Foi o homem que marcou o golo decisivo que confirmou o regresso do West Ham United à Premier League. Oito anos depois de estrear-se na máxima competição inglesa, o avançado português está de regresso para provar definitivamente o seu valor. Foram oito anos de expectativas, desilusões para mergulhar agora numa ressurreição inesperada.
Foi colega de equipa de Nani no Real Massamá mas a carreira de ambos mudou radicalmente no dia em que o Sporting contratou o actual extremo do Manchester United enquanto Vaz Tê preferiu marchar para Inglaterra e assinar com o Bolton Wanderers. Prometeram fazer dele uma estrela, um sonho que qualquer jovem alimenta. Que dizer de um rapaz que aos dois anos deixou Lisboa para viver na Guiné-Bissau de onde o pai era natural e que aos 11 anos voltou à capital portuguesa, passando as horas com a bola nos pés no cimento frio dos subúrbios da cidade. O Bolton oferecia-lhe mais do que o clube leonino e à primeira vista parecia a melhor opção. Mas não foi.
Enquanto Nani amadurecia em Alcochete, até se tornar num dos melhores jogadores portugueses da década, Vaz Tê passou de grande promessa a maior desilusão.
Estreou-se pela primeira equipa em 2004. Tinha apenas 17 anos. Contra o Middleslbrough na Premier League. Parecia um inicio entusiasmante mas a ilusão desfez-se. No ano seguinte, ainda com 18 anos, participou em 30 jogos pelo Bolton, sete como titular, e começou a representar as selecções de formação portuguesas, primeiro a sub-19 e mais tarde a sub-21. Mas depois chegaram os empréstimos, parte da cultura da gestão inglesa de jovens promessas. E com os empréstimos chegaram as lesões, as desilusões e o protagonismo inicial foi-se perdendo. Primeiro ao serviço do Hull City, depois com os gregos do Panonios. Sam Allardyce tinha deixado o Bolton, ele que apostara nele no inicio, e o novo staff técnico não parecia interessado em recuperá-lo. A sua carreira parecia sofrer o mesmo destino de tantas outras: o esquecimento.
Em 2010 o jogador desvinculou-se oficialmente do Bolton. Ninguém parecia interessado em contratá-lo e acabou por rumar à Escócia onde jogou uma época com o Hibernians. Depois voltou a Inglaterra para disputar o Championship com o Barnsley. Em nenhum dos casos chamou a atenção e relembrou o jogador que podia ter sido. Mas havia um homem que não se tinha esquecido do que Vaz Tê era capaz.
Sam Allardyce era técnico do recém-despromovido West Ham United. Sem dinheiro para investir aproximou-se de Vaz Tê no mercado de Inverno e desafiou-o a mostrar o que realmente valia com a camisola dos Hammers. Amor à primeira vista define perfeitamente esta história até agora. O dianteiro português renasceu e realizou uma época inesquecível.
Apontou dez golos e realizou cinco assistências em quinze jogos. Encaixou às mil maravilhas no esquema de ataque dos londrinos e quando a época chegou ao seu final, e o West Ham United foi forçado a disputar os play-off para lograr a promoção, Vaz Tê deu a sua melhor versão. No jogo decisivo, em Wembley, frente ao Blackpool, marcou o segundo e decisivo golo. O golo que permitia aos Hammers voltar à elite. O golo que o reconciliava consigo mesmo.
Ao lado de Carlton Cole, outro goleador maldito, o dianteiro português é a grande esperança dos adeptos do West Ham para a próxima época. Será a primeira temporada completa ao serviço do clube e se mantiver o mesmo rendimento que deu nos cinco meses da temporada passada, ninguém descarta que, mais cedo que tarde, Ricardo Vaz Tê cumpra o velho sonho de ser internacional pela selecção portuguesa. Face ao deficit crónico de goleadores, a ressurreição do dianteiro é uma das melhores noticias para o futebol nacional. A oportunidade está aí.

