacular, mais táctico que explosivo. As duas melhores selecções mundiais não europeias repetem um duelo que no Velho Continente - talvez pela hegemonia ser uma coisa quase temporal - nunca se verifica. Um Itália-Alemanha, França-Inglaterra ou Holanda-Portugal nunca terão o mesmo impacto desta luta de vida ou de morte, deste duelo supremo. Ganhe quem ganhe, nunca vencerá de verdade. Poderá rir-se, mas só até à desforra. Há muitos que acreditam que haverá o dia em que este encontro será a final de um Mundial. Nunca sucedeu e tantas vezes esteve para acontecer. Pode ser que num palco inédito possa repetir-se a sério o que na realidade nunca é a feijões.



Miguel Lourenço Pereira às 15:22 | link do post | comentar

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