Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

Chega ao fim o ciclo de Mourinho no Real Madrid. A partir de agora o treinador português contará os dias para o final do seu mandato como um miudo conta os dias que faltam para acabar o ano lectivo. Com ansiedade. O sadino poderia ter feito da sua estadia na capital espanhola um êxito a todos os níveis, algo sem precedentes na memória de um clube que vive de e para a história. Em vez disso sai como o destruidor de uma herança única e como o mais directo responsável do seu próprio fim, dentro e fora do campo.

 

Não é preciso a imprensa espanhola avançar com o divórcio entre Florentino Perez e José Mourinho para saber-se que esta história tinha um final previsível. Nem que seja pelo próprio historial de técnico e presidente, dois homens que lidam muito mal com relações duradouras num universo onde tudo muda talvez demasiado depressa. Fizeram um esforço, mais a figura presidencial do que o técnico, para coabitar por um objectivo comum. Quando o individual se sobrepôs ao colectivo, o divórcio tornou-se tristemente inevitável.

Mourinho sai de Madrid da pior forma possível. Sai como um huno, como o destruidor de uma imagem que a imprensa espanhola reverenciou durante a sua carreira em Inglaterra e em Itália, tratando-o como ele gosta de ser tratado, o eleito. A imagem de um grupo de adeptos entregados, de um plantel que soube por de parte as suas diferenças para remar em conjunto. Tudo isso o português teve nas mãos. Tudo isso deitou a perder. Por culpa própria.

Na historial do Real Madrid a figura do treinador nunca existiu. Ninguém se lembra dos nomes dos técnicos que venceram as seis primeiras Taças dos Campeões Europeus (Villalonga e Muñoz) mas todos sabem a equipa titular de memória. Figuras como Benhaker, Capello, Heynckhes, Del Bosque ou Schuster foram tratados abaixo de cão por dirigentes, imprensa e adeptos mesmo quando os triunfos surgiam. Em troca, os jogadores eram reverenciados e idolatrados, nos momentos altos e baixos. Mourinho mudou isso. Foi o único homem que se tornou protagonista na história clube não desde o palco, não desde o relvado, mas no banco.

Centrou à sua volta o organigrama do clube, despediu e contratou quem quis, transformou o presidente num holograma vazio e oco, e auto-proclamou-se Deus e Senhor, o único capaz de derrotar o infiel, o demónio. O homem que ocupava os pesadelos dos adeptos merengues, um tal Guardiola.

Nessa cruzada santa, o maniqueísmo tornou-se fundamental. O contra mim ou por mim tornou-se santo e senha. Saíram Valdano, saíram ajudantes, saíram médicos, saíram cozinheiros. Os adeptos, fartos da hegemonia do eterno rival, entregaram-se de coração e perdoaram tudo. A goleada por 5-0 no Camp Nou, a primeira liga perdida antes do tempo, as duas semi-finais da Champions League (entre erros arbitrais, azar e um péssimo planeamento táctico) em troca de um mísero espólio. Uma Supertaça, uma Copa del Rey e uma Liga.

Contra a maior equipa de sempre, diziam, era muito, era inaudito. Uma equipa com um orçamento inferior, uma equipa que nos doze confrontos directos só perdeu duas vezes. Uma equipa que a história aprendera a amar pelo futebol, mais que pelo extra. Mas os titulos avalavam a sua gestão. Mourinho foi perdendo tudo o que ganhou porque nunca soube comportar-se como um cavalheiro do futebol. Foi um rufia, um hooligan. As conferências de imprensa, um insulto constante a quem não o apoiava, utilizando o exemplo da vergonhosa imprensa catalã. Para ele o jornalismo militante devia ser obrigatório, mas só vale quando a seu favor. Contra os rivais faltou repetidas vezes, desde treinadores de pequeno perfil mas grande coração como Manuel Preciado a rivais directos. E o dedo no olho foi o culminar da sua atitude de rufia de bairro, espelho de uma gestão autodestrutiva na essência. Ao menos se no campo o futebol falasse mais alto...

 

Futebolisticamente o que tem sido a equipa de José Mourinho em dois anos e meio de gestão desportiva?

Mourinho fez-se notar em Leiria e no FC Porto com equipas ofensivas, atrevidas, um 4-3-3 ousado, rápido, directo e com o pressing como principal arma. Em Londres mutou para um 4-4-2 mais conservador que logo se transformou entre 4-2-3-1 e 4-3-2-1 na sua passagem por Itália. Quando chegou a Espanha, havia muito pouco do técnico original e muito do cinismo do homem que vergou Itália. Incapaz de dar minutos a todos os homens do ataque com medo a perder o equilíbrio defensivo, condenou Benzema e Higuian a uma guerra fratricida. Fez de Xabi Alonso o pau para toda a obra, destroçando-o fisicamente. Não abdicou nunca de um médio mais defensivo, mais fisico, obrigando a uma rotação excessiva entre dois postos do ataque porque Cristiano Ronaldo, já se sabe, jogava todo e qualquer minuto disponível.

Entregou-se a Jorge Mendes e permitiu que este triplicasse o número de jogadores que tinha no balneário, triplicando assim a sua influência. Permitiu a formação de clãs entre jogadores para aumentar a competitividade, tudo à base do confronto, do desgaste, do ódio disfarçado. Desafiou os homens da casa a vergarem-se ao seu domínio e quando estes preferiram a amizade dos colegas de selecção do outro bando, nunca mais lhes perdoou a traição. 

Em campo a equipa perdia-se sem um fio de jogo, apostando sobretudo na brutalidade do seu arsenal ofensivo e na eficácia goleadora crescente de Cristiano Ronaldo, que sob o seu comando bateu o seu próprio recorde de golos em dois anos. Mas não conseguiu criar uma escola de jogo, não conseguiu definir padrões de comportamento para além dos rápidos contra-golpes e do jogo directo de Pepe e Alonso pelo ar para as costas dos rivais onde a máxima qualidade dos avançados fazia a diferença. Nos duelos europeus e contra o eterno rival recuava linhas, predominava o trabalho defensivo e até hoje ficamos sem ver um só desses jogos épicos que definem a história de uma equipa.

A saída de Guardiola, em parte provocada pelo desgaste mental que suponha a guerra do gato e do rato com Mourinho fora dos relvados, mudou tudo. Acabou a cruzada santa, a vitória parecia ser sua por desistência do contrário. Aí Mourinho decidiu o seu futuro, longe de Madrid.

As condições que tinha permitiam-lhe tornar-se no Manager do clube para a próxima década, o Ferguson da Casa Blanca.

Mas o seu egocentrismo, o seu espírito auto-destructivo foi mais forte. Criou guerras com tudo e com todos. Como fraco abusou da sua força contra os mais débeis e calou-se contra os mais fortes. Minou o trabalho da formação - algo que na sua carreira nunca está nas suas prioridades - acusou a imprensa, um sector de adeptos e a própria directiva. Publicamente dividiu o balneário com o seu apoio directo a Cristiano Ronaldo na luta pelo Ballon D´Or e pelo segundo ano consecutivo o dinheiro investido não resultou em nada beneficioso para o jogo da equipa. No campo o futebol nunca esteve presente e os resultados, desta vez, deixaram de o acompanhar. Teve um arranque de época similar ao da sua quarta época com o Chelsea. Mas a indemnização de despedimento é bem maior e o sonho da Décima ainda acalenta os corações de muitos adeptos e directivos. Com ela, Mourinho poderá ainda tentar sair como um herói, sem ela acabará da pior forma um mandato curto e aos anais da história insignificante.

 

José Mourinho é um dos grandes treinadores da história e tem um curriculum imaculado. Mas também tem um grave problema de personalidade, um culto do ego que relembra em muito Helenio Herrera. O fim de ambos tem semelhanças evidentes. O desgaste do balneário, o titubear da relação com os outrora apóstolos da imprensa, público e directiva e a ausência de resultados. O seu arqui-rival, de ontem, de hoje e de sempre, saiu num ano de derrotas mas com uma aura de vencedor. Mourinho pode acabar o seu mandato em Madrid com títulos, principalmente nas competições a eliminar, mas deixará sempre atrás de si uma sombra de perdedor, de um homem que se perdeu a si mesmo e consigo a possibilidade de transformar o Real Madrid num clube diferente, longe da gaiola de prima-donas em que sempre viveu.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 14:30 | link do post | comentar

47 comentários:
De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 19:30
Francisco,

Obrigado pela visita, pelo comentário e pelas amáveis palavras.

Não concordo com a marca própria. O Chelsea venceu a Champions League em 2012, seis anos depois da sua saída, a jogar ainda com a sua marca. O Inter não encontra um treinador que entenda a sua marca. Mourinho deixa uma marca muito profunda no balneário, nos adeptos e no modelo de jogo. Outra coisa é que siga uma corrente de pensamento colectiva identificável.

O Barcelona de Guardiola não inventou nada, renovou pura e simplesmente um modelo que remonta aos anos 20. É um modelo que aparece em muitos momentos da história sempre com brilhantes e que vai evoluindo naturalmente. Mourinho dá uma abordagem mais pragmática ao modelo de jogo, parte de uma equação para vencer, sem que signifique com isso que vai criar uma escola táctica de futuro porque absorve conceitos distintos.

O problema em Madrid é que não conseguiu aplicar nenhum desses fundamentos. O seu 4-2-3-1 é o mais simples conceito táctico da sua carreira, a sua relação com o balneário não tem o mesmo espirito colectivo de pertença que tinha em Londres, Porto e Milão e no final é o poderio individual que tem resolvido os problemas do Real Madrid. Quando ele falha (os pontos que o Real perdeu equivalem quase ao número de golos que Ronaldo não tem, em comparação com o ano passado) há poucas alternativas tácticas.

Isso deve-se sobretudo a uma questão: o medo!
Mourinho aprendeu com o 5-0 no Camp Nou a cor do medo e não a esqueceu. Perdeu o arrojo, perdeu a inovação e passou a ser um treinador reactivo e nunca proactivo. O seu modelo com o Chelsea e Inter podia não ser agradável ao olho mas condicionava o jogo dos rivais. No jogo da 1º mão contra o Barcelona, em 2010, jogou exactamente como sempre, e forçou o Barcelona a adaptar-se ao seu 4-3-1-2 em vez de ser o contrário. Agora é incapaz de o fazer mesmo quando está numa posição de vantagem, como aconteceu na Supertaça ou no jogo para o campeonato, duas oportunidades únicas que teve de matar o Barcelona e o deixou escapar com vida.

Creio que o que peca neste Real Madrid é que continua a ser uma colagem de individualidades antes que um colectivo e quando assim é o papel do treinador é sempre irrelevante.

um abraço


De Francisco Oliveira a 6 de Dezembro de 2012 às 13:12
Caro Miguel

Novamente deixo aqui bem patente a tua clareza de raciocínio crítico. Depreende-se pelas tuas frases que estás bem informado, preparado e que reflectes sobre os assuntos que opinas e debates.

No entanto, não estou de acordo com a tal "marca" Mourinho que referiste que é mais um egocentrismo do próprio (apesar de vencer e ter mérito como referi), mas não é uma "marca" ou se quisermos um modelo a seguir para ficar na história, como os exemplos que eu referi (Ajax, Barcelona, etc).

O facto é que o seu futebol é, salvo várias excepções, pouco entusiasmante, muito previsível e nada estético e por isso não ficará, a meu ver, tão vinacado como o actual Barcelona (ou melhor ainda o de Guardiola).

É verdade e tens razão que a filosofia barcelonista sempre almejou ao que actualmente é o futebol do Barcelona, no entanto e apesar do só ter ganho uma Liga dos Campeões, nunca vi nada igual ao Barcelona de Guardiola. E não digo isto por facciosismo, mas pelar pura "arte" do futebol à sua mais elevada potência quando tens intervenientes da classe do actual Barcelona que irá brevemente virar a página e perder a hegemonia. É que Messis, Iniestas, Xavis e Busquets não surgem todos as décadas.

Para mim o futebol mais sublime que já com lances que até me emocionam de tanto regozijo.

Abraço e continua
Francisco


De JV a 6 de Dezembro de 2012 às 14:40
Francisco,

Completamente de acordo. Permita-me só corrigi-lo: Guardiola ganhou nos 4 anos como treinador da equipa principal 2 Ligas dos Campeõs (e não uma, como disse), e nas outras duas edições perdeu nas meias-finais da forma como se viu contra o Chelsea e o Inter de Milão.
Mas tal como disse, mais do que os 14 títulos em 17 possíveis ganhos por Guardiola, o maior troféu desta época dourada foi a transformação do futebol em autêntica Arte em movimento.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 16:27
JV,

Há duas expressões que me surpreendem no raciocinio:

"da forma como se viu" e "arte em movimento", como se o futebol arte nunca tivesse existido (existe desde os anos 30) e outros modelos tácticos não tivessem validade ;-)!


De João Varela a 6 de Dezembro de 2012 às 17:17
É claro que os outros sistemas também são válidos no entanto não lhes consigo ter o mesmo respeito e valorizar da mesma forma. No entanto o sistema do Chelsea na primeira mão de válido não tem nada!! Fosse a eficácia catalã a mesma que é habitualmente, nessa noite o Chelsea tinha sido goleado, tão grande foi a quantidade de oportunidades flagrantes para marcar golo que teve o Barcelona. Por isso, e mesmo tendo passado a eliminatória, aquele sistema não impediu de fazer o jogo que o barça normalmente faz. Não fosse a ajuda “Divina” (leia-se grande defesas de Peter Cech e os falhanços incríveis dos jogadores blaugrana), o Chelsea tinha sido eliminado com toda a normalidade. Isto ainda se torna mais inaceitável quando se trata de uma equipa na qual foram investidos milhões e milhões de euros em jogadores de topo. Peço desculpa, mas enquanto amante do futebol-espéctaulo essas equipas não merecem qualquer respeito, e felizmente não vão ficar marcadas na História do Jogo.

Em relação à outra expressão que o “surpreendeu”, a mim surpreende-me a sua surpresa. Acho que não é crime nenhum o que um “gaiato” com 21 anos como eu escreveu, quando já várias lendas do futebol mundial afirmaram que este Barcelona é a melhor equipa da História, e elevou o futebol a outro nível.

Penso por isso que o que disse não está assim tão errado.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 19:02
João,

Apesar de eu não gostar de fazer comparações entre eras que são, na sua essência, incomparáveis, é absolutamente inequivoco que este Barça está seguramente entre as grandes equipas da história, equipas que definem eras. Mas não foi isso que me surpreendeu. O que me surpreendeu foi a ideia que alguém pode pensar que o futebol arte nasceu agora. Actualmente vive um dos seus expoentes máximos mas nunca um dos seus expoentes exclusivos.

Quanto à primeira questão, a mim o que me custa é entender que se valorizem sistemas e modelos com diferentes varas de medir. Para mim todos são válidos e espectaculares, dentro da sua natureza, especialmente quando são aplicados de forma perfeita como sucedeu com o Barcelona-Inter em 2010 e com o Barcelona-Chelsea em 2012. No caso do jogo de Stanford Bridge houve muito maior vector sorte do que na segunda mão, mas a eficácia é uma das prerrogativas do sucesso, sempre foi e sempre será assim.

Não gosto do argumento de que a equipa A ou B vai ou não vai ficar na história porque não é verdade. Depende é de quem estuda a história, do quão longe se vai e do que se quer saber. No Football for Dummies talvez a recopilação seja mais limitada, mas quem estudo o futebol como fenómeno sabe que o Grande Inter de Herrera vale tanto como o Milan de Sacchi.


De Francisco Oliveira a 6 de Dezembro de 2012 às 22:29
Caro Miguel

É evidente que existem várias "escolas" ou talvez "correntes" futebolísticas, como aquelas que referiste, nomeadamente a centro-europeia, eu incluiria uma muito popular e na origem do futebol, a britânica (kick and rush), o aparecimento da escola sul-americana, potenciada por grandes selecções brasileiras de jogo apoiado, passe curto e drible imprevisível, o "catenaccio" da "squadra azzurra" que porém foi inventado por um austríaco, Karl Rappan, que o colocou em prática aquando da sua passagem pela selecção helvética, podemos referir muitas outras escolas e correntes, desde a holandesa, até ao futebol muito peculiar dos africanos, cujo exemplo máximo talvez tenha sido a selecção representativa da Nigéria no Mundial dos EUA, em 1994.

Todavia e passando a citar-te "marcas no futebol há várias" se te referes a escolas, correntes concordo, no entanto equipas marcantes como esta do Barcelona, nunca houve. Podemos falar de equipas que também marcaram épocas, como o Inter de Herrera de acordo, agora há uma diferença perante uma equipa marcante e a praticar um futebol nunca antes visto como o Ajax do início de 70, acho aqui uma diferença substancial. Quem terá tido mais admiradores? O Inter de Herrera ou o Ajax de Cruiff?

Por outro lado, deixa-me dizer-te que nunca antes o jogo esteve tão avançado. É que repara tens hoje um conjunto de técnicos super bem preparados, com conhecimentos científicos e tecnológicos que em muito contribuem para o desenvolvimento da modalidade e que a trouxeram para patamares nunca antes vistos.
Os jogadores hoje estão muito melhor preparados para o jogo. Houve como que uma evolução genética, passe a expressão, no futebol e isto trouxe jogadores super rápidos, não só a nível motor, como também ao nível da decisão. E depois a uma série de outras coisas a nutrição, o material, o conhecimento, etc.
É um pouco como ultrapassar barreiras e recordes, como no olimpismo: citius, fortius, altius.

Sem desvalorizar os grandes jogadores do antigamente e que sejam abençoados pelos lances magistrais que nos deixaram naquela época, só que, não é comparável. Somos melhores hoje e teremos um futebol melhor amanhã.

Abraço
Francisco


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 22:41
Francisco,

Sim, no futebol, como em tudo, a evolução está presente e o que se consegue hoje é radicalmente diferente do que se conseguia no passado. Por isso sou radicalmente contra falar em melhor de sempre. Isso não existe, a evolução histórica garante que o recente terá sempre condições de ser melhor. Mas por isso não se podem criar comparações entre eras e realidades tão distintas quando tudo, até as leis do jogo, mudaram.

Continuo a achar que houve muitas, mas muitas equipas marcantes na história do futebol, tão marcantes quanto este Barcelona. O que nunca houve tanto foi o impacto mediático e global. Vivemos na era do mediatismo, do imediatismo, das redes sociais, onde tudo é urgente e magnificado. O genial trabalho desenvolvido na última década no Barça não é radicalmente diferente do Real dos anos 50, do Milan de Sacchi, do Ajax de Michels, do Liverpool de Shankly-Paisley, das equipas centro-europeias dos anos 30, 40 e 50. É sim, mediaticamente mais reconhecido.

Quanto a comparações entre o Inter e o Ajax, sem dúvida que o Ajax tem mais admiradores, porque é sempre mais fácil admirar o mais atractivo. Uma boa actriz que também é muito bonita será sempre mais admirada que uma boa actriz não tão bonita. Um bom carro menos estético será sempre desvalorizado em relação a um carro com um design espantoso. Na vida, em todos os aspectos, somos escravos dos sentidos e essas equipas apelam mais aos sentidos e por isso conquistam o apoio do público. Mas isso nunca significa que sejam melhores ;-)!


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 14:56
Só uma pequena correcção: Guardiola ganhou 2 Champions e esteve 4 vezes nas meias-finais.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:32
E eu a este ciclo junto sempre o sucesso de Rijkaard porque ele é o verdadeiro iniciador desta tendência, aproveitando sobretudo o trabalho de base de Van Gaal.

Guardiola foi um génio na sua gestão, mas salvo Pedro e Busquets, herdou um plantel já de si fabuloso!


De JV a 6 de Dezembro de 2012 às 16:16
Miguel, é óbvio que alguns dos mecanismos são semlhantes ao usados por Rijkaard, mas com Guardiola há sem dúvida uma transição dentro do projecto de continuidade do Clube. A dispensa de Ronaldinho e Deco na altura em que eram os jogadores mais evoluidos do plantel naquela altura são a primiera grande prova da era de Guardiola. Não acredito que muitos (para não dizer nenhum!) treinadores apenas com um ano de experiência e apenas na 3º divisão do futebol espanhol, chegassem -à principal equipa do Barcelona e dispenssassem os maiores cracks do plantel.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 16:31
JV,

Ronaldinho e Deco estavam nos planos iniciais de Guardiola, foi a sua vida fora dos terrenos de jogo que os mandou para outras paragens não a sua qualidade no terreno de jogo. Na biografia do Pep, escrita pelo Guillaume Ballagué, ficou claro que Guardiola chamou os dois com a ideia de contar com eles (como com Etoo), mas só a atitude do último lhe deu alguma margem de manobra para mantê-lo integrado no plantel apesar da falta de feeling.
No fundo não foi ele quem dispensou Ronaldinho e Deco, foi o clube, algo que já estava pensado ainda antes de se anunciar que ele era o novo treinador. Laporta já o deixou bem claro por diversas vezes.

O jogo de Rijkaard era mais directo porque apostava mais na figura de um avançado puro (como sucedeu durante quase todo o 08-09) e mais musculado no miolo, mas a filosofia de jogo de posse, toque e pressão era similar. Guardiola trocou o músculo (Marquez, Edmilson, Deco) pelo toque curto e pressão alta (Iniesta, Xavi, Busquets) e explorou o jogo dos laterais, com a incorporação de Dani Alves que já estava contratado num meio-campo efectivamente de 4 homens. A linha ofensiva de Roma (Henry-Etoo-Messi) era em tudo igual à de Rijkaard, salvo Ronaldinho, por exemplo.

Guardiola é um génio, disso não creio que exista qualquer dúvida, e não precisa de fazer mais nada para garantir o seu lugar na história. Mas não trabalhou desde zero, teve um background muito potente e aproveitou-se, e muito bem dele.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:29
Francisco,

Não posso estar de acordo. Marcas no futebol há várias mas há uma que sempre foi, desde a raiz, a mais popular: a escola centro-europeia.

Essa escola passou para o Brasil e Argentina, ajudou a potenciar o futebol do Danubio, do Wunderteam aos Magicos Magiares, e transformou-se no Futebol Total de que a escola blaugrana é sucessora. É portanto uma marca de quase 100 anos que sempre esteve aí e sempre teve o seu core de adeptos.

Depois há outras marcas, menos populares, como podem ser o jogo directo inglês, o catenaccio italiano, o jogo de pressão soviético, o 3-5-2 sul-americano ou o jogo táctico de treinadores como Mourinho. São marcas próprias, que seguiram a sua evolução na história do jogo por outros caminhos mas não são menos válidas por isso. Para o espectáculo é natural que o adepto neutro se sinta mais identificado com elas, mas isso não significa que sejam a verdade absoluta do futebol.

E mesmo o próprio Barcelona mudou muito desde a chegada de Michels a Guardiola e durante muitos anos o estilo de toque actual era assobiado no Camp Nou, que lhe preguntem a tipos como Xavi ou Iniesta, que antes da chegada de Guardiola eram altamente criticados pela inconsequência do seu jogo. O mérito foi aliar o modelo ás vitórias, nada mais. Se os resultados desaparecerem, como sucedeu no final da era van Gaal ou Rijkaard, quem diz que os que hoje são promessas do futuro não serão assobiados e forçados a jogar a outra coisa no futuro?

um abraço


Comentar post

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Ultimas Actualizações

Toni Kroos, el Maestro In...

Portugal, começar de novo...

O circo português

Porta de entrada a outro ...

Os génios malditos alemãe...

Últimos Comentários
Thank you for some other informative web site. Whe...
Só espero que os Merengues consigam levar a melhor...
O Universo do Desporto é um projeto com quase cinc...
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
Posts mais comentados
69 comentários
64 comentários
47 comentários
arquivos

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

.Em Destaque


UEFA Champions League

UEFA Europe League

Liga Sagres

Premier League

La Liga

Serie A

Bundesliga

Ligue 1
.Do Autor
Cinema
.Blogs Futebol
4-4-2
4-3-3
Brigada Azul
Busca Talentos
Catenaccio
Descubre Promesas
Desporto e Lazer Online
El Enganche
El Fichaje Estrella
Finta e Remate
Futebol Artte
Futebolar
Futebolês
Futebol Finance
Futebol PT
Futebol Total
Jogo de Área
Jogo Directo
Las Claves de Johan Cruyff
Lateral Esquerdo
Livre Indirecto
Ojeador Internacional
Olheiros.net
Olheiros Ao Serviço
O Mais Credível
Perlas del Futbol
Planeta de Futebol
Portistas de Bancada
Porto em Formação
Primeiro Toque
Reflexão Portista
Relvado
Treinador de Futebol
Ze do Boné
Zero Zero

Outros Blogs...

A Flauta Mágica
A Cidade Surpreendente
Avesso dos Ponteiros
Despertar da Mente
E Deus Criou a Mulher
Renovar o Porto
My SenSeS
.Futebol Nacional

ORGANISMOS
Federeção Portuguesa Futebol
APAF
ANTF
Sindicato Jogadores

CLUBES
Futebol Clube do Porto
Sporting CP
SL Benfica
SC Braga
Nacional Madeira
Maritimo SC
Vitória SC
Leixões
Vitoria Setúbal
Paços de Ferreira
União de Leiria
Olhanense
Académica Coimbra
Belenenses
Naval 1 de Maio
Rio Ave
.Imprensa

IMPRENSA PORTUGUESA DESPORTIVA
O Jogo
A Bola
Record
Infordesporto
Mais Futebol

IMPRENSA PORTUGUESA GENERALISTA
Publico
Jornal de Noticias
Diario de Noticias

TV PORTUGUESA
RTP
SIC
TVI
Sport TV
Golo TV

RADIOS PORTUGUESAS
TSF
Rádio Renascença
Antena 1


INGLATERRA
Times
Evening Standard
World Soccer
BBC
Sky News
ITV
Manchester United Live Stream

FRANÇA
France Football
Onze
L´Equipe
Le Monde
Liberation

ITALIA
Gazzeta dello Sport
Corriere dello Sport

ESPANHA
Marca
As
Mundo Deportivo
Sport
El Mundo
El Pais
La Vanguardia
Don Balon

ALEMANHA
Kicker

BRASIL
Globo
Gazeta Esportiva
Categorias

a gloriosa era dos managers

a historia dos mundiais

adeptos

africa

alemanha

america do sul

analise

argentina

artistas

balon d´or

barcelona

bayern munchen

biografias

bota de ouro

braga

brasileirão

bundesliga

calcio

can

champions league

colaboraçoes

copa america

corrupção

curiosidades

defesas

dinamarca

economia

em jogo

entrevistas

equipamentos

eredevise

espanha

euro 2008

euro 2012

euro sub21

euro2016

europe league

europeus

extremos

fc porto

fifa

fifa award

finanças

formação

futebol internacional

futebol magazine

futebol nacional

futebol portugues

goleadores

guarda-redes

historia

historicos

jovens promessas

la liga

liga belga

liga escocesa

liga espanhola

liga europa

liga sagres

liga ucraniana

liga vitalis

ligas europeias

ligue 1

livros

manchester united

medios

mercado

mundiais

mundial 2010

mundial 2014

mundial 2018/2022

mundial de clubes

mundial sub-20

noites europeias

nostalgia

obituário

onze do ano

opinião

polemica

politica

portugal

premier league

premios

real madrid

santuários

seleção

selecções

serie a

sl benfica

sociedade

south africa stop

sporting

taça confederações

taça portugal

taça uefa

tactica

treinadores

treino

ucrania

uefa

todas as tags

subscrever feeds