Terça-feira, 4 de Setembro de 2012

A realidade de um país em crise - em todos os sentidos - é perceptível na realidade do seu futebol. No caso português não é só a hemorragia de jogadores de qualidade mas, sobretudo, a necessidade dos clubes de vender para tapar os muitos buracos que aparecem nas suas contas. Todos os candidatos ao titulo desprenderam-se de jogadores fundamentais nas suas equipas da época passada. O campeonato nivela-se, uma vez mais, por baixo.

 

O ranking da UEFA diz que a Liga Sagres é a 5º mais bem classificada do continente europeu. 

Mas as finanças dos clubes e a qualidade dos seus plantéis talvez não estejam de acordo. Os clubes portugueses vivem com a corda na garganta. Os grandes porque os orçamentos astronómicos para a realidade portuguesa começam a pagar factura. Há passivos superiores a 400 milhões de euros (caso do SL Benfica) ou de 200 milhões, como acontece com o FC Porto. Empréstimos obrigacionistas que pagar com juros altíssimos, fundos a quem se devem favores e dinheiro e no caso do Sporting, a situação é tão delicada que os próprios dirigentes sabem que caminham bem ao lado de um perigoso precipício. Mesmo o Braga, um caso de sucesso em gestão financeira, não pode resistir a vender quando o dinheiro aparece porque há sempre contas que pagar.

Do top 4 para baixo a realidade é ainda mais asfixiante, negra e sem perspectivas de melhorar no futuro. Um clube histórico e com uma das maiores massas associativas do país como o Vitória de Guimarães está perto da falência. Na Madeira os clubes sobrevivem porque Alberto João Jardim deu volta atrás numa ideia inicial de retirar parte dos fundos do governo regional aos principais clubes da ilha. E de Olhão a Paços de Ferreira, de Aveiro a Coimbra, os tostões contam-se um por um. 

Essa falta crónica de crédito afecta os clubes como a sociedade portuguesa e os problemas de salários em atraso nos grandes, antes uma utopia, tornaram-se reais. Por isso vender, baixar a massa salarial, tornou-se na úncia solução. 

Os valores de algumas transferências roçam o ridiculo mas, neste caso, o ridiculo tornou-se na corda de salvação de alguns clubes. Axel Witsel, contratado há um ano ao Standard Liege, rumou para San Peterburg por 40 milhões, o mesmo valor que o Real Madrid pagou por Luka Modric e mais do que o Chelsea pagou por Eden Hazard, a grande estrela do futebol belga. Hulk saiu do FC Porto por igual valor liquido (depois de pagos os gastos de gestão pelo clube russo, num total de 60 milhões) depois de ter sido comprado em várias etapas por um valor total de 19 milhões. Um valor a que clubes como o Chelsea, PSG e Manchester City não conseguiram chegar. O valor dos rublos num país que quer apostar forte no futebol para a próxima década (e a contratação de Fabio Capello é bom exemplo) salvou, pelo momento, a saúde financeira de FC Porto e Benfica (que ainda contou com a venda de Javi Garcia ao Manchester City) enquanto que o Sporting teve de despreender-se de jogadores com salário elevado, perdendo o influente Matias Fernandez para a liga italiana por valores bem mais modestos. Enquanto a Europa se maneja numa realidade, os mercados emergentes jogam noutra divisão. Para os clubes portugueses é a única opção de sobrevivência.

 

Desportivamente a liga portuguesa baixou uns bons degraus.

Num ano histórico, com as três equipas presentes na fase de grupos da Champions League, o futebol português devia estar de parabéns. Ainda para mais, todas as equipas foram colocadas em grupos acessíveis, com o apuramento para os Oitavos de Final longe de ser uma utopia. Mas isso foi antes de Lima deixar Braga sem um ponta-de-lança, de Jorge Jesus ter perdido o seu meio-campo (não que o Benfica seja uma equipa que perca muito tempo no miolo) e o FC Porto dizer adeus ao seu simbolo dos últimos anos. Agora a realidade vai ser bem mais dolorosa e talvez dragões, águias e arsenalistas tenham de contentar-se com uma luta mais desigual com rivais que não só não perderam jogadores referência como se reforçaram bem como PSG, Dynamo Kiev, Spartak Moscow, Celtic e Galatasaray.

Na Liga Sagres todas as equipas que aspiram ao titulo perderam cartas de luxo. Não só isso piora claramente a qualidade da competição como abre ainda mais a disputa pelo troféu que mora nas vitrinas azuis e brancas pelo segundo ano consecutivo. O Benfica, que apostou forte em recuperar o titulo mantendo Jesus ao leme, preferiu apostar num over-booking de extremos e dianteiros e esqueceu-se de reforçar o eixo medular e defensivo. Se Luisão for suspenso por meio ano, como a sua acção exige, Jesus terá sérios problemas para resolver, sobretudo nos jogos com rivais directos onde a segurança defensiva encarnada vai ser realmente testada.

O Braga já sofreu em Paços o choque de realidade de perder um homem que nos últimos anos era uma garantia de duas dezenas de golo por época. Sem uma referência ofensiva, Peseiro terá de apostar na solidez do bloco bracarense e aproveitar-se dos erros dos rivais para manter as distâncias curtas. O Sporting, que arrancou com o pé esquerdo na temporada, continua a ter de apostar na juventude para resolver os seus problemas financeiros e desequilíbrios no plantel, e Sá Pinto corre contra o relógio para não perder o fundamenta comboio da Liga dos Campeões do próximo ano.

Por fim o FC Porto parte como favorito e apesar de ter perdido Hulk mantém o estatuto. Se o brasileiro era fundamental, sobretudo nos duelos fora de casa em campos de equipas bem organizadas defensivamente, a verdade é que Vitor Pereira tem o plantel mais equilibrado dos quatro candidatos ao título. Uma defesa sólida com Danilo e Alex Sandro definitivamente confirmados como titulares e um meio-campo onde a permanência de Moutinho é a melhor das noticias. Entre James, Varela, Atsu e Jackson a equipa terá de encontrar os golos que dava e marcava o "Incrivel". Esse é o grande desafio do contestado técnico portista.

 

Como o fosso entre os quatro primeiros e as restantes equipas continua tremendo, apesar das baixas nos planteis dos candidatos ao titulo, ninguém espera uma temporada de grandes surpresas. O título começa a ser discutido a quatro mas é previsível que antes de Dezembro um candidato tenha caído da perseguição e no final seja um mano a mano entre FC Porto e SL Benfica a decidir o troféu. Sem as grandes figuras do ano passado, este pode ser uma temporada onde, mais do que nunca, o papel de gestores humanos e analistas tácticos, dos quatro treinadores se revele ainda mais fundamental no jogo do titulo.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 19:28 | link do post

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