Domingo, 31 de Maio de 2009
Depois de sete anos o Lyon caiu. Diante da armada girondina de Laurent Blanc e Yohan Gourcuff. Acabou a ditadura lionesa aos pés da equipa mais consistente e que melhor futebol praticou em toda a época. Ultrapassou o titubeante Lyon e soube triunfar diante do melhor Olympique de Marseille em vinte anos. Feito único. A justiça do título é clara, especialmente pelo trabalho do técnico, antigo central de excelência, e do líder da equipa destinado a ser o futuro maestro da selecção gaulesa. Depois da sofrida vitória no terreno do despromovido Caen, o Bordeaux não falhou apesar da goleada dos marselheses. Dez anos depois volta-se a festejar na Gasconha!

A Ligue 1 voltou aos velhos anos de incerteza e emoção. Terminado o ciclo glorioso do Olympique de Lyon, único na história do futebol gaulês, o Girondins Bordeaux toma a dianteira e assume-se como a nova potência do futebol galo. Graças a onze inteligentemente montado por Blanc, que analisou as fraquezas e forças do seu plantel e potenciou-o ao máximo. Gourcuff liderou o meio campo dos girondino e a reviravolta de uma equipa que pagou uma primeira volta dedicada à Champions, onde lhe faltou um pouco de sorte, mas que rapidamente recuperou terreno e se afirmou diante da oposição. A vitória na liga é também resultado do próprio campeão em título. A vitória do Lyon em Marselha ditou o final do campeonato e arrancou aos marselheses a hipótese de, quinze anos depois, voltar a celebrar nas ruas uma vitória doméstica. A equipa de Gerets também pagou a campanha europeia e a instabilidade interna que levaram mesmo o técnico a anunciar que partia para o Al-Ithad quatro semanas antes do final da prova, quando eram lideres. Um tiro no pé que não teve solução. Quanto ao Lyon, a parte de mais uma prestação mediana na Champions – caiu aos pés do Barcelona – teve um péssimo desempenho doméstico, acabando a temporada no último posto de acesso à prova máxima europeia. Muito pouco para quem tem Lloris, Juninho, Benzema e companhia, naquele que é o melhor plantel do campeonato. Para o ano os de Claude Puel voltam a ser favoritos e pode ser que a derrota lhes faça bem para voltar a ganhar o gosto em vencer.

Dentro da luta pela Europa – que a certo ponto chegou a ser pelo próprio titulo – estiveram PSG, Lille, Rennes e Toulouse. Os primeiros conseguiram finalmente criar uma equipa sólida que lhes permitiu inclusive ir mais longe do habitual na Europa. Inspirados pelo ataque Sessegnon-Houreau, a equipa da capital conta com uma excelente equipa de futuro com Sakho, Clement e Chantome como futuros líderes de um meio campo que contou também com Makelele e Rothen. Já o Lille e Rennes foram a prova viva de que o trabalho é capaz de conseguir tanto como o talento puro. São planteis sem estrelas ou grandes figuras mas que jogam de forma coesa e conseguem pontos vitais. Ao mesmo nível está o Toulouse, a grande revelação do ano especialmente após a saída de Elmander que acabou por dar mais equilíbrio à equipa do sul de França em especial com os golos do melhor marcador da prova, a revelação Pierre-Andre Gignac. No final os do Languedoc e os de Lille conseguiram o bilhete para a Europe League.
Fora da luta pela Europa estiveram quase sempre o histórico
Auxerre, Nice, o surpreendente
Lorient e o
AS Mónaco. Equipas que passaram por um campeonato tranquilo sem muitos altos e baixos, tendo-se revelado verdadeiros quebra-cabeças para os grandes candidatos ao título que aqui perderam pontos que mais tarde lamentariam na perseguição ao campeão. Na parte baixa da tabela o
Grenoble (do excelente
Savidan), Nancy e
Vallenciennes também protagonizaram uma época bastante calma, com um que outro susto para a etapa final. Clubes de pequena dimensão e poucos meios que mesmo assim mostraram que, bem geridos, podem ir mais longe que veteranos campeões. Já o
Le Mans, Sochaux e
St. Ettiene tiveram de sofrer até à última semana para não cair no poço da Ligue 2, em especial a histórica equipa verde e branca que nunca mais se reencontrou com os seus dias de sucesso.
Despromovidos acabaram os também míticos Caen e Nantes, antigos campeões de França em clara crise desportiva e económica que nunca souberam encontrar o rumo certo na edição deste ano, voltando assim a cair de categoria, poucos anos depois de terem voltado à elite. O último classificado, o Le Havre, nunca foi realmente um clube de primeira liga e desde cedo confirmou a sua descida de divisão.
