Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Do outro lado do Atlântico o "soccer" continua a ser um imenso desconhecido mas o boxe é, ainda nos dias de correm, uma imensa paixão para os americanos. Assim que não foi de estranhar que a equipa orientada pelo excelente estratega que é Bradley tenha destroçado a campeão da Europa por um perfeito K.O. Se o combate tivesse sido aos pontos, la Roja teria ganho tal foi a insistência com que procurou a baliza do sereno Tim Howard (a anos luz daquele guardião inseguro dos dias de Old Trafford). Mas, tal como no boxe, também ontem os pontos valeram de pouco quando há dois golpes tão secos e letais. Aos 35 jogos a Espanha voltou a conhecer o sabor da derrota. Os Estados Unidos fizeram história e logram a primeira final intercontinental da sua história. Não que muitos se tenham dado conta nas terras do "Tio Sam".

 

Depois de ter surpreendido meio mundo pela destreza ofensiva que lhes valeu uma categorica e decisiva vitória ante o Egipto - demasiado debilitado pelas importantes ausências - os Estados Unidos voltam a mostrar que é preciso começar a levar mais a sério o "soccer" desta selecção. Bradley montou uma equipa compacta que alia perfeitamente a boa geração do futebol norte-americano da última década (a mesma que logrou o brilharete dos quartos de finais em 2002 mas que falhou na hora H quatro anos depois) com as grandes promessas dos "States" que já andam pela Europa a espalhar o seu particular perfume. Hoje em dia face à crise profunda que atravessa a selecção mexicana, é cada vez mais evidente que a grande potência da América do Norte são os Estados Unidos. A qualidade de jogo é muito superior ao valor individual dos elementos que compõem a equipa dos "yankees". Uma defesa jovem e segura, um guardião tranquilo, um meio campo pressionante e avançados acutilantes. O futuro que passa por Jozy Altidore, Demerit, Onyewu, DaMarcus Beasley, Clark e Dempsey alinhado com a veterania e genialidade de Landon Donavan, provavelmente um dos melhores executantes individuais da história do "soccer". Que os Estados Unidos se tenham desligado do maior desporto mundial não significa que a sua equipa deixa de ter o potencial necessário para ser um rival de peso. A partir de hoje, a Espanha já o sabe.

 

A selecção campeã da Europa terminou um ciclo brilhante de 35 jogos consecutivos sem conhecer o sabor da derrota. Foi desde 2006, então num jogo amigável com a Roménia, que os espanhois começaram uma série histórica que os levaram a vencer o Europeu de 2008 e a igualar o melhor registo do escrete canarinho. A equipa espanhola caiu ontem de pé, mas deixando a nu algumas aspectos que as vitórias alcançadas nestes dois anos foram tapando habilmente. A Espanha está longe de ser aquela selecção letal e que encanta, como o foi a França do virar o século ou a Holanda de Gullit, van Basten e companhia, apenas para citar as selecções europeias com melhores registos dos últimos vinte anos. Apesar de eficazes - os números não mentem - a equipa espanhola vive do futebol de toque rápido e hábil dos seus brilhantes executantes. Num onze que vive entre o 4-5-1 e o 4-4-2, é no meio campo que está a chave do futebol espanhol. Xabi Alonso (na ausência de Senna) pensa o aspecto defensivo e abre alas para que Cesc, Cazorla, e o genial Xavi orquestrem todo o jogo ofensivo. Contar com dois dos melhores pontas de lança do momento (Fernando Torres e David Villa), e com um banco de luxo, ajuda. E não é por esta derrota que a selecção espanhola deixa de ser uma das grandes favoritas a vencer o próximo Mundial. Mas já perdeu a capa de invencibilidade que vinha ostentando. Mais, os seus rivais já conhecem os seus particulares esqueletos no armário. O primeiro é a defesa. A equipa espanhola conta com um enorme guarda-redes e dois centrais em grande forma (Puyol e Pique) e dois suplentes de garantias (Albiol e Marchena). Mas as alas são um problema grave. Sérgio Ramos não tem cultura táctica - como se percebeu nos dois lances decisivos de ontem - e perde-se demasiado no ataque para ser eficaz a defender. Já Capdevilla é o eixo mais fraco, a todos os niveis, da selecção mas não tem - ainda - uma alternativa credivel. E os pés de barro defensivas da equipa espanhola notam-se mais com equipas que jogam sem medo. Com os States fizeram ontem.

 

Os Estados Unidos provaram aquilo que já se adivinhava. Apesar da série admirável, a Espanha tem demonstrado várias dificuldades em dominar nos últimos encontros da fase de apuramento para o Mundial. Mais ainda, é uma equipa que tem uma grave dificuldade em dar a volta ao marcador. Quando abre a contagem e se deixa estar, tranquilamente no comando, começa a surgir o seu bom futebol. Mas se tem de partir de uma desvantagem torna-se num colectivo mais nervoso que perde um pouco o descernimento táctico. Na esmagadora maioria das vezes a genialidade dos seus artistas resolve. Mas todos têm direito a um dia mau. Ontem o dia mau não foi de Xavi, Cesc, Torres ou Villa. Foi de todos. Muitos procuram a falta de um desiquilibrador como é Iniesta (ficou de fora por lesão) ou de maior equilibrio no eixo defensivo (os americanos foram perigosos em todos os contra-ataques que lançaram ás redes de Casillas) mas a verdade é que já a Bélgica, Bósnia e Turquia tinham levantado esta mesma problemática. Mas eram rivais com um potencial inferior e com disciplina táctica bastante deficiente para neutralizar La Roja. Bradley estudou como ninguém a lição, preparou muito bem o encontro e anulou o colectivo espanhol, em lugar de procurar tapar individualidades. Funcionou.

 

Enquanto os americanos saboreiam o logro, em Espanha lambem-se as feridas destes dois socos incisivos, procuram-se as desculpas e assobia-se para o lado. Afinal é só a Taça das Confederações, no Mundial isto não acontecerá, ...como no passado, a tipica arrogância espanhola fala em acidente de percurso em vez de procurar as respostas às perguntas realmente importantes. Pode ser que este seja apenas um parêntesis e não está em discussão o papel de claro favorito da Espanha no próximo mundial. É campeã da Europa em titulo, e os titulos, respeitam-se. Mas defendem-se nos relvados. E ontem a CONCAF bateu a UEFA. E não houve nenhum seleccionador ontem que não tenha aprendida a lição. A equipa de Vicente del Bosque caiu na realidade. Mas continua a estar aí, de olhos postos no Mundial. Depois da licção aos italianos, o correctivo aos espanhois lança de novo o aviso da eterna maldição. Afinal, nunca uma equipa europeia logrou vencer um Mundial fora da Europa. Daqui a um ano saberemos se há mesmo maldições que são eternas.

 



Miguel Lourenço Pereira às 11:26 | link do post

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