Com o final de mais uma edição da Taça das Confederações, e deixando à parte todas as polémicas relativas à (fraca) organização local, resta-nos olhar para trás e relembrar o que de melhor se pôde apreciar durante as semanas de competição que acabaram por coroar o Brasil campeão pela terceira vez.
Foram 11 Magnificos entre um exército pouco deslumbrante, onde as grandes estrelas estiveram uns furos abaixo do esperado (a longa época passou factura) e que deixou alguns nomes na retina para confirmar no próximo ano quando já for uma competição verdadeiramente a doer.
Guarda Redes
Tim Howard
O guardião norte-americano que teve uma passagem para esquecer pelo Manchester United é hoje um precioso seguro de vida para o Everton de David Moyes. No momento mais alto da sua carreira, Howard provou que os Estados Unidos possuem uma linha defensiva praticamente intransponível. A sua exibição diante da Espanha foi épica, parando tudo o que havia para parar. Apesar dos seis golos sofridos nos dois jogos com o Brasil esteve impecável em ambos os encontros. Um jogador já veterano e com muita experiência que foi pedra base para a espantosa campanha da equipa norte-americana.
Defesa Direito
Jonathan Spector
Uma das agradáveis surpresas da prova. O jovem lateral direito que milita no West Ham United foi sempre um dos elementos mais seguros do onze norte-americano. Esteve a excelente nível em todos os encontros e foi dele o cruzamento letal para o primeiro golo americano na final. Tem toda a carreira à sua frente e o seu valor triplicou depois da viagem à Africa do Sul não sendo de esperar que dure muito tempo em Upton Park.
Defesa Esquerdo
André Santos
Foi sempre o sacrificado por Dunga para lançar os ataques venenosos de Daniel Alves, mas a verdade é que o lateral esquerdo foi sempre dos melhores jogadores em campo nos encontros disputados pela canarinha. Com o Brasil a viver um complexo problema com a sucessão de Roberto Carlos (já passaram pelo posto seis jogadores), o jovem defesa que actua no Corinthians foi um perfeito seguro de vida, tendo sido apenas victima do protagonismo da dupla Maicon-Daniel Alves, incompativel no lado direito do onze canarinho.
Defesas Centrais
Lúcio e Onyewu
Foram os pilares defensivos das equipas finalistas, decisivos em todos os momentos em sem responsabilidades nos lances de golo. Lúcio está no culminar de uma carreira brilhante. É o grande patrão do Brasil, homem de confiança de Dunga, e o lider indiscutivel do balneário. O central do Bayern Munchen esteve sempre em grande plano e coroou a magnifica prova com o golo vitorioso na final.
O norte-americano Onyewu foi uma surpresa para muitos. Actua - está em final de contrato - no Standard de Liege de Boloni que se sagrou campeão belga e foi sempre uma muralha instransponível. Na meia final contra a Espanha anulou por completo Fernando Torres enquanto que no jogo com o Egitpo não deu nunca espaços à equipa rival. Na final foi apenas batido no confuso lance do 2-2 tendo tido uma exibição imaculada no restante desenrolar do encontro.
Médio Defensivo
Felipe Melo
Felipe Melo é o braço direito em campo de Dunga. O jovem médio da Fiorentina assumiu-se de estaca neste onze, superando Anderson e Elano na corrida à titularidade. Ao lado do veterano Gilberto Silva é o elemento mais móvel da dupla defensiva no meio campo, responsável pelas rápidas transições de jogo para Kaká e companhia. Foi sempre constante em todos os encontros e nunca hesitou em ajudar o ataque para criar desiquilibrios. Uma pérola do Brasil mais cinico.
Médio Direito
Xavi Hernandez
É sempre o motor da selecção espanhola. No dia em que não carburou a 100% viu-se o resultado. A campeã da Europa chegou cheia de pompa mas saiu da África do Sul com um sofridíssimo terceiro posto. Dominou o grupo a belo prazer graças ao trabalho de Xavi, que serviu sempre na perfeição a letal dupla ofensiva. No jogo das meias finais Xavi esteve apagado - notou-se o cansaço da época e o meio campo improvisado por Del Bosque - e a Espanha caiu. A sua ausência do jogo de terceiro e quarto posto voltou a mostrar o vazio do futebol ofensivo espanhol sem a sua batuta. Continua a ser o melhor.
Médio Esquerdo
Clint Dempsey
No meio campo ou atrás da dupla Donovan-Altidore, o trabalho incansável de Patrick Dempsey ao longo do torneio foi espantoso. O norte-americano jogou ao lado de um grupo de luxo (Bradley, Clark, Feirlhaber, ...) mas destacou pela sua verticalidade e pelo seu faro de golo. Diante da Espanha apanhou o trapalhão Sérgio Ramos em contra-mão e no meio dos centrais brasileiros desviou subtilmente para abrir a contagem no jogo da final. Um dos grandes nomes do Soccer que saiu da África do Sul como um heroi.
Médio Avançado
Kaká
Esteve uns furos abaixo do esperado - viveu a prepração da prova à volta do rebuliço da sua transferência milionária para o Real Madrid - mas ainda assim foi eleito o melhor do torneio. Distinção exagerada pelo seu real protagonismo mas a verdade é que sem Kaká este Brasil seria bastante mais vulgar. Toques de génio a abrir (Egipto) e fechar (Estados Unidos) uma prova onde nunca se lhe viu completamente confortável num posto de falso ponta de lança a descair para o lado esquerdo do ataque. Tem a batuta de comando mas tem de arriscar mais no um contra um para ser realmente decisivo.

Avançados
Luis Fabiano e Landon Donavan
Foram as duas estrelas da final. O primeiro marcou dois golos decisivos e confirmou-se como o goleador da prova. O segundo foi o capitão perfeito lutando e marcando na hora H. Dois homens chave para entender as campanhas de Brasil e Estados Unidos.
Luis Fabiano é um avançado letal e já o provou por diversas vezes no Sevilla onde venceu duas Taças UEFA. Depois da má experiência no FC Porto, o dianteiro assumiu-se como um dos pontas de lança mais eficazes do futebol europeu e depois da queda em desgraça de Ronaldo e Adriano assume-se naturalmente como a primeira opção para o ataque da canarinha. Para quem tinha dúvida da sua eficácia, aqui fica a sua resposta.
Já Donovan é um velho conhecido, estrela maior do futebol norte-americano, cobiçado na Europa pelo Bayern de Munchen e estrela do L.A. Galaxy. Jogador de fino recorte, toque rápido e espirito de luta impressionantes, é útil como segundo ponta de lança graças à velocidade e oportunismo. O golo em contra golpe ao Brasil na final demonstrou toda a sua frieza naquele que é hoje em dia o maior embaixador do soccer e de quem se espera muito no próximo ano.
Treinador
Bob Bradley
Não é fácil brilhar contra as maiores selecções do Mundo mas o génio estratégico de Bradley provou que hoje em dia os Estados Unidos estão um passo mais perto da elite do futebol mundial. Derrotou com insultante superioridade o Egipto, esmagou a Espanha com um jogo inteligentissimo impedindo o futebol de toque tão tipico dos espanhois. E na final pôs o Brasil em sentido com uma primeira parte de altissimo nível. Bradley soube dar a volta a uma seleção desmoralizada e montou um conjunto de elevado nível que mistura jovens promessas com veteranos de grande nível. A prestação dos States torna-os em grandes candidatos a surpresa do ano em 2010. Resta ver se mantêm o bom nível quando for a doer.


