A elite da juventude do futebol europeu junta-se a partir de hoje na Suécia para resgatar a coroa do dominio holandês. Depois de duas edições ganhas pelo conjunto da laranja mecânica este ano há pelo menos uma certeza: o cenário não se irá repetir.
Os campeões não lograram classificar-se e abrem assim passo a uma nova geração de campeões. Candidatos não faltam. Literalmente dos quatro cantos da Europa chegam as armadas de juventude repletas de jovens promessas e estrelas já consagradas que na busca pela imortalidade degladiar-se-ão para conseguir um lugar na final da prova. A Suécia alberga a competição e é também uma das favoritas. Apesar de ser um colectivo sem grandes estrelas, o onze sueco tem todas as caracteristicas do futebol nórdico. Futebol tacticamente correcto, bom posicionamento em campo e jovens de grande capacidade fisica e algum nível técnico. Lidera-os o jovem Marcus Berg, avançado que actua ainda na modesta liga holandesa mas que está mais do que referenciado e pode dar mesmo o salto esta pré-temporada. Os olheiros dos grandes da Europa estão atentos.

Os mais fortes candidatos à conquista do ceptro são latinos. Depois da hegemonia do futebol do norte e centro da Europa nas últimas edições, as novas gerações de talentos de Espanha e Itália estão dispostos a voltar à senda de triunfos.
A equipa espanhola quer repetir o sucesso da equipa A no passado Europeu. Conta com um onze repleto de estrelas já consagradas nos principais clubes da liga milionária. O técnico Lopez Caro tem à sua disposição Bojan, Raul Garcia, Asenjo, Capel e Granero prontos a repetir os feitos de 1986 e 1998. É uma equipa jovem que acenta no estilo de jogo de toque tão habitual do futebol espanhol. Com dois bons laterais ofensivos (Torres e Azpilicueta), um guarda-redes de alto nível (Asenjo) e uma linha ofensiva letal a Espanha tem claros argumentos para levar de vencida os principais rivais do grupo e ambicionar a chegar ao mais alto do pódio.
No grupo A o favoritismo está nas mãos de italianos. Os azzurrini têm um grupo complicado mas o técnico Pierluigi Casiraghi, uma velha glória, tem à sua disposição um dos conjuntos mais fortes dos últimos anos. Andreolli, Criscito, Pisano e Marzoratti no eixo defensivo, Marchisio, Dessena e Poli no meio campo e Giovinco, Paloschi e Ballotelli no ataque (com Cerci e Acquafresca como suplentes de luxo) provam que, se de individualidades falassemos, os italianos partiam com clara vantagem. Fieis ao seu estilo de jogo, os italianos esperam que o espirito letal dos dianteiros façam o serviço, mas não descuram o eixo defensivo onde se mostraram extremamente eficazes na fase de qualificação. Depois de cinco triunfos a selecção italiana quer fazer história e no encontro inaugural contra a Sérvia pode dar arranque a uma prova inesquecivel.
Como eventuais surpresas estarão sempre os onze da Alemanha, Inglaterra e Sérvia.
Os germânicos voltam à alta roda do futebol europeu em bom nível depois de várias edições onde estiveram muito além do habitual. A equipa de Hrost Hrubesch, responsável da eliminação da favorita França - a outra grande ausente do certame - tem um onze repleto de jovens estrelas da Bundesliga desejosas de dar o salto. O avançado Mark Marin, os médios Sami Khedira, Mesut Ozil e Gonzalo Castro e os defesas Matts Hummels, Daniel Schwaab e Andreas Beck são as principais figuras de uma equipa capitaneada pelo promissor guardião Michael Neuer. Apesar de não contar com triunfos nesta categoria, os alemães são rivais temiveis e os primeiros a por à prova a armada espanhola. Por sua vez os ingleses também logram voltar à ribalta depois de vários anos de baixo rendimento. A equipa do jovem Theo Wallcott (e também de Gabriel Agbonlahor, Fazier Campbell, Fabrice Muamba, James Millner, Kieran Gibbs, Michael Mancienne, Micah Richards, Joe Hart...) espera surprender e devolver à selecção da rosa um trofeu que não logra desde o longinquo ano de 1984. Por fim há a equipa Sérvia repleta de jovens promessas mas que tem sempre certa dificuldade em funcionar como colectivo. Os Sulejmani, Tomic, Tadic, Tosic, Obradovic e companhia são referências entre as jovens promessas da Europa mas para vencer a este nível é preciso algo mais.

Finlândia e Bielorrussia foram as surpresas agradáveis da fase de qualificação mas ninguém esperam que tenham capacidade de bater as grandes potências europeias. Os primeiros tem um estilo de jogo claramente nórdico e acentam todo a condução de jogo no futebol de Tim Sparv, enquanto que os bielorrussos são cada vez mais uma formação a ter em conta no futebol de leste e Sergey Krivets é um nome a sublinhar a marcador vermelho. Que o diga a Turquia.
A prova arranca hoje com um Inglaterra-Finlândia em Halmstad e prolonga-se até ao próximo dia 29, data em que Estocolmo recebe a final e coroará o novo rei do futebol de formação europeu.