Garantir o futuro é o primeiro passo rumo à vitória.
Em Portugal, país formador por excelência de variadíssimos talentos de nivel mundial - basta colocar, por exemplo, que duas das quatro maiores transferências da histórias falam português - essa mentalidade não se enraizou definitivamente. Portugal prefere exportar ao minimo sinal de talento e paga o preço. Enquanto que em ligas de igual ou inferior potencial como França, Alemanha, Ucrânia ou Holanda, a exportação dos maiores talentos atrasa-se ao máximo, de forma a obter o maior rendimento possível de uma jovem promessa que também necessita deste periodo de maturidade, em Portugal dá-se o exemplo contrário.
Jovem que destaque à primeira em é imediatamente referenciado na Europa - o talento nacional é mais reconhecido lá fora que cá dentro, lamentavelmente - e vendido à primeira oferta que chega à mesa. Vive-se a politica do vender agora antes que dê perjuizo. Assim vive o nosso futebol, ano após ano, a deixar sair, não só os grandes craques mas também jovens promessas que não têm tempo de se afirmar, importando em troca jogador de terceiro e quarto nível do Brasil.
Esta situação explica também os valores baixissimos recebidos pelos clubes nacionais por vendas de jovens jogadores na última década como foram Hugo Viana, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, Nani, Cristiano Ronaldo, Hugo Leal, Helder Postiga, Tiago, entre outros. Problemas estruturais do nosso futebol impedem ver mais além. Não bastava exportar cedo e barato a formação nacional também tem um grave problema: importa pouco e mal. São raros os casos de descobertas de olheiros nacionais no estrangeiro que maturem nas camadas jovens e cheguem à equipa principal. O Sporting conta agora com um jovem nigeriano, Rabiu Ibrahim, o Benfica com um guineense de futuro Lassana Camará...e o FC Porto, passa a contar com uma das maiores promessas do fascinante futebol turco.

Engin Bekdmir é o mais jovem capitão das selecções de formação do futebol turco.
Uma dessas promessas que não passa despercibida aos olheiros que deambulam por essas competições. O jovem médio ofensivo, um verdadeiro criativo na dimensão clássica do termo, é o craque dos sub-17 turcos mas já actuou pela equipa de sub19 várias vezes. Esteve no último Europeu na Alemanha onde foi uma das figuras nucleares da sua equipa. Curiosamente é ele próprio um filho da diáspora turca do norte da Europa. Nasceu na Bélgica e tem passaporte comunitário (essencial nos dias que correm) em Beverloo em 1992. Depois de oito anos na pequena localidade belga mudou-se para a Holanda já que o PSV Eindhoven descubriu-o numa prova de jovens talentos e não hesitou em avançar para a contratação. Durante quase uma década serviu as cores dos holandeses tendo sido mesmo escrito na lista da Champions League da época transacta, apesar de não ter efectuado qualquer jogo. Um sinal de confiança de um jovem que já era a estrela do futebol juvenil holandês, também ele um viveiro de craques.
A contratação deve-se ao trabalho de Patrick Greveraars, treinador das camadas jovens que Co Adriaanse referenciou e que acabou por chegar um ano depois trazendo consigo a ideia de estruturar todo o futebol dos dragões desde a mais tenra idade. O técnico é igualmente adjunto das reservas e desde que chegou o FC Porto melhorou muitissimo nos últimos quatro anos a sua formação - sagrando-se campeão de Juvenis e Juniores este ano - e o seu nome no mercado internacional permite agora ao FC Porto ter um forte capital de atração para jovens promessas europeias...e não só. O jovem esteve duas semanas à experiência e não foi preciso mais para rubricar um contracto que, de principio, o levará à equipa júnior. Mas o jovem que foi cobiçado por clubes de meia Europa, incluindo Manchester City, Bayern Munchen e Galatasaray, tem um futuro brilhante à sua frente. É a oportunidade de ouro para o tetracampeão nacional provar que está a fazer os trabalhos de casa e a preparar uma equipa de primeiro nível para o futuro.

