Alves, Bruno
O defesa central ficará para a história por ter falhado o penalty decisiva contra a Espanha. Foi o elo mais fraco da linha defensiva durante todo o torneio e talvez do onze titular que Paulo Bento repetiu até ao último jogo.
Banco
Paulo Bento levou 23 jogadores para o Europeu mas sete não jogaram nem um só minuto. Os dois guarda-redes, os dois laterais suplentes (Lopes e Costa) e Hugo Viana, Ricardo Quaresma e Ruben Micael. Ficou claro que para o seleccionador a diferença entre o seu onze e o seu banco era abismal.
Cristiano Ronaldo
O capitão da selecção teve um torneio de altos e baixos. Contra a Holanda foi excelente e contra os checos, apesar de menos eficaz, foi decisivo. Mas nos dois primeiros jogos e no duelo contra a Espanha voltou à sua versão sombra e desapareceu de campo, dedicando-se aos habituais livres impossíveis e gestos desnecessários. Como líder do projecto de Paulo Bento deveria ter puxado a equipa às costas no jogo com a Espanha e ter apontado um dos primeiros penaltys. Guardou-se para o fim e ficou sem rematar clamando injustiça aos céus. Mas não fez o suficiente para tê-la do seu lado.
Dinamarca
Foi o momento de reviravolta. Portugal vencia por 2-0 e em pouco tempo os dinamarqueses empataram o jogo e levantaram velhos fantasmas. O golo de Varela e o espirito colectivo do meio-campo foi determinante em dar a vitória que iria permitir a Portugal seguir em frente na fase de grupos. Arrumaram-se quatro anos de frustrações nórdicas.
Espanha
A campeã do Mundo e da Europa foi o carrasco de Portugal pelo segundo torneio consecutivo mas durante 90 minutos nunca soube impor o seu jogo. Portugal realizou um grande jogo mas acabou por perder o domínio no prolongamento e a eficácia na marcação dos penaltys. Foi um jogo que demonstrou que o percurso da selecção estava ao nível dos melhores do Mundo.
Fábio Coentrão
Foi criticado (e com razão) pela sua decepcionante época em Madrid mas ao serviço da selecção realizou um Europeu tão impressionante que é difícil distinguir entre ele e Jordi Alba como melhor lateral esquerdo do torneio. Omnipresente, defendeu e atacou com igual solvência, aguentou com a dupla investida no seu sector pela falta de ajudas de Ronaldo e não cometeu um só erro durante todo o torneio. A par de Pepe e Moutinho, o melhor de Portugal.
Goleadores
Portugal continua a ter um problema crónico com os golos. Nélson Oliveira jogou pouco pelo Benfica este ano, Hélder Postiga e Hugo Almeida são figuras secundárias e Cristiano Ronaldo, o homem dos 60 golos por época em Madrid precisa de 39 remates para fazer 3 golos. Sem um matador à altura, a selecção portuguesa foi incapaz de resolver com solvência os cinco jogos e acabou por cair frente ás selecções alemã e espanhola, precisamente porque não soube plasmar em golo os seus melhores momentos em campo. Um problema que em 2014, no Brasil, continuará porque no horizonte não aparecem boas noticias.
Hélder Postiga
Começou por ser questionado mas quando foi preciso, contra a Dinamarca, apareceu e marcou um golo fundamental. Destacou-se a desgastar a defesa rival, funcionando como pivot para o jogo rápido dos extremos, mas a sua lesão contra a República Checa obrigou Paulo Bento a mudar de plano e cometer o mesmo erro de Queiroz em 2010, apostando por Almeida, um jogador menos móvel e fino à frente da baliza.
Ineficácia
Portugal foi uma das selecções que mais rematou à baliza e no entanto sai do torneio com apenas seis golos marcados. Uma média bastante pobre, da qual apenas se aproveitou um dos 21 cantos marcados a favor e nenhum dos 13 livres directos/indirectos que tivemos.
João Moutinho
Foi o melhor jogador de Portugal no torneio. Correu mais de 50 kms, fez mais recuperações e desarmes do que qualquer colega de equipa e foi um bombeiro indispensável nas tarefas defensivas e um apoio fundamental no jogo ofensivo. Quando mais teve de recuar no campo (Alemanha, Espanha) foi quando o ataque português se tornou mais tímido e a sua assistência no jogo contra a República Checa, sublime. Depois de uma época cinzenta com o FC Porto provou o que em 2008 já tinha deixado antecipar, um jogador imenso que só precisa de ter ao lado um médio de maior classe para ter com quem associar-se.
Kms
Jogar na Ucrânia e descansar na Polónia podia ter sido um problema, tantos eram os kms a percorrer durante o torneio. Isso porque quatro dos cinco jogos disputados pela equipa das quinas foram em terras ucranianas. Acabou por não pagar factura, justificando a decisão da federação de preferir a tranquilidade das instalações polacos ao caos que foi a vida na Ucrânia neste Europeu.
Livres
As bolas paradas em Portugal são um problema sério sem solução à vista. Cristiano Ronaldo rouba todas as bolas que pode e transforma-as em lances perdidos. Miguel Veloso tentou demasiadas vezes o lançamento directo de posições impossíveis e acabou por não contribuir positivamente em lances de estratégia que são fundamentais em torneios de curta duração. Não só Portugal não conta com um especialista como transforma lances que podem decidir jogos em prendas ao rival.
Miguel Veloso
Foi uma agradável surpresa. Não tem a força física dos habituais médios mais defensivos nem sequer a omnipresença de Busquets ou Khedira. Mas numa posição em que Portugal andava órfão desde que Paulo Sousa e Costinha deixaram a selecção, agarrou o lugar com as duas mãos e foi sempre uma figura importante no jogo de pressão e distribuição rápida que Paulo Bento implementou. Depois de um ano apagado em Génova este Europeu devolve-o à ribalta futebolística pela porta grande.
Nani
Tem imenso futebol nas pernas mas é incapaz de aparecer nos momentos decisivos. Faltou-lhe o golo (o falhanço contra a Holanda foi evidente) e apareceu menos do que se lhe exigia. Trabalhou muito mais na defesa do que Ronaldo, é certo, mas salvo o jogo com a República Checa, esteve bastante discreto durante todo o torneio e contra a Espanha a maioria das oportunidades acabaram sempre por vir do seu flanco.
Oxigénio
Faltou no prolongamento contra a Espanha e foi decisivo. Portugal tinha mais dois dias de descanso que os espanhóis mas não se sentiu. Nem nos jogadores que entraram, nem nos que estiveram os 90 minutos em campo. Foi um problema de preparação física evidente, os espanhóis, com muitos mais jogos nas pernas, tiveram sempre mais oxigénio no corpo e na mente na hora da verdade.
Pepe
Divide com Moutinho o protagonismo individual do torneio. Foi imenso. Teve tantos golos como amarelos (1) em toda a prova, não cometeu uma só falta grave e nunca se deixou levar por esse fantasma que ás vezes danifica a sua imagem. Foi um líder na defesa, o único que se ouviu a protestar com o capitão quando este errava e ofereceu sempre uma saída com a bola quando a situação no meio-campo se complicava. É, sem dúvida, o mais completo central do futebol mundial.
Quaresma
Nem um só minuto para um jogador que em 2002 prometia tanto e que uma década depois passa pelo torneio sem pena nem glória. A sua ousadia podia ter sido útil contra checos e espanhóis, mas a sua indisciplina táctica e carácter problemático levou-o a ver o Europeu sentado desde o banco de suplentes.
Rui Patricio
Não está entre os melhores guarda-redes do Europeu mas fez um torneio ascendente. No golo alemão podia ter feito mais, contra a Dinamarca sentiu-se que estava nervoso mas a partir daí começou a assumir os galões de guarda-redes titular e foi importante na vitória contra holandeses e nos 120 minutos contra os espanhóis. Nos penaltys deu o seu melhor e adivinhou o remate de Xabi Alonso. Durante o jogo fez a defesa do torneio. Tem de resolver o problema de jogar com os pés!
Selecionador
É um treinador conservador e transmite um claro sinal de estar a preparar para Portugal a mesma ideia desenvolvida no mandato de Luis Filipe Scolari, de uma família fechada onde os novos jogadores têm problemas de integração, que o diga Hugo Viana. Mas o certo é que o Europeu de Paulo Bento foi de primeiro nível. Sem ovos para fazer grandes omeletes, eliminou a Holanda num jogo superlativo e carimbou o apuramento para as meias-finais ao asfixiar na segunda parte a República Checa. Contra os campeões do Mundo e da Europa esteve muito bem nos primeiros 90 minutos e depois acabou também ele vitima da falta de opções e frescura de ideias para aguentar o ritmo do prolongamento. Se continuar o trabalho que desenvolveu neste mês, o normal é que daqui a dois anos esteja a fazer algo bastante similar em terras de Vera Cruz.
Tradição
Portugal continua a cumprir com a tradição de apurar-se para os Quartos de Final de um Europeu. Desde 1996 que a equipa das Quinas tem estado sempre na fase a eliminar. Perdeu com a República Checa e a Alemanha nos Oitavos de Final em 1996 e 2008. Com a França e a Espanha nas meias-finais em 2000 e 2012 e com a Grécia na final de 2004. A única palavra que se repete: perder!
União
Notou-se que Paulo Bento quis recuperar o conceito de família de Scolari. Apesar da noticia da discussão entre Quaresma e Miguel Lopes o ambiente na selecção foi muito diferente do vivido na África do Sul. O facto da maioria dos jogadores (e da equipa técnica) ter o mesmo representante talvez tenha ajudado.
Varela
O golo contra a Dinamarca foi decisivo e o extremo do FC Porto, autor de uma época decepcionante, tornou-se no joker preferido de Paulo Bento. Trouxe velocidade, dinamismo e acutilância ao jogo ofensivo português e deu a disciplina táctica que Paulo Bento nunca viu em Quaresma.
Xabi Alonso
O médio espanhol tem realizado um torneio à altura do seu talento mas podia ter entrada para a história pela positiva para Portugal se o seu falhanço, ao abrir a série de penaltys, tivesse sido aproveitado imediatamente a seguir por João Moutinho. Foi o único futebolista espanhol que falhou o alvo depois de uma brilhante defesa de Rui Patricio, com ajuda de Cristiano Ronaldo que, segundos antes, lhe disse ao ouvido como o seu colega de equipa iria rematar.
Wiel, van der
O jovem lateral esquerdo holandês - sempre pretendido pelos grandes do futebol europeu - nunca mais se vai esquecer da selecção portuguesa. Já tinha demonstrado problemas nos jogos com Dinamarca e Alemanha mas frente a Coentrão e Ronaldo foi destroçado por completo e deixou o torneio com a cabeça baixa.
kYev
Paulo Bento disse que queria jogar em todas as cidades ucranianas. Ficou Kyev para cumprir o sonho. Depois de disputar a fase de grupos em Kharkiv e Lviv e as meias-finais em Donetsk, só a passagem à final permitia a Portugal completar o percurso perfeito. Não foi assim e a cidade onde o FC Porto carimbou, em 1987, a passagem para a sua primeira final da Taça dos Campeões desta vez não recebeu as celebrações lusas.
Zero
Dois jogos em que Portugal ficou a zero ajudam a explicar a dificuldade da equipa portuguesa em competir de igual para igual com equipas supostamente superiores. Frente a outras duas semi-finalistas, Alemanha e Espanha, a equipa das Quinas não só não marcou nenhum golo como acabou por criar muito poucas oportunidades claras.