Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

Chega ao fim o ciclo de Mourinho no Real Madrid. A partir de agora o treinador português contará os dias para o final do seu mandato como um miudo conta os dias que faltam para acabar o ano lectivo. Com ansiedade. O sadino poderia ter feito da sua estadia na capital espanhola um êxito a todos os níveis, algo sem precedentes na memória de um clube que vive de e para a história. Em vez disso sai como o destruidor de uma herança única e como o mais directo responsável do seu próprio fim, dentro e fora do campo.

 

Não é preciso a imprensa espanhola avançar com o divórcio entre Florentino Perez e José Mourinho para saber-se que esta história tinha um final previsível. Nem que seja pelo próprio historial de técnico e presidente, dois homens que lidam muito mal com relações duradouras num universo onde tudo muda talvez demasiado depressa. Fizeram um esforço, mais a figura presidencial do que o técnico, para coabitar por um objectivo comum. Quando o individual se sobrepôs ao colectivo, o divórcio tornou-se tristemente inevitável.

Mourinho sai de Madrid da pior forma possível. Sai como um huno, como o destruidor de uma imagem que a imprensa espanhola reverenciou durante a sua carreira em Inglaterra e em Itália, tratando-o como ele gosta de ser tratado, o eleito. A imagem de um grupo de adeptos entregados, de um plantel que soube por de parte as suas diferenças para remar em conjunto. Tudo isso o português teve nas mãos. Tudo isso deitou a perder. Por culpa própria.

Na historial do Real Madrid a figura do treinador nunca existiu. Ninguém se lembra dos nomes dos técnicos que venceram as seis primeiras Taças dos Campeões Europeus (Villalonga e Muñoz) mas todos sabem a equipa titular de memória. Figuras como Benhaker, Capello, Heynckhes, Del Bosque ou Schuster foram tratados abaixo de cão por dirigentes, imprensa e adeptos mesmo quando os triunfos surgiam. Em troca, os jogadores eram reverenciados e idolatrados, nos momentos altos e baixos. Mourinho mudou isso. Foi o único homem que se tornou protagonista na história clube não desde o palco, não desde o relvado, mas no banco.

Centrou à sua volta o organigrama do clube, despediu e contratou quem quis, transformou o presidente num holograma vazio e oco, e auto-proclamou-se Deus e Senhor, o único capaz de derrotar o infiel, o demónio. O homem que ocupava os pesadelos dos adeptos merengues, um tal Guardiola.

Nessa cruzada santa, o maniqueísmo tornou-se fundamental. O contra mim ou por mim tornou-se santo e senha. Saíram Valdano, saíram ajudantes, saíram médicos, saíram cozinheiros. Os adeptos, fartos da hegemonia do eterno rival, entregaram-se de coração e perdoaram tudo. A goleada por 5-0 no Camp Nou, a primeira liga perdida antes do tempo, as duas semi-finais da Champions League (entre erros arbitrais, azar e um péssimo planeamento táctico) em troca de um mísero espólio. Uma Supertaça, uma Copa del Rey e uma Liga.

Contra a maior equipa de sempre, diziam, era muito, era inaudito. Uma equipa com um orçamento inferior, uma equipa que nos doze confrontos directos só perdeu duas vezes. Uma equipa que a história aprendera a amar pelo futebol, mais que pelo extra. Mas os titulos avalavam a sua gestão. Mourinho foi perdendo tudo o que ganhou porque nunca soube comportar-se como um cavalheiro do futebol. Foi um rufia, um hooligan. As conferências de imprensa, um insulto constante a quem não o apoiava, utilizando o exemplo da vergonhosa imprensa catalã. Para ele o jornalismo militante devia ser obrigatório, mas só vale quando a seu favor. Contra os rivais faltou repetidas vezes, desde treinadores de pequeno perfil mas grande coração como Manuel Preciado a rivais directos. E o dedo no olho foi o culminar da sua atitude de rufia de bairro, espelho de uma gestão autodestrutiva na essência. Ao menos se no campo o futebol falasse mais alto...

 

Futebolisticamente o que tem sido a equipa de José Mourinho em dois anos e meio de gestão desportiva?

Mourinho fez-se notar em Leiria e no FC Porto com equipas ofensivas, atrevidas, um 4-3-3 ousado, rápido, directo e com o pressing como principal arma. Em Londres mutou para um 4-4-2 mais conservador que logo se transformou entre 4-2-3-1 e 4-3-2-1 na sua passagem por Itália. Quando chegou a Espanha, havia muito pouco do técnico original e muito do cinismo do homem que vergou Itália. Incapaz de dar minutos a todos os homens do ataque com medo a perder o equilíbrio defensivo, condenou Benzema e Higuian a uma guerra fratricida. Fez de Xabi Alonso o pau para toda a obra, destroçando-o fisicamente. Não abdicou nunca de um médio mais defensivo, mais fisico, obrigando a uma rotação excessiva entre dois postos do ataque porque Cristiano Ronaldo, já se sabe, jogava todo e qualquer minuto disponível.

Entregou-se a Jorge Mendes e permitiu que este triplicasse o número de jogadores que tinha no balneário, triplicando assim a sua influência. Permitiu a formação de clãs entre jogadores para aumentar a competitividade, tudo à base do confronto, do desgaste, do ódio disfarçado. Desafiou os homens da casa a vergarem-se ao seu domínio e quando estes preferiram a amizade dos colegas de selecção do outro bando, nunca mais lhes perdoou a traição. 

Em campo a equipa perdia-se sem um fio de jogo, apostando sobretudo na brutalidade do seu arsenal ofensivo e na eficácia goleadora crescente de Cristiano Ronaldo, que sob o seu comando bateu o seu próprio recorde de golos em dois anos. Mas não conseguiu criar uma escola de jogo, não conseguiu definir padrões de comportamento para além dos rápidos contra-golpes e do jogo directo de Pepe e Alonso pelo ar para as costas dos rivais onde a máxima qualidade dos avançados fazia a diferença. Nos duelos europeus e contra o eterno rival recuava linhas, predominava o trabalho defensivo e até hoje ficamos sem ver um só desses jogos épicos que definem a história de uma equipa.

A saída de Guardiola, em parte provocada pelo desgaste mental que suponha a guerra do gato e do rato com Mourinho fora dos relvados, mudou tudo. Acabou a cruzada santa, a vitória parecia ser sua por desistência do contrário. Aí Mourinho decidiu o seu futuro, longe de Madrid.

As condições que tinha permitiam-lhe tornar-se no Manager do clube para a próxima década, o Ferguson da Casa Blanca.

Mas o seu egocentrismo, o seu espírito auto-destructivo foi mais forte. Criou guerras com tudo e com todos. Como fraco abusou da sua força contra os mais débeis e calou-se contra os mais fortes. Minou o trabalho da formação - algo que na sua carreira nunca está nas suas prioridades - acusou a imprensa, um sector de adeptos e a própria directiva. Publicamente dividiu o balneário com o seu apoio directo a Cristiano Ronaldo na luta pelo Ballon D´Or e pelo segundo ano consecutivo o dinheiro investido não resultou em nada beneficioso para o jogo da equipa. No campo o futebol nunca esteve presente e os resultados, desta vez, deixaram de o acompanhar. Teve um arranque de época similar ao da sua quarta época com o Chelsea. Mas a indemnização de despedimento é bem maior e o sonho da Décima ainda acalenta os corações de muitos adeptos e directivos. Com ela, Mourinho poderá ainda tentar sair como um herói, sem ela acabará da pior forma um mandato curto e aos anais da história insignificante.

 

José Mourinho é um dos grandes treinadores da história e tem um curriculum imaculado. Mas também tem um grave problema de personalidade, um culto do ego que relembra em muito Helenio Herrera. O fim de ambos tem semelhanças evidentes. O desgaste do balneário, o titubear da relação com os outrora apóstolos da imprensa, público e directiva e a ausência de resultados. O seu arqui-rival, de ontem, de hoje e de sempre, saiu num ano de derrotas mas com uma aura de vencedor. Mourinho pode acabar o seu mandato em Madrid com títulos, principalmente nas competições a eliminar, mas deixará sempre atrás de si uma sombra de perdedor, de um homem que se perdeu a si mesmo e consigo a possibilidade de transformar o Real Madrid num clube diferente, longe da gaiola de prima-donas em que sempre viveu.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 14:30 | link do post

De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 14:52
Fico satisfeito por ter mudado um pouco a sua opinião do passado principalmente no que toca a isto:

"Nos duelos europeus e contra o eterno rival recuava linhas, predominava o trabalho defensivo e até hoje ficamos sem ver um só desses jogos épicos que definem a história de uma equipa."

Mourinho arranjou maneira de ganhar um campeonato (com muito escândalo arbitral à mistura, esperas a árbitros, etc), mas nunca conseguiu ganhar o respeito dos adeptos.
O Barça que perdeu o título no ano passado saiu em glória, Guardiola foi aplaudido na sua saída, a perda do campeonato e da Champions não fez esquecer o brilhantismo das exibições.
Já Mourinho, mesmo em jogos em que goleava chegava a ser assobiado. Era futebol viril, mesmo violento, pontapé para a frente e Ozil e Cristiano que decidam.
Agora sem a motivação extra de derrotar o campeão a equipa não sabe o que fazer em campo. Chega a ser deprimente a falta de ideias duma equipa que tem um ex-bola de ouro no banco. Aliás é deprimente ver que Mourinho nunca conseguiu integrar Kaká na equipa mesmo ele jogando bem sempre que é titular.

Vai para Inglaterra agora, onde as tácticas são muito mais rudimentares e onde terá certamente no Chelsea ou City muitos milhões para gastar e continuar a acumular títulos. Porque a carreira dele é essa, ganhar títulos, custe o que custar! O que fica depois do clube a ele não lhe interessa.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 15:03
DC,

Não mudei de opinião.
Os meus artigos prévios sobre Mourinho assentavam, sobretudo, na minha filosofia de que todos os modelos tácticos e todos os esquemas de jogo são válidos. Todos sem excepção.
Não gosto de abordagens politicamente correctas nem de modelos mais contra modelos menos. Desfruto tanto de uma organização táctica defensiva perfeita como de uma sequência de ataque constante ou uma posse de bola eterna. A dupla exibição frente ao Barcelona, com o Inter, tão criticada, para mim demonstra o génio de um treinador e não é propriamente uma eliminatória extremamente ofensiva.

Quanto às arbitragens, nos últimos cinco anos, sem andar a contar pelos dedos, vi tantos ou mais favores arbitrais ao Barça do que ao Madrid, mesmo com Schuster e Pellegrino na equação. Continua a acreditar que Stanford Bridge 2009 e as meias-finais de 2011 são um dos capitulos negros da arbitragem da UEFA e Guardiola passou os últimos meses em Barcelona a queixar-se em excesso dos arbitros, algo que contradiz em muito o seu perfil. Não me preocupa, acho perfeitamente natural, mas não há santos e demónios no futebol.

O que sim critico a Mourinho na sua etapa do Real Madrid é, sobretudo, a sua incapacidade de criar um modelo de jogo identificável. Fê-lo no Inter e no Chelsea, e com admiradores e detractores. Em Madrid esse modelo não existe, quando ganha é por KO do ataque e quando perde é por uma desorganização táctica primária.

Não critico nem a sua versão "mercenária", porque ele é um profissional e nem todos os profissionais se movem pelos mesmos motivos nem o estilo de jogo que professa. Mas ser-se educado e respeitoso devia ser algo obrigatório a todos na vida e Mourinho disso esqueceu-se à muito tempo!

um abraço


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 15:44
Não é uma questão de validade. É uma questão do que esse modelo táctico significa para a equipa.
Mourinho ganhou um campeonato, criou algumas dificuldades ao Barcelona, mas nunca conseguiu realmente ter uma equipa. Porque defender com autocarro como já se viu com Celtic, Inter, Chelsea e Real, é muito mais fácil do que construir jogo de ataque de qualidade.
Aliás você diz tudo:
" incapacidade de criar um modelo de jogo identificável"
Quem tem que abdicar do seu futebol para vencer outra equipa nunca será verdadeiramente grande!

Já na questão das arbitragens, acho estranho continuar a falar dum jogo onde antes dos penaltis reclamados o Abidal é mal expulso, ou que se esqueça como o Inter vence o Barcelona com 2 golos irregulares e um penalti por marcar e elimina o Chelsea com 4 penaltis por marcar.
O Barça na final com o United sofre um golo fora-de-jogo 2 metros e não se veio queixar, são estilos diferentes.
Aliás eu sou portista e vi o Scholes fazer o 2-0 em Old Trafford limpinho e o Jorge Andrade ser expulso numa preciosidade. Às tantas se formos a ver como Mourinho ganhou as suas Champions teríamos muito mais para dizer do que sobre o Barça!
Quanto ao Real no campeonato, se é normal as equipas grandes serem beneficiadas, não é normal em 3 jogos haver jogadores do Real a defender bolas de golo e o árbitro ignorar, a haver jogadores do Espanyol a defender "golos" do Messi e o árbitro ignorar, a haver foras-de-jogo marcados ao Maiorca (que deram golo) bem antes do meio-campo, ou a passarem em claro inúmeras agressões de Ramos especialmente (a agressão contra o Rayo é de bradar aos céus! E por falar nisso, mais uma cuspidela e uma agressão no recente derbi, no pasa nada) mas também Pepe, Alonso ou Arbeloa.
Guardiola não se queixou de árbitros, aliás falou depois de estar a 10 pontos, quando subitamente os árbitros começaram a marcar penaltis a favor do Barça (depois de ignorarem 2 contra o Valência, 1 contra Bilbao, Sevilla, Espanyol, Málaga, etc, etc, etc) que não iam disfarçar nada do que tinha acontecido com esses penaltis.
Não falou por exemplo das esperas em parques de estacionamento que em Inglaterra por exemplo, pura e simplesmente arrasariam Mourinho...
Quanto a arbitragens o Miguel cai num erro crasso que é o de só se fiar no que vai lendo na imprensa. Mas essa imprensa, que tanto gosta de falar na meia-final com o Chelsea é mais que facciosa. Nunca vi sequer uma análise decente a esse jogo, porque dos 4 ou 5 penaltis reclamados, 1 é fora da área e 2 não são falta nenhuma. Depois a expulsão de Abidal, pura e simplesmente desapareceu dos registos... Porque jogar 70 minutos com 10 não mudaria o jogo.
Mas enfim, não vale a pena centrar esta discussão mais em arbitragens até porque o Barça continua aí a provar que o que aconteceu no ano passado foi a excepção e que só numa conjuntura muito favorável o Real (ou o Mourinho) os consegue vencer.


De JV a 5 de Dezembro de 2012 às 16:08
DC,

Completamente de acordo. São tanto os episódios de falta de respeito para com os outros e para com o próprio jogo da parte de Mourinho, que até me esquecia de muitos deles.

E volto a sublinhar o que disse em relação ao Kaká. Só um treinador com as ideias de Mourinho pode deixar um jogador daquela qualidade no banco e às vezes até mesmo fora do convocatória. Ainda que não seja o mesmo Kaká do Milan, em que apresentava uma mudança de velocidade estonteante, o brasieliro tem mais qualidade técnica e de compreensão de jogo que quase todos os jogadores do plantel blanco. Kaká podia ser muito bem o elemento central desta equipa.

Essa meia-final do Chelsea, sinceramente, até já mete nojo. Sim, é verdade que o Barcelona foi favorecido de um modo geral nesse jogo. No entanto vir sempre com essa desculpa para justificar os sucessivos sucessos do Barça nos últimos anos só dá mesmo vontade de rir...Ainda mais com o conjunto de casos que contriubuiu em muito para a conquista da última liga para o Real Madrid. Ainda assim, e como convém para a imprensa portuguesa esses mesmos casos foram ocultados como se nunca tivessem acontecido.


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 16:15
A notícia hoje da bola demonstra o facciosismo da imprensa portuguesa:
"Ronaldo supera Messi e Del Piero"

Quem ler isto pensa que Ronaldo bateu algum recorde dos 2. Mas afinal o que aconteceu foi que Ronaldo marcou 6 golos nesta Champions contra 5 do Messi QUE TEM MENOS UM JOGO!!! E vai uma aposta que se Messi marcar 2 golos a notícia "Messi supera Cristiano" não aparecerá?
E Del Piero foi ultrapassado no número de golos na Champions, mas bem lá em cima, uns 20 golos acima, está Messi...

Ou seja uma notícia a dar a entender que Ronaldo ultrapassou Messi e Del Piero num recorde conjunto afinal não quer dizer nada disso, é mau jornalismo, é jornalismo completamente ridículo e tendencioso!


Quanto a Kaká, com Ozil, Kaká e Modric Guardiola e outros como ele teriam um meio-campo de futebol fabuloso. Mourinho usa no máximo 2 de cada vez e um deles normalmente descaído numa ala...


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 19:35
DC,

Mais uma vez, dar importância à imprensa desportiva, que jamais o merece, é só o que eles querem. Fazer como se não existissem é tão saudável como um sumo de laranja diário ;-)!

Quanto ao meio-campo, não estou de acordo. O Guardiola utiliza médios de toque rápido, interiores, jogadores de associação em distâncias curtas. Kaká, Ozil e Modric são jogadores de corte diferente, mais talhados para um jogo em velocidade, não têm as caracteristicas para fazer "rondos" no miolo durante largos minutos. Procuram o espaço para os passes a rasgar e gostam de mover-se em velocidade.

O melhor Kaká, o de 2006-08, jogava como segundo avançado e especializava-se em aproveitar os lançamentos em velocidade do miolo e em lançar ele Inzaghi. O melhor Ozil, tanto no Madrid como na Alemanha, sente-se cómodo quando tem espaço para correr e jogadores a tirarem diagonais. O que ele fez no Camp Nou, para o 2º golo do Ronaldo, ou no Mundial 2010 contra a Inglaterra, explica bem isso. O Modric é distinto, um jogador que não tem uma posição fixa, mas que tem uma caracteristica: gosta de jogar com a bola em movimento nos pés. Precisa atrás de si de um jogador de recorte mais defensivo, um Xavi, para jogar em vertical. Um meio-campo com esses três nunca seria igual a um meio-campo Busquets-Iniesta-Xavi ou mesmo Xavi-Iniesta-Cesc porque as caracteristicas são relativamente diferentes.
Seria como o Barcelona utilizar um meio campo composto por Cesc-Thiago-Deulofeu, com Messi e dois extremos, sem ninguém que faça o trabalho defensivo e mantenha a posse em linhas curtas.

um abraço


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 00:24
Ozil é tal e qual Iniesta, se calhar até corre menos com bola do que ele, portanto não tenho a mínima dúvida que jogaria no esquema do Barça tranquilamente.
Kaká jogou como 2º avançado em Itália, mas tem todas as capacidades para jogar mais recuado e para render mais aí.
Modric joga onde ele quiser!

Os grandes jogadores como esses 3 jogam em qualquer esquema e 3 jogadores com esta capacidade técnica e de passe tinham claramente lugar num esquema como o do Barça.
Eu não os vi nunca a correr com bola como você diz, mas mesmo que fosse assim o Iniesta joga muitas vez numa ala, o Fabregas também, nada invalida que estes 3 jogadores jogassem um futebol curto.
Até porque a Alemanha também o joga, o Brasil também e até a Croácia.

Atrás bastaria o Xabi Alonso como médio mais recuado e Ronaldo e Benzema na frente.
Mas para isso era preciso ter coragem de assumir o jogo e arriscar um bocadinho mais, coisa que Mourinho não tem.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 00:44
DC,

Então o Real devia jogar com Alonso, Modric, Ozil, Kaká, Ronaldo, Di Maria, Benzema e Higuain para seis postos?

Parece-me excelente, devia fazê-lo em vários jogos ao longo do ano, mesmo que guardasse a opção de um médio mais recuado para dar liberdade criativa a Xabi Alonso. Em Dortmund jogou assim desde o minuto 20. Não resultou muito bem.

O problema nem sempre são os jogadores que se colocam em campo mas sim as ordens que recebem. Podemos ter uma equipa com estas individualidades e ter um jogo colectivo bastante mediocre. E é possível ter um jogo colectivo excelente com um meio campo menos apelativo. Essa é a grandeza do futebol.

O mérito do Barcelona, o imenso mérito, é que as individualidades não pisam o colectivo e o colectivo sobrevive para lá das individualidades. Porque é um sistema enraizado há 20 anos, treinado até à exaustão e com uma cultura futebolistica que demorou anos a ser assim de eficaz. Iniesta, Cesc podem mover-se por várias posições, como Messi, e ser iguais de eficazes apesar de não estarem nas suas posições naturais (o chamado número 8). Xavi é mais restritivo e Busquets é santo e senha, muito mais omnipresente que Alonso no jogo defensivo.

O meu problema com o Real Madrid não está nos jogadores que sobem ao terreno de jogo, está na forma em que o fazem, nas movimentações, na falta de estratégia, na desorganização colectiva em vários processos. E isso acontece quando estão em campo Ozil, Kaká, Modric, Alonso, Benzema e Ronaldo da mesma forma que quando estão Khedira, Essien, Di Maria ou Callejon.


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 10:20
Exactamente Miguel, por isso é que eu falei em Guardiola ou um treinador do género (Klop por exemplo).
O problema não é falta de jogadores, é falta de capacidade para os colocar em sintonia, o problema é Mourinho!


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 11:00
DC,

Mas isso foi precisamente o que eu disse em relação a Mourinho e este Real Madrid. Não houve o mesmo aproveitamento do plantel que noutras ocasiões!


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 12:30
As únicas ocasiões em que me lembro de Mourinho tentar enquadrar alguns jogadores mais criativos foram no Porto com Deco, Maniche e Alenitchev ou Pedro Mendes.

De resto no Chelsea mal pôde juntou Essien a Makelele, usou ainda Jarosik, Smertin, Scott Parker e Tiago em funções claras de destruição.
Depois no Inter jogavam Cambiasso, Zanetti e Motta, três tristes trincos, que iam rodando com Chivu ou Muntari. E Stankovic e Sneijder não eram propriamente médios ofensivos...

Agora no Real não abdica de Xabi e Khedira ou Lass.

Realmente na carreira de Mourinho só no Porto me recordo de jogar apenas com um homem á frente da defesa que era o Costinha. Depois disso começou a preferir o duplo pivôt até nunca mais o largar.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:24
DC,

A evolução do Mourinho do 4-3-3 para o 4-4-2 losango e mais tarde para o 4-2-3-1 é a evolução natural de um treinador ousado a um treinador conservador. Ele nem é o primeiro nem será o último a passar pelo mesmo. Lembro-me bem do Hitzfield do Dortmund dos anos 90 ser radicalmente diferente do Bayern do virar do século e das suas últimas equipas, incluida a selecção suiça, com um 4-5-1 ás vezes asfixiante. E é outro dos treinadores com um cv imaculado.

No arranque do Chelsea o 4-3-3 era igual ao do FC Porto e aí a equipa era de tracção à frente com dois extremos bem abertos (Duff, Robben) e Lampard-Cole à frente de Makelele, com Tiago e Smertin a ser utilizados ocasionalmente. Só a partir do segundo ano é que começou a metamorfose para o 4-2-3-1 que em Itália até passou a 4-3-2-1 e 4-3-1-2, com um jogador livre (Sneijder) e avançados móveis.
Sinceramente não vejo qual é o problema nessa ideia, na base. O problema está nas ordens dadas aos jogadores.

Espanha joga, no papel, como o Real Madrid, num 4-2-3-1, que devido à mobilidade dos jogadores, muitas vezes se torna num 4-6-0. Mas estão lá Busquets e Alonso da mesma forma que no Madrid estão Khedira e Alonso. A diferença é que Alonso tem mais liberdade para incorporar-se no jogo ofensivo e os laterais trabalham mais as tarefas ofensivas. E todos atacam e todos defendem. No Real Madrid, ter um jogador como Cristiano Ronaldo, é uma carga para o meio-campo porque há sempre um espaço vazio que obriga o meio-campo a trabalhar mais. Com Ronaldo em campo não se pode jogar num 4-3-3 sem perder o equilíbrio do meio-campo. Por isso no final da carreira em Old Trafford ele era usado como avançado e Rooney e Tevez como extremos, porque fechavam melhor os laterais.


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