Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

Chega ao fim o ciclo de Mourinho no Real Madrid. A partir de agora o treinador português contará os dias para o final do seu mandato como um miudo conta os dias que faltam para acabar o ano lectivo. Com ansiedade. O sadino poderia ter feito da sua estadia na capital espanhola um êxito a todos os níveis, algo sem precedentes na memória de um clube que vive de e para a história. Em vez disso sai como o destruidor de uma herança única e como o mais directo responsável do seu próprio fim, dentro e fora do campo.

 

Não é preciso a imprensa espanhola avançar com o divórcio entre Florentino Perez e José Mourinho para saber-se que esta história tinha um final previsível. Nem que seja pelo próprio historial de técnico e presidente, dois homens que lidam muito mal com relações duradouras num universo onde tudo muda talvez demasiado depressa. Fizeram um esforço, mais a figura presidencial do que o técnico, para coabitar por um objectivo comum. Quando o individual se sobrepôs ao colectivo, o divórcio tornou-se tristemente inevitável.

Mourinho sai de Madrid da pior forma possível. Sai como um huno, como o destruidor de uma imagem que a imprensa espanhola reverenciou durante a sua carreira em Inglaterra e em Itália, tratando-o como ele gosta de ser tratado, o eleito. A imagem de um grupo de adeptos entregados, de um plantel que soube por de parte as suas diferenças para remar em conjunto. Tudo isso o português teve nas mãos. Tudo isso deitou a perder. Por culpa própria.

Na historial do Real Madrid a figura do treinador nunca existiu. Ninguém se lembra dos nomes dos técnicos que venceram as seis primeiras Taças dos Campeões Europeus (Villalonga e Muñoz) mas todos sabem a equipa titular de memória. Figuras como Benhaker, Capello, Heynckhes, Del Bosque ou Schuster foram tratados abaixo de cão por dirigentes, imprensa e adeptos mesmo quando os triunfos surgiam. Em troca, os jogadores eram reverenciados e idolatrados, nos momentos altos e baixos. Mourinho mudou isso. Foi o único homem que se tornou protagonista na história clube não desde o palco, não desde o relvado, mas no banco.

Centrou à sua volta o organigrama do clube, despediu e contratou quem quis, transformou o presidente num holograma vazio e oco, e auto-proclamou-se Deus e Senhor, o único capaz de derrotar o infiel, o demónio. O homem que ocupava os pesadelos dos adeptos merengues, um tal Guardiola.

Nessa cruzada santa, o maniqueísmo tornou-se fundamental. O contra mim ou por mim tornou-se santo e senha. Saíram Valdano, saíram ajudantes, saíram médicos, saíram cozinheiros. Os adeptos, fartos da hegemonia do eterno rival, entregaram-se de coração e perdoaram tudo. A goleada por 5-0 no Camp Nou, a primeira liga perdida antes do tempo, as duas semi-finais da Champions League (entre erros arbitrais, azar e um péssimo planeamento táctico) em troca de um mísero espólio. Uma Supertaça, uma Copa del Rey e uma Liga.

Contra a maior equipa de sempre, diziam, era muito, era inaudito. Uma equipa com um orçamento inferior, uma equipa que nos doze confrontos directos só perdeu duas vezes. Uma equipa que a história aprendera a amar pelo futebol, mais que pelo extra. Mas os titulos avalavam a sua gestão. Mourinho foi perdendo tudo o que ganhou porque nunca soube comportar-se como um cavalheiro do futebol. Foi um rufia, um hooligan. As conferências de imprensa, um insulto constante a quem não o apoiava, utilizando o exemplo da vergonhosa imprensa catalã. Para ele o jornalismo militante devia ser obrigatório, mas só vale quando a seu favor. Contra os rivais faltou repetidas vezes, desde treinadores de pequeno perfil mas grande coração como Manuel Preciado a rivais directos. E o dedo no olho foi o culminar da sua atitude de rufia de bairro, espelho de uma gestão autodestrutiva na essência. Ao menos se no campo o futebol falasse mais alto...

 

Futebolisticamente o que tem sido a equipa de José Mourinho em dois anos e meio de gestão desportiva?

Mourinho fez-se notar em Leiria e no FC Porto com equipas ofensivas, atrevidas, um 4-3-3 ousado, rápido, directo e com o pressing como principal arma. Em Londres mutou para um 4-4-2 mais conservador que logo se transformou entre 4-2-3-1 e 4-3-2-1 na sua passagem por Itália. Quando chegou a Espanha, havia muito pouco do técnico original e muito do cinismo do homem que vergou Itália. Incapaz de dar minutos a todos os homens do ataque com medo a perder o equilíbrio defensivo, condenou Benzema e Higuian a uma guerra fratricida. Fez de Xabi Alonso o pau para toda a obra, destroçando-o fisicamente. Não abdicou nunca de um médio mais defensivo, mais fisico, obrigando a uma rotação excessiva entre dois postos do ataque porque Cristiano Ronaldo, já se sabe, jogava todo e qualquer minuto disponível.

Entregou-se a Jorge Mendes e permitiu que este triplicasse o número de jogadores que tinha no balneário, triplicando assim a sua influência. Permitiu a formação de clãs entre jogadores para aumentar a competitividade, tudo à base do confronto, do desgaste, do ódio disfarçado. Desafiou os homens da casa a vergarem-se ao seu domínio e quando estes preferiram a amizade dos colegas de selecção do outro bando, nunca mais lhes perdoou a traição. 

Em campo a equipa perdia-se sem um fio de jogo, apostando sobretudo na brutalidade do seu arsenal ofensivo e na eficácia goleadora crescente de Cristiano Ronaldo, que sob o seu comando bateu o seu próprio recorde de golos em dois anos. Mas não conseguiu criar uma escola de jogo, não conseguiu definir padrões de comportamento para além dos rápidos contra-golpes e do jogo directo de Pepe e Alonso pelo ar para as costas dos rivais onde a máxima qualidade dos avançados fazia a diferença. Nos duelos europeus e contra o eterno rival recuava linhas, predominava o trabalho defensivo e até hoje ficamos sem ver um só desses jogos épicos que definem a história de uma equipa.

A saída de Guardiola, em parte provocada pelo desgaste mental que suponha a guerra do gato e do rato com Mourinho fora dos relvados, mudou tudo. Acabou a cruzada santa, a vitória parecia ser sua por desistência do contrário. Aí Mourinho decidiu o seu futuro, longe de Madrid.

As condições que tinha permitiam-lhe tornar-se no Manager do clube para a próxima década, o Ferguson da Casa Blanca.

Mas o seu egocentrismo, o seu espírito auto-destructivo foi mais forte. Criou guerras com tudo e com todos. Como fraco abusou da sua força contra os mais débeis e calou-se contra os mais fortes. Minou o trabalho da formação - algo que na sua carreira nunca está nas suas prioridades - acusou a imprensa, um sector de adeptos e a própria directiva. Publicamente dividiu o balneário com o seu apoio directo a Cristiano Ronaldo na luta pelo Ballon D´Or e pelo segundo ano consecutivo o dinheiro investido não resultou em nada beneficioso para o jogo da equipa. No campo o futebol nunca esteve presente e os resultados, desta vez, deixaram de o acompanhar. Teve um arranque de época similar ao da sua quarta época com o Chelsea. Mas a indemnização de despedimento é bem maior e o sonho da Décima ainda acalenta os corações de muitos adeptos e directivos. Com ela, Mourinho poderá ainda tentar sair como um herói, sem ela acabará da pior forma um mandato curto e aos anais da história insignificante.

 

José Mourinho é um dos grandes treinadores da história e tem um curriculum imaculado. Mas também tem um grave problema de personalidade, um culto do ego que relembra em muito Helenio Herrera. O fim de ambos tem semelhanças evidentes. O desgaste do balneário, o titubear da relação com os outrora apóstolos da imprensa, público e directiva e a ausência de resultados. O seu arqui-rival, de ontem, de hoje e de sempre, saiu num ano de derrotas mas com uma aura de vencedor. Mourinho pode acabar o seu mandato em Madrid com títulos, principalmente nas competições a eliminar, mas deixará sempre atrás de si uma sombra de perdedor, de um homem que se perdeu a si mesmo e consigo a possibilidade de transformar o Real Madrid num clube diferente, longe da gaiola de prima-donas em que sempre viveu.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 14:30 | link do post

De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 14:52
Fico satisfeito por ter mudado um pouco a sua opinião do passado principalmente no que toca a isto:

"Nos duelos europeus e contra o eterno rival recuava linhas, predominava o trabalho defensivo e até hoje ficamos sem ver um só desses jogos épicos que definem a história de uma equipa."

Mourinho arranjou maneira de ganhar um campeonato (com muito escândalo arbitral à mistura, esperas a árbitros, etc), mas nunca conseguiu ganhar o respeito dos adeptos.
O Barça que perdeu o título no ano passado saiu em glória, Guardiola foi aplaudido na sua saída, a perda do campeonato e da Champions não fez esquecer o brilhantismo das exibições.
Já Mourinho, mesmo em jogos em que goleava chegava a ser assobiado. Era futebol viril, mesmo violento, pontapé para a frente e Ozil e Cristiano que decidam.
Agora sem a motivação extra de derrotar o campeão a equipa não sabe o que fazer em campo. Chega a ser deprimente a falta de ideias duma equipa que tem um ex-bola de ouro no banco. Aliás é deprimente ver que Mourinho nunca conseguiu integrar Kaká na equipa mesmo ele jogando bem sempre que é titular.

Vai para Inglaterra agora, onde as tácticas são muito mais rudimentares e onde terá certamente no Chelsea ou City muitos milhões para gastar e continuar a acumular títulos. Porque a carreira dele é essa, ganhar títulos, custe o que custar! O que fica depois do clube a ele não lhe interessa.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 15:03
DC,

Não mudei de opinião.
Os meus artigos prévios sobre Mourinho assentavam, sobretudo, na minha filosofia de que todos os modelos tácticos e todos os esquemas de jogo são válidos. Todos sem excepção.
Não gosto de abordagens politicamente correctas nem de modelos mais contra modelos menos. Desfruto tanto de uma organização táctica defensiva perfeita como de uma sequência de ataque constante ou uma posse de bola eterna. A dupla exibição frente ao Barcelona, com o Inter, tão criticada, para mim demonstra o génio de um treinador e não é propriamente uma eliminatória extremamente ofensiva.

Quanto às arbitragens, nos últimos cinco anos, sem andar a contar pelos dedos, vi tantos ou mais favores arbitrais ao Barça do que ao Madrid, mesmo com Schuster e Pellegrino na equação. Continua a acreditar que Stanford Bridge 2009 e as meias-finais de 2011 são um dos capitulos negros da arbitragem da UEFA e Guardiola passou os últimos meses em Barcelona a queixar-se em excesso dos arbitros, algo que contradiz em muito o seu perfil. Não me preocupa, acho perfeitamente natural, mas não há santos e demónios no futebol.

O que sim critico a Mourinho na sua etapa do Real Madrid é, sobretudo, a sua incapacidade de criar um modelo de jogo identificável. Fê-lo no Inter e no Chelsea, e com admiradores e detractores. Em Madrid esse modelo não existe, quando ganha é por KO do ataque e quando perde é por uma desorganização táctica primária.

Não critico nem a sua versão "mercenária", porque ele é um profissional e nem todos os profissionais se movem pelos mesmos motivos nem o estilo de jogo que professa. Mas ser-se educado e respeitoso devia ser algo obrigatório a todos na vida e Mourinho disso esqueceu-se à muito tempo!

um abraço


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 15:44
Não é uma questão de validade. É uma questão do que esse modelo táctico significa para a equipa.
Mourinho ganhou um campeonato, criou algumas dificuldades ao Barcelona, mas nunca conseguiu realmente ter uma equipa. Porque defender com autocarro como já se viu com Celtic, Inter, Chelsea e Real, é muito mais fácil do que construir jogo de ataque de qualidade.
Aliás você diz tudo:
" incapacidade de criar um modelo de jogo identificável"
Quem tem que abdicar do seu futebol para vencer outra equipa nunca será verdadeiramente grande!

Já na questão das arbitragens, acho estranho continuar a falar dum jogo onde antes dos penaltis reclamados o Abidal é mal expulso, ou que se esqueça como o Inter vence o Barcelona com 2 golos irregulares e um penalti por marcar e elimina o Chelsea com 4 penaltis por marcar.
O Barça na final com o United sofre um golo fora-de-jogo 2 metros e não se veio queixar, são estilos diferentes.
Aliás eu sou portista e vi o Scholes fazer o 2-0 em Old Trafford limpinho e o Jorge Andrade ser expulso numa preciosidade. Às tantas se formos a ver como Mourinho ganhou as suas Champions teríamos muito mais para dizer do que sobre o Barça!
Quanto ao Real no campeonato, se é normal as equipas grandes serem beneficiadas, não é normal em 3 jogos haver jogadores do Real a defender bolas de golo e o árbitro ignorar, a haver jogadores do Espanyol a defender "golos" do Messi e o árbitro ignorar, a haver foras-de-jogo marcados ao Maiorca (que deram golo) bem antes do meio-campo, ou a passarem em claro inúmeras agressões de Ramos especialmente (a agressão contra o Rayo é de bradar aos céus! E por falar nisso, mais uma cuspidela e uma agressão no recente derbi, no pasa nada) mas também Pepe, Alonso ou Arbeloa.
Guardiola não se queixou de árbitros, aliás falou depois de estar a 10 pontos, quando subitamente os árbitros começaram a marcar penaltis a favor do Barça (depois de ignorarem 2 contra o Valência, 1 contra Bilbao, Sevilla, Espanyol, Málaga, etc, etc, etc) que não iam disfarçar nada do que tinha acontecido com esses penaltis.
Não falou por exemplo das esperas em parques de estacionamento que em Inglaterra por exemplo, pura e simplesmente arrasariam Mourinho...
Quanto a arbitragens o Miguel cai num erro crasso que é o de só se fiar no que vai lendo na imprensa. Mas essa imprensa, que tanto gosta de falar na meia-final com o Chelsea é mais que facciosa. Nunca vi sequer uma análise decente a esse jogo, porque dos 4 ou 5 penaltis reclamados, 1 é fora da área e 2 não são falta nenhuma. Depois a expulsão de Abidal, pura e simplesmente desapareceu dos registos... Porque jogar 70 minutos com 10 não mudaria o jogo.
Mas enfim, não vale a pena centrar esta discussão mais em arbitragens até porque o Barça continua aí a provar que o que aconteceu no ano passado foi a excepção e que só numa conjuntura muito favorável o Real (ou o Mourinho) os consegue vencer.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 15:53
DC,

Exactamente, o que lhe falta em Madrid é o modelo de jogo, mas esse modelo em Milão e no Chelsea já não era popular e era igual de válido. Contra o Barcelona com o Inter, por exemplo, na 1º mão jogou exactamente como fazia sempre e venceu sem contestação (só vejo problemas no 3º golo, mas ok) e na 2º mão levou com uma expulsão ridicula e fez o que qualquer treinador teria feito. O problema é que com o Madrid nem isso tem conseguido, porque a maioria dos jogos contra o Barça são pura reacção e quando tem na mão a possibilidade de ir mais longe, como aconteceu na Supertaça, mete sempre o travão.

Em 2004 o golo do Scholes é onside, sem dúvida, mas o Jorge Andrade é bem expulso para o critério UEFA, o árbitro não tem porque saber que ele e o Deco são amigos da alma. Foi estúpido e infantil, mas a expulsão parece-me lógica. Quanto ao jogo do Chelsea não nos pomos de acordo, em 180 minutos eu vejo muito mais a balança desequilibrada para um lado, como sucedeu com o Milan anos antes e voltou a acontecer em 2011 na meia-final com o Madrid, mas isso são detalhes.

E, por certo, eu nunca falo pelo que leio, gosto de falar com propriedade, e além de ver todos os jogos do Real Madrid e Barcelona dos últimos 4 anos, vi e revi vários dos jogos de que falei, essas coisas não posso admitir. Outra coisa é que tenha uma opinião diferente, mas isso é futebol ;-)

um abraço


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 16:08
Miguel, não quis dizer que não via os jogos, se calhar expressei-me mal.
Todo o mundo do futebol viu aquela meia-final!
Agora, como o Miguel sabe muito bem, à imprensa só interessa relembrar o que lhe interessa e isso é quer queiramos quer não uma influência na nossa opinião.
Não discutindo sequer critérios de arbitragem só lhe pergunto isto:
Quantos jornalistas ouvir falar nos últimos anos da expulsão de Abidal? Quantos vídeos viu disso?
E quantos ouviu dizer que o Barcelona foi beneficiado sem sequer especificarem porquê?
Assim por alto diria que por cada comentário ao lance do Abidal vi 100 aos outros, aliás ainda hoje se quiser encontrar o lance no youtube tenho dificuldade. Já vídeos anti-Barça surgem todos os dias.

Acho que se fizer essas contas facilmente percebe que há um objectivo de desvalorizar os feitos do Barça e associá-los ao árbitro. Um pouco como o que o Benfica faz em Portugal com os êxitos do Porto.
É como lhe digo, nem é uma questão da interpretação que se dá aos lances ou ao jogo, é uma questão sim, de uma análise tendenciosa por parte da imprensa que procura abafar o que não interessa e impolar o que lhe interessa.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 19:23
DC,

Podem existir 100 videos no YouTube ou 1, 100 artigos publicados em 5 ou 50 jornais ou 1, isso nunca altera a minha percepção da realidade. Não é por repetir-se sempre a mesma ladainha, seja verdade ou mentira, que ela se altera. Aliás, para mim, o que a imprensa diga ou deixe de dizer conta muito pouco por isso podem impolar o que quiserem!

Eu tenho sempre duas perspectivas sobre o futebol, a de adepto e a de analista. Como adepto há coisas que gosto mais e coisas que gosto menos, em jogadores, treinadores, em sistemas tácticas, em instituições, etc. Como analista tenho de olhar para lá dos gostos pessoais e mergulhar mais fundo e aqui é o que tento fazer.

Sobre a arbitragem acredito no erro arbitral individual. É humanamente impossível não suceder, particularmente no caso dos offside. Mas também conheço a história do jogo e sei que a corrupção arbitral existe, seja individual seja através de organizações que podem ir de clubes a federações e confederações. Afinal o futebol tem tanto de desporto como de negócio e movem-se muitos milhões.

Eu não me importo com o erro arbitral. É parte da equação. Sou contra o hawk-eye e a tecnologia de golo por principio porque entendo que uma das razões de sucesso do futebol é ser um jogo simples. Mas entendo-as. O que me incomoda são os erros sempre na mesma direcção e, sobretudo, o discurso de virgens inocentes.

O Real Madrid, o Barcelona, o SL Benfica, o FC Porto, o Man Utd, o Arsenal, o Liverpool, o AC Milan, o Inter, o Bayern, são equipas que nunca se deveriam sequer poder queixar de erros arbitrais. Mesmo que existam entre si, em duelos directos, a esmagadora maioria das vezes prevalecem os erros a seu favor contra equipas pequenas e indefesas que são prejudicados contra A, B, C e D tantas e tantas vezes.

Não conheço nenhum campeão (e vice-campeão) que não tenha tido ajudas arbitrais em determinado momento. É impossível que uma equipa tenha passado uma época sem vencer um jogo com um offside a mais ou a menos, com um penalty a mais ou a menos, uma expulsão a mais ou menos. Impossível.

O Barcelona foi prejudicado em alguns jogos dos últimos anos mas foi beneficiado também em muitos. Nos jogos europeus dos últimos cinco anos a média sai-lhe favorável. E é uma tendência que não encontro em mais nenhum clube. Só lhes ficava bem assumirem a realidade mas o que menos gosto - da mesma forma que o que menos gosto de Mourinho é a sua arrogância ditatorial - é ainda por cima interpretarem o papel da virgem ofendida e o discurso do politicamente correcto. Da mesma forma que o Real Madrid também devia seguir pelo mesmo discurso porque muitos dos seus triunfos chegaram pela mesma via. No futebol não há santos nem demónios apesar de hoje em dia se tentar criar essa imagem.

A imprensa catalã é a mais facciosa que conheço em todo o mundo e leio-a diariamente como exercicio didático. Leio ao dia os 4 desportivos espanhóis e não encontro exercicios mais umbiguistas do que nos do Sport ou Mundo Deportivo. Mas também leio o L´Equipe, o Guardian, a Gazzetta e o France Football e não vejo aí nenhuma tendência demonizadora do Barcelona a nível europeu. Pelo contrário, é elogiado pelo que deve ser elogiado, como a equipa que melhor futebol ofensivo tem praticado na última DÉCADA (desde a chegada de Rijkaard), e a equipa com as melhores individualidades do mundo. Essa é a realidade. O que não impede que se analisem os jogos, caso a caso.

Provavelmente em ambos os jogos, com Chelsea e Madrid, o Barcelona foi melhor colectivo, teve a proposta mais atrevida e mereceu ganhar. Isso não está em discussão. Mas não implica criar um discurso de protecção à volta de uma realidade!

um abraço


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 00:32
Miguel, desculpe lá mas está completamente errado!
Tudo o que você lê, faz, vê o influencia mesmo que inconscientemente.
Se lê toda essa imprensa é automaticamente influenciado por ela, mesmo que pense que não.
Eu e você somos o produto do meio onde estamos inseridos, reagimos à TV, imprensa, etc. Compramos coisas por causa disso, gostamos de certas coisa por causa disso, etc, etc, etc... É um facto mais que comprovado por estudos sociológicos e eu sei bem do que falo.

Como tal, é perfeitamente normal que vá na onda dos benefícios ao Barça da mesma forma que eu vou noutras ondas.

Agora digo-lhe uma coisa, um dia se quiser vamos comparar jogo a jogo esses benefícios e prejuízos que você diz existirem e no fim se calhar a conclusão é que a teoria dos árbitros ajudarem o Barcelona é mais uma invenção da imprensa.

A imprensa conseguiu fazer crer o público em geral que o Pepe não tocou no Dani Alves. Leis da física e da anatomia humana nada importam às pessoas, elas acreditam mesmo que um jogador que acaba de chutar a bola para a sua esquerda consegue, mantendo a perna no ar, fazer um mortal rodando para o lado completamente oposto ao do remate, sem ter uma força que o projecte.
Resumindo, o lance do Dani é uma impossibilidade humana sem uma força que o projecte, é uma coisa que devia ser óbvia para qualquer pessoa com cérebro. O que se vê? Milhares e milhares de pessoas a afirmar que Pepe não toca em Dani.
Como lhe disse, a força da imprensa é ENORME!


Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Ultimas Actualizações

Toni Kroos, el Maestro In...

Portugal, começar de novo...

O circo português

Porta de entrada a outro ...

Os génios malditos alemãe...

Últimos Comentários
Thank you for some other informative web site. Whe...
Só espero que os Merengues consigam levar a melhor...
O Universo do Desporto é um projeto com quase cinc...
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
Posts mais comentados
69 comentários
64 comentários
47 comentários
arquivos

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

.Em Destaque


UEFA Champions League

UEFA Europe League

Liga Sagres

Premier League

La Liga

Serie A

Bundesliga

Ligue 1
.Do Autor
Cinema
.Blogs Futebol
4-4-2
4-3-3
Brigada Azul
Busca Talentos
Catenaccio
Descubre Promesas
Desporto e Lazer Online
El Enganche
El Fichaje Estrella
Finta e Remate
Futebol Artte
Futebolar
Futebolês
Futebol Finance
Futebol PT
Futebol Total
Jogo de Área
Jogo Directo
Las Claves de Johan Cruyff
Lateral Esquerdo
Livre Indirecto
Ojeador Internacional
Olheiros.net
Olheiros Ao Serviço
O Mais Credível
Perlas del Futbol
Planeta de Futebol
Portistas de Bancada
Porto em Formação
Primeiro Toque
Reflexão Portista
Relvado
Treinador de Futebol
Ze do Boné
Zero Zero

Outros Blogs...

A Flauta Mágica
A Cidade Surpreendente
Avesso dos Ponteiros
Despertar da Mente
E Deus Criou a Mulher
Renovar o Porto
My SenSeS
.Futebol Nacional

ORGANISMOS
Federeção Portuguesa Futebol
APAF
ANTF
Sindicato Jogadores

CLUBES
Futebol Clube do Porto
Sporting CP
SL Benfica
SC Braga
Nacional Madeira
Maritimo SC
Vitória SC
Leixões
Vitoria Setúbal
Paços de Ferreira
União de Leiria
Olhanense
Académica Coimbra
Belenenses
Naval 1 de Maio
Rio Ave
.Imprensa

IMPRENSA PORTUGUESA DESPORTIVA
O Jogo
A Bola
Record
Infordesporto
Mais Futebol

IMPRENSA PORTUGUESA GENERALISTA
Publico
Jornal de Noticias
Diario de Noticias

TV PORTUGUESA
RTP
SIC
TVI
Sport TV
Golo TV

RADIOS PORTUGUESAS
TSF
Rádio Renascença
Antena 1


INGLATERRA
Times
Evening Standard
World Soccer
BBC
Sky News
ITV
Manchester United Live Stream

FRANÇA
France Football
Onze
L´Equipe
Le Monde
Liberation

ITALIA
Gazzeta dello Sport
Corriere dello Sport

ESPANHA
Marca
As
Mundo Deportivo
Sport
El Mundo
El Pais
La Vanguardia
Don Balon

ALEMANHA
Kicker

BRASIL
Globo
Gazeta Esportiva
Categorias

a gloriosa era dos managers

a historia dos mundiais

adeptos

africa

alemanha

america do sul

analise

argentina

artistas

balon d´or

barcelona

bayern munchen

biografias

bota de ouro

braga

brasileirão

bundesliga

calcio

can

champions league

colaboraçoes

copa america

corrupção

curiosidades

defesas

dinamarca

economia

em jogo

entrevistas

equipamentos

eredevise

espanha

euro 2008

euro 2012

euro sub21

euro2016

europe league

europeus

extremos

fc porto

fifa

fifa award

finanças

formação

futebol internacional

futebol magazine

futebol nacional

futebol portugues

goleadores

guarda-redes

historia

historicos

jovens promessas

la liga

liga belga

liga escocesa

liga espanhola

liga europa

liga sagres

liga ucraniana

liga vitalis

ligas europeias

ligue 1

livros

manchester united

medios

mercado

mundiais

mundial 2010

mundial 2014

mundial 2018/2022

mundial de clubes

mundial sub-20

noites europeias

nostalgia

obituário

onze do ano

opinião

polemica

politica

portugal

premier league

premios

real madrid

santuários

seleção

selecções

serie a

sl benfica

sociedade

south africa stop

sporting

taça confederações

taça portugal

taça uefa

tactica

treinadores

treino

ucrania

uefa

todas as tags

subscrever feeds