Apesar da ditadura do Internazionale nos últimos quatro anos a verdade é que este ano o conjunto de Mourinho tem adversários reais para disputar o ceptro que procura reter pelo quinto ano consecutivo. Um rival histórico que parece renascido das cinzas e uma vaga aberta para uma surpresa que tanto pode vir do sul como estar bem ali ao lado.

Inter e Juventus.
É inevitável olhar para a nova época e não imaginar que um destes dois conjuntos será campeão. A equipa milanesa parte com a naturalidade de ser tetracampeã, de se ter reforçado com dois goleadores de renome mas isso não esconde a profunda preocuparação dos adeptos do Inter. A saída de Zlatan, a falta de contratações sonantes e um plantel demasiado curto - especialmente na defesa onde foi-se Maxwell e só chegou Lucio - deixam muitos interrogantes. O génio de Mourinho foi suficiente para que uma equipa mediana vencesse sem grandes problemas o titulo no ano passado, mas o Inter beneficiou constantemente dos tropeções de AC Milan e Juventus. Este ano dificilmente será assim. Etoo e Milito são sinónimo de golos mas Mancini, Quaresma e Balloteli teimam em afirmar-se. E o meio campo continua com muito musculo e pouca cabeça.

Em Turim o ambiente é mais optimista. Ranieri pôs ordem na equipa e cabe agora ao seu sucessor, Ferrara, lançar o ataque ao scudetto. Com as chegadas de Diego e Felipe Melo o meio campo torna-se mais competitivo. Camoranesi e Tiago devem fechar o coração do jogo da Vechia Signora que beneficia de um ataque onde há Del Piero, Amauri, Iaquinta e Trezeguet. Na defesa regressa Cannavaro que se junta assim a Chiellini, Buffon e companhia num bloco muito forte que ganha finalmente com Diego no desequilibrio individual. Uma equipa que pode chegar bem longe se conseguir manter uma boa regularidade na primeira metade da época.
Uns passos atrás do duo favorito estão Fiorentina, AS Roma e AC Milan. O último é uma verdadeira incógnita e espera-se um ano muito complicado para Leonardo. Técnico inexperiente com um plantel envelhecido e sem um lider visivel, o antigo internacional acredita que Ronaldinho ressuscite sob pena de ter de depender de Pato e Huntelaar para os momentos mais complicados. A Roma mantém a sua estructura com Totti como eixo central. Perdeu Aquilani mas manteve De Rossi e Perrota atrás do capitão como fieis escudeiros. Já a Fiorentina tem um óptimo onze titular mas um plantel curto para ambições tão altas. Prandelli é um grande estratega e cabe-lhe provar que o ano passado n‼8o aconteceu por acaso.

Na luta pela Europa não há novidades. O duo de Génova (o Genoa foi aliás o clube que mais se mexeu no mercado com sonantes incorporações), Napoli, Udinese e ainda a AS Lazio partem como favoritos, este último em grande forma depois de arrancar em Pequim a Supertaça. Dos insulares Cagliari e Palermo espera-se atrevimento e bom futebol enquanto que Atalanta, Bologna e Siena serão equipas a seguir com particular atenção. Todos os demais lutarão para evitar a despromoção, num grupo onde se encontram os históricos Parma e Bari de volta ao convivio dos grandes numa liga que parece ser cada vez mais coisa de dois.

