Domingo, 21 de Junho de 2009
Não é um desconhecido que irrompe como um tornado no meio de festa alheia. Já há alguns anos que o sugestivo nome de Buonanotte soa nos ouvidos daqueles habituados a encontrar em Buenos Aires algumas das maiores promessas mundiais. Muitos acabam por perder-se pelo caminho, outros explodem e transformar-se em deuses da bola. Este craque tem nome próprio divinal, apelido célebre e um pé delicioso. Toulon já provou o sabor do tornado do River Plate.

Numa prova dominada pelo Chile a grande estrela foi Diego Buonanotte, avançado argentino eleito pelo júri da prova como o jogador do torneio. Mais um troféu para o bolso de um dos mais titulados jogadores jovens do futebol sul-americano. E não é para menos. A presença em campo de Buonanotte é hipnotizante. “El Enano” (tem 1m57) rasga pelo meio, usa a velocidade para destroçar qualquer corte mais ousado e na cara do guarda-redes é extremamente eficaz. Muitos já o comparam com Lionel Messi, especialmente pela baixa estatura e habilidade em jogar com a bola colada à chuteira. O jogador do River Plate sorri ao ouvir o elogio. Ele, mais do que ninguém, sabe o valor do extremo do Barcelona com quem jogou na passada edição dos Jogos Olímpicos. Foi o seu substituto de luxo e bebeu daquela que hoje está na lista dos maiores entre os maiores. A vitória olímpica foi o coroar de um ano notável do extremo. Ele que se estreou já há três anos, em 2006, com apenas 17 anos pelo River Plate. E que desde então tem subido a pulso todos os passos rumo ao estrelato.
Buonanotte estreou-se como suplente de outra grande promessa argentina, o avançado do Real Madrid Gonzalo Higuain. A exibição e a fama que já tinha granjeado nas camadas jovens chamou à atenção do veterano Daniel Passarella que tornou-o em elemento chave do seu onze tipo no ano seguinte ao da estreia. A sua exibição estrondosa contra o eterno rival Boca Juniores correu mundo e fez despertar a sede do outro lado do Atlântico. Chegaram as primeiras ofertas, de Itália principalmente de onde é originária a família do jovem, que aproveita assim a condição de comunitário para negociar o seu passe em alta. O River Plate rejeitou as ofertas de Inter e Juventus e a táctica funcionou. Foi decisivo nas vitórias no Torneio de Clausura com dois golos no encontro decisivo, mostrando que era um avançado letal. O Monumental vive a partir desse momento a seus pés. Tal como tinha sucedido nos anos 70 com o seu pai, o destacado Mário Buonanotte que brilhou no Independiente, também o jovem Diego tem a habilidade de destacar-se nos partidos mais complicados. O assumido herdeiro de Ariel Ortega – com o qual tem bastantes similiaritudes – é igualmente um especialista em bolas paradas, tendo assinado pela Argentina nos Jogos Olímpicos o seu primeiro golo como internacional. De livre claro está.

Apesar de ser pretendido por meio mundo, o jovem já confirmou que pretende seguir um par de anos no River Plate. Na Europa é desejado no Calcio – os Milionários já confirmaram que têm ofertas na mesa de Lazio e Inter – mas o jovem já assumiu preferir seguir os passos de Messi ou Higuain e rumar a Espanha. Resta saber quantos anos mais terão de esperar os adeptos europeus para verem de novo brilhar este futuro astro. Toulon deixou-nos vontade de mais…