Numa prova que já consagrou para a posteridade quando ainda viviam no desconhecido gigantes como Laurent Blanc, Luis Figo ou Andrea Pirlo, o Europeu sub21 2009 voltou a reservar-nos uma lista de imensas promessas, algumas das quais já de alto gabarito, capazes de entusiarmar o mais fanático dos adeptos.
Entre a poderosa armada sueca, os eficazes britânicos ou as históricas Itália e Alemanha podemos descobrir referências obrigatórias para comprovar nos próximas anos as boas indicações que deixaram nos relvados suecos este Verão.
Guarda Redes
Michael Neuer
O seu opositor inglês, Joe Hart, é de facto um enorme guarda-redes mas o guardião britânico foi um gigante neste europeu. Quando todos criticam o estado da baliza da Mannschaft Michael Neuer prova que só precisa que lhe dêm uma oportunidade para se afirmar definitivamente como o guarda-redes número 1 da Alemanha. Um jogo sensacional com a Itália, uma prova de imensa regularidade e uma série de jogos sem sofrer golos fizeram dele indiscutivelmente o salvador da equipa campeã da Europa nos momentos mais complicados.
Defesa Direito
Anders Beck
O lateral alemão continua a brilhante tradição germânica de criar defesas laterais de imenso poderio ofensivo. O seu golo monumental à Itália na meia final foi um hino ao futebol mas Beck foi sempre o mais regular do eixo defensivo germânico. Herdeiro da escola de Markus Babbell, o lateral do Hoffenheim que nasceu na longinqua Sibéria foi uma das revelações do ano da Bundesliga provando todo o seu potencial com um grande torneio.
Defesa Esquerdo
Kieron Gibbs
Lançado por Arsene Wenger às feras, o jovem inglês não defraudou. Este ano estreou-se pelos gunners na Champions League e viveu os últimos dias do ano com a culpa dos golos que ditaram a eliminação da equipa. Mas na Suécia foi um lateral sempre seguro, rápido nas incorporações defensivas e um dos melhores elementos dos Pross. Como os colegas, na grande final, esteve uns furos abaixo mas isso não apaga a brilhante prova realizada.
Defesas Centrais
Micah Richards e Mattias Bjärsmyr
Representam o que de melhor se viu neste Europeu. Centrais versáteis e sólidos capazes de jogar bem atrás e ser decisivos no apoio aos colegas. Micah Richards é um colosso da natureza, que tanto pode liderar o centro da defesa como tornar-se num hábil lateral direito. Bjarsmyr é o clássico central sueco de fino corte e fisico potente. Viu a sua brilhante campanha apenas manchada pelo infeliz auto-golo na meia final.
Richards foi um lider entre os lideres nos Pross. Excelente performance coordenando sempre o eixo defensivo onde coincidiu com os colegas de equipa no Manchester City Hart e o promissor Nedum Onuoha, o que lhe permitiu jogar sempre de forma tranquila. Excelente nas transições de bola utilizou o fisico para funcionar como marcador implacável ao mesmo tempo que nos lances ofensivos se incorpou rapidamente ao ataque britânico com sucesso.
Já Bjarsmyr esteve em grande destaque depois de mais uma brilhante época no campeonato local. Foi o responsável por que a equipa sueca tivesse uma das melhores prestações da sua história e é já visto como o central de futuro da equipa nórdica, o sucessor natural de Ollof Mellberg.
Médio Defensivo
Luca Cigarini
Uma das mais saudáveis descobertas da prova, Cigarini é um verdadeiro herdeiro dos clássicos médios centro italianos. Lançado por Claudio Ranieri no AS Parma trocou a equipa parmesã pela Atalanta onde foi chave para a excelente época do clube de Bergamo. Com um fino trato de bola e uma notável visão de jogo, formou junto com Giovinco um excelente meio campo sob o comando de Casiraghi.
Médio Direito
Rasmus Elm
O rei das assistências do torneio, Elm é um dos pilares desta excelente geração de jogadores suecos que provaram em casa que são uma potência emergente do futebol de formação. Rápido a ler o jogo, excelente nos lances de bola parada, Elm foi o principal municiador da dupla Berg-Toivonen, e conseguiu manter o ritmo que o levou a realizar uma notável época no Kalmar onde se sagrou campeão. É um dos três mágicos irmãos Elm (os outros David e Viktor jogaram com ele no Kalmar tendo o segundo já assinado pelo Heerenvan) e uma das grandes esperanças dos suecos para o futuro.
Médio Esquerdo
Mezut Ozil
Foi o fiel da balança da compacta equipa germânica que logrou o passaporte até á grande final onde goleou por 4-0 a Inglaterra. Ozil já tinha ameaçado com a grande época realizada no Werder Bremen que era um nome a ter em conta mas depois da infeliz final da Taça UEFA o seu nome perdeu algum peso. Hrubesch deu-lhe a batuta da Mannschaft e o jovem de ascendência turca não o defraudou. Grande campeonato coroado com duas assistências para golo e um remate fabuloso na final que confirmou a superioridade germânica.

Médio Avançado
Sebastian Giovinco
O pequeno diabo italiano não foi tão explosivo como se previa - no jogo decisivo contra a Alemanha lutou muito mas nenhum momento de génio seu foi suficiente para salvar a azzurra - mas mesmo assim provou que é o regista de futuro do Calcio. Excelente técnica, toque portentoso e um remate forte e colocado são a image de marca do homem que na Juventus está tapado por Diego e Del Piero e que precisa desesperadamente de encontrar um clube onde se afirme para não passar ao lado de uma grande carreira desportiva.
Pontas de Lanças
Marcus Berg e Roberto Acquafresca
Berg tornou-se este Verão no avançado da moda. Acquafresca há muito que é uma das grandes promessas italianas. Ambos têm parceiros de luxo (Toivonen que já brilha no PSV e que é também ele um jogador com futuro brilhante e o instável Ballotelli) mas nesta prova brilharam mais do que qualquer outro.
Marcus Berg já joga fora da sua Suécia natal (no Groningen holandês) mas só agora parece ter verdadeira explodido. Os seus sete golos consagraram-no como o goleador da prova mas foi o seu sentido de oportunidade que fez dele a grande figura da equipa anfitriã. Um jogador que dificilmente continuará a jogar no campeonato holandês e de quem se espera que seja o parceiro ideal para Zlatan Ibrahimovic.
Já Roberto Acquafresca parece ser o mal amado do futebol italiano. Apesar de ser formado no Inter, que o contratou ao Torino em 2005, o técnico José Mourinho parece não contar com ele (ao contrário do problemático e menos eficaz Balloteli) e abriu-lhe as portas da casa obrigando o dianteiro a procurar no Cagliari um novo lar. Este ano apontou 14 golos na Serie A e face à crise de avançados da azzura é uma lógica opção de futuro para Lippi.
