O futebol tem destas coisas.
Nas últimas semanas assistimos a jogos frenéticos com equipas inglesas a terminarem com resultados que já não se usam. 4-4 entre Chelsea e Liverpool, o mesmo resultado entre o "Pool" e o Arsenal ou a vitória por 5-2 do Man Utd ao Tottenham. Ontem, no Teatro dos Sonhos, o futebol praticado não esteve longe da qualidade desses tres desafios, apenas para por um exemplo. Mas o resultado foi bem mais contido. 1-0 no futebol pode valer ouro. Em jogos a eliminar não sofrer golos em casa é um bónus extremamente útil. E partir com vantagem moral para a segunda mão também. Mas para Alex Ferguson tem de saber a pouco, muito pouco. No desafio de ontem o Manchester United voltou a ser aquele colosso que o FC Porto conseguiu esconder, a ponto de necessitar de um golpe de génio para se qualificar. Ontem os vermelhos voltaram a ser diabólicos e em Londres muitos agradecem a sorte, falta de pontaria ou coragem de Manuel Almunia. Afinal o Arsenal assim ainda tem uma boa oportunidade para voltar a Roma.

John O´Shea foi o heroi improvisado face à falta de pontaria da artilharia pesada dos da casa. Um lance de bola parada - especialidade do Man Utd - que acabou por decidir um encontro dominado do principio ao fim pelos mancunianos. O pressing no meio campo de Carrick e Anderson foi constante, anulando perfeitamente o esquema montado por Arsene Wenger, onde Fabregas foi uma sombra de si próprio e onde Nasri andou por terrenos que não são os seus. As baixas na defesa dos gunners tornaram-nos menos atrevidos no ataque, mas foi o pressing do United que desiquilibrou o encontro, particularmente na primeira metade. Notou-se a falta de ritmo de alguns elementos do Arsenal - Adebayor e Eduardo não estão ao nivel de van Persie e Arshavin, que por motivos distintos não podiam jogar - e no final foi mesmo Almunia o heroi dos visitantes.
Contas feitas o Man Utd parte com vantagem para conseguir repetir a presença na final da Champions, mas o 1-0 é um resultado enganoso. O golo marcado só terá um verdadeiro efeito se for acompanhado por mais um que outro tento em Londres. É que nestas coisas dos golos fora, há que antecipar os lances e não jogar com a sorte. A mesma que o Arsenal teve há tres anos atrás em Villareal. A mesma que salvou o United contra o FC Porto em casa. A sorte que faz os campeões.


