Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Ao contrário do que os mais novos possam pensar, a Inglaterra sempre teve a tradição de contar com excelente guarda-redes. Os dias de ouro de Banks, Stephney, Clemence, Shilton e Seaman parecem de facto, ter acabado, mas há uma luz ao fundo do túnel. Uma luz capaz de iluminar essas espessas manhãs de nevoeiro em que os adeptos Pross vivem, esperando o salvador da pátria…um salvador que pode muito bem chamar-se Ben Foster.

Desde 1992 que o Manchester United não conta com um guardião inglês. O técnico Alex Ferguson viveu a era dourada de Peter Schmeichel – um dos guardioes mais completos de sempre – e com a retirada do dinamarquês já deu a volta ao mundo à procura de uma solução. Passaram pelo clube australianos (Bosnich), italianos (Taibi), espanhóis (Ricardo), norte-americanos (Howard) e holandeses (van der Saar). De todos só o gigante holandês teve, realmente sucesso, batendo recordes de imbatibilidade e conquistando tudo o que havia para ganhar. Muitos se esquecem que a geração vitoriosa do United dos últimos três anos deve muito ao guarda-redes holandês, de quem muitos suspeitavam quando chegou a Old Trafford mas que agora é, de novo, um dos melhores do mundo no seu posto. Mas van der Saar está prestes a por um ponto final na carreira e precisa de um sucessor, um herdeiro. E a Inglaterra, que desde os últimos anos de David Seaman se tem perdido em múltiplas experiências para a baliza britânica (Flowers, James, Robinson, Green) olha para o Teatro dos Sonhos com olhar de desespero. Red Devils e Pross sabem que há um nome que pode gerar o consenso que há tantos anos falta, mas também sabem que para se afirmar definitivamente como um dos mais completos guardioes da actualidade, Foster tem de começar a jogar.
É curioso que o jovem de 26 anos (nasceu em Abril de 1983) já tem duas internacionalizações pela selecção da rosa e apenas meia dúzia de jogos com a camisola do United. Foster começou a carreira em 2000, então com 17 anos, no Racing Club Warkwick e rapidamente foi contratado pelo Stoke City que durante quatro anos o foi emprestando para ganhar ritmo competitivo. Foi durante um desses empréstimos, no Wrexham gales, que Ferguson o descobriu. Tinha ido ver o seu filho e voltou para casa com o jovem guarda-redes na cabeça. Por um milhão de libras resolveu o assunto com o Stoke e Foster tornava-se assim na esperança número 1 da baliza do United, então ainda sem van der Saar nas redes. Como é habitual com o escocês, Foster teve de primeiro passar por um período de empréstimo. O escolhido foi o vizinho Watford, então na Championship, correspondente à Liga de Honra. Aí o jovem tornou-se titular indiscutível e ajudou a equipa a voltar à Premier League conseguindo o clube prolongar um novo empréstimo, mas foi então que começaram as lesões. Uma rotura de ligamentos cruzados e uma lesão na mão não o ajudaram e no final do ano voltou a Old Trafford.

Com a concorrência do polaco Kuzcack – que também vinha de um empréstimo – e do holandês van der Saar, o jovem guardião inglês surgia como a terceira opção, mas as suas exibições na equipa sub21 inglesa tinham ajudado a que Steve McClaren, então seleccionador, o convocasse pela primeira vez para jogar pela selecção. Foi várias vezes chamado como terceiro elemento e acabou por estrear-se num amigável em Old Trafford, contra a selecção espanhola. Por essa altura estreava-se pela equipa principal do United, num jogo contra o Derby County mas foi no inicio da passada temporada que o jovem começou a ser chamado com alguma regularidade tendo disputado o seu primeiro jogo na Champions League (contra o Celtic) e ganho o primeiro troféu, numa épica final da League Cup onde se sagrou o melhor jogador em campo. A partir dessa noite mágica o nome de Foster, adormecido, voltou à capa de todos os jornais e Fábio Capello não hesitou em chama-lo de novo à selecção, apesar de não jogar em Old Trafford. E assim contra a Eslováquia, conseguiu o jovem a sua segunda internacionalização.
Edwin van der Saar continua a ser o rei de Old Trafford e não se espera que Ferguson o substitua esta época por Foster. Mas renovou-lhe o contrato (quando se especulava que o técnico procurasse em Espanha ou França o substituto do holandês) e garantiu que para ele é o guardião inglês de maior futuro. Um futuro que pode estar ao virar da esquina já que se suspeita que o número 1 dos Red Devils deixe esta época o futebol e que ao largo do ano possamos ver um pouco mais do jovem possante guardião. Capello também conta com ele para o Mundial, mesmo que não jogue com regularidade e a verdade é que o sentido de posicionamento e o seu pontapé de baliza (tão similar aos lançamentos com a mão de Schmeichel) temível fazem dele um craque em toda a linha.