No Verão de 2004 a cidade do Porto vivia um mixto de emoções imprevistas poucas semanas antes. A equipa tinha conseguido o feito de sagrar-se campeã nacional e da Europa mas de rajada tinha perdido o seu técnico e mentor e alguns dos seus maiores craques. Na viagem inversa chegava uma jovem promessa do futebol brasileiro. Um pequeno grande génio que o Dragão não soube aproveitar e que é hoje, o novo rei de Itália.
Diego Ribas tem vivido estes anos à sombra. Primeiro despontou no Santos ao lado de Robinho e viu os sprints e malabarismos do jovem colega suplantar em fama os seus passes deslizantes e aberturas teleguiadas. Mais tarde viveu à sombra do gigantesco Kaká na sua melhor era rossonera que o afastou do "escrete canarinho" de forma constante. E claro, a sombra da liga alemã, menosprezada por tudo e por todos, uma liga de alto nivel mas que vende poucas capas de revistas. Resultado, o Mundo parece que só agora despertou para o génio deste jogador imenso que há meia década que se assume como um dos mais completos do futebol mundial. E aí está ele, como no Olimpico de Roma, literalmente arrasador. É o novo rei de Turim, o cérebro à volta do qual Ciro Ferrara monta a melhor formação da Vechia Signora em largos anos. Mas também o futuro rei de Itália, um país orfão dos seus dois maiores craques, Zlatan Ibrahimovic e o próprio Kaká, que recebe de braços abertos este pequeno grande craque.
Aos 24 anos finalmente Diego é reconhecido. Custou mas já está.
Ao contrário do seu amigo Robinho, a sua carreira foi constantemente uma subida a pique. Cheia de contrariedades e obstáculos. Foi nesses momentos que o jovem médio mostrou ter uma maturidade que muitos lhe negavam a dar quando deu o salto para o Velho Continente com a missão de fazer esquecer o melhor Deco e liderar uma armada com buracos por todos os lados. Diego foi executado na praça pública como o grande culpado pelo falhanço do FC Porto pós-José Mourinho. Uma culpa pesada e injusta para um jovem que então contava com 19 anos e estava a estrear-se na alta roda mundial depois de três anos fabulosos no Santos. Diego nunca teve uma orquestra afinada à sua volta. Perdeu os vários companheiros ao longo do primeiro ano (Derlei, Carlos Alberto, Maniche, Costinha, ...) e foi arma de arremesso entre os três técnicos azuis e brancos que passarão pelo Dragão. Na época seguinte caiu no ostracismo ditado por Co Adriaanse e apesar do titulo conquistado saiu pela porta pequena, apupado pelos adeptos que achavam que tinham comido gato por lebre. Trocou o ameno Porto pela fria Bremen o que significou uma passo mais na maduração do seu jogo. Deixou de ser um mero malabarista com visão excepcional para ser um motor non stop durante os 90 minutos. Um verdadeiro maestro. Em três anos no norte da Alemanha fez sonhar os adeptos locais como poucos jogadores até então. Levou a equipa à final da Taça UEFA, perdida entretanto. Com Diego a sofrer na bancada. Porque em campo seria outra história.
Adivinhava-se a etapa seguinte. Com meia Europa a falar de Cristiano Ronaldo, Kaká e Zlatan Ibrahimovic, a Juventus mostrou ter a esperteza de outras eras e não o deixou escapar. E agora aí está, patrão de um meio campo repleto de talento, lider de uma equipa desejosa de voltar à ribalta, Diego é cada vez mais um dos melhores futebolistas do mundo. Dunga não devia perder a oportunidade de explorar um jogador com o seu nivel táctico, mas mesmo com o Brasil a virar-lhe as costas, o médio sabe que em Turim encontrou o lugar perfeito para se sentar definitivamente no trono. Um trono que foi consecutivamente de Platini, Laudrup, Baggio, Zidane, Nedved...e que agora é seu. De pleno direito.

