Há muitos anos que não se via um duelo assim. Depois de ter conseguido o feito histórico de ser o primeiro clube espanhol a vencer todas as competições em que participou, o Barcelona encontrou no novo projecto galáctico do Real Madrid um rival de luxo. Uma luta a dois que promete emoção até ao final.

É dificil prever que o vencedor de La Liga seja outro que não Barça ou Real Madrid. Apesar da boa qualidade dos planteis de Sevilla, Villareal, Valencia e Atlético de Madrid, o fosso parece ter-se alargado ainda mais e aos outros quatro conjuntos resta-lhes lutar pelos dois postos livres pela Champions League tal e qual sucedeu no ano passado. A diferença é que ninguém esperava há um ano que Guardiola montasse o onze perfeito e que Juande Ramos aguentasse até ao final o ritmo imperial dos catalães. Este ano tudo recomeça do zero com a diferença de milhões gastos no defesa que colocam ainda mais pimenta no derby.
Em Barcelona ainda está bem viva a lembrança do triplete mas Guardiola quer limpar o passado e recomeçar do zero. Trocou Etoo por Zlatan Ibrahimovic e a equipa terá um desenho ofensivo distinto, mas exceptuando a chegada de Maxwell para o posto onde jogava Abidal e a possível entrada do ucraniano Chryginski como opção para a defesa, a equipa é a mesma do ano passado. As mesmas rotinas, os mesmos genios, o mesmo espectáculo. O técnico catalão sabe que repetir os feitos logrados é quase impossivel e que manter o nivel exibicional a ritmo de goleada também. Os adeptos esperam o céu e tudo o que seja menor que isso é derrota. É com esse cenário que Iniesta, Xavi, Puyol, Messi e companhia têm de lidar. E só podem agradecer a ajuda de Perez.

Com efeito o Real Madrid de Perez tornou-se no pretexto perfeito para o Barcelona não baixar os braços - ao contrário do que aconteceu com a versão de Frank Rijkaard há três anos atrás - e lutar com as garras afiadas. O presidente merengue gastou qause 300 milhoes de euros em contrataçoes. Cristiano Ronaldo, Kaka, Benzema, Xabi Alonso, Arbeola, Albiol, Granero são os novos rostos de uma equipa que já contava com um onze interessante mas a que faltava profundida no banco. Pellegrini foi o homem escolhido para fazer de tantos nomes uma equipa. É um plantel temivel e se a maquina engrenar será um rival de peso para os blaugrana. Mas ainda estão um degrau atrás dos campeões.
A classe média do futebol espanhol minga a cada ano que passa. O Valencia sobreviveu uma fortissima crise financeira mas conseguiu evitar vender as estrelas e tem um optimo plantel à disposiçao de Emery. Já o Villareal herda a herança pesada de Pellegrini e Valverde conta apenas com Nilmar como novidade numa equipa que tem sido a agradavel surpresa do futebol espanhol da década. Os historicos Sevilla e Atletico de Madrid também têm argumentos, os primeiros pelas chegadas de Zokora e Negredo a um onze já de alto nivel e os segundos por não terem perdido Forlan e Aguero. São os representantes na Champions e poderão pagar o preço de uma boa campanha europeia.

A partir daqui a lista confunde-se entre possiveis candidatos europeus e as equipas que lutam para nao descer. Numa liga como a espanhola a diferença é tenue e tudo pode suceder. Há os históricos Espanyol, Athletic Bilbao, Mallorca, Zaragoza, Valladolid e Deportivo de La Coruña que procuram um campeonato tranquilo desde o inicio. A armada andaluza com Malaga, Xerez e Almeria e ainda as equipas do norte, Racing Santander, Sporting Gijon e Osassuna, que no ano passado sofreram até ao último jogo para não descer. O Getafe madrileño pode ser uma das surpresas e o Tenerife é uma verdadeira incógnita depois de nos anos 90 ser um habitué dos postos europeus. Em Maio, quando já todos os olhos estiverem no Mundial, muitos ainda estarão a pensar como é que uma equipa com sonhos europeus acaba na segunda divisão. Acontece todos os anos!

