Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013

Na última semana de Agosto de 2012 o Tottenham Hotspurs perdeu o seu melhor jogador. Sem tempo para gastar o dinheiro embolsado num substituto à altura, a equipa penou durante grande parte da Premier League, resolvendo jogos pela mínima e entregando-se de corpo e alma ao galês Bale. O quinto lugar não trazia nada de novo a um dos planteis mais caros da Premier. Um ano depois Villas-Boas fez o oposto. Gastou primeiro o dinheiro que sabia que ia receber pelo galês em Agosto. O resultado é ainda pior. Os Spurs são uma nau à deriva.

Foram cerca de 115 milhões de euros.

Um dos maiores investimentos de toda a temporada. Por um clube que está há mais de meio século sem vencer o título de campeão no futebol inglês. A expectativa estava em alta. Bale, o supersónico galês teria de partir, já todos o tinham como assumido. E iria para fora das ilhas, para não repetir o erro dos gunners com van Persie, que não só desmoralizou profundamente o Arsenal como ajudou a dar o título ao seu histórico rival, o Manchester United. Tudo parecia estar bem. Os reforços de 2012 estavam assimilados e a dezena de jogadores que aterrava em White Hart Lane prometia mundos e fundos para devolver o Tottenham à elite. A Champions League era o primeiro passo. Onde Redknapp já tinha estado, é preciso não esquecer, e onde não conseguiu voltar porque o título europeu do Chelsea surpreendeu tudo e todos no momento errado para o seu rival londrino. Agora a sensação era outra. Com um treinador jovem e ambicioso, um plantel mais equilibrado e algum dos melhores jovens jogadores do Mundo, quem podia parar o Tottenham?

Ás portas do segundo teçro da temporada, as expectativas não poderiam ter sido mais defraudadas. O dinheiro foi gasto mas os resultados não estão à vista. A qualidade de jogo da equipa não variou positivamente em relação ao ano passado e a liderança de Villas-Boas é mais discutida do que nunca. O homem que ganhou tudo o que podia ganhar com o FC Porto está debaixo de mira. Pela segunda vez em Inglaterra corre o risco de não sobreviver ao Natal.

 

AVB apareceu no mapa do nada, como um segundo "Special One".

A grande temporada realizada com o FC Porto deu-lhe uma aura de invencibilidade que o transformou rapidamente no "flavour of the month" do futebol europeu. Abramovich, que não só já o conhecia como já tinha apostado numa ficha similar, anos antes, achou que o português poderia fazer aquilo que Mourinho não conseguiu, trazer um futebol da escola danubiana para o Stanford Bridge. Esqueceu-se de que um treinador sem carisma e sem poder, num balneário de estrelas, é um treinador a prazo. Abramovich prometeu-lhe apoio na renovação da geração de Mourinho mas na hora H mudou de ideias e preferiu sacrificar o homem a crucificar o plantel. Os jogadores responderam com dois títulos europeus consecutivos - Champions e Europa League - com dois treinadores interinos. E Villas-Boas perdeu a oportunidade mais brilhante da sua vida.

Lutador, o técnico portuense não desistiu. Esperou por uma segunda oportunidade que lhe caiu do céu de novo desde Londres. Um dos melhores planteis do futebol britânico e mais tempo e poder para trabalhar. O que poderia correr mal?

Na primeira temporada o Tottenham reforçou-se bem mas a perda de Modric nunca foi, verdadeiramente, colmatada. E foi San Bale o homem que permitiu que o clube aguentasse o ano no top 5, o objectivo mínimo para a directiva de Daniel Levy. Sem golo, sem um médio criativo de primeiro nível e com uma defesa titubeante, muitos pensavam que Villas-Boas tinha-se superado.

A expectativa sobre o que podia fazer começando do zero e com dinheiro era muita. E AVB gastou. Muito. Tudo.

Dos 100 milhões conseguidos por Bale e mais alguns trocos por vendas surpreendentes, o técnico investiu cada cêntimo. Concentrou os seus esforços em jogadores do meio-campo para a frente, deixando outra vez a nú as fragilidades da sua linha defensiva. Que são evidentes. O trabalho de Paulinho, o talento de Lamela, a classe de Eriksen, o faro de golo de Soldado, a promessa belga Chadli ou o gaulês Etienne Capoue chegaram debaixo de muita promessa, ofuscando os já promissores Sandro, Holtby ou Dembelé, todos eles já disponíveis. Durante um mês foi o "rookie" Townsend quem salvou a equipa de resultados comprometedores. As peças não encaixavam no puzzle. E continuam sem encaixar. Depois de várias vitórias pela minima (três delas por um penalty) e de uma derrota surpreendente contra o West Ham, começaram a soar os alarmes. A goleada histórica sofrida contra o Manchester City apenas confirmou as sensações de um projecto que não arranca. E de um líder perdido.

 

No último mês e meio Villas-Boas pareceu um homem dominado pela situação. O caso da utilização de Lloris, o discurso agressivo contra Lukaku e o Everton (rivais directos na tabela), a falta de resposta para os problemas tácticos do seu intermitente 4-3-3 (ora 4-5-1, ora 4-2-3-1) e a incapacidade de dar um murro na mesa, têm desmascarado a imagem que Villas-Boas conseguiu manter em Inglaterra, de técnico frio e de sucesso rápido. O ano dourado na sua cadeira de sonho parece cada vez mais distante. O técnico português corre o risco de ter sido o responsável pelo maior gasto da história de um clube inglês não apoiado por um bilionário árabe ou russo sem que esse gasto se repercuta em campo. É a primeira vez na sua carreira que está mais de um ano com a mesma equipa. E o relógio já corre contra si.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 19:24 | link do post | comentar

8 comentários:
De Jogos de Carros a 28 de Novembro de 2013 às 12:24
O Villas-Boas pensava que era o Mourinho Junior, mas não é facil segurar um plantel de estrelas.... quando os jogadores não querem é sempre o treinador que sofre. Nem o Mourinho conseguiu resistir à força do plantel no Real.


De Miguel Lourenço Pereira a 29 de Novembro de 2013 às 19:43
No plantel do Tottenham não há muitas estrelas. Aliás, a maioria dos jogadores foram escolhidos por AVB, não estavam no clube quando ele chegou!


De formatted error free a 28 de Novembro de 2013 às 22:14
fora do protetorado nortenho luso caiu-lhe a máscara. Um bluff, portanto. é isso?


De Miguel Lourenço Pereira a 29 de Novembro de 2013 às 19:44
Não creio que seja um bluff, depende da perspectiva original. Quem o considerava o the next big thing do futebol europeu - e houve muitos - seguramente que tem motivos para estar desiludido!


De RP a 29 de Novembro de 2013 às 16:57
Será que estamos na presença de um Flop como treinador ?. È uma boa questão , que mais uma vez no post que escreveu ajuda a clarificar. Eu tenho para mim que um treinador que ganhe no FCP não seja obrigatóriamente um grande treinador. Eu que me lembre dos últimos 10/15 treinadores que por lá passaram(Excepção a Mourinho) nenhum teve grande sucesso na sua carreira como treinador noutros clubes por onde passaram. Cumps


De Miguel Lourenço Pereira a 29 de Novembro de 2013 às 19:46
A mim parece-me, sobretudo, que AVB é um treinador que não sabe o que quer. E isso é mais grave que ter ou não talento. Não tem uma ideia e, se a tem, não a consegue aplicar. O que é pena porque prometeu muito.

Fica claro que é um treinador que tacticamente não surpreende pela inovação, que não é audaz e que na gestão de planteis tem-se revelado um desastre. Gastar o que se gastou em dois anos e não ter um onze tipo e um modelo de jogo claro e incisivo é, claramente, um problema para quem muitos quiseram ver como o novo Mourinho.


De DC a 29 de Novembro de 2013 às 17:28
Quanto de AVB era VP?
Muito, ou quase tudo, pelo menos da táctica e do treino, na minha opinião.


De Miguel Lourenço Pereira a 29 de Novembro de 2013 às 19:42
DC,

Há dois bons elementos para comprovar a tua teoria. A primeira foi a exigência da SAD do FCP em que Vitor Pereira fosse adjunto de AVB ao contrário do que este queria, talvez antecipando alguma deficiência nessas áreas que precisava de ser reforçada. A segunda passa pela forma como as suas equipas jogam. Nem com o Chelsea nem com o Tottenham (e já vamos em duas temporadas entre ambos) se viu minimamente a mesma rotina, os mesmos principios e a mesma disciplina de jogo que havia no FC Porto. Ao contrário do que sucede com Mourinho ou como sucedeu com Guardiola, mesmo quando mudam de clube a sua filosofia é visivel. Com AVB nunca foi!


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